Inoue Miyako, a Blogueira Seguir história

inouemukurolc Inoue Mukuro

Inoue Miyako sente que perdeu sua essência para a moda após muitas confusões e polêmicas, sentindo que precisa retornar às suas origens e nada melhor do que uma brincadeira de vestígios para tornar tudo mais divertido e quem sabe... Novo? A sua aura está para brilhar!


Fanfiction Impróprio para crianças menores de 13 anos.

#Parabéns #2019 #Blogueira #Her-Name-Is #Inimigos-Íntimos #moda #love #Ken-Ichijouji #Inoue-Miyako #digimon #Humor
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Esta é uma one-shot especial, uma lembrança de coração para uma grande amiga, irmã, parceira e companheira de loucuras, de sonhos, de risadas, tristezas e experiências, de tudo o que de bom construímos até aqui! Lu, primeiramente, mil desculpas kkk, era pra ser um presente de aniversário que acabou se tornando um presente de quase natal e "segundamente", não tenho palavras pra te agradecer o quão bem você me faz, à mim e minha diva, à minha arte, ao que sou como artista e pessoa e principalmente, ao que você se tornou hoje para mim: alguém totalmente indispensável e insubstituível na minha vida. Não tenho um bolo aqui pra te oferecer, pra te fazer soprar as velinhas atrasadas ou sacanear com a clássica tortada na cara, mas tenho este conto de humor refletido sobre tudo o que somos, vivemos e temos conosco guardado até hoje. Valeu por tudo gata, espero que goste e vamos lá , Sra. Kyle / Docinho / Dora Aventureira / Irmã do Kokoro! <3

Ele já estava ficando impaciente. Nervoso. O vaivém dela estava distraindo-o de seu game e lhe impedindo de passar aquela difícil fase no console portátil, onde cada nova morte o fazia bufar. Estressado, fitava-a de canto enquanto a via revirar, bagunçar, destrinchar, explorar todas as peças de roupas de seu extenso closet, caminhando afoita de um lado para o outro como um vendaval de cabelos lavanda. Miyako estava impossível naqueles dias! O único que entendia a verdadeira dimensão de seu problema era Hawkmon… Mesmo que não entendesse coisa alguma sobre moda.

Inoue Miyako era uma blogueira natural de Tóquio e conhecida por lançar tendências entre a miscelânea cultural que era a sociedade japonesa. Uma digital influencer que através do "No Way Nadeshiko!", seu blog e portal de moda, criava e elaborava looks para inspirar as adolescentes japonesas a fugirem de seus padrões estabelecidos para ousar, atualizar e incentivar a crescente moda pop na comunidade nerd e geek, que dominava cada distrito da capital. Fora Miyako a responsável pela febre das echarpes de verão com regatas, fazendo surgir muitas garotas estilosas pelas ruas, assim como a tendência dos óculos ray ban noturnos para eventos e a moda dos braceletes aceletes com pedras, combinações incomuns com peças casuais. Era a marca registrada de Miyako. Possuía também seu próprio canal no Youtube onde publicava tutoriais de maquiagem e moda.

Mas ultimamente a vida da blogueira não estava nada fácil. Surgiu uma concorrente, a sensação do momento, Mimi Tachikawa, uma colunista teen que explorava a moda americana e tornou-se uma rápida ascensão nos jornais por apresentar seu estilo country e diferente do estilo sofisticado de Miyako. Numa luta desesperada pelos holofotes, Miyako estava chegando ao ápice de sua criatividade e praticamente esgotada de recursos para lançar algo novo, impactante e inspirador. Para piorar, seu blog estava recebendo poucas visualizações e não demoraria para ver o fim de seu dedicado trabalho. Naquelas semanas viajou em busca de ideias, visitou estilistas de marcas conhecidas e até tentou lançar novas tendências, mas beirou ao fracasso quando um jornal a fotografou e rotulou de “Spears Nipônica”, fazendo-a desaparecer por uns dias das ruas. Naquele momento, sua cabeça era um turbilhão e somente Hawkmon a suportava.

Após seu décimo Game Over, Hawkmon bufou alto, lamentoso, largando o console ao seu lado enquanto percebia a aflição incessante de sua parceira.

— Miyako, ficar que nem uma louca pra todos os lados, bagunçando seu closet e me deixando nervoso não vai adiantar muita coisa, certo? — Reclamou o digimon, a buscar mais dos cookies que estava a comer em um pacote, até perceber que já havia consumido tudo. Suspirou pesado. Até sua gula havia alterado com as neuras da garota.

— Falar é fácil, Hawkmon! — Exclamou Miyako, indignada. — Estou caindo no esquecimento das garotas que antes tinham a mim como referência de moda e se não me bastasse, essas bandidas estão seguindo a Tachikawa agora! Sinto que esgotei minhas fontes, todas essas peças já foram fotografadas, os acessórios postados e até os sapatos republicados, não há mais nada a inovar!

— Porque não fica apenas com seu canal? — Sugeriu Hawkmon, num lampejo. — Pode continuar com o bom trabalho de makeup que vêm fazendo há tanto tempo e até já ganhou alguns méritos…

— Não posso desistir do "No Way Nadeshiko!", batalho durante anos pra deixá-lo sempre atualizado e não será essa má fase que vai me fazer largar! Você bem que podia me ajudar, não é?

— TÔ FORA! — Hawkmon pulou da cama, apavorado. — Nunca mais te ajudo, não depois de toda a humilhação que passei naquele ensaio pra sua fracassada linha de roupas para Digimon! Só de lembrar do olhar daqueles Scumon… — Um arrepio atravessou a coluna do pequeno falcão. — Gata, aquilo não pegou muito bem não…

— Que pena… — Chantageou Miyako, dramática. — A Tailmon da Hikari-chan curtiu, te achou um charme…

— S-sério? — Corou Hawkmon, surpreso. — Espere, isto é só uma pegadinha sua para me chantagear, vai precisar de mais do que isso pra me convencer!

— Seu bobalhão, não é sobre moda digimon que estou falando… Preciso de ideias, só isso!

— Ideias… — Balbuciou o falcão, pensativo. Voltou sua atenção para o closet às avessas e bateu rápido suas asas, animado, levantando vôo. — Feche os olhos, garota, vou te fazer uma surpresa!
— Mas o que você entende de vestuário? — Apenas feche esses olhões, eu vou explorar meu lado "fashion" agora e garanto que você não vai se arrepender… Vamos, vire para lá!

— É bom que não seja mais uma de suas piadas! — Advertiu Miyako, nervosa. Hawkmon era seu inseparável parceiro, mas ainda sim não se sentia dentro daquele mundo glamuroso da moda como ela. Para Miyako, no fundo era Hawkmon quem a recuperava do stress, dos problemas de se tornar uma figura pública, seu parceiro lhe resgatava e a sanidade também. Imaginando a surpresa, virou-se enquanto ouvia o bater apressado das asas do digimon a explorar aquela algazarra de roupas.

Havia um manequim de busto em um dos cantos que a blogueira usava para montar looks e Hawkmon não perdeu tempo, arrastando-o para o centro do quarto. Rápido, começou a escolher peças aleatoriamente conforme acreditava ser algo inusitado e em pleno vôo, vestia o manequim com seu bico. Sorridente, passou pelas joias de Miyako e pegou algumas diversas, sem parar muito. Finalizou com um blazer curto anilado e scarpin dourado.

— Miyako, pode se virar agora! — Exclamou Hawkmon, orgulhoso. Até que levava algum jeito para aquilo…

— Só quero ver o que você aprontou… Nossa, foi até bem rápido e…

A expressão de Miyako não poderia ser outra. Arregalou o olhar, boquiaberta. Não demorou a cair na gargalhada. Hawkmon não tinha mesmo o tato necessário para compor visuais, seu look estava digno de uma internada em manicômio. Peças avulsas, cores e estampas desalinhadas e o maldito scarpin dourado estava lá, algo que ela sempre esquecia de jogar fora.

— QUAL É! — Esbravejou o pequeno falcão, irritado. — Moda não é arte? A arte não é totalmente desconexa e sem compreensão, como quando você vai a um museu e vê uma pintura de rabiscos aleatórios? Não é essa a visão de um artista?

— Só se for artista de circo… Hawkie, te agradeço pela excelente intenção, mas se eu sair usando este look, vão voltar a me chamar de "Spears Nipônica" ou até pior… Mas a sua perspectiva de arte foi show!

— Vou voltar pro meu game que ganho mais… — Esboçou Hawkmon, azedo.

— MEU KAMI, EU PRECISO DE AJUDA! MANDE UM SINAL! — Alarmou a blogueira, desolada, erguendo as mãos enquanto dramatizava.

De repente, ouviu a campainha soar, despertando-a da cena. Curiosa, atravessou o pequeno apartamento e se pôs a atender a quem lhe tirou da concentração. Ao abrir a porta, abriu também um ligeiro sorriso.

— KEN-CHAN!!!

— Olá Miyako-san… — Cumprimentou o rapaz de cabelos azuis escuro, compridos num charmoso corte que amarrava sempre num curto rabo de cavalo. Respeitoso, o estagiário do departamento policial de Tóquio, Ken Ichijouji, adentrou o ambiente. Antigo amigo de Miyako, o jovem de porte atlético e magro e quase sempre visto a trajar sua farda oficial, escondia uma paixão secreta pela amiga. Desde a vez em que Miyako fora autuada por atacar fotógrafos que a flagraram seminua num provador de loja e fora parar na delegacia, uma vingança pessoal da garota. Miyako lhe desafiava, era totalmente o oposto de si, briguenta, divertida, palhaça, louca, o pacote completo. Ele era apenas um jovem tímido e profundamente traumatizado pela morte de Osamu, seu irmão mais velho e ex inspetor do distrito de Shinjuku, falecido durante o serviço. Ken entrou para a polícia japonesa para seguir os passos de seu irmão e ao lado do doce Wormmon, formava uma ótima e sintonizada dupla.

— Posso saber o motivo da visita? — Piscou Miyako, marota. — Não está em seu turno de serviço?

— Pedi para sair mais cedo, tenho muitas horas acumuladas e achei que seria uma boa descansar, passar aqui pra te ver e… — Revirou um dos bolsos do uniforme, ansioso. — Também te entregar isso!

Ken estendeu um pequeno pacote à Miyako, embrulhado em papel de presente. Sem compreender o gesto, a blogueira o fitou atônita.

— Ah, não é um presente meu não… — Expressou o garoto, corado e nervoso. — Isto é uma entrega, uma encomenda que endereçaram à você lá na DP, estava no meu gabinete! Não tinha remetente, apenas o destinatário e este cartão… — Entregou o bilhete à jovem, ávido. — Leia antes de abrir…

Miyako apanhou o cartão, misteriosa, abrindo-o enquanto sacudia o pacote. O conteúdo não causava som algum. Ken não abrira uma única fresta no embrulho, mas com as técnicas aprendidas na unidade defensiva de Minato, sabia distinguir quando uma carga era duvidosa ou não. Atenta, Miyako leu.

"...Debaixo da terra você vai me encontrar, estou morto, para a vida quero voltar, venha para Marunouchi e com um café amargo se deliciar…"

— Isto… É uma charada?

— Sim, e indica que devemos seguir essa pista no centro comercial de Marunouchi, em Chiyoda! — Exclamou Ken, firme.

— Espere… Debaixo da terra… Morto… Voltar à vida… Querem que eu desenterre um cadáver? — Indagou Miyako, assustada.

— Não creio que seja esta a intenção, mas é óbvio que isso é uma quest e querem que você participe… Abra o embrulho e veremos do que se trata.

— E se tiver uma mão decepada aqui dentro?

— Miyako-san, por favor… — Gargalhou Ken, surpreso. — Não há cemitério algum em Marunouchi, e é lá o nosso primeiro alvo, certo?

Concordando, a jovem suspirou, abrindo cautelosa o pacote. Levou uma das mãos à boca ao se deparar com o conteúdo, estupefata. Pela expressão da amiga, Ken se preocupou e correu para conferir o embrulho, aflito. Não demorou a sua frustração chegar. Desdenhosa, a garota puxou o longo pedaço de tecido, colorido em um azul royal com detalhes estampados em tons amarelos num bordado em zigue-zague. Uma comprida bandana se fez presente.

— Mas que cafonice é esta? — Ralhou Miyako, decepcionada. — Estão de brincadeira comigo?

— Estranho… Por que enviariam uma bandana pra você?

— Só pode ser coisa da Tachikawa! — Esbravejou a blogueira, furiosa.

— Acho que não… — Refletiu Ken, pensativo. — Ela ganharia alguma coisa te ofendendo assim, ainda mais longe das câmeras? E além disso, teria que ter muito tempo sobrando para criar uma quest… Coisa que a Tachikawa não tem.

— Você sugere então que eu embarque nessa aventura louca? — Riu Miyako, sarcástica. — Já vi que por essa coisa retrógrada aqui, não serão muito boas as recompensas…

— Olhe, você tá desesperada, buscando inspiração, uma solução urgente para atualizar seu blog, não tem nada para fazer aqui… B-bom, eu posso ir com você se quiser, estou com o carro do meu pai e podemos levar Hawkmon e Wormmon para passear um pouco também, há muitas boas cafeterias em Marunouchi… O que me diz?

Ken estava certo. Ficar trancafiada em casa enquanto revirava suas roupas não adiantaria, e precisava mesmo de ar puro. Espairecer, sair, viver. Quem sabe aquela busca daria em algo? Quem sabe encontraria a inspiração tão desejada? E acima disso, sua curiosidade a estava surtando. Precisava mesmo chegar ao fundo daquilo!

— Certo! — Concluiu Miyako, animada. — Mas se esbarramos com um defunto, você me paga…

— Muito justo. — Riu Ken, divertido. Poderia enfim aproveitar a companhia da sua amada platônica, curtir cada minuto ao seu lado e talvez… Talvez abrir seu coração. Sair daquela escuridão.

— Tudo bem, vou chamar o Hawkmon e… EI, GAROTO! — Alarmou Miyako, num súbito rompante, agitada. — EU JÁ O VI! PODE IR SAINDO DAÍ!!!

Ken, apavorado, correu atrás para entender o que havia acontecido. Deparou-se com Hawkmon a esconder algo em suas costas, envergonhado, diante de Miyako. Trêmulo, o digimon se negava a mostrar o objeto que omitia de sua parceira, relutante. Miyako não esboçava uma palavra, somente ameaçadora a estender sua mão para obrigar o pequeno a lhe entregar o item. Quis interferir, mas pela atitude da jovem achou melhor não intervir. Desconfiava de que podia ser mais uma das travessuras do falcão. Observou atento a insistência da amiga, brava, até Hawkmon ser vencido pela sua impaciência. Arregalou os olhos, descrente. O digimon entregou um exemplar da light novel "Immoral Lovers" nas mãos de Miyako, fugindo em seguida.

— VOCÊ VIU ISTO? — Indignou-se Miyako, atônita. — Essa novel nem é para a idade dele! De onde esse passarinho tirou esse exemplar?

— Miyako-san, essa novel é a mais lida do momento, até meus superiores acompanham. — Suavizou Ken, paciente. — Tá vendendo muito bem e já é finalista do Main Awards Choice de Tóquio para melhor romance erótico deste ano. Além de que é uma leitura viciante…

— Hm, então quer dizer que você curte este tipo de leitura? — Brincou Miyako, em tom lascivo. — Não conhecia este lado seu…

— N-não! Ei, vamos logo ou não atrás da próxima pista?

— Claro! — Pulou a garota, em seu célebre bordão. — "Digifashion, arrase! Digiestilosos, aí vamos nós!"

— Por favor, não faça isso em plena rua…

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Distrito comercial de Marunouchi, Chiyoda, Tóquio, 14:30 PM.

Se havia estilo, beleza, tecnologia e o melhor que a inovação oriental podia oferecer, estava tudo junto em um único distrito. O charmoso e imponente bairro de Marunouchi, entre o Imperial Palace e a grande estação de Tóquio, atraía diariamente milhões de cidadãos para seu centro diversificado de compras, um verdadeiro paraíso consumista. Lá era possível encontrar de tudo e o local preferido de muitas garotas por conter inúmeras lojas de grifes e marcas famosas. Ken deixara o carro em um estacionamento particular e junto de Miyako, Hawkmon e seu Wormmon, partiu para descobrir o paradeiro da primeira pista contida no bilhete.

Porém, não parecia ser uma tarefa tão fácil. A infindável multidão se abarrotava pelas calçadas e por todos os cantos o incessante tráfego dominava e lotava os cruzamentos. Como procurar por algo relativamente simples como aquela bandana num lugar tumultuado como aquele? Miyako bufou, não havia ao menos um ponto de partida para começarem. Segurando o bilhete, voltou a ler a mensagem e identificou uma possível opção. — Bem, aqui diz que devemos nos deliciar com um café amargo…

— E há muitas cafeterias aqui ao redor… — Observou Ken a espichar o pescoço entre os transeuntes para procurar o estabelecimento certo. Desanimou ao reparar que haviam inúmeros cafés espalhados pelo distrito. Qual seria o exato que continha a pista do bilhete?

— Seus cabeçudos! — Ralhou Hawkmon. — A mensagem não diz "debaixo da terra"?

— O METRÔ!!! — Os dois jovens berraram em uníssono.

— O que seria de vocês sem mim… — O digimon se gabava, convencido enquanto se dirigia à Wormmon. — Como você aguenta esses… Wormmon?

O pequeno inseto havia sumido e Ken não notara, não era difícil perder a minúscula larva dentre a claustrofóbica multidão e preocupado, Hawkmon alertou o rapaz que prontamente se pôs a procurar o parceiro com a ajuda de Miyako. Aquilo iria os atrasar, mas conhecendo seu digimon, Ken já cogitava os possíveis lugares onde poderia achá-lo. Wormmon era um fã assumido de animes e mangás, um verdadeiro otaku que comparecia a eventos e participava da comunidade nerd e a cada visita à Marunouchi deixava o bolso de seu parceiro menos cheio.

Procuraram rapidamente em algumas lojas geek até toparem com o digimon a namorar a vitrine de uma pequena loja de action figures, atento.

— Wormmon! — Chamou Ken, aflito. — Quantas vezes já disse para não sair de perto de mim quando não estamos na DP?

— Desculpe, Ken-chan… — Lamentou Wormmon, num fofo e sofrido timbre. — Estão vendendo as figures de Kazuki e Lisa do anime Harukaze, não tá tão caro assim! Podemos comprar?

— Hoje não, estamos em missão amigão, prometo que semana que vem virei buscá-las, tudo bem? — Ken apanhou o pequeno em seus braços e se desculpou com Miyako, relevando compreensiva. Ávidos, correram para a estação metroviária de Tóquio, desviando do público em direção ao subsolo e evitando separarem-se. Não demorou a alcançarem o suntuoso e gigantesco saguão, descendo pelas escadas laterais que davam acesso a mais restaurantes e lojas dentro do conjunto. A emoção era forte, vívida, o crescente hype e a expectativa os engoliriam, Miyako finamente sorriu pois estava a se divertir naquela fajuta caçada e redescobrindo o prazer dos pequenos detalhes, as ínfimas experiências, o gosto de uma aventura. Quem quer que a tenha presenteado com aquela bandana ultrapassada e desenvolvido aquela quest, estava de parabéns.

Ao chegarem ao extenso subsolo, novamente se depararam com mais cafés, bares e restaurantes, além de inúmeras lojas de doces que também serviam a bebida. Ao fundo era possível ouvir uma sintética música pop, "Polyrhythm" do trio Perfume, soando alto em um centro de atividades.

— E agora? — Suspirou Miyako, desmotivada. — Tô começando a crer que isso tudo seja uma pegadinha, uma piada de mau gosto…

— Café amargo… — Balbuciou Ken, reparando em cada canto do subsolo. — Se você vai à um café, provavelmente não pedirá uma xícara de café amargo, isto é algo que você mesmo pode fazer em casa. E se… O "café amargo" estiver numa conotação metafórica?

— Mas no que "café amargo" poderia representar? Qual seria esse contexto?

— Coisas amargas geralmente são ruins… — Apontou Hawkmon, tentando acompanhar o raciocínio de Ken. — Pode ser uma coisa amarga que esteja relacionada à café.

— Neste cenário, há uma cafeteria estranha ou diferente dentre todas para você, alguma que não siga um padrão? — Indicou o rapaz, compreendendo o pensamento do digimon.

— Vamos ver…

Miyako aguçou a visão, atenta e concentrada. Porém de nada adiantava, todos aqueles lugares pareciam refinados e belos demais para se pedir um café amargo. Foi quando uma singela vendedora surgiu em seu campo de visão ao longe, num pequeno stand próximo à saída para Yaesu. Munida apenas de um balcão, a garota servia animada cafés enquanto abastecia a máquina e esquentava pãezinhos para a exposição, trajando apenas um avental sobre sua roupa casual.

— Café amargo… O único mais simples dentre toda essa riqueza… — Esboçou Miyako, iluminada. — Já sei o paradeiro da próxima pista!

Correu afoita na direção da vendedora, esperançosa de que seu palpite estaria certo. Ken a seguiu, desentendido, segurando Hawkmon e Wormmon para alcançar a amiga antes que a perdesse de vista. Logo alcançaram a atendente que reparou na urgência e se pôs a atender os quatro, solícita.

— Olá, gente bonita! Vão de um delicioso café na minha humilde, mas generosa lojinha? — Brincou a atendente, sorrindo. Aparentava ser extremamente simpática, exibindo um penteado alto que terminava num coque bagunçado, além da maquiagem levemente exagerada e muitos adornos como pulseiras e um belo colar dourado. Lutando para enxergar seu nome no crachá preso ao peito, Ken gesticulou com a cabeça, consentindo a boa recepção enquanto procurava uma boa abordagem.

— Vamos querer… Um café amargo! — Disparou o adolescente, fulminante. A expressão no rosto da garota mudou drasticamente e Miyako se arrepiou. Ela tinha acertado seu palpite.

— Não é todo dia que me pedem um café amargo… — Iniciou a atendente, surpresa. — Eu sou Lady Michiyoshi, muito prazer…

— Espere… — Cortou Ken, afoito. — Lady Michiyoshi, do fã clube de Ben Michiyoshi de Immoral Lovers? Lembra-se de mim naquele dia em que você foi prestar queixa contra sua parceira na DP por ela ter privado sua liberdade de criação?

— Gostaria de não lembrar… Ah, não se preocupe, estão adocicados… — Lady Michiyoshi entregou dois cafés quentes para Ken e Miyako enquanto preparava um chocolate quente para os Digimon. — Aquilo foi uma mancha na minha carreira ascendente como escritora erótica. Sabe, sou fã confessa da novel "Immoral Lovers" e do shipp Ben Michiyoshi e Shinoue Kiyako e só queria produzir uma singela fanfic para homenagear este casal, mas minha parceira de escrita não aceitava minhas ideias coerentes de enredo, me tachando de louca!

— Você foi prestar queixa no departamento policial só por isso? — Espantou-se Miyako, a bebericar de leve a calorosa bebida.


— Mas é claro! Vocês acreditam que eu só queria produzir um bom hot apaixonante? Acabamos nos tornando inimigas íntimas, uma vez eu simplesmente só queria escrever uma cena em que Digimon Kaiser excitava Kiyako à distância através de um vibrador preso em sua vagi…

— TUDO BEM! — Interrompeu Miyako, antes que Hawkmon e Wormmon escutassem mais daquele absurdo. — Já entendemos o recado… Agora cadê a pista?

— Ah sim, perdão, aqui está… — Lady Michiyoshi entregou à Miyako outro pacote embrulhado. Sem perder tempo, a jovem rasgou impaciente a embalagem e puxou um bilhete do interior, lendo em seguida.

"...Um café não tira o gosto de um bom saquê e a modernidade é aliada ao tradicionalismo, o horror da sessão da meia noite. O nome dela você descobrirá em Ikebukuro…"

— Sinceramente, Ken-chan… — Suspirou Miyako, decepcionada. — Estou tentada a abandonar essa quest… — Puxou uma blusa de tom rubro, mangas largas até o cotovelo e um leve babado em sua larga abertura sobre o colo, terminando em um fino acabamento em sua bainha. — Primeiro foi aquela bandana antiquada, agora essa blusa de primavera de quem? Dos formandos da turma de 1990 de Minato? Está claro que quem planejou esta quest, quer que montamos este look!

— Você não tem que se deixar abater, gata… — Esboçou Hawkmon, se deliciando com o chocolate ao lado de Wormmon. — Eu estou me divertindo muito, acho que esse é o espírito!

— Hawkmon tem razão. — Comentou Ken, animado. — Não leve esta missão para o lado profissional, temos que nos divertir e se você ficar matutando demais, não vai aproveitar nada… Pode ser que até perca uma ou outra inspiração pelo caminho…

— Vocês são uma piada… — Levantou-se Miyako, pronta para partir. Após pagarem os cafés, partiram para a próxima parada, rumo à (segundo a desanimada Miyako) outra peça cafona, despedindo-se de Lady Michiyoshi.

— LEMBREM-SE… — Gritou a atendente, alvoroçada. — NUNCA LEIAM NADA VINDO DE UMA LUSHINOUE…

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Distrito comercial de Ikebukuro, Toshima, Tóquio, 15:45 PM.

Um misto de emoções e sentimentos dominava sua cabeça. A doce, mas inquietante sensação de desconhecido a arrepiava, como se um novo mundo estivesse a se desenrolar diante de si. Pelas ruas do distrito de Ikebukuro, ainda mais belas e modernas, Miyako agarrava firme a blusa ainda no pacote sobre seu colo. Ken dirigia atento enquanto Hawkmon jogava em seu console e Wormmon parecia ter adormecido após se empanturrar com o chocolate quente, ambos seguros em suas cadeiras infantis. Uma precaução tomada pelo rapaz, mesmo sob protesto dos digimon que alegavam não serem mais crianças e mesmo consciente de que seus parceiros não eram mais pequenos, Ken não abria mão da segurança.

— Você está bem? — Ken quebrou o silêncio, despertando sua amiga dos pensamentos. — Está tão quieta… Achei que estaria mais tagarela ainda depois deste encontro com aquela maluca do café. Se não estiver bem, podemos voltar…

— Tá tudo bem! — Exclamou Miyako, sorridente. — Desculpe, faz tempo que não não encaro nada assim, quer dizer… Quando foi que toda essa competição, que essa corrida pela moda se tornou desgastante e corriqueira? Que a vida se tornou bem menos colorida? Lembro de vir com Mantarou-niisama nos dias de semana, no Sunshine Center City, era sempre uma festa e todas as experiências eram gostosas, divertidas, renovadoras. Isto foi antes de eu abrir o "No Way Nadeshiko!"...

— Talvez seja a hora de realmente inovar! — Aconselhou Ken a procurar uma vaga num parking privado, manobrando o veículo. — Moda é arte e a arte vive se reinventando, não é o que dizem? Osamu-niisan dizia isto toda a vez que assistíamos a filmes aqui em Ikebukuro, éramos fãs de filmes de terror e ficção… Parece mesmo que foi ontem…

— Bem… Obrigada, Ken-chan. — Miyako segurou carinhosa a mão do jovem, deixando-o corado e tímido. Seu toque era caloroso, terno, vivo, lhe preenchendo de uma contagiante confiança. Indeciso, não sabia como reagir e sorrira, culpando a si em seguida por não ter tomado outra atitude mais sólida e que demonstrasse seu amor sem precisar falar. Desligando a ignição, desceram já em frente ao majestoso e contemporâneo Sunshine Center City, um dos maiores centros comerciais do Japão e que abrigava as mais diversas atrações, desde amplas opções de compras até parques temáticos de animes, cinemas, casas de karaokê e centros de cultura tradicionalistas. Ken acordou Wormmon enquanto Miyako insistia para que Hawkmon desligasse seu game e deixasse o console no carro. Ken gargalhou, as justificativas do falcão eram hilárias.

Não demoraram a adentrar o complexo e para a sorte de Miyako, seu companheiro de quest já desconfiava do próximo ponto da missão. A liderar, o rapaz guiou-a até o terceiro andar do shopping onde havia uma extensa loja indie e geek, parando em frente. A entrada era um tanto quanto sutil, estátuas de imensos kaijus decoravam o hall principal e o poderoso godzilla centralizava o topo, numa clássica referência aos antigos filmes indie japoneses. Caveiras completavam o pitoresco cenário.

— Hm, Kaizotopia? — Zombou a garota, contendo uma risada. — Tem certeza de que aí está a próxima peça cafona?

— Bom, o bilhete foi bastante claro para mim, "modernidade com tradicionalismo", "horror da sessão da meia noite", "o nome dela em Ikebukuro"... Tá na cara de que tudo se resume a este lugar! Eu conheço alguns funcionários, aqui existe um ótimo serviço de stream que funciona como uma espécie de cinema particular, com sala, pipocas e até poltronas reclináveis! Osamu-niisan e eu vínhamos sempre pois aqui sempre houve os melhores filmes de terror considerados como "B" pela crítica, pérolas intocadas pelo tempo e brilhantes, imaculados pela hipocrisia do mainstream. Como eu disse, temos apenas de descobrir "o nome dela"... — Brincou Ken, assustando Miyako enquanto apontava para o catálogo de stream da loja. A referência se completou quando a blogueira passou os olhos por "Her Name Is". Descrente, a adolescente riu.

— Este filme é super antigo, não há um jovem em Tóquio que já não tenha assistido, pelo amor do Kami! Eu estava no primário quando o vi pela primeira vez, faça-me o favor Ken-chan, tá mais batido que a onda do Meef nas américas…

— Vamos estar perdendo nossa próxima pista… — Ken cantarolou, chantageando Miyako. Hawkmon se divertia com as expressões desaprovadas da parceira enquanto Wormmon comemorava com seu parceiro, já que também curtia filmes independentes de terror e ficção. Porém teriam de esperar um pouco mais, a loja estava com dificuldade em seu serviço de stream e teriam de retornar dentro de algumas horas.

Se de fato já estavam dentro daquele mundo de variedades, por que tornar a espera menos divertida? Os dois amigos não desperdiçaram a chance de aproveitar cada minuto em tudo o que podiam curtir. Corridas de Kart, um ótimo lanche com vista para um dos maiores arranha-céus de Tóquio, o Sunshine 60, interação holográfica com personagens como Hatsune Miku, Sakuya Izayoi e outras pelos corredores da sessão Pop Vocaloid, batalha musical nas lojas gamers e o indispensável karaokê tradicionalista onde puderam cantar "Kanpai", antigo hit do emblemático Tsuyoshi Nagabuchi.
Muitas horas se passaram até o esplêndido pôr do sol chegar e alertar que estavam a se atrasar para pegar a próxima pista. Ken correu para comprar os ingressos e escolher o filme em questão, preparando-se para entrar com Miyako e seus digimon na confortável sala de cinema disponível no Kaizotopia. Miyako suspirou ao notar que apenas eles estavam presentes na imensidão de poltronas rubras, frente ao telão 3D.

— Eu te falei, quem mais além de nós, loucos, vai assistir pela milésima vez esta pérola? Espero pelo menos uma pipoca decente!

— Não seja má, Miyako-san, temos de reconhecer que esta diretora, LuShinoue, fez um ótimo trabalho nesse filme e…

— Com licença… — Interrompeu um dos funcionários, alvoroçado, trazendo as pipocas e refrigerantes solicitados por Ken na entrada, desviando da peraltice de Hawkmon e Wormmon que o puxavam. Atencioso, entregou o lanche para os quatro, despedindo-se em seguida. — Sou Felipe Fukuro e qualquer coisa que precisarem, por favor chamem…

— Sinceramente, vocês dois… — Balbuciou Miyako ao repreender os digimon pelo mau comportamento. Toda aquela aventura estava deixando-os elétricos demais e Hawkmon era de fato um exemplo não tão bom para o ingênuo Wormmon que cedia às suas malandragens. — Preferiam estar em casa?

— Pessoal, vai começar… — Ralhou Ken, impaciente pela bagunça.

Logo o filme se iniciou. "Her Name Is" era um longa-metragem escrito e dirigido por uma misteriosa artista conhecida por LuShinoue e estrelado por Ben Michiyoshi e Shinoue Kiyako, no início de suas respectivas carreiras. O filme recontava uma antiga lenda urbana japonesa sobre um demônio florestal que atraiu o amor de um jovem rapaz desde sua infância e que ambientava drama, amor, doçura, violência e morte no que era um marco para o cinema indie da época e fora proibido para menores de 18. Por ter sido uma obra muito popular, muitas crianças fugiam no horário letivo para assistir e tornou-se um filme clássico e lendário, pois criou-se uma fictícia maldição sobre aqueles que o assistiam abaixo de sua faixa etária. Muitos diziam que o demônio do longa assombrava os banheiros femininos de escolas assim como a lenda de Hanako, porém pela grotesca e monstruosa forma como foi apresentado, o impacto visual garantia sempre bons pesadelos noturnos. Com o tempo, o governo tentou tachar o filme como impróprio por apresentar "apologia" à abuso de menores, o que o fez desaparecer por longos anos das vídeo locadoras… Até o surgimento da Internet Ilimitada e seus recursos infinitos. A verdade era que Her Name Is era uma obra hereditária e passada de geração para geração em um tempo em que terror era sinônimo do mais puro medo.

Miyako resolveu se entregar novamente àquela experiência, parar de implicar e abrir a mente para mais perspectivas. Para novos olhares. Ken estava certo, a arte sempre se reinventava. Deixou-se ser surpreendida pela trama como se fosse a primeira vez, sem julgamentos ou preconceitos, sem opinião formada, sem precisar de lógica alguma. A falha da lógica era esta: desmistificar o mito. Tirar a magia. Tornar o incrível… Comum. Matar a emoção. Como gostava de acreditar que o demônio do filme assombrava sua antiga escola, de que Ben Michiyoshi era um galã, de que o amor era puro e imutável. A lógica fazia o tempo acelerar e ela não queria perder o melhor, aquele pedaço de felicidade que lhe pertencia.

Olhou de canto para seu amigo e esboçou um discreto sorriso. Ele se mantinha vidrado nas cenas mais tensas e naquele utópico romance. Estava aliviada de tê-lo ali consigo, naquela jornada, não poderia haver companhia melhor além de seu Hawkmon. Ken era inteligente, ativo, conseguia perceber cada nuance e tinha sim seu charme único, além de que estava com saudades dele. Seu estágio na polícia havia afastado-o muito dela e depois da morte de Osamu, Ken se fechou demais para o mundo exterior. Como queria ajudá-lo, passar mais tempo com ele, participar mais de sua vida. Miyako sentiu o repentino toque em sua mão e notou que o rapaz transbordava de emoção, inconscientemente apertando forte seu dedos. Um arrepio desceu-lhe fulminante pela espinha. Sua mão era quente, cheia de vigor, dotada de um poder único e que a fez tremer por um instante. Riu confusa ao lembrar de tudo o que tinham experimentado até agora e o quão íntimos tinham novamente se tornado.

A sessão acabou e o funcionário Fukuro trouxe outro pacote para Miyako, desta vez um pouco maior que os outros dois anteriores. Agradecendo pela atenção e preferência, o atendente saiu, deixando a blogueira intrigada. Ken riu ao ver que a jovem não reprovou de início o embrulho como já fizera antes, sinal de que estava se deixando levar para o resultado final daquilo tudo e curiosos, tanto o garoto quanto os digimon pularam para conferir a próxima peça enviada para Miyako.
A blogueira soltou um leve suspiro… Mas não deixou de gargalhar em seguida ao retirar o conteúdo. Aquilo estava ficando cada vez melhor. Uma calça de tom escuro para o acinzentado, um pouco folgada e terminada numa rente bainha até as canelas, adornada por alguns bolsos traseiros e um cós alto e alinhado, bem trabalhado em finos relevos acima de sua cintura. Das três peças até o momento, era a menos cafona, remetendo à moda urbana mais atual. Enfim, era a hora da próxima e última pista contida no bilhete.

"...A lua lembra de Kaguya-Sama, ela o lembrará para você, no ponto mais alto é onde o fim irá suceder, sua nova etapa dependerá de você…"

✿*:・゚゚・:*✿✿*:・゚゚・:*✿

— Vou te dizer, não me divertia assim há tempos… — Disparou Ken, alegre.— Bom, foi bem melhor do que passar a tarde inteira a queimar neurônios dentro de casa… — Sorriu Miyako, reflexiva. — E estamos indo para nossa próxima pista, provavelmente a última certo?

— Creio que sim, afinal a falha no serviço de internet do Kaizotopia nos deixou empenhados até este horário, indicando que para seguir esta pista teríamos que esperar até o anoitecer.

— Me diga, como iremos ver a lua? E sobre a lenda de Kaguya Hime, o que tem a ver fora o fato de estar relacionado à lua?

— Do ponto mais alto, é o que diz o bilhete. Não há dúvidas de que seja no terraço do Shopping. — Concluiu Ken, suspirando ao ver a correria dos sempre elétricos Wormmon e Hawkmon à frente, subindo as escadas apressados.
— É impressão minha ou você tá de comuna com essas pistas? — Gargalhou a blogueira. — Como sabe onde devemos seguir?

— Meu trabalho é deduzir lógicas, minha cara, e ser rápido nisso é fundamental! — Piscou o rapaz, bagunçando as madeixas da amiga. — Agora essa da Kaguya me pegou, não faço ideia alguma…

Não demoraram a alcançarem o terraço, animados. As luzes dos postes clareavam sutilmente a extensa área já banhada pela lua, num belo contraste alvo. O terraço do Sunshine era restrito apenas ao público adulto por conter uma programação mais romântica e pacífica em contraparte ao fervoroso centro de compras abaixo, logo Miyako e Ken tiveram de mentir sobre seus parceiros digimon, fingindo serem pelúcias. Uma técnica manjada por Hawkmon que ele apelidou de "Xtreme Kawaii Desu Attack", onde esboçava uma careta fofa e que quase sempre dava certo com crianças e garotas… Mas a competição com Wormmon era injusta, a larva era o próprio sinônimo de fofura.

Foram recepcionados por um funcionário do Shopping e guiados para um local afastado da área central dos cafés. Depararam-se com um pequeno e magnífico jardim limitado ao acesso do público, cercado por telas aramadas e um largo portão de ferro. O local era lindo e inspirador, cercado por diversas flores nativas do país, muitas desconhecidas e coloridas, árvores tradicionais e ao longe, uma pequena floresta de bambus. Um chafariz desaguava por perto e os sons externos eram inaudiveis.

O funcionário os levou até um senhor de idade que aparentava ser o cuidador daquele viridário, um idoso calvo e sorridente que estava a plantar mudas em um canteiro. Sujo de terra e um pouco lento, cumprimentou honroso os jovens com uma reverência.

— Olá crianças, me chamo Hanefumi e sou um antigo funcionário do Sunshine… — Tossiu, provavelmente pelo excesso de poeira em seu macacão. Preocupado, Ken acudiu o velho, que de imediato foi impedido pelo próprio. — Oh, está tudo bem meu jovem, este velho aqui já está habituado, sabe como é, não há lugar algum que me complete mais do que aqui. Cinquenta anos de serviços prestados, a vida já é outra! Devem estar curiosos do motivo de terem sido guiados até mim, certo?

— Se houver mais algum mistério, eu juro que largo meu blog para vender Tofu no mercado público! — Bufou Miyako, sonora. — O senhor está por trás de tudo isso, não é? Está pelo menos ligado à isso…

— De forma alguma… — Riu Hanefumi, divertido. — Sou apenas um conhecido de quem está nos bastidores dessa brincadeira. Você é a blogueira Inoue Miyako, minha neta é uma grande fã sua, mas pelo que soube você foi escolhida para participar de uma proposta oferecida por alguém muito maior do que você nesse ramo…

— Então fui escolhida por uma estilista famosa? Uma editora de renome? Uma dona de franquia influente? — Miyako não escondeu seu ânimo, afoita pela descoberta.

— Por que não descobre por si mesma? — Ofereceu Hanefumi, enigmático enquanto lhe estendeu uma tesoura de poda, longa e afiada. — Estas mãos são boas para o corte? Vai precisar de vigor!

— Mas o que é isso? — Indagou Miyako, assustada.

— Não é óbvio? — Sorriu o idoso, paciente. — Como pretende encontrar Kaguya Hime sem uma boa tesoura de jardinagem? Os bambus estão logo adiante e eu não demoraria se fosse você!

— Miyako-san, é claro! — Concluiu Ken, aflito. — A lenda de Kaguya, do cortador de bambus!

— Então temos de achar o talo de bambu brilhante, será ele que retém a última peça! — Miyako vibrou, ansiosa.

— Há apenas uma condição! — Advertiu Hanefumi ao barrar Ken e os Digimon. — Deve adentrar sozinha na floresta e tem apenas 10 minutos para encontrar o talo certo, todos estão equipados para acenderem aleatórios e terá de cortar uma quantidade limitada de 5 talos no máximo para encontrar o seu. Para descobrir o verdadeiro, deve encontrar o único solitário banhado pela lua dentre todos à sua volta. Fique atenta!

— Estamos torcendo por você, Miyako-san! — Apoiou Ken, solidário a passar confiança.

— MOSTRE COMO SE FAZ, GATA! — Agitou Hawkmon, alarmante.

— Boa sorte! — Piscou Wormmon.

— Valeu turma… — Esboçou a blogueira, não escondendo sua preocupação. Agora era diferente. Estaria por si só e dependeria de seu raciocínio e resolução para encontrar a última peça. Sem a inteligência e dedução do amigo, o jeito era manter a calma e se concentrar. Apanhou a tesoura das mãos de Hanefumi e lançou um último olhar para seu grupo, positiva. Não os desapontaria. Daria o seu melhor. Adentrou a escuridão noturna da floresta alta, entre os longos talos.

— Depois dela, posso ir também? — Disparou Hawkmon para Hanefumi, animado.

신◈기◈今天◈° ×★× °◈동방◈기◈天

Não era profundamente corajosa. Nem muito covarde. A verdade era mais do que isso e ali, entre os balançantes e sonoros bambus, ela tinha essa confirmação. Sentia-se perdida não apenas no breu, mas também em si mesma.

Afinal… Estava mesmo a revolucionar através de seu blog? O "No Way Nadeshiko" ultimamente levantava muito mais a bandeira do empoderamento feminino através da moda do que de fato lançar algo novo. Ganhava seguidores e patrocinadores, reconhecimento e admiração… Mas tinha de admitir que estava a faturar em cima de sensacionalismos e da contenda pública com Tachikawa. Se tornou aclamada, mas sentia ter perdido a paixão genuína pela moda, o amor, a vontade de fazer o bem através de seu conteúdo. Estava irreconhecível para a pessoa que menos esperava: ela mesma!

O que mais ansiava era redescobrir o amor pela sua arte. Era por isso que havia mergulhado de cabeça naquela aventura. Sua esperança era de voltar às raízes depois daquela última conquista. Tudo até ali valeu a pena e o que mais lhe preenchia era o retorno de Ken, ele estava a fazê-la muito bem e sentia-se à vontade com o amigo, o velho elo foi novamente firmado. Aquela simplicidade lhe fez tanta falta… Em que momento de sua vida perdeu o rumo? A sonhadora Miyako ainda morava dentro de si ou foi soterrada pelo excessivo glamour dos holofotes?

Foi despertada de seus sentimentos ao perceber os primeiros talos clarearem, luminosos como lâmpadas de Led. Como Hanefumi apontou, notou que cinco, seis ao seu redor acenderam aleatórios, sem padrão algum. Precisava se focar! Olhou no relógio de pulso, restavam oito minutos. Se pôs a procurar pelo talo isolado dos demais enquanto desbravava a imersão de bambus. Estava chegando numa parte iluminada pela lua, fora do escuro.

Mais talos reluziram, repentinos. À luz da lua, Miyako experimentou cortar o primeiro e com certa dificuldade, arrancou logo o que estava à sua frente. Bufou, frustrada. Estava vazio, oco, apenas em seiva. Restavam somente quatro talos permitidos ao corte e sete minutos restantes.

— Tá de brincadeira, é o talo mais exposto à lua! — Protestou para si, nervosa.Adentrou ainda mais a floresta, cautelosa. Mais talos brilharam em diversas direções. Porém todos pareciam iguais ao seu olhar aguçado. Ao longe, uma intensa nesga de luz lunar penetrava sobre mais bambus e um em respectivo acendeu, solitário. Afoita, correu para cortar o indicado. Mais um furo, não era o bambu certo. Massageou as têmporas enquanto conferia o relógio. Cinco minutos!

Percebeu que deveria procurar em áreas menos verdes e de mato raso. Se Ken estivesse ao seu lado, sem dúvida seria muito mais fácil, mas aquele era o seu desafio e quem lhe propôs desejava vê-la se virar, sair bem diante de um teste. No fundo era algo que ela temia demais, agir sozinha e ser julgada. Mas era o momento de engolir seus receios.

Mais um talo errado e já se foram 3, podia cortar mais dois restantes com 3 minutos de tempo. Disparou por entre os bambus à procura de uma clareira mais próxima e encontrou uma entre alguns arbustos. Despercebida, cortou outro aleatório e lançou a tesoura ao solo, irritada. 2 minutos!

— KAMI-SAMA, ME DÊ UMA LUUUUZ!!!

Mais bambus reluziram ao seu redor, diversos. Suspirou, precisava se concentrar e manter o foco enquanto buscava confiança. Tinha de enxergar além do óbvio e estava a duvidar das palavras de Hanefumi. Algo ali tinha de estar subliminar e além das aparências. Com um minuto restando, apostou em sua intuição. Intuição que não utilizava há tempos desde quando lançava looks apenas pela sorte, pela diversão de brincar com o destino e se desligar de futuras reações, do que era cafona ao luxo, pesado ao leve, ostensivo ao puro. Do sintético ao humano. Ela nunca mais se permitiu falhar, errar, deixar de ser perfeita, procurar aprender e acima de tudo… Ser feliz. Miyako virou uma escrava da moda.

Ao longe, notou o talo mais baixo e afastado, porém não acendia como todos os outros. Era ligeiramente mais grosso e curto, iluminado pela lua mas cercado por uma luminescente clareira. Não podia ser… Como também podia! Juntou a tesoura do solo e respirou fundo enquanto corria decidida pelo bosque. Uniformes, os bambus ao seu redor acenderam, mas seu coração ignorou e focou somente naquele talo isolado dos demais.

30 segundos!

Alcançou a clareira e se pôs a cortar afoita e desajeitada o bambu. A tesoura já estava cega de suas lâminas e teve certa dificuldade em cortar a grossa camada. 15 segundos! Miyako clamava internamente, suplicante. Suando litros de desespero, suas mãos já apresentavam calos de cansaço e a pressa a fazia esquecer da incômoda dor. 10 segundos! Kami-Sama, não iria dar tempo!
9, 8, 7, 6, 5, 4, 3, 2… 1…

O talo a estalar com o corte balançou, ecoando entre a relva. Desabou para trás. Miyako venceu seu teste!

— KYAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHH!!!

°×°×°×°×°×°×°×°×°×°×°×°

Estava feliz, realizada. Riu como uma criança e incrédula por estar a comemorar algo tão incomum e pequeno, mas altamente simbólico para si. Voltando sua atenção ao talo cortado, percebeu que em seu interior oco havia um fino e longo embrulho, envolto em um tecido de seda grosso. Era a última peça do enigma! Ávida, puxou o conteúdo e começou a desembrulhar o pacote, afoita. Dessa vez ela não desdenhou o item, o gosto da vitória era tão gratificante que qualquer peça cafona significaria ouro para ela.

O presente a fez arregalar o olhar. Um fino e branco cinto de couro leve, com uma singela e discreta fivela dourada. De todas as peças até ali, aquela foi a que mais lhe impressionou. Reparou que havia um cartão atado ao cinto. Curiosa, retirou e abriu o bilhete, admirando uma bela escrita em seu interior. Leu, compenetrada.

"Olá Miyako-chan, se encontrou este cartão e está a ler minhas palavras, então eu tenho que parabenizá-la pela conquista e êxito neste teste. De coração, espero que tenha ao menos se divertido. Este look que você foi encontrando através das pistas, peça por peça, foi originalmente criado por mim em 2002 para um desfile de tendências do Tamashi Model Week de Shibuya naquele ano. Você provavelmente não se lembrará disso, era muito pequena na época, mas foi o look campeão dentre todos os estilistas por conter o que naquele tempo foi chamado de “a verdadeira aura fashion”, algo raro que somente as estilistas mais inteligentes e sensitivas conseguem despertar de tempos em tempos.

Lembro-me bem de ter despertado minha aura durante o desfile, atraindo e fascinando seguidores, jornalistas, modelos, donos de franquias e grandes nomes da moda oriental, bem como para minha pequena e modesta coleção caseira de roupas quando estagiava para uma revista no meu colegial. Este look teve o poder e capacidade de bater kimonos de verão, vestidos de meia estação com babados, chemises de cintura fina e o consagrado jeans de estampas, uma moda difícil de superar naquele ano. Com este look, consegui deslanchar e com o prêmio do Tamashi expandi minha coleção de moda para o que ela é hoje, os kimonos mais belos e ousados de todo o oriente. Ele passou guardado por anos em meu armário para que eu pudesse decidir a quem deveria passá-lo, qual seria sua próxima merecedora, até eu conhecer mais do seu trabalho através do seu blog.

Inoue Miyako, estudei um pouco da sua trajetória até os dias de hoje, de uma simples blogueira adolescente para alguém que se tornou capaz de bater de frente com Mimi Tachikawa, e constatei que você tem o que é necessário para herdar a verdadeira aura fashion… mas para receber este presente, peço de coração que não se deixe contaminar pelo que o mercado da moda se tornou hoje, um grande monopólio desleal e venenoso. Lembre-se, a verdadeira aura fashion só é despertada quando o coração está em paz com o look, quando você realmente entende o que é a moda.

Prove para si mesma que é capaz de abalar este mundo sem perder sua preciosa essência!

Atenciosamente

Sora Takenouchi”

— S-Sora Takenouchi? A principal designer e estilista de kimonos de todo o Japão? — Balbuciou para si própria, descrente. Parecia mentira! Mais do que isto, parecia um sonho! Sora Takenouchi era uma de suas inspirações e referências, uma de suas metas e aspirações, um objetivo e um espelho. Seu coração bateu forte e por um instinto, abraçou o cartão contra seu peito, soluçante.

— NÃO VOU TE DECEPCIONAR, SORA-SAMA! — Bradou Miyako, emocionada.

★。+゚☆゚+。★_-_★。+゚☆゚+。★

Naqueles dias seguintes ao divertido teste proposto por Sora Takenouchi, Inoue Miyako recuperou sua essência de menina, de mulher livre, de sonhadora e principalmente… De humana. O look que lhe foi predestinado havia despertado sua verdadeira aura fashion em frente ao espelho de seu closet, uma mágica e misteriosa energia que lhe envolveu por inteira como um imã de cargas positivas, em uma sinergia com seu apaziguado âmago. Sorriu, após um de seus escandalosos e pessoais gritos de contentamento.

O “No Way Nadeshiko” agora foi renomeado para “Miyako Universe”, que agora deixou de levantar a bandeira do empoderamento feminino para erguer a bandeira do “sentir-se bem”, onde Miyako explorava por suas próprias lentes os bastidores desconhecidos da moda japonesa atrás de looks e ideias inspiradoras de estilistas anônimos e sem patrocínio, gente que lutava com seus próprios recursos limitados para fazer e viver do que mais amavam: a moda. Mais do que uma missão de revelar novos talentos, Miyako sabia que deveria passar a verdadeira aura fashion adiante e com muito bom humor, encarava aventuras ao lado de Ken, seu melhor amigo que decidiu largar do estágio na polícia para trabalhar ao lado dela… Aquela que sempre o inspirou.

E que um dia, enfim, soube recompensá-lo muito bem.

Ao lado de Ken, Hawkmon e Wormmon, a vida era muito mais… Única! Nem ela mesma sabia descrever.

“Quando se tem um sonho, vale muito a pena lutar por ele, ao lado de quem se ama. Isto é a vida! Isto é despertar a sua verdadeira aura fashion! Ou qualquer outra bobeira assim, segundo meu parceiro Hawkmon…”



12 de Novembro de 2019 às 02:02 6 Denunciar Insira 4
Fim

Conheça o autor

Inoue Mukuro Somos poetas, artistas, autores, desenhistas, loucos. Um pouco de todo o absurdo possível, a pólvora e o pavio para a combustão. Lu Inoue e Felipe Mukuro lhes dão as boas-vindas ao mundo de ilusões e fantasias. Entre por sua conta em risco...

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Gabriel Motomiya Gabriel Motomiya
Cara que história sensacional foi essa 😍😍😍. Você explorou perfeitamente cada ponto do enredo, sem pontas soltas, envolvente, cheio de referências, sem perder o toque de aventura, cara, perfeito. Começo, meio e um sensacional final. Na minha humilde opinião, você consegui algo que os roteiristas de séries de aventura/suspense (alô riverdaile) não tem tanto êxito, que é manter o espectador/leitor preso na história, curioso e se sentindo um personagem. Sensacional E serio, eu vibrei em cada umas das claras referências a vida da Lu, ou ao seu estilo, mas minha favorita, sem dúvida foi com "My name hir". Pelo contexto que a Lu escreveu, pela essência dela ali, e por acreditar que é um dos melhores texto que a Lu já escreveu. Adorei de mais a referência E claro, o desenvolvimento dos digimons, projcipaemte do Hawkmon está delicio. Gostei de deixar ele com pré adolescente arteiro 😂 😂 😂 Felipe, arrebentou cara, muito bom Forte abraço Gabriel S
Aniram Sairaf Aniram Sairaf
Kami é difícil não amar ainda mais com esse casal tão lindo que é Keyako, ❤❤amei a Miyako toda antenada nas últimas tendências, e concorrente da Mimi… Nossa concorrência forte! O Hawkmon como parceiro deve ser muito divertido, pois ele aguenta todos os dramas e tenta tudo para fazer a Miyako ficar feliz, moda não deve ser muito o forte dele, o videogame parece a melhor escolha.😅 E falando em parceiro que amooooor, o Wormmon é um doce e nossa um digimon Otaku, imagina quanto o Ken gasta com ele, eu sempre digo que os digiescolhido treinam para ser pais. A noite deles foi cheia de mistérios e diversões, pistas e um bom jogo lógico para exercitar a mente. As referências foram as melhores, eu também leria Immoral Lovers se fosse lançado o livro, assistiria Her name is As vezes nossas vidas, planos pode mudar de uma hora pra outra e de verdade eu amei esse final dele largando o estágio na policia e ajudando ela. A Lu merece todas as homenagens, eu amei demais gato ficou incrível ❤❤❤❤❤❤❤❤❤❤❤❤❤❤❤❤❤❤❤❤❤❤❤❤❤❤❤❤❤❤❤❤❤❤❤❤❤

  • Inoue Mukuro Inoue Mukuro
    Sim flor, inclusive essa foi minha primeira tentativa de escrever algo sobre esse shipp tão diferente e subestimado, o que é uma pena e que vocês tão bem sabem da situação. Foi um presente pra nossa Lu, e acaba que também é um pouco para nós como fãs de kenyako. Concorrência pesada, Mimi é osso duro de roer e aquele jeito pomposo e meigo engana hein kkkk apesar de eu nunca entender que alguns não curtem mesmo essa vibe dela de ser patricinha e estar na moda, o que é a essência, a alma da personagem. Kkkkk bora pros games Hawkmon, moda não é pra nós amigo! E mesmo assim ele se esforça, mesmo não sabendo muito, porque parceiro é pra todos os momentos e achei legal essa sua analogia a digiescolhidos serem como pais, eu realmente sinto isso também sobre como é a relação de amizade e apoio entre os dois, muito parecido como em Pokémon onde o bichinho de fato depende de você como a um filhote mesmo, mesmo evoluídos. Wormmon já é a fofura em pessoa, otaku ainda por cima? Kkkk o kokoro não suporta isso e aposto que o mundo nerd da larva não é barata para Ken. Foi uma delícia essa brincadeira de pistas e através dela explorar o amor, a determinação e renovação, a lição de que nunca é tarde pra se reinventar e voltar às raízes, voltar para sua essência e rir como bobos de novo, sem se preocupar com olhares alheios. Ken a largar a polícia para se aventurar com sua amada foi especial. Muito obrigado gata, valeu pela presença, comentário e carinho dedicado, beijos! 3 weeks ago
Lu Inoue Lu Inoue
Ah eu fui para o docs pra fazer um texto decente de agradecimento. Meu Kami sama, primeiro vc me deixou sem chão com a malvada pegadinha da conta ter sido invadida, pensei mil coisas, que aqui nada nosso estava seguro, até desisti de escrever, mano eu tive um surto total, dai vim conferir e dou de cara com essa belezura. Esse universo semi alternativo ficou delicioso demais, apaixonei muito. A Miyako esta tão ela, sabe? E essa visão de alguém que PODE SER INTELIGENTE E GOSTAR DE MODA é tão maravilhosa, real e recusada pela massa que força que ce tu é inteligente tem que ser baranga com mal gosto, o cara tem que ter um guarda roupas piada como o do Koushiro no Tri. Apresentou uma nova cara. Essa relação com Hawkmon MANOOOOOOOOOOOOOOOOOO é tão eles, amigos, irmãos e as vezes até algo meio materno com uma intimidade e parceria muito gostosa. O desespero dela com seu momento de “queda” e como isso tava fazendo mal. Eu ri com Hawkmoon dando sua visão kkkkkkkkk E o Ken?: Que fofura, ficou tão ele, tímido, formal, mas tudo com mais maturidade mesclado a esse amor secreto que nutria por ela, mas sem deixar de por a amizade na frente e ser um bom incentivador e companheiro de aventuras. Lindo demais! Meu core pirou! E essa caçada pelo estilo ideal, aquele que a salvaria? Nossa que top, ela desdenhando foi demais. MANO E AS PESADAS REFERENCIAS “serio algumas eu chorei de rir, outras me emocionei muito” Vou postar o coment e reler porque neh? Toda jornada foi linda e divertida. Gente Hawkmon querendo ler Immoral Lovers kkkkk NÃOOOOOOOOOOOO KKKKKKKKKK amei demais, ri horrores. O Ken já leu também kkkkkkkk Wormmon é otaku, que fofo! É NOIZZZ Action figure do Kazy e da Lisa, poderia ser verdade, oremos em deus, amém, amém. E esse final GENTE foi lindo! Isso mesmo, não tem que levantar bandeira, só fazer arte com amor. Tão a gente! Mano ‘café amargo, bem amargo, tudo a ver kkk”Her name Is, um filme, ai meu core” eu to morrendo nesse rio de referencia lindas. Obrigada, obrigada mesmoooooooooooooooooo AMEI TUDO TUDO! MEU CARRO DE TELEMENSAGEM ♥
12 de Novembro de 2019 às 12:07

  • Inoue Mukuro Inoue Mukuro
    E só faltou a telemensagem berrenta e escandalosa, com música de bandinha no fundo às três da matina pra te acordar e encrencar com a vizinhança kkk, poxa gata, quem tem que agradecer sou eu, sempre, pela lealdade e amizade, parceria e apoio, essa força que você sempre me deu é de ouro diva! Foi uma delícia mesmo preparar essa surpresa, esse AU onde deu pra brincar e misturar nossos universos e espero ter conseguido passar a sua Miyako tão bem quanto você faz há tempos, na minha opinião ficou um pouco diferente mas como moda é uma coisa cheia de altos e baixos e quem é desse meio é meio doidinho, acho que pelo menos a essência deu pra acertar. A relação com Hawkmon realmente foi fluída, teve uns momentos sacanas kkkk, o lado protetor (porque não tem como não bater o olhos neles nessa forma seichouki e não enxergar crianças) e o elo com Ken tava gostosinho, nada muito explicito mas igualmente apaixonante, com essa vergonha e receios adolescentes de paixão. Kkkk Wormmon otaku foi pra matar do cuore, e olha de quem a larvinha é fã? Dos meus pimpolhos! E o jogo de pistas foi divertido mesmo, transbordando de referências e fatos "históricos" na sua ascensão para a porreta que é hoje e a melhor, claro, é do "café amargo" kkkkk, além de Her Name Is como um filme de terror trash adolescente B. Fiquei satisfeito com o resultado e aliviado que tenha curtido, você merece muito mais e que Kami sama, o universo, o tio Kurumessi, as musas, Arceus e o infinito te deem muito mais e que você continue sendo essa leoa brava e especial! Abração gata! <3 3 weeks ago
Karina Da Silva Ramiro Karina Da Silva Ramiro
Amei Muito a historia sensacional arrasou
11 de Novembro de 2019 às 22:12
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