SÉRIE: A Fúria dos Mortos (Distopia\Pós-apocalíptico) Seguir história

wilherdeoliveira Wilher O.

Um grupo de sobreviventes tenta manter a sanidade em um mundo agora dominado por mortos devoradores de carne. Mas, afinal, o que poderia tê-los levado a este terrível destino?


Pós-apocalíptico Todo o público.

#pós-apocalíptico #morte #zumbi #ação #aventura #sangue #apocalipse #pós-apocalipse #mortos-vivos #mundo #sobrevivência #guerra #luta #terror #horror #suspense
4
1.5mil VISUALIZAÇÕES
Em progresso - Novo capítulo Todas as Sextas-feiras
tempo de leitura
AA Compartilhar

Capítulo 1 - Julia

Com a respiração ofegante, o pescoço curvado e as mãos apoiadas na parede, Julia tenta recuperar o fôlego; enquanto o som da porta sendo violentamente aberta, ecoa como um sino que anuncia a morte.

Havia corrido centenas de metros antes de tentar se esconder naquele armazém. Seu corpo esguio e a rotina de exercícios obviamente a deram alguma vantagem. Infelizmente, os companheiros, que transportavam a maior parte dos alimentos, foram traídos por suas próprias mochilas. Ela sabia que, naquela tarde, naquele exato momento, todos já estavam mortos.

Respirou fundo e se preparou. Já haviam entrado, estavam cercando-a.

Em uma explosão, disparou correndo por dentre as várias estantes largas de metal, jogando algumas caixas de papelão pelo chão, na tentativa de atrasar os perseguidores. Seus olhos atentos procuravam uma saída. O coração pulava, querendo sair pela boca.

Viu uma pequena janela ao alto, nos fundos. Perguntou a Deus como chegaria lá. Olhou para trás e os viu, se espalhando como um enxame de abelhas, sedentas pelo mel que pulsava em suas veias.

Parou em frente a uma das estantes e fez todo o esforço que pôde na tentativa de derrubá-la. Era alta, esta não sustentava muitas caixas, e estava posicionada bem à frente daquele pequeno vão, que separava sua liberdade de uma morte dolorosa.

Depois de algum esforço, conseguiu. Um estrondo anunciou o triunfo, mas a morte ainda sussurrava em seu ouvido. A enorme estrutura tombou sobre a parede, criando uma ponte até a janela, no alto. Julia escalou desesperadamente, o mais rápido que conseguia. Sua respiração era ouvida ao longe; e isso parecia deixá-los ainda mais excitados.

— Quase lá, quase lá... — repetia.

Sentiu algo tocar-lhe a perna. Já estavam a centímetros de seu corpo.

Um grande estrondo novamente ecoou.

O peso exagerado de vários corpos fez a estante ceder, caindo bruscamente. As criaturas desformes, que exalavam um fedor pútrido de morte, se empurravam violentamente no chão, observando de forma selvagem e descontrolada o corpo de Julia, balançando... pendurado por apenas um dos braços, na janela.

Com muito esforço, ela consegue estender a outra mão, e se agarra firmemente. A energia rapidamente começa a abandoná-la, enquanto escuta os grunhidos asquerosos daqueles que um dia foram seus semelhantes; estes que, agora, se resumem a sobras de carne podre, ossos expostos, trapos velhos e uma fome interminável.

Reunindo suas últimas forças, Julia consegue, quase que milagrosamente, puxar seu corpo e apoiar o abdômen na base do vão. Com a cabeça para fora, olha para baixo e se assusta, ao se deparar com a altura que teria de enfrentar. Lá fora, ao longe, dispersos no entorno, alguns outros mortos caminhavam.

Descansou naquela posição incômoda por alguns minutos. Estava exausta. Buscava coragem para pular. Ela sabia que se machucaria, mas, de qualquer forma, estava condenada à morte. Se voltasse, além da queda, eles a despedaçariam viva; se ficasse, morreria lentamente. Sua melhor chance era quebrar alguns ossos.

Ensaiou mentalmente os movimentos. Não podia cair de cabeça, seria fatal. Precisava girar o corpo no ar durante a queda, para cair por cima das pernas, tentando amortecer um pouco o impacto.

De repente, se deu conta da cruel realidade da situação, e, desesperada, pôs-se a chorar. Amaldiçoou tudo o que estava passando naquele dia, naquele ano. Após o mundo enlouquecer e virar um inferno na Terra. Amaldiçoou também os mortos, por terem levado seus pais, seu marido e sua amada filha. Lembrou-se, então, da promessa que fez a si mesma, de sobreviver a tudo aquilo, por ela, a pequena.

Engoliu o choro. Sabia que era uma mulher forte. Usou a sua melhor habilidade emocional: sempre que precisava fazer algo que sentisse muito medo, Julia enchia seu bravo coração de raiva. E, agora, raiva era algo que ela tinha de sobra.

Então, respirou fundo e se jogou.

Executou os movimentos com perfeição, como uma acrobata, envolta em uma aura de pura sorte. Mas o esperado, de fato, aconteceu.

Ploct! Alguns ossos da perna direita, no calcanhar, tornozelo e joelho, se quebraram, estilhaçando-se.

Urrou de dor.

Para sua sorte, no momento do impacto, Julia instintivamente amorteceu o corpo usando apenas uma das pernas, preservando, assim, a outra; o que a fez cair sentada, ocasionando também uma pancada na bacia, que, agora, doía bastante.

Chorando em soluços, enquanto processava a dor arrebatadora, se lembrou das criaturas que caminhavam no entorno. Sabia que o berro as havia atraído diretamente na sua direção.

Levantou-se com muita dificuldade, e, então, observou três mortos cercando-a.

As mãos tremiam. A perna direita, inutilizada, estava contraída acima do chão, apoiando-se delicadamente na ponta do pé. O peso dos seus cinquenta e oito quilos agora estava todo depositado em apenas um membro. A dor era insuportável, e Julia sabia que as suas chances eram mínimas...



*** Gostando da história? Se a série receber votos, postarei um capítulo toda semana. Abraço, amigos! ***

27 de Novembro de 2019 às 13:22 2 Denunciar Insira 3
Leia o próximo capítulo Capítulo 2 – Desconhecidos

Comentar algo

Publique!
Rodrigo Borges Rodrigo Borges
Vi a palavra "mortos" e já vim correndo ^^. Você manipula bem a gramática, isso é essencial, mesmo quando se trata de diversão e ficção. Existe algumas pontuações, principalmente o ponto e vírgula, que eu usaria em posições diferentes, mas digo isso como um escritor, mas como leitor eu me amarrei muito a maneira com que escreve. Agora, um ponto negativo que ressalto sendo um leitor é algumas palavras terminadas em "mente", se você conseguir transformá-las em frases ou expressões mais ricas, com certeza sua história ficaria bem mais interessando do que já parece ser. Desculpa se faltei com respeito ou se pareci arrogante. Gostei mais da história do que desgostei dos pontos que ressaltei. Parabéns ^^.

  • Wilher O. Wilher O.
    Obrigado pela crítica construtiva, amigo. Isso ajuda muito nesse nosso eterno aprendizado. Vou guardar muito bem as dicas. Fico feliz que tenha gostado da história. Grande abraço. 3 weeks ago
~

Você está gostando da leitura?

Ei! Ainda faltam 4 capítulos restantes nesta história.
Para continuar lendo, por favor, faça login ou cadastre-se. É grátis!