S06#19 - MAN SATANAXIA - PARTE II Seguir história

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Mulder negociará com o demônio? Krycek trairá ou não a confiança de Mulder? Pode Scully resistir ao que lhe aflige? Ou o amor dos dois é mais forte do que tudo?


Fanfiction Seriados/Doramas/Novelas Para maiores de 18 apenas.

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S06#18 - MAN SATANAXIA - PARTE II

(A Mão do Demônio)


📷



INTRODUÇÃO AO EPISÓDIO:

Fade in.

No hospital psiquiátrico, Scully numa camisa de força, sentada ao chão do quarto branco de paredes revestidas. Olhar perdido em lembranças dolorosas.

SCULLY (OFF): - (GRITA) Eu tenho nojo de você, Mulder! Ódio, raiva, eu desprezo você! Nunca mais toque em mim, nunca mais fale meu nome!

MULDER (OFF): - (CHORANDO) Scully... Não me despreza assim, eu não mereço isso. Eu sou um ser humano...

SCULLY (OFF): - (RI) Ser humano? Não, Mulder. Você não é um ser humano. Se o fosse, eu ainda teria alguma consideração a um semelhante da minha espécie. Mas você só é metade de um ser humano. (DEBOCHADA) O resto vem do céu. Essa é a diferença entre nós dois.

Scully, ainda de olhos parados, deixa cair uma lágrima.

MULDER (OFF): - Você não pode abandonar nossa filha desse jeito!

SCULLY (OFF): - (GRITA) Sua filha! Essa coisa aí não é minha filha! É sua! Eu só tenho um filho, que você tirou de mim!

Scully fecha os olhos, batendo a cabeça contra a parede, ainda recordando as duras palavras que dissera enquanto estava fora de si.

SCULLY (OFF): - (GRITA) Ela não é minha filha! É outro híbrido bastardo como você! Eu não sou mãe dela! Não sou! Não é minha filha! É uma anomalia genética! Uma bastarda! Ela não é humana, é uma abominação da natureza!

CANCEROSO (OFF): - Nunca se perguntou por que justamente você foi parar nos Arquivos X?

Scully solta um grito de desespero.

Fade to black.

VINHETA DE ABERTURA: OMNIA VINCIT AMOR*

*O amor vence todas as coisas.



BLOCO 1:

Fade up.

Mulder olha pra ele, receoso. The Gold Coin ergue a mão com o anel. Olha pra mão. Olha pra Mulder.

THE GOLD COIN: - Vamos negociar. Um estalo de dedos e Dana será sua. Então? O que decide? Lembre-se, eu não sou o que pensa. Eu posso dar a você tudo o que desejar. Nada lhe faltará e será feliz com ela. Apenas me diga sim. Me diga sim e terá Dana. O que diz, Fox Mulder? Sim ou não?

Mulder fecha os olhos, angustiado. The Gold Coin o observa com o olhar de quem aguarda a resposta. Mulder olha pra mão dele.

MULDER: - ...

THE GOLD COIN: - (NUM SORRISO/ AGUARDANDO A RESPOSTA)

MULDER: - ... Não.

The Gold Coin dá um olhar incrédulo. Mulder olha nos olhos dele e começa a rir, insanamente. Coin o observa, sem entender.

MULDER: - (RINDO) Enganou Eva assim? Judas? Quantos mais da história humana você enganou assim? Acha que eu sou tolo?

THE GOLD COIN: - Acha que estou mentindo? Acha que não a darei a você?

MULDER: - Claro que você me entregará Scully. Isso é certo. Mas como você pode me dar algo que já me pertence? Não pode.

THE GOLD COIN: - (AMASSANDO OS DEDOS COM ÓDIO) ... Tanto vai a raposa ao moinho, que um dia deixa o focinho... Subestimei sua inteligência, Fox Mulder. A escolha foi sua. Aceite as consequências.

Coin afasta-se, sumindo no canto escuro da sala, como se entrasse numa dimensão paralela. Mulder começa a rir e chorar de medo.

MULDER: - (RINDO/ CHORANDO) Eu pensei com o coração... Eu pensei com o coração...


Hospital Psiquiátrico de Maryland – 4:19 A.M.

Krycek anda de um lado pra outro. Ellen sentada no banco, cochilando, com a cabeça no ombro de Skinner, que está com o braço envolto nela.

SKINNER: - Mulder não disse aonde ia?

KRYCEK: -Estou com um péssimo pressentimento. Ele foi atrás do Moedinha. E foi sozinho!

SKINNER: - Você me contou sobre esse tal sujeito da Moeda. Nunca o vi com aqueles homens.

KRYCEK: -O Moedinha está com eles. Nunca apareceu antes, mas existia, porque sei que até Strughold prestava contas pra ele. Nenhuma decisão sai sem a permissão do topo, por isso o Canceroso fazia coisas escondido dos outros para não ser dedurado. O Moedinha está acima deles. Faz parte do topo da pirâmide conspiratória. E sabe quantos mais que nem conhecemos! Por isso a máxima não confie em ninguém.

SKINNER: - Então ele é um homem muito importante.

KRYCEK: - Se ele é um homem. Eu e Mulder estamos duvidando disso.

SKINNER: - Acha que é outro alienígena infiltrado?

KRYCEK: -Não tenho certeza. E não gosto dele.

Mulder se aproxima pelo corredor. Skinner se levanta.

SKINNER: - Aonde estava? Estamos preocupados...

MULDER: - Agradeço a preocupação de vocês, o apoio, mas acho melhor irem pra casa descansar. Eu ficarei aqui com ela.

SKINNER: - Mulder...

MULDER: - (GRITA) Eu ficarei aqui com ela!

Ellen se acorda, assustada. Skinner e Krycek se entreolham. Mulder olha com raiva pra eles. Skinner pega Ellen pela mão e saem pelo corredor. Krycek, irritado, empurra Mulder.

KRYCEK: - O que está havendo com você? Ahn?

Mulder fecha a mão, encarando Krycek.

KRYCEK: - Ah, agora vai voltar ao seu velho esporte favorito do "vou socar Alex Krycek"?

MULDER: - Eu vou ficar aqui com ela, Rato. Sozinho. Quando Scully sair dessa, eu a coloco com uma fita de presente na cabeça, bem na porta da sua casa, com todo o prazer! E faça bom proveito! Vocês dois se merecem!

Skinner que ia caminhando para. Ellen segura Skinner pelo braço. Krycek ofendido dá as costas.

KRYCEK: - Vou embora. Você pirou de vez!

Mulder segue o corredor em direção a ala onde está Scully. Skinner fica olhando pra Mulder.

SKINNER: - O que há com ele?

ELLEN: - Está nervoso, vamos embora. Ele cuidará bem da Dana.

Os três caminham em direção à porta do hospital. Mulder entra pela porta. Os três arregalam os olhos. Mulder entra em pânico ao ver a cara deles.

MULDER: - Aconteceu algo com ela?

KRYCEK: - Não é que...

ELLEN: - (APAVORADA) Você acaba de passar por nós!

Mulder arregala os olhos.

MULDER: - Desgraçado! Não era eu, era o Moedinha!!!

Mulder sai correndo pelo corredor, Krycek vai atrás dele. Skinner puxa a arma. Corre atrás deles. Ellen fica parada sem entender nada.

Corte.


Mulder aproxima-se do quarto de Scully, olhando pela janelinha da porta. Scully sozinha, sentada no chão. Mulder olha pra todos os lados. Krycek e Skinner se aproximam.

KRYCEK: - Quem é ele? Outro Caçador de Recompensas?

MULDER: - Não.

SKINNER: - Mas é um alienígena?

MULDER: - ... Depois eu explico. Vai mexer com a cabeça de vocês.

KRYCEK: - Eu vou por esse lado, Skinner vai pelo outro. Mulder fique aqui com ela.

Eles se separam. Mulder olha pela janela. Fecha os olhos, se concentra.

MULDER (OFF): - Olhos, ouvidos e olfato... Olhos, ouvidos e olfato...

Mulder abre os olhos. Puxa a arma lentamente. Vira-se. The Gold Coin atrás dele, com a forma de Mulder.

THE GOLD COIN: - Eu disse que deveria ter feito o pacto. Está com medo?

Mulder mira a arma nele. The Gold Coin volta a sua forma.

THE GOLD COIN: - Sim, está com medo. Eu sinto o cheiro de medo. Apenas quis lembrá-lo de com quem está lidando. Percebe agora, que não tem saída? Esqueceu-se de que posso ser quem eu quiser? Hum... Até mesmo a babá de sua filha? Não terá mais descanso.

MULDER: - (TENSO/ APONTANDO A ARMA)

THE GOLD COIN: -Acha que isso pode me matar? Mirabile dictu, mirabile visu. Memento, homo, quia pulvis es et in pulverem reverteris*.

*Admirável de se dizer, admirável de se ver. Lembra-te homem que do pó vens e ao pó voltareis.

The Gold Coin dá as costas. Leva a mão ao bolso, retirando a moeda. Sai assoviando e brincando com a moeda entre os dedos. Mulder abaixa a arma, desatinado.


Residência dos Mulder – 7:49 A.M.

Mulder entra correndo em casa. Pega Victoria que estava no chão. Baba arregala os olhos. Ele aperta a filha contra o peito.

MULDER: - Vá embora.

BABA: - O quê?

MULDER: - Ele pode entrar aqui.

BABA: - O Iço?

MULDER: - Ele me disse.

BABA: - Mulder, ele pode entrar aqui porque sua mulher deve ter aberto a porta pra ele! Mas isso não significa que ele possa pisar em solo sagrado!

MULDER: - Devo me mudar pra uma igreja pra salvar minha filha?

BABA: - Quer se acalmar? Vai assustar a criança. Me dê ela aqui.

Mulder recua. Acena negativamente com a cabeça.

MULDER: - Como posso saber se você não é ele?

BABA: - (CARA DE DEBOCHE) ...

MULDER: - Ele conhece o íntimo de cada pessoa, pode se passar por qualquer um quando quiser!!!

BABA: - (PUXA O CORDÃO DO PESCOÇO COM UMA CRUZ/ BEIJA-O) Ele faria isso?

MULDER: - (RELAXA) ...

Baba pega Victoria nos braços. Olha pra ela. Olha pra Mulder.

BABA: - Quer saber como pode ter a certeza de que a pessoa não está tocada pela mão do demônio?

MULDER: - Como?

BABA: - Você tem um radarzinho aqui, Fox Mulder. Use-o.

Victoria sorri. Mulder enche os olhos de lágrimas, num alívio completo.

BABA: - Ele não vai entrar aqui. Se entrar, Victoria falará. Sabe que ela falará. Não acredite em tudo o que o demônio diz, Mulder. Ele é esperto, se alimenta do nosso medo e da nossa fraqueza, e mente pra conseguir isso. Precisa ter o coração puro, a consciência limpa, a alma branca. O demônio não é invencível.

MULDER: - Como pode dizer isso?

BABA: - Há um livro na Bíblia, chamado Apocalipse, você sabe disso, então o leia. João é 'levado em sonhos para o céu' e tem a revelação de Deus de que o demônio será apartado da Terra. Se Deus o expurgará e assim está escrito, ele não é invencível. Tudo o que você tem a fazer é proteger sua família. O resto... O resto está escrito e ninguém sabe a hora e nem o dia. E não é problema seu.

Mulder pega Victoria, a abraçando contra o peito. Beija-a nos cabelos.

MULDER: - Ninguém vai tirar você de mim, Pinguinho... (ENCHE OS OLHOS DE LÁGRIMAS) Ninguém.

Victoria se aninha nos braços de Mulder. Mulder olha pra Baba.

MULDER: - Preciso de você. Como nunca precisei antes.

BABA: - A casa está protegida.

MULDER: - Não é a casa. É Scully. Preciso fazer alguma coisa por ela.

BABA: - Ele conseguiu... Percebe que ele afastou vocês todos? Incluindo seus amigos? Pra enfraquece-los e dividi-los? A intenção dele foi essa, para que você corresse de um lado pra outro, se dividindo entre salvar Victoria ou Scully.

MULDER: - (PERDIDO/ DESESPERADO) O que eu faço?

BABA: - (OLHA PRA VICTORIA) O que seu coração manda?


FBI - Gabinete do diretor-assistente Skinner – 9:41 A.M.

Mulder anda pela sala, mãos nos bolsos, nervoso. Skinner sentado na cadeira mordendo o polegar, num semblante de questionamento.

SKINNER: - Eu... Eu nem sei o que dizer. O que acaba de falar, mexe com os poucos conceitos religiosos que eu tinha. Então ele... Mulder, nem sei se acredito e nem no que posso acreditar! Se fosse outra pessoa a me dizer que o diabo é um alienígena e está entre nós eu acho que morreria de rir!

MULDER: - Vou trancar os Arquivos X. Se perguntarem por mim, mandem ligar pro meu celular, estou investigando algum caso. Me dê cobertura, Skinner. Preciso de cobertura. Você não imagina o quanto estou pressionado!

SKINNER: -E Krycek?

MULDER: - Ele está comigo. Temos uma coisa urgente pra resolver juntos.

SKINNER: - Mulder...

MULDER: - Eu sei que não confia nele! Mas eu confio! Krycek também está ferrado com aqueles caras e sofrendo retaliação! Se eu e o Rato não nos unirmos, eles vão pegar as pessoas com as quais nos importamos! Como pegaram a Scully e a ... (SE CALA) ... E poderiam ter pego minha filha!

SKINNER: - Você não vai atrás desses caras sozinho e nem em companhia de Alex Krycek! Vamos colocar o FBI nisso! Se esse Moedinha tem uma imagem pública ele não é intocável!

MULDER: - Acha mesmo, Skinner? Há quantos anos queremos expor gente como o Fumacinha? Nunca conseguimos! Não conseguimos expor humanos, acredita mesmo que vai expor o diabo? Nem a igreja tem tamanha presunção! Acabou, Skinner! Muda o jogo, mudam as regras! Ele é só um maldito alienígena! E aposto que sangra!

SKINNER: - Mulder... Eu não sei como agir, mas podemos começar pelo básico como abrir uma investigação sobre o comportamento da agente Scully. Você não vai atrás dessa gente e nem em companhia daquele mentiroso!

MULDER: - Então tenta me impedir! Não, eu não vou ficar sentado aqui esperando que isso vire um caso oficial enquanto Scully enlouquece naquele sanatório, à mercê deles e outra pessoa corre o risco de morrer! Cansei dessa merda, Skinner! Não é assim que se lida com essa gente!

SKINNER: -(IRRITADO) Mulder, que outra pessoa? O que está me escondendo? Além de Scully, essa gente pegou mais alguém?

MULDER: - Não posso falar sobre isso agora. Se vazar aqui dentro ela morre! Portanto, você não ouviu nada!

Skinner atira-se na cadeira, preocupado.Mulder sai batendo a porta. Tira o celular do bolso e aperta uma tecla.

MULDER: - (AO CELULAR) Rato, vamos para o plano B. Sabe o que fazer. Oito horas da noite. Scully está no sanatório, eu estarei lá. Diga isso para o nazista.

Mulder desliga e entra no elevador.


Residência dos Mulder - 7:59 P.M.

As luzes do quintal e jardim apagadas. Mulder observa por entre as cortinas da janela. Baba aflita anda de um lado pra outro, observando Mulder checar a arma e colocar dois pentes de balas no bolso do casaco.

MULDER: - Fez o que eu pedi? Enrolou a boneca no cobertor?

BABA: - Sim... Mulder, eu estou tremendo de medo!

MULDER: - Bem vinda ao clube da resistência, Baba. Não fique com medo. Eu não vou deixar que nada aconteça com você. Quando Krycek chegar, faça o que combinamos. E depois se esconda com Victoria. Se Krycek ou eu não voltarmos em três horas, avise o Skinner sobre o que aconteceu. Estou com um rastreador que vou deixar na picape do Krycek. O FBI sabe como acessar os dados pra nos localizar.

A picape de Krycek entra no pátio. Ele desliga os faróis. O carro preto estaciona do outro lado da rua. Krycek sai da picape, deixando a porta aberta.

MULDER: - Me dá cobertura, Baba. Faça o que combinamos.

Mulder vai pra cozinha. Baba faz o sinal da cruz, assustada.

Corte.


Do lado de fora, Krycek bate à porta da frente. Os dois sujeitos dentro do carro observam os movimentos de Krycek, sem perceberem Mulder que se esquiva pelo escuro entrando pela porta aberta da picape. Baba abre a porta da casa. Sorri e Krycek entra.

Os dois homens ficam atentos. Krycek sai rapidamente segurando um cobertor com uma "criança enrolada" e entra na picape. Fecha a porta. Dá a partida e toma a estrada. Baba sai pra rua com as mãos na cabeça, fingindo estar nervosa e apavorada. O carro preto toma a rua seguindo a picape.

Corte.


9:16 P.M.

Krycek estaciona a picape na rua deserta. Desce. O carro preto estaciona atrás dele. Krycek se aproxima deles.

KRYCEK: - Peguei a menina. Onde faremos a troca?

HOMEM #1: - Nos siga.

Krycek volta pra picape. O carro preto segue a estrada. Krycek vai atrás deles. Liga o CD player.

[Som: The Animals - House of Rising Sun]

KRYCEK: - Por via das dúvidas, caso colocaram escutas no meu carro...

Mulder agachado atrás do banco do passageiro.

MULDER: - Estão indo pra onde?

KRYCEK: - Em direção da estadual. Para o leste.

MULDER: - Não sabia que curtia os clássicos do rock. Também gosto dessa banda.

KRYCEK: - É, acho que vou comprar um violão e expor meus gostos musicais pra você e pra Barbara.

MULDER: - Se fizer serenata pra mim debaixo da minha janela, vou revidar a tiros!

KRYCEK: - Mas e a Nancy? Não quer causar mais atrito com a vizinha?

MULDER: - Quanto cobra a serenata mesmo?

KRYCEK: - Depende. Se tiver que levar rosas é mais caro. Se for no dia dos namorados, mais ainda.

MULDER: - Prefiro bombons.

KRYCEK: - Hum, faz tempo que não como bombons... Os filhos da mãe viraram pra direita. Estão indo pro porto. Aposto nisso!

MULDER: - Rato, se eu não sair dessa, cuide das minhas meninas.

KRYCEK: - Se eu não sair dessa, cuide da minha.

MULDER: - Ah, agora ela é sua? Por que se importar com a vida dela? Não é você que "não" está apaixonado pela Barbara? Então...

KRYCEK: - Ela não tem que pagar pelos meus erros.

MULDER: - (RINDO) Sério? Eu conheço essa história. Começou assim com "ela não tem que pagar pelos meus erros". E terminou com uma aliança, uma casa e uma filha. Eu ainda vou rir muito da sua cara, Alex Krycek.

KRYCEK: - Ok, Mulder. A vida está se vingando de mim. E por você.

MULDER: - Posso ser o padrinho? Vai ter bolo? Eu jogo queijo ralado em cima do casal, já que rato não curte arroz.

KRYCEK: - Mulder, se não calar sua boca, eu vou socar você no bagageiro! Eu não sou cara de casamento!

MULDER: - E eu? Eu também não era... Até que fui fisgado pela ruiva baixinha. Quando eu vi já estava usando aliança. E quando você perceber que a sua jornalista armou uma ratoeira enorme pra pegar você, já vai ser tarde meu amigo. Mulheres fazem isso discretamente. Aviso: Se ela vier com o papo de fazer sobremesa pra você, escapa pela janela. Se for mousse de maracujá, chame a polícia! Desconfie das lingeries sexys nas noites de sexta quando era apenas pra assistir um filme juntos. E jamais dê um cachorro. Elas começam a chamar o cachorro de "meu filhinho" e dizer pro cachorro "vai pegar o jornal pro papai". Aí ferrou! Você pode até se livrar do Canceroso, mas dela nunca mais!

KRYCEK: - Ah, admite Mulder, você adora isso! Você nasceu pra ser marido. Eu nasci pra ser amante.

MULDER: -Lamento dizer, Krycek, mas como amante você é péssimo! Troca a mulher pelo marido dela.

Krycek segura o riso, acertando um tapa na cabeça de Mulder.

MULDER: - Au! Deixa, você vai pagar por tudo o que fez contra Scully e eu. Daqui alguns anos vou olhar pra você de cabelos brancos, aliança no dedo, barrigudo, batendo na minha porta pra tomar uma cerveja e reclamando da patroa e da molecada. Essa é a minha vingança. Aguarde!


Cais do Porto – 10:17 P.M.

Um depósito abandonado. O carro preto estaciona. Krycek estaciona atrás. Desce da picape. Os dois homens descem do carro, indo em direção a picape. Krycek os impede.

KRYCEK: - A menina está dormindo. Não acordem porque ela é perigosa e não reage bem a estranhos.

Os homens se entreolham. O Homem #1 espia pra dentro do carro, vendo a boneca deitada enrolada num cobertor. Afirma com a cabeça para o outro. O Homem #2 empurra Krycek em direção ao depósito.

HOMEM #2: - Fique aqui e vigie a criança.

Krycek e o Homem #2 caminham alguns passos. O Homem #2 bate à porta. O Segurança abre. Revista Krycek. Deixa eles entrarem.

Caixas de madeira e paletes pelo lugar. Penumbra. Passos. Krycek cruza os braços. Strughold sai da parte escura.

STRUGHOLD: -Então? Está com a menina?

KRYCEK: - Está dormindo no carro. Eu quero ver a Barbara primeiro. Então fazemos a troca.

As luzes se acendem. Barbara Wallace sentada, amarrada e amordaçada numa cadeira. O sujeito alto e com uma cicatriz no rosto sustenta uma faca na mão. Krycek olha pra Barbara numa expressão de alívio. Barbara olha assustada pra ele.

Corte.


Do lado de fora, o Homem #1 fuma um cigarro, afastado da picape de Krycek. Mulder espia de dentro da picape. O Homem #1 se escora no carro preto, observando o depósito. Mulder desce da picape, sorrateiro, com a arma na mão. Se esconde atrás do carro preto. Aproxima-se do Homem #1 pelas costas, o agarrando pelo pescoço e dando uma coronhada nele, que cai desmaiado no chão. Mulder o arrasta pra trás do carro. Então se esquiva correndo até o depósito, olhando por uma janela.

Corte.

Do lado de dentro, Krycek está entre o Homem #2 e o Segurança, que o observam atentos.

KRYCEK: -Você solta a senhorita Wallace e vamos pegar a menina no carro.

STRUGHOLD: - Ainda não. O que sabe sobre 'O evangelho'?

KRYCEK: - Sou ecumênico.

STRUGHOLD: - Eu vou perguntar novamente. O que sabe sobre 'O evangelho'?

KRYCEK: - Por que não pergunta a um pastor?

Strughold sorri forçado.

STRUGHOLD: - Onde está 'O Evangelho'?

KRYCEK: - Eu não sei do que está falando! Você me pediu a filha de Mulder em troca da Barbara! Eu cumpri!

Barbara olha enojada pra Krycek. O sujeito coloca a faca no pescoço de Barbara. Ela fecha os olhos.

KRYCEK: - Por que não a solta? Eu cumpri nosso acordo!

STRUGHOLD: -Vamos ver se realmente cumpriu. Você fica aqui. Cuidem dele. (APONTA PARA O SEGURANÇA) Vá buscar a menina no carro.

O Segurança afirma com a cabeça e sai.

STRUGHOLD: - Aquele Canceroso roubou O Evangelho. E você sabe disso.

KRYCEK: - Eu não sei de nada! Estou fora desse mundo de vocês! Eu cansei!

STRUGHOLD: - Me diga quem está com 'O Evangelho' e eu poupo sua amiga.

KRYCEK: - Eu nem sei do que você está falando! Que droga de Evangelho é esse?

STRUGHOLD: - (SE APROXIMA) Uma folha de metal extraterrestre, encontrada há pouco tempo em escavações arqueológicas na Turquia.

Barbara arregala os olhos.

KRYCEK: - (IRRITADO) Não foi esse o nosso acordo! Eu não sei com quem isso está! Solte a Barbara agora!

STRUGHOLD: - Quero 'O Evangelho' de volta. Você tem seis horas para me trazer aquela folha de metal ou sua amiga morre.

KRYCEK: - O que há nessa folha de metal que vale tanto a vida dela?

STRUGHOLD: - Vale mais que a vida de toda a humanidade. Ele contém algo sobre a gênese da criação humana. Nem tivemos tempo para estudá-lo e Spender o roubou. Aposto que foi ele. E aposto que está com Mulder... Ei, alguém vá ver porque aquele imbecil ainda não voltou com a criança!

O Homem #2 sai. Krycek tenta ganhar tempo. Alterna o olhar entre o Cicatriz e Strughold.

KRYCEK: - ... E se não estiver com o Mulder?

STRUGHOLD: - (OLHA PRO RELÓGIO) Já perdeu um minuto...

KRYCEK: - Vamos conversar. Me explica que droga de folha de metal é essa. Mulder não está com isso, eu tenho certeza absoluta. Ele teria me contado. Quem mais poderia estar com isso?

STRUGHOLD: - Spender.

KRYCEK: - (SORRI) Ótimo! Solte a minha amiga que eu pego isso pra você de graça porque tenho contas a acertar com aquele cretino! Encare assim: eu pego a folha pra você e você me proporciona minha vingança. Um tiro de execução na nuca daquele fumante e eu vou ficar muito feliz.

STRUGHOLD: - Não farei tratos com você, seu russo mentiroso. Você não é confiável. Você vai pegar a folha e entregar aos soviéticos em troca da sua liberdade. Afinal, agora você é um terrorista no seu próprio país... (OLHA PARA O CICATRIZ) Cicatriz, não saia daqui. Alguma coisa aconteceu com os outros lá fora.

O Cicatriz coloca a faca na cintura e puxa a arma, engatilhando e apontando rente à cabeça de Krycek. Barbara fecha os olhos.

STRUGHOLD: - Quem está com você?

KRYCEK: - A menina! Estou sozinho, seus capangas viram! Aposto que ela não gostou que a acordassem... Você mesmo disse que ela é um híbrido alienígena. Deve ter matado os dois!

Barbara arregala os olhos, apavorada. Strughold faz sinal para o Cicatriz. Ele sai pela porta dos fundos. Krycek começa a ficar nervoso. Strughold tira uma arma do bolso. Aponta em direção a Barbara.

STRUGHOLD: - Vamos ver...

Mulder entra chutando a porta e apontando a arma para Strughold.

MULDER: -(AOS GRITOS) Largue essa arma agora, Strughold! Coloque as mãos na cabeça!

STRUGHOLD: - Pode me matar, agente Mulder. Mas posso matá-la também. Abaixe sua arma e vamos conversar.

MULDER: - (GRITA) Não teste a minha pontaria! Krycek, solte a Barbara. Se esse miserável respirar eu atiro nele!

Strughold num sorriso cínico larga a arma no chão. Krycek a pega. Então empurra Strughold, enfiando a arma debaixo do queixo dele.

KRYCEK: -(ÓDIO) Eu vou matar você, seu filho da mãe. Você matou a minha mulher e o meu filho!

STRUGHOLD: - Ora, ora... Então viraram amigos mesmo. Encontraram algo em comum para chorarem juntos?

MULDER: -(GRITA) Krycek, afaste-se dele! Não dê ouvidos ao canalha, ele está provocando você e não vale a pena!

KRYCEK: -(GRITA/ ÓDIO) Eu vou matar esse desgraçado, Mulder!!!

MULDER: - (GRITA) Não vai não! Se fizer isso vai continuar sendo tão desgraçado quanto ele! Vai voltar a ser quem era, entendeu? E eu vou ter que prender você! Não faça besteira!

KRYCEK: -(GRITA) Faça o que quiser, Mulder, atire em mim, mas essa vingança é minha!

MULDER: -(GRITA) Sua vingança está lá amarrada naquela cadeira! Solte ela agora e vamos sair daqui!

Krycek olha pra Barbara que olha pra ele em lágrimas.

MULDER: -(GRITA) Acabou, Krycek! Deixe que agora o FBI resolva isso. É um caso de sequestro, não suje mais as suas mãos! Barbara é nossa testemunha! Não jogue fora o resto da sua vida por causa desse filho da mãe! Eles já tiraram demais de você! Não dê esse gostinho pra eles!

Barbara em lágrimas ainda olha pra Krycek. Abaixa a cabeça, triste. Krycek respira fundo olhando pra ela. Então abaixa a arma.

KRYCEK: - Devemos respeitar os idosos, mas você é um velho desprezível!!!

Krycek acerta um soco forte em Strughold que quase cai. Mulder respira aliviado, mantendo a mira em Strughold. Krycek leva a mão pra trás e coloca a arma dentro das calças. Vai até Barbara. Tira a mordaça dela.

KRYCEK: - Mulder, fica de olho. Outro saiu pela porta dos fundos... (PRA BARBARA) Você está bem? Está machucada? Hum?

Barbara acena que não com a cabeça, sem conseguir falar de tão assustada. Krycek começa a desamarrá-la. Strughold leva a mão ao rosto.

STRUGHOLD: - (ARROGANTE) Mulder, Mulder... Ainda não sabe com quem está lidando? Não pode me prender. Não pode me tocar. Eu sou intocável! Você só terá o trabalho de colocar algemas e as retirar mediante o seu diretor afastando você definitivamente do FBI e dos Arquivos-X.

MULDER: - (AMEAÇADOR/ RAIVA) Tem razão! É melhor matar você. Krycek não pode. Mas eu posso, sou agente federal e você me ameaçou com uma arma! Garanto que depois de morto, você será considerado apenas um sequestrador de mulheres indefesas! Ou acha que algum dos seus amiguinhos vai defender sua fama de nazista torturador e admitir que você faz experiências genéticas com humanos e alienígenas? Ninguém vai se expor pra salvar sua cabeça!

Krycek solta Barbara. Barbara se levanta, assustada e se abraça nele. Krycek a envolve nos braços, fechando os olhos, aliviado. Mulder continua mirando a arma em Strughold, alternando o olhar entre ele e Krycek com Barbara. Mulder tira o celular do paletó.

MULDER: - Krycek suma daqui.Logo o FBI vai chegar e vão fazer perguntas que você não vai poder responder nem como policial...

Krycek solta Barbara e vai pra perto de Mulder.

KRYCEK: - Não vou deixar você sozinho com esse cara, não até a cavalaria chegar. Tem mais um lá fora, eu vou pegá-lo.

MULDER: - Acabou pra você, Strughold! Pelo menos um de vocês eu consegui pegar. E pegando um, o resto da casa vai cair. Incluindo seu amigo da moeda.

Krycek olha pra porta. O Cicatriz aponta a arma pra Mulder que está de costas.

KRYCEK: - (GRITA) Mulder!!!!!

Krycek se joga na frente de Mulder, tomando três tiros no peito e caindo no chão. Barbara leva as mãos à cabeça e grita. Mulder vira-se rapidamente e atira várias vezes contra o Cicatriz, que cai morto. Strughold aproveita e foge pelos fundos. Mulder agacha-se ao lado de Krycek, enquanto disca no celular. Krycek ofegante, olhos abertos, sangue saindo pelo peito. Barbara se ajoelha ao lado dele, encostando sua testa na testa dele.

BARBARA: - (DESESPERADA) Não faz isso comigo, ok? Você me deve um encontro, não vai fugir assim!

MULDER: - (DESESPERADO)Krycek, fica acordado. Fica acordado, seu Rato filho da mãe!!! Krycek, não morra seu desgraçado!!! (AO CELULAR) Sou agente do FBI e meu parceiro foi atingido!!! Preciso de uma ambulância no cais do porto, no Armazém 35!!!

Mulder larga o celular no chão.

BARBARA: - (CHORANDO) Mulder... Não o deixe morrer... Por favor!!!

Mulder leva o ouvido ao peito de Krycek. Ele tenta respirar sem conseguir. Mulder ergue a camiseta de Krycek. Uma espécie de espuma com sangue sai de um dos tiros.

MULDER: - Atelectasia... Acertaram o pulmão.

Mulder tira o paletó rapidamente. Começa a desabotoar a camisa às pressas, ficando de camiseta.

MULDER: - Krycek me escuta. Solta todo o ar que tiver. No três. Um... Dois... Três!

Krycek quase sem respirar, dá uma tossida com sangue. Mulder coloca a camisa sobre o buraco da bala e fica pressionando.

BARBARA: - Mulder, ele não vai morrer, não é?

MULDER: - Não, ele é durão. A não ser que resolveu virar uma bicha russa louca. Aguenta aí, seu filho da mãe! Você não vai me deixar sozinho nessa guerra!!!

Mulder toma o pulso de Krycek.

MULDER: - (NERVOSO)Ele está entrando em choque! Barbara coloca o meu paletó em cima dele, eu não posso tirar as mãos daqui!!!

Barbara coloca o paletó de Mulder por cima de Krycek.

MULDER: - Barbara, pega meu celular, procura Skinner e ligue pra ele. Dê nossa localização... Krycek, aguenta firme. Eles estão chegando...

Corte.


Os paramédicos entram no depósito e correm pra ajudar Krycek.Mulder ainda pressionando a camisa já empapada de sangue em cima do peito dele. Barbara segurando a mão de Krycek.

BARBARA: - (CHORANDO) Ele está frio!

PARAMÉDICO #1: -Atelectasia?

MULDER: - É. E entrou em choque.

PARAMÉDICO #1: - Deixa que agora eu cuido disso.

O Paramédico coloca as mãos sobre a camisa e Mulder tira as mãos rapidamente, se afastando e sentando-se no chão, olhando pra Krycek com medo e tristeza. Barbara senta-se ao lado de Mulder, virando o rosto contra o ombro dele, chorando. Mulder envolve o braço nela.

MULDER: - (EM LÁGRIMAS/ OLHANDO PRA KRYCEK) Você vai ficar bem, Rato. Eu sei que vai.

PARAMÉDICO #2: - Ele teve uma parada cardíaca!

Os paramédicos tentam ressuscitá-lo. Barbara se abraça em Mulder, aos prantos. Mulder a envolve nos braços, olhando para Krycek, sem acreditar.

Skinner entra com alguns agentes.

SKINNER: - Mulder, o que aconteceu por aqui? Tem três caras desacordados lá fora, um morto na porta... Você atirou em Krycek?

MULDER: -(OLHOS EM LÁGRIMAS/ OLHAR PERDIDO) Krycek salvou a minha vida, Skinner...


Hospital Mercy - Virginia - 1:01 A.M.

Mulder sentado no corredor, Barbara vestindo o paletó dele, abraçada nele, com os olhos inchados de chorar. O Dr. Parker se aproxima com uma enfermeira segurando a prancheta.

DR. PARKER: -Algum parente de Alex Krycek?

Mulder morde os lábios. Levanta-se.Barbara começa a chorar.

MULDER: - (VOZ EMBARGADA) Ele não tem parentes. Eu... (CAI EM SI) Sou o... Único amigo que ele tem.

A enfermeira entrega a prancheta para o médico. Aproxima-se de Barbara.

ENFERMEIRA: - Ele está vivo. Vem comigo, vou lhe dar um sedativo leve, você está quase tendo um ataque, ok? Não precisa disso agora, por seu amigo, está bem?

Barbara concorda com a cabeça. A enfermeira tira Barbara dali. Mulder está visivelmente aflito.

DR. PARKER: - Você é...

Mulder mostra a identificação.

MULDER: - Agente Mulder. Fox Mulder.

O médico estende a mão.

DR. PARKER: -Sou o Dr. Parker, cirurgião cardiovascular. Agente Mulder, a situação é a seguinte. Conseguimos estancar a hemorragia, até agora ele teve duas paradas cardíacas, mas conseguimos trazer seu amigo de volta. Meu colega está lá dentro agora fazendo uma drenagem mediastinal. Duas das balas atingiram o pulmão, uma ficou alojada e a outra atravessou, o que causou o colapso pulmonar. A terceira bala pegou no hemitórax esquerdo. Mesmo com seu amigo instável, recomendo uma intervenção cirúrgica para não correr o risco de um tamponamento cardíaco e lesão cardíaca.

MULDER: - Ele vai sobreviver?

DR. PARKER: - Não posso enganá-lo, agente Mulder. Você sabe como traumas por arma de fogo na região torácica são complicados, sérios e podem ser imprevisíveis. Mas se não fizermos isso, certamente ele não vai viver. Preciso que assine o papel. Vou começar a cirurgia agora.

Mulder assina. O médico se afasta. Mulder cai sentado no banco. Abaixa a cabeça, confuso e atordoado, colocando as mãos no rosto.


Orion Publishing & Entertainment Associates –Washington - D.C. - 1:23 A.M.

The Gold Coin entra em seu escritório segurando a bandeja com café e três xícaras. Coloca sobre a escrivaninha. Senta-se em sua cadeira, reclinando-se. Acende um cigarro. Robinson, o sujeito alto, meia idade e charmoso serve um café.Rockfell, meia idade, em roupas casuais, acende um cigarro e senta-se na poltrona.

ROCKFELL: - Sirva um pra mim. O café do Alberthi faz sucesso.

THE GOLD COIN: - É importado do Brasil. Vão jogar golfe nesse final de semana?

ROCKFELL: -Lógico! Robinson me deve um dólar por cada buraco que errou. Nas minhas contas são cinco dólares.

ROBINSON: - Eu errei porque o Alberthi ficava fazendo palhaçada e tirando a minha concentração!

THE GOLD COIN: - E eu lá tenho culpa se você nunca acerta o buraco?

Eles riem.

THE GOLD COIN: - Me falem da última reunião da Ordem.Decidiram quem vaipara o próximo encontro de Davos?

ROBINSON: - West vai sozinho dessa vez. E por falar nisso, fizemos a votação na última reunião, Alberthi. Pena você estar ocupado aqui segurando as pontas com esse incidente lamentável. Votamos por um maçom no FMI. Concordamos em empurrar West pra cima. Ele agora tem um filho homem, um herdeiro para a sua cadeira na Ordem. Futuramente largará seus negócios de banqueiro nas mãos do filho... Eu preciso acertar a tacada ou perderei minha cadeira na Ordem. Uma menina... Nem pra me dar um menino aquela mulher prestou!

ROCKFELL: - Robinson, você no sexo é tão terrível quanto no golfe, não tem mira!Eu já garanti minha descendência na Ordem. O problema é o Alberthi. Vive cercado de celebridades e não se aquieta com mulher alguma. Aposto que já dormiu com metade de Hollywood, esse fanfarrão!

THE GOLD COIN: - Eu adoro mulher. Quero todas pra mim, podem me condenar? Com certeza tenho algum filho perdido por aí. Voltando ao assunto, a indicação do West é ótima e temos que ajeitar as coisas para que ele consiga. West é o cara do dinheiro. Os ingleses são bons nisso.

ROCKFELL: - Eu lamento, gosto do West, mas eu gostaria de ver alguma ascensão para os Illuminati.

ROBINSON: - Se reclama pelos seus, reclamarei pelos meus. A Skull and Bones está estagnada. Em compensação a Opus Dei tem duas cadeiras.

THE GOLD COIN: - Não temos culpa se nossa organização sempre foi necessária. Concordamos que precisa haver alguém da Opus Dei no Vaticano e outro fora.

ROCKFELL: - E a situação aqui?

THE GOLD COIN: - Senhores, a coisa é mais séria do que pensamos. O braço americano ainda está comprometido. Não bastou explodir a sede deles e matar todos os traidores. Spender continua vivo.

ROBINSON: - Isso é o de menos, Alberthi. Não é?

THE GOLD COIN: - Se matar Spender vai atrair a ira de Mulder. E foi esse sujeito quem ferrou com tudo. É aquela coisa que falamos sempre, não podemos nos apegar nem ao próprio sangue. Traidores da causa são traidores, pouco importa se possuem nossa genética ou dormem conosco. Vocês sabem bem disso.

ROCKFELL: - Precisei sacrificar minha ex-amante. Não pude livrar a Wallace do Strughold. Não mandei ela enfiar o nariz aonde não devia. Alberthi, a Ordem vai se reunir para ouvir seu relatório. Como somos os únicos americanos sentados lá, queremos saber antecipadamente o que vamos ouvir.

THE GOLD COIN: - O que vão ouvir é o que já sabem. Mulder comprometeu o braço americano. Coloquei Strughold e Fowley no comando e alguns outros subiram na cadeia de importância. Gente nova, sangue novo, aquela gente estava velha demais pra pensar com a cabeça. Velhos tendem a ficar sentimentais e dementes. Não convém eliminar Spender, por enquanto. Ele pode ser útil se usado para desinformar Mulder.

ROBINSON: - Strughold falou da menina. Essa criança tem uma genética tão avançada assim? Sabemos que serviu pra criar uma vacina. Sabemos desses probleminhas deles de bastidores, das traições que cometeram conosco, mas isso sempre é esperado. Só estou curioso com essa criança. Ela pode me ser útil também.

THE GOLD COIN: - Acho que agora temos problemas mais importantes que essa criança. Ela é apenas um bebê. Temos tempo. Existem outras prioridades que Strughold não enxerga por ser um cientista obcecado em criar os soldados perfeitos e provar que pode ser Deus. Contudo, Strughold é útil em conhecimento, e isso está na família dele há anos, devemos respeitar. Eu vou aconselhar que deixemos a criança de lado, eles que se virem com o problema. Vocês confiaram a mim a tarefa. Então sugiro terminar de arrumar a casa. Eu comandei a faxina, escolhi os decoradores certos e espero que o serviço comece a andar. Vamos continuar de olho por mais um tempo e depois deixamos eles se virarem como sempre. E eu sou um homem de negócios como vocês. Meus negócios estão ficando para trás e eu preciso lucrar.

ROCKFELL: - Certo. Então podemos continuar a agenda global? Você tem tudo sob controle?

THE GOLD COIN: - Ainda tem algumas coisas pra resolver, mas eu dou conta. Não precisamos dos outros da Ordem limpando o nosso terreno, eles já têm os deles pra limpar. Precisamos reforçar a ONU que West é o cara para sentar no FMI. Isso agora é prioridade, voltar a deter o dinheiro mundial nas mãos de um dos nossos. E qual será a pauta da próxima reunião da Ordem, fora o nosso probleminha interno?

ROBINSON: - Problemas mais urgentes com o nosso amigo das indústrias alimentícias.Vamos ter que abordar as Chemtrails. Pessoas de todo o mundo já começaram a especular que os rastros deixados pelos aviões são substâncias químicas que causam danos à saúde da população.

Os três riem.

ROBINSON: - E a lista é grande, desde controle populacional à guerra biológica. Alguns desconfiam do controle climático. Sempre tem os sabichões que se aproximam da verdade.Espero que não associem com o Projeto Haarp. O controle do clima é extremamente importante para a agricultura mundial. Se tivermos o controle, vamos favorecer o nosso amigo. Vamos salvar o monopólio dele como ele salvou o nosso.

ROCKFELL: - E seguimos investindo dinheiro, tempo, empresas e tecnologia nos projetos dos governos otários. Até ficarem totalmente enrolados e endividados em nossas mãos. O que não falta muito nos países menos desenvolvidos. West logo vai ascender e começar a criar umas crises financeiras para quebrá-los.

THE GOLD COIN: - Por isso adoro trabalhar com a criatividade. As pessoas são muito criativas. Até cairia bem um filme agora reforçando a teoria deles sobre as chemtrails. Quanto mais reforço no imaginário, mais distantes da verdade. E um seriado na TV, que tal Rockfell?

ROCKFELL: - Boa ideia, Alberthi! Vamos rachar a produção?

THE GOLD COIN: - Eu entro com estúdios, elenco, produção e tudo o mais. E você com a grana e a difusão. Robinson, não quer patrocinar nosso projeto?

ROBINSON: - Até que a ideia de vocês é boa. Coloquem que as pessoas estão adquirindo câncer por causa dos chemtrails. Aí eu ajudo na grana. Tenho uma nova droga para tratar o câncer que vai sair em breve.

THE GOLD COIN: - E ela cura alguma coisa?

ROBINSON: - (RINDO) Alberthi, se eu desse a cura estaria falido!!! A cura é só pra nós!

THE GOLD COIN: - Neste momento penso em cada idiota nesse planeta que ainda acha que pode mudar alguma coisa ou expor alguma conspiração. Nós não conspiramos. Nossos braços conspiram. Apenas queremos um planeta mais interessante. E o estamos comprando aos poucos para nós. Esses sujeitos que se acham inteligentes tipo o Mulder. Eles descobrem sobre a existência de extraterrestres, vírus em vacinas e imaginam que descobriram toda a verdade!Sheramforash!

ROCKFELL: -Sheramforash! Vitória ao nosso Mestre que nada nos deixa faltar!

ROBINSON: -Sheramforash! A vitória será dele e nossa!


Hospital Mercy - Virginia - 4:28 A.M.

Barbara cochila no ombro de Mulder, que bebe um café, olhos cansados e inchados. Skinner se aproxima.

SKINNER: -(IRRITADO) Ok. Você não podia esperar que eu inventasse alguma coisa e mandasse o FBI pra lá! Poderíamos ter usado a desculpa do sequestro da senhoria Wallace e pegaríamos o Strughold! Você desacatou minhas ordens, Mulder!

Barbara se acorda.

MULDER: - (IRRITADO) Eu não desacatei suas ordens, Skinner! Você poderia pegar aquele desgraçado e antes do amanhecer ele já estaria solto!

SKINNER: -(IRRITADO) E você o prendeu por acaso? Não! Foi insubordinado e levou um civil pra morte! Não que eu me importe com aquele desgraçado...

MULDER: - (IRRITADO) Um policial! E ele não é um desgraçado, ele é meu amigo!

SKINNER: - (IRRITADO) Pode ser seu amigo, mas não é seu parceiro! E nem policial ele é de verdade! Como vou explicar isso no FBI? Ahn?

Mulder solta Barbara, se levanta e encara Skinner.

MULDER: -(AOS GRITOS/ IRRITADO) Quer falar de amizade? Vamos falar! Minha parceira está num manicômio, porque Strughold e o Moedinha fizeram lavagem cerebral nela e ela desistiu de viver! O único cara que está me ajudando de verdade a salvá-la, e que salvou a minha filha também, é aquele "desgraçado" que está agora naquela sala de cirurgia morrendo porque tomou três balas por mim! Não venha me falar de amizade, Skinner! O seu tempo burocrático não é o mesmo que o tempo de ação deles!

Skinner coloca as mãos nos bolsos e respira fundo.

SKINNER: - Eu quero acreditar, Mulder. Quero acreditar que Alex Krycek é confiável.

MULDER: - (GRITA NA CARA DE SKINNER) Problema seu! Todo seu! Já que não acredita em mim!!!

Mulder revoltado, passa as mãos no cabelos e depois esmurra a parede.

SKINNER: - Vou mandar alguns agentes pra cá. Já mandei alguns para tomarem conta de Scully.

BARBARA: - Mulder, vá vê sua mulher. Eu ligo pra você quando a cirurgia terminar.

SKINNER: - Ela tem razão, Mulder.

MULDER: -(REVOLTADO) Quer me ajudar, "amigo"? Então mande também agentes pra vigiar a minha casa. Porque minha filha e a babá estão sozinhas lá dentro e Strughold está furioso por ter sido enganado! Depois eu faço um relatório completo e coloco na sua mesa e se quiser abrir um caso, fique à vontade. Eu não me importo se vou pegar aquele filho da mãe por vias oficiais ou extra-oficiais! Mas que eu vou pegar, eu vou!

Skinner sai pelo corredor. Mulder senta-se, colocando as mãos no rosto.

MULDER: - Ele tinha razão... Krycek tinha razão quando disse que chegamos a um ponto onde um tomaria uma bala pelo outro. Parece que previu.

BARBARA: - Se vai ficar aí sentindo-se culpado, eu também vou. Se eu tivesse aceitado a carona dele, eles não teriam me sequestrado e isso tudo não teria acontecido.

MULDER: - Você não tem culpa de nada. Caiu de paraquedas no meio dessa confusão toda pra nos ajudar e terminou virando alvo também.

Barbara brinca com as mãos uma na outra, nervosa e derrubando lágrimas. O celular de Mulder toca. Mulder atende.

MULDER: - (AO CELULAR) Mulder... Fala, Frohike... (MORDE OS LÁBIOS) ... Obrigado, amigo. Obrigado por estar aí tomando conta da Scully... Eu... Não, eu estou no hospital, um amigo levou três tiros por mim...

Barbara seca as lágrimas, inutilmente.

MULDER: - (AO CELULAR) ... Fico mais tranquilo sabendo que Scully está sedada e foi pro quarto, que você e Langly estão com ela... A Meg também? Que bom! ... Ok... Me liga quando Scully acordar. Obrigado, Frohike. Assim que eu tiver notícias do meu amigo eu vou pra aí. A situação aqui está mais crítica.

Mulder desliga.

BARBARA: - E-eu... Eu ouvi e vi tanta coisa que... Eu nem sei assimilar! Quem é Strughold nesse esquema conspiratório? Geneticista? O que ele quer com sua filha eu sei, mas que história é aquela de Evangelho? E-eu sabia que Alex tinha um passado negro... Eu... Eu sabia que vocês dois estão metidos com coisas grandes, mas ver isso na frente dos meus olhos... Eu tô assustada pra caramba, Mulder! Acho que vou comprar uma arma e aprender a usar!

MULDER: - Eu não sei o que é esse tal Evangelho, mas vou descobrir.Vou ter que repetir pra você o que disse pra Baba. Bem vinda ao clube. Se não nos protegermos, nem a Lei vai nos proteger. Pra esses caras não existem leis, limites, constituições e governo.

BARBARA: - Posso fazer uma pergunta? O Strughold... O nome dele é Conrad?

MULDER: - (OLHA PRA ELA)Como sabe?

BARBARA: -Há muito tempo atrás... Eu o vi de relance na casa do Rockfell. Eu estava chegando e ouvi Rockfell falar "Ok, Conrad." E Rockfell saiu da biblioteca tão rápido quando me viu e fechou a porta. Não pude ver muito bem o rosto dele. Mas eu sabia que já o conhecia de algum lugar quando vi a cara dele me ameaçando...

MULDER: - Rockfell? O dono da rede RBN? Seu ex-chefe, aquele que mandou seu editor demitir você?

BARBARA: -Mulder, eu... Eu fiz algumas bobagens quando jovem. Rockfell foi uma delas. Não vou entrar em detalhes, mas eu tive a certeza que Conrad e Strughold eram a mesma pessoa quando ele começou a me ofender e falar do meu passado com Rockfell. Ainda disse que Rockfell não se importaria se eu morresse... Mulder, você é inteligente. Deve estar ligando os fatos que eu estou ligando.

MULDER: - Rockfell faz parte da conspiração. Temos mais um nome, Barbara. Graças à você... Mas o que um cara como ele faria no meio dessa gente? (FECHA OS OLHOS) Ele não é do Sindicato. Ele faz parte do topo. Por isso a imprensa é manipulada.

BARBARA: - Também acho. Rockfell comprou muitos concorrentes e sei que usou nomes de amigos empresários pra não chamar a atenção sobre o monopólio que está fazendo. Liguei os pontos com Alberthi. Que provavelmente está fazendo um monopólio em Hollywood. Um está no meio cinematográfico, o outro nos meios de TV e comunicação. Estão controlando tudo, por algum motivo.

MULDER: - Tem um jeito de descobrir isso. Eu tenho acesso ao imposto de renda desses caras. Eles pagam, pode acreditar, não querem chamar a atenção... Posso saber quantas empresas possuem, aonde estão dominando o mercado... Meu Deus, Barbara! Isso é maior do que eu imaginava!

BARBARA: - Mulder, as grandes corporações estão dominando nosso país e o mundo.Por algum motivo que não sabemos. Não creio que seja apenas financeiro. E não creio que seja apenas no entretenimento e na imprensa. Existem mais deles em outras áreas importantes. Eles mandam nos governos. Trabalham para os governos sem terem associação alguma com eles, ainda lucram e manipulam a política como os convém.

MULDER: - Controle total dos governos, Barbara. A Nova Ordem Mundial.

Mulder abaixa a cabeça e põe as mãos no rosto.

MULDER: - Agora tudo faz sentido... Até Lúcifer nessa história! E aposto que eles nem sabem quem o desgraçado é de verdade!

BARBARA: - Como assim?

MULDER: - Deixa pra lá. Não quero falar disso agora. Quer um café?

BARBARA: - Aceito. Mas deixa que eu pego. Vou aproveitar pra rezar um pouco enquanto faço isso.

Mulder sorri.

BARBARA: - Mulder, obrigada pelo que fez pelo Alex. Você ouviu o paramédico dizer que se não fosse seus primeiros socorros, Alex não chegaria vivo ao hospital... E obrigada por ficar aqui comigo... Eu sei que sua situação está complicada. Mas se quiser ir ver Scully, eu entenderei.

MULDER: -Scully está bem cuidada. Nosso amigo aí só tem a nós dois.

Barbara se afasta. Mulder suspira desanimado. Tira o celular do bolso e aperta uma tecla.

MULDER: - (AO CELULAR) Baba, tudo bem aí? ... Ah, Langly está aí com vocês... Eu também, Baba, mas os médicos ainda não saíram da cirurgia... Faça suas orações pelo Krycek, a coisa tá complicada... É, eu sei... Estou me sentindo culpado... Estou com um amigo morrendo e minha mulher presa num sanatório. Estou dividido... Sim, eu tenho que proteger a Scully, mas como vou fazer isso? Como vou entrar lá e dizer que preciso fazer um ritual de magia para afastar forças demoníacas? Ahn? Eles vão me colocar junto com ela!


6:36 A.M.

Barbara entrega o paletó de Mulder. Os dois ainda sentados no banco.

BARBARA: - Obrigada. Tem certeza de que não quer ir ficar com Scully?

MULDER: - ... Scully sempre tem quem se preocupa com ela. Scully é muito humana, não é difícil atrair as pessoas. Ela tem família, amigos... Eu... Eu vou contar uma coisa pra você. Como temos dois amigos em comum, o Byers e o Krycek, e como a vida nos aproximou e considero você também uma amiga... Eu me sinto livre pra falar coisas pessoais com você e...

Mulder respira fundo.

MULDER: - Passei a noite pensando que eu deveria estar no lugar do Krycek. E que poderia estar ali no lugar dele. Como já estive, não por uma coisa tão grave, por menos... Sabe o que é você não ter família? Ninguém pra contar? Já ficou num hospital sozinha?

BARBARA: - Eu entendo.

MULDER: - Então você vai entender o que ninguém entendeu ainda. Ninguém entende minha amizade com ele. Eu já fui como Krycek. Sozinho, perdido por aí, correndo atrás de vingança. Eu não sei se é pior não ter família ou ter uma família que não se importa com você. Em ambos os casos, você um dia vai precisar de alguém que esteja ali por você. É triste demais não ter ninguém no mundo. Ninguém que se importe se você vive ou morre. Ninguém nem mesmo pra assinar uma autorização de cirurgia. Eu tenho mais coisas em comum com Krycek do que com qualquer outro. Eu posso entender o que ele está passando. E sei que ele está decidido a me dar ouvidos porque sabe das besteiras que eu fiz e que ele pode evitar de fazer.

BARBARA: - (EM LÁGRIMAS) Desculpe... Embora eu seja uma jornalista, acostumada com atrocidades, eu sou muito chorona. E quando é alguém que eu conheço... A coisa fica pior. Eu gosto da sua amizade com Alex. Você é o único que consegue fazer Alex escutar alguma coisa. Viu lá no depósito, ele deu ouvidos a você e não matou aquele desgraçado. Menos sangue nas mãos, menos tortura na consciência. Você é como um irmão mais velho pra ele, Mulder. É como o exemplo a ser seguido, sabe? Alex consegue ser melhor quando está perto de você.

MULDER: - Também sou chorão, Barbara. Eu lembro que quando Scully entrou na minha vida... Mesmo sendo apenas colegas de trabalho, cada um tendo sua vida particular fora do Bureau... Tudo mudou, sabe? Eu passei a ter uma amiga. Amiga mesmo, de verdade. Alguém que se importava comigo. Perdi as contas por quantos hospitais e situações de vida e morte nós dois passamos juntos. Ela cuidando de mim, eu cuidando dela. Só contando um com o outro.

BARBARA: - Mulder... Acho que percebeu que eu amo o seu amigo. Pode parecer loucura, não sabemos muito um do outro, mas... O que eu sei dele... Eu não consigo ver, pelo menos não conseguia até agora, aquele cara malvado que Byers me falou.

MULDER: - E ver o lado negro do Krycek mudou alguma coisa? Porque ele não quer mais essa vida. Isso foi uma situação extrema, pra salvar você.

BARBARA: - Não mudou nada do que sinto por ele. Acho que tem um garoto magoado e revoltado debaixo daquela casca dura. Eu não consigo ver o lado ruim dele. Consigo ver um homem querendo mudar de vida, um cara simples, divertido, com bons assuntos e que me faz rir. Gosto da companhia dele.

MULDER: - Quando conseguir quebrar essa casca dura, você vai entender porque ele merece uma segunda chance. Eu torço por vocês dois. Acho você a mulher ideal pra fazer aquele idiota entrar nos trilhos...

Os dois sorriem.

MULDER: - E ele vai cuidar bem de você. Tenho certeza disso. Ele é um artista, tem sensibilidade escondida no fundo daquele coração de pedra. E ele gosta de você, Barbara. Só está magoado demais por terem matado a ex-namorada dele e o filho. Ele carrega a culpa de não ter morrido com eles. Vai levar um tempo até a dor passar. Eu sei o que é carregar culpa. Eu também perdi um filho, preferia ter ido no lugar dele. A dor fica. Só o tempo pra trazer a cura, porque nem lembranças desses filhos não pudemos ter. Nunca os tivemos, eles nunca nasceram. Aqueles sujeitos nos privaram disso. De sermos pais.

BARBARA: - Lamento, Mulder. Não posso condenar Alex por buscar sua justiça. Só não quero perdê-lo por isso.

O Dr. Parker se aproxima.

DR. PARKER: -Conseguimos retirar as balas alojadas. O amigo de vocês está estável, mas requer muitos cuidados e vai ficar no CTI. Vamos entrar com antibióticos e medicamentos para evitar infecções. Ele vai ficar monitorado e com ventilação mecânica, o pulmão esquerdo está muito comprometido. O problema maior está na bala que atravessou o tórax, causando lesões nos tecidos perto do coração. Fizemos o que podíamos, agora é esperar que ele reaja. E torcer pra que ele consiga.

MULDER: - Obrigado, Dr. Parker. Eu sei que fará tudo pra salvá-lo.

DR. PARKER: -Estou aqui pra isso, agente Mulder. Ele vai dormir por um bom tempo. E precisa mesmo para facilitar a recuperação. Recomendo que vocês vão pra casa e descansem. Ligaremos quando ele acordar.

O médico se afasta. Barbara e Mulder se abraçam.

MULDER: - Ele vai se recuperar. Eu sei que vai.

BARBARA: - Eu vou aumentar ainda mais as minhas orações.

Os dois se afastam.

MULDER: - Sei que está com medo de ir pra casa. Vá pra minha. Baba arruma umas roupas da Scully pra você. (DEBOCHADO) Acho que vão cair perfeitamente, de uma anã para outra. Sério, cansei de fazer piada com Krycek sobre você ser uma mulher "bem alta". Ele vai pagar o que fez pra mim. Ah vai! Nada como terminar com uma baixinha mandando nele!

BARBARA: - (SORRI) Mulder, o mundo é das baixinhas, se você não percebeu. Nós somos invocadas o suficiente para encarar os desafios.

MULDER: - (DEBOCHADO) Isso eu sei muito bem, sou defensor das mulheres 'portáteis'. Eu sempre digo pra Scully que o problema das baixinhas é que você pensa que pode com elas, mas elas te fazem olhar pra elas de cabeça baixa enquanto encaram você de cabeça erguida.

Barbara ri.

MULDER: -Sério, Barbara. Vá pra minha casa, tome um banho, coma alguma coisa e durma.

BARBARA: - Não, eu agradeço, Mulder. Mas vou ficar aqui. Meu lugar é aqui com ele. E você pode me entender.

MULDER: - (SORRI/ CANSADO) Posso. Disso eu entendo muito bem.

BARBARA: - Nem vou perguntar se vai descansar, porque sei que não vai. Cuida bem da Scully, tá? Eu sei que Scully me detesta, mas não é culpa dela. Com o tempo e a verdade, acho que podemos nos dar bem. (SORRI) Mas só se ela tirar os olhos do meu russo. Porque eu vou brigar por ele e muito!

MULDER: -(DEBOCHADO) Meu Deus, adoraria ver isso, duas baixinhas lutando! Uau, é sexy! Lamento, Barbara, mas Scully prefere americanos narigudos com sangue judeu. Embora vocês não sejam em nada parecidas, acho que duas coisas vocês têm em comum: a altura e a atração pelos caras errados.

BARBARA: -Scully é forte, eu não sou. Ela age e eu choro. Ela protege, eu preciso de proteção... Mulder, acho que você e eu somos mais parecidos. Scully é mais parecida com o Alex.

MULDER: - O que só comprova a teoria de que os opostos se atraem e se completam.

BARBARA: - Vai, Mulder, obrigada por segurar as pontas comigo. Mas agora vai pro seu lugar. Scully também precisa de você. Pode estar cercada pelo mundo, mas o mundo dela é você. E disso, eu como mulher, também entendo muito bem.


Hospital Psiquiátrico de Maryland – 9:22 A.M.

Baba segura Victoria nos braços. Mulder esmurra o balcão, furioso. A enfermeira levanta-se e sai, deixando a recepção vazia.

MULDER: - Vai Baba! Vou distrair eles. Quarto 21.

Baba entrega Victoria pra Mulder e sai correndo pelo corredor. A enfermeira volta com o psiquiatra.

PSIQUIATRA: -Em que posso ajudá-lo?

MULDER: - Eu quero saber por que não posso ver minha paciente. Eu sou o psicólogo de Dana Scully. Eu fiz a internação dela.

PSIQUIATRA: -Senhor ...?

MULDER: -Mulder.

PSIQUIATRA: -Senhor Mulder, sou o Dr. Harris, psiquiatra de Dana Scully. Não quero ser grosseiro, mas no momento, sua paciente precisa de um médico, não de um terapeuta.

MULDER: - Nossa! Imagina se quisesse ser grosseiro! Dr. Harris, eu sou psicólogo e não "terapeuta". E tenho todo o direito de conversar com a minha paciente.

ENFERMEIRA: -Dr. Harris, deixa eu explicar. A paciente citada é agente do FBI, um psicólogo do FBI veio averiguar a situação....

MULDER: - A mando de quem, posso saber?

A enfermeira revira os papéis.

ENFERMEIRA: - Diretor-Delegado Alvin Kersh. Ele assinou os papéis.

Mulder sorri incrédulo.

ENFERMEIRA: - Como ela é uma funcionária federal, o FBI assumiu o tratamento e a responsabilidade por ela. Até o Dr. Harris autorizar a alta, a agente Dana Scully não pode deixar esse hospital. Se bem me lembro, o senhor Mulder fez a internação com a minha colega, e eu estava aqui presente quando ouvi que a agente Scully é sua esposa.

MULDER: - (RINDO) Minha esposa? De onde tirou essa ideia? Dana Scully é minha paciente! Minha esposa era aquela que estava aqui comigo e foi ao banheiro.

A enfermeira olha incrédula pra Victoria.

MULDER: - (IRRITADO) O que foi? Qual o problema de se casar com uma negra? Ahn? Também são preconceituosos, é isso?

PSIQUIATRA: -Não, por favor, senhor...

MULDER: - Só porque a mãe dela é pretinha não significa que ela também nascesse pretinha. Tenho genes nórdicos!

Corte.


Baba entra no quarto. Scully deitada na cama, sedada. Baba olha para os lados. Retira um maço de alecrim seco da bolsa. Acende. Pega uma enorme pena e começa a espalhar a fumaça sobre Scully, enquanto reza baixinho.

Os vultos negros começam a voar pelo quarto. Baba olha pra cima.

BABA: - Arcanjo Miguel amado! Me ajuda!

Baba fecha os olhos e continua orando e espalhando fumaça.

Corte.


Mulder continua brigando com o psiquiatra e a enfermeira na recepção. Victoria observa o corredor por onde Baba foi.

MULDER: -(IRRITADO) Meu nome é Fox Mulder. Não sabem ler minha carteira de motorista? Cheque a ficha da minha paciente, acho que você está ouvindo demais! E por favor, respeite minha filha, porque se ela falar pra mãe dela o que vocês insinuaram aqui, que eu tenho outra esposa, eu vou ter muita encrenca quando chegar em casa!

A enfermeira pega a ficha, debochada, lendo. O psiquiatra passa os olhos na ficha.

MULDER: -(IRRITADO) O nome da minha paciente é Dana Scully! Não Dana Mulder! Esposa, de onde tiraram isso? Ela tem meu sobrenome por acaso?

Victoria encosta a cabeça no ombro de Mulder, olhando para o sujeito que se aproxima do quarto de Scully. Ele tem as feições de Robert Downey Jr. Acena pra Victoria, dando um sorriso.Victoria sorri pra ele. Ele atravessa a porta.

MÉDICO: - Desculpe, senhor Mulder... Acontece que é regulamento do hospital que pacientes internados sejam acompanhados por médicos daqui.

Vultos saem do quarto de Scully sumindo pelo corredor. Victoria abre um sorriso.

MULDER: - Mas eu sou o médico dela. Como resolvemos esse impasse?

O sujeito sai do quarto. Acena novamente pra Victoria, fazendo sinal de positivo. Atira um beijo pra ela e desaparece no corredor.

MÉDICO: - Não resolvemos. Lamento muito, espero que compreenda que são normas do hospital, eu não posso passar por cima de normas.

Baba sai do quarto de Scully, atenta para não ser pega. Então se aproxima pelo corredor chegando na recepção. Pega Victoria no colo.

MULDER: - Está bem, meu amor? Hum?

BABA: -(DEBOCHADA) Estou enjoada, querido. Acho que vamos ter outro filho.

MULDER: - (DEBOCHADO) Ô meu amor, vai ser um lindo judeuzinho de cabelos rastafáris. Ou um Denzel Washington de olhos verdes?

BABA: - (DEBOCHADA) Não tendo o seu nariz enorme, tudo é lucro. Vamos, meu amor. As crianças estão em casa esperando você para irem naquele show de hip-hop.

Os dois saem de braços dados. O médico e a enfermeira se entreolham.

PSIQUIATRA: - Que casal esquisito!

ENFERMEIRA: - Verdade. Mas fazem uma boa dupla cômica!

Corte.


Mulder e Baba saem do hospital. Baba solta ele, fazendo cara de nojo.

BABA: -Sai fora!!! Desencosta, tá me estranhando, é???

MULDER: - E aí, conseguiu fazer o ritual?

BABA: - Senti um peso enorme quando entrei naquele quarto. E depois uma sensação de paz. Chamei o Arcanjo Miguel. E tenho certeza de que ele estava lá comigo colocando aquelas coisas pra fora. Mulder, sua mulher não está possuída. Ela está com encostos. Coisas ao redor. É diferente. Por hora sumiram, espero que não voltem.

MULDER: - Você me assustou lá dentro.

BABA: - Por quê?

MULDER: - (DEBOCHADO) Pensei que ia ter que pagar pensão pra você, afinal de contas, eu tenho a fama de engravidar mulher antes mesmo de beijar. Primeiro o filho, depois o beijo.

BABA: -(DEBOCHADA) Mulder, eu me sinto segura. Ninguém faz sexo em Arquivo X. Tudo é platônico. Isso já é um Arquivo X!


Residência dos Mulder – 1:29 P.M.

Na cozinha, Victoria nos braços de Langly, mexendo nos óculos dele. Baba olha pra Frohike.

BABA: - Ele não disse aonde ia. Deve ter ido ver Krycek. Onde está o terceiro pateta do trio?

LANGLY: - Ainda em lua de mel. Vai terminar em coma, podem apostar nisso.

FROHIKE: - Acho que a loura tá dando um trato nele. Não tem tempo nem pra ligar. Só fica mandando cartão postal da Suíça.

LANGLY: - E nenhum chocolate!

Langly pega um bolinho sobre a mesa. Baba acerta um tapa na mão de Langly.

BABA: - Não sabe pedir?

FROHIKE: - Sabe que horas Mulder volta?

BABA: - Não, eu não sei. E espero que vocês não fiquem aqui esperando por ele.

FROHIKE: - Vamos esperar. Temos uma missão de resgate.

BABA: - O que vocês estão aprontando?

LANGLY: - O FBI vai deixar a Scully mofando naquele lugar, pobrezinha.

FROHIKE: - E o Mulder não pode tirá-la. Ela só sai do hospital psiquiátrico com a alta médica em cima da mesa do Kersh. E até lá, sabe o que pode acontecer com Scully sozinha lá dentro sendo atacada por demônios. Nem quero imaginar minha doce agente Scully sofrendo naquele lugar, sozinha, com frio, abandonada à própria sorte...

BABA: - Isso eu tô sabendo! Eu só não sabia que vocês sabiam disso e menos ainda que vocês e o judeu maluco vão aprontar confusão! Meu Deus! É hoje que a polícia vai bater nessa casa e não posso nem pedir ajudar ao pobre do Krycek!

FROHIKE: - Alguém já disse que você é muito bonita pra ser tão nervosinha? Hum?

BABA: - Sim.Um otário baixinho de óculos.

LANGLY: - Acho que ela tá falando de você, Frohike.

FROHIKE: - Não diga! Sabe que nem tinha percebido, se o seu grande e inteligente cérebro não me dissesse? (OLHA PRA BABA/ DEBOCHADO) Eu vou ficar aqui esperando por Mulder. E aí? O que vai fazer?

BABA: - Se tocar nos bolinhos morre. Compreendeu?

FROHIKE: - São de chocolate?

BABA: - São, mas não são pro seu bico!

FROHIKE: - (DEBOCHADO)Adoro 'chocolate'.

BABA: - (DEBOCHADA) Que bom saber disso! Eu também adoro chocolate. E detesto chiclete branco.

LANGLY: - (RINDO) É namoro ou amizade?

BABA: - Vou ignorar vocês, porque me deixam louca!

VICTORIA: -(RINDO) Ouca! Baba tá ouca.

BABA: - É, Baba tá louca sim, e você está na hora de tomar banho.

VICTORIA: - Naaaaaaaahhhhhhhhhhh!!!!!!

Baba pega Victoria, que se atira pra trás, relutando e esperneando no colo de Langly.

BABA: - Não mesmo, sua porquinha. Você gosta de água!

VICTORIA: - Naaaaaahhhhhhhhhh!!!!!!!!!

BABA: - Fiquem aí enquanto eu vou dar banho nela. E se tocarem nos bolinhos são homens mortos!

Victoria estende os braços pra Frohike.

VICTORIA: -"Hero"!!!!! Salva! Salva neném!!!!

BABA: - Que salva neném nada! Você não está indo pra morte, sua exagerada! Puxou ao seu pai, faz de tudo um cataclisma! Até essa criança já pegou o vírus da "loucuris coletivis"! Eu mereço, com tanto lugar no mundo eu vim parar no meio de um hospício! Aleguem isso para o sanatório que eles certamente irão colocar Scully de volta nessa casa!

Baba sai da cozinha com Victoria, que grita por socorro. Frohike puxa a cadeira e senta-se. Olha pros bolinhos.

LANGLY: - Ela disse pra não tocar nos bolinhos ou você morre.

FROHIKE: - Eu sou surdo. E ela tem um mau humor fascinante. Acho que me apaixonei!

Langly sorri. Corre até o armário, pega duas xícaras e liga a cafeteira. A campainha toca.

Langly sai da cozinha, passa pela sala e abre a porta. O agente Donald Mallet mostra uma caixa de rosquinhas.

DONALD: -Tem café nessa casa? Trouxe rosquinhas.

Ellen se aproxima trazendo um bolo. Skinner ao lado dela.

ELLEN: - Oi, não sabia que Mulder estava dando uma festa!

LANGLY: - Tem café e bolinhos, agora rosquinhas e bolo. Entrem aí, Mulder não apareceu ainda.

DONALD: - Então vamos repassar o plano. Diretor Skinner eu não o vi aqui.

SKINNER: - Quem é você mesmo?

Donald sorri.


1:53 P.M.

Na cozinha, Frohike ajuda Baba a servir café. Victoria no colo de Ellen, comendo bolo e empolgada com tanta gente.

DONALD: - Entenderam o plano? Caso tudo dê errado, vamos ao plano B. Todo mundo lá às onze da noite. Baba, você repassa o plano com o Mulder, caso ele não chegue antes de irmos embora.

BABA: - Mulder está completamente fora da casinha com tudo isso. Entre dois hospitais.

ELLEN: - Não é pra menos.

FROHIKE: - Devemos isso ao Mulder e a Scully. Mais ainda ao Mulder, porque o julgamos e o criticamos quando resolveu virar amigo do Krycek. Demos as costas ao nosso amigo. Sei que Scully contou muitas mentiras, mas ela não sabia o que estava fazendo.

SKINNER: - Acho que depois do que aconteceu, devemos desculpas aos dois.

ELLEN: - Alguma notícia de Alex?

BABA: -Não acordou ainda, estão mantendo ele no oxigênio e monitorando as funções vitais. Eu ligo toda hora pra Barbara.

LANGLY: -Ela está sozinha no hospital?

SKINNER: -Mandei dois agente pra lá, pra protegerem Alex Krycek.

DONALD: - Posso fazer isso também.

LANGLY: - A gente pode se revezar pra dar apoio. Sei lá, não custa. Já que o clube tá aumentando... Daqui à pouco seremos em maior número que os conspiradores!

DONALD: - E essa reunião o que é? Nós também estamos conspirando. Não dá pra perder pra sempre, concordam?

FROHIKE: -Mulder tem falado isso há muito tempo. Chega de perder. Há mais de dez anos lutamos contra esses caras, não somos tão idiotas para não ter aprendido a lição. Vamos virar o jogo deles contra eles mesmos.

ELLEN: - A máxima das formigas. Uma formiga sozinha pode ser pisoteada. Agora um formigueiro... E nós somos um bom formigueiro!

BABA: -É, a união faz a força. Mais tarde eu vou até o hospital. Eu estou preocupada com aquele garoto. Gosto muito dele. E preocupada com a Barbara por estar lá sozinha.

FROHIKE: - Aposto que se fosse eu, você me deixava sozinho no hospital.

BABA: - Que dúvida!

ELLEN: - Posso ficar aqui com Victoria. Sem problemas. Não é amada da dinda? Hum?

SKINNER: - (CURIOSO) Você é madrinha dela?

ELLEN: - Sou. Mas eles nem batizaram a menina ainda. Por que pergunta?

SKINNER: - (INCRÉDULO)Por que eu sou o padrinho!

BABA: - Hum... Acho que certo casal conspirou bem antes de vocês se conhecerem!


Hospital Mercy - Virginia -1:59 P.M.

Barbara entra no CTI. Aproxima-se da cama. Krycek com oxigênio, ligado a aparelhos, desacordado. Barbara senta-se. Encosta o rosto na mão dele, acariciando seu braço.

BARBARA: - Eu tenho medo, sabe? Tenho medo que desista. Posso entender sua vingança. Eu sei que você acredita que tudo o que resta é ajudar Mulder a ter Scully de volta, que isso já é uma vingança contra aqueles homens...

Barbara suspira.

BARBARA: - E eu entendi o que quis me dizer nas entrelinhas. Que quando isso tudo terminar, quando Scully e Mulder ficarem juntos novamente, quem vai sair sofrendo é você... É porque você não tem mais nenhum objetivo aqui. Missão concluída.

Barbara beija a mão dele e a acaricia. Derruba lágrimas.

BARBARA: - Eu sei que não significo muito pra você... Talvez até nada. Mas resista, tá bom? Não me deixa sozinha. Eu amo tanto você... Admito, eu sou jornalista, sou curiosa. Eu procurei saber quem ela era. A Marita Covarrubias... Você tem bom gosto, ela era linda. Loira e linda. Uma mulher de presença. Eu não estou a altura de uma mulher assim, mas... Eu posso fazer você feliz. Eu quero cuidar de você como você tantas vezes cuidou de mim. Se eu tivesse aceitado sua carona, você não estaria aqui, não precisaria ter salvo o nosso amigo. Eu entendo porque o fez, mas você pode me perdoar?

Barbara deita o rosto na cama, fecha os olhos, derrubando lágrimas e fica acariciando a mão dele.


2:11 P.M.

Close nas velas acesas sobre o altar da capela, aos pés da imagem de Jesus Cristo. Frei Martin, o padre franciscano gordinho, termina de acender as velas. Faz o sinal da cruz. Passa pelo banco, dirigindo um sorriso simpático. Mulder sentado no banco, observando a imagem.

MULDER (OFF): - Eu disse que um dia voltaria aqui... Só quero um esclarecimento. Uma dica do que eu preciso fazer pra ter minha família unida de novo. Eu vou entender se não me der ouvidos. Porque acredito e respeito você, mas de uma forma diferente. E se puder ajudar meu amigo Krycek a sair dessa...

Mulder vira-se pro lado. Gabriel sentado no encosto do banco, com os pés sobre o banco, olhando pro altar.

GABRIEL: -(DEBOCHADO) Sabe o que me incomoda, além do fato de não farás imagens e esculturas para adoração... É que nem de longe acertaram a cara dele! Lamentável esses escultores boiolas da idade média, boiolavam todo mundo. Tá vendo ali aquela imagem de são Gabriel? Eu nem sou santo, sou anjo e pelo que saiba, anjos não são santos. Veja se parece comigo? Seja sincero, Raposo. O cara usa saias curtas, tem pernas depiladas, uma carinha doce e meiga de travesti da Quinta Avenida e tem asas com penas! Isso é muita boiolagem para comigo! Quanto desrespeito! Não vou atender prece de ninguém, só por esse desaforo!

MULDER: -(DESANIMADO) Sabia que ia encontrar você aqui, Gabriel. Me sinto um idiota sentado nessa igreja e falando com uma imagem de gesso.

GABRIEL: -Sua filha quando se machuca pede ajuda a quem? Ao pai dela. Não me parece ser idiota.

MULDER: - E ele escuta?

GABRIEL: - Se Ele fosse surdo eu não estaria aqui perdendo meu tempo precioso com você, Raposo. Poderia estar comendo rosquinhas ou sentado no letreiro de Hollywood vendo aquela cidade ardendo no inferno da luxúria.

MULDER: - Obrigado pelas dicas. Como de costume, só fizeram sentido quando eu precisei.

GABRIEL: - Obrigado não é algo que caia bem em você. Então não me agradeça.

MULDER: - Como vou fazer pra derrotá-lo?

GABRIEL: - Em primeiro lugar não tenha a arrogância de achar que vai derrotá-lo. Ele é Lúcifer, é demais pro seu bico. Em segundo lugar, não tenha o desespero de achar que não pode vencê-lo, ele não é tão esperto quanto julga ser.

MULDER: - Estou desanimado. Não sei o que fazer! Não sei nem por onde começar. Eu não posso lutar contra ele. Ele é uma inteligência superior. Ele tem poderes, faz coisas que eu como um homem não posso fazer.

GABRIEL: - Tem a chave?

MULDER: - Nem vou perguntar nada. Já sei a resposta.

GABRIEL: - Vai saber quando usá-la. Se deixa você mais animado, essa guerra não é sua. Portanto, fique longe dela. Não tem força e nem armas pra lutar. É uma eterna vigilância. E tudo o que acontece, mesmo que pareça caos, acontece porque Ele permite. Salve sua mulher de Lúcifer, lute contra ele, faça o que qualquer humano faria no seu lugar. E deixe ele conosco, porque ele é problema nosso. Só podemos intervir quando nos pedem intervenção.

MULDER: - ... Não entendo vocês. Se são uma raça tão superior, por que não resolvem isso de uma vez? Vocês podem acabar com o desgraçado em segundos!

GABRIEL: -Seu tempo não é o nosso tempo. Sua sabedoria não é a nossa. E nem os objetivos são os mesmos. Um dia vai acabar, a batalha final dessa guerra virá. E o Bonitão vai colher o que plantou. Ele quer esse planeta? Pois vai tê-lo por algum tempo. Todinho pra ele. Com toda a corja que ele gosta reunida. O lado ruim é que não terá mais ninguém pra ele tentar, visto que acabou a diversão quando só restam desgraçados caídos. Acho que me entende.

MULDER: -Sei. Porque os justos serão resgatados e levados aos céus. Haverá dois, um será levado, o outro deixado... Tem tanta nave pra isso?

GABRIEL: - O plano de evacuação da Terra já está todo acertado. Se preocupe em viver sua vida lutando ao lado do exército certo. De resto, tudo é problema nosso. Afinal, pra que servem os soldados? Olha, Raposo, Lúcifer tem um ponto fraco, que se você não for tão imbecil, deve ter percebido.

MULDER: - (PENSATIVO) ...

GABRIEL: -(DEBOCHADO) Impressionante! Eu tenho que mastigar tudo pra você?

MULDER: - Amor. Ele odeia o amor. É isso? Você me mandou pensar com o coração, e percebi que isso nem sempre significa agir com sensatez.

GABRIEL: - O amor é insensato! Veja Cristo, por exemplo! Cansou de ver tanto castigo divino para a raça humana, que resolveu provar ao pai que os homens mereciam uma segunda chance. Veio até aqui, nasceu nas mais humildes condições, curou gente, exorcizou demônios, fez cegos enxergarem, ressuscitou mortos, espalhou esperança, elevou os homens a salvação e ainda acabou morto daquela forma cruel, entregue por um dos que comiam na mesma mesa com ele.

MULDER: - É, mas Cristo sabia o que o esperava.

GABRIEL: - Sim, mas pagou o preço por amor aos homens. Lúcifer inveja o amor. O amor pra ele soa como ofensa, como falta de orgulho. Presta atenção. Ele vai tentar você, como já tentou. É da natureza do Bonitão tentar. Não dê ouvidos a ele. Ele vai ferir, conhece você e vai usar sua fraqueza contra você, como está usando a culpa da Scully contra ela. Isso só fará você ficar mais fraco. Qualquer coisa que faça você desacatar as ordens do cara lá em cima, deixará ele feliz. Pois faça exatamente o contrário. Cumpra as ordens. Por mais estranhas que pareçam.

MULDER: - E que ordens são essas?

GABRIEL: - Sabe um rádio? Sintonizado na frequência certa você ouve música. Na frequência errada, ouve estática. Ajuste sua frequência. Aquela coisa que vocês chamam de voz interior ou sexto sentido falará com você. Tudo o que precisa está dentro de você, em sua memória genética. Isso vem da criação do homem. O fato de você estar aqui acendendo velas e cultuando é uma memória genética. Um ritual de respeito, como você faz com sua mulher quando leva flores pra ela no café. É apenas isso. Uma comemoração, um obrigado.

MULDER: - Tantas perguntas, nenhuma resposta clara.

GABRIEL: - Ninguém neste planeta está pronto pras respostas claras. Entende o significado daquela passagem que diz que se houvesse um justo em Sodoma e Gomorra Ele não destruiria a cidade? Por quê?

MULDER: - Não sei.

GABRIEL: -É o que eu quero dizer quando falo das regras Dele. É preferível poupar um justo a matar centenas de injustos, pela raridade da existência de um justo! A força que você faz para ferir ou magoar alguém é a mesma força que você faz para sorrir e estender a mão. Está em sua memória genética o sorrir e estender a mão. Mas é seu livre arbítrio escolher entre estender a mão ou ferir. Entende? Não vamos entrar em concepções religiosas, você e eu sabemos que não é nada a ver com religião, Lúcifer criou a religião para que imbecis fiquem cegos da verdade e se matem todos os dias em nome dela.

MULDER: - Faz sentido.

GABRIEL: -Estamos falando de Ciência, Mulder. Física. Atração. Seu Deus é um cientista. Cada um age de acordo com o que o atrai. Você age com justiça porque se atrai por ela. Sua ruiva agiu com ódio, porque se deixou atrair por ele.Como você fez com Alex Krycek. Seu perdão por ele e seu amor por ela fez Lúcifer ficar distante de você. Viu que com você ele não teria chance. E acredite, ele tentou muito o seu amigo, mas ele foi firme. Lúcifer sabe, Mulder. Sabe com quem se mete. Ele não ousa tocar no que é nosso.

MULDER: -... Eu nem sou um cara digno. E Victoria? Eu só quero saber...

GABRIEL: -(CORTANTE) O perdão dado e o perdão pedido traz a dignidade de ser nosso. Lúcifer não pode pegar sua filha. Então usa os homens pra fazerem.

MULDER: - Me diz o que Victoria é. Sei que não pode falar muitas coisas, mas me diz que minha filha não vai ser uma espécie de Cristo nesse mundo... Só alivia meu coração de pai. Porque eu já entendi de que raça provém o homem e de que raça provém o aperfeiçoamento dos meus genes.

GABRIEL: - Sua filha não é nenhuma espécie de Cristo. Esqueça sua filha agora. Preste atenção no que eu digo. Scully deixou a porta aberta pra Lúcifer se aproximar. Ela deu a chance e jamais a culpe por isso. Jamais, porque ela foi uma vítima tanto quanto você. Se fizer isso, se julgá-la, vai cair. E não se permita cair. É tudo o que o Bonitão lá quer. Eu não tenho medo dele, mas abro minhas defesas. Sei com quem estou lidando, ele é persuasivo, inteligente, astuto e tem uma lábia enorme, porque enganou outros da nossa espécie e os levou pro lado da causa dele.

MULDER: -(INDIGNADO) Legal me dizer isso! Se você que é um anjo tem receio dele, o que sobra pra mim? O que eu faço?

GABRIEL: - O amor vence todas as coisas. Pense com o coração. É a única arma. É de onde virá a astúcia. E digo mais: não há nada do que ele tenha feito contra vocês que ele não pagará. E caro, acredite. Agora me dê licença. Já dei a mensagem. Ah! Quase esqueci!

MULDER: - O quê?

GABRIEL: -Não quero perguntas, porque tudo tem um motivo e um tempo certo para acontecer. Eu sei que depois do susto caiu a sua ficha e está pensando em levar Victoria para ver seu amigo, mas não faça isso.

MULDER: -Não pode me pedir isso, minha filha pode salvar Krycek! Por quê? Ele vai morrer, é isso?

GABRIEL: - (SUSPIRA INDIGNADO)Ei, acabei de pedir pra não perguntar e o que você faz? Pergunta!

MULDER: - (TRISTE) Eu não acredito que ele vai morrer no meu lugar!

GABRIEL: - Você é chato, Raposo, olha que eu tento, mas você vai ter que passar por muita peneira ainda! Como sou seu amigo, deixarei você queimar seus neurônios: "Porque a loucura de Deus é mais sábia do que os homens e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens". Eu sei que não entendeu nada e é por isso mesmo que eu falei. Não posso falar nada além do que me mandam!

Mulder abaixa a cabeça angustiado. Olha para o lado, Gabriel sumiu. Mulder olha pra imagem.

MULDER: - É. Você sabe bem como escolher o serviço de mensagem... Ele é assustador e folgado e não dá nem uma palavrinha a mais do que deve.




BLOCO 2:

Montanhas cobertas de neve. Um vale com apenas neve e gelo.

Krycek sentado numa pedra, olhando para o lago congelado, enquanto a neve cai sobre ele. Nenhuma expressão no rosto.


Hospital Mercy - Virginia - 3:49 P.M.

Barbara sai do CTI. Mulder parado no corredor, segurando um livro, um pacote de lanche e uma caixa de bombons.

MULDER: - (APREENSIVO) Então? Como ele está?

BARBARA: - Na mesma. E Scully?

MULDER: - Não posso nem mesmo ver a minha mulher, acredita? Mas a Baba entrou escondida. Scully está sedada. E Krycek?

BARBARA: - Dr. Parker disse que ele já deveria ter acordado. Mulder, acho que Alex não quer resistir.

MULDER: -Assim como a Scully. Entendo que eles a mantenham sedada e naquele lugar porque foi uma tentativa de suicídio, eles não querem arriscar. Mas eu sei que posso tomar conta dela.

BARBARA: - Aqueles caras foram longe demais dessa vez.

MULDER: - Vamos tirar Scully de lá. Hoje à noite.

BARBARA: - Vai dar certo.

Mulder entrega o livro pra ela.

MULDER: - Como você me pediu. Eu não tinha, comprei. Meu presente pra você.

BARBARA: - Obrigada. Vai ajudar a passar o tempo.

Mulder entrega o lanche.

MULDER: - A lanchonete daqui é terrível!

Barbara sorri. Os dois sentam-se.

BARBARA: - Obrigada, meu amigo. Espero retribuir o favor.

MULDER: - Eu quem estou retribuindo. Você me tirou da cadeia, sem ao menos me conhecer.

BARBARA: - De que vale a imprensa se não pode expor a verdade?

MULDER: - (SORRI) Você está virada num trapo, Barbara Wallace.

BARBARA: - (SORRI) Você também, Fox Mulder. Nem fez a barba!

MULDER: - Eu fico aqui, vá descansar um pouco.

BARBARA: - Eu não posso... Mulder, se quiser ir vê-lo...

Mulder se levanta.

MULDER: - Eu vou.

Corte.


Mulder se aproxima do leito. Põe a caixa de bombons na mesinha ao lado.

MULDER: -(DEBOCHADO) Acorda, "amorzinho". Você disse que não comia bombons há um bom tempo. Eu trouxe até bombons importados pra você. E custaram caro! Nem pra minha mulher eu dou bombons importados!

Mulder senta-se.

MULDER: - Não espere que vou acordar você com um beijo. Não vou realizar o sonho de todos os escritores de fanfics slash. Desista!E depois, quem vai me ajudar a infernizar a minha vizinha, ahn? Quem vai ensinar minha filha a cantar em russo? Quem vai ser amante da minha mulher? Pelo menos você é confiável. Os outros eu não sei.

Mulder olha pra Krycek. Respira fundo, abaixa a cabeça. Morde os lábios.

MULDER: - Eu já estive aonde você está. Já quis desistir dessa droga toda. A verdade é que não dá pra desistir. Desistir é admitir que eles venceram. Sabe que querem você morto. Eu não daria esse gostinho pra eles.

Mulder tira sementes de girassol do bolso e começa a comê-las. Enche os olhos de lágrimas.

MULDER: - Tive uma conversa séria hoje com um alienígena dentro de uma igreja. Não, não é piada. Se fosse há muitos anos atrás, eu estaria empolgado, abriria até um champanhe pra dizer: "eu conversei com um ET!!!"... Sem graça. Eu já sei a verdade há muito tempo. Não toda, mas pelo menos tenho certeza de que não sou louco. Quando você sair daí vamos ter muito pra conversar. Vou tirar a Scully do sanatório, ela tentou suicídio. Meus amigos voltaram. É, acho que eles perceberam que você faz parte do time agora. Se não perceberam, azar deles. E não é ingratidão da minha parte por tudo o que eles já me ajudaram. É um pacto de sangue, Rato. Foi o que fizemos, um pacto de sangue. Um pacto de sangue de gerações. E isso também é sagrado.

Mulder se ajeita na cadeira.

MULDER: - A sua jornalista não saiu de perto de você. Ela tá lá fora. Se recusa a ir embora. Se não se importa com você, se importe com ela. Desprezar o sentimento de uma mulher apaixonada é muito feio, até mesmo para um badboy. E não é ela quem merece uma chance. É você. Eu sei que podia trazer Victoria aqui e... Só não sei porquê eles não querem. Por mais que doa, me desculpe, mas não vou contrariá-los. Pense com o coração. Eu tô pensando. Em você e na Scully. E mesmo com o coração despedaçado, ainda tô tentando usá-lo... Você não deveria ter sido estúpido e tomar aquelas balas por mim. Elas eram minhas. Eu deveria estar aí no seu lugar.

Mulder abaixa a cabeça, num suspiro.


Hospital Psiquiátrico de Maryland – 11:12 P.M.

Frohike e Langly passam pelo corredor vestidos em uniformes de manutenção, segurando maletas de ferramentas. A enfermeira de plantão os observa por sobre o balcão. Os dois se dirigem até a ala principal. O guarda, lê uma revista.

FROHIKE: - Ei.

O guarda ergue a cabeça.

FROHIKE: - Temos problemas nos dutos de ventilação.

GUARDA: - Não fui informado disso.

LANGLY: - Melhor pra nós, vamos embora que eu quero dormir.

FROHIKE: - Olha meu amigo, também não estou muito interessado em consertar nada numa hora dessas, mas acho que não vai querer discutir com o diretor amanhã cedo por causa de um conserto urgente que não foi feito.

GUARDA: - ... Assinem aqui.

Langly e Frohike trocam algum código pelo olhar. Frohike assina. Langly assina. O guarda abre a porta de grades. Os dois passam. O guarda tranca a porta.

Os dois seguem lado a lado pelo extenso corredor branco.

FROHIKE: - Quarto 21.

Os dois olham pra cima, acompanhando a tubulação de ar.

Corta para o guarda, sentado e lendo a revista. Os dois soldados se aproximam, armados.

SOLDADO #1: - Senhor, esta ala a partir de agora será monitorada por militares. Por favor pegue suas coisas e dirija-se à recepção.


11:16 P.M.

O agente Donald Mallet, vestido de negro, sobre o prédio da frente, com binóculos de visão noturna, escutas e microfone.

DONALD: -... Falcão para Águia. Não vai acreditar. O exército chegou.

MULDER (RÁDIO): - O exército?

DONALD: -Fique aonde está. Há um caminhão com urubus fardados na frente do hospital.

MULDER (RÁDIO): - Devo acreditar que o Urubu Fumacento enviou reforços para protegê-la?

DONALD: -Acho melhor você acreditar que tem coisa grande aí dentro. Movimento muito suspeito para um hospital psiquiátrico.

MULDER (RÁDIO): - O Urubu Nazista?

DONALD: - Não está no meu campo de visão. Vejo o Urubu Fumacento conversar alguma coisa com um Urubu de Medalhas.

MULDER (RÁDIO): - Queria ser um mosquito.

DONALD: -Fique aonde está. O Corvo e o Canarinho já devem estar abrindo a válvula de escape.

MULDER (RÁDIO): - Droga! Esses urubus vão estragar tudo, como vamos sair daqui?

DONALD: -Vou resolver isso.

Donald pega o rádio.

DONALD: -Falcão para Cegonha. Movimento de urubus não calculado. Plano B. Precisamos de você fazendo um estardalhaço por aqui.

Corte.


[Som: Herb Alpert and Tijuana Brass -A Taste of Honey]

Langly anda por dentro do duto de ventilação, com uma lanterna e escutas. Frohike o aguarda no corredor.

LANGLY: - Droga, tá escuro aqui.

FROHIKE (RÁDIO): - Cale a boca e ande!

LANGLY: - Andar? Estou rastejando!

FROHIKE (RÁDIO): - Se eu não estivesse tão gordo eu mesmo estava fazendo o serviço, porque você mais resmunga do que trabalha!

Langly percebe a tela abaixo dele, de onde vem luz, indicando uma saída.

LANGLY: - Estou chegando... Acho que é o quarto 21, Corvo.

FROHIKE (RÁDIO): - Não ache nada, Canarinho! Certifique-se de que é!

LANGLY: - Ah sim, como eu faço? Pergunto se é o quarto 21? Não há placas luminosas aqui indicando 'bem vindo ao quarto 21'!

MULDER (RÁDIO): - Corvo e Canarinho, apressem-se. Tem urubus fardados por todo o lado de fora do prédio.

LANGLY: - (PÂNICO) Como vamos sair daqui?

MULDER (RÁDIO): - O Falcão está resolvendo isso. Acionou a Cegonha.

FROHIKE (RÁDIO): - O Cegonha careca...

Langly pega a chave de fenda do bolso e gira os parafusos.

FROHIKE (RÁDIO): - Como está indo?

LANGLY: - Tirando os parafusos...

FROHIKE (RÁDIO): - Vê alguma coisa?

LANGLY: - A Periquita não está na minha linha de visão.

MULDER (RÁDIO): - Periquita? Que Periquita?

LANGLY: - Err... A Andorinha. Errei de passarinho!

MULDER (RÁDIO): - Quando você sair daí eu vou te dar uns tapas pra você aprender a respeitar a mulher dos outros!

FROHIKE (RÁDIO): - Não toque na periquita do Águia ou vai apanhar! Tem certeza de que é o quarto 21? Não vai entrar no quarto errado e dar de cara com um maluco tipo o Hannibal!

LANGLY: - Claro que eu tenho! Tá me chamando de imbecil?

FROHIKE (RÁDIO): - Não preciso fazer isso. É uma verdade inquestionável.

LANGLY: - Então sobe você aqui, seu esperto!

MULDER (RÁDIO): - Querem parar de discutir? Depois vocês se rolam na grama aos beijos, mas primeiro tirem a Periqui... A Andorinha da gaiola!

Langly empurra a tela.

LANGLY: - Estou descendo. Isso tá apertado.

MULDER (RÁDIO): - Apertado estou eu! Quero ir ao banheiro.

Langly desce, caindo dentro do quarto. Na cama alguém dorme enrolado até a cabeça. Langly aproxima-se.

LANGLY: -Vim salvar você.

Langly arregala os olhos. Ela vira-se. Olha pra ele. Não é Scully. É Samantha.

LANGLY: - Frohike...

FROHIKE (RÁDIO): - O que é? Tira ela logo daí!

LANGLY: - Entrei no quarto errado. Não é a Andorinha.

Samantha se agarra em Langly, chorando.

SAMANTHA: - Me tire daqui! Por favor, me tire daqui!!!

MULDER (RÁDIO): - (PÂNICO) Como assim no quarto errado? Cai fora daí rápido!

LANGLY: - Ela está me segurando!

FROHIKE (RÁDIO): - Ela quem?

LANGLY: - Vocês não vão acreditar... Eu acho que conheço ela.

MULDER (RÁDIO): - Quer dizer que diabos está acontecendo aí?

LANGLY: - Acho que é a irmã do Águia.

MULDER (RÁDIO): -(INCRÉDULO) O quê???

LANGLY: - Acho melhor tirar ela daqui.

Corte.


O Canceroso entra ao lado do general. Aproxima-se da porta de grades.

CANCEROSO: - Quero toda a ala vigiada. Temo que Mulder tente alguma coisa pra retirar Scully daqui e descubra o que não deve.

A porta de grade é aberta. Os dois seguem pelo corredor.


11:27 P.M.

Frohike arrebenta o cadeado da porta com um alicate. Abre a porta. Samantha se apoia em Langly, que a ajuda a descer as escadas.

FROHIKE: - Saia pelo duto de roupa suja!

Frohike volta apressado pelo corredor. Vê o Canceroso e o general se aproximando.

FROHIKE: - Merda!!!!!!!!!!!!!

Frohike encosta-se na parede. Aproxima a mão lentamente da porta de Scully. Tateia. Percebe a fechadura de cartão.

FROHIKE: -(SUSPIRA) O que é um peidinho pra quem já tá todo cagado?

MULDER (RÁDIO): - (TENSO) É, acredite nisso! Pode ficar muito pior!

Frohike puxa um cartão do bolso. Passa rapidamente no leitor e entra no quarto. Encosta-se na parede ao lado da porta. O Canceroso se aproxima e espia pela janelinha da porta. Frohike fecha os olhos. O Canceroso sai, seguindo pelo corredor. Frohike corre até Scully que está na cama, dormindo.

FROHIKE: - Minha ruiva, esperei tanto por esse momento...

MULDER (RÁDIO): - (TOSSE) Dá pra se apressar?

FROHIKE: - Scully, precisa acordar. Vamos Scully.

Frohike sacode Scully. Ela abre os olhos, dopada.

SCULLY: - Quem é? Aonde estou?

FROHIKE: - Vamos, Scully. Precisamos sair daqui.

Frohike ajuda Scully a sair da cama. Ela mal se aguenta em pé. Frohike olha pra cima, para o duto de ventilação.

FROHIKE: - Estou cercado! Não tenho como sair daqui. Urubus estão lá fora e saída da gaiola é pequena. Andorinha está comigo.

DONALD (RÁDIO): - Plano B em andamento. Aguarde sinal e cai fora daí! Cegonha está chegando.

Corte.


Donald sobre o prédio observa pelo binóculo. Skinner chega com agentes do FBI.

DONALD: - (AO RÁDIO)Cegonha chegou com os bebês. Urubus estão tentando barrá-lo...

MULDER (RÁDIO): -Corvo dá o fora daí rápido!

DONALD: -(AO RÁDIO) Caminho livre. Urubus todos ao redor da Cegonha. Cegonha gritando, dando carteirada e ameaçando entrar. Cegonha tá furiosa. Se tivesse cabelos estariam arrepiados.

MULDER (RÁDIO): - Eu ia fazer uma piada sobre cegonha careca, mas vou deixar quieto...

Hospital Mercy - Virginia– 12:47 A.M.

[Som:The Smooth Orchestra - Somewhere, My Love (Lara's Theme) do filme Doutor Jivago]

Krycek ainda em coma. Barbara sentada na cadeira, lendo pra ele o livro "Doutor Jivago", de Boris Pasternak.

BARBARA: - (LENDO) E esta vastidão é a Rússia, incomparável, barulhenta, cujo nome estende-se além dos mares, a grande mãe, sofredora, teimosa, extravagante, brincalhona, adorada, com explosões eternamente grandiosas e trágicas que nunca são previsíveis! Oh, como é doce existir! Como é doce viver no mundo e amar a vida! Oh, como sempre se deseja dizer obrigado à própria vida, à própria existência, e dizer isso para elas frente a frente! Pois isso é que é Lara. Com a vida não se pode conversar e Lara é sua representante, sua expressão, o dom da audição e da fala regalado às origens desconhecidas da existência...

Barbara fecha o livro.

BARBARA: -Pelo menos não tem um Pasha torturado na minha vida e nem uma Tonya perdida na sua. Somos solteiros e desimpedidos.

Barbara se levanta. Observa pela janela.

BARBARA: -Noite linda lá fora... Espero que Mulder tenha salvo Scully. Outro romance bonito... Sou romântica e chorona. Por que as histórias de amor mais sofridas são as mais belas? Existem romances lindos lá fora, em vidas que desconhecemos... Uma vez pensei em escrever um livro sobre belos romances anônimos... Entrevistar pessoas nas ruas... Quantas histórias de amores impossíveis deve haver em cada esquina dessa cidade.

Ela se escora na janela, olhando pra ele.

BARBARA: - Eu não vou desistir, Alex. Não vou mais embora desse lugar. Você não sabe todas as porcarias que fiz pra ficar nesse país. Eu nunca entro numa briga pra perder. E comprei sua briga, isso é oficial... Algumas vezes eu perco, lógico, mas não entro pensando nisso. Se você desistir, eu vou continuar. Aí eu terei uma vingança muito maior que uma carreira perdida. E não pense que eu vou ficar parada na vida. Eu vou correr atrás do que acredito. Existe toda uma imprensa alternativa aí fora. Eu nasci pra fazer isso. É a minha parte nessa causa de vocês. Nem que eu morra. Tenho medo deles? Ah eu tenho! Mas eu vou encarar essa briga.

A enfermeira entra.

ENFERMEIRA: - Estou preocupada com você. Não quer mesmo ir pra casa?

BARBARA: - Não. Eu sou mais teimosa que ele.

ENFERMEIRA: - É seu marido?

BARBARA: - Bem que eu queria, mas acho que ele encontrou um jeito melhor pra fugir de mim. Sabe como são os homens. Preferem a morte a um compromisso sério.

A enfermeira sorri. Barbara leva as mãos ao rosto, secando as lágrimas.

BARBARA: - Bom humor ajuda.

ENFERMEIRA: - É. Vou trocar os curativos dele. Se quiser aproveitar e pegar um café.

BARBARA: - Acho que vou fazer isso. Não quero deixá-lo sozinho...


Apartamento de Ellen – 1:19 A.M.

Ellen abre a porta. Mulder entra carregando Scully nos braços. Scully desacordada. Skinner, Langly e Frohike entram atrás deles. Samantha entra receosa.

ELLEN: - Por aqui, Mulder, vamos levá-la pra cama.

Ellen guia Mulder até o quarto. Skinner senta-se no sofá.

SKINNER: - O que está acontecendo? Alguém sabe me dizer? Fomos buscar Scully e encontramos a irmã do Mulder?

Mulder e Ellen voltam pra sala.

MULDER: - Posso ficar aqui?

ELLEN: - Tudo bem. Mulder, eu preciso entregar algo pra você.

Ellen vai pra cozinha. Mulder se aproxima de Samantha. Passa as mãos no rosto dela.

MULDER: - Você tá bem? Como foi parar lá? Não devia estar em La Macella, na Venezuela, com o bonitão mafioso?

SAMANTHA: - Não começa, Fox!

Samantha começa a chorar. Mulder a abraça.

MULDER: - Sam... A gente vai ter muito tempo pra conversar. É que tudo despenca na mesma hora em cima da minha cabeça feito uma avalanche! E eu sou apenas um! Como foi parar lá? O que o Spender tem a ver com isso? Era por sua causa que eles estavam lá, não era? Queriam tirá-la do sanatório antes que eu descobrisse!

Langly e Frohike se entreolham. Ellen volta da cozinha com o caderno de Scully.

MULDER: - Samantha... Você tá legal? Ahn?

SAMANTHA: - Agora que estou com você, sim.

MULDER: - Eu não posso deixar Scully. Alguém leva a Samantha pra minha casa?

SKINNER: - Mulder, acha seguro? Vai chamar a atenção. Vão saber que você está com ela.

FROHIKE: - Posso opinar? Ela fica conosco, até você resolver o problema da Scully.

LANGLY: - É. A gente cuida dela.

MULDER: - Tá. Sam, vai com eles. Assim que eu puder, volto pra pegar você. E vocês dois, se lembrem que ela é minha irmã e eu ando armado, ok?

Frohike suspira. Langly abre a porta. Mulder beija Samantha na testa. Ela sai com eles. Mulder se atira no sofá ao lado de Skinner.

ELLEN: - Tô pra ver sujeito mais azarado que você, Mulder. Seu amigo, sua mulher e agora sua irmã. Todo mundo esperando pelo Mulder fazer alguma coisa.

MULDER: - Quando isso acabar vou dormir por um mês. No porão do FBI. Pra não ser demitido.

SKINNER: - Quando isso acabar, eu arrumo um caso pra vocês bem longe daqui.

Mulder, debochado, se abraça em Skinner e beija a careca dele. Ellen começa a rir. Mulder olha pra Ellen. Percebe o anel no dedo dela.

MULDER: -Ai... Desculpe, eu... Eu estraguei o dia de vocês. E a noite pelo jeito.

SKINNER: - Não. Estávamos apenas...

ELLEN: - (FELIZ) Discutindo quem ficaria com você e Dana como padrinhos. Walter me pediu em casamento. Eu aceitei.

Mulder sorri e dá outro beijo na careca de Skinner.

SKINNER: - Mulder, se me beijar de novo, escalo você pra faxina no porão! Você anda muito beijoqueiro. Pegou o costume russo agora? Será por quê?

MULDER: -Parabéns, Girafão. Desejo que sejam felizes!

ELLEN: -Victoria e Baba vão ficar bem sozinhas naquela casa?

MULDER: -Victoria pode se defender, Scully não... Acredite, minha Pinguinho tá se saindo melhor que a encomenda.

Mulder olha para o canto escuro da sala. Corre até o abajur, ligando-o.

MULDER: - Preciso de tudo claro por aqui. Baba disse que aquelas coisas agem na escuridão.

ELLEN: - Que coisas?

SKINNER: -Ellen, acho melhor você ficar lá em casa. Mulder precisa ficar um tempo sozinho com Scully.

ELLEN: - Mulder... Dana escreveu algumas coisas antes de tentar se jogar pela janela. E deixou isso sobre a mesa. É pra você.

Ellen entrega o caderno pra Mulder.

ELLEN: -Minha amiga ama a vida mais que tudo. Para ter tomado uma decisão dessas, a coisa deve ser realmente muito séria... E Mulder, você deve estar com fome. Faça alguma coisa pra você, um sanduíche, um macarrão instantâneo, se vira. E tem uma torta de aniversário na geladeira. Não tem ninguém de aniversário, é uma receita que experimentei pra minha futura confeitaria. Pode comer.

SKINNER: - Meu futuro: Além de careca, gordo.

Eles riem. Skinner veste o casaco em Ellen. Ellen pega a bolsa. Os dois saem, fechando a porta. Mulder respira fundo, cansado. Abre o caderno de Scully. Começa a ler.

SCULLY (OFF): - Eu contarei o meu pesadelo, caso alguma coisa aconteça comigo. Não peço que me perdoe, Mulder. Nem ouso pedir isso, nem eu me perdoo. Mea culpa, mea maxima culpa. Cheguei a um ponto em minha vida sem graça que eu conheci toda a felicidade que qualquer mulher jamais pensaria em ter...

1:46 A.M.

Scully dormindo na cama. Mulder se aproxima, mordendo os lábios e olhando em lágrimas pra ela, segurando o caderno nas mãos. Mulder coloca o caderno sobre o criado mudo. Passa a mão no rosto de Scully, ternamente, a olhando apaixonado. Estende a mão até os pés dela.

MULDER: - (SORRI CANSADO) Sempre com os pés frios, a minha baixinha...

Mulder coloca um cobertor sobre Scully. Puxa a poltrona pra perto da cama, sentando-se. Observa Scully.

MULDER: - Finalmente a sós? Faz tempo que isso não acontece... Então você agora sabe a verdade do que fizeram com você. Espero apenas que a verdade não a destrua mais ainda.

Mulder derruba lágrimas olhando carinhosamente pra ela.

[Som: Elton John - Blue Eyes]

Mulder leva a mão até a mão de Scully a segurando. Recosta-se na poltrona, fechando os olhos, mantendo a mão dela na sua. As lágrimas descem pela face de Mulder.

MULDER: - (CANTANDO BAIXINHO) Blue eyes... Baby's got blue eyes... Like deep blue sea... On a blue blue day...

Olhos azuis*. Meu amor tem olhos azuis. Como um profundo mar azul. Em um dia azul triste.


Scully abre os olhos, sentindo o calor da mão dele na sua. A primeira visão que tem é dele.

MULDER: - (OLHOS FECHADOS/ CANTANDO BAIXINHO) Blue eyes... Baby's got blue eyes... When the morning comes... I'll be far away. And I say... Blue eyes holding back the tears... Holding back the pain...

Olhos azuis. Meu amor tem olhos azuis. Quando a manhã chegar, eu estarei longe. E eu digo:Olhos azuis segurando as lágrimas, segurando a dor.

Scully enche os olhos de lágrimas.

MULDER: -(CANTANDO BAIXINHO) Baby's got blue eyes... And she's alone again.

Meu amor tem olhos azuis. E ela está sozinha novamente.

Mulder abre os olhos. Percebe que Scully olha pra ele, também derrubando lágrimas.

MULDER: -(CANTANDO BAIXINHO OLHANDO PRA ELA) Blue eyes... Baby's got blue eyes... Like a clear blue sky... (SORRI) Watching over me...

Olhos azuis. Meu amor tem olhos azuis. Como um nítido céu azul. Me observando.


Scully sorri entre lágrimas. Mulder senta-se na cama, toma o rosto dela nas mãos, olhando nos olhos dela.

MULDER: -(CANTANDO BAIXINHO OLHANDO PRA ELA) Blue eyes... Ooh I love blue eyes... When I'm by her side... Where I long to be... I will see...

Olhos azuis, oh, eu amo olhos azuis. Quando estou ao lado dela, onde eu desejo estar. Eu verei...


Mulder seca as lágrimas dela com os polegares.

MULDER: - (CANTANDO BAIXINHO/ APAIXONADO)Blue eyes laughing in the sun, laughing in the rain... Baby's got blue eyes... And I am home again.

Olhos azuis sorrindo ao sol, sorrindo na chuva. Meu bem tem olhos azuis.E estou em casa novamente.


Mulder olha nos olhos dela com olhos mais marejados ainda. Beija a testa de Scully com carinho, demoradamente. As lágrimas dele rolam pela face de Scully, junto com as lágrimas dela. Mulder afasta o rosto sorrindo pra ela. Scully vira-se de lado, observando ele sentar-se na poltrona. Ele segura a mão dela firmemente.


(*Blue Eyes pode ser entendido como olhos tristes. Optei por azuis, pela cor dos olhos dela. Assista o clipe especial em https://youtu.be/fSsdFsi1lyk).

Orion Publishing & Entertainment Associates – Washington D.C.–1:53 A.M.

The Gold Coin sentado à mesa de reuniões, brinca com a moeda, observando o nada. O Canceroso fuma um cigarro, analisando Strughold à sua frente. Diana Fowley, de braços cruzados, observa os dois.

DIANA FOWLEY: - Pelo que soube, Alex Krycek está em coma.

STRUGHOLD: -Alex Krycek não vai passar dessa. Poderia ter sido Mulder. Aquele rato soviético seria mais fácil pegar depois. Mulder é o problema. Parece um gato com sete vidas.

O Canceroso nem disfarça um sorriso de deboche. Coin sério, num beiço, em silêncio.

STRUGHOLD: - Mulder pegou a irmã. E levou Scully... Não foi pra casa. Não sabemos aonde elas estão.

DIANA FOWLEY: - Mas isso não significa que estão juntos.

STRUGHOLD: - Faz alguma diferença? (OLHA PRA COIN) Eu quero a criança. A criança que você me prometeu!

THE GOLD COIN: - (CONTINUA MUDO BRINCANDO COM A MOEDA)

CANCEROSO: - O que fez com Garganta Profunda?

THE GOLD COIN: - (BRINCANDO COM A MOEDA)

STRUGHOLD: - Pouco me interessa o que aconteceu com Garganta Profunda! Eu quero a criança! Não podemos prosseguir as experiências sem a menina. Se não percebem a gravidade da situação, precisamos de defesas contras os malditos alienígenas, porque não sabemos as reais intenções de nenhum deles. Alguma raça pode sair do buraco em que se enfiou e voltar com força total. E fora a ameaça que já temos como certa, vindo da raça que nos criou. E esses são os mais tecnologicamente avançados entre as outras raças já catalogadas.

Coin boceja, entediado. O Canceroso sopra a fumaça do cigarro, num deboche.

STRUGHOLD: -Temos alguma esperança nas mãos? Algum super humano? Soldados capazes de resistir a uma guerra? Essa menina é o híbrido natural mais perfeito que temos! E com genes dos alienígenas que nos criaram! Imagina chegarmos ao dia em que criaremos anjos? Humanos criando anjos! Anjos, os mais mortais guerreiros que temos conhecimento!

Coin olha pra Strughold com o canto dos olhos, de cima a baixo, em desprezo.

CANCEROSO: - Utilize o termo convencional: Nórdicos.

STRUGHOLD: - Anjos, Nórdicos, o que importa? Importa que ninguém nos derrotará! O exército perfeito, verdadeiras máquinas de matar! Nem a raça que nos criou ousaria nos destruir! Nem os bastardos deles que estão aqui na Terra! Combate de igual para igual. E quem está com o Evangelho? Ahn?

CANCEROSO: - Não olhe pra mim como se eu fosse o culpado! Não estou defendendo Mulder. Só acho que existem outras maneiras de conseguirmos as coisas. Mulder sempre foi e nos será útil!

STRUGHOLD: - Você mente!

THE GOLD COIN: - (OLHANDO PRA MOEDA) Vocês todos mentem. Posso perguntar como pretende criar anjos, pressupondo que a menina tenha uma genética que se assemelha mais a eles? Vai obter uma pureza de onde? Ahn?

STRUGHOLD: - Dos genes do pai dela. Nós os temos ainda.

O Canceroso cerra o cenho, incrédulo.

THE GOLD COIN: - (SORRI COM O CANTO DA BOCA) Vocês não precisam do diabo mesmo. Ganhariam em disparada dele!

DIANA FOWLEY: - Eu posso entrar lá e pegar a menina. Qualquer um pode pegá-la! Pelo amor de Deus, é só uma criança, Mulder está atordoado atrás daquela mulher, nem está ligando pra filha!

STRUGHOLD: - Faça isso.

THE GOLD COIN: -(AMEAÇADOR) Se fizer, considere-se uma mulher morta.

Strughold olha pra Coin.

STRUGHOLD: - Eu não entendo! Você tem os mesmos interesses, por que não deixa que tomemos a criança a nossa maneira?

THE GOLD COIN: - Não vão conseguir pegá-la.

STRUGHOLD: - Você não conseguiu com seus métodos via Patterson com MK-Ultra e sabe-se lá mais o quê! Agora vamos tentar os meus métodos!

THE GOLD COIN: - Tempo perdido.

Strughold levanta-se. Diana olha pra The Gold Coin, que encara o Canceroso.

THE GOLD COIN: - Eu sempre sei de tudo. Não esqueçam disso. Tenho olhos e ouvidos espalhados por cada esgoto desse país.

O Canceroso se levanta.

THE GOLD COIN: - Sente-se!

O Canceroso senta-se. The Gold Coin coloca a moeda sobre a mesa. Cruza as mãos uma na outra, olhando pra moeda. Strughold o observa.

THE GOLD COIN: - Qual o seu preço?

CANCEROSO: - Sobre o que estamos falando?

THE GOLD COIN: - Sabe sobre o que estamos falando. Quero saber seu preço.

CANCEROSO: - Paguei o preço de Mulder com Samantha. Não tenho mais nada a pagar.

THE GOLD COIN: - Samantha pode ser mercadoria valiosa para Strughold estudar o que os Greys fizeram com ela. Mas a mim, ela não interessa. Qual seu preço?

CANCEROSO: - Não quero me envolver.

THE GOLD COIN: - Querer não é poder. (ACENDE UM CIGARRO) Está atolado em dívidas comigo, que jamais poderá pagar. Está tão sujo que nem pode mais se limpar.

CANCEROSO: - Está me desafiando?

THE GOLD COIN: - (SORRI DEBOCHADO) Eu jamais desafiaria um homem... E você jamais me desafiaria se realmente me conhecesse.

O Canceroso se levanta e sai batendo a porta. The Gold Coin recosta-se na cadeira. Espreguiça-se.

STRUGHOLD: - Você deu a cartada final nele.

THE GOLD COIN: - ... Você sabe o que fazer. Agora me deixe a sós com Diana.

Strughold sai. The Gold Coin afaga a mão de Diana. Ela fecha os olhos, inebriada com a voz dele.

THE GOLD COIN: - (ENCANTADOR) Vá pra casa dormir, o dia será longo. E de noite, janta comigo? Eu tenho um presente para lhe dar.

DIANA FOWLEY: - (SORRI) Que presente?

THE GOLD COIN: -(ENCANTADOR) Uma pequena surpresa para alguém tão especial... Eu lhe prometi o mundo, minha querida. Fique ao meu lado e lhe darei todo o poder que eles tanto almejam. Você tem algo que eles nunca terão: Você é mulher. E as mulheres são espertas por natureza e conquistam tudo o que desejam num mundo de homens tolos.

Diana sorri.

THE GOLD COIN: - Adão caiu por Eva. Julio César por Cleópatra. Paris caiu por Helena. Alexandre, mesmo um bissexual assumido, se rendeu a Roxana. Napoleão tinha sua Josefina. Hitler sua Eva Braun. E Mulder ainda morrerá por causa de Scully. Nunca, minha querida, nunca subestime o poder de uma mulher sobre um guerreiro. Ela pode fazer seu homem ganhar ou perder uma guerra.

Coin pisca o olho sensualmente pra ela.

DIANA: -Você tem um cheiro de enlouquecer qualquer mulher. Esse seu perfume, esses gestos, a maneira como olha e sabe provocar o mais perverso desejo escondido de uma mulher. Então por que brinca comigo, se quando me aproximo você corre?

THE GOLD COIN: - Sou um sujeito das antigas, que gosta de provocar o apetite publicamente, cara dama, mas as refeições ficam entre dois e entre o silêncio de quatro paredes...

Diana sorri. Pega a mão dele e beija. Ele retribui um sorriso sensual. Ela sai fechando a porta atrás de si. Ele tira o sorriso rapidamente e limpa a mão no terno.

THE GOLD COIN: - (FAZENDO CARETAS COM NOJO) Argh! Mulher! Ugh! Bando de macacas fedidas! O que não tenho que aturar pra não me expor!

Coin pega o celular, aperta uma tecla e reclina-se com a cadeira.

THE GOLD COIN: - (AO CELULAR) Preciso dos seus serviços sexuais... É, a macaca de sempre. Me espere no hotel hoje à noite, Almirante. Não esqueça, Richard Gere. Eu preciso ir pra Los Angeles resolver negócios, explico pra você o que deve fazer... Não achei graça na piada, irmão. Nenhuma mesmo! Mantenha seus olhos no céu e em Gabriel que anda descendo muito ultimamente... E outra coisa. Mande Belial colocar alguns dos nossos vigiando Strughold. Eu não quero que eles peguem a filha de Mulder, entendeu? ... Não, eu não tenho certeza de nada sobre a natureza dela, mas por via das dúvidas, melhor não arriscarmos e dar ao Tirano motivos pra mandar Miguel descer aqui e nos fulminar... Depois eu explico, mas essa macacada pensa que pode nos humilhar enquanto raça! Acham que podem criar anjos, acredita? ... Eu não sei se podem, por isso não vamos arriscar nada, estamos numa guerra com Sião e não vamos dar chances ao inimigo para nos acusar diante do multiverso e nem permitir que essa macacada nos incomode nesse planeta mais do que já nos incomodam! Eu vou cuidar do assunto Victoria Mulder pessoalmente. E não tenho pressa. Alguns anos não fazem diferença para quem está aqui há milhões. A paciência é sábia, meu querido almirante.



BLOCO 3:

Hospital Mercy - Virginia – 2:12 A.M.

Krycek ainda desacordado. Barbara sentada na poltrona, com o livro aberto, boceja.

BARBARA: - (LENDO) Não podemos fugir e nem temos para onde. Mas podemos nos esconder e passar para a sombra. Por exemplo, ir para Varikino. Penso na casa de Varikino. É bem distante e abandonada. Lá não ficaremos à vista, como aqui. O inverno está próximo. Eu assumiria a responsabilidade de passar o inverno lá. Até nos encontrarem, ganharíamos um ano de vida, já é lucro. Samdeviatov ajudaria a manter o contato com a cidade. Quem sabe concordaria em nos esconder. Hem? O que você me diz? É verdade que agora lá não tem alma viva, um horror, vazio. Pelo menos, assim estava em março, quando estive lá. Dizem que há lobos. É temeroso. Mas as pessoas, principalmente do tipo de Antipov e Tiverzin, agora são mais terríveis que os lobos...

Barbara toma um gole de café.

Corte.

Krycek ainda sentado numa pedra, olhando para o lago congelado, enquanto a neve cai sobre ele.

BARBARA (OFF): - (LENDO) Não sei o que dizer. Pois você mesma, a toda hora, manda-me para Moscou, tenta convencer-me a não adiar a viagem. Agora ficou mais fácil. Informei-me na estação de trem. Não estão ligando para os sacoleiros. Nem todos os clandestinos são retirados dos trens. Cansaram de fuzilar, estão fuzilando raramente...

Krycek fecha os olhos.

BARBARA (OFF): - ... Você me disse que sua mãe e seu pai brincavam com o fato de que ela também era Larissa e ele Yuri. Que esse era o livro favorito deles. Aposto que eram pessoas boas.Alex... Eu não sei, mas acredito que possa me ouvir. Não desista, por favor. Tem tanta coisa bonita nesse mundo, coisas que você nunca conheceu e que eu quero te mostrar.

Krycek permanece parado, sem esboçar reação alguma. Alguém senta-se de costas pra ele, atrás dele.

BILL MULDER: - Você me matou. Não o culpo por isso. Se não fosse você, outro o faria. Melhor que tenha sido você. Pelo menos seu coração não é frio o suficiente para não sentir remorso e ajudar o meu filho. Tem o meu perdão.

Krycek continua sem se mover, apenas derruba lágrimas. Bill Mulder sai. Melissa Scully toma o lugar dele.

MELISSA: - Fico feliz por morrer no lugar da minha irmã. Eu sei que você tentou evitar que aquele sujeito apertasse o gatilho. Entristeço por saber que tentou me poupar porque eu não era o alvo. Se Dana estivesse lá, você a teria matado? Tudo bem, eu te perdoo por isso.

Krycek fecha os olhos. Alguém senta-se atrás dele, o abraçando. Um jovem magrela e claro, de cabelos espetados. Beija-lhe o rosto.

KAREL: - Como vai o meu irmão? O que faz aqui nesse lugar que não é seu?

Krycek morde os lábios, desabando no choro.

KAREL: - Me conta, conseguiu realizar seus sonhos? Foi para a América? Conseguiu ser cantor? Uma garota bonita para amar? Que gosto tem a Coca-Cola afinal? Alex, eu quero agradecer por tudo o que você fez por mim. Não se culpe pela minha morte. Eu estou bem melhor aqui. Mas não é o seu lugar ainda. Por que não volta? Há tanto para conquistar...

O jovem se afasta. Krycek não consegue se mexer, apenas chora. A presença feminina o envolve nos braços, pelas costas, segurando uma branca rosa-de-gueldres que joga no colo dele.

ANNA LARISSA: - Oi, meu amor. Meu pequeno Kalinka cresceu, se tornou um homem bonito, parecido com seu pai. Lembra-se das tardes em que, enquanto eu bordava, ensinava você a tocar balalaica? Ah, você sempre teve uma voz de anjo, meu Alexander. Sempre teve uma natureza doce e tímida... Não deixe que a vida arranque isso de você, meu filho. Todos cometemos erros e todos merecemos perdão. Perdoe a si mesmo, Alexander. Nada me deixaria mais feliz.

Krycek fecha os olhos, marejados. Uma presença masculina se aproxima por trás e inclina-se beijando seus cabelos.

YURI: - Me perdoe, meu filho. Minha insensatez me fez morrer. E minha morte fez você cair em desgraça na sua vida.

Krycek fica com os olhos parados, fitando o horizonte, ainda em lágrimas.

YURI: - Você é minha semente. Meu filho muito amado a quem magoei muito quando parti. Não seja insensato como eu fui, Alex. A vida é muito mais que lutar por ideais e justiça. Eu não entendia isso. Fiz sua mãe e você sofrerem. Não repita os meus erros. Me perdoe em seu coração e se perdoe pelas escolhas erradas que fez.Nunca é tarde para recomeçar. Eu não tive tempo para isso. Não espere o tempo passar.

Krycek abaixa o olhar, olhando para as flores em seu colo.

MARITA: - Alex?

Krycek fecha os olhos.

MARITA: - Pode se perdoar como eu o perdoei tantas vezes? Não era pra você estar lá porque não era a sua hora. E nem é sua hora ainda. Eu não quero mais sangue. Minha justiça é você ter ficado vivo. Então viva! Siga o que planejamos, jogar tudo para o alto, esquecer aqueles homens e viver. Volte Alex... Alguém ama você. E eu fico muito feliz por isso. Viva por mim e por seu filho. Sorria por nós. Porque a vida passa, Alex. Num estalar de dedos. E tudo que levamos conosco é nossa alma. Por isso cuide bem dela...


Apartamento de Ellen – 3:07 A.M.

Batidas na porta. Mulder sai do quarto e abre a porta. Olha pelo corredor. Ninguém. Mulder fecha a porta. Vira-se e leva um susto.

THE GOLD COIN: - Quer se purificar de todas as suas culpas e pecados?

MULDER: - ...

THE GOLD COIN: - (SORRI) Vim até aqui dizer que seu pai sabia aonde estava sua irmã. Ele a entregou. Não sente ódio disso?

MULDER: - Se ele o fez, teve seus motivos. Eu sei o que quer fazer. Você quer me colocar contra ele, quer me deixar atordoado, cego de ódio. Eu não sinto ódio. Há muito tempo eu deixei de sentir ódio.

THE GOLD COIN: - (DEBOCHADO) Está me dizendo que ama todo mundo?

MULDER: - Estou dizendo que aprendi a perdoar.

THE GOLD COIN: - Dana Scully realmente lhe fez mal... Bem, se aprendeu a perdoar, você ama o mundo, não ama? Não ama as pessoas?

MULDER: - Aonde quer chegar com isso?

THE GOLD COIN: - Apenas quero ter a certeza de que você perdoa e compreende o mundo. Você se importa com as pessoas. Com o sofrimento delas.

MULDER: - Sim, eu me importo. Se não me importasse com as pessoas eu não vivia pela justiça!

THE GOLD COIN: - Sabe qual a maior prova de amor ao mundo?

MULDER: - (DESCONFIADO) ...

THE GOLD COIN: - Permito que seja Deus. Você é Deus neste momento.

MULDER: - ... Não sou Deus.

THE GOLD COIN: - É. Você não é mesmo. Deus salvou o mundo entregando seu filho para a morte. Você não pode ser Deus porque é egoísta, quer sua filha só pra você, mesmo sabendo que ela pode salvar o mundo.

MULDER: - Não desiste de me tentar? Eu não vou entrega-la!

THE GOLD COIN: - Quantas pessoas deixariam de morrer injustamente? Quanta maldade você pouparia se entregasse sua filha?

MULDER: - Se você me conhece, porque já esteve perto de mim, isso me leva a pensar que também conheço você, porque já o senti. Não vai me convencer a nada.

THE GOLD COIN: - Dou o mundo a você. Transformo você em um rei. Tudo o que quiser num estalar de dedos. Que tal fama como investigador paranormal? Escritor? Quem sabe nunca mais precisar trabalhar? Ahn?Riqueza. Poder. Sucesso. Mulheres. Tudo é seu.

MULDER: - Já tenho riqueza. Tenho uma família. Já tenho poder e sucesso. Sou um agente do FBI e sou o Estranho. Já tenho mulher, a minha esposa. Portanto eu tenho um reino.

THE GOLD COIN: - Se contenta com tão pouco, Mulder? Imagine carros importados, iates, dinheiro, jóias, festas, mansões, mulheres aos seus pés, todas as que você quisesse. Gente importante frequentando sua casa, mídia, seu nome e sua foto em todo o mundo?

MULDER: - Está falando com o cara errado. Isso não me interessa.

THE GOLD COIN: - E a verdade? Eu conto toda a verdade a você, desde o princípio de tudo. Conto até a sua verdade. Em detalhes. Mostro a você a explicação de todos os enigmas do universo. Lhe dou a sabedoria e o conhecimento de todas as coisas. Todas as respostas dos Arquivos X que você nunca encontrou. Posso até conseguir que dê uma voltinha numa nave, só a passeio, com um guia explicando como tudo funciona.

MULDER: -(IRRITADO) Vá se danar você! E todos os extraterrestres!

THE GOLD COIN: - Então eu deixo sua mulher em paz e salvo seu amigo Krycek. Que tal?

Mulder fecha os olhos. Coin sorri com o canto da boca.

THE GOLD COIN: - Eu vou sair perdendo. Troco dois por uma. A vida deles pela sua filha. E acredite, eu não vou entregar a menina pra Strughold. Nem machucá-la. Só quero saber o quanto de Deus há dentro dela. Só isso me interessa.

MULDER: - (SORRI) Por que não pergunta pra Deus? Assim resolvemos nosso impasse.

Mulder dá as costas e vai pro quarto, fechando a porta. Coin cerra o cenho, irritado.


4:04 A.M.

Mulder sentado na poltrona. Scully dorme. Mulder levanta-se. Toma o pulso dela. Leva a mão aos pés de Scully. Olha pelo quarto e vê a cômoda. Aproxima-se, abrindo as gavetas, procurando meias. Abre a última gaveta. Retira um par de meias, mas para. Observa algo na gaveta. Leva a mão a gaveta e retira o dossiê. A folha de metal dourado cai no chão. Mulder pega a folha e a observa fascinado. Olha pra Scully, incrédulo.

MULDER: - Então esse é o tal Evangelho que Strughold quer? (SORRI) Scully, quantas surpresas você está me escondendo? Tirando o doce da minha boca, sua gulosa?


9:37 A.M.

Mulder sentado na poltrona lendo as anotações de Scully. Scully permanece dormindo. Mulder pega o celular e aperta uma tecla.

MULDER: - (AO CELULAR) ... Baba, sou eu. E aí? Viu ele? ... Ainda em coma? (DESANIMADO) Scully está dormindo, deram muita medicação pra ela. Não, Ellen foi vender uma casa e volta, quando ela chegar eu vou até o hospital ver o Krycek, não quero deixar Scully sozinha... Tá, leva a Victoria com você, pega umas coisas pra Barbara na casa dela... Se você esperar, assim que Ellen voltar eu busco você e já entrego pra ela no hospital... Sim, a minha irmã... Não, ela só está assustada... Baba, faz assim, se o Kersh ligar de novo perguntando sobre minha ausência no FBI diga que estou num caso fora da cidade. É, Skinner vai confirmar. Certo. Dá um beijo na Pinguinho e diz que a amo.

Mulder desliga. Passa as mãos no rosto.

Corte.


Krycek ainda sentado na pedra, a neve caindo sobre ele. O lago congelado à sua frente. Scully senta-se atrás dele, de costas pra ele, pés descalços e numa camisola branca.

SCULLY: - O que faz aqui?

KRYCEK: - ...

SCULLY: - Onde estamos?

KRYCEK: - ...

SCULLY: - Mortos? Ou é outro sonho que estou tendo com você?

KRYCEK: - ...

SCULLY: - Eu... Eu tentei me matar. Me levaram pra um sanatório e acho que ou estou dormindo ou estou morta. Pensei ter ouvido Mulder cantar... Pensei tê-lo visto... E você? O que faz aqui? Por que não está com o Mulder? Ele precisa de você. São como irmãos agora. Eu me sinto melhor sabendo que está cuidando dele por mim... Mulder só faz besteira, Alex. Você consegue colocar rédeas nele que nem eu consigo.

KRYCEK: - (DERRUBANDO LÁGRIMAS) ...

SCULLY: -Me perdoa, Alex. Perdoa por todas as coisas que eu disse sobre você. Pelas coisas que fizeram eu pensar sobre você. Hoje eu sei que não tivemos nada e que você foi um cavalheiro me respeitando enquanto podia ter se aproveitado da minha insanidade... Eu não culpo mais você pelo passado. Passado é passado. Se eu voltar pra ele, vou me culpar por coisas que também fiz e coisas que deixei de fazer. Nós erramos muito, todos nós. Eu perdoo você por tudo, pois você foi um grande amigo na hora em que eu mais precisava, cuidando da minha filha e do meu marido pra ele não fazer besteira...

Krycek permanece imóvel olhando pro lago congelado. Scully caminha até o lago, pisando sobre o gelo.

SCULLY: - Eu não queria ter chegado a esse ponto. Eu não queria morrer. Eu não tive escolha, ele me torturava dia e noite. Jamais pararia. Foi um sacrifício por Mulder e minha filha. Agora ele não terá mais a quem torturar para pegar Victoria. E você? Porque está aqui? Por amor ou pela dor? Ou por ambos, assim como eu?

O lago começa a rachar. Scully cai dentro dele. Krycek continua imóvel, derrubando lágrimas.


7:06 P.M.

Scully abre os olhos. Olheiras enormes. A primeira imagem que vê é Mulder, sentado na poltrona, olhando pra ela, preocupado. Scully tenta se apoiar nos cotovelos, mas cai deitada. Percebe que está de camisola branca. Está confusa por causa das medicações.

SCULLY: - Onde estou? Tô com frio...

MULDER: - No apartamento da Ellen. E com os pés congelados pra variar.

SCULLY: -Mulder? É você?

MULDER: - Quem mais seria?

SCULLY: - Eu... Eu achei que estivesse morta, sei lá... Um sonho esquisito...Onde Ellen está?Quem trocou minhas roupas?

MULDER: - Eu troquei suas roupas. Ellen saiu cedo, vendeu uma casa, voltou e foi correndo reservar o prédio pra confeitaria de vocês. Depois foi pro apartamento do Skinner... Scully, você apagou mesmo. Eu saí, fui ver Krycek, voltei e você continuou dormindo. E eu já estava nervoso.

SCULLY: - (PÕE A MÃO NA TESTA/ FISIONOMIA DE DOR) Minha cabeça dói... O que houve com Krycek?

MULDER: -... Nada.

SCULLY: - Mulder, não me engane. O que houve com Alex?

MULDER: - Está morrendo no meu lugar.

SCULLY: -(NERVOSA) Como assim, Mulder?

MULDER: -Como dizia minha tia, enquanto você dormia muita coisa acontecia. Strughold sequestrou Barbara Wallace e queria que Krycek sequestrasse Victoria como troca. Um cara atirou pelas minhas costas e Krycek se enfiou na frente.

SCULLY: - Krycek protegeu você? Bem, isso não me espanta mais. Mulder, eu lamento... Eu... Acho que vi Krycek... Eu não sei, estou confusa... O que os médicos disseram sobre Krycek?

MULDER: - Não querem dar falsas esperanças. Ele tá ferrado, Scully. Você me arrumou um amigo, um parceiro, um irmão e agora... Agora ele tá lá por minha culpa!

SCULLY: - Não. Ele está lá por minha culpa.

MULDER: - Você não tem culpa de nada, Scully. Eu devia ter dado ouvidos ao Skinner, isso sim. Esperado por vias oficiais, mas também se tivesse feito isso Barbara poderia estar morta.

Scully abaixa a cabeça, culpada.

MULDER: - Samantha voltou. Ainda não pude conversar com ela pra saber o que aconteceu. Ela parece tão confusa quanto você, visto que dividiam o mesmo hospital psiquiátrico sem saber. As coisas todas enlouqueceram lá fora, Scully.

SCULLY: - Mulder, eu não estou entendendo nada...

MULDER: -Quero que descanse primeiro porque eu preciso da minha parceira. Mas antes da parceira, preciso da minha... Amiga de volta.

SCULLY: - Eu estou confusa, Mulder... Não sei o que é sonho ou realidade... Eu... Eu estava num hospital. Depois sonhei que você cantava pra mim... Depois estava num lugar frio, gelado, vi Krycek sentado lá, sem dizer uma palavra, apenas chorando, sem se mover...

MULDER: - Sonhou com ele? De novo?

SCULLY: - Mulder, por favor, não é o que está pensando. Eu não sei... Minha cabeça dói. Como vim parar aqui? O que você faz aqui?

MULDER: -Eu? Nada. Sentado e pensando.

SCULLY: - Quanto tempo dormi?

MULDER: - Bastante. Tipo uma noite e um dia...

SCULLY: -Ficou aqui comigo a noite toda e o dia inteiro? Sentado nessa poltrona? Cuidando de mim?

MULDER: - (DEBOCHADO) Eu sou voyeur. Adoro ver mulher dormindo de camisola.

SCULLY: - Mulder, vão demiti-lo do FBI! Deveria estar lá...

MULDER: - Skinner está segurando a bronca. E se não segurar, dane-se o FBI! Minha prioridade é a minha parceira e não os Arquivos X.

Mulder se levanta. Scully percebe seu caderno sobre o criado mudo.

MULDER: - Vou preparar algo leve pra você comer. Precisa se recompor.

SCULLY: - (CERRA O CENHO PRA CHORAR) Mulder... Você leu?

MULDER: - Sim. E depois quero saber o que o Fumacinha falou pra você. Que história é essa de que você foi parar no Arquivos X por outro motivo? Prefiro saber da sua boca. E o que é isso?

Mulder tira a folha de metal e o dossiê que estavam sob a poltrona.

SCULLY: - Eu não quero falar nisso agora, Mulder, por favor. O assunto é longo demais e eu estou cansada. E o que eu quero realmente falar pra você, eu não posso.

Mulder joga o dossiê e a folha de metal sobre a poltrona e sai do quarto. Scully fecha os olhos, angustiada.

Corte.


Mulder na cozinha, serve um prato de sopa, o colocando na bandeja.

[Som: Barbra Streisand - Woman in love]

Mulder para, ao ouvir a música. Fecha os olhos, triste, como quem entende a dor. Leva a mão ao rosto, perdido, sem saber o que fazer. Anda de um lado para outro, tenso.


The road is narrow and long when eyes meet eyes and the feeling is strong. I turn away from the wall, I stumble and fall but I give you it all...

A estrada é estreita e longa quando olhos conhecem olhos e o sentimento é forte. Eu me viro contra a parede, eu tropeço e caio, mas eu lhe dou tudo...


Mulder pega a bandeja e sai da cozinha. Scully parada na frente da estante, de camisola, deslizando os dedos pelo aparelho de som. Mulder fica parado com a bandeja. A observa. Ela parece um anjo na camisola branca e longa.


I am a woman in love and I'd do anything to get you into my world and hold you within. It's a right I defend over and over again What do I do?

Eu sou uma mulher apaixonada e eu faria qualquer coisa para entrar em meu mundo e abraçar você dentro dele. É um direito que eu defendo inúmeras vezes. O que eu faço?


Mulder fecha os olhos.

SCULLY: - A música me acalma. Entende a música, Mulder?

MULDER: - ... Scully, sua garota esperta.

SCULLY: - Música é uma linguagem. Ela fala quando não podemos falar.

MULDER: - (SORRI TRISTE) Eu entendi.

SCULLY: - Dizem que os anjos ouvem.

MULDER: - Mas talvez eles não entendam.

SCULLY: -(CANTANDO) Over and over again...

MULDER: - (APAIXONADO/ MURMURA) Mas acho que anjos cantam...

SCULLY: - Eu... Posso comer essa sopa?

MULDER: - Ahn, sim, claro!

Scully sorri. Senta-se no sofá. Mulder coloca a bandeja sobre as pernas dela.

SCULLY: - Hum, você melhorou como cozinheiro.

MULDER: - É sopa pronta.

Mulder senta-se ao lado dela.

SCULLY: - Mas pelo menos agora você consegue ligar o fogão.

MULDER: -Você não faz ideia do cara que eu me tornei durante esses meses infindáveis sem você. E do quanto estou rachando meus neurônios pra resolver essa situação.

SCULLY: - ... Como me tirou do sanatório, Mulder?

MULDER: - ... Nossos amigos me ajudaram.

SCULLY: -(OLHA PRA ELE) Você é um grande amigo.

Mulder permanece seco, olhando pra porta.

MULDER: - ... Jamais seremos amigos como fomos, Scully.

SCULLY: - ... Eu sei.

MULDER: - Fomos homem e mulher. Não dá mais pra separar isso. É difícil pra mim não ver você como mulher. Como é difícil pra você não me ver como um homem.

SCULLY: - ...

MULDER: - ... Coma tudinho pra ganhar a sobremesa. Torta da Ellen. E está muito boa.

SCULLY: - ... Ellen tem jeito pra isso. E Victoria? O que anda aprontando?

MULDER: -Arrumou um periquito que está acabando com as minha sementes de girassol. Tenho medo de levá-la num zoológico, vai que queira um só pra ela.

Scully começa a rir.

MULDER: - Precisei quebrar aquele vaso que ganhamos da sua mãe, porque sua filha enfiou o braço dentro dele e abriu o berreiro porque não conseguia tirá-lo. Não para mais no cercadinho, corre atrás do cachorro o tempo inteiro, descobriu pra que serve o meu som e meus fones de ouvido, também descobriu a utilidade do celular e do telefone, não quer mais tomar banho e está fascinada com o maravilhoso mundo enorme do quintal de casa. Está virando uma criança comum. Baba é maravilhosa. Ela sabe quando tem que ter pulso firme e Victoria a respeita.

Scully sorri. Mulder estende as pernas na mesa de centro. Scully coloca a bandeja na mesa de centro. Morde os lábios, nervosa. Num ímpeto, recosta o rosto no peito de Mulder, se abraçando nele. Mulder não a abraça, observa o canto escuro da sala, nervoso.

SCULLY: -Achava engraçado ver você de cuecas dublando Chuck Berry. Imitando Elvis... Ou sentado à mesa, empurrando a cadeira com o bumbum, igual ao Jerry Lee Lewis no piano.

MULDER: - Admita, minha cara era mais insana que a dele.

Os dois riem.

SCULLY: - ...

MULDER: - ...

Mulder mantém os olhos no canto escuro. Scully aspira discretamente o perfume na camisa dele. Pega a mão dele e acaricia, brincando com os dedos dele.

MULDER: - (OLHA PRA ELA) ...

SCULLY: - (OLHA PRA ELE) Tem mãos macias, Mulder. Sempre as teve. Mãos suaves e macias.

Os dois ficam se olhando em silêncio. Mulder aproxima os lábios dos dela. Scully se afasta, soltando Mulder, com medo. Mulder a analisa desconfiado.

SCULLY: - E-eu... Eu preciso de um banho.

MULDER: - Está melhor? Que tal um chá?

SCULLY: - Eu quero, se não for incômodo.

MULDER: - Você toma banho e eu faço o chá.

Scully vai pro banheiro. Mulder fica intrigado. Lembra de Victoria.

VICTORIA (OFF): - Sim! "ônio", papai. Dodói mama!!!

Mulder num olhar distante.

MULDER: - (PENSATIVO) Scully não pode falar, não pode sentir, porque ele a machuca. Nem pode pedir ajuda. Ela está com medo. Qual a melhor maneira de se ter a pessoa amada junto sem demonstrar amor? Amizade. Mas amizade não tem esse carinho íntimo de amantes... Sexo?

As recordações começam a fazer sentido. Vozes lhe veem em lembranças.

GABRIEL (OFF): - Sabe um rádio? Sintonizado na frequência certa você ouve música. Na frequência errada, ouve estática. Ajuste sua frequência. Aquela coisa que vocês chamam de voz interior ou sexto sentido falará com você.

SCULLY (OFF): - Eu não amo mais você. É por isso que não dormimos juntos. Eu disse a você que arranjasse outra pessoa, Mulder. Sinta-se livre pra fazer isso. Não precisa ceder aos meus convites.

GABRIEL (OFF): - O amor é insensato. O amor vence todas as coisas. Pense com o coração. É a única arma. É de onde virá a astúcia.

BABA (OFF): - Ela nunca abandonou você. Aqui diz isso. Estão ligados pelo destino. Isso é inalterável. Vocês têm uma missão juntos aqui. Forças maiores e positivas estão a favor de vocês dois. Algo maior permite que estejam sendo testados, acho que para o crescimento de vocês como um casal.

MULDER (OFF): -Sabe que horas são? Eu tenho que brincar com minha filha. Eu tenho uma vida pra levar, não posso ficar disponível toda hora que você quer. Scully, eu cansei. Eu não quero mais ser usado.

Mulder põe as mãos no rosto, confuso.

MULDER: - Por que ela aceitaria fazer o que Lúcifer quer, me usar como objeto sexual pra me magoare assim me afastar dela? A não ser que ela me usa por prazer pra poder ficar perto de mim por algum tempo. Assim, ele não desconfiaria... Como fez com a música. E se ele não desconfia, ele não é tão onisciente assim, não fica ao redor dela o tempo inteiro. Scully não ousa passar a noite comigo porque... Dormir juntos é mostrar amor, e isso ela não pode... Mas um encontro rápido... (SORRI) Scully, garota esperta! Você arrumou um jeito pra ficar comigo sem que o desgraçado percebesse!

Mulder se levanta.

MULDER: - Ok, desgraçado, eu vou fazer você se expor e seja lá o que tiver que acontecer. Insensatez? Que seja! Tô pensando com o coração. Amo demais essa mulher para perdê-la. Como sei que ela me ama demais a ponto de achar uma brecha no seu castigo pra poder ficar comigo. Realmente, você não é invencível! Eu é que fui um idiota por não ter percebido antes!


9:03 P.M.

Mulder serve uma xícara de chá. Olha para o relógio no pulso. Pega a xícara e sai da cozinha. Atravessa a sala em direção ao quarto. Passa pela porta do banheiro semi-aberta. Para. Fecha os olhos, respiração tensa. Volta. Empurra a porta suavemente, observando Scully no chuveiro que deixa a água correr pelo rosto, a porta do box aberta.

Mulder entra no banheiro, deixando a xícara sobre o balcão. Scully ao vê-lo, recua. Mulder tira os sapatos e as meias, entra no box, com roupa e tudo, agarrando-a, prensando-a contra a parede, enquanto a beija selvagemente nos lábios. Scully tenta empurra-lo. Mulder a mantém contra a parede, o chuveiro sobre eles. Mulder agarra os pulsos dela, deslizando os lábios pelo pescoço de Scully, enquanto ela murmura não, tentando se desvencilhar. Mulder solta os pulsos de Scully. Leva as mãos até as pernas dela, pressionando seus dedos e os subindo pelas pernas molhadas, enquanto a beija no pescoço.

SCULLY: - Não... Mulder, eu não posso mais fazer isso. Não me peça pra explicar, eu não posso, eu tenho medo de falar! Eu não quero mais usar você!

MULDER: - (MURMURA) Eu sei, mas eu quero ser usado. Eu te amo. E isso não é apenas sexo, isso é amor. E eu estou pensando com o coração.

SCULLY: - Para! Me solta, Mulder!

MULDER: - (MURMURA) Eu não vou soltar... (CHUPA A ORELHA DELA) Você me usa quando quer, eu vou usar você também quando bem quiser.

SCULLY: - Para!!!!!! Me larga! Mulder, você tá me machucando!!!!!

Ele desce as mãos pelas coxas dela e os lábios pelo pescoço. Scully dá tapas nele, Mulder devora os ombros e pescoço dela com beijos e mordidas.

SCULLY: -(DESESPERADA) Nãooooo!!!!!! Por favor, não! Eu não posso mais ferir você!!!

Mulder a empurra contra o box. Scully grita. Mulder sobe uma das mãos pelas costas dela, adentrando entre os cabelos molhados, os agarrando e puxando a cabeça dela pra trás. Desliza a língua entre seus seios. Ela, arfante e relutante, continua o empurrando pelos ombros, sem sucesso. Mulder a ergue, envolvendo-a com força. Ela enlaça as pernas nele, segurando-se em seu pescoço, apoiando o rosto no ombro dele. Mulder sai do banheiro a levando pro quarto.

Corte.


Mulder cai por cima de Scully sobre a cama. Scully o empurra, mas ele a pressiona com o peso de seu corpo. Ela acaba rasgando a manga da camisa dele, mas ele não desiste. A segura pelos pulsos, olhando nos olhos dela bem de perto, a ponto de que ela pode sentir a respiração dele.

MULDER: - (OFEGANTE) É selvagem que você quer? É? Então vai ser selvagem.

SCULLY: - (VIRA O ROSTO/ FRANZINDO O CENHO PRA CHORAR) Vai embora!!!!!

MULDER: -Não.

SCULLY: - (ANGUSTIADA/ SEGURANDO O CHORO) Me soltaaaa!!!!!!!! Eu não amo você!

MULDER: - Não precisa me amar. É apenas sexo, como sempre. Depois eu vou embora.

Mulder abre as calças. Ela tenta o empurrar com as pernas, mas ele abre as pernas dela com força. Ela pressiona os joelhos contra os quadris dele. Mulder leva a mão aberta, tocando o rosto dela. Ela fecha os olhos. Mulder a admira, afagando com seu polegar a maçã do rosto de Scully. Scully abre os olhos. Os dois se perdem um no olhar do outro. Mulder aproxima os lábios dos de Scully. Mordisca o lábio inferior dela, o segurando com os dentes. Puxa-o delicadamente. Scully agarra os lençóis, com força, como quem tenta evitar o inevitável. Mulder solta os lábios dela, colocando a língua na boca de Scully. Beija-a com força. Ela começa a retribuir, se entregando. Mulder sobe e desce as mãos pelo corpo dela, em carícias de desejo, como quem domina a técnica de enlouquecê-la. Scully solta os lábios dele, virando o rosto, soltando um gemido baixinho. Mulder percorre o pescoço e os ombros dela com os lábios. Scully solta os lençóis, envolvendo as mãos nos cabelos dele. Mulder leva as mãos aos seios dela, os agarrando delicadamente, enquanto beija os quadris, a pele dela arrepiada, ainda úmida e cheirosa.

SCULLY: - (MURMURA/ MEDO) Não me ame... Por favor, não me ame.

MULDER: - ...

SCULLY: -(ANGUSTIADA) Me promete que depois vai embora. Só me promete isso!

MULDER: - Eu prometo, fica calma. Depois eu vou embora.

Ele sobe o corpo dela aspirando o perfume. Brinca com a língua pelos mamilos endurecidos. Scully vira o rosto novamente, mordendo os lábios, numa indecisão de permitir ou reprimir. Mas Mulder é mais rápido, a enlouquece antes de qualquer pensamento. Scully agarra-se nele, tentando abrir-lhe a camisa, molhada e grudada ao corpo dele. Mulder envolve as mãos na cintura dela. Scully vira-se por sobre ele, abrindo-lhe a camisa, levando a boca até o peito dele, em beijos e língua, descendo por entre botões, tecido e pele. Mulder vira-se por sobre Scully. Passa uma das mãos pelas coxas dela, segurando-a com força. Scully pressiona a cabeça contra o colchão, ofegante. Solta um grito de êxtase. Agarra-se nos ombros dele. Mulder move-se afoito e com força contra ela, num mesmo ritmo. Scully dobra mais as pernas, Mulder fica com os braços pressionando as pernas dela. Scully entra em êxtase. Mulder inclina o corpo para trás, de olhos fechados, ofegando.

[Fusão]

Scully ofegante, de joelhos na cama, mãos espalmadas apoiando-se na parede. Mulder move-se suavemente contra ela, com os braços envoltos nela, a mantendo presa. Scully pressiona os dedos contra a parede, corpos num mesmo ritmo, suados, em êxtase.

[Fusão]

Scully sobe pelo peito de Mulder com beijos de desejos, mãos afoitas. Os dois devoram os lábios com força, famintos. Mulder a puxa por cima de seu corpo. Scully solta os lábios dele, num gemido rente ao rosto dele. Mulder mantém os lábios colados, semi-abertos contra o rosto dela, ofegante. As mãos no bumbum dela. Foco para o abajur.

[Fusão]

Foco sai do abajur para os dois deitados um ao lado do outro, cansados, suados e ofegantes. Mulder estende o braço pra abraça-la, mas Scully vira-se de costas pra ele.

SCULLY: - Já está tarde. Precisa ir embora agora.

MULDER: - ... Depois eu vou.

Scully vira-se pra ele. Mulder fecha os olhos.

SCULLY: - Não, você me prometeu, Mulder, por favor vá embora!

MULDER: - Scully, qual o problema em dormir com você, hum?

SCULLY: - Eu não amo mais você, Mulder! É apenas sexo, só isso, não pode entender? Quantas e quantas vezes eu já deixei isso claro pra você?

Mulder sorri.

MULDER: - Bingo! Eu estou certo.

SCULLY: - Certo no quê? Mulder, você vai dormir. Não pode, entende?

MULDER: -Sei. Não vou dormir. Estou apenas me recuperando.

SCULLY: - ... Mulder, se você não for, eu vou embora então.

MULDER: - Só mais uma vez. Eu disse que vou embora. Alguma vez já menti pra você?

SCULLY: - (CULPADA) Não. Agora eu sei que não.

Mulder vira-se sobre ela. Olha em seus olhos. Scully desvia o olhar.

THE GOLD COIN (OFF): - Estou sentindo algum sentimento querendo explodir em você, Dana. Tente e verá o que acontece.

Scully empurra Mulder. Senta-se na cama.

SCULLY: - Mulder, vá embora! Por favor!!!

Mulder senta-se atrás dela, beijando-lhe a nuca. Leva as mãos pelo corpo dela.

MULDER: - Só mais uma vez e vou embora. Só pele, nada de sentimento. Eu já entendi.




BLOCO 4:

Apartamento de Ellen – 2:18 A.M.

Mulder dormindo. Scully de olhos abertos, deitada de costas pra ele, olhos arregalados procurando algo no quarto, com o medo estampado na face. Mulder abraçado nela. Ela derruba lágrimas. Lentamente, tira o braço dele de cima de seu corpo. Ergue-se pra se levantar. Mulder a puxa de volta.

MULDER: - Aonde vai?

SCULLY: - ... E-eu... Eu preciso sair.

Mulder a agarra.

MULDER: -Não vai sair daqui.

SCULLY: - Então vá embora, por favor. Nos vemos no trabalho.

Mulder se aninha contra ela, colocando seu braço e perna sobre Scully, mantendo-a presa. Scully tenta se desvencilhar dele, mas Mulder a mantém firme. Vira-se sobre ela, beijando-lhe. Scully morde o lábio dele. Mulder grita. Scully tenta fugir, assustada, Mulder a atira com violência na cama. Segura-a pelos pulsos.

MULDER: - Do que você tem medo? Ahn? Dele?

SCULLY: - Me solta!!!!!

MULDER: - Por que não dorme comigo? Estou certo, não estou? Ele ataca se você sentir amor por mim.

SCULLY: - Mulder, pelo amor de Deus, vá embora! Eu não posso falar!

Scully começa a chorar. Mulder a solta. Ela se encolhe na cama, chorando. Mulder deita-se ao lado dela. A abraça com força.

MULDER: - Estou aqui. Nada vai acontecer.

SCULLY: - (CHORANDO) Vai embora!

MULDER: - Não, eu não vou.

SCULLY: - Você prometeu que ia embora!

MULDER: - Pela primeira vez em nossa vida eu menti pra você. Eu não vou embora e não quero apenas sexo. Isso foi um meio para um fim.

SCULLY: - (CHORANDO) Por favor... Se me ama vai embora.

MULDER: - Se você me ama, fique e confie em mim. E eu sei que me ama.

SCULLY: - ...

MULDER: - Levei metade da vida pra encontrar você, Scully. Levei mais um pouco dela, tentando conquistar você. E vou dedicar o resto que me sobra pra fazer você feliz. É a minha promessa.

SCULLY: - (CHORANDO) ...

MULDER: - O que vou lhe dizer não é com a arrogância de um homem, mas com a verdade do espírito. Eu não vou perder você nem mesmo pro demônio!

SCULLY: - (CHORANDO) Mulder, eu... E-eu preciso falar com você.

MULDER: - Não, não precisa. Eu entendi.

SCULLY: - (DERRUBANDO LÁGRIMAS) E-eu...

MULDER: - Eu sei mais do que você pensa, Scully. Li sua carta de suicídio. Bem como o dossiê e seus relatos sobre aquela folha de metal.

Scully olha pra ele, com os olhos em lágrimas. Abaixa a cabeça.

SCULLY: - Preciso pedir desculpas pelas coisas que eu fa...

MULDER: - Psiu. Durma.

Scully senta-se na cama. Mulder olha pra ela.

SCULLY: - Não, eu preciso dizer isso pra você. E-eu preciso.

MULDER: - (ABAIXA A CABEÇA)

SCULLY: - Eu chamei você de monstro. E-eu humilhei você, pisei em você, em nossa filha, e-eu fiz coisas que nada justifica e...

MULDER: - Eu sei o que fez. Sei o que disse. E sei porque fez.

SCULLY: - Quero dizer a você... (OLHANDO NOS OLHOS DELE) Que eu sinto muito por toda a mágoa que eu causei. Por toda a dor que fiz você sentir, pela forma desumana como eu tratei você e nossa filhinha. E-eu não quero que me perdoe. Não posso pedir que faça isso, pois minhas faltas com você não merecem perdão!

MULDER: -(SORRI/ OLHANDO NOS OLHOS DELA) Eu perdoo você. Setenta vezes sete. Milhões vezes bilhões.

Scully começa a chorar. Mulder senta-se na cama. Scully se arrasta até ele. Mulder a abraça. Scully o abraça com força, chorando. Mulder afaga os cabelos dela.


2:37 A.M.

Mulder ainda sentado na cama, abraçando Scully, a embalando. Ela de olhos fechados, entre os braços dele. Os dois em silêncio. Mulder a beija na testa.

SCULLY: - (OLHOS FECHADOS) Gosto disso. Gosto de quando você me abraça e me acalma.

MULDER: -Não sabe quanta saudade eu senti disso.

SCULLY: - ... Não posso evitar de pensar. Então eu quebro o silêncio, aceitando qualquer pena até mesmo a morte. Mas eu não posso mais segurar isso dentro de mim. O seu abraço foi como uma chave, que abriu a parte mais sensível do meu coração. Tudo o que eu mais temia, está acontecendo. Eu vou fazer. Pago com a morte, mas não posso mais viver assim.

MULDER: - ... ???

SCULLY: - Eu te amo, Mulder. E vou pagar o preço dessas palavras. Deus me ajude, se Ele ainda puder me ouvir. Porque eu te amo tanto e estar longe de você é como estar no inferno!

Mulder toma o rosto dela nas mãos. Os dois se olham apaixonados.

MULDER: - Eu amo você também.

Os dois aproximam os lábios. Scully recua, zonza.

MULDER: - Scully, você está bem?

Scully cai de costas sobre a cama em estado de convulsão. Mulder entra em pânico.

MULDER: - Scully!!!!!!

Scully se contorce aos gritos. As veias do corpo dela se projetam pela pele. O nariz começa a sangrar. Mulder a ergue, a abraçando. Scully começa a vomitar no ombro dele uma substância amarela. Mulder a mantém contra seu corpo. Scully treme. Mulder a aperta mais contra si, fechando os olhos, a embalando. Scully continua a tremer. Olhos parados, sem brilho.

Mulder percebe as moscas na janela. Embala Scully. Leva a mão à testa dela, beijando-lhe os cabelos. Ela continua tremendo.

THE GOLD COIN: - Se é tão cristão quanto diz, porque não a salva?

Mulder desvia o olhar para Coin, parado na porta do quarto.

MULDER: - ... Porque eu não sou Deus pra salvá-la.

THE GOLD COIN: - Ela vai sofrer até morrer. Ela me desobedeceu. Amor. Amor é coisa para os fracos!

MULDER: - Você mente, Lúcifer! Como pode ela morrer se você não tem poderes sobre a morte? Ahn? Pode tê-la enganado, com suas falácias religiosas que ela acredita, mas não engana a mim. Porque eu conheço realmente quem tem poderes sobre a morte!

THE GOLD COIN: - Ah, andou falando com o tagarela que tem a língua mais comprida do que as asas? Ele só fala o que o Tirano quer que ele fale. Porque seu criador é um maldito rei tirano! Esconde as coisas e não divide nada com ninguém! Me entregue sua filha e poupo Scully!

MULDER: - Não entregarei minha filha pra você! Eu já a dei ao mundo, quando fiz aquela vacina!

Coin estende a mão. Os objetos do quarto começam voar. Mulder não se abala.

THE GOLD COIN: - Duvida ainda dos meus poderes? Pois eles serão seus se me entregar a menina.

MULDER: - Que importa seus poderes se posso mover montanhas conforme a promessa que foi feita por Ele? Esse truquezinho minha filha também faz! Acha que tenho medo de você? Eu não sou religioso pra ficar assustado com isso!

THE GOLD COIN: - Você é um pecador, Mulder. Um maldito pecador! Eu sei as coisas que pensa! Com quem sonha à noite, Fox Mulder?

MULDER: - Eu não fiz nada pra me sentir culpado!

THE GOLD COIN: - Tem certeza? Dana está pagando por seu egoísmo! Ela está sofrendo por sua causa. Você atraiu a desgraça sobre ela quando não entregou sua filha!

Scully agoniza, fica pálida, tremendo, olhos parados, quase sem ar.

THE GOLD COIN: - Ela vai morrer!

MULDER: - Confio no nosso Criador. Ele já salvou minha filha e a mim mesmo!

THE GOLD COIN: - Deus? Deus é um maldito escroto! Ele nem liga pra você! Se teme tanto a Deus por que nunca acreditou nele?

MULDER: - Eu acredito Nele, não da forma cega, religiosa e mística! Acredito, porque você não existiria se Deus não existisse!

THE GOLD COIN: - Onde está sua bondade? Ahn? Por causa de uma maldita criança vai matar sua mulher? Apenas por egoísmo?

Mulder olha pra Scully quase morrendo. Fica mais angustiado.

THE GOLD COIN: - Saiba que o sacrifício é a redenção. Sacrifique-se!

MULDER: -"Misericórdia quero e não sacrifícios. Porque eu não vim chamar justos, mas pecadores".

THE GOLD COIN: - De nada vale sua vida, pois não faz sacrifícios!

MULDER: -"Amar o próximo como a si mesmo, é mais do que todos os holocaustos e sacrifícios".

Os olhos de Coin tornam-se cor de fogo.

THE GOLD COIN: -(ÓDIO) Quem ensinou você a argumentar contra mim usando o conhecimento daquele livro? Ahn? Pode deter toda a verdade do universo! Mas não aceita minha oferta em nome do seu próprio egoísmo. O que adianta perder Dana e ficar com a menina? Algum dia poderá olhar para sua filha e dizer: eu matei sua mãe, por causa do meu egoísmo?

MULDER: - Algum dia poderei olhar pra ela e dizer: filha, por fraqueza, entreguei sua mãe sem lutar?

Coin estende os braços pra Mulder.

THE GOLD COIN: - Venha pra mim. Posso evitar todo o seu sofrimento. Aliviar sua culpa. Dar tudo o que deseja.

MULDER: - "Não vos sobreveio nenhuma tentação, senão humana; mas fiel é Deus, o qual não deixará que sejais tentados acima do que podeis resistir, antes com a tentação dará também o meio de saída, para que a possais suportar".

THE GOLD COIN: - (IRRITADO) Maldito desgraçado! Pare de argumentar como aquele nazareno no deserto! Não me deixa outra escolha, senão deixar Scully morrer. Você vai pro inferno por isso! Você e essa vadia mundana!

MULDER: - (ABRAÇA SCULLY MAIS FORTE) "Põe-me como selo sobre o teu coração, como selo sobre o teu braço; porque o amor é forte como a morte; o ciúme é cruel como o Seol; a sua chama é chama de fogo, verdadeira labareda do Senhor".

THE GOLD COIN: - (GRITA/ ENFURECIDO) Maldito desgraçado!!!!!!!!!!!!

Mulder fecha os olhos. Os objetos voam contra ele. Mulder protege Scully com seu corpo, ela continua em convulsão. The Gold Coin abre os braços.Um vento forte sopra dentro do quarto.

THE GOLD COIN: - Como ousa me desafiar se eu existia antes de você, criatura inferior?

Mulder de olhos fechados mantém Scully em seus braços. O vento cessa. Mulder abre os olhos, desconfiado. Então percebe a mão com o anel vermelho cadavérica e escura, de unhas longas a pousar-lhe sobre o ombro.

THE GOLD COIN: - Olhe para mim, como sou em alma. Ou olhe pra nós todos que estamos aqui com Dana. Você não pode vencer, Fox Mulder. Somos muitos.

As sombras disformes e satânicas surgem na parede, aos risos. Mulder fecha os olhos. Não se deixa abalar. Aperta Scully com mais força. Scully fecha os olhos. O rosto pende para o lado. A luz do abajur começa a piscar. A escuridão sobrevém.

GABRIEL (OFF): - Salve sua mulher de Lúcifer, lute contra ele, faça o que qualquer humano faria no seu lugar. E deixe ele conosco, porque ele é problema nosso. Só podemos intervir quando nos pedem intervenção.

MULDER: - (MURMURA) Eu sei que me ouve. Então nos ajuda, por favor. Intervém!

Uma luz projeta-se dentro do quarto vinda do teto. Coin acena negativamente com a cabeça, recuando.

THE GOLD COIN: -(SORRI DEBOCHADO) Que merda você fez, Fox Mulder... Mas não vai acabar aqui, eu prometo. Vamos embora, crianças...

Coin desiste, sumindo na escuridão do quarto, seguido pelas sombras. A luz se dissipa.

Mulder abre os olhos lentamente. Olha pra Scully. Ela dorme nos braços dele, serena, em paz. Mulder enche os olhos de lágrimas, em felicidade, a mantendo em seus braços e embalando.

MULDER: -(CHORANDO) Acabou, Scully... Acabou, meu amor.

Mulder observa o quarto. Tudo no lugar. Numa fisionomia de incredulidade, dirige o olhar para a poltrona. A folha de metal e o dossiê sumiram.

MULDER: - (CHORANDO/ OLHANDO PRA CIMA) Vocês já salvaram minha filha e eu daquela nave Grey. Agora salvaram minha mulher... Obrigado. Eu não quero mais acreditar. Eu acredito...

Mulder permanece abraçado em Scully.


Hospital Mercy - Virginia – 5:31 A.M.

Barbara sentada na cadeira, com o rosto na cama, segurando a mão de Krycek e cochilando. Ele move os dedos. Ela se acorda. Ergue a cabeça olhando pra ele.

Krycek abre os olhos, derrubando lágrimas. Barbara começa a chorar de alegria. Dá um beijo na mão dele, afagando-a com o rosto, olhando pra ele.

BARBARA: - Onde esteve?

KRYCEK: - Longe... Mas perto o suficiente... Para ouvir Doutor Jivago.

Barbara sorri. Se levanta e o beija na testa. Olha nos olhos dele.

BARBARA: - Achei que desistiria.

KRYCEK: - Eu desisti. Pessoas do meu passado... Que já estão do outro lado... Tentaram me convencer a voltar.

BARBARA: - E conseguiram.

KRYCEK: - Não... Por que voltar se perdi tudo? Voltar para o quê? ... Quem conseguiu foi... Alguém que ficou aqui o tempo inteiro... Do meu lado... Me dando motivos pra voltar... Eu só não achava a saída... Então uma amiga esteve lá e... Me mostrou como sair.

BARBARA: - Bem vindo de volta, Alex Krycek! Agora fique quieto, você precisa repousar. Vou chamar o médico.

Krycek segura a mão dela.

KRYCEK: - Obrigado... Por acreditar em mim... Acho que vai ter tempo... Pra terminar de ler o livro... Eu gosto do livro... Mas gosto mais de ouvir a sua voz.

Barbara sorri.


11:21 A.M.

No quarto do hospital, Krycek deitado na cama, sem camisa, com uma bandagem ao redor do peito. Barbara sentada ao lado numa poltrona, com o livro aberto. Mulder entra segurando um balão em forma de coração e um buquê de flores.

MULDER: -(DEBOCHADO) Sabia que você voltaria pra mim, "amorzinho"!

Krycek segura o riso. Mulder pendura o balão na cabeceira da cama.

MULDER: - Só tinha em formato de coração. Não se empolgue. E as flores...

Mulder entrega pra Barbara.

MULDER: - São pra ela, porque eu não sou boiola.

BARBARA: - (SORRI) Obrigada, Mulder. São lindas!

KRYCEK: - Você me deu bombons... Acho que é amor.

MULDER: - É amor mesmo.

Mulder dá um beijo no rosto de Krycek.

MULDER: -Eu tenho que amar o cara que me ajudou a trazer minha mulher de volta.

KRYCEK: - (SORRI) Sério? Vencemos? E eu perdi tudo isso?

Barbara sorri. Se levanta. Coloca as flores no vaso.

MULDER: - Bom... Ela ainda está aborrecida e envergonhada, quer um tempo... Mas o que importa é que a velha Dana Scully rabugenta está de volta, com o juízo no lugar e fazendo suas caras e bocas para tudo o que eu digo... E você teve grande parte nisso. Não fosse você... Aquele Moedinha ia passar desapercebido do tonto sentimental aqui. Fora o resto que não vamos falar, porque vai virar uma choradeira aqui dentro pior que as novelas mexicanas da Baba. Eu sou chorão, Barbara é chorona e você aí todo sensível nesse momento... Não vai dar certo. Quando ficar bem e puder beber, vamos abrir um champanhe pra comemorar.

BARBARA: - Vou deixar vocês conversarem... Papo de meninos.

Mulder se atira na poltrona.

MULDER: - Vai mesmo. Porque agora você vai pra minha casa, tomar um banho, descansar, comer alguma coisa decente e ajeitar essa cara que está péssima, parece até que você é quem estava internada no hospital. Baba está esperando você pro almoço e não ouse recusar porque não conhece a fera. Anda! Vai assustar o Rato desse jeito!

Mulder atira as chaves do carro pra ela.

KRYCEK: - Concordo. Eu tô bem cuidado. Meu amante tá aqui.

MULDER: - Volte cedo porque não vou dar banho de esponja nesse fresco.

Barbara dá uma risada e sai do quarto.

MULDER: -(PREOCUPADO) Como você está, Krycek?

KRYCEK: - Como alguém que tomou três tiros... Péssimo, com dor até pra respirar e só tenho uma coisa pra dizer: Você ferrou meu coração, Mulder.

MULDER: - (RINDO) Você é um idiota, sabia?

KRYCEK: - Teria feito o mesmo por mim.

MULDER: - Ainda bem que sabe.

KRYCEK: - Se eu não fizesse, você estaria morto, Mulder. Ele mirou no seu peito. Seria fatal. Eu que me meti na frente, estava fora da mira dele.

MULDER: - Quantos caminhões de bombons eu devo para agradecer a sua idiotice?

KRYCEK: - Nada. Sua amizade me basta. E suas idiotices também... Mulder, a gente ganhou mesmo desses caras?

MULDER: -Sim. Pode ser difícil pra você acreditar, porque é sua primeira vitória contra eles, eu já tô na segunda... Mas sim. A gente ganhou deles. E podemos ganhar mais vezes. A união, Krycek. O segredo não é a força. Não temos força contra gigantes. Mas temos uma coisa chamada confiança mútua. Isso, aqueles mentirosos não têm. Eles não podem confiar em ninguém, nem neles mesmos. E a confiança gera parceria e união. Cada um de nós já aprendeu a duras penas e sacrifícios, agora compartilhamos experiências e conhecimento de causa. E unidos... Pelo menos hoje nós dormiremos em paz e tranquilos. Eles que sofram em pesadelos.

KRYCEK: -Eu... Eu nunca venci nada na vida. E estou gostando dessa sensação de vencer pela justiça. Eu estou aqui ferrado e com dor, mas estou feliz. Não dá pra explicar. Eu nunca me senti assim antes. Eu lutei essa batalha com você, mas não tinha esperança de vencermos.

MULDER: - Eu sei a sensação que você fala. Não dá pra descrever. Eu tive essa sensação quando venci a primeira vez, numa batalha para ter o direito de ter uma filha com Scully. Coisa que sempre nos tiraram o direito de ter.

KRYCEK: - (SORRI) Victoria... Faz sentido. E agora entendo o significado de vitória. É bom. Posso me acostumar com isso.

MULDER: - Agora que terminou essa batalha... Pretende fazer o quê? Ir embora como queria? Porque outras batalhas vão surgir. E a guerra continua. Sabe que só termina quando a gente morrer. Mulheres para proteger, filhos, amigos... Porque eles não descansam.

KRYCEK: -Mulder, você tem a Scully como parceira no FBI. E quem vai ser seu parceiro de vigilância fora dos trâmites oficiais? Hum? Skinner não pode. Donald não pode. Os Pistoleiros só entendem de pistolas no nome, eles nem sabem pegar numa arma! Eu não posso deixar você, Mulder. Você vai levar chumbo, tomar porrada, meter os pés pelas mãos... Acho que vou ter que ficar.

MULDER: -(RINDO) Yesssss!!! Mas posso perguntar por que Scully estava no seu sonho? Que mania vocês dois tem de sonharem juntos! Isso é algum carma entre vocês?

KRYCEK: -Eu acho que não era sonho, Mulder. Acho que estávamos no mesmo lugar. Pra onde eu não quero voltar tão cedo. Quando a vi pensei que estivesse morta. Eu sabia que eu não estava, mas não queria voltar.

MULDER: - E voltou imagino por quem.

KRYCEK: - Não foi pela Scully. Acho que ela foi parar lá pra me pedir desculpas e mostrar a saída. E mesmo assim ainda demorei pra decidir se voltava.

MULDER: - Eu sei que não foi pela Scully. Vocês dois não dariam certo. Seria briga o dia todo. Nenhum baixa a cabeça para o outro. Vocês dois juntos me deixam louco com tanta discussão. Você sabe de quem estou falando. Barbara não saiu daqui um minuto sequer, de tão preocupada com você.

KRYCEK: - Eu sei, Mulder. Eu ouvia tudo, até suas piadinhas. Eu só não sei... Eu tenho medo, Mulder. Medo de frustrar as expectativas dela.

MULDER: - Bom, lamento informar pra você que isso acontece. Eu vivo frustrando as expectativas da Scully. E lamento informar também que sua recuperação é lenta. Quando for pra casa vai precisar de alguém pra tomar conta de você. E eu tô fora, "amorzinho". Posso até levar as compras, conversar e contar piada, levar uns filmes pra gente assistir, mas me recuso a trocar curativos em peito nada saliente.

KRYCEK: - (SEGURANDO O RISO)Mulder... Não me faz rir... Dói!

MULDER: - Então fica quieto. Vou contar tudo o que aconteceu. Primeiro só um comentário masculino, já que estamos falando de peitos salientes e vamos incluir quadris em forma de violão... Acho que as roupas da Scully não vão servir na sua jornalista. Rato, você se deu bem.

KRYCEK: - (SEGURANDO O RISO) Droga, Mulder, não me faz rir!

MULDER: - E vê se toma os remédios e faz a recuperação direitinho, descansa bastante porque vai precisar do coração aí pra bombear sangue... Dizem que as latinas são quentes.

KRYCEK: - (RINDO) Mulder, você realmente não presta! Ai! Não me faz rir!!!


Três dias depois...


Residência do Mulder - 8:32 A.M.

Mulder e Samantha no quintal, sentados no balanço.

MULDER: - ... Eu nunca tive uma mãe. Ela era sua mãe, nunca foi minha. Passou a vida toda chorando por você. O amor que eu tinha por ela, ela nunca retribuiu. Ela me culpava por todas as coisas erradas, me culpava por você ter sido levada, me culpava por ter nascido. Também nunca tive um pai. Você ainda se lembra das coisas que aconteciam quando ele enchia a cara. Mas pelo menos, ele sabia passar a mão na minha cabeça, como um gesto de carinho e dizer, Fox, meu garoto.

SAMANTHA: - ...

MULDER: - Você talvez não saiba. Mas quando você se foi, levaram tudo o que eu tinha. Eu só tinha você, a minha irmãzinha. Depois disso, eu não tive mais nada na minha vida. Nada que eu pudesse dizer que era meu. Ninguém pra se importar comigo. Nada que preenchesse o vazio que eu tinha dentro de mim. Ninguém pra dividir nada. Algumas vezes, nem pra conversar. Só mentiras e relacionamentos mentirosos e vazios.

Samantha fica cabisbaixa.

MULDER: - Quando eu conheci a Scully, eu vi sentido pra todas as coisas que eu não via sentido, e a maior delas foi algo chamado família. E eu me descobri. Pela primeira vez na vida eu me dava ao luxo de sonhar, de fazer planos, de ver que a vida era mais do que sombras, revolta, mágoa, medo e descaso. E tinha mais a me oferecer que aquele porão do FBI.

SAMANTHA: - ...

MULDER: - Você entende o que eu digo. Você ficou sozinha e encarcerada lá em cima por metade de sua vida, sozinha, sem esperança, sem nada, sentindo a minha falta. E eu do mesmo modo, aqui na Terra. Você presa à Terra. Eu preso ao céu. Só que quando você sente o sabor da felicidade, você não quer mais perdê-la.

SAMANTHA: - Eu queria poder fazer algo por você, Fox. Me sinto num eterno débito. Sei o quanto fui ingrata. É que eu estava curiosa com a vida, eu queria experimentar tudo que perdi, como um prisioneiro que escapa e fica fascinado com a liberdade.

MULDER: -Sam, eu sei disso. Entendo você. Eu faria a mesma coisa. Você pagou por algo que não era pra você, era eu quem deveria ter sido abduzido. Era eu quem eles queriam. Agora, você é apenas uma criança crescida, que aos poucos está começando a viver com seus semelhantes em espécie e não posso condena-la por isso. Ambos fomos vítimas de nossos pais, das escolhas deles, nunca tivemos o direito de escolher nada. Agora que temos, que escolhemos, você acha justo perder? Olha pra eles aí. Perceba como as nossas escolhas vão afeta-los.

Victoria e John de três anos, brincando um com o outro na grama. Eles riem e correm. Victoria cai algumas vezes, mas continua correndo atrás dele. Samantha olha pra eles, derrubando lágrimas.

SAMANTHA: - Você e eu, lembra?

Mulder envolve o braço nela.

MULDER: - Nosso tempo já foi. E também nos foi tirado. Agora é o tempo deles. E lutaremos para que curtam o tempo deles como deve ser curtido.

John puxa Victoria e os dois correm atrás de Cookie, que foge desesperado. John finge estar atirando no cachorro e Victoria o imita.

SAMANTHA: - Pronto! Já começaram a manifestar os genes dos Mulder!

Os dois riem.

MULDER: - Eu não quero que a minha filha sofra as consequências das minhas escolhas. Acredito que você também não quer que seu filho passe pelas coisas que você passou. Portanto, eu não quero que minha filha fique sem uma mãe. Eu sei o que faz a falta de um carinho de mãe. Você também sabe disso.

SAMANTHA: - Ela vai voltar, Fox. Ela só precisa se recuperar. Está envergonhada e isso é normal. E não fique furioso com Spender. Eu o procurei pedindo ajuda quando o pai do John sumiu e fiquei sozinha com meu filho em La Macella. Eu não sei se o mataram ou o que aconteceu, você tinha razão, ele usava nome falso, John era da máfia. Mas John cuidou de mim, me senti amada, ele era louco pelo filho...

MULDER: - Lamento, Sam. Podemos fazer dele um Arquivo X? Quem sabe descobrimos o que aconteceu com ele.

SAMANTHA: -Eu queria saber, porque ele jamais me abandonaria. Ficamos juntos desde que você foi embora. Então... Quando John sumiu, liguei para o Spender. Ele me colocou numa casa em Utah, mas me encontraram e me jogaram naquele hospital. Acho que queriam fazer experiências comigo, eu sei lá. Minha sorte foi que vocês me encontraram antes que eles me tirassem do hospital. Acho que Spender apareceu antes também pra me resgatar.

MULDER: -Provavelmente ele entregou você para acalmar os ânimos do Strughold e depois foi atrás para pegar você de volta. Esse é o jogo dele. Eu perdoei Spender. Perdoei por todas as coisas que disse, que fez, que escondeu de mim, eu consigo entender os motivos dele como pai. Mas não o quero perto de mim. Ele me faz mal. Ele fez mal à minha família. Você sabe as escolhas que faz. Eu só não quero que se machuque, ou que acabe pagando os pecados que não são seus. Algumas vezes você precisa deixar tudo pra trás por amor a alguém.

SAMANTHA: - (OLHANDO PARA O FILHO) Eu tenho um amor verdadeiro. Nada mais importa, apenas ele. Tudo agora é pra ele e por ele.

MULDER: - Eu só queria que eles nos deixassem em paz. Só isso o que eu queria. Me ver livre deles, poder fechar meus olhos à noite, sem ter que me preocupar com alguém tentando tomar minha filha, ou me colocando contra minha mulher para conseguir isto. Eu vou abdicar de todas as coisas, contanto que isso faça com que eu tenha minha família de volta. Quero pra Victoria tudo aquilo que não tive. Quero sanidade mental pra ela. Quero ver minha filha ser uma pessoa sem complexos, sem medos, culpas ou angústias.

Samantha pega a mão de Mulder.

SAMANTHA: - Estou com você Fox. Estarei sempre com você.

MULDER: - Fica mais perto. Podemos nos ajudar. Posso cuidar de você.

SAMANTHA: - Eu pensarei nisso. Mas eu quero cuidar de mim mesma e do pequeno John Fox.

MULDER: - (SURPRESO) John Fox?

SAMANTHA: - (SORRI) Claro! O nome do pai e do tio. Justíssimo! Os dois homens mais importantes na minha vida. Ele adora música como um bom Mulder. Já tem nome de roqueiro: Johnny Fox. Fiz uma tatuagem com o nome artístico dele. Sabe, mãe coruja...

Os dois riem. Viram-se de frente um pro outro.

MULDER: - (SORRI)Estou feliz em ver você. Quem bom que está aqui.

SAMANTHA: -(SORRI) Eu também. É bom estar com o meu irmãozão!

Os dois se abraçam. Samantha desvia a atenção.

SAMANTHA: - Ah não! Descobriram o seu carro! John, sai do carro do seu tio!!! Como ele abriu a porta?

MULDER: - Não foi ele, aposto que foi a Maria Gasolina. Ela acha que já pode falar no celular, dirigir e ser adulta. Tudo isso usando fraldas e nem conseguindo falar direito!

SAMANTHA: - Fox, não está na hora de se aprontar? Vai lá, não quer chegar atrasado no casamento.

Corte.


Mulder, vestido num terno preto, cravo vermelho na lapela, cabelo espetadinho com gel,para o carro na frente da capela. Samantha ao lado dele.

MULDER: - Estou bem?

Samantha ajeita a gravata borboleta dele.

SAMANTHA: - É o padrinho mais bonito do casamento. Com certeza!

MULDER: -Aprendeu a dirigir? Sabe estacionar?

SAMANTHA: - Claro que eu sei, Fox!

Mulder desce do carro. Pega Victoria, que está toda arrumadinha de vestido e tiara na cabeça. Samantha toma a direção, vai freando o carro em trancos pela rua. Mulder ri.

MULDER: - Pinguinho, sua tia é barbeira.

VICTORIA: - Beila... Uinto beila, papai! (SORRI) Tia Sam.

MULDER: - É, a tia Sam. Gosta da tia Sam?

VICTORIA: - Sim!

MULDER: - Goste mesmo, porque entre nós, assim, falando baixinho... Você tem mais Mulder aí dentro que Scully. A família da sua mãe é maluca.

Victoria começa a rir, colocando as mãos sobre os lábios. Mulder vira-se pra trás. Scully aproxima-se, num vestido azul claro, cabelos presos. Victoria estende os braços pra ela.

VICTORIA: -(SORRI) Mama!!!!!!

SCULLY: - Vem com a mamãe, Docinho.

Scully toma Victoria nos braços. Victoria se agarra nela. Mulder olha pra Scully, admirado.

MULDER: - Está linda. Como sempre... De que nuvem você caiu? Hum?

SCULLY: - (SORRI TÍMIDA) ... Mulder, essa é velha. Precisa atualizar o repertório.

MULDER: - Ainda tenho chance?

SCULLY: - Mulder, eu... Já conversamos sobre isso. Preciso de um tempo.

MULDER: - O que é um tempo diante da eternidade?

Scully abaixa a cabeça, culpada. Mulder percebe a corrente de coração no pescoço dela. Dá o braço pra Scully. Os dois vão subindo as escadarias da capela. Skinner de terno, cravo na lapela, nervoso, olha pro relógio. Mulder ajeita a gravata borboleta dele.

MULDER: - Ellen desistiu, Girafão. Arrumou alguém com mais cabelos. Talvez com uma girafa maior.

SKINNER: - Engraçadinho... Você é muito engraçadinho, Mulder.

MULDER: - Trouxe as alianças?

SKINNER: - Claro que sim, não sou marinheiro de primeira viagem.

MULDER: - (DEBOCHADO) Me lembre delas. Caso algum dia eu enlouqueça como você.

SKINNER: - Mulder, você já enlouqueceu há anos! Só falta assumir!

Mulder fica ao lado dele. Scully se aproxima com Victoria. Skinner tira a caixinha das alianças do bolso e entrega pra Victoria.

SKINNER: - Quero ver se você consegue entregar isso pra mim.

SCULLY: - Vai, não é Docinho? São apenas três degraus. Você consegue, já é a mocinha da mamãe. Sabe andar, sabe subir degraus...

Victoria sorri empolgada.

MULDER: - Conseguindo subir a pé ou engatinhando, será um show à parte ver essa coisinha sendo aia. Ah! E preste atenção, Pinguinho. É pra levar até o tio Skinner. Não é pra fazer voar, entendeu? Nada de voar! É pra entregar na mão dele.

Skinner fica incrédulo.

VICTORIA: - (BEIÇO DE SCULLY) Ox, obo...

SCULLY: - Vamos, Docinho. É seu primeiro casamento, mas não será o último como aia...

Scully dá um olhar daqueles para Mulder. Depois entra na capela com Victoria.

MULDER: - (INCRÉDULO) Ela me deu uma indireta? Até gelei a espinha!

SKINNER: - Não. Foi uma direta mesmo, no queixo, pra nocautear... Mulder, como conseguiu achar o filho da sua irmã?

MULDER: -Spender escondeu o menino. Depois o deixou lá em casa.

SKINNER: - E agora? Samantha vai ficar com você?

MULDER: - Por um tempo, até acertarmos algum lugar seguro pra ela...

SKINNER: - Vou entrar. Até Ellen chegar ainda posso conversar mais um pouco com o meu filho. Mulder, acha que Ellen e Scully vão conseguir ser empresárias?

MULDER: - (DEBOCHADO)Não sei da Ellen, mas Scully consegue tudo o que quer. Eu sou a prova viva disso.

Skinner começa a rir. Entra na igreja. Mulder olha pra rua. Vê o carro chegando. Ellen desce, num vestido de noiva, flores nos cabelos, segurando o buquê. Mulder vai ao encontro dela.

ELLEN: - Nossa, que produção! Veio assistir meu casamento ou veio dar em cima da Dana?

MULDER: -(SACANA) Cara senhora Girafão. Primeiro: vim assistir seu casamento. Segundo: eu não dou nada em cima dela. A Dana é quem dá em cima de mim, embaixo de mim, do jeito que ela quiser me dar...

Ellen mete a cara no meio do buquê.

ELLEN: - Você me paga por essa, Mulder. Vou atirar o buquê em cima da Dana! Aguarde minha vingança!

MULDER: -(DEBOCHADO) Perco a amiga, mas não perco a piada. Terceiro: Vou mesmo levar a noiva até o altar? Vou ter que entregar você pro diretor-assistente? Olha lá, não vai aprontar alguma pra depois ele usar isso contra mim e me exonerar do FBI!

ELLEN: -Fala sério, Mulder! Quem sabe assim você se empolga com o caminho e resolva faze-lo com uma certa ruiva?

MULDER: - (DEBOCHADO) E vou entregar ela pra quem?

Os dois sobem as escadas de braços dados. Mulder olha pra trás. O Canceroso do outro lado da rua, fumando um cigarro, olhando pra ele. Mulder volta os olhos pra escada.

MULDER (OFF): - Deus sabe sobre o coração dos homens. Mais do que os próprios homens.



X

20/12/2002

10 de Novembro de 2019 às 01:07 0 Denunciar Insira 0
Fim

Conheça o autor

Lara One As fanfics da One são escritas em forma de roteiro adaptado, em episódios e dispostas por temporadas, como uma série de verdade. Uma alternativa shipper à mitologia da série de televisão Arquivo X. https://www.facebook.com/laraone1

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