Tarde molhada. Seguir história

saaimee Ana Carolina

Entediado e com calor Nishiki viu a oportunidade perfeita de se entreter ao lado do irmão enquanto trabalhavam.


Fanfiction Jogos Todo o público. © Os personagens desta estória pertencem a Yakuza/RGG. Todos os direitos sobre eles são reservados a © Sony

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Capítulo Único

O sol estava impiedoso naquela tarde. Cruel era um mínimo a se dizer. Esse era um daqueles dias de verão que se você olhasse muito tempo para um único ponto era possível ver as ondas de calor distorcendo tudo ao redor. E era exatamente isso que Nishikiyama fazia sentado na varanda com as mangas da camisa arregaçada no cotovelo e a franja presa por uma tiara.

— Nishiki, por que ainda está sentado aí? – De trás dele, Kiryu apareceu fechando a porta de madeira. O calor também tinha atingindo o jovem fazendo substituir seu blazer de sempre por uma regata. — Já pegou as mangueiras?

— Kiryu, olha esse chão. – Falando sem dar atenção para a pergunta, Nishiki comentou pegando a garrafa de água que o outro lhe oferecia. — O sol vai derreter a gente ali.

— Mas o Kazama pediu pra molhar o jardim. E eu vou fazer isso nem que tenha que derreter.

— Irmão... – Tocando pelas palavras, Nishiki o assistiu descer a curta escada e caminhar até a pequena casa no canto do jardim onde os materiais de jardinagem estavam guardados.

Debaixo do sol, Kiryu andou pelo caminho de pedras sentindo o calor extremo cobrir seu corpo agradecido pelo amigo ter passado o protetor nele antes de saírem da casa.

O caminho até o local não era longo e por sorte as mangueiras já estavam colocadas do lado de fora quando chegou ali. Devagar ele se abaixou sentindo o fervor do chão atingir seu rosto dando certeza que as borrachas estariam pegando fogo, o deixando cansado antes de começar.

Suspirando olhou para trás e assim que viu o irmão — ainda sentado no mesmo local se abanando como se não tivesse o que fazer — sua expressão se fechou.

— Nishiki, para de perder tempo! – Rosnando as palavras chamou, fazendo o rapaz derrubar os ombros derrotado.

— Tá, tá. – Resmungando se levantou dobrando as barras da calça até o joelho para evitar se sujar antes de seguir o outro. — Você tá com pressa por que?

— Eu não quero ficar o dia todo aqui. Tá calor!

Apesar do desanimo, eles conseguiram desenrolar toda as mangueiras e arrumar as coisas caídas no jardim antes de finalmente começarem a trabalhar.

Esse era um dia que eles prefeririam passar sentados na varanda com picolés e um ventilador em seus rostos, porém não reclamaram tanto quando ligaram a torneira e sentiram a água fresca caindo em suas mãos. Lado a lado, embaixo do sol de 35 graus, os dois miraram toda água que conseguiam nas plantas desejando ser uma delas por instantes.

Kiryu tomava todo o cuidado possível para não deixar passar despercebido nenhuma das flores e não exagerar na água distribuída. Enquanto Nishiki preferia ser rápido para poder sair logo dali, entretanto ele sabia que iria ter que aguentar isso até o fim se não quisesse ouvir as reclamações do mais novo.

Além do calor derretendo suas cabeças, ficar parado ali depois de 10 minutos era terrivelmente entediante e mesmo que Kiryu não se importasse com isso, Nishiki já não aguentava mais.

Incomodado com a falta de entretenimento o rapaz olhou ao redor procurando algo para desviar sua atenção. E foi no meio dessa busca que, sem querer, acabou batendo seu ombro contra o de Kiryu. Sua reação automática foi se desculpar, porém, logo em seguida, notou que era isso que iria salva-lo do tédio.

Com cuidado ele deu um novo toque empurrando Kiryu levemente para o lado. O jovem o olhou sem entender, entretanto assim que viu sua expressão brincalhona imaginou que tinha sido proposital e, por isso, revidou com o mesmo toque.

Nishikiyama sorriu com a resposta e resolveu fazer de novo se atrevendo a usar um pouco mais de força. Kiryu novamente retribuiu quase sorrindo.

A brincadeira continuou por mais algumas vezes até Nishiki bater forte demais fazendo Kiryu molhar a varanda.

— Nishiki... – Chamou, porém foi ignorado recebendo um novo empurrou. — Nishiki, para!

— Ah, por que? É muito chato ficar aqui! – Incomodado ele reclamou balançou a mangueira enquanto o outro observava querendo avisa-lo sobre a bagunça que causava. — Não dá pra gente fazer alguma coisa mais-

Suas palavras se interromperam assim que virou a mangueira acertando as calças do irmão por acidente. Kiryu até tentou desviar, mas foi em vão.

— Kiryu! – Abaixando a mangueira, chamou com os olhos arregalados e arrependido. — Desculpa.

O maior se virou olhando para ele sem dizer nada, com olhos que o condenavam. O rapaz tentou sorrir e aliviar a irritação em seu rosto, porém não conseguiu.

— Você pediu por isso.

— O que? – Perguntou confuso vendo Kiryu se virando para ele. E assim que notou a direção em que a mangueira tomava ele tentou correr. — Não! Meu cabelo!

Como se isso fosse uma largada, os dois começaram uma guerra boba onde miravam um no outro com jatos de água se acertando entre reclamações, risos e escorregões. O trabalho de 1 hora acabou virando a brincadeira de uma tarde toda.

— Você acha que o Kazama vai ficar bravo? – Sentados entre as plantas, cansados e molhados, Kiryu perguntou enquanto observava água que escoria nas folhas.

— Por que? A gente fez o que ele pediu.

— É, mas... O jardim tá ensopado.

O comentário fez os dois olharem ao redor tão calmos quanto curiosos.

Viram as gotículas refletirem a luz do sol, sentiram o cheiro da terra molhada e a umidade do chão onde estavam verter mais água do que deveria. Incertos do que deveriam pensar, eles se encaram por um momento silenciosamente.

— Ainda tá calor. – Nishiki quebrou o silêncio se virando para olhar o céu alaranjado tentando diminuir tensão da conversa. — O sol vai secar.

— Hm… Pode ser. – Kiryu concordou olhando ao redor acreditando que aquilo realmente poderia ser verdade e nenhuma flor iria morrer naquela tarde. Foi pensando nisso que se lembrou de algo que o fez se levantar rapidamente assustando Nishiki.

— O que vo-

— A gente precisa se secar também.

Sem pensar duas vezes, Kiryu segurou a barra da regata a puxando para cima enquanto sentia o pano molhado agarrado em seu corpo se soltando deixando as marcas da umidade. Nishikiyama, debaixo dele, o assistiu retirar a camisa vendo o abdômen molhado e as gotas que escorriam pelos músculos de seus braços.

— Você também.

Kiryu falou fazendo sua voz despreocupada o despertar. Nishiki quase engasgou quando se virou para frente novamente disfarçando o calor nas bochechas e tentando decifrar o que o maior tinha dito.

— Ah... De jeito nenhum.

— Você vai ficar doente! – Kiryu retrucou o assistindo balançar a cabeça negativamente.

— Tirar a camisa vai te deixar doente.

— O que?

— O vento vai piorar tudo. – Explicou como se tivesse certeza do que dizia fazendo Kiryu o encarar em silêncio por alguns instantes.

— Que vento? Tá calor! – Falou confuso antes de cruzar os braços e olhar para o irmão que se recusava a devolver o olhar. — Nishiki, isso nem faz sentido.

— Eu não vou tirar.

— Meninos.

A voz alta e confusa fez os dois virarem para a varanda quase automaticamente encontrando Kashiwagi parado na porta os encarando.

— O que estão fazendo?

Sem perder tempo eles se ajeitaram caminhando em sua direção tentando secar o máximo de água do corpo que podiam e disfarçar as roupas encharcadas.

— Hã…

— Molhando as plantas. – Nishiki respondeu sorrindo nervoso vendo Kiryu ao lado, incerto, acenar com a cabeça.

O mais velho olhou ao redor vendo as mangueiras jogadas nos cantos, as plantas tentando sobreviver a enchente e, por último, os dois parados em sua frente com olhos nervosos e roupas que pareciam ter sido lavadas ali.

Ele não tinha nem o que perguntar e, suspirando, balançou a cabeça antes de falar qualquer coisa.

— Já tá bom! E tirem essas roupas. – Se virando para a entrada continuou, os deixando ali. — Eu vou pegar toalhas.

— Sim, senhor.

— Obrigado.

Ambos não conseguiram saber se o homem tinha ficado bravo com eles ou se estava contente quando viram seu rosto. Porém também não quiseram testar a sorte em perguntar e em silêncio assistiram Kashiwagi se afastar desaparecendo no corredor.

Kiryu fitou a porta vendo de canto Nishiki torcer o nariz fechando os olhos. Um sorriso vencedor surgiu no canto de seus lábios. Ele sabia o que o irmão estava esperando que dissesse e exatamente por isso resolveu ficar calado.

— Eu sei que você quer falar.

— Falar o que?

A falsa insinuação de desentendido fez Nishiki se virar para ele vendo os olhos brilhando e os lábios se esforçando para não sorrir. O mais velho queria revirar os olhos e até xinga-lo, mas não conseguiu. Ver aquele contentamento no rosto sempre sério de Kiryu fazia seu coração disparar em felicidade.

— Você é o pior em mentir. – Se abaixando ele comentou sentando-se na escada fazendo o outro sorrir o acompanhando.

— Mas eu tava certo.

— É, é, você sempre tá certo.

7 de Dezembro de 2019 às 22:02 0 Denunciar Insira 0
Fim

Conheça o autor

Ana Carolina Mãe de 32 personagens originais e outros 32 adotados com muito carinho, fanfiqueira nas horas vagas e amante das palavras em período integral. Apaixonada demais e, por isso, sou tantas coisas que me perco tentando me explicar. Daí eu escrevo. ICON: TsukiAkii @ DeviantArt

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