SKY Seguir história

anapaulaclara Ana Paula Clara

Atribuo a culpa de todos meus problemas a você, Sky. Se eu soubesse no momento em que te conheci que você destruiria minha vida, eu nunca teria segurado aquela porta. Odeio a visão do paraíso que me deu, para depois me jogar no inferno. A vida com você é terrível, Sky, mas sem você não há como respirar. Ela está ferida, e posso ter machucado essa garota. Uma parte de mim gosta desse poder, de sentir que não sou dominado por ela, mas uma parte maior odeia imaginar que meu desprezo tenha se tornado violência. Se eu tivesse de partir algo, seria o coração dela, pois só assim eu saberia que ela tem um.


Conto Impróprio para crianças menores de 13 anos.

#amordoentio #sky #violência #conto
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Odeio você, amo você

Acordo jogado no chão, há vômito e vodka na minha camiseta, que está manchada de vermelho. Sky está jogada ao meu lado, tão malditamente perfeita com sua minissaia de couro, ainda usando a meia calça desfiada. Vejo sua calcinha de renda, e tudo que posso sentir é nojo do homem que ela me tornou, da completa e cega adoração que sinto por ela e tudo que a torna ela.

Odeio a visão do paraíso que me deu, para depois me jogar no inferno. A vida com você é terrível, Sky, mas sem você, não há como respirar.

Eu devia estar na minha mesa, em mais um estágio fadado ao fracasso. Que dia é hoje? Perdi meu celular. Acho que é segunda. Ela respira tão brevemente, é o suspiro de um anjo, mas a alma dela pertence às trevas, e a minha pertence à ela.

Tenho certeza de que não há nada que eu não faça por ela.

Há comoção no andar debaixo. Vozes aumentam e se tornam gritos. Passos caminham em nossa direção, e ela acorda num sobressalto, assustada. Há um hematoma em sua bochecha. Meus dedos estão esfolados e meu punho dói.

Não me lembro de nada do que aconteceu na noite anterior, mas ela está ferida e posso ter machucado essa garota. Uma parte de mim gosta desse poder, de sentir que não sou dominado por ela, mas uma parte maior odeia imaginar que meu desprezo tenha se tornado violência. Se eu tivesse que partir algo, seria seu coração, pois só assim eu saberia que ela tem um.

Alguém entra no quarto, é Dave. Está assustado, e seu medo se torna meu. Ele vê o rosto dela e meu punho. Dave me ergue.

― Você precisa ir. A polícia está vindo.

Sky se contorce ao meu lado, e as lembranças da noite anterior se tornam mais que um borrão. Há música, algumas garrafas de vodka e Sky. Ela dança como uma deusa e eu a perco entre as pessoas que se contorcem ao redor dela. Eu a procuro e ouço sua voz. Há uma casa na piscina, e quando chego, há um homem sobre ela com as mãos em sua saia. Ele desfia a meia favorita dela.

Sky chora e pede para que ele pare, sem forças para empurrá-lo. Tudo o que vejo se tinge de vermelho. Me lanço sobre ele e o afasto dela. Avanço, minhas mãos coçam. Quero destruí-lo até que não reste nada.

Rolamos pelo chão até que eu assuma o controle e prenda minhas mãos ao redor daquela garganta nojenta e frágil, e sei que logo ele vai desistir.

Na escuridão algo explode na minha cabeça, bem atrás da orelha esquerda, e o mundo gira e pisca atrás das minhas pálpebras.

Uma garrafa.

Ele inverte nossas posições, e perco o controle do que acontece a seguir; as mãos dele acertam meu rosto como se fosse carne mole, e talvez não passe de carne moída no final das contas. Sky implora para que ele pare, e sua voz se distancia, quase ao ponto de não mais conseguir alcançá-la.

Seu choro me traz de volta, e tudo que quero é que pare. Não suporto ouvir Sky chorar. Quero que ela ria daquele jeito estranho e nasalado, como um porquinho, e que me chame de bobo por achar irresistível. Mas por causa daquele homem, aquele sorriso foi partido por dor. Não consigo deixar de pensar na possibilidade de arrancar a vida dele com minhas próprias mãos. Não há nada que eu não faça por ela. Só quero ouvir seu riso de porquinho.

Não consigo me livrar dele, a dor leva minha consciência. Há uma sombra sobre nós, e então ele pára; uma cascata quente cai sobre meu peito e seu peso deixa meu corpo. Ele cai de lado, com os olhos arregalados de surpresa, eternamente arregalados. Há vidro em sua garganta.

Sky se joga ao meu lado e chora abraçada a mim. Ela ainda tem forças para me erguer, e saímos da casa da piscina sem que ninguém perceba. As pessoas dançam num ritmo frenético e alucinado, sem sequer poder imaginar o que havia acontecido na casa da piscina.

Estamos cansados demais para fugir, estou tonto e sangrando. Caímos no primeiro quarto aberto que encontramos. A cama já foi usada, há um preservativo jogado no carpete.

Sky encontra uma garrafa meio cheia e a dividimos, para aplacar a dor. O sangue dele está em mim, e o perfume dele está nela. Vomito em mim, mas Sky não me larga. Ela chora, eu lamento, e em algum momento o sono e o álcool nos consome.

Homens de uniforme azul invadem o quarto e Sky me olha aterrorizada. Ninguém nunca saberia o que houve naquela noite. Eu a solto e me levanto, não resisto quando me algemam. Sky chora em silêncio, chora por mim, por nós.

― Eu te odeio, Sky― sussurro para ela. Sky entende e balança a cabeça.

―Eu sei.

― Mas eu também te amo― digo antes que os policiais me afastem dela. Sky cai de joelhos, enterra o rosto nas mãos e se entrega a um choro dolorido e resignado.

― Eu sei...

Se eu soubesse no momento em que te conheci que você destruiria minha vida, eu nunca teria segurado aquela porta.

Mas quando penso nas noites em que dormiu no meu peito e me contou sobre seus sonhos e medos, me faz ter a insana certeza de que se você não pegasse aquele elevador, eu teria saído e te chamado para um café.


***


Hello, gente bonita. Como estão?

Eu não pretendia postar nada hoje, mas como é segunda, meu dia de folga e estou tremendamente entediada, resolvi postar para começar bem a semana.

Não sei vocês (acho que é só eu mesmo porque eu sou workaholic), mas eu odeio dias de folga. É um paradoxo. É meu dia de relaxar, de assistir alguma coisa legal, de ler, de encher meu cérebro de cultura inútil, mas me sinto mal por ter um dia inteiro de nada e não escrever. Mas como estou entediada, não consigo escrever. Que não seja um bloqueio criativo chegando, papai do céu.

Bem, acho que vou assistir O Castelo Animado agora, talvez me alegre. Talvez eu escreva alguma coisa mais tarde. Ou talvez assista Haikyuu de novo. Ou Hoshiai no Sora. Ou tudo :)

Boa semana para vocês.


2 de Dezembro de 2019 às 20:01 0 Denunciar Insira 1
Fim

Conheça o autor

Ana Paula Clara Leitora e escritora voraz de histórias fantásticas. Apaixonada por música, palavras e coisas que só fazem sentido na cabeça de quem imagina, encontrou na escrita um lugar onde tudo isso pode existir para tocar e transformar as pessoas.

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