renata_liberali Renata Liberali

Uma menina atrás de sua convicção de que ela nasceu para amar e ser amada. Um garoto tentando esquecer o pasado, somente assim ele amará e será amado. Uma história que mostra um casal em busca de sua história de amor.


Romance Romance adulto jovem Para maiores de 18 apenas.

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Her - Capítulo 1

Tenho certeza de que nasci para amar e ser amada, sempre soube disso, desde de criança.

Não tive tantos namorados quantos deveria, buscava aquele que seria para sempre, e nessa busca encontrei ELE.

Mas, antes de encontrar ELE, o último deles foi a certeza que tive de que os poucos com quem me relacionei – três ao todo – não foram ELE; esse último foi com quem fiquei mais tempo, achei que seria ELE, mas a decepção se deu já logo no início do relacionamento, mas, mesmo assim, tentei de tudo para que desse certo, mas não consegui: inevitavelmente o fim chegou.

Decidi que deveria mudar tudo: endereço, número de telefone, emprego, e até de cidade.

Então, vim para essa cidade pequena e afastada na tentativa de me desligar de tudo e todos.

Disse em casa que faria uma viagem longa, não pretendia dizer que estava indo embora. Ligaria quando chegasse e quando estivesse para voltar, mas nunca voltaria. E assim, fiz minhas malas, joguei todas as lembranças deles – dos ex – fora, fechei as janelas e tranquei a porta. Saí pelo portão sem olhar para trás.

***

A casa que aluguei já estava toda mobiliada, mas precisava de coisas que dariam meu toque para que me sentisse realmente em casa.

Deixei as malas naquele que seria meu quarto e fui atrás de lojas para comprar o que faltava.

Foi uma tarde longa e cansativa, mas amei cada pecinha que comprei, e fiquei muito empolgada para chegar logo em casa e colocar tudo em seu devido lugar e deixar tudo com a minha cara.

Tive que pegar um táxi por causa das sacolas, e as outras coisas foram entregues em casa no mesmo dia.

Passei o resto do dia limpando, organizando, decorando... e quando terminei já era muito tarde, então tomei um banho e fui para a cama, comecei a ler, mas logo peguei no sono.

Acordei no outro dia com a luz do sol batendo no meu rosto. Não fazia ideia de que horas eram, mas senti que dormi muito bem. Há muito tempo não dormia tanto e tão tranquila. Peguei o celular para ver as horas – 10h30 a.m. - fiquei feliz e pensei em ficar um pouco mais na cama, mas não consegui, então me levantei, fui ao banheiro, e preparei meu café da manhã. Achei que seria agradável tomá-lo do lado de fora da casa; atrás da casa há uma pequena área verde com mesinhas e cadeiras, um pequeno jardim, não há muros nem cercas, parece uma área comum com a casa do vizinho, mas percebi que há um espaço igual a esse na casa ao lado da minha. Fiquei um pouco intrigada com isso, mas não quis me preocupar e não estragar meu momento.

Como imaginei, o café da manhã foi tranquilo e bonito com a paisagem: o céu azul como deve ser no verão.

Enquanto tomava o café da manhã e admirava a paisagem, comecei a planejar o meu dia, não tinha ideia do que fazer naquele dia, e nem no outro; fiquei sentada do lado de fora da casa por muito tempo, e então, me peguei relembrando o meu passado...

"Você está pronta?", ele me perguntou.

Estávamos em frente a porta do apartamento onde eu morava, demorei um pouco para entender o que ele queria com aquela pergunta, mas quando a entendi, fiquei tão envergonhada que não soube o que responder.

Ele me perguntava se eu estaria pronta para beijá-lo, e é óbvio que fui pega de surpresa, seria meu primeiro beijo na boca de alguém.

Eu era muito nova, e ele era minha primeira paixão: para mim, ele era a perfeição de menino – loiro e alto. Não me lembro como tudo isso começou, só me recordo de minha mãe me perguntando se eu estava namorando com ele, e eu fiquei assustada – eu ia contar para ela, mas ele contou primeiro para sua mãe e ela contou para a minha, elas eram amigas.

Diferentemente do que eu achei que seria a reação da minha mãe, ela somente me disse que era para tomar cuidado. Acho que ela não queria que eu sofresse tão cedo. No final, eu não o beijei e ele por consequência se afastou de mim. Ele e sua família se mudaram, e nunca mais o vi. Ele foi meu primeiro namorado, a porta de entrada para outras paixões.

Alguns anos mais tarde, conheci aquele que foi a minha maior paixão, a mais não correspondida que alguém já ouviu falar... Ele entrou na minha sala de aula e foi apresentado pela professora de geografia:

"Esse será o mais novo aluno dessa turma, ele vem transferido de outra escola."

Só havia uma carteira vazia, a do meu lado, e ele se sentou ali, e sorriu para mim. Fizemos amizade rápido, e eu me apaixonei rápido.

Poucas pessoas sabiam dessa paixão, ele não sabia; depois de um tempo uma amiga que tínhamos em comum contou para ele. Quase morri com isso, e ficamos um pouco mais próximos, como amigos.

Mudei de escola, e ele também, para a mesma que eu fui. Sempre conversávamos nos intervalos, ou quando nos encontrávamos nos corredores da escola, mas era sempre isso, nada além disso.

O tempo foi passando, e num dia uma das minhas amigas me apresentou ao seu primo, e ficamos uma tarde juntos. Achei que com o primo da minha amiga eu poderia esquecer a minha paixão, sendo assim, aceitei o pedido de namoro. Esse foi meu segundo namorado.

Estávamos sempre juntos: na escola, na casa da minha amiga, na minha casa comemorando o aniversário dele, na casa de campo dos meus pais, até que... um dia, na escola, uma amiga em comum minha e de minha paixão veio conversar comigo, ela estava séria e dizendo que era importante falar comigo. Entramos em uma sala vazia:

"Sua paixão me pediu para te dizer duas coisas. Uma delas é que ele está se transferindo para outra escola."

Fiquei surpresa, não sabia o que dizer. Por que ele pediu para ela me dizer isso?

"A outra coisa é que ele está se transferindo para outra escola porque ele não aguenta mais ver você com esse menino."

Pronto. Foi o suficiente para acabar comigo. Me lembro desse ter sido o pior dia da minha vida, com a ajuda da minha irmã, é claro, ela não poderia ficar de fora, sempre se metendo nos meus assuntos. Não sei o que ela falou para minha mãe sobre isso, e então minha mãe terminou de acabar com o resto do meu dia.

Depois de alguns meses, meu segundo namoro, aquela chance que tive de esquecer minha paixão, também acabou.

Dois anos depois, a escola tinha acabado, eu estava me preparando para a faculdade, e uma oportunidade de trabalho surgiu. Não era grande coisa, mas me ajudou a pagar metade da faculdade.

A proposta de emprego era para eu substituir um dos funcionários que tinha arrumado outro emprego. Ele me daria o treinamento por um mês, e então, eu assumiria sua posição.

Um mês se passou, e ele conseguiu ficar nos dois empregos, isso significava que eu trabalharia com ele.

Um certo dia, eu acordei para ir trabalhar e lembrei que tinha dois trabalhos da faculdade para fazer, e também tinha que estudar para as provas, surtei.

Minha mãe foi muito compreensiva, e me disse que eu não precisava ir trabalhar:

"Aliás, você não precisa ir nunca mais. Não se preocupe que irei conversar com sua chefe sobre isso."

Não fui mais trabalhar, mas continuei cliente de lá. Todas as vezes que ia à loja, ele fazia questão de me atender.

Assim que saí da loja, minha chefe colocou uma placa de vaga de emprego; dias depois alguém foi até minha casa para me pedir que conversasse com minha antiga chefe e o recomendasse para preencher a vaga de emprego que eu havia deixado.

Conversei com ela e ele foi empregado; por conta disso, nos tornamos amigos, e um dia ele me perguntou:

"O que está acontecendo com você e ele?"

"Que eu saiba, nada."

"Ele não para de falar de você."

As pessoas sabem me deixar surpreendida e sem graça.

Meu novo amigo disse que tentaria saber mais sobre isso, e que depois me contaria, o que não aconteceu.

Um dia fui à loja, e não tinha mais ninguém trabalhando lá, a não ser ele – não o meu novo amigo, mas ele.

Fui para os fundos da loja e ele veio atrás de mim:

"Você está precisando de ajuda?"

"Não, estou bem. Eu já trabalhei aqui, se lembra?"

"É que eu quero te mostrar umas coisas novas que acabaram de chegar."

"OK. Pode me mostrar."

"Você pode vir até aqui?"

Me aproximei dele, e tudo aconteceu muito rápido, quando percebi, estava sendo beijada por ele.

Tenho que confessar que achei que estava em um daqueles filmes em que as meninas se apaixonam pelos meninos, e os meninos se apaixonam pelas meninas, e acabam ficando juntos depois de alguns pequenos conflitos, mas o final é sempre feliz.

Não foi assim comigo; depois daquele beijo, ele meio que insistiu para ficarmos juntos, e eu pensei: por que não?

Ele me mostrou e ensinou tudo o que os casais fazem quando estão juntos; ele não foi o primeiro que me tocou, isso já tinha acontecido com o segundo namorado: uma vez, na casa da prima dele, não sabia o que fazer, mas foi intenso; a outra vez foi no aniversário dele enquanto ficamos sozinhos e fechados no meu quarto, e minha irmã, a prima dele e minha mãe preparavam a festa. Mas, o terceiro foi o primeiro que me teve por inteiro, mesmo assim, eu ainda não sentia que estava apaixonada, ou que o amava.

Dias, semanas, meses, anos se passaram, e continuamos juntos; era divertido em alguns momentos, era irritante em outros, era calmo às vezes, mas nunca apaixonado, nunca romântico, nunca como eu achava que deveria ser.

Até que um dia tudo acabou; não consigo me lembrar se fui eu ou ele quem terminou, só o que me lembro é que ele foi embora, e eu fiquei sem saber o que fazer. Foram tantos anos juntos, não havia amor da minha parte, parecia que tinha perdido um amigo. Acho que é isso o que eu ainda sinto, a falta de um amigo...

***

Não sei quanto tempo fiquei aqui do lado de fora, mas o sol está forte, sinto no meu rosto.

Entrei em casa, e fui direto para o meu quarto para arrumar a cama e tomar um banho. Lavei a louça do café da manhã – já se passava das 2h da tarde. Então, saí para almoçar em um restaurante que tinha visto no dia anterior quando fui às compras.

O restaurante era muito agradável, e a comida deliciosa. Pensei em vir mais vezes, já que vou trabalhar muito perto daqui.

Depois do almoço, fui até o parque da cidade para caminhar um pouco. Sentei embaixo de uma árvore para descansar depois da caminhada, e um casal com dois filhos – uma menina, mais velha, e um menino, mais novo – se aproximaram de mim:

"Olá! Você é a nova moradora da casa branca, não é?"

"Sim, sou eu."

"Queríamos muito conhecer os novos moradores.", ela disse um pouco empolgada.

"Não são moradores, somente eu.", respondi a eles, e perguntei:

"Vocês moram por aqui?"

"Não, infelizmente. Estamos passando uma semana aqui. Estou organizando um casamento, e ele está aproveitando para finalizar seu próximo livro.", ela responde.

"Atividades interessantes as de vocês. Será que já li um livro seu?"

"Talvez.", ele diz.

Então, ela me pergunta:

"Você vai trabalhar com o que nessa cidadezinha?"

"Sou professora, começarei na segunda-feira."

"Você dá aula de que?", ele me pergunta.

"Sou professora de idiomas, vou assumir as aulas de francês dos primeiro e segundo anos."

"Espero que suas aulas comecem bem, aula para adolescentes...", ele me diz e olha para os filhos.

Sorrio para eles, e então, eles se despedem me desejando sorte.

***

14 de Dezembro de 2019 às 02:56 0 Denunciar Insira 3
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