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henrique_da_costa Evandro Smaniotto

Teddy e Marcos são dois adolescentes comuns, cursando o último ano do ensino fundamental, enfrentando problemas comuns na vida de adolescentes. Marcos é o típico nerd anti-social e recluso, enquanto Teddy cumpre o papel de gordinho desajeitado. Seus desafios diários pouco destoam da vida escolar e da costumeira tediosidade da rotina. Mas o que aconteceria se, de repente, as coisas não fossem mais tão simples assim para os garotos?


Ficção adolescente Impróprio para crianças menores de 13 anos.

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A Discussão no Corredor


Colégio Municipal Garcia. A principal escola pública situada na pequena cidade do interior do Rio Grande do Sul, esta qual contava com um pouco mais de oitenta mil habitantes, era bastante movimentada. Por ser o principal colégio público da região, e contar com vagas tanto para o Ensino Fundamental quanto para o Ensino Médio, tal exaustivo movimento era bastante justificável. Afinal, a instituição contava com mais de três mil alunos no total, divididos em diversos turnos, períodos e turmas. Mas, para irmos direto ao ponto, o que é realmente importante aqui, é que comecemos pelos fatos que desencadearam tudo o que será visto a seguir. E estas ocorrências iniciaram-se na penúltima terça-feira do mês de março de 2019, por volta das 17h46 daquela tarde...

Já fazia quinze minutos, desde que o último sinal do dia naquela escola havia tocado. A euforia dos estudantes por estarem livres de mais um dia de estudos, e tal ânsia de escaparem da prisão estudantil para se sentirem soltos era tanta, que era possível notar que a escola ficava deserta muito depressa. A grande maioria dos professores também logo ia embora e, por este motivo, até o dia seguinte, o espaço ficaria às moscas. Normalmente, apenas a equipe da direção ficava certo período após o último ressoar do sinal. Mas, naquele dia, haviam dois estudantes do nono ano, que aproveitavam o clima tranquilo, para discutirem nos corredores desertos daquela instituição.

_ Eu realmente não sei como você me convenceu a entrar em uma das suas de novo! – gritava Teddy, enquanto Marcos lhe deixava a par acerca do seu último planejamento – eu definitivamente não sei...

_ Você concordou, por que sabe que, no fundo, a minha ideia faz todo o sentido, meu caro... – Marcos provocou – e também porque lhe prometi pagar um hambúrguer completo, se tudo ocorrer da forma como imagino!

_ Ah, vai ocorrer sim... eu tenho certeza que vai... – ironizou Teddy, com descrença na proposta do colega.

_ Ah, vamos lá, Teddy... não é porque, no passado, algumas das minhas ideias tenham fracassado de maneira miserável, terrível ou vergonhosa, que este meu último plano não possa dar certo... fique tranquilo!

_ Na verdade, o seu retrospecto falho, é o que faz a sua ideia parecer péssima, para se falar o mínimo. Convencer a Samantha a enviar para mim as fotos que ela tirou dos professores, e depois usar como prova para denunciá-la pela criação das contas anônimas, as quais espalharam estas mesmas fotos por toda a escola é, sendo sincero, um tanto quanto...

_ Genial? – tentou Marcos, confiante.

_ É completamente idiota! Nem parece que o cara que conseguiu pegar sete recuperações no ano passado sou eu e não você!

_ Acalme-se, seu infeliz. Não há bonança sem riscos. A escola inteira está perplexa por causa do vazamento daquelas fotografias, e a diretoria está desesperada, atrás de evidências de quem fez isso. E graças à minha brilhante investigação, eu pude descobrir que, muito provavelmente, a responsável pelas fotografias constrangedoras, é a nossa colega Samantha Riverdouble.

_ Eu já sei de tudo isso... sei das ameaças de represálias aos inocentes, feitas por parte da diretoria, e sei também das recompensas oferecidas para quem resolver o caso – o garoto avaliou a situação, com certa cautela – e não é que eu não queira usar a oferta prometida, para melhorar minhas notas em matemática! Mas não vale a pena por que é arriscado demais!

_ Só porque a Samantha é famosa por ter espancado três garotos no ano passado? Ou porque o namorado dela é um maromba pavio-curto que vive se metendo em encrenca? Ou... – contabilizou Marcos, sem esboçar qualquer que fosse a preocupação, enquanto calmamente ajeitava seus óculos no rosto, à espera de alguma reação de seu amigo.

_ Por isso tudo e muito mais, Marcos! Você é louco de querer levar isso adiante! Não vale a pena! – exclamou Teddy, já perdendo a paciência.

Enquanto os amigos discutiam nos corredores do colégio, após um dia cansativo, não perceberam a aproximação de um vulto feminino que surgia mansamente pela penumbra da porta da última sala de aula. Aquele corredor, até alguns minutos atrás com um incessante movimento de alunos, agora era solitário e silencioso, com a exceção clara da discussão “animada” que Teddy e Marcos promoviam. Talvez o fato de, normalmente, nos outros dias, eles já estarem deixando os domínios da escola naquele horário, fez com que eles não percebessem que não estavam sozinhos naquele corredor.

_ Eu só acho que você deveria deixar de ser tão covarde, e... – Marcos começou, mas interrompeu seu raciocínio no mesmo momento em que sentiu alguém cutucar as suas costas.

E virando-se para trás, com uma cara assombrada, Marcos deparou-se com um alguém, tal qual não estava preparado para encontrar. Não naquele momento, pelo menos. Ele e Teddy se encararam, horrorizados, com surpresa e aflição misturadas em um sorriso falso, formado pelo puro nervosismo ao se depararem com a Samantha em pessoa, parada diante deles, encarando-os como um gato pronto para dar um bote, em um pequenino e frágil passarinho ciscando distraidamente em algum terreno qualquer.

_ Falavam de algo importante, rapazes? – indagou Samantha, enquanto sorria, ironicamente, dando-lhes uma pequena piscadela.

Nesse momento, é importante ressaltar que não existem palavras para descrever a cara de assombro, assumida no rosto de Marcos sem que o garoto tivesse qualquer controle sobre isso. Mas, quem tomou a iniciativa da palavra, no entanto, foi Teddy, que tentou manter-se mais calmo e sereno.

_ Na verdade, Sam, nós falávamos justamente de v...

Marcos não deixou Teddy completar a frase. Em um movimento rápido e quase despercebido, o garoto interrompeu o amigo, com justificado desespero, e consertou o deslize quase cometido por Teddy.

_ Nós falávamos justamente de como a escola fica tão... tão... tão quieta quando está vazia assim, sem alunos, sem professores, sem nada...

_ Ah, sei, sei... – assentiu Samantha, desviando o olhar dos garotos, um tanto desdenhosa – mas porque vocês ainda estão aqui na escola, se o último período já acabou há quinze minutos? Esqueceram algo, ou então...

_ Na verdade... nós poderíamos lhe perguntar a mesma coisa! – Marcos, começando a suar frio, tentou evitar a complicada situação que se desenhava, enquanto disfarçava, em vão, o nervosismo que estava sentindo.

_ Seu ponto é justo, hein? – observou Samantha, sem esboçar nenhuma preocupação – eu precisava que o professor de história revisasse um trabalho que eu fiz semana passada, e não pude trazer, pois estava viajando – concluiu, com tranquilidade – mas, eu repito a pergunta... vocês estão aqui... por quê? É algum motivo em específico ou qualquer coisa assim?

Marcos ficou sem reação. Seu rosto, estupefato, podia escancarar uma fracassada dissimulação até para o mais distraído dos observadores. Mas para sua surpresa, Teddy decidiu consertar o problema que ele mesmo quase havia criado anteriormente. Ou tentar fazer isto, pelo menos.

_ Veja bem, Sam, nós estamos aqui porque, ah, bem... havíamos pedido o livro de um professor emprestado para estudar e... esquecemos de devolver ele... e por isso ficamos até mais tarde... é apenas isso, e nada mais!

_ Compreensível. Mas que professor é esse? Vocês sabem muito bem, que o único professor que ficou na escola até mais tarde hoje, foi o de história, justamente com quem eu estava falando – pontuou Samantha, com perceptível desdém – e além dele, apenas a diretora, é claro!

_ É que, esse professor, ele pediu para... – Teddy gaguejou, mas tentou encontrar a saída que fosse mais plausível – pediu para que nós deixássemos o livro na diretoria hoje, caso ele não estivesse na escola, foi isso.

_ Bem... eu já tenho que ir, rapazes – Samantha interrompeu a conversa sem se importar com a resposta que havia recebido – eu devo estar realmente atrasada agora... – a garota olhou para a tela de seu celular, recém-tirado do bolso de seu shorts jeans roxo, verificando o horário – e boa sorte “devolvendo o livro” na diretoria, é claro!

E dito isto, Samantha distanciou-se, e desceu as escadarias que davam acesso à saída do prédio, e levavam ao saguão principal da escola. Marcos suspirou aliviado ao ver a sádica garota ir embora e Teddy lançou ao amigo um olhar “bem que eu te avisei”, o que fez Marcos ficar levemente pensativo. Após alguns segundos de silêncio, Marcos explanou os seus pensamentos.

_ Bem, eu ainda acho que a ideia é boa. E além disso, ela não percebeu o que estava acontecendo. Eu acho que não, pelo menos...

_ Não sei se ela percebeu, mas se ela desconfia de algo, fique sabendo que eu avisei desde o início! – rebateu Teddy, com descabida sinceridade – eu definitivamente não boto fé de que isso vá ir adiante...

_ Não escutou o que eu acabei de repetir? – Marcos rebateu, com certa irritação presente em sua voz – a ideia ainda é boa! E, se ela percebesse algo, a culpa disso seria sua! Você quase disse para ela, que nós estávamos falando dela, agora mesmo! Imagina se ela tivesse lhe ouvido?

_ Eu não estaria mentindo! E, além do mais, eu inventei uma desculpa justificável, logo depois. Você foi quem ficou gaguejando por perder a confiança nas próprias ideias, nas horas mais decisivas, meu caro!

_ Eu não desisti de nada – bradou Marcos, incomodado com a acusação do colega – eu ainda acredito nas minhas ideias! Você que é covarde, e quase entregou o jogo inteiro na primeira pressão sofrida!

_ Você viu o que aconteceu cinco minutos atrás – apontou Teddy, com sarcástica tranquilidade – se nós levarmos mesmo esta ideia imbecil adiante, nós vamos é entrar numa encrenca.

_ Mas é claro que vamos, oras! – afirmou Marcos, confiante – e quando digo “vamos”, é porque você está incluído também!

_ Eu normalmente resistiria... – ponderou Teddy – mas é inútil. Eu vou dizer que não. Mas você vai me convencer. E no fim, eu já sei que quem se dá mal sou eu! Mas não tem problema... não, não tem problema mesmo! Eu falo sério! – Teddy continuou o seu breve discurso, com o mesmo sarcasmo, e a mesma falsa tranquilidade, ambas as emoções ainda misturadas – mas, fique sabendo, Marcos, que se “relações com os demais seres humanos” fosse uma matéria escolar, você tiraria notas tão baixas nela quanto eu costumo tirar em matemática... e eu não estou brincando!

28 de Novembro de 2019 às 03:24 1 Denunciar Insira Seguir história
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SC Souza Costa
Me identifiquei com o Teddy, ele parece um bom rapaz.
December 07, 2019, 00:56
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