joice97 Joice Güntzel

Em um mundo pós-apocalíptico dominado por bestas horrendas e uma misteriosa sombra que cobre as florestas, Kimberley vive em busca de aventuras para fugir da tediosidade que é ser uma sobrevivente. Sua vida muda quando é selecionada como sacrifício para as temíveis feras que vagam fora dos muros seguros de sua vila! No final, querer ter aventuras em um mundo como este pode ser bem mais aterrorizante do que se imagina! Um conto que remonta a história da Chapeuzinho Vermelho!


Suspense/Mistério Impróprio para crianças menores de 13 anos.

#conto #floresta #332 #terror #378 #chápeuzinhovermelho
1
3.7mil VISUALIZAÇÕES
Completa
tempo de leitura
AA Compartilhar

CAPÍTULO 1

Ninguém sabe muito bem o que aconteceu ou como aconteceu. Em um dia tudo estava bem e de repente o mundo foi coberto por uma densa sombra, as florestas tomaram conta de tudo e o que sobrou nunca mais foi o mesmo. Ninguém sabe ao certo o que é aquela sombra, mas todos concordam que há algo de errado naquilo, algo maligno. O breu avançou por sobre toda a terra, muitas pessoas enlouqueceram com o terror que viram lá dentro outras apenas libertaram seu lado ruim... os poucos que sobreviveram formaram pequenos grupos com suas vilas fortificadas no meio das florestas sombrias. Era o século XXI voltando a se tornar a idade média onde monstros vagam soltos por aí sem medo e famintos.

- Eu gosto do jeito como ele me olha, acho que vamos nos casar! – Olívia falou caminhando ao meu lado com a mão firme segurando sua cesta de legumes que apanhamos na horta.
- Credo Olívia! Vocês ainda são muitos jovens, não pensa em sei lá fazer alguma coisa incrível primeiro? – Questionei enquanto seguíamos a passos lentos para o armazém onde eram divididos os alimentos igualmente para todos da nossa vila.
- Pelo amor de Deus Kim! Olha só para nós, estamos vivendo nossa própria idade média e a única diferença entre nós e as pessoas daquela época é que para eles houveram mudanças, evolução... e para nós? Só há a decadência. – Seu olhar que estava animado a pouco tornou-se um olhar sordidamente tristonho. Era verdade, estamos perdidos no meio de algo terrível que ninguém sabe explicar ou conter, seja o que for que há fora destes muros é algo que pode nos matar sem muito esforço e nós, não podemos fazer nada por que tudo que conhecíamos não mais existe.
- Por isso acho que Thomas e eu vamos nos casar. Por que é isso que fazemos aqui, crescemos e garantimos a perpetuação da nossa espécie!
- Que coisa terrível! Nunca imaginei que as histórias dos filmes pudessem acontecer. – Falei encarando o céu que começava a formar nuvens densas indicando que mais tarde teríamos chuva.
- Eu sei... nossas memórias estão se perdendo. As crianças já nem sabem mais o que eram filmes. Em breve seremos a idade média, de novo.
- Eu já quase não me lembro o que é um filme. – Admiti recordando que quando tudo começou eu era bem nova.

- Bom dia meninas! – Thomas falou sorridente.
- Bom dia Thomas! – Respondemos juntas e Olívia nem se quer disfarçou o sorriso extravagante. Os olhos de ambos brilharam quando se viram, havia uma faísca ali, um possível romance para aquecer o coração tristonho de minha melhor amiga. E por mais que eu quisesse que ela fizesse outra coisa da vida, eu sabia que no fundo ela estava certa e que infelizmente aquela tinha se tornado nossa sina.
- Eu vou dar uma olhada nos livros... – Me afastei afim de dar espaço para o futuro casal da vila.
- Vai gostar da seção treze Kimberley! Pedi a Caleb os melhores livros de terror. – Falou sem nem me direcionar o olhar. Sorri e adiantei-me para a seção indicada.

Caleb era um caçador, mas não um caçador qualquer. Os caçadores são nômades que vagam fora dos muros das pequenas vilas, eles normalmente são homens e mulheres corajosos que sobrevivem lá fora. Os chamamos de caçadores por que eles resgatam coisas que foram esquecidas onde eram as antigas cidades durante as fugas e também por que são os únicos que aprenderam a matar as coisas que andam lá fora. De forma geral são temidos por todos e respeitados também. Caleb era mais velho que eu, Olívia e Thomas e nós raramente o víamos pela nossa vila, por que sempre chegava no final do dia e partia antes do amanhecer, apenas trocava seus achados com Thomas e seu pai e depois desaparecia. Quando ele chegava na vila durante o dia era um completo alvoroço, por que apesar de ser um homem carrancudo e assustador, também era um homem muito bonito e atraia a atenção das mulheres da vila, casadas, viúvas ou jovens.

Escolhi qual livro iria levar para ler desta vez e voltei para resgatar minha amiga do flerte eterno ao qual havia caído com Thomas. Voltamos conversando sobre as coisas da vida quando um amontoado de pessoas na praça principal nos chamou a atenção.
- Meus caros cidadãos... – Dizia o chefe da vila com um semblante preocupado: - Precisamos começar logo a seleção das garotas que irão levar... a comida até CentrosVill. – Um silêncio ensurdecedor tomou conta de todos, cada um sabia o que aquilo significava, levar a comida até CentrosVill era apenas uma forma menos terrível de dizer que a garota selecionada seria um sacrifício para as bestas terríveis que habitam o exterior das nossas vilas. Todas os vilarejos faziam isso por que diziam ser necessário que houvesse uma distração, se os monstros estivessem satisfeitos eles não tentariam atacar as vilas. Este era um dos motivos pelos quais os caçadores preferiam ser nômades, eles odiavam a ideia de que as pessoas eram medrosas demais para defender os seus e preferiam matar um para manter os outros vivos ao invés de defender a todos. Eu compreendo a irritação deles para com isso, por que também sinto a mesma coisa.

- Como de costume todas as garotas devem se dirigir ao mesário da vila até o fim da semana e anotar seu nome uma vez em um papel. Faremos um sorteio justo no próximo fim de semana antes de iniciarmos a temporada de casamentos! E peço desde já a colaboração de todos, lembrando que a não confirmação no sorteio é devido de penalidade levando a ter o nome mais vezes prescritos lá. – Falou o chefe da vila com o olhar baixo, não houve aplausos ou barulhos. Apenas a multidão se dispersando lentamente cabisbaixa.
- Ai Deus! Tomara que eu não seja escolhida... – Falou Olívia com uma das mãos no peito.
- Fica calma! Você não será escolhida. Vai estar aqui na temporada e irá se casar com Thomas, vão dançar sua música favorita e farão amor a noite toda! Tenho certeza. – Falei rodopiando na sua frente enquanto ela sorria animada.
- Tomara... imagina, eu sonhando em me casar e de repente me transformo em comida de monstro? Cruzes... – Continuamos nosso caminho de volta para casa, mas confesso que fiquei imaginando como são as coisas lá fora. Como estão as cidades abandonadas? E como são as florestas fora das rotas que interligam as vilas? Será que as outras garotas nunca voltaram por que morreram de fato ou se cansaram das vilas e preferiram ficar lá fora? Eram pensamentos estranhos e impossíveis de serem falados para outras pessoas, por que elas certamente pensariam que eu estou louca em cogitar a possibilidade de ir até lá fora.

21 de Janeiro de 2020 às 05:33 0 Denunciar Insira Seguir história
0
Leia o próximo capítulo Capítulo 2

Comentar algo

Publique!
Nenhum comentário ainda. Seja o primeiro a dizer alguma coisa!
~

Você está gostando da leitura?

Ei! Ainda faltam 5 capítulos restantes nesta história.
Para continuar lendo, por favor, faça login ou cadastre-se. É grátis!

Histórias relacionadas

Mais histórias

A detetive Duda Danger A detetive Duda Danger
Miranda Miranda
Quem matou Summer? Quem matou Summer?