Contando os Dedos Seguir história

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Bruno Araújo


10 histórias totalmente diferente uma das outras mostrando que o amor pode surgir nos lugares mais óbvios e nos mais esquisitos também.


Romance Todo o público.
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O corredor azul

- Corre! Você vai se atrasar!

- Já tô indo!

Valéria corria pela casa procurando os materiais que espalhou no dia anterior. Naquele mês de novembro, a cabeça dela não residia mais na escola. Mas essa mudança de locais acabou prejudicando a garota. Corria prum lado com livro, pro outro com régua e com sua mãe gritando no seu ouvido pra ela sair de casa. A bagunça do quarto também não ajudava na procura de seus materiais. E a correria dela estava piorando ainda mais as coisas. Depois de todo o material estar arrumado ( pelo menos parcialmente), ela voou porta afora em direção á sua escola. Os buracos da rua da calçada também não ajudaram no fato dela tentar chegar á tempo na escola. " Por que eu ainda não comprei uma bicicleta?", ela pensava. Mas não havia tempo para reclamações. Não podia chegar atrasada, se não estaria verdadeiramente encrencada. Corria e pulava na calçada, quase tropeçando 4 vezes. Muita coisa naquela correria de antes tinha sido esquecida, como escovar os dentes e arrumar o cabelo. Aquela juba de leão bêbado não ajudaria á ganhar pontos de popularidade na escola, algo de que realmente precisava. Mas naquele momento o cabelo era um problema para ser resolvido mais tarde.

Depois de tamanha correria, enfim ela chegou na porta de sua escola. Com roupa suada, cabelo bagunçado e meio fedida, mas tinha chegado. Entrou devagar na escola, esperando poder sentar pelo menos um pouco para descansar as pernas, mas como sempre, estava enganada. O barulho do sinal ecoou em seus ouvidos e mais do que automaticamente subiu as escadas rezando para o professor não ter chegado. Correu pelo corredor azul onde ficava sua sala até chegar na porta do 9 ano. Entrou e pela sua sorte, a aula ainda não tinha começado. Se jogou na sua carteira, quase fazendo ela virar. Enfim pode descansar da maratona que havia sido aqueles minutos anteriores. O professor de inglês então entrou na sala, com aquele andar que faz eco que todos da escola tinham medo. Sem dizer nenhuma palavra, a sala instantaneamente se calou, porque ninguém queria saber o que ele faria se alguém o atrapalhasse. Depois de um tempo de aula, Anna, sua melhor amiga, cutucou o ombro de Valéria para poder iniciar uma conversa. Valéria, com receio de que o professor percebesse, ignorou o pedido. Anna continuou insistindo, e até jogou uma bola de papel em Valéria, mas mesmo assim, ela não teve sucesso. No final da aula, quando ocorria a troca dos professores, Anna quase que se jogou em cima de Valéria para dizer:

- Você tem alguma doença que não permite você perceber que alguém inconstou em você ou aquilo era só ignorância?

- A segunda opção é a correta. Mas eu tenho os meus motivos! Você que puxar papo justo na aula do Drácula? Eu acho que você é que tem algum problema.

- Mas eu fiz isso porque eu tenho um papo urgente no momento! Você nem vai conseguir adivinhar!

- Hum.... Deixa eu pensar. Ah! Já sei! Conheceu outro cara, né?

- Melhor do que isso! EU. TENHO. UM. ENCONTRO!!!

A empolgação de Anna chegava a contagiar, mas Valéria ainda estava se recuperando do grito que Anna tinha dado.

- Imagina só! Um cara sortudo vai ter a honra de sair comigo, só que ele é MUITO melhor do que o de semana passada.

Anna era o tipo de garota que entra em relacionamentos rápido demais. Ter um encontro pode até parecer uma boa ocasião, só que Anna arranjava um quase toda semana, então aquela notícia já era normal para Valéria.

- Felicidades pra você, minha amiga. Só que eu ainda acho que...

- Acha que eu entro nesses relacionamentos rápido demais e blá, blá, blá- Disse Anna cortando ao meio a frase de Valéria.

- Só acho que você podia conhecer melhor a pessoa em vez de se jogar nos braços dela imaginando um " felizes para sempre".

- Amiga, você se preocupa demais! Eu sei me cuidar muito bem sozinha. Além do mais, você que devia se cuidar. Não se lembra do...

- NEM OUSE FALAR ESSE NOME ANNABELLE!

Annabelle era o verdadeiro nome de Anna, só que ela não gostava do seu nome original. Normalmente o " Annabelle" só era dito quando a amiga irritava as outras.

- Eita! Se controla sua louca! É claro que eu não ia lembrar daquele cara.

- Eu espero mesmo que não se lembre! Mas voltando pra você, tem certeza absoluta que quer ir nesse encontro?

- É claro que eu quero ir ,Val! (apelido de Valéria) Senão eu não tinha marcado, né?

- Tá bom. Mas a minha opinião já está dada.

- Aff, já entendi! Mas agora falaremos de você. Teve outra maratona para chegar na escola não é? A sua testa brilhando te entrega facilmente.

- Nem me fale! É um saco ter que fazer esse trajeto todo santo dia.

- Ah, mas também a culpa é sua! Ninguém mandou não arrumar suas coisas ontem, né?

- É. Eu sei. Mas não preciso de um sermão já que minha mãe já vai me dar um assim que eu por os pés em casa.

- Tá bom. Então vamos deixar sua rotina de exercícios de lado e falar de algo importante: O BAILE DE FORMATURA!!!

- Pelo amor de Deus, Anna! Para de gritar!

- Que foi? Não posso mais me alegrar não?

- Poder, pode. Só que o seu "alegrar" tá mais pra um escândalo de que o mundo vai acabar!

- Tá ,tá ,tá. Mas voltando ao baile, você já decidiu o que vai vestir, ou melhor ainda, já decidiu o seu PAR?

- Ah, sei lá. Tanto faz pra mim.

- O QUÊ? Eu não vendi brigadeiro quase todo dia para poder ir ao baile sem minha amiga! Tanto faz é o caramba! Você VAI pra esse baile nem que esteja vestida de saco de lixo!

- Tá bom! Tá bom! Se acalma garota! Eu vou ver uma roupa e TALVEZ eu procure um par.

- Acho bom!

Então a conversa foi interrompida pela professora de química que entrou na sala. Mas antes de ir pro seu lugar, Anna falou:

- Me promete que vai ver uma roupa tá? E me manda foto!

- Ok, eu prometo.

Anna então, radiante como sempre, foi saltitando até chegar no seu lugar. Valéria ria das atitudes de Anna, mas percebia que tinha sorte de ter uma amiga como ela.


3 de Novembro de 2019 às 14:35 0 Denunciar Insira 0
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