garotaestragada Isa

"[...] O massacre dos Uchihas parecia, no fim, inevitável. Se não fosse por Itachi, seria pela negligência, pela arrogância. Por aquela doença que já havia tomado a todos ali, a ponto de não se importarem com a morte de uma criança. Quem poderia julga-lo? [...]" Versão alternativa do massacre do clã Uchiha e do que foi o ápice da loucura de Itachi.


Fanfiction Anime/Mangá Todo o público.

#loucura #massacre #uchiha #universoalternativo #irmãos #itasasu
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Não era para ser daquele jeito.

Não era para ser o corpo dele ali, daquele jeito. Sem vida.

Aqueles olhos, que sempre foram seus faróis que o guiavam na escuridão que era sua realidade não deviam estar daquele jeito.

Ou melhor, não estarem.

Porque eles haviam sido roubados.

A pele pálida por natureza, mas que sempre apresentavam rubores nas bochechas, agora estava mortalmente pálida. E fria, muito fria.

Os cabelos negros e rebeldes estavam empapados de sangue, o mesmo sangue que manchava a pele e descia pelo lugar onde deveria estar os olhos negros.

Era caótico. Desesperador.

Itachi sentia-se perdido no mais puro caos. A pequena chama que ainda o mantinha vivo não existia mais. Havia sido apagada.

Seu irmãozinho estava morto. E ele não podia fazer nada.

Um grito dolorido escapou de sua boca, ele subia por seu pulmão, e explodia em sua garganta. O desespero tão sólido e angustiante que até mesmo os pássaros silenciaram-se. O mundo, por um instante longo demais, permaneceu em silêncio, como se em respeito aquela demonstração de sofrimento.

O abismo agora parecia perto demais, atrativo demais. As vozes não se calavam e o ódio, agora, era como um doce entorpecente para a dor.

Pegou o pequeno corpo nos braços. As lágrimas queimavam-lhe os olhos. Andou a esmo, sem rumo ou propósito.

Havia um lugar, Itachi sabia. Ficava na floresta e era o favorito de Sasuke. Tinha flores de todas as cores e um riacho, os pássaros cantavam e a brisa morna bagunçava os cabelos do irmão. Era um bom lugar para descansar.

O corpo de Sasuke foi posto sobre a água, e flores foram postas em seus cabelos. Parecia um anjinho dormindo, tranquilo. Vivo.

Mas ele estava morto, e ninguém o protegeu. Nem Fugaku, nem Mikoto, nem nenhum Uchiha. Nem Itachi pode protege-lo.

As lágrimas desceram, silenciosas, e enquanto via a correnteza levar o corpo do Irmão. Ele não teve ao menos uma chance de crescer, se apaixonar, decidir o próprio destino. Porque ninguém o protegeu da ambição pelo sharingan. Porque ninguém se importava.

As vozes estavam quietas.

Um riso histérico escapou de seus lábios. De que servia sua genialidade se não podia proteger nem quem amava? De que servia estar vivo agora? Que sentido tinha ter uma linhagem de sangue poderosa que servia apenas para aflorar o pior do ser humano? Nada fazia sentido.

Os passos de volta para o clã foram vagarosas, arrastados. A melancolia lhe pesava o corpo, a mente totalmente destroçada e o luto roubava suas forças.

Mas pior que isso, a indiferença atiçava seu ódio tão intensamente, que Itachi podia sentir o chakra borbulhando sob a pele. Ninguém parecia se importar com o fato de uma criança ter morrido. Que seu irmão havia morrido. O garotinho de bochechas vermelhas e cabelos rebeldes que corria pelo clã e distribuía sorrisos estava morto, e a indiferença ainda era o sentimento que perpetuava pelos rostos pálidos e estoicos.

Aquilo era insano. Doentio.

Uma vida não significava nada.

Talvez esse tenha sido o ápice. Talvez esse tenha sido o pivô de toda a tragédia que aconteceria. Quem poderia julga-lo?

A loucura a muito já havia tomado o lugar da razão. As vozes sussurravam, mandavam, manipulavam. O ódio e a dor o cegavam. Quem poderia julga-lo?

O massacre dos Uchihas parecia, no fim, inevitável. Se não fosse por Itachi, seria pela negligência, pela arrogância. Por aquela doença que já havia tomado a todos ali, a ponto de não se importarem com a morte de uma criança. Quem poderia julga-lo?

Não sentiu remorso. Ou medo, ou qualquer outra coisa quando atravessou o coração do Pai com a espada. Não importava, no fim.

Os gritos de desespero, as súplicas de piedade. Não importava. Porque ninguém se importou com Sasuke.

Ao menos, livraria o mundo da doença que era o sharingan, e ninguém mais teria que sofrer como seu irmão sofreu. Ninguém precisaria morrer pela ganância e orgulho daqueles malditos.

Porque, no fim, toda ação, tem uma reação. E todos eles teriam que pagar pela vida perdida.

8 de Janeiro de 2020 às 04:01 0 Denunciar Insira Seguir história
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Fim

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