atila-titi-senna Atila Senna

Marília precisava se encontrar-se com seu amor, mas as dificuldades e os costumes impostos da época a privava de um relacionamento a aberto e seus pai pela idade já mais aceitaria. Precisava de um esconderijo, um local secreto. O amado lhe indicara as águas translucidas que outrora tocava seu corpo nu entre as terras de seus pais. Mas Marí não conhecia o caminho para chegar às águas, precisava de ajuda. Era um plano simples.


Drama Todo o público.

#pernas-quebradas #machucados #menina #medo #dor #água #panico
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A queda

Enfim desfiz-me dos braços de minha mãe com a devida permissão e corri pela claridade da estrela o mais rápido que a vontade permitia e fui até a porta. Adentrei pelo caminho do corredor lateral da casa e cheguei à cozinha, dela até a sala atrás de meu pai. Encontra-se sentado no sofá mais confortável da sala lendo papeis de contas e um velho jornal.

— Essas notícias são de três dias meu pai.

— Sim, mas é o que nos trouxeram o caminhoneiro. O que você quer?

— Venha ficar conosco no gramado, a mãe está linda lá.

O homem então tirou a atenção do jornal e sorriu a filha.

— Linha ela sempre foi.

— Então venha... Depois podemos ir ao riu?

Não sabia ao certo qual seria a reação de meu pai, pois eu própria nunca tive uma grande vontade de sair dos arredores da casa para longe nem se quer acompanhada dele, nem mesmo nunca havia dado a ideia de sair para longe do quintal por curiosidade. Realmente não havia tido em minha vida muito interesse em sair para lugares assim, mas dessa vez eu tinha uma razão. Amor.

— Sairá neste sol?

— Tomarei o cuidado de não se expor.

Numa breve pausa passou a pensar sobre o assunto. No final me surpreendera ao dizer que no dia seguinte iriamos. Pareceu-me bom aos olhos do pai meu pedido, até então não desconfiava.

***

Os maiores, se não o maior orgulho que um homem pode ter são suas terras, sua esposa e uma filha linda. Isso a todo custo deve ser zelado guardado e com o passar dos anos melhorado a medida do possível através de um relacionamento fiel, feliz e respeitoso. Cidade talvez seja um lugar para idiotas, não para os grandes empresários, mas paras todos os assalariados! A fazenda sempre foi o melhor lugar para se morar e, depois de tudo, viver aqui será melhor ainda para morrer em paz. Longe da poluição do barulho urbano, do mau cheiro que produz. Pouco importa se lá á tecnologias que aqui não tem e que de alguma forma aqui não possa chegar. Teus pais nunca mais voltaram a morar na cidade nordestina, berço donde nascera magros e famintos, muito menos cogitara a possibilidade de voltar a tal seca que lá prevalece.

Quando mudados para cá teu filho, ainda na infância, conhecerá uma bela criança, já alguns anos mais madura que ele. Algo quase pedófilo na época. Queria uma casa em meio à natureza para habitar com Leila, pois, ambos aprenderam a odiar, até os dias de hoje o odor e o barulho produzido por todas as cidades; feito da revolução industrial. Maldita que fragmentará os conhecimentos dos trabalhadores os transformando em substituíveis. Maquinas. Ele, homem, meio velho, conserva traços de aparência nova ainda, sempre presando por estas terrar, intende realmente todos os seus valores. Tudo. Até mesmo os mais simples animais, clima e, principalmente a beleza que há em tudo isto.

Levantou enormes plantações, o principal: Café. A força industrial do país nesse período fértil. Homem natural, nos momentos livres desfruta do próprio canto das aves gozando das terras e das grandes árvores rugosas no clima frio do Sul pelo qual sempre foi apaixonado. Diferente de seu pai, que viera do Norte e, desde que viera para cá sempre reclamou da falta de calor, justamente o que seu filho adora nestas bandas do Paraná.

O inverno começava e suas plantações estavam ameaça do frio que queimara o que lhe traz lucros, se for rigoroso tudo perderá. E espalha-se por aí a pior previsão já feita nos últimos anos; diz o jornal da região que chegou atrasado em tuas mãos. Nas proximidades dos limites de sua terra, caminhava próximo onde um rio límpido, transparente, que em determinados lugares só sabíamos pelo som da passagem da água, pois mesma se espalha ficando rasa que parecia apenas areia se visto de longe. Longe do que chamam de sociedade moderna há mais de quilômetros de distância a cidade mais próxima de sua terra, Solitária, a cidade mãe de Leila. Á mais ou menos 70 quilômetros daqui à cidade vizinha, maior e mais populosa, tudo é longe, mais ainda a capital Curitiba. Solitária desabrocha seu abandono aos poucos, anos e anos de mau gerenciamento de judiação climática.

Leila havia decidido ficar em casa. Marí canta entre as águas do riu, rindo de si mesma, engrandecendo sua voz, das músicas que marcava sua vida, para como o cantor original se igualar. Molhava seus pés descalços na areia clara sem se importar com som que ecoava distante espantando os pobres animais da presença humana. Jogando-se no colo do pai, mesmo que grande como ele, com o mais puro bem-querer entre pai e filha, trançara suas pernas compridas em volto da cintura e se inclinara para trás jogada a gravidade mesmo que a claridade da estrela lacrimejara os olhos. Um rir de satisfação entre eles desabrocham.


— Posso vir aqui outrora só meu pai?

— Outrora só, por aqui? Por quê? Tu achas que pode?

— Posso. Você não poderá vir todas às vezes que eu desejar. Por isso peço.

— Conversaremos outrora com sua mãe então. Você sabe como ela é.

— Prometo me cuidar!


Seu pai pensou que nada de mais teria, se não fosse muito longe e se não adentra-se o mato em meio aos animais selvagens que sempre perambulam por aqui. Precisa se preocupar com os animais, dizia ele. Sua filha queria ser mais aventureira, de saber gostar da natureza como o pai. Para que possa ser uma grade mulher nesta região quando crescer, longe da sociedade machista e racista, morar afastado dos aglomerados de pessoas acaba se tornando muito melhor, pois quer que a mesma sempre tenha seus pés em terra, longe do asfalto quente.

Por isso lhe dera este nome, Marília. Mais antes que desse tempo de perguntar o significado do próprio nome á gralha-azul começara a demostrar seu canto numa das galhas de uma araucária chamando a atenção de ambos. Demostrava-se ameaçada uma vez que parou de saltitar sobre as galhas. Tinha sim uma insegurança em seus olhos, os movimentos, a cabeça de um lado para o outro pronta para saltar a qualquer momento pós-canção. Bastaria ajeita a plumagem para partir entre as grades árvores ou acima de todas elas.


— Porque ri? — perguntara a filha.

— Corre tu que ainda te pego!

— Duvido! —desdenhou a menina.

— Esta pensando que sou velho, criatura? Corra!


Marí partiu em disparada de braços abertos moldando o que era silêncio em gargalhadas e risos dentre a floresta, gritos agudos que vinha da energia de brincar. Parecia ter menos da idade verdadeira, parecia criança arteira. Seu pai correrá atrás não por intuição de pega-la, mas por pura proteção. Gorava seu feito para que não se machucasse, adiantava cada passo para prever se haveria tombos ou pancadas à frente, adorava se sentir pai dessa criatura. Tão nova, já mulher, as mulheres se casam em idades assim, estorvou este mau pensamento em sua mente. Muitas obrigadas a isso. Não queria que com Marília fosse assim. Já estavam cansados, mais seu pai que mesmo assim persistiu, atravessavam toda a extensão territorial da fazenda e, já não se aguentava muito. A velhice já era uma de suas características mais forte em sua aparência.

Abruptamente a floresta acabara e nesse momento a gralha se misturou ao céu de mesma cor desaparecendo segundos depois. Em seu coração, agora mais de criança do que à idade que carrega, Marí demostrou uma leve decepção pelo fim da correria, mas uma felicidade por estar liberta dos deveres que se estivesse em casa teria os de fazer. Estava divertida, não se importava em parecer uma criança ou uma menina boba, sabia que não é sempre assim, é assim que seu amor dizia mesmo ainda mais velho que ela “Ainda vejo o mundo com o solhos de criança, às vezes é bom brincar fora de idade.”. Não corriam mais, pelo menos havia aliviado o corpo de teu pai que suava a escorrer pelas costas fervente marcando a camisa.

Mais a brisa fresca logo dará conta de amenizar o cansaço e o suor de ambos os corpos. Enquanto isso Marília observa o novo cenário e, repentinamente seu pai pega sua mão por trás e a leva para o alto fazendo-a rodopiar, se equilibrando em um pé apenas, sorrindo enquanto ela gargalha.


— Acabaste aqui; meu pai?

— Acabaste, mas só por enquanto. Agora aproveite um pouco o lugar.

— A vista é linda. Da para ver todas as construções longínquas! Quase não as vejo.

— Eu já não as enxergo mais. Forçar da dor de cabeça. — revelou seu pai.

— Outra vez isto?

— Velhice. — confirmou assim.


Não era nada que se preocupar segundo o próprio. Uma velha árvore no lugar mais alto da região, nada mais havia ali, e todos os sítios que se posa ver dali ele apontou com o dedo, mesmo que não enxergasse as casas que estão a quilômetros de distância, mira com precisão na direção certa. Quando saíram foram em direção norte, correram pelas laterais passando a distância da casa no sentido sul e desse outro extremo podem até mesmo ver a própria casa morro abaixo.


— Gostei daqui; meu pai.

Vez ou outra, dizia, sempre vem aqui! É lindo. Gosto de ficar com os pés na grama gelada, olhar para á árvore rugosa e cinza, muitas coisas da natureza.

— Mais já está morta.


Admira mesmo assim, ficava tão bem contrastando enraizado no verde da grama e, por estar seca tem mesmo efeito de enraizar no céu como faz na terra. Com a árvore não havia mais nada, além de um velho tronco negro no local apodrecendo ao lado, duro ainda, resto de outra vida morta que fora queimada sendo corroída pelo tempo. A frente uma velha cerca farpada que começa a esquerda e acaba logo à direita sem dividir terra alguma, apenas resto de uma divisão antiga. Seu pai escorra-se ao tronco negro, pedindo a companhia da filha para descansar unidos.


— Vou começar a ficar velho Marí. Minha visão já não é tão boa — apontara com o dedo na direção certeira em uma casa a quilômetros de distância. — Aquela casa, já não vejo mais.... Nem essa.... Nem aquela.


E para cada casa que apontava com o indicador na direção certa a filha impressionava-se, mas também preocupava ideia. Mais sem perguntar seu pai negava uma doença, coisa da idade afirmou, ainda via muito bem se não fosse a distâncias grandiosas. Aquela ali próxima, por exemplo, é a casa da velha bruxa, a via bem. Marí riu delicadamente da velha bruxa, que não penteia os cabelos.


— Trabalhei muito a vida toda minha filha, o corpo envelhece rápido.


Aqui pode sentir seus pés nus sob o chão, sentir as raízes mais grossas e, às vezes até com ela conversar sobre o que fazer, contemplava o horizonte turvo. Logo Marí olhara para trás de onde havia vindo, teve um sentimento de distância, nunca tinha se afastado tanto de casa deste modo por um plano amoroso. Da atenção no som que o vento produzia entre as árvores e galhas, na escuridão ao fundo de onde viera correndo, anunciava-se no céu a chuva de fim de tarde que logo chegaria e consigo traria nuvens carregadas, tão escuras que parecem se apoiar nas terras do horizonte. Relâmpagos clareiam. Seu pai dizia que voltando mais atrás à esquerda dentre a mata, mas afastado da casa sentido oeste existia um riacho perneando a mata até se juntar no rio onde estavam ao norte antes de atravessar à terra de um lado para o outro. O local é de conhecimento raro, outros poucos como seu pai que sabem apenas. Ele sempre passara pelo menos uma vez a cada mês por aqui para ter o prazer, gosta de se banhar nestas águas, colher flores, sentisse com a natureza um homem da terra. Descrevendo o local com suas belezas, instigava a filha. A imaginação fértil logo idealizou em sua mente um local perfeito, cheio de pedras e quedas, paredões rochosos que esconde a luz da estrela. Uma cachoeira formando uma espécie de pequeno desfiladeiro de alguns metros com água saltando sobre as pedras onde cairá longe e, ao lado no topo da queda d’agua, como descreve seu pai: uma grande árvore rabiscada há tempos, quando comprara estas terras, lá ainda está à marca do casal mais perfeito já visto.


— Adão e Eva meu pai?

— Não, o nome de sua mãe junto ao meu Marí.

— E a árvore?


A árvore nomeasse Colosso, claramente a mais parruda de toda às que já viu, nem uma mais como ela na região. Marília sentiu que ira gostar, em sua cabeça de menina apaixona já havia previsto um futuro para estar lá, seu homem tem fascinado pela natureza agradar-se-ia fácil certamente. Mais quis grafar seu nome na mesma, mas seu pai negou, pois, o prego que carregava em seu bouço era somente dele e não emprestara a ninguém. A não ser que Marí, como ele bem disse, conseguisse pegar de suas mãos.


— Pois, se quiser — disse ela sorrindo. — Pego!

— Tente!


Foi fácil, foi astuta como manda as pessoas de idades jovens. Bastou um pulo para se agarrar ao corpo do pai que a desistência instantânea a deixou vencer, Poucos abraços, muitas regras e imposição de costumes ultrapassados não fazia seu gênero, porém, fora diferente com sua filha, há tratara sempre com felicidade sempre com bondade. Marí então esticara as pernas compridas com o prego na mão em fuga, partiram na direção leste voltando ao norte. Mesmo ainda se vendo cansado se forçou persegui-la pela mata. Marília fora veloz, adentrou entre galhos e buracos sempre sem temer se machucar, dessas meninas que como moleque correm e trepam em árvores, passou entre obstáculos sem medo de se arranhar, pulou os troncos tombados sem medo de enroscar os pés sem temer pisar em falso. Mesmo sem nunca se quer ter estado por aqui, parecia se dar muito bem. Seu pai logo atrás cuidava guiando-a na própria fuga contra ele, às vezes gritava, pedia tempo para folego, já era velho e tinha pouca visão. Outrora guiara Marí para onde deveria ir com detalhes minuciosos, ainda assim fazia com que não perdesse a graça. Talvez ele estivesse realmente tentando pega-la, pensara ela, mas achava isso quase impossível e, tinha dúvidas em certos momentos.

A vista era um deslumbre, um paraíso próximo de casa. Correram sob o tronco tombado da árvore ainda viva, trombaram em lindas flores e espalharam seus aromas ao ar. Sentiram o frescor da terra úmida ao chegar à beira do riacho e houve um momento em que passou correndo por um par de sapatos feminino, estranhou e, ao reparar os pés não tão delicados da menina os viu nus, mas não reclamou e ali mesmo os deixou. Guiara sua fuga de pés descalços entre às águas nos estreitos caminhos percorridos pelo riacho.

Enconcaram obstáculos no caminho, se apertando e se curvando para passarem em tuneis improvisados com galhos e troncos pela própria natureza. Nas retas estiraram mais os pés espirando água ao quatro cantos, quebrando as casas de arranhas com o próprio rosto e tirando-as com uma das mãos de seu caminho. Molhando para trás, seguia seu pai fadigado e, rinham-se da diversão. A esta altura seu pai havia ignorado os sapatos e suas calças e, arrependia-se, não por molha-los, mas pelo fato de pesar em seu corpo. Sentia dificuldades em manter o mesmo ritmo de Marí que usara apenas um curto pano azul do que era há meses atrás um longo vestido comprido. — Havia pavores de sua mãe contra isso, sempre ao ver sua filha trajando poucos panos se assustara; o que pensaria? Semearia o mal na cabeça de quem via. Mas serenamente o pai argumenta que era apenas um corpo, uma moça jovem escondida do mundo nestas terras longe dos julgamentos preconceituosos da sociedade que um dia pensará deferente desta época. Acredite! Maldito preconceito! Estava meio nua apenas, não mostrava nada de mais o que qualquer outro corpo tinha: coxas.

Depois decerto tempo Marí acabou tomando distância, percorrera o caminho entre rochas avermelhadas e de corres mais escuras, era como havia imaginado, entre grandes ladeiras e caminhos d’água num chão liso, lodoso, pequenos desfiladeiros exibem suas mais variadas plantas típicas. Seu pai ao longe mostra certo preocupar, pedia para que desviasse das pedras, às mais verdes para não escorregasse, pedia cuidado, gritava de momento em momento. Demonstra medo de perdê-la em uma queda simples, mas fatal. Mais à frente em determinados trechos passava por caminhos perigosos, valas e pequenas queda d’água que podem machucar num deslize, um descuido. Marí ainda segurava firme o prego, e percebera que tinha certa distância de seu pai e se aproxima da queda da cachoeira que há pouco havia revelado. Suas coxas longas e suas canelas finas desacelerarão quase ao ponto de parar, respirando profundamente a garoa densa, sorrindo feliz neste novo pedaço de mundo de conhecimento que observar com esplendor. Já estava anunciada a desistência de seu pai que passou a caminhar observando-a de longe, aquela criatura que cria feita de puro amor com sua amada mulher. Marí observava o topo do moro onde habitava Colosso, seu respirar aos arrancos de tanto correr aliviava até que decidiu subir para que não a pega-se. Linda, uma moça que hoje passa a ser uma menina criança de tanto brincar.

Preocupado seu pai gritará ainda distante, dera a ordem que ela já havia tomado a decisão antes mesmo saber se seu pai a autorizar.


— Sobes! Vá até a árvore seu nome rabiscar!


A parede era muito inclinada, moldada pelo tempo, há milhões de anos ou há poucos mil como ela e sua mãe acreditam, são mais ligadas às coisas de Deus. Mais de qualquer forma o habitat do orvalho, gotículas de água que plainava sobre o local naturalmente e, lodo. Caminhava anda a observa-la e, só parou abaixo onde subia a filha para cuida-la, para caso de algo ruim acontecer estará ali.


— Te cuides Marília!


Pareceu se sentir provocado o mundo quando disse estas palavras a ela e, no exato momento à mão veio a escorregara no lodo. As pupilas de ambos se expandiram num momento de adrenalina, migalhas desceram rolando e saltitando até os pés do pai até se afundaram na areia com água.


— Não foi nada demais! Vá! — encorajou seu pai.

— Você não vem?


A menina continuou; agora lhe parecia um abismo a essa altura. Quando chegou levantou-se diante da árvore, esplendida, que até se esqueceu de que estava à beira do abismo e poderia despencar. O barulho da cachoeira atrapalhara seus gritos a dizer ao pai que tudo era lindo! Seu pai ainda mais fadigado de antes tivera muitas dificuldades em subir. Depois do esforço ele silencia subitamente ao chegar, porque era duvidoso o silêncio ao redor de Colosso, sua filha não se encontrava e despertara um sentimento de aperto em seu peito. Julgou ainda com calma que o mais correto era de se pensar: que ela estaria a se espreitar atrás da árvore para assusta-lo. Há conhece! Pessoas dessa idade fazem isso, pensou, fazem isso a todo o momento por diversão. O abismo logo atrás ao lado da queda d’agua rodeado de paredes de rocha para qualquer iniciante de aventura como Marília era amedrontador, jamais cometeria tal besteira. Onde estava? Não havia de ter ocorrido nada de mais, mas por segurança a chamou uma única vez. Não houve resposta. Antes de insistir numa segunda vez, assustou-se antes de sua boca mal se abrir e pulou de susto por uma folha seca que fez barulho ao se desprender e cair justamente por onde Marí surgiu pisando sobre ela e outras no mesmo momento.

Ao passar nessas quebrando em pedaços levou poucos segundos no seu absoluto silêncio até chegara à beira do desfiladeiro da queda d’água donde pulou. Sentiu no coração de pai uma leve falência, uma queda de energia uma fraqueza em suas pernas que o impediu de acertar o primeiro passo à frente para impedi-la. Arrependeu-se por tudo por tê-la trazido até aqui. A formicação em seu corpo foi escutar junto do chiado da queda d’água a voz de sua filha, sem dor alguma sem nada de mais aparentemente, logo tomou a ordem de seu juízo mental.

Marí o chamava. São mais de metros de altitude. Era nítido o respirar tenso, até pensou em repreendê-la como nunca antes devido uma loucura desta, pela burrice, mas desistiu ao olha-la molhada na água, vendo-a sorrir quase como um hipnotizar. O pânico que sentiu em perder sua filha por alguns segundos ainda o atacava forte, pois parecia não ter avaliado os riscos de tal atitude, certamente não se pode fazer algo assim sem pensar nas consequências, mas isso aconteceu era real! A mão de sua filha o chama, enquanto vai saindo da parte profunda da água o provocando, dizendo que ele não ira pega-la! E em resposta, para disfarçar o pavor que sente gritará retrucando que a pegaria fácil se não corresse dali. Marí riu e deu-lhe às costas a fugir, corre pouco produtiva se comparada à velocidade de antes, pois havia muitas pedras, muito lodo, mas continua a segui o percurso das águas deste riacho que quase vira rio devido às várias junções de afluentes, menos volumosas, que brota nas laterais. A flor da pele ele a via escapar novamente, sem prego, pensa que usou no momento de silêncio para rabiscar seu nome no tronco. Descer por meios comuns demoraria. Antes de alcançar o tocar das águas seus olhos se fecharam.

Marí ainda fugia pelo percurso nunca antes feito rumo ao norte, depois da primeira curva já não podiam se ver, pisava em falso em areias que escondia seus pés como movediças e, para evita-las faz o percurso pelas laterais rasas desviando de galhas. Observando o caminho à frente, viu uma pequena queda d'água que acumulara certa quantidade sem demostrar profundidade. Não lhe causou medo, mesmo sendo escura. Tudo foi muito rápido. Pensou que duas braçadas a tiraria dali, pois tinha dimensões pequenas, mas mudou seus planos ao perceber ser mais profunda que o previsto, o suficiente para os pés não tocarem o solo, mesmo já submersa. Afundando-se se apegou ao medo e aos pavores nas primeiras frações do segundo um, onde percebeu seu erro. Submersão.

Subiu de boca aberta a procura de ar para seus pulmões necessitados. Apavorada, tentava procurar o que tocar com os pés tentando se afastar do fundo, procurando o relevo da areia nas bordas para se apoiar com as mãos para arrastar o corpo para fora onde poderia se acalmar. Olhava apavorada por aonde havia vindo, respirando em arrancadas, babando água com pausas de respiro, sentindo em sua garganta de modo incomodo o gosto ruim. Estava esperando o óbvio, logo estará aqui para salva-la, por que sempre estava atrás dela a cuidar, porque já tinha pulado. Seus cabelos encharcados se bagunçam em seu rosto pálido e gélido devido ao susto como também pela água gelada. Acabara a alegria, deslocava os braços em movimentos apavorados numa tremedeira sem controle e, seus olhos a fez chorar em silêncio. Marília respirava fundo para assim começar devagar com os controles das emoções, reparou que tudo que era verde foi esquecido, estava escuro nos lugares mais profundos da vegetação e sobressalta aos olhos assustando-a, a água parecia gritar ameaças que subiria o volume vindo a engoli-la. O único que queria ali não aparece. Começará a chamar pelo pai, ainda tinha esperança de ser salva de um medo que dominou uma criança, salva-la de algo que não precisava, apenas queria que ele a aliviasse desta tensão. Mais com o tempo se cansara de chamar, decidiu se levantar da areia e, devagar passar pela lateral do poso que quase se afogará e voltar pelo caminho percorrido.

O tremor que se misturava com o frio tomavam as rédeas a fazendo desanimar-se. Caminhou novamente pelas laterais com frio e atento a tudo, ao virar a curva do riacho sua pele se assemelhou ao pó de arroz, muito mais branca do que já estava. Viu sob a areia acumulada da beira da queda que sobe do mais profundo, trazidos pelas águas os grãos de arreias, o corpo de seu pai. Fora arrastado pela força da água para o canto. Estava desacordado. A par dessa cena a tremedeira dominava com todas as forças de seus músculos, passou pelas pedras e numa escorregou, até que se aproximou. Desperdiçou minutos chorando com as mãos sob a boca o chamando entre os dedos trêmulos: pai! Não conseguia se aproximar com medo d’água, do barulho e do lugar que mal sabia estar, quase desmaiará mais com o tempo se aproximou, depois começou a toca-lo, pedia por Deus para ajudar a ambos!


— Pai...


Não havia a quem recorrer.

Virou seu rosto para longe dá água e por algum motivo explicava ao corpo desligado que iria arrasta-lo pelos braços águas abaixo até em casa. Havia notado que não respirava ao colocar a mão em seu peito balbuciou a palavra pai como se tivesse perdido, olhando em seu rosto com aspectos sofridos, Marília tocou seus lábios sem pensar e afastou formando uma corda de saliva e apertou seu peito. Bastou, um só foi o suficiente para acordar alucinado sem movimentos norteados a babar água se saliva, enfermo. Marília pode sentir sua barriga se mexendo, que bom é está vivo, agradecia a alguém.

Quando pegou pelos braços e com dificuldades arrastou para fora por completo da água gemera de angústia ao olhar o corpo, os inchaços anormais a fez arrepiar-se. O homem enfim reproduziu o primeiro ruído, mas ela não compreendera, disse então que o arrastaria rio abaixo seguindo o norte e pode vê-lo concordar com um aceno positivo. Começou uma rota de cuidado e choro que tivera de passar por cima de algumas pedras, fora cuidadosa ao passar nas mais lisa e lodosa nas ásperas e pontudas pedras, nada facilitava a passagem do corpo. Era horrível ver aquilo se dobrando e não ser uma junta. Por sorte o corpo boiará a maior parte do tempo de modo que não entupia seu nariz e, onde não possa arrastar sobre águas rasas, o levava por areias macias. Quando a profundidade se torna adequada não encontrará resistência, sofria menos, pois, ganhava o arrasto da correnteza do contrário suas forças seriam maiores. Gemia muito e muito replicava Marília por vê-lo assim. As veias de seu corpo saltam as vistas, assim como as de seu pai pela dor. Ainda respira, mas cada vez mais inconsciente mais delirante.

Duas vezes em areias rasas o corpo escapou encalhando, escapava de suas mãos e a derruba de bunda no chão batendo os dentes da boca que muito lhe tremia. Tomava um tempo de alguns segundo para descansar e limpar às lágrimas até que novamente chorava. Mas mal ficava de tal forma ao escutar os gemidos de dor e pavor de seu pai, pois todas as vezes que escapava dos braços da filha seu rosto afundava no raso da água o fazendo temer um novo afogamento. Continuava a empurra-lo. Falta-lhe força. O pouco que tinha ameaça perder com a choradeira e, ah Deus pedia para que ele volte-se ao estado lucido para dar forças a ela para continuar. Em alguns momentos os pés enroscavam em galhos velhos, Marília não percebia estes de baixo da água. Acontecia o mesmo com o corpo de seu pai.

Ambos sofriam. Marília tentava tirar de modo a não deixa-lo se afogar e danifica-lo mais e nem ver o corpo esbranquiçado com partes roxas sofrer. Apavorada pensava se fazia o certo arrasta-lo. Implora mais uma vez por forças divinas para que pudesse continuar. Sentia-o judia-lo. Não tinha muito conhecimento de onde estava e já que faz o trajeto de costas tudo ficava mais confuso. Pelo percurso seus olhos se borravam com lágrimas e pouco deixava-a enxergar, também escorrem até pelo nariz a engoli-las. Vez ou outra algum barulho na mata a assustava, um ruído qualquer de bicho qualquer, mas com tudo não desistia e pedia ao seu pai que permanecesse acordado a todo custo. Marília já olhava a muito para o céu, estava escurecendo e isso os metia mais pavor.

Ao final o riacho acaba que se junta ao principal rio no trecho em que passava próximo a casa fria, na direção norte, mas ainda muito distante à frente a casa. Comparado de onde começou a correr do ponto sul, o mais alto, desceu até o mais baixo norte próximo de onde estava no raso no começo dessa aventura. Ali era profundo e livre de obstáculos então o corpo delirado era arrastado com mais rapidez e suavidade. Respirava pausadamente e profundamente olhando para céu meio azul meio negro e engasgava-se as vezes sabendo que o momento terrível iria chegar, mas não se comunica com a filha. As pedras lizas fez com que ela escorregasse ralasse seus joelhos e, sem soltar o corpo, levantou-se e pode ver pela primeira vez a cachoeira. Em rezaria pedia a Deus para ajudar, talvez isso não fosse verdade e talvez fosse um pesadelo. Mas já escutava o barulho considerável da queda. Dessa vez sem segunda passagem, sem jeito fácil. Dialogava confusamente com seu pai, e ainda pouco se entendiam, analisava se poderia fazer tal, que esse ato mais o machucara. Sabe que ira doer, ainda respira e olha a filha de modo dolorido e amedrontado. Deliravam.

Marília aproximou-se da queda onde a água percorre mais forte que pode arrastar o corpo que boiava por conta. Viu que não conseguiria e negou-se devido à situação de se pai, preferiu outra solução a qual não tinha. Arrastou o corpo para a única grande pedra quase plana centralizada ao meio do rio e o descansou. Apavorada e a muito sozinha, não poderia deixar ali, então o que seria? Se corresse para buscar ajuda ele poderia morrer num momento de ataque respiratório ou um animal selvagem apareceria interessado. O que faria? Como seria para ele, ficar sozinho por aqui em pânico? Não! Não o deixara de modo algum.

Surgiu em sua cabeça a ideia de abrir um caminho na mata contornando a queda, mas sabia que exigiria tempo e havia o perigo de enroscar o corpo em qualquer coisa, além dos movimentos que precisaria fazer nada suave para coloca-lo em terra e, logo após voltar novamente para água. Pensava em outra opção, mais não havia muito o quê podia fazer, verificou mais uma vez se ainda respirava por conta própria e discutindo em conversas estranhas decidiram que era realmente o que devia fazer para não ficara tempo demais aqui.

Marília simplesmente pegou suas mãos, aproveitando o resto da distância que lhe sobrara o arrastou o mais rápido possível passando pela queda. Foi difícil dar início e não saberia como seria exatamente na sequência, mais rapidamente se jogou na água profunda, onde programou previamente deixa-lo cair, nem muito raso para não tocar o corpo no chão e nem fundo para ambos não se afogarem. De qualquer modo nos primeiros segundos os ossos quebrados se dobraram ao formato da queda o que fizera gemer fortemente e mergulhou engolindo mais da água. O pavor de Marília foi insano, para não afogar o pegou por debaixo dos braços e da profunda água o tirou. Os ossos voltara a boiar para cima o fazendo gemer uma segunda vez cuspindo água e raiva. Logo Marí se sentou frente à queda em águas rasas com a cabeça do pai apoiado ao colo, e virou sua cabeça para o lado e com dois dedos abriu um pouco mais sua boca, não sabia mais talvez isso o ajuda-se.

Nas proximidades da casa conhecia o lugar de vista e olhares, era onde estava de início, arrastou até à terra seca e firme a alguns metros à frente. O rio se espalhava transformando-se raso a ponto da água não passar do tornozelo. O deixou deitado. As paredes laterais de pedras se desfazem deixando formar uma praia de arreia branca que se estendem a frente. Tossia como um velho morrendo de má saúde expelindo líquido, de repente não respirava mais. Marília se ajoelhou ao lado em choradeira e novamente tocou sua boca enchendo seus pulmões de ar. Depois levantou o rosto do pai e tocara seu peito com pancadas sustadas o olhando-o apavorada tentando encher seus pulmões dizendo que tudo estava bem, que não deixaria e passou a esmurrar seu peito o chamando: pai!

As nuvens da tempestade cobrirão o sol, tomando o chão de sombra que devagar percorrem até os pés descalços de Leila subindo pelo corpo chegando á seus olhos, o que a faz parar para analisar o tempo que vem transformando tudo em um dia escuro. Havia molhado o gramado, por que gostava do cheiro da petricor e, no momento em que percebeu ambos aproximando-se pela estrada lacrimejou esta cena. Sua querida filha correndo gritando seu nome com suas últimas forças para chamar sua atenção. Imediatamente Leila deixou tudo sem pensar e correu debandada na direção de seus amores.

Machucado podia escutar suas dores mesmo de longe. As gotas começaram leves. O avançar das nuvens continuam, logo chovera pesado.

11 de Janeiro de 2020 às 00:34 0 Denunciar Insira Seguir história
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Fim

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Atila Senna Imagino cenas, faço delas contos e histórias.

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