Bigodes & Chá. Seguir história

saaimee Ana Carolina

Sera está cansado de todo o trabalho diário no Tojo e um pequeno amigo vem para salvar seu dia.


Fanfiction Jogos Todo o público. © Os personagens desta estória pertencem a Yakuza/RGG. Todos os direitos sobre eles são reservados a © Sony.

#sera-masaru #rgg #yakuza #fluff
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Capítulo Único

Era um final de tarde comum onde Sera estava aproveitando o tempo sentado na mesa do seu escritório pensando em todos os problemas que continuavam chegando e nas decisões que precisava tomar.

Fazia pouco tempo que havia tomado o lugar de presidente do Tojo, entretanto isso não fez o mundo pegar leve com ele trazendo, todo os dias, as terríveis dores de cabeça que tinha que lidar por quase não ter tempo para descansar. Porém, por pior que fosse, toda essa avalanche o ajudou a tomar as rédeas da situação e entender como deveria liderar aqueles homens mais rápido.

Um suspiro longo e cansado ecoou pela sala vazia enquanto pensava na ideia de sair dali e fazer um chá rápido para relaxar por alguns minutos. Claro que ele poderia chamar alguém para fazer isso por ele, porém estava querendo se agarrar a qualquer desculpa para poder esticar as pernas por dois minutos.

Ainda estava sentado pensando nas folhas novas que havia comprado quando ouviu um barulho tímido tocar na porta de vidro que levava ao jardim.

Seus olhos rápidos procuraram pelo som vendo o jardim banhado pelo sol de fim de tarde acolhendo insetos em suas flores. Não havia nada ali além do clima pacífico que convidava para descansar.

Pensou ter imaginado o som e teve certeza que estava trabalhando demais e precisava fazer aquele chá antes de perder a noção de seus arredores.

Resolveu se levantar quando ouviu novamente o mesmo som. Porém, dessa vez, conseguiu identificar o toque fraco de um galho o fazendo automaticamente se virar para a grande árvore próxima a entrada da porta.

Desconfiado se aproximou arrastando os pés pelo tapete felpudo enquanto tentava ver o que havia na árvore. Antes de chegar a porta seus olhos encontraram um gato pequeno agarrado em um dos galhos explicando a razão dos barulhos.

Surpreso deu mais um passo esticando o braço para tocar o metal e empurrar o vidro para o lado dando-lhe espaço suficiente para passar. O ar fresco tomou seu corpo afastando para longe a tensão em sua mente.

Sera se aproximou fazendo o mínimo som de suas meias arrastando pelo chão de tábua serem ouvidos pelo animal assustado. Ele viu o pequeno se encolher fincando as garras ainda mais firme na madeira e soube que tentar pega-lo agora traria consequências.

Suspirando como se tomasse coragem o homem parou embaixo do galho e, se colocando na ponta dos pés, esticou os braços em sua direção.

— Está tudo bem. – Assegurou em tom baixo tentando acalmar a desconfiança no animal. — Estou aqui para te ajudar. Não precisa ter medo.

Apesar das palavras o gato ainda parecia ameaçado e assim que as mãos firmes do homem agarraram seu corpo magro ele se soltou do tronco fincando sua unhas na pele de Sera.

O presidente não reclamou e menos ainda pensou em soltar o filhote apesar do sangue escorrendo. Havia medo no animal, não culpa, por isso não tinha porque abandona-lo.

— Foi assustador, não é? Mas não vai te machucar mais. – Comentou com um leve sorriso vendo o animal se acalmar em suas mãos. O trazendo para perto de seu rosto ele viu os grandes olhos verdes o observando confuso. — Você precisa tomar cuidado onde se esconde. Não é todo mundo que vai parar para te ajudar. – Com cuidado acariciou atrás da orelha procurando por uma coleira vendo o gato acompanhar seus movimentos como se pedisse para continuar. — Você não tem dono? – Questionou como se o animal pudesse realmente o responder e depois de uma longa pausa pensando olhou para o galho achando ter encontrado a resposta. — Talvez... Estava procurando por pássaros? Ah, está com fome?

Essa foi a única pergunta que o gato realmente entendeu dando uma resposta sincera ao esticar o corpo e erguer as orelhas atento. A reação tão automática e inocente fez Sera sorrir.

— Pensei que estivesse. – Continuou a falar aproximando o animal de seu peito enquanto se virava para voltar para dentro da sala. — Eu vou te deixar aqui. – O colocando sobre o tapete, fechou a porta. — Espera um pouco. – E caminhando pelo centro da sala ele se guiou até a outra porta de madeira por onde saiu seguindo seu caminho pelo longo corredor.

O felino estático no meio da sala encarou a passagem fechada por instantes como se esperasse que o homem fosse reaparecer a qualquer momento. Ele aguardou um, dois, três minutos até que a curiosidade em conhecer o ambiente o fez se mover cuidadosamente pela sala.

Sua patinhas rosadas tocavam o tapete com tanta delicadeza que parecia ter medo que os pelos no chão pudessem o ferir. Seu pequeno nariz cheirou os cantos do sofá no meio do local e suas orelhas se sacudiram ouvindo os sons no silêncio.

Um barulho inesperado do lado de fora o fez correr para debaixo da mesa, porém assim que percebeu que não era nada ele saiu. Confiante e cheio de determinação começou a correr por cada canto, conhecendo e se aventurando.

Com rapidez subiu com suas garras pelo estofado do sofá até chegar no braço onde viu tudo o que poderia derrubar por ali. Naquela selva inexplorada ele ia se tornar o rei.

Demorou mais uns dez minutos para Sera se livrar das conversas no meio do caminho usando as desculpas de “estou muito ocupado agora” e poder finalmente voltar para sua sala. A porta se abriu revelando o homem com uma pequena tigela de porcelana em mãos e o olhar pacífico de sempre.

— Desculpe te fazer espe-

Assim que seus olhos encontraram os papéis de sua mesa caídos no chão e o gato pendurado em seu armário, sua voz se calou e seus lábios não conseguiram se fechar. Foram apenas 10 minutos, com esse furacão poderia ter acontecido assim?

Fechando os olhos ele suspirou antes de rir descrente balançando a cabeça.

— Não é educado mexer nas coisas dos outros. – Fechando a porta, explicou chamando os olhos e o olfato do animal. — Venha.

Passando pelo tapete chamou fazendo o felino o seguir na direção da porta de vidro onde pararam.

— Eu não tinha nenhuma comida de gato…. Não esperava receber visitas assim. – Explicou, se ajoelhando e por fim colocando a tigela no chão. — Mas tenho leite para você.

Em silêncio Sera observou o animal se aproximar movendo o nariz sem parar. Com cuidado o gato aproximou o rosto do liquido e com ainda mais cautela tentou toca-lo para conferir que não havia nada de errado ali.

A primeira lambida foi curta, a segunda calma e na terceira ele já deixava que seu estomago faminto falasse por ele.

O homem assistiu à cena contente deixando curtos risos escaparem. Essa era uma situação incomum em sua vida agitada e mesmo que soubesse que não deveria estar perdendo tempo com isso ele continuou ali.

Com calma tocou as costas do animal e sem ser rejeitado continuou fazendo seus dedos moverem cuidadosamente por seu pelo macio.

— Que fofo...

A tigela que antes estava cheia, agora carregava pequenas gotas que o animal não conseguiu alcançar. Sera o observou se afastar do objeto e antes que pudesse dizer algo, o viu se aproximar aconchegando em seu colo.

A expressão confusa em seu rosto escondia a alegria em seu peito. Foi inesperado, mas o contato o fez bem.

Entretanto ele sabia que não podia se apegar — nem ao animal, nem a calmaria — e relutantemente o pegou nas mãos, impedindo que caísse no sono, levantando e vendo seu corpo se alongar à sua frente.

— Você é um pequeno gato longo.

No meio de seu sorriso a porta de madeira se abriu. Seus olhos instintivamente se viraram para o som encontrando Kazama parado na entrada o olhando de volta com a mesma expressão surpresa. Por instante eles apenas se encararam sem saber o que fazer.

— Estou interrompendo algo?

— Não. – Respondeu envergonhado ao tom sarcástico na voz do amigo. — Entra.

Kazama fez como dito fechando a porta e adentrando a sala enquanto o outro se levantava deixando o gato correr livre pelos móveis.

— Você tem um gato? – Perguntou se sentando no sofá em frente ao amigo.

— Não. Ele ficou preso naquela árvore.

— Entendi. – Concluiu observando de cima o pequeno felino se aproximar com cautela de seus pés e amedrontado cheirar seu sapato. A audácia e o medo misturado fez o homem sorrir o encorajando a acariciar sua cabeça gentilmente. — Fofo.

— Sim. – Derrotado concordou se sentando no outro sofá observando os dois.

— Já considerou ter um?

— Não posso. – Respondeu rápido desviando o olhar para a bagunça ao lado deles. — O trabalho consome a maior parte do meu tempo. O coitadinho iria ficar sozinho o dia todo.

— Verdade. – Com pena os dois observaram o filhote rolar no tapete brincando sozinho. O sorriso estava preso em seus rostos sem nem notarem.

— Mas vou deixar minha porta aberta quando quer que eu esteja aqui. Assim ele pode me visitar. – O comentário fez Kazama sorrir trazendo imagens em seu mente antes de se virar para chamar a atenção do gato.

— Não está feliz? – Perguntou vendo os olhos verdes o observar. — Agora você terá comida de graça todos os dias. – O comentário fez o pequeno miar em resposta trazendo risos a Kazama e um olhar confuso a Sera.

— Ah… O que isso faz de mim?

— Está bem… – Pegando o gato em seu colo, afagou seus pelos, virando o animal para olhar na direção do amigo. — Dê um pouco de amor para ele também.

Sera viu o olhar curioso do gato e o sorriso gentil de Kazama por trás dele. Sua expressão estava séria, mas seu coração estava contente por tê-los ali.

— Tinha algum motivo para você vir aqui? – Suspirando tentou desviar o assunto para o que poderia ser importante.

— Sim. – Colocando o animal no chão respondeu antes de se virar para ele. Seus olhos o encararam de cima a baixo, voltando a olhar em seu rosto interessado com sorriso de canto. — Mas você tem algo mais importante para fazer agora, presidente.

— O que?

— Tirar esses pelos da sua roupa.

A sugestão o fez se olhar assustado vendo seu yukata branco cheio de pelos pretos espalhados por todo lado. Com um suspiro frustrado ele se jogou para trás ouvindo Kazama rir.

— Por isso eu não posso ter gatos...

5 de Dezembro de 2019 às 21:18 0 Denunciar Insira 0
Fim

Conheça o autor

Ana Carolina Mãe de 32 personagens originais e outros 32 adotados com muito carinho, fanfiqueira nas horas vagas e amante das palavras em período integral. Apaixonada demais e, por isso, sou tantas coisas que me perco tentando me explicar. Daí eu escrevo. ICON: TsukiAkii @ DeviantArt

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