HIRAETH Seguir história

lumina

Você pode tirar a liberdade daqueles que realmente a conhecem, mas não pode os fazer esquecer. Para estes cuja liberdade é o seu verdadeiro lar ... Esteja preparado para o momento em que eles irão reivindicá-la. Prepare-se para as consequências de tentar dominar o indominável.


Fantasia Épico Para maiores de 18 apenas.

#magia #lobisomem #lobos #elfo #druida #romance #dragon-age
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Centelhas

Nas florestas vermelhas, cercadas de energias mágicas a anciã entregou o pequeno bebê druida nos braços do pai humano. Ela encarou o rostinho frágil, a tatuagem "saindo" dos olhos a marcando como parte do clã, os dedos experientes percorreram as curvas e ondas de cor cinza na pele rosada mais uma vez.

— Rezo aos criadores que você possa retornar. Até que este dia chegue, seja forte pequena. Pois, sua vida será solitária até que você encontre o lugar que pertence.

Ela tocou na testa com delicadeza, deixou um último beijo e partiu para dentro da floresta, e desapareceu entre os troncos das árvores e os vaga lumes.


.:oOo:.


Tudo tinha cheiro de fumo, álcool, urina e sangue. As orelhas pontudas pulsando de dor, tanto pelos gritos da sua volta quanto pelo sangue carregado de adrenalina. Em sua boca o gosto de ferro era tão forte que chegava a embrulhar o próprio estômago, mas a luta ainda estava acontecendo e a tristeza ainda não tinha passado.

Astraea olhou para a mulher a sua frente, notou que ela deveria ser pelo menos duas vezes maior em músculos, então pensou em como conseguir enfiar a cara dela no chão tão forte que ela iria esquecer o que era estar em pé. Os outros adversários estavam no chão, rastejando para fora da rinha, alguns gemiam e choravam de dor.

— Está onde pertence, escória selvagem. — A humana cuspiu no jovem elfo que fora injuriado de forma tão brutal pela mesma que não conseguia se levantar.

Com sangue nos olhos ela foi para cima da humana,

tirando vantagem de sua distração. Os cabelos ruivos alheios foram pegos, com isso aquele rosto presunçoso foi ao encontro do joelho da menor tantas vezes que o nariz da mulher ficou grotescamente quebrado, finalizou arremessando-a na parede de pedra pontuda.

Nesse momento todos os gritos silenciaram... Somente os passos lentos em direção a parede estavam audíveis.

A plateia pulsava em um misto de apreensão e pavor, a jovem abaixou em frente a adversária humilhada e ergueu o rosto arruinado com dois dedos, com a outra mão ela colocou os cabelos castanhos empoeirados, que lhe tapava metade do rosto, atrás das orelhas deixando a mostra as formas pontudas, despediu-se com uma cuspida bem posicionada no nariz brutalmente quebrado.

Astraea ajeitou a máscara de pano acima do nariz, não que sua identidade fosse um segredo era apenas uma tentativa vã de evitar a inalar poeira. Com as mãos trêmulas um homem veio lhe entregando o dinheiro pela luta, ela amarrou o saco de moedas no cinto da túnica desgastada.

Foi até o elfo passou o braço dele por seus ombros doloridos, juntos caminharam para fora da mina abandonada.

Uma de muitas existentes naquela área conhecida como, Cidade Sombria. Há muito tempo fora um complexo de diversas minas que com o tempo fora abandonadas. Nos dias de hoje, a maioria dos corredores tinha comércios pequenos e casas. Preenchidos de pessoas, vivendo entulhadas por não terem onde morar fora dali. Outrora o lugar que deveria cheirar a terra e óleo agora tinham cheio de temperos, madeira queimada, chá, álcool, urina e sangue.

Na entrada o mesmo esquema se repetia, porém, que estava ali era mais sortudo que o resto, pois, ali ficavam as grandes aberturas de ar.

Rasgadas na pedra bruta como se a própria montanha precisa-se de espaço, tinha uma vista abrangente da cidade de Kirkwall e de parte da Costa. Vento gelado tocou o suor do corpo, a maresia passou pelo tecido que tapava o rosto e preencheu os pulmões com vida.

Ela ainda se lembra de como foi a primeira noite ali, sozinha com fome e frio. À terra nos cabelos e os ralados em toda as partes do corpo ardendo tanto que as lágrimas no rosto se formavam toda vez que o vento passava piorando a ardência. E a dor da solidão sendo rapidamente esquecida pela tremedeira do corpo implorando por alguma coberta.

O jovem elfo gemeu de dor a despertando de devaneio, indicou que ela o deixasse ali. Lentamente ele se deitou em uma cama de trapos que tinha uma pequena tenda improvisada, bem ao lado um buraco no chão tinha madeira que ainda estava terminando de queimar. Com compaixão ela deixou três moedas para ele, seria o suficiente para comida por alguns dias.

Então partiu.

Forçando as pernas a subirem os degraus irregulares até a saída foi uma tarefa e tanto, e quando a luz do sol de fim de tarde finalmente deu as caras depois da subida, o impacto foi tamanho que foram necessários segundos para se acostumar. Depois de um tempo a visão clareou.

Os prédios longos de pedra branca moldando as ruas da "Cidade Baixa", uma verdadeira bagunça de residências e comércios praticamente impossíveis de se distinguir, As estacas de madeira nas beiradas que davam para o oceano ou as áreas mais baixas ficavam cada dia mais enferrujado pelo tempo e pela maresia. O tecido que tapava metade do rosto estava começando a irritar, porém, ela não o removeu, apenas puxou o capuz sob a cabeça e começou a andar entre as pessoas.

Quando alcançou o mercado a quantidade de pessoas era maior, parou algumas vezes para comprar comida, chá e remédios nas barraquinhas. Passou pelo "The Hanged Man", sua taverna favorita e cantarolou um pouco a música alegre audível mesmo através das portas de ferro fechadas. Durante a distração quase tropeçou numa em uma das madeiras jogadas no chão de pedra maciça, humanos, sempre tão desleixados...

A pequena elfa continuou seguindo o rumo, descendo as escadarias e virando as esquinas apertadas até o Aleniage. Assim denominado a área mais esquecida da cidade na qual os elfos "pertenciam com suas doenças e sujeiras", este desejo que os humanos tinham de segregação a agradava muito.

Quando cruzou os portões de ferro ela sentiu pela primeira vez no dia o cheiro de grama, tudo ali era mais... Vivo. As botas negras tocaram o chão macio antes de ir para os caminhos de pedra entre as casas e os comércios mais reclusos onde plantas trepadeiras tomavam conta das paredes de pedra cinza, as diversas portas de madeira entalhada das casas pequeninas que os elfos vivem com muito orgulho com certeza eram as mais limpas da cidade.

Todas em um círculo em volta da monstruosa árvore milenar no centro, com flores em seu caule, seu topo tomado por folhas vermelhas, algumas caiam na grama, fios de luz transpassando pela sombra enorme. As barraquinhas começavam a se recolher depois de um dia longo, as tochas de fogo azulado já começavam a queimar, terminou de admirar e caminhou até o poço pegou dois baldes de água no poço e foi para casa.

Subiu o pequeno lance de degraus de madeira bruta, longe da árvore em um canto exilado. Antes aquilo era um depósito, agora era o lugar de dormir dela. Astraea acendeu as velas do ambiente antes de despejar o conteúdo de um dos baldes de água no filtro, e bebeu alguns copos antes de carregar até o banheiro para se lavar.

Assim que terminou, encarou o rosto no espelho improvisado sobre a pia. Os olhos de tons distintos e terrosos analisaram o rosto, com a luz azulada das velas.

— Pelo menos o rosto não ficou machucado dessa vez. — Disse com a voz cansada.

Ao retornar ao quarto ela puxou uma camisa grande e puída do armário vestindo, subiu na cama para abrir a janela e se jogou na superfície aconchegante sem se importar de secar os longos cabelos castanhos.

Uma noite e um dia.

Foi o tempo que ela ficou na Cidade Sombria. Ela olhou para as mãos, feridas nos nós dos dedos e dormência nas juntas, decidiu cuidar disso, no dia seguinte. Olhou para o embrulho com as compras sob a mesa de centro e puxou a coberta azul e virou-se para a janela encarando com olhos pesados de sono as estrelas começarem a aparecer no céu.

Cansada demais para comer.

.:oOo:.

As patas pesadas ecoavam nos túneis abandonados da Cidade Sombria, diversos andares abaixo das áreas habitadas, debaixo até mesmo da Baia, onde não tinha sequer uma mínima centelha de luz. Mas os que ali estavam não temiam a escuridão, as corridas se intensificaram, os sons de respiração pesada misturados com o som de goteiras.

Não existia maldade ali, apenas um pequeno suspiro de liberdade no meio "Da Cidade de Correntes", Kirkwall e seus inúmeros segredos. Alguns latidos e rosnados de diversão soando junto com o treino dos mais novos.

Qualquer um que fosse ali, se é que existia alguém tão louco assim, diria que são demônio, não estão muito longe da verdade. De fato o que tinha ali era algo inumano... Os druidas do clã dos Lobos. Encurralados pela guarda de honra da Comandante dos exércitos desde que a Lei Marcial proibiu a presença lupina no território.

Enquanto a liberdade não fosse concedida eles se mantinham ali mesclado entre os humanos, fugindo para entranhas da terra, aguardando a hora certa. Quando não estavam ali exibindo para seus iguais à forma de lobos majestosos os membros da Alcateia se concentravam em conhecer mais sobre os inimigos.

Eles sabiam enganar os humanos, e isso assustava a todos.

Está assim desde que a Ordem Marcial foi instaurada a seis anos, a invasão de forças externas desconhecidas devastou boa parte da Cidade Estado matando o Visconde e seu filho. Em seu desespero a Comandante do exército despejou a culpa no clã de lobos nômades que estavam na cidade.

Desde então uma caça aos lobos projetava medo pela cidade. Este já era usado a tempo demais... E estava pronto para ser expurgado.

Pois, os lobos estavam cansados de se esconder e esperar, eles estavam prontos para lutar. E eles teriam as armas certas para isso.

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Estrutura da cidade baseada em Dragon Age 2

19 de Novembro de 2019 às 13:48 0 Denunciar Insira 0
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Conheça o autor

Lumina Purity Bem jovem e Nerd. Quando não estou enfiando minha cara em livros estou desenhando e sujando minha cara de tinta. Minha trilogia de livros favoritas é a "Mara Dyer".

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