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luraywriter Luray Armstrong

Nico era meio inseguro, apesar de tudo. Tinha medo de se apaixonar por não saber como a pessoa reagiria ao saber que ele era um pouco diferente. Era relativamente fácil aguentar insultos de desconhecidos, mas ouvir comentários preconceituosos de alguém que gostava seria terrível, um gatilho para uma recaída na depressão- tudo o que menos queria. Evitava ao máximo se apaixonar pra não se magoar. Mas, dessa vez, falhara. Apaixonara-se. Por William Solace. Fanfic escrita em 2017 Capa por: https://dumbassbaby.tumblr.com/image/164265526213 editada por mim


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Capitulo 1- Nicolas

Olhou-se no espelho. Era um homem completo. Cabelos grandes, pequenos peitos, cintura ainda um pouco fina e uma vagina entre as pernas. Era um homem completo não importava o que dissessem. Que se foda o cromossomo XX, nunca gostara de Mendel e sua preciosa genética idiota mesmo. Era um homem, sempre fora, isso só estava um pouco mais na cara para quem olhasse pra ele. Agora podia ir ao banheiro masculino calmamente. Não tinha mais que fingir para os amigos. Nem ouvir as pessoas chamando-o pelo nome errado.

Já fazia dois anos de transição, os hormônios fizeram seu trabalho. A cirurgia para retirar as mamas era muito cara, teria que esperar mais um pouco. Mas como desde muito novo sabia que era um menino tratou de dar um jeito naqueles peitos protuberantes de alguma forma. Tentou cortá-los, feri-los, mas não funcionou. Pesquisou. Seios são gordura, descobriu. Entrou em várias dietas malucas de internet, perdeu peso demais. Foi quando seus pais repararam. Psicólogo. Diagnóstico: Depressão. Por quê?, Os pais perguntaram, como se tivesse uma vida perfeita demais para ter a doença. O médico constatou que Nico não sofria de nenhum problema e apenas deu o veredicto o qual os pais já suspeitavam: Transgênero. Teve que esperar os dezoito para começar a transição, mas pôde mudar seu nome seis meses depois do diagnóstico, graças a muita ajuda do médico.

E ele então mostrou ao mundo seu verdadeiro nome: Nicolas, ou Nico para os íntimos.

A nova solução para diminuir o tamanho dos seios sugerida pelo médico foi a natação. Far-lhe-ia bem à saúde, tornaria seus ombros mais largos- característica que Nico sempre admirara- e lhe ajudaria a perder gordura. De fato, funcionou, e agora com a ajuda do binder os seios de Nico não se notavam nem mesmo nas camisetas mais apertadinhas.

Na verdade, Nicolas nunca precisou que um médico dissesse o que ele era. Sabia que não era uma menina, nunca se sentira uma. Só não sabia que tinha um nome para como se sentia. Transgênero, mais especificamente transexual. Nome um pouco estranho, mas logo entendeu tudo o que ele implicava. Era um homem normal, mas se dizia às pessoas que era transexual já começavam as perguntas: “Você tem pênis?”, “Ah, então você é uma menina!”, “Você é hermafrodita?”, “ Como era quando você era uma menina?”, “Ah, então você é gay!?” .

Não, Nico não tinha um pênis. E isso não fazia dele menos homem ou uma menina.

Não, Nico não era uma menina, nunca fora. Aquilo que usava antes era apenas uma casca que escondia quem ele realmente era.

Não, Nico não era hermafrodita. A primeira vez que o perguntaram sobre isso ele nem sabia o que era.

Repetindo, não, Nico não ERA uma garota. Dizer que ele era uma garota e agora é um homem é como dizer que ele “virou” trans e não se vira trans.

Bem, é, sim, Nico é gay. Mas isso não tem nada a ver com ser trans, é apenas sua orientação sexual. Identidade de Gênero- como você se percebe em relação ao seu gênero, se homem, mulher, ambos, nenhum e etc.- e orientação sexual- as pessoas pelas quais você sente atração, tanto sexual ou romântica, se homem, mulher, ambos, nenhum e etc.- são coisas completamente diferentes.

É, era difícil. Ser trans e gay era bem difícil. Ser trans e hetero também era bem difícil. Não sabia dizer qual dos dois era mais complicado, já que a maioria das pessoas não consegue entender que uma mulher com um pênis é uma mulher e um homem com uma vagina é um homem. Ter sexo e relações amorosas era complicado.

Principalmente para Nico. Não pretendia colocar um pênis, não se sentia confortável com a ideia, se sentia bem com a vagina no meio de suas pernas.

Nico era meio inseguro, apesar de tudo. Tinha medo de se apaixonar por não saber como a pessoa reagiria ao saber que ele era um pouco diferente. Era relativamente fácil aguentar insultos de desconhecidos, mas ouvir comentários preconceituosos de alguém que gostava seria terrível, um gatilho para uma recaída na depressão- tudo o que menos queria. Evitava ao máximo se apaixonar pra não se magoar. Mas, dessa vez, falhara.

Apaixonara-se. Por William Solace. Ele era gay, morava no estado ao lado, tinha várias coisas em comum com Nico, era um doce e tinha uma mente super aberta. Eram amigos há um ano e Nico, de alguma forma, em algum momento, se apaixonou. Não estava realmente surpreso com isso, ele era maravilhoso. Nicolas se sentia super confortável com ele e já tinham se visto algumas poucas vezes pessoalmente. Mas Will não sabia que ele era trans.

Por quê?

Porque Nico era um medroso, que tinha medo que toda aquela maravilhosidade de Will acabasse quando ele descobrisse. Não queria se decepcionar com ele, não queria mesmo. Will sabia de tudo sobre sua vida- menos isso-, o entendia, o ajudava sempre que podia e já haviam conversado sobre o tema ‘transgênero’ e ele parecia super respeitoso e entendia muito bem. Mas Nico ainda tinha tanto medo... Sabia que era irracional, porém não conseguia evitar.

Queria muito confiar nele, do fundo do coração e confiava, contudo não o suficiente pra isso. E isso era muito triste.

Suspirou. Não importava por enquanto, se dependesse de Nico ele demoraria e muito para descobrir esse segredo, ou assim ele planejava. Era hora de ir para a faculdade. Medicina veterinária. Era simplesmente apaixonado por animais, e simplesmente conseguira passar em uma das melhores faculdades de medicina veterinária. Mas digamos que mesmo que fosse apaixonado por aquilo, o ânimo para a faculdade não era mais o mesmo do começo.

Suspirou novamente, ainda se olhando no espelho, estava devidamente arrumado para ir para a faculdade. Desde que os traços mais masculinos puderam ser notados mais facilmente adquiriu o habito de se olhar no espelho, que antes tanto lhe assustava, constantemente. Ajeitou a camiseta nos ombros e conferiu se o packer não estava numa posição estranha.

Saiu do quarto apressado para tomar café, sabia que havia perdido tempo demais naqueles pensamentos e reflexões. Era sempre assim, Nico era muito distraído...

Sentia falta da época em que morava com seus pais, nesse momento sua comida estaria pronta e quentinha lhe esperando, invés disso teve que preparar um pão velho com queijo e beber suco já que não tinha tempo pro café que tanto queria.

Pegou sua mochila às pressas e saiu. Mais um dia de luta.

Mas os humilhados serão exaltados, não é mesmo? Ao chegar à faculdade Leo lhe chamou pra uma boate no final de semana com os amigos e Nico fora tão pressionado que não pôde negar mesmo que tivesse um trabalho da faculdade para fazer.

Okay, tudo bem, Leo apenas disse "Vamos?", mas isso com certeza era um método de tortura e Nico foi forçado a aceitar o convite. Definitivamente não estava a fim de fugir de suas responsabilidades, jamais faria isso.

Só a ideia de finalmente ir a uma festa já lhe animava. Há quanto tempo não ia a uma? Bem, okay, duas semanas. Mas duas semanas é muito tempo! Queria conhecer pessoas nem que fosse apenas pra fazer amigos. Precisava de amigos novos, os velhos sabiam tudo sobre ele e queria inventar novas histórias sobre aventuras de bebedeira no passado sem falarem "Hey, não mente, cara, eu tava contigo nesse dia eu sei que não foi assim!". Era tão chato.

O próprio Leo, por exemplo, ia com ele a todas as festas então sabia de cor e salteado todas as suas verdadeiras historias sobre bebedeiras e saídas. Juntos, riam de se acabar lembrando, mas quando Nico aumentava um pouquinho a história pras outras pessoas- só pra ficar mais interessante- Leo já o corrigia contando a verdade. Humpf, assim não tinha graça.

Leo era seu amigo bigênero, que conheceu ainda durante a fase pré-transição e era seu melhor amigo. Se tinha alguém que destruía a família tradicional melhor que Nico era o próprio Leo; bigênero, pansexual e ainda tinha um bico como drag queen em uma boate conhecida da cidade.

Muitos amigos LGBT's deles dois invejavam Leo, pois viam sempre seu lado brincalhão, forte e arrasador, mas apenas Nico sabia do lado frágil e as mágoas do passado. Leo era uma pessoa sofrida, mas adotou para si um lema que lera em um lugar do qual nem se recordava mais: "Chore por um dia, sorria por um ano".

Nicolas também adotou esse lema pra si, por influência de Leo.

As festas com Leo eram as melhores e Nico já mal podia esperar. Além disso, conseguiram reunir todo o "vale": Annabeth, Thalia, Piper, Reyna, Hazel, Frank e Percy.

"Por que viado e sapatão sempre andam junto?", se perguntou Nico, retoricamente. As "minorias" sempre se juntavam afinal, historicamente falando.

Annabeth, Thalia, Piper e Reyna eram as lésbicas do grupo. Annabeth e Piper namoravam, entretanto Thalia e Reyna não então todos diziam que shippavam elas ou que fariam um ótimo casal. Nico discordava, achava que Reyna e Piper combinavam mais, mas não podia dizer isso.

Hazel e Frank eram o casal heterossexual do meio de amigos. Mas claro, aquele era o vale então é preciso dizer que Hazel era uma mulher transexual. Na opinião de Nico, a mais linda que já vira, a cor negra e os cabelos cacheados com mechas douradas capazes de seduzir qualquer um.

Sobrou apenas o "batata" do grupo. Percy recebeu o apelido de 'batata' por ser tão retardado quanto bonito e ter uma cara fofinha que realmente em muito lembrava uma batata. A cor dele era de purê de batata também, do ponto de vista de Nico, pelo menos.

Como Percy era bissexual e Nico gay... Também juntavam eles num shipp. Meio nada a ver na opinião de Nico. Okay, já tinham ficado algumas vezes, mas não achava que dariam certo num namoro. A bem da verdade, também achava que relacionamentos entre eles não seria muito interessante, já que se houvesse uma briga isso abalaria o grupo e não queria ser responsável por algo assim.

E esse era seu grupinho de amigos. Nico era meio isolado no ensino médio, mas quando chegou à faculdade ao finalmente se entender melhor consigo mesmo, seus familiares e seu corpo se abriu mais para o relacionamento com pessoas. E não se arrependera.

Aquele seu "vale " era composto por pessoas maravilhosas que o respeitavam e aceitavam e isso o fazia tão bem que ele esquecia a vontade de se matar tão comum no passado. Mas era só isso que era agora. Passado.

***

Finalmente as aulas do dia haviam acabado e amanhã não teria aula e no dia seguinte era sábado, o dia da festa na casa de Leo. Mal podia esperar!

Assim que chegou em casa e ficou online no aplicativo de mensagens notou que Will lhe enviara uma mensagem há pouco tempo.

Will: Oii.

Nico: Olá :)

Enquanto esperava a resposta preparava seu almoço com calma. Era bom comer uma boa comida caseira ao invés de fastfood num metrô lotado.

Tinha terminado o estagio que estava fazendo numa grande empresa e não estabeleceu um contrato por causa de seu pai que assim o convenceu. Ele achava que era pesado demais para Nico fazer os dois ao mesmo tempo e aumentou o dinheiro que enviava ao filho que vivia muito longe de casa pela faculdade. O moreno se sentiu culpado e tentou convencer seu pai que estava tudo bem, mas não conseguira de forma alguma e acabou por desistir. Mas iria dar um jeito de recompensar seu pai de alguma forma.

O celular vibrou na mesa e Nico o pegou o mais depressa possível, ficando perto do macarrão que preparava no fogo para que não ficasse ruim.

Will: Tudo bem? Saudades, nunca mais vc falou comigo.

Nico: Uau, o grande professor de letras falando “vc”, q q ta acontecendo ctg?

Will: Não zomba, só tô com preguiça.

Nico: Hey, para de drama, a gente não conversa só há dois dias.

Dois dias sem conversar com Will por causa de uma maldita prova da faculdade. Tsc.

Will: Pra vc q não se importa comigo são apenas dois dias

Will: Mas pra mim foi muito tempo, pq eu me importo com vc, sabe?

Will: Não sou como certo alguém que se esquece dos amigos

Nico: Eu não me esqueci de você, seu dramático! Só tive coisas pra fazer. E também tô com saudades de vc.

Estava mesmo. Como ignorar ou se afastar de Will quando ele era simplesmente tão fofo? Maldito loiro!

Will: Verdade?

Will: Foto

Will mandara uma foto fazendo beicinho e olhos pedintes. Idiota, Nico pensou.

Nico: Sim, verdade.

Will: Então tenho uma surpresa pra você.

Nico: OQ? OQ? OQ? OQ É????

Nico era extremamente curioso e adorava surpresas.

Will: Calma, garoto. Calminhaaaaaa

Nico: Vai, idiota, fala logo.

Will: Grosso. Você magoa meus sentimentos.

Nico: Will, a rainha do drama. Quer que eu pegue tua coroa?

Will: Ta, ta. Eu vou aí esse final de semana. Na sexta. Lembra da minha prima daí né? Aniversário dela domingo ai eu vou antes pra te ver. Algum lugar em mente pra gente ir?

Nico: AAAAAAAAAAAAAAAAA. Jura?

Nico: De verdade, Will?

Nico: Não brinca comigo que meu coração é fraco!

Nico: Tu vem mesmo?

Nico não fazia exatamente um bom trabalho disfarçando o quanto gostava de Will.

Will: Sim, eu vou. De verdade. Iai? Algum lugar?

Nico: Claro que sim! Leo vai dar uma festa no sábado!

Will: Então fechou. Nós dois. Sábado. Festa. Vai ser maravilhoso.

Nico: Claro que vai. Tudo com você é maravilhoso.

Will: Penso o mesmo sobre você <3

Nico apoiou o celular na mesa para terminar de aprontar seu almoço pensando em como diabos poderia não se apaixonar por William Solace.

1 de Janeiro de 2020 às 15:29 0 Denunciar Insira 1
Leia o próximo capítulo Capitulo 2- Medo

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