Sentimentos no sofá Seguir história

saaimee Ana Carolina

Mischief o assistiu sumir de sua vista ouvindo seus passos lentamente se afastando em direção ao segundo andar. Ele sabia qual era o motivo da pressa do parceiro e por isso sorriu entristecido se perguntando o que poderia fazer para ajudá-lo. ------------------------------------------------------------------- → Capa feita por mim com itens gratuitos. ✼ Postar esta estória em qualquer página sem a minha autorização é completamente proibido.


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Capítulo Único

Já tinha passado das duas da tarde quando os dois chegaram em casa fazendo os barulhos de chaves e chaveiros se espalharem pela residência silenciosa.

O primeiro deles entrou no local com sua mochila de pano nas costas enquanto ajeitava a camisa amassada pelo cinto do carro. Passando a mão pela franja ele andou olhando as escadas ao lado da entrada e a larga sala à frente ouvindo o outro fechar a porta e jogar a chave na estante do canto.

— Ainda tenho alguns papéis para preencher. – Falando rápido no tom sério de sempre, o maior deles explicou passando pelo jovem. — Pode fazer o que quiser enquanto isso.

— Ok.

— Não vou demorar. – Subindo as escadas comentou, dando mais uma olhada no rosto pacifico abaixo assentindo para ele.

Mischief o assistiu sumir de sua vista ouvindo seus passos lentamente se afastando em direção ao segundo andar. Ele sabia qual era o motivo da pressa do parceiro e por isso sorriu entristecido se perguntando o que poderia fazer para ajudá-lo.

Acontece que toda vez que terminavam um serviço eles tinha a obrigação de preencher documentos relatando tudo o que aconteceu durante o tempo passado. Era um saco. O escritório pegava demais no pé deles por coisas desnecessárias! Também era verdade que eles causavam problemas quase todas as noites e às vezes acabavam levando para o chefe multas de trânsito, contas exageradas de boates e problemas no dia seguinte quando esqueciam algum objeto que poderia se tornar uma prova de seus crimes para a polícia.

Mas o escritório não tinha do que reclamar! Eles eram a melhor dupla de assassinos que aquela empresa falida tinha conseguido encontrar desde que foi fundada. E era exatamente por isso que o único jeito que o chefe tinha de colocá-los de castigo era os fazendo preencher dezenas de formulários e relatórios por noite finalizada.

Sabendo que Lucius talvez preferisse resolver esse problema sozinho, o jovem deixou de lado o assunto olhando ao redor vendo nada além dos móveis brilhando de limpos. Estava cansado dos treinos na academia e de todos os trabalhos que ainda tinha que terminar na faculdade e se tinha algo que queria fazer agora era deitar naquele sofá enorme e deixar seu corpo descansar.

Deixando a mochila no chão ao lado da mesa na entrada, o moreno seguiu pela sala ignorando a enorme televisão na parede, seguindo seu caminho para cozinha.

Ali, apoiado no balcão de mármore, pensou no que poderia fazer para evitar o tédio e acabar com sua fome. Ele sabia que se estivesse em sua casa, teria os ingredientes saudáveis perfeitos em sua geladeira para fazer uma refeição rápida e colorida. Até porque com um clima quente assim comer uma salada ou fazer um suco verde seria perfeito! Entretanto estava na casa do Lucius e, mesmo que o homem cuidasse bem de sua saúde, os alimentos que comprava não eram os melhores para Mischief. Talvez fosse porque o mais velho não se preocupava em ler as informações nutricionais e só comia frutas quando raramente lembrava de comprar.

Sem opção, o jovem seguiu para a geladeira, abrindo a porta com calma, esperando encontrar as embalagens de sempre, porém a primeira coisa que seus olhos viram fizeram suas sobrancelhas se erguerem surpresas. No meio da geladeira — entre outras coisas — estava uma caixa de suco de laranja.

Isso era normal na geladeira de Mischief, não nessa!

Lendo a marca e outras informações, ele pegou a caixa, fechando a porta e se dirigindo para o balcão. Ainda estava surpreso com a mudança quando ouviu os passos novamente descendo a escada.

Se inclinando para o lado, viu pela entrada da cozinha Lucius andar pela sala procurando algo nos armários do canto.

— A pequena vem hoje? – Pegando um copo, Mischief perguntou sem assustar o outro.

— Sis? Não, mas ela pediu pra marcar uma hora amanhã à tarde. – Sem desviar os olhos dos documentos que lia por cima, respondeu. — Por que?

— Nada. É que eu vi essa caixa de suco aqui.

Sua resposta foi o suficiente para fazer o maior se virar encontrando o rapaz virando a caixa no copo com um olhar curioso. O sorriso derrotado no canto dos lábios de Lucius foi quase automático o fazendo suspirar tentando se recompor arrumando os óculos antes de voltar as buscas.

— Eu não comprei pra ela.

Suas palavras saíram rápidas atraindo a atenção de Mischief fazendo parar no mesmo instante erguendo os olhos espantados em sua direção. Ele viu o homem arrumar os papéis na estante como se nada tivesse acontecido e riu ao entender que o suco, na verdade, era para ele.

— A Sis prefere chocolate. – Continuou, sem jeito ouvindo o riso alegre aumentando sua vergonha. — Eu... Não sabia se você gostava dessa marca ou não, mas era o único que achei.

— Pra falar a verdade, eu nunca provei essa. – Olhando as informações na caixa o moreno comentou, tomando um longo gole. Lucius assistiu de canto procurando por reações, entretanto o máximo que encontrou foi um olhar pensativo e lábios se movendo ainda provando o sabor. — Teor de açúcar é alto, hein.

— Ah… – Sorriu balançando a cabeça, ouvindo os passos se aproximarem dele. — Esqueci de ler a tabela de calorias.

— Como sempre… Quer experimentar?

— Claro.

Lucius se virou para pegar o copo, mas ao invés de sentir o vidro gelado, sentiu as mãos quentes de Mischief tocar seu rosto carinhosamente o fazendo se virar surpreso antes de vê-lo chegar mais perto selando seus lábios.

O toque foi suave acompanhado de olhos que se fitavam perplexos e apaixonados. Suas línguas com calma se pressionaram uma na outra provando os sabores misturados.

Mischief sempre foi ousado quando se tratava de surpreender Lucius, porém, apesar do choque, dessa vez o beijo não carregava segundas intenções, somente a revelação de um carinho incomum.

Quando se afastaram o mais jovem sorriu vendo o outro ainda engolindo a saliva o encarando.

— E aí?

— É. É doce. – O comentário soou sério, mas acabou fazendo os dois sorrirem.

— Já terminou? – Tomando outro gole do suco, Mischief questionou vendo os papéis em suas mãos.

— Não... Ainda faltam mais dois documentos.

— Quer ajuda?

— Não, é rápido. – Se aproximando beijou a testa dele antes de pegar as folhas e voltar em direção a escada. — Me dá dois minutos.

Os passos calmos desceram as escadas pela segunda vez. Lucius se espreguiçava cansado de ficar aqueles longos minutos na mesma posição escrevendo coisas óbvias, porém ele sabia que todo esforço tinha valido a pena quando chegou na sala e viu o outro deitado no sofá vendo os canais que passavam rápido na TV. Pensou no mesmo instante que o jovem deveria estar entediado enquanto sorria do jeito jovial em sua atitude.

Seus pés caminharam mais um pouco até parar ao lado do sofá sem chamar sua atenção.

— Não está muito quente aqui? – Questionou sentindo o calor excessivo banhar seu corpo em comparação com seu escritório fresco.

— Tá... Eu tô derretendo.

— Ligou o ar?

— Ah. – A pergunta fez Mischief se arrumar no sofá virando para fitar o rosto incomodado de Lucius e, sem jeito, sorrir. — Esqueci.

— É sério?

— Eu fiquei ocupado com a TV. – Explicou, assistindo o maior se afastar pegando o controle inconformado. — Nem notei que a casa tá pegando fogo.

— Incrível... Pronto.

— Obrigado.

Passando pelo jovem, ele voltou se sentando ao seu lado colocando um dos braços no sofá onde o outro estava encostado.

— Já terminou tudo?

— Sim. – Olhando a TV respondeu colocando os óculos na mesa de centro. — Quer sair? Eu vi alguns filmes em cartaz essa semana.

— Que filmes?

— Tinha um de terror e outro com aquele ator que você gosta. – Tirando o celular do bolso pesquisou rapidamente pelo nome do filme antes de mostrar para ele. A reação do sorriso foi automática.

— Ah. Eu preciso ver esse!

— Claro... Quer ir agora ou na sessão da noite?

— Então... Acho que nem quero ir.

— Por que? – A resposta tão sonolenta fez Lucius se virar para ele surpreso.

— Tá calor. – Respondeu fechando um dos olhos enquanto coçava o pescoço. — E eu vou precisar tomar banho e me arrumar ainda.

— Hm... – Resmungou desconfiado. Mischief não era do tipo que negava qualquer atividade, ainda mais quando suas coisas favoritas estavam envolvidas. — E o que você quer fazer?

— Nada.

— Sério? Você?

— É... – Riu da reação espantada de Lucius antes de olha-lo com carinho. — Eu realmente quero tirar o dia de folga para descansar. Tudo bem por você?

— Claro. Nesse caso, – levantou-se sendo acompanhado pelo olhar do outro — procura algo pra assistir que eu vou pegar sorvete.

— Tá be- Espera! Tem sorvete?

— Tem.

— E desde quando você gosta? – A pergunta veio acompanhada de um tom irônico fazendo o maior cerrar os dentes envergonhado.

— Só faz o que eu mandei.


Quando voltou eles ainda discutiram sobre o que ver mais um pouco e acabaram assistindo ao mesmo filme que já conheciam as falas enquanto dividiam o pote de sorvete.

Mais tarde quando já não se importavam mais com os episódios de uma série qualquer passando na tela, Lucius tinha se entretido lendo as notícias no celular quando sentiu Mischief se aproximar deitando a cabeça em seu colo. Sua mão livre automaticamente desceu, acariciando o top de sua cabeça e alisando seus fios castanhos.

O mais jovem o observava de baixo vendo seus olhos sérios seguindo as palavras na tela brilhosa sem notar sua presença. Seu rosto que sempre carregava um sorriso charmoso agora está marcado por suspiros entristecidos e por um instante sua mão tentou se esticar para alcançar a bochecha dele, porém se impediu.

— Você acha que estaremos juntos no futuro?

A pergunta veio do nada fazendo o mais velho sorrir ainda olhando o celular.

— Claro. Isso se não formos pegos. – Em um tom irônico respondeu fazendo o jovem rir silenciosamente.

— É...

Por instantes eles voltaram ao silêncio de antes sem se incomodarem com a falta de assunto. Porém Mischief logo se moveu aborrecido com os pensamentos tomando sua mente.

— Sabe... Se eu fosse pego, você ria me visitar? – O tom vago fez Lucius olhar para baixo encontrando Mischief virado fitando o armário branco à frente deles. — Tipo. A gente já se meteu em encrencas antes e quase fomos pegos. Isso pode acontecer.

— Claro.

— Então… Se eu for pego…

— Sim… Claro que eu iria te ver. – Respondeu com um sorriso carinhoso sem conseguir chamar o olhar do rapaz que parecia travado encarando as gavetas. Lucius não entendia o motivo das perguntas, mas sentia que algo estava errado em seu tom. — Eu também encontraria um jeito de tirar da cadeia.

— Heh… – Sua risada foi baixa, mas era honesta chamando a atenção do homem. — Não. Você não faria isso.

— O que…

— Se você tentasse me ajudar, eles iriam encontrar conexões entre nós, certo? – Perguntou se virando levemente deixando o maior ver seu rosto curioso. — Você acabaria sendo pego também.

— Hm... – Com uma sobrancelha erguida e lábios curvados ele teve que admitir que o jovem estava certo. — Verdade.

— Isso não ajudaria.

— Certo... – Se ajeitando melhor no sofá ele deixou o celular no canto e se virou para olhar melhor para o rapaz. — Nesse caso, eu deixaria as coisas para o chefe resolver.

A sugestão fez Mischief arregalar os olhos automaticamente se virando para fitar o rosto convencido do maior. Lucius, entretanto, apenas sorriu imaginando a situação.

— Ele ficaria puto.

— Espera. – Se levantando para sentar ao lado de dele, Mischief o parou chamando sua atenção. — Você realmente faria-

— Claro. – Interrompeu confuso com a surpresa do rapaz. — Você é meu parceiro. O único que eu quero ter.

O olhar gentil que Lucius dificilmente mostrava para qualquer um prendeu Mischief capturando seu coração acelerado. A confissão o pegou de surpresa, não por ser algo impossível de acontecer — a agencia possivelmente bolaria um plano para solta-lo caso isso acontecesse e Lucius poderia se envolver —, mas por ser algo que o mais velho queria fazer. Por ele.

Seu coração agitado de repente congelou quando no meio da euforia de felicidade ele se lembrou do rosto de Fuyuki o relembrando que tinha que manter seus pês no chão e não se apegar a Lucius.

Um sorriso amargo escapou de seus lábios fazendo o rosto de Lucius se tornar uma incógnita. Seus olhos ligeiramente entristecidos se voltaram para o maior e novamente ele se impediu de toca-lo.

— E se eu tomar um tiro?

— Que-

— Se eu morrer?

A conversa repentinamente tomou um rumo que nenhum dos dois esperava naquela tarde calorosa. Mischief desviou o olhar mostrando claramente o abalo que assustava seu coração. As sobrancelhas de Lucius se uniram confusas e preocupadas.

— Eu sempre penso sobre isso. – Mischief voltou a falar, devagar e com um sorriso que não alcançava seus olhos. — Se eu morrer hoje? E se ele levar um tiro? E se essa for a última vez que vou vê-lo? – Lucius ouviu em silêncio sentindo a tristeza tomar cada uma de suas palavras.

— Você sabe as respostas?

— Não... – Se encolhendo no sofá respondeu permitindo que o maior se aproximasse dele. — Eu sei que vou precisar dar um jeito nas coisas e seguir em frente, mas... Eu não sei como vou ficar sem você. Como vou me sentir vivendo essa vida.

Lucius passou os braços ao redor dele, aproximando seus corpos em silêncio deixando que o menor colocasse a cabeça em seu ombro enquanto beijava sua testa.

— Eu tenho medo disso também. – Lucius confessou em um sussurro acariciando seus braços.

— O que a gente faz?

— A gente tenta viver. – Respondeu quase contente trazendo o olhar do rapaz para o seu e com um sorriso gentil continuou. — E a gente faz nosso futuro acontecer.

O sorriso dele era lindo. Dolorosamente lindo. Nada poderia trazer mais conforto a ele do aqueles olhos gentis que já tiraram tantos gritos de suas vítimas. Seu coração gelou novamente quando se lembrou do quanto o amava e queria dizer, mas não podia dizer. A garganta queimava com as palavras que queria engolir.

— O que foi? – Lucius perguntou vendo os lábios quase trêmulos sorrindo para ele.

— Não, nada. Você tá certo. – Rindo de sua própria falta de controle, Mischief se afastou um pouco balançando a cabeça e os pensamentos para longe. — A gente só vai conseguir respostas se vermos elas.

— É.

Olhando para Lucius com olhos ainda apaixonados ele sorriu.

— Estou feliz agora.

— Eu também.

Aproveitando que o maior deixou a guarda baixa, Mischief se agarrou a sua camisa o puxando para perto. Olhando em seus olhos provocantes quis novamente dizer que o amava. Porém, ao invés disso, sorriu de canto.

— Sabe, mesmo com o ar ligado eu ainda tô com calor.

— Verdade? – Rindo, fingindo estar preocupado, Lucius acompanhou seu jogo.

— Você poderia me ajudar a esfriar as coisas aqui? – Dando uma piscadela perguntou vendo o outro balançar a cabeça incrédulo antes de puxar sua cintura para seu colo.

— Ao invés disso, eu vou fazer as coisas queimarem. – Mischief riu, beijando o homem carinhosamente.

Ele sabia que era errado fazer isso só para esvaziar sua cabeça, sabia que não era justo entregar seu amor somente quando faziam sexo, sabia que estava completamente errado, mas não se importava. Estava realmente feliz por tê-lo ao seu lado nem que fosse só como parceiro de crime.

25 de Dezembro de 2019 às 03:00 0 Denunciar Insira 0
Fim

Conheça o autor

Ana Carolina Mãe de 32 personagens originais e outros 32 adotados com muito carinho, fanfiqueira nas horas vagas e amante das palavras em período integral. Apaixonada demais e, por isso, sou tantas coisas que me perco tentando me explicar. Daí eu escrevo. ICON: TsukiAkii @ DeviantArt

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