leh_castruh Leticia Castro

Um jovem estudante fica hospedado em uma antiga mansão, enquanto continua seus estudos. Mas com o passar do tempo ele descobre um quarto trancado em um andar proibido. Ele foi alertado para não subir lá, porém sua curiosidade era muito grande. Durante uma tarde chuvosa, enquanto a casa estava vazia ele subiu até o andar proibido. Mas como já haviam lhe avisado, o quarto estaria trancado. Quando Tyler olhou pelo buraco da fechadura pôde ver um olho do outro lado da porta. Quem estava lá? Parecia um olho feminino. Ele fugiu . Mas sua mente não o deixou em paz, então ele voltou para lá, no dia seguinte, e no outro também, ele descobriu que a dona daqueles olhos era uma jovem moça muito simpática que vivia presa naquele quarto a anos. Mas a dona da casa, a tia da moça, não gostou de saber que ela estava tendo contato com outras pessoas. Quanto mais tempo Tyler passava com aquela "família" mais estranhas as coisas se revelavam ser. Suspense, romance e drama, 3 palavras que descrevem On Third³ floor. (No terceiro andar)


Drama Todo o público.

#Drama-Romance-Deépoca-Suspense
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Cartas

Entrar para a Lancaster University era tudo o que eu queria, era só o que eu falava durante semanas. Um barulho soou do lado de fora da casa. Era o carteiro, o barulho daquele velho furgão era inconfundível, e o alvoroço dos cachorros da vizinhança comprovavam isso. Pulei da cama, a manta ainda estava enroscada em minhas pernas e quase me fez cair enquanto eu corria eufórico pelo corredor. Ao chegar na sala encontrei minha mãe com um monte de cartas nas mãos, ela fez uma expressão assustada quando me viu correr e pegar todas aquelas correspondências, joguei distraidamente as propagandas e cartas inúteis para mim no chão, por fim segurei um único envelope azul marinho com o selo da Lancaster university. Minha mãe terminou de juntar os papéis do chão e encarou o envelope que estava em minhas mãos:

— Abra logo! — Disse ela sinalizando com a cabeça.

Meus dedos trêmulos deslizaram sobre o selo dourado, e finalmente abri o envelope, dentro havia um texto imenso falando sobre os valores da universidade. Meus olhos apressados percorreram todo o conteúdo da carta, e se fixaram em um letreiro dourado, meus olhos se encheram de brilho e algumas lágrimas de felicidade. Segurei minha mãe pela cintura e a rodopiei do ar enquanto eu gritava feliz:

— Eu passei! Eu passei!

Imediatamente os outros membros da família apareceram assustados com a algazarra:

— O que aconteceu? — Perguntou meu pai enquanto observava sua esposa sendo girada do ar. Soltei minha mãe no chão e disse sorridente:

— Eu passei pai! Eu entrei para Lancaster University!

Meu pai e meu irmão mais novo me abraçaram para comemorar. Minha mãe fez duas tortas doces para a sobremesa. Todos estavam contentes durante o jantar. Depois de passar tantos dias com a cara grudada nos livros e outros tantos esperando a carta de aprovação, finalmente minha agonia havia passado, e dado lugar a uma intensa alegria:

— Você já sabe a onde vai morar? — Perguntou Erika, minha irmã mais velha que chegou para jantar. Eu a olhei um pouco assustado, eu estava tão concentrado em passar, que não havia pensado nessa parte ainda:

— Eu... eu não sei ainda... — Disse um pouco pensativo.

— Os dormitórios da Lancaster são muito caros, você deveria alugar um quarto em alguma pensão próxima do centro da cidade. Júnior me alcance o molho por favor.

— Eu tenho um amigo que mora ao Sul, próximo do litoral, eu poderia pedir para que ele te hospedasse por um tempo.

— Ficaria muito longe para o Tyler. — Disse minha mãe sem prestar muita atenção.

— São apenas 20 minutos a mais, e seria bom para ele economizar um pouco de dinheiro. Júnior me passe o frango.

— Concordo com você papai, Tyler deveria economizar para o casamento.

Houve um silêncio estranho durante o resto do jantar e algumas tentativas frustradas de puxar algum assunto. Casamentos eram assuntos delicados em nossa família. Enquanto mamãe e Erika recolhiam os pratos da mesa Júnior implorava por mais um pedaço de torta de caramelo. Meu pai me levou até o seu escritório. Então algo raro aconteceu, meu pai me serviu com o seu whisky. Era uma grande honra, pois significava que ele me reconhecia como um homem adulto e responsável. Tomei um gole, o líquido desceu queimando em minha garganta e não pude evitar fazer uma careta:

— Meu pai me serviu dessa mesma garrafa quando eu tinha mais ou menos a sua idade. — Disse enquanto acendia seu charuto. Ele me ofereceu um mas eu recusei:

— É bom que você não fume. Isso vai acabar me matando.

Ele tossiu assim que inalou aquela fumaça. Depois puxou um papel e uma caneta e começou a escrever:

— É a carta para o seu amigo?

Ele assentiu com a cabeça. Logo que terminou de escrever a carta ele a fechou em um envelope com um selo.

— Vou envia-la amanhã de manhã. Ronald é um bom homem, ele ficará feliz em receber meu filho.

Ele disse "meu filho" com um tom orgulhoso:

— Como vocês se conheceram? — Ousei tomar outro gole do Whisky.

— Servimos ao exército juntos. Eu salvei a vida dele uma vez e viramos melhores amigos. Ronald se apaixonou pela enfermeira do exército, então ele se machucava só para ir vê-la na enfermaria. Depois que cumprimos o tempo no exército perdemos o contato.

— É uma bela história. Ronald ficou com a enfermeira?

— Oh sim ele ficou, eu recebi o convite para o seu casamento, 19 anos atrás, mas sua mãe estava prestes a dar a luz a você e sua irmã estava com caxumba. Não conseguimos ir. Mas sei que foi uma grande festa. Oh como Mary deve ter ficado linda em um vestido de noiva. Branco sempre lhe caiu bem, ressaltava a beleza de seus cabelos ruivos.

— Ruivos? Como o fogo?

— Não, era suave como o por do sol.

Ficamos de conversa fiada. O charuto estava quase no fim, quando minha mãe bateu na porta:

— Você deveria ir dormir Tyler.

— Tudo bem, já estou indo. — Beijei-a na testa e subi as escadas. Então encontrei Júnior parado no corredor:

— O que você está fazendo aqui? A mamãe já vai apagar as luzes.

— Ele te deixou beber o Whisky?

Júnior me olhou de canto de olho, aquela pergunta me pegou de surpresa:

— Sim.

Júnior baixou a cabeça e cerrou os punhos:

— Você está bem? — Perguntei enquanto me aproximava dele.

— Eu não entendo porque ele prefere você. Temos quase a mesma idade e você passou os últimos 5 meses trancado no quarto ou na biblioteca, enquanto eu trabalhava, enquanto eu ajudava ele nos negócios da família. Mas mesmo assim ele prefere você, não importa o que eu faça ou o quanto eu me esforce, sempre será você.

— Não exagere Júnior, eles não tem um filho preferido, eles nos amam da mesma forma.

— Isso não é verdade, veja só, Erika conseguiu um bom casamento e tirou o nome de nossa família da lama, você faz tudo certo e dá muito orgulho para eles, mas e eu? O que eu faço de importante?

— Todos gostam da sua salada de repolho — Falei em tom de brincadeira, mas logo fiquei sério — Ora Júnior você é o mais beneficiado entre nós. É o filho caçula e assim que eu partir, ficará com a mamãe e o papai todinhos só para você! E tenho certeza que irá assumir o lugar de nosso pai nos negócios.

— Seria legal se eu assumisse os negócios da família.

— Não fique ansioso para beber com o papai. Aquele whisky é horrível! — Júnior riu sem mostrar os dentes, as luzes se apagaram e nós corremos para nossos quartos antes que a mamãe visse que ainda estávamos acordados.

Algumas semanas depois recebemos a resposta de Ronald, que enviou uma imensa carta para o meu pai, mas a única parte que me interessou foi quando ele disse:

"Claro que seu filho pode vir, será um prazer recebe-lo, apenas espero que ele não seja tão feio quanto você!"

A risada rouca de meu pai ecoou pela casa diversas vezes enquanto ele lia e relia aquela carta de seu valho amigo.

*Semanas depois*

Meu quarto estava praticamente vazio, a não ser pela minha cama, guarda-roupas e uma escrivaninha próxima da janela, todo o resto dos meus pertences estavam espremidos dentro das minhas malas. Desci as escadas lentamente enquanto observava os olhos de minha mãe se encherem de lágrimas. Abracei primeiro minha irmã que estava mais próxima da escada:

— Se cuida. — O tom de voz de Erika mudou, e se tornou em um quase sussurro — Lembre-se de procurar uma boa esposa, é muito importante que você se case antes dos 30 anos. — Para ser sincero eu ignorei completamente a ultima parte, ela secou duas lágrimas com seu lencinho. Júnior me deu alguns tapinhas nas costas e disse:

— Não volte muito cedo. — Embora seu tom de voz e seu sorriso indicassem que ele estava brincando, eu sei que no fundo ele desejava isso, que eu não voltasse tão cedo.

— Sentirei sua falta filho. — Me abraçou forte — Diga ao Ronald que fui eu quem trocou o shampoo dele por sebo. — Só em dizer isso o rosto de meu pai ficou vermelho de tanto rir. Por fim, era a vez de minha mãe, essa foi a primeira vez que eu me senti realmente triste por estar saindo de casa. Senti um aperto no peito e um nó na garganta quando a vi enxugar as lágrimas e me dizer entre soluços:

— Eu te amo querido, não se esqueça de escrever para nós, não fique na rua sem agasalhos quando estiver muito frio. Oh céus eu não suporto imaginar que você não poderá comer minhas comidas, prometa que vai se alimentar bem. Eu confio totalmente em você quanto a bebidas, mulheres, amigos e atitudes, mas não custa lembra-lo para ter juízo, não faça nada que terá vergonha em me contar. Se divirta, estude, não perca o foco e traga muito orgulho para a sua família!

Eu tentei espantar algumas lágrimas que ameaçavam sair, mas não obtive sucesso. Elas rolavam calmamente por minha bochechas, mas minha mãe as enxugou com seus dedos frios, antes que elas chegassem ao meu queixo:

— Você precisa ir logo Tyler, a carruagem já chegou — Disse meu pai enquanto carregava minhas malas.

— Eu te amo mãe. — Por fim me despedi dando-lhe um beijo na testa. Antes de entrar na carruagem gritei:

— Amo todos vocês!

O cocheiro bateu com as rédeas nos lombos dos cavalos, produzindo um estalo, que me fez perceber que a carruagem já estava andando, então corri e saltei para dentro dela em movimento. Quando pude finalmente me acomodar no banco, olhei pela janela e vi minha família acenando para mim:

— Iaaaaá! — Gritou o cocheiro, aumentando a velocidade dos cavalos. Minha família, minha casa e meu lar foram ficando para trás, cada vez mais longe, até se tornarem apenas um borrão, uma imagem gravada para sempre em minha memória.

17 de Junho de 2021 às 16:33 2 Denunciar Insira Seguir história
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tata tata
Meu Deus, que maravilhoso! Quero o próximo capítulo na minha mesa
February 26, 2021, 17:03

  • Leticia Castro Leticia Castro
    sofri pra escrever esse, calma aí amg. February 26, 2021, 17:34
~