Paixão platônica Seguir história

renkyou renkyou

Desde que podia se lembrar, Giyuu era amigo de Sabito e os dois eram inseparáveis com uma amizade à prova de tudo. Isso é, se a descoberta de uma paixão não mudar isso entre eles.


Fanfiction Anime/Mangá Para maiores de 18 apenas.

#Sabito-e-Giyuu #Giyuu #Sabito #SabiGiyuu
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Entre intervalos e uma tarde

Nos últimos dias havia poucas coisas que podiam deixar Giyuu feliz, e uma delas era estar perto de Sabito. Acordar todas as manhãs, se arrumar e ir para o colégio eram uma monotonia sem igual e que fazia no automático. Já não prestava mais tanta atenção como antes no que era ensinado nas aulas, também não se importava em socializar, apenas ficava no canto da sala, quieto e avoado em pensamentos. Mas não era sempre assim.

Às vezes sua atenção pairava no ruivo da terceira fileira, e como se sentisse o olhar sobre si, ele se virava o olhando diretamente e lhe dirigia um sorriso, logo se virando e prestando atenção a aula.

Poderia ter muitas outras pessoas naquela sala olhando para Sabito, mas ele sempre olhava certeiramente para si. E nessas ocasiões no horário do intervalo, Sabito, sempre vinha falar consigo. Se sentava ao seu lado, ficavam em silêncio por algum tempo antes de alguém dizer algo. Era um momento bom que tinha a duração exata de vinte minutos.

A amizade entre os dois tinha aquela forma disfuncional de ser, e nenhum deles estava realmente incomodado com isso. Era assim desde que eram crianças e funcionava de uma forma estranhamente boa para ambos os lados. Porém, em algum momento, algo muda. E essa mudança não foi do dia para a noite, foi lenta e sublime. Sorrisos, gestos e palavras involuntários, pensamentos constantes sobre aquela pessoa e até mesmo as famosas borboletas no estômago ao vê-la.

E depois de todos esses "sintomas", Giyuu se deu conta daquela mudança progressiva em si.

Não se pode esconder a verdade de você mesmo e soube disso naquela manhã ensolarada e quente, em que estava sentado no canto do refeitório junto de Sabito e todos os "sintomas" atracaram de uma só vez. Em algum momento, algo muda, nada é só isso ou aquilo para o resto dos dias. E Giyuu mudou. Começou a amá-lo de uma forma não fraternal. Uma paixão que surgiu e se alojou a três meses.

Não sabendo como lidar com essa novidade e como um adolescente de dezesseis anos, procurou por alguma ajuda online. Bem, no momento em que viu a palavra "flertar" desistiu; pois mesmo nunca tendo o feito, sabia que não seria bom nisso. Além do mais, era seu amigo de infância ali, podia interpretar tudo como uma brincadeira. E se ele percebesse e se afastasse? Seria doloroso demais perdê-lo, era a única pessoa em que confiava e tinha a mágica de fazer seu dia brevemente melhor.

Ultimamente, muita coisa para Giyuu não fazia sentindo, a sensação de viver em um mundo preto e branco o possuiu na monotonia. Mas aquela paixão platônica lhe deu uma sensação diferente, um misto de sentimentos que causava um frio no estômago e uma estranha tristeza. Talvez fosse a de quando se ama alguém que não te ama.

Seus dias agora eram confusos, queria que Sabito estivesse sempre junto, perderá a conta de quantas vezes quis enviar uma mensagem convidando-o para fazer alguma coisa. No meio da noite, quando a insônia vinha, digitava "você poderia, um dia, me amar como eu te amo?" sentindo um calor subir ao rosto, mas nunca enviava. Desligava o celular e tomava seu remédio para dormir. Nesses dias, resolveu que não iria para o colégio.

E hoje, era um desses dias. Quando acordou viu na tela do celular que já passava do meio dia, as aulas já haviam acabado. Sua cabeça pesava, dormiu demais. A vista um pouco embaçada e os cabelos escuros bagunçados. Escutou o barulho da porta da sala se abrindo, provavelmente sua mãe que vinha lhe trazer o almoço e ver como estava antes de voltar ao trabalho. Bem, era o que achava. Os sons de passos se aproximaram de seu quarto, Giyuu não fez menção em se levantar da cama, as cobertas estavam acolhedoras hoje. A porta se abriu com um rangido irritante aos ouvidos e a visão da pessoa que entrou, não era a de quem esperava.

Sabito estava ali de pé, os cabelos amarrados em um coque e ainda vestia o uniforme do colégio. Giyuu não sabia o que dizer, fora uma surpresa e tanto. Já fazia anos que ele não vinha a sua casa, desde que tinham dez anos.

— Sua mãe esteve no colégio, encontrei com ela na saída. Pediu que eu viesse te entregar o almoço e ver como estava, disse que estava sem tempo para vir até aqui pessoalmente.

Sabito foi o primeiro a iniciar alguma conversa, sentou-se ao lado de onde Giyuu estava deitado.

— Ela deve ter pensado que fui a aula hoje, esqueci de avisá-la de que não ia.

— Bom, deixei o seu almoço em cima da mesa da cozinha, acho que vai precisar esquentar no microondas. — Sabito se pôs de pé, podia notar que havia algo errado. — Já vou indo, tenha uma boa tarde, Giyuu.

— Espera. — Em um impulso Giyuu sentou-se na cama segurando a mão do outro antes que ele pudesse se afastar. — Está tudo bem?

Aquela era uma das perguntas que raramente fazia em voz alta a alguém, pois independente da resposta, você terá que lidar com ela. Podia parecer uma coisa idiota aos olhos de outros, porque é algo tão cotidiano e por isso às vezes se perde o sentido real. Mas naquele momento, sentiu que precisa perguntar, e se importava muito com a resposta.

Sabito respirou fundo antes de se sentar novamente na cama, a mão dele se fechou sobre a do amigo. Era um contanto simples, mas que fez o coração de Giyuu acelerar, e o fato do outro olhar carinhosamente para suas mãos entrelaçadas, fazia com que um milhão de pensamentos rompessem sua mente.

Somente ele para o fazer ficar assim.

— Eu estou bem, mas não sei se posso dizer o mesmo entre nós. Você se afastou nas últimas semanas, mais falta do que vai a aula, visualiza as minhas mensagens e não responde. Quando me vê na rua mal me olha e nos intervalos é a mesma coisa. Pensei bem e acho que tudo isso é por minha causa exclusivamente...

— Não é bem assim, Sabito...

Queria dizer a verdade que estava entalada na garganta e ao mesmo tempo na ponta da língua. Não eram palavras difíceis de serem ditas, porém, continham um peso enorme para a amizade.

— Me diz Giyuu, não quer ser mais meu amigo? Se for, vou entender. Sei que quase nunca estamos juntos, e provavelmente eu te deixei sozinho muitas vezes em que precisou de mim.

— Se você me deixou sozinho foi porque eu pedi ou demonstrei que queria isso, você sempre esteve lá para mim mesmo assim. E nunca que eu deixaria de ser seu amigo, é só que as coisas estão complicadas ultimamente e eu precisava de um tempo.

— É algo em que posso ajudar?

Sabito desviou o olhar para si, havia preocupação nele e era por sua causa. Giyuu tinha a opção de contornar a situação e dizer que tudo era culpa de mais uma crise, ou dizer alguma coisa que fizesse diferença. A verdade não diria tão claramente, lhe faltava coragem.

— Ando com alguns sentimentos novos que não sei lidar muito bem, e preciso assimilar isso.

Tentou sorrir para demonstrar que tudo estava bem e não um caos como sua face entregava, mas não deu muito certo. Saiu um sorriso torto, e que talvez houvesse entregado todo o jogo. Sabito era seu amigo desde sempre, o conhecia realmente.

— Talvez eu entenda disso mais do que imagina, Giyuu.

O sorriso de Sabito foi pequeno, apenas uma leve subida com os lábios, e então, estavam quites, porque assim como ele entendia os mínimos detalhes e gesto de Giyuu, o outro também entendia. Giyuu apertou a mão sobre a sua, não sabendo se devia perguntar ou não, se o que ficou subentendido ali fora a mesma coisa para ambos. Mas, mais uma vez, a coragem faltou. E foram as grossas gotas de chuva contra a janela que fizeram com que ambos se afastassem envergonhados, soltando as mãos.

— Tenho que ir, começou a chover e minha mãe vai ficar preocupada que ainda não cheguei da aula. Foi bom te ver, espero que vá amanhã.

Trocaram um "até mais" e Sabito se foi, depois Giyuu se lembrou que deveria ter perguntando se ele tinha um guarda-chuva consigo, pois se não emprestaria o seu. Se ele fosse até em casa debaixo dessa chuva pegaria um resfriado com certeza. Pegou o celular para mandar uma mensagem perguntando sobre, mais logo deixou de lado para digitar outras palavras. Foi rápido e não releu pois acabaria apagando.

"Se eu supostamente estivesse apaixonado por você, isso seria recíproco?"

Enviada, mas não visualizada. Ainda dava tempo de apagar, mas dessa vez teria ao menos um pouco de coragem. Desligou o celular e o colocou sobre a cômoda, indo comer mesmo que o mínimo, já que o nervosismo fazia seu estômago se revirar e a fome sumir.

A resposta para a mensagem veio a noite, e fez Giyuu ter um surto interno pela primeira vez. Era apenas um "sim" , mas que dizia tanto. No final, sua paixão platônica não era tão platônica. Aquilo fez com que pela primeira vez em tempos a vontade de ir ao colégio surgisse. Sabito estaria o esperando no lugar onde sempre se sentavam, e dessa vez seria diferente. Quem sabe não se arriscaria até a um beijo e só de imaginar a possibilidade, Giyuu sentia o calor voltando a sua face.

10 de Dezembro de 2019 às 23:09 0 Denunciar Insira 1
Fim

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