Esperando Pela Vida Seguir história

yui-kawachima1575938847 Yui Garbe

Uma garota que perde seu grande amor e agora sucumbe ao desespero e solidão. Segunda parte da trilogia (Um amor de dimensões).


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Esperando pela Vida

Durante uma manhã nublada e fria, olho para o céu e vejo o Sol com um brilho triste e sem vida, como se mostrasse meu coração.

Novamente a dor da solidão está em mim, mais uma vez estou perdida dentro desse labirinto infinito de tristeza.

Após cinco dias maravilhosos ao lado do meu amor de outra dimensão, volto a perder minha felicidade, novamente me sinto só uma casca.

Aquela tarde que você me deixou, fui para o outro lado de mim, deixei você sair daqui, pois não tive força suficiente para lutar contra o tempo. Ainda lembro o seu perfume, seu toque, seu coração no ritmo do meu e seu beijo. Ainda posso te sentir junto a mim, sinto o calor de seu corpo me aquecendo durante aquela tempestade fria da primeira noite.

Não sei por que você veio, mas fez sentir-me viva, deu-me vontade de viver, de sorrir, porém quando se foi, me perdi num mundo de nada.

O vento tocou meu rosto, secando uma lágrima discreta que escorreu ao sentir meu peito apertado por saber que tive meu amor, minha vida, em minhas mãos e que se foi por entre meus dedos.

Na mesma noite, saí para caminhar e sem perceber, acabei chegando àquele local e com um tom baixo e doloroso de voz disse:

- Kaliel, está ai? Queria que você estivesse aqui. – após uma breve pausa, suspiro profundamente e – Por quê? Por que vida, você me deu o ser mais perfeito e o tira de mim?

Devido ao desânimo, as pernas amolecem e caio sentada no chão, sobre a grama fria e úmida. As lágrimas rolam, mesmo que force para que não escorram pela minha face triste e melancólica. A dor de segurar as lágrimas fora tão grande, que simplesmente deixo de tentar e caio em prantos.

Choro constante e desesperadamente até que não aguento e grito a potentes pulmões:

- AAAAARRRRGGGGHHH! KALIEEEEEEEL! POR QUE VOCÊ NÃO VOLTA E SALVA MEU CORAÇÃO?! POR QUE VOCÊ NÃO ME PROTEJE DESSA DOR QUE ESTÁ ME MATANDO LENTAMENTE?! – chorando de soluçar continuo – VOCÊ DISSE QUE TE SALVEI! AGORA EU PRECISO DE VOCÊ! ONDE VOCÊ ESTÁÁÁ?! – e o grito ecoa pelo lugar, porém foi em vão, não obtive resposta.

Coloco as mãos por sobre o rosto e choro por horas, até que sinto um toque suave no meu ombro esquerdo. Viro-me para olhar. Nada além do descampado que está a minha volta. O céu sem estrelas, a lua apagada, o vento já não acaricia mais meus cabelos.

Retirando forças de sei lá onde, levanto-me e cambaleando volto para casa. Quando entro, vejo meu pai sentado na velha cadeira de madeira da cozinha. Ele olha para mim e diz com tom de desaprovação:

- Você já viu que horas são? Você acha certo o que está fazendo consigo mesma e com seu velho pai?

Mesmo sem forças para falar, respondo:

- Pai, por favor, para vai. Você não sabe o motivo de nada, você só se importa com o que os outros irão dizer. Você nem ao menos se deu ao trabalho de tentar saber o que está acontecendo comigo. Você diz que conhece as pessoas, só que não conhece tua própria filha. – E saio da cozinha rapidamente, antes que as lágrimas rolem novamente através de meus olhos irritados e doloridos de tanto conter-me.

Deito-me com o rosto no travesseiro e desabo em lágrimas mais uma vez. Choro tanto que acabo dormindo. Acordei no dia seguinte e após lavar meu rosto me dirijo para a cozinha, onde encima da mesa existe um bilhete que imediatamente pego. Meu coração dispara quase como se fosse sair pela boca. As mãos frias e a ansiedade tomando conta de mim. Abro o bilhete e mais uma vez a dor me consome quando vejo que era somente um recado de uma das vizinhas.

Sigo minha rotina de todos os dias, mas o que era ruim ficou pior. Conversar com pessoas ao meu redor era uma tortura, manter minha mente ligada e focada, por mais de dez segundos, era um martírio.

Lianne, minha melhor amiga, sempre conversa comigo e tenta fazer com que me sinta melhor, porém, parece que o que ela diz não surte efeito. E meu amigo Pierre, está ao meu lado, porém ele não encontra palavras para tentar me consolar, ele apenas fica ali como um ombro amigo para que eu possa chorar.

Conversando com Lianne na noite seguinte, tomei sozinha uma garrafa de vinho tinto. Fiquei lá com a taça vazia, atônita como jamais havia ficado.

Ela vendo tal fato diz:

- Yui, vai ficar até quando assim amiga?

Sem saber o que falar, apenas fiz um discreto sinal com a cabeça de negativa e continuei olhando para o nada enquanto ela continua:

- Yui, pense por outro ponto de vista. Você pode sentir o que é o amor em sua forma mais pura.

- Mas sentir não quer dizer que o tenho ao meu lado. – disse com lágrimas no olhar.

- Então vai deixar tudo o que ele te mostrou se perder? – indaga Lianne e continua – Você é uma mulher bonita, simpática, inteligente, vai encontrar alguém que goste de você, que te ame. Por isso calma querida.

- Sabe de uma coisa Li – argumentei – Amor como o que senti, jamais encontrarei, mesmo porque não acredito em amor.

Nesse momento, uma suave brisa sopra gentilmente e movimenta vagarosamente alguns poucos fios mais finos e leves do meu cabelo e ao mesmo tempo sinto um perfume agradável. Procuro de onde veio essa fragrância, a qual me lembro muito bem, mas não encontro e então mais uma vez meu peito dói, minha cabeça começa a rodar, meu corpo a pesar e meu estomago queimar.

De repente como se algo drenasse minhas forças, eu desmaio.

Durante esse súbito desmaio, o vejo, o detentor de meu coração, do meu viver. Sim, ali está ele, meu doce e amado Kaliel, ali em pé, me olhando com seus lindos olhos serenos e seu belo e encantador sorriso.

Ele estende sua mão me chamando, não, me convidando assim como havia feito outrora. Imediatamente corri em sua direção e sem pensar me atirei em seus braços e o abracei com todas as forças de meu corpo e pude senti-lo fazendo o mesmo. Me abraçando de modo agradável, firme, protetor, amoroso, ardente, do modo que só ele conhece. Aconcheguei-me em seu peito e ele gentilmente apoiou seu queixo por sobre minha cabeça, tão suave que mal senti, porém em segundos, senti algo quente pingar sobre minha cabeça. Quando olho para o rapaz, ele chorava muito, mas em silêncio.

E assim ficamos por um tempo que não pude mensurar.

Tempos depois, acordei em minha cama. Meus amigos Lianne e Pierre estavam lá, ambos dormiram por ali. Ela dormira em um pequeno sofá de dois lugares e Pierre, muito mal acomodado, estava recostado em uma poltrona surrada que fora colocada em meu quarto.

Ele foi o primeiro a acordar e ao me ver acordada, de supetão levantou-se, fazendo o maior estardalhaço, que imediatamente acorda Lianne, que por sua vez vê o amigo correndo em direção a minha cama com o rosto lavado pelas lágrimas. Ela na mesma hora, se levanta e tropeçando em tudo em seu caminho corre até minha direção. Ambos nos abraçamos e nesse breve momento pude sentir um carinho diferente. Um carinho que só verdadeiros amigos podem nos oferecer.

Então o rapaz com os olhos marejados diz com tom de alivio:

- Meus Deus Yui! Nunca mais nos assuste dessa maneira.

- Verdade amiga. – diz a moça e continua – Você ficou deitada aí por dias.

Pude reparar, após ter me recuperado parcialmente, que eles estavam com aspecto de cansados e famintos como se estivessem há vários dias sem comer ou dormir. Ao ver essa cena, meus olhos se encheram de lágrimas e cabisbaixa e envergonhada devido à situação, falei em baixo tom:

- Me perdoem amigos. – uma lágrima escorre sem minha permissão – Não queria lhes dar essa dor de cabeça, porém não consigo lutar contra isso, não mais. – Então suspiro forte, seco minhas lágrimas e eles fazem o mesmo.

Naquele momento entendi que eles estiveram ali por mim, assim como em outros tempos, estive lá por eles. Os abraço mais forte que posso e digo:

- Obrigada.

Ambos não entendendo nada questionam:

- Pelo quê?

E eu então, entendendo um pouco mais pelo qual motivo Kaliel me disse isso, respondo:

- Por vocês existirem. – Ao final de meus dizeres, ouço ao meu ouvido um sussurro que dizia:

- Está começando a entender. Tenho muito orgulho de você Yui.

Dou uma rápida corrida com os olhos em volta, mas não encontro ele, mas sei que está ali perto de mim, para me proteger, sei que está ali por mim, como esteve tantas vezes.

Três dias depois, vou até a lagoa que fica a algumas quadras de casa me deito sobre a grama úmida pelo orvalho e fico ali olhando para as nuvens e me lembro do lindo espetáculo que pude assistir ao lado de meu tão amado anjo e com um sorriso puro e singelo adormeço ali mesmo. Quando abro meus olhos é noite, as estrelas brilhavam como naquela vez, a lua linda minguante no céu, anunciando o fim de uma etapa e se preparando para o início de um novo e lindo tempo que virá.

Ao me levantar, me deparo com ele, lindo na minha frente. Não acredito em que meus olhos veem, mas sim ele está ali. Sem pensar disparo em sua direção. Ele dessa vez de braços abertos me esperando me abraça forte. Sinto todo o amor dele sendo passado para mim e passo pra ele todo o meu amor.

Eu o beijo como da vez em que ele se foi, mas dessa vez não seria um beijo de despedida e sim um beijo de saudades, um beijo que selaria nossa aliança até que nosso tempo de ficar juntos pela eternidade se concretize. Enquanto esse reencontro não se realizar, estarei aqui nesse mundo e ele me protegendo e guardando do outro lado.

E é assim que espero pela minha vida.



Parte final de “Um Amor de Dimensões”

Criado por:

Yui Garbe Pires


14 de Dezembro de 2019 às 23:41 0 Denunciar Insira 0
Fim

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