É isso aí, bróder, aventura é coisa de moleque Seguir história

stingrint Felipe Meirelles

Você não ouviu errado, nossos amigos Bruno e Jaslene partem em uma viagem para impedir que um buraco no morro continue comendo criancinhas. Embora saibam que já passaram da idade de fazer essas coisas, afinal, ambos tem quase 18 anos. Bizarro.


Aventura Para maiores de 18 apenas.

#monstros-marinhos #banheiro #comédia #humor #bizarro #pois-é #estudantes #bróder #é-isso-aí #aventura
0
1.7mil VISUALIZAÇÕES
Em progresso
tempo de leitura
AA Compartilhar

Trupe de dois

Bruno já tinha dezessete anos, e por incrível que pareça, nunca esteve em uma aventura. A maioria dos garotos e garotas de sua idade já tinham participado de tantas que não tinha nem graça. Se aventurar é coisa de criança, todos sabem disso. Embora todos concordem que foram ótimas experiências para a infância e raramente se arrependem delas. No geral, só reclamam das mortes e perdas de membros, fora isso, traumas e dores crônicas, além é claro de outras trivialidades.

Ninguém quer saber de fazer outra viagem, a única aventura que querem, é a aventura acadêmica. O que é o oposto de Bruno, que passou a infância estudando, e agora que está no segundo ano do ensino médio decidiu que quer ter, ou ao menos tentar, viajar uma vez antes de se tornar adulto. Quem pode julgá-lo? Sua vida é bem sem graça. A coisa mais interessante que já aconteceu foi ser sequestrado e torturarem sua irmã. Muita dor, pouca ação.

Mesmo com a falta de vontade de seus colegas, Bruno não poderia desistir. Não somente porque aventuras teoricamente são divertidas, mas principalmente porque tinha recebido uma informação que mudava tudo. Ninguém quer contratar alguém que nunca se aventurou, e todos concursos desclassificam automaticamente qualquer participante não aventuresco. Demorou muito para descobrir isso, porque foi o primeiro cidadão de sua cidade em décadas que não participou de nada. Sem vida. Felizmente, essa mesma pessoa recomendou uma viagem que ele poderia fazer, bem simples e rápida. Só subir o morro que fica do lado da loja de materiais de construção que está bem perto de falir e investigar um buraco no chão que engoliu uma criança esses dias. É tão ridículo que ninguém se deu o trabalho de ir lá. Mas nosso herói teve uma vida tão morna que essa parece a aventura do século, e assim, saiu em busca de parceiros em sua turma.

— Moçada, eu só vou perguntar uma vez. UMA VEZ. Quem quer participar de uma empreitada bizarra comigo? — convidou ele, sem resposta — Pode parecer infantil, mas, eu realmente acredito que podemos nos tornar heróis aqui. — ninguém prestava mais atenção nele — É sobre aquele buraco que engoliu uma criança esses dias e que fica no morro perto da loja de materiais de construção que tá bem perto de falir.

Bruno tentou convidar quase todos seus colegas individualmente, e falhou miseravelmente. E então teve que baixar a bola e pedir ajuda para a segunda pessoa mais inexperiente da turma, Jaslene Dias. Ela só esteve em duas aventuras, e não liderou nenhuma delas. Ainda sim, é melhor arriscar a vida com uma má companhia do que sozinho. Pelos menos era isso que sua prima (já falecida em um tiroteio) sempre dizia.

— Buongiorno, Dias, quer participar da minha execrável jornada? Ela é bem bizarra…

— Rapá, não vai dar não. Eu tava pensando em começar a aprender a desenhar. — disse ela desanimada, sem nem sequer olhar em seus olhos.

— Você vai deixar uma aventura inesquecível de lado pra ficar desenhando? Porra, desenha as belas paisagens que a gente vai ver.

Nossa. Realmente, Bruno, você é muito esperto. Como não pensei nisso antes? Você deve ter um QI acima de 11, se me permite dizer. Agora eu realmente quero ir. Qual é aventura que você tem em mente?

— Tem um buraco que comeu uma criança lá no morro perto da academia. A gente podia investigar isso e virar lendas.

— Que porra de ideia de jerico é essa? Qual é a honra e a glória em olhar um buraco que mata criança? E você quer que eu desenhe criança morta? Caralho, Bruno.

— Ninguém me entende… — disse Bruno sentando depressivamente na cadeira em frente a Jaslene. — Não é bem assim!

— É bem assim, sim, porra.

— Não, não é não. — Você nem ouviu nada sobre minha mirabolante ideia.

— Me pegou, me pegou. — concordou Jaslene — Então, é como?

Fique cinco minutos sem ler, porque esse foi o tempo que demorou para Bruno pensar em uma resposta.

— Pelo amor, me ajuda, Jas, eu nunca participei de uma aventura antes. E se eu não entrar em uma, eu nunca vou conseguir entrar em uma faculdade. — choramingou Bruno de joelhos aos pés de Jaslene.

A garota ficou um pouco desconfortável com isso, normalmente ninguém na cidade é tão maricas. É bizarro ver uma coisa dessas acontecer. E foi tão repentino, que acabou aceitando por pena, nunca tinha sequer visto alguém agir dessa forma, não foi treinada para isso. Jaslene deu um lenço para enxugar as lágrimas de Bruno que precisou de algum tempo para se recompor, e depois decidiram quando seria a viagem. No mesmo dia, é claro. Porque as melhores aventuras acontecem de forma repentina e sem um bom preparo prévio. Só esperaram a aula acabar e partiram em direção ao morro que fica perto da academia prestes a falir.

— Tipo, a gente precisa de algum uniforme ou algo assim? — perguntou Bruno.

— O uniforme da escola é o suficiente. — respondeu Jaslene.

— A gente vai morrer. — choramingou ele, perdendo as forças das pernas e se apoiando em Jaslene.

— Você nem sabe como vai ser lá. Deixa de boiolice e recupera a compostura, porra.

Jaslene começou a andar, e nesse exato instante que parou de apoiar Bruno, ele se estatelou no chão e voltou a chorar. Também foi nesse momento que ela percebeu que essa seria a pior fase de sua vida. Criando forças dentro de alma, Jas estendeu a mão e ajudou seu companheiro a levantar.

— Melhor? — perguntou ela.

— Não, daqui pra frente acho que só dá pra piorar.

— Quer comer alguma coisa antes de ir?

— Não. — respondeu ele sem um segundo para pensar.

— Você ainda vai se arrepender disso.

Era verdade.

27 de Dezembro de 2019 às 18:18 0 Denunciar Insira 0
Continua…

Conheça o autor

Comentar algo

Publique!
Nenhum comentário ainda. Seja o primeiro a dizer alguma coisa!
~