Debaixo do seu guarda-chuva Seguir história

saaimee Ana Carolina

O suspiro dessa vez veio acompanhado de uma risada fraca que só ele pôde ouvir. Ainda estava cansado. Seus olhos se fecharam por um instantes se perguntando o que ainda estava fazendo ali, quando se abriram novamente viu no reflexo uma sombra escura sobre sua cabeça e sentiu a chuva de repente parar. 「Nishitani × Sagawa」


Fanfiction Jogos Todo o público. © Os personagens desta estória pertencem a Yakuza/RGG. Todos os direitos sobre eles são reservados a © Sony.

#sweet #fluff #sagawa-tsukasa #nishitani-homare #m-m #yakuza #fic
Conto
1
400 VISUALIZAÇÕES
Completa
tempo de leitura
AA Compartilhar

Capítulo Único

Novamente outro suspiro quente escapou de seus lábios frios. Sempre que seus olhos encontravam algo que o fazia pensar demais seu peito tentava expelir o peso de alguma forma sútil. Estava cansado.

Em seu rosto o cabelo molhado escorria gotas lentas por sua testa pintando um caminho transparente de suas bochechas até seus lábios onde desciam pingando por seu queixo até cair na pequena poça no chão. Suas roupas grudadas em seu corpo estavam fazendo pesar o pano que, antes leve, o fazia brilhar pelas ruas. Ah, e como ele brilhava! Até duas horas atrás, antes da chuva começar, todos os olhares se voltavam para ele. Porém, agora, sentado entre as latas de lixo abandonadas sem nem se importar com as poças que se formavam abaixo dele, o homem parecia ser só mais uma mancha apagada naquele dia escuro.

Seus olhos pesados encaravam a rua vendo pessoas que passavam apressadas levantando respingos pelo chão enquanto outras encolhidas no calor de seus próprios braços se abrigavam ao redor de lojas tentando afastar as gotas frias do corpo.

Inclinando-se para trás, Nishitani apoiou as costas na parede que parecia mais com um cubo de gelo e sentiu, em silêncio, a chuva calma cair sobre ele. Sabia que deveria sair dali e fazer como todos os outros normalmente fazem em dias assim, porém ele nunca foi do tipo que fugia dos problemas. Nem mesmo da chuva, nem mesmo do cansaço em seu peito.

Sua cabeça pendeu para a esquerda apoiando-se em seu ombro sem nenhuma preocupação encontrando alguns centímetros ao lado um maço de cigarros amassado. Já tinha testado cada um deles quando se sentou ali, mas não conseguiu salvar nem um. Outro desperdício por causa da chuva.

Sua mão caída ao lado do corpo tocava o chão sem forças para alcançar aqueles cigarros a sua frente. Ele queria um. Quase precisava disso para tentar afastar o frio que dominava seu corpo. Entretanto, por mais que essa situação parecesse terrível, nada disso era tão ruim para ele. Ruim seria ficar trancafiado pelo resto de seus dias uma vida chata sem poder sentir nada. O que estava acontecendo agora ainda o fazia sentir algo. Algo que não entendia porquê.

Resmungando, Nishitani se inclinou novamente para frente sentindo as dores se espalharem por suas costas. Precisou apoiar o cotovelo no joelho dobrado antes de respirar fundo na tentativa de melhorar a situação. Com a cabeça baixa pôde ver seu reflexo na poça entre suas pernas.

Viu as marcas da idade, os tremores da chuva e, principalmente, arrependimentos suficientes que continuavam a move-lo para frente naquela cidade infeliz.

O suspiro dessa vez veio acompanhado de uma risada fraca que só ele pôde ouvir. Ainda estava cansado.

Seus olhos se fecharam por um instantes se perguntando o que ainda estava fazendo ali, quando se abriram novamente viu no reflexo uma sombra escura sobre sua cabeça e sentiu a chuva de repente parar.

Seus olhos curiosos procuraram o que via acima dele encontrando na sombra um guarda-chuva preto e em sua ponta a mão do homem de terno marrom que o segurava. Desconfiado se virou vendo Sagawa o encarando com a expressão impaciente de sempre enquanto segurava a própria sombrinha.

— Tsu-chan? – Chamou ainda incerto do que via.

— Que porra você tá fazendo? – Levantando a mão que segurava o próprio guarda-chuva, ele retirou o cigarro da ponta dos lábios com cuidado questionando no tom desinteressado que combinava perfeitamente com sua expressão.

Nishitani sorriu de canto ao ouvir sua voz e, como se não se importasse em incomodar o outro, se virou novamente para ver a chuva.

— Quis ver a chuva. Não é isso que gente velha faz?

— Desde quando se importa? – Apesar das sobrancelhas ainda estarem fechadas pela irritação, sua voz soou muito mais sarcástica do que antes fazendo Nishitani rir por entre os dentes. — Gente velha também não sai por aí batendo em qualquer um pelas ruas.

— Ah, verdade… Então acho que não sou tão velho assim.

Sagawa o viu rir suavemente balançando a cabeça como se não acreditasse em si mesmo e não pôde evitar o silêncio. Seus olhos o assistiram por cima desconfiado, analisando seus movimentos e seu tom. Não via nada de estranho – fora do normal dele –, mas ainda não conseguia entender o motivo para tudo isso.

— Vai me dizer o que aconteceu? – Sem paciência perguntou soando mais calmo que o normal.

Nishitani sabia que uma hora iria ouvir isso e mesmo assim acabou se sentindo incomodado para responder. O que ele poderia dizer? Não era como se tivesse um motivo, mas também não estava ali por nada. Seus olhos fitaram as pessoas passando pela rua. Apesar da insistência em seu olhar, Sagawa não o apresou a falar.

— Tava cansado, sabe. – Explicou empurrando o corpo para trás sem olhar para cima. — Quis descansar um pouco.

— Não dava pra fazer isso em outro lugar?

— Não. – Respondeu sorrindo do tom incrédulo do homem. — Eu tô exposto aqui e ninguém tá me vendo.

— Pensei que você quisesse ser visto. – Falou confuso o vendo levar alguns minutos em silêncio antes de responder.

— É…

Não era como se ouvir isso fosse algo novo, entretanto a falta de reação em Nishitani fez Sagawa o observar tão curioso quanto preocupado.

Ele deveria estar ali? As palavras se repetiram em sua mente. Pensou no que podia dizer, tentou dizer, mas toda vez que seus lábios se abriam ele os fechava incerto de como faria as palavras soar. Era irritante se preocupar com os outros.

— Mas tá tudo bem se for você.

Sem olhar para cima, Nishitani comentou com a mesma face entediada que olhava as garotas correndo pelo asfalto agitadas.

A boca entreaberta de Sagawa deixava claro a surpresa ao ouvir aquilo. Era quase como tivesse ouvido seus pensamentos. E ao mesmo tempo que quis rir também quis olhar em seu rosto. Sua testa enrugou e seus lábios torcidos com um sorriso no canto se contentaram em ver somente o topo da cabeça do outro.

Olhando ao redor, notou a movimentação de dezenas sem nem se importar em ficar segurando o guarda-chuva esse tempo todo para ambos. Estavam cercados de pessoas a todo momento e ainda assim pareciam sozinhos ali. Quase livres. Era bom.

Voltou a cabeça na direção do homem no chão e viu os olhos curiosos de Nishitani observando tudo. Ele parecia tão jovem ali, sofrendo por algo que não conhecia. A cena trouxe um curto sorriso.

— Sabe, – suspirando para afastar a expressão do rosto começou a falar — gente velha não pode ficar muito tempo na chuva.

— Eu te disse que não sou tão velho assim. – O comentário fez Nishitani rir antes de finalmente se levantar dali e poder olhar o rosto do mais velho de perto. Em pé a sua frente ele viu o olhar sarcástico o encarando e afastando a canseira de seus olhos. — Mas eu sabia que você viria.

Um sorriso gentil se formou em seus lábios enquanto o outro apenas o encarou sentindo-se satisfeito por estar ali.

— E se eu ficar doente, você vai cuidar de mim. – Comentou fazendo Sagawa desviar o rosto com um riso preso de quem não acreditava no que ouvia.

— Te deixo morrer.

— Até parece. – Gargalhou jogando a cabeça para trás. — Você morreria de saudades de mim.

Sagawa o assistiu sem responder. Viu Nishitani pegar um dos guarda-chuvas e passar a mão pelo cabelo, afastando um pouco da chuva que escorria por seu rosto. Sabia que aquela afirmação risonha era verdade. Era por isso que ela ainda estava ali.

— Por que trouxe dois guarda-chuvas? A gente podia dividir um. – Nishitani questionou quando começaram a caminhar lado a lado pela rua.

— Se você me molhar, eu te faço secar com a língua.

— Pode deixar. – Entrando em baixo da sombrinha de Sagawa ele se aproximou tocando seus ombros antes de continuar. — Garanto que não vai sobrar uma gota.

Sagawa poderia até empurra-lo para longe ou rosnar o afastando rudemente, mas, dessa vez, preferiu não responder e deixar que o homem fechasse o guarda-chuva e andasse grudado a ele para onde quer que fossem.

13 de Novembro de 2019 às 19:10 0 Denunciar Insira 1
Fim

Conheça o autor

Ana Carolina Mãe de 32 personagens originais e outros 32 adotados com muito carinho, fanfiqueira nas horas vagas e amante das palavras em período integral. Apaixonada demais e, por isso, sou tantas coisas que me perco tentando me explicar. Daí eu escrevo. ICON: TsukiAkii @ DeviantArt

Comentar algo

Publique!
Nenhum comentário ainda. Seja o primeiro a dizer alguma coisa!
~