FRAGILIDADE Seguir história

dissecando Edison Oliveira

Os médicos chamam de " doença", mas ninguém sabe ao certo o que é; do dia pra noite, alguns de nossos ossos simplesmente desaparecem do corpo. Em um mundo com medo, antigos demônios nunca nos deixam para trás.


Conto Impróprio para crianças menores de 13 anos.
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FRAGILIDADE







Geralmente, começava por algum dos dedos das mãos. Isso não significava que sempre seria assim, já que alguns relatos apontavam para o tornozelo ou até mesmo um pé inteiro.

Com Kevin Beltrão, o início foi pelo indicador da mão direita. Ele estava na sala de aula, copiando uma matéria complicada que a professora Yolanda escrevia no quadro negro, alguma coisa que possuía um X a ser resolvido perante a uma infinidade de números. Alguns desses números possuíam uma vírgula, e ali é que estava o problema; Kevin não gostava de vírgulas. Às achava completamente desnecessárias, algo muito útil em literatura mas não em matemática.

Ela estava escrevendo já há algum tempo, utilizando boa parte do quadro, deixando metade de seus alunos exaustos e com vontade de jogar o caderno para o alto. Lá fora deveria estar fazendo uns trinta e cinco graus, dava para ver o calor evaporando do asfalto e algumas pessoas cruzando pela rua com o guarda-chuva aberto. Kevin bufou, coçou a testa, e quando tornou a pegar em sua caneta para recomeçar a escrever, percebeu que seu indicador não possuía mais os ossos.




Ele chegou em sua casa duas horas depois disso, entrou às pressas, ouviu o seu pai lhe cumprimentar e respondeu apenas com um olá apressado, sem olhar para os lados.

Sentou-se na cama e poucos segundos depois seu cãozinho Pingo saiu debaixo dela, abanando a cauda e lhe cutucando com o focinho gelado. Kevin lhe acariciou devagar, utilizando da mão esquerda. A direita estava sobre um dos joelhos, com o indicador começando a murchar. Achava que a doença não o atingiria tão cedo, que talvez ele fosse uma espécie de escolhido que seria poupado de tudo que vinha acontecendo com o mundo, e que dentro de alguns anos ele encontraria um emprego na cidade grande e se mudaria para lá com o pai e o velho Pingo. Sabia que isto era apenas um sonho, que provavelmente metade da população sucumbiria antes mesmo dele completar dezoito anos, mas ainda havia esperança. Seu pai lhe ensinara a ter, desde que sua mãe partira cerca de nove anos atrás após levar um balaço de um tal de Lauro Peçanha, um policial racista. Quando ela se foi, o mundo ainda era um lugar sadio, embora talvez ele nunca tenha sido.

Estava pensando nela, do modo que acariciava sua cabeça e o abraçava nas noites de chuva, dizendo para que não tivesse medo dos trovões porque eles eram apenas um sinal de que Deus gostava de jogar boliche, quando ouviu seu pai se aproximar. Ele bateu com o nó dos dedos no batente da porta e em seguida cruzou os braços.

— Aconteceu alguma coisa, filho? — perguntou, não observando nada de estranho no garoto além da atitude. Kevin sempre o beijava assim que chegava da escola, e perguntava como estava indo o livro. Pablo era escritor, ou pelo menos ainda se considerava como um, já que não deixara de escrever mesmo após a doença cair sobre o mundo.

— Não, pai — disse Kevin. Sua voz saiu de maneira fraca, e ele pareceu responder para o chão.

Pablo avançou e sentou-se ao lado do filho, imaginando o que poderia ter acontecido, esperando que estivesse enganado, que o garoto apenas lhe dissesse que estava daquela forma por conta de alguma namoradinha.

— O que está havendo?

Então, o filho lhe ergueu a mão direita. Todos os seus dedos ficaram erguidos, exceto o indicador que pendeu para trás como uma bexiga vazia.

Pablo sentiu como se algo muito afiado entrasse pelo seu estômago, e imediatamente puxou o corpo do filho contra o seu. Em questão de segundos, o garoto desabou a chorar, com o peito soluçando contra o ombro do pai.

— Calma, — disse Pablo, parecendo ter dito para ele mesmo. — Não fique com medo, não pode pensar assim. Você é jovem, talvez não se alastre como nas pessoas mais velhas.

— Creio que esteja enganado, — falou Kevin, secando as lágrimas com o pulso. — Essa coisa está pegando todo mundo. Ontem mesmo uma colega minha, a Beth, perdeu a canela inteira na aula de educação física. Do nada, o corpo dela pendeu e ela só não caiu porque se segurou no pilar. Mas sabe o que é pior?

Pablo não fazia ideia. A imagem do dedo murcho do filho ainda ocupava os seus pensamentos.

— Os olhares, — disse Kevin. — Os outros olhando para ela como se já se despedissem. E eles não estavam errados. Eu também olhei para ela assim. Não tem outro jeito de olhar, entende?

Pablo entendia, pois ele mesmo costumava olhar daquela forma quando cruzava por alguém sem osso na rua. Era um olhar de piedade, uma coisa assustadora, algo que vinha como instinto. Era quase como olhar para uma menininha careca, devorada pelo câncer e se utilizando de um lenço para cobrir as marcas da batalha. O mundo estava cada vez mais frágil, como as pessoas não iriam se fragilizar também?

Pablo bateu com a palma da mão no joelho do filho e se levantou.

— Que acha de darmos uma volta?

O garoto olhou para cima, acariciando a cabeça do Pingo que naquele momento quase dormia sentado.

— Mas e o seu livro?

— Ele pode esperar. Além do mais, não estou muito inspirado hoje.

Kevin sorriu, o mesmo sorriso que costumava exibir quando chegava da escola ou das aulas do curso de inglês. Disse para o pai que iria apenas trocar de roupa, e que logo poderiam sair. Quando Pablo cruzou pelo batente da porta, o filho lhe chamou mais uma vez. Virou-se para ele.

— Sim?

— Obrigado, — falou Kevin. O sorriso ainda estava lá, mas a tristeza também. Ela se mantinha quietinha, à espreita, quase como se estivesse encoberta por um véu de noiva feito de ilusões.

— Não precisa me agradecer. Sabe disso.

— O senhor é o meu pai. Vou lhe agradecer para o resto da vida. Bem, e... aonde iremos?

Pablo queria ir para algum lugar onde a vida não fosse uma coisa injusta. Certo de que não encontraria nada semelhante, sugeriu apenas que fossem até a lancheria do Bob, a dois quarteirões dali.




Quando chegaram lá, Kevin e Pablo trataram de se sentar próximo ao balcão de pedidos. Haviam dois ventiladores enormes instalados nas duas paredes laterais, girando para um lado e para outro, devagar e soprando um vento não muito agradável. No caminho, cruzaram por uma jovem que ainda era capaz de andar mesmo sem as duas pernas; os ossos dela despareceram logo abaixo dos joelhos, e ela caminhava de modo esquisito, quase como uma boneca andaria se bonecas fossem capazes de andar. Os dois procuraram não olhar diretamente, e até que conseguiram obter sucesso. Era quase natural enxergar coisas como aquela no mundo de hoje, mas ainda assim os olhos pareciam ser atraídos assim como imãs para portas de geladeiras. Quem escolheu ficar próximo ao balcão foi Pablo; gostava de ficar ali, era mais confortável, dava para sentir melhor o cheiro do bife sendo preparado e ainda era possível trocar umas palavrinhas com o velho Bob. Eles se conheciam desde a adolescência, e ambos sempre gostavam de dizer que foram os primeiros negros a chegar na cidade.

Foi o próprio Bob quem os recebeu, os cumprimentou com sua voz estridente e ainda assoviou para o pequeno Pingo, que apenas abanou a cauda e se deitou ao lado da mesa.

— Esse pestinha é uma figura, não é? — gritou Bob, fazendo questão de exibir seu canino de ouro logo depois. Aquele dente, segundo ele, havia sido pago por ele mesmo após se meter em uma briga com um dono de bar.

— Figura é você que permite que um cachorro entre aqui dentro, — disse Pablo, apertando a mão do amigo com força.

— E por quê não deixaria? São mais educados que muita gente por aí. E olha que hoje em dia o mundo está uma merda. Quer dizer, com tanta gente se desmanchando, acho que pelo menos poderíamos ficar mais civilizados. Aquecer nossos corações, toda essa bobagem cristã. Não acha, rapaz?

Kevin disse que não tinha certeza. Em seguida, puxou uma cadeira e se sentou, procurando deixar a mão direita o mais coberta possível.

Pablo achou melhor desviar o assunto, procurou olhar em volta e descobriu que eles eram os únicos dentro da lancheria do Bob. Aquilo se devia ao fato de serem apenas duas da tarde de uma terça-feira ensolarada e quente, um calor tão sufocante que fazia o suor surgir na testa e deixava o Pingo estirado no piso com a língua pendendo no canto da boca.

— Está fraca a coisa hoje, hein? — disse Pablo, escorando-se no balcão e pedindo um copo de suco de acerola logo depois.

— Começo de tarde é sempre assim. E nesse calor dos diabos fica ainda pior. Pega seu suco. — Bob jogou o copo e ele deslizou suavemente pelo balcão.

Pablo o pegou e em um único gole o deixou vazio. Olhou para o filho.

— Que acha de umas fritas?

— Pode ser.

Pablo sentiu Bob cutucar a sua mão.

— Que há com o garoto?

Lhe ocorreu responder o que ele gostaria que fosse a razão hoje mais cedo, na hora que entrou em seu quarto.

— Coisa de jovem. Uma namorada da escola, coisa do tipo.

— O mundo está desparecendo assim como nossos ossos, mas uma coisa nunca muda. Uma boceta é sempre uma boceta. Vou preparar as fritas de vocês.

Deu as costas e colocou um pano de prato sobre o ombro, desparecendo na sala adjacente logo depois.

Kevin não chegou a escutar ( na verdade estava com a cabeça em outro lugar, com os pensamentos quase que voltados unicamente para seu dedo que teve o osso subtraído ) quando notou que a cadeira a sua frente se moveu. Era seu pai, sentando-se e lhe encarando com aquele olhar. Aquele que ambos deram de relance para a jovem sem pernas.

— Como está se sentindo?

— Olha, se quer saber, não está doendo — falou Kevin abruptamente. — Pensei que doía, quando via os outros na mesma situação. Mas não dói. Sinto e vejo que o dedo está aqui, mas não posso movê-lo. É exatamente como aquele médico disse no programa de entrevistas que assistimos na semana passada. Você se lembra?

Pablo fez que sim com a cabeça. Lembrava do tal programa, uma coisa horrorosa que havia entrado no ar unicamente para explorar a situação mundial ao invés de tentar explicá-la. Era apresentado por uma mulher bonita, de corpo firme e cabelos sempre presos por um coque. Pablo não conseguia lembrar do nome dela, mas sabia que seu sobrenome era gringo, talvez alemão, ou suíço, ou nada disso. Ela tinha o hábito repulsivo de exibir as pessoas no seu grau mais degradante da doença, geralmente quando não havia quase nenhum osso em seus corpos. Pablo se lembrava claramente de um episódio em especial, onde o convidado era um sujeito gordo vestindo uma camisa xadrez. Ele estava sentado no sofá ao lado da apresentadora atraente, falando sobre a sua situação, de como era fascinante viver num mundo onde os ossos simplesmente desapareciam do corpo sem deixar um único rastro. A apresentadora apenas balançava a cabeça, certamente não querendo estar ali, não com alguém que em breve seria apenas pele, nervos, músculos e órgãos sem proteção. Ela se moveu na cadeira, desconfortável, se preparou para perguntar outra coisa qualquer quando o sujeito gordo emitiu apenas um chiado baixo. Ela ergueu a cabeça, olhou para ele e começou a gritar; os ossos do maxilar do homem gordo despareceram, deixando seu queixo pendurado, mole e com os dentes superiores sobrepostos para frente. Ele não havia percebido ( nunca é perceptível ) tentou dizer alguma coisa e tudo piorou. Sua voz saiu cuspida, as palavras incompreensíveis e ele prontamente tentou recolocar o queixo no lugar, se debatendo e entrando em completo desespero. Depois disso a tela da TV ficou azul, e Pablo não foi capaz de jantar.

— Aquele médico definiu muito bem a coisa, — falou Kevin, praticamente trazendo o pai de volta de seus pensamentos. — Ele disse que não há uma explicação científica, e é como se Deus estivesse brincando de pega-varetas. Ele puxa uma por uma, e plaft. Nossos ossos somem.

— Não sei se podemos culpar Deus por algo assim, se é que podemos pôr a culpa em alguém. Acho que a natureza das coisas, da vida, pode estar revoltada com algumas questões.

— Deve ser, — falou Kevin, se pondo de pé. — Alguém sempre paga pelo erro dos outros. Vou ao banheiro.

Ele saiu, devagar, sempre tentando encobrir o dedo inexistente de alguma maneira. Pouco mais de dois minutos após Kevin deixar o pai sentado sozinho com o Pingo deitado aos seus pés, um sujeito alto e com alguns fios de cabelos brancos adentrou na lanchonete do Bob.

Era Lauro Peçanha, e o coração de Pablo chutou o peito com força.




Lauro Peçanha entrou sem muita pressa, arrastando os coturnos gastos e fuçando na tela de seu celular. Ele não pareceu ter notado que havia um homem sentado diante do balcão, muito menos que este homem era o marido de Josiane Amorim, uma negra que Lauro havia baleado e matado alguns anos atrás. No processo, Lauro foi considerado inocente, mas teve de prestar serviços voluntários durante um ano em uma prisão militar. Ele alegou legítima defesa, mesmo sendo judicialmente comprovado que o celular Galaxy de Josiane jamais poderia ter sido confundido com uma arma, mesmo que estivesse escuro e com pouca visibilidade.

A defesa dela levou em conta o tamanho do aparelho, o fato de Josiane estar fardada com o uniforme da empresa onde trabalhava como auxiliar de laboratório, e o fato dele ter disparado unicamente por ela ser mulher e negra. Ainda assim, Lauro foi criminalmente protegido, sendo defendido por três advogados que alegaram que o passado honroso do sargento ( incluindo uma medalha por estourar a cabeça de um perigoso traficante ) deveria ser levado em conta.

Pouco antes dele chegar diante do balcão, guardou o celular e enxergou Pablo sentado bem próximo. Pensou em seguir sem dizer uma palavra, mas no meio do caminho mudou de ideia. Se aproximou e repousou sua mão enorme e peluda sobre o ombro de Pablo, que estremeceu.

— Pensei que não lhe veria mais, — falou. — Mesmo assim, uma boa tarde.

— Pode ter certeza que meu desejo era não ver mais a sua cara. Você não... não faz ideia do que causou em minha família.

— Opa! — retrucou Lauro, contornando a mesa e puxando a cadeira onde antes Kevin estava sentado. Sentou-se ali e seu corpo enorme ainda parecia amedrontador. — Eu apenas me defendi, amigo. Sua mulher mexeu na bolsa e eu vi uma coisa brilhante... então meu instinto falou mais alto.

— O celular dela era preto, não brilhava com pouca luz. Ela estava uniformizada. Pegou o celular no exato momento em que você chegou aos berros pela rua. No susto, se virou pra você e você atirou. E mais uma coisa: não sou seu amigo.

Lauro exibiu um sorriso esquisito, com dentes amarelados e grandes.

— Sabe, — disse. — O mundo está sumindo. As pessoas estão, na verdade. Toda essa merda com os ossos e tal. Dizem que não é contagioso, mas acho que é uma puta de uma mentira. Uma semana atrás eu topei com uma crioula na rua, e só depois que fui ver que aquela imundícia não tinha uma perna. Quer dizer, ter ela tinha, mas contorcida, apenas um monte de pele preta e suja. Fato é que desde aquele encontro, me aconteceu isso.

Lauro ergueu a mão esquerda e ela parecia que havia sido mastigada por um tigre. Por alguma razão, um de seus dedos estava amarrado com um nó. Pablo achava que ele mesmo havia feito aquilo.

— Vê isso, babaca? — perguntou, abanando sua mão sem ossos. — Que mundo de merda que estamos vivendo? Sei que essa porra é contagiosa. Sinto que é, mesmo que os médicos neguem. Sendo assim, só de estar aqui já estou contaminando você, se é que esse seu corpo imundo já não está doente, mas acho que não pelo que estou reparando. E eu não faço o tipo paciente. Não quero ter de esperar pra ver você sofrer até morrer.

Ele remexeu com a sua mão ainda boa ( a mão com ossos ) e Pablo quis imediatamente se levantar e correr, depois reconsiderou, percebeu que não andaria dois metros antes de ser alvejado pelas costas. Ainda pensava a respeito quando percebeu que o filho já estava próximo, praticamente ao lado de Lauro, tão perto que o militar não teria como ter errado.




Foi tudo muito depressa.

Um leve giro com o corpo, Kevin olhando surpreso para alguma coisa que ele achava ser uma arma. Depois, um estouro acompanhado por um clarão. Pablo até que tentou intervir ( saltou sobre a mesa, caiu em cima do sargento grandalhão ) mas tudo em vão, algo que não era capaz de impedir o disparo. O corpo de Kevin saltou quase três metros para trás, e uma mancha instantânea vermelha apareceu em sua camiseta cáqui, bem na altura dos pulmões. Pingo soltou um latido estridente e correu em disparada na direção da rua.

Neste instante, Pablo e Lauro rolaram um pouco no chão, e Bob surgiu correndo atrás do balcão com uma fisionomia de espanto. Antes mesmo que pudesse interferir, Lauro apontou o calibre 38 para ele. Com alguma dificuldade, conseguiu disparar. O projétil entrou pela sua cabeça e desapareceu na parede atrás dele.

A mesa e as cadeiras se bateram, foram empurradas, uma barulheira que já começava a chamar a atenção de quem passava pela rua. Pablo finalmente conseguiu desferir três ou quatro socos no rosto de Lauro, que quase desmaiou, mas ainda se manteve lúcido. Ficou ali, atirado no piso, fitando o teto.

Pablo rastejou até onde o filho estava caído, uma poça de sangue já contornando o seu corpo. Assim que conseguiu, se pôs de joelhos e ergueu o filho pelas axilas, escorando-o em suas pernas. Começou a chorar agarrado a ele, quis verificar a sua pulsação mas ambos os pulsos já não existiam mais, pois os ossos haviam desaparecido. Passou pela cabeça de Pablo que aquilo ocorrera antes mesmo de sua morte, ali mesmo, enquanto conversava com o Bob. Deitou o filho com cuidado ( o mesmo que sempre teve na hora de colocá-lo na cama para dormir em sua infância ) e se levantou. Não foi possível dar dois passos em sequência, e parou assim que ouviu o militar lhe chamar atrás de si. Lentamente, Pablo se virou para ele. Viu um sujeito grande, com o nariz quebrado e ensanguentado. O 38 apontado para ele, sendo segurado por uma mão firme.

— Por quê não pegou a arma e estourou a minha cabeça? — quis saber o sargento.

— Isso me tornaria tão podre quanto você, seu racista nojento!

Lá fora, estava cada vez mais quente. Quem passava e enxergava o homem com uma arma, logo saía às pressas.

Lauro ergueu o 38 um pouco mais. Agora, ele estava apontado direto para a cabeça de Pablo.

— Bem, — disse ele. — Ao menos assim as coisas iriam acabar de uma outra forma para você.


19 de Novembro de 2019 às 20:09 0 Denunciar Insira 3
Fim

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