Derreta-se! Seguir história

takkano Takkano

Wen Chao possuía esse núcleo inquebrável, um que Wen Zhuliu acreditava ser indestrutível.


Fanfiction Anime/Mangá Impróprio para crianças menores de 13 anos.

#drama #wens #wen-chao #wenzhuliu #mo-dao-zu-shi
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Capítulo Único.



A floresta de Qishan era um bom lugar para se camuflar. O cantar das aves, o assobio do vento, e uma imponente queda d’ água, traziam tantos ruidos que até mesmo o menos habilidoso dos cultivadores, poderia facilmente se camuflar ali.

O que, certemente, não era o caso de Wen Zhuliu.

Wen Zhuliu não era somente o guerreiro mais habilidoso do clã Wen, como também o mais forte e temido. Sua habilidade de destruir a fonte de todo o poder de um inimigo, o chamado núcleo dourado, era algo que estava além da capacidade de qualquer clã no mundo da Cultivação. Esse poder supremo foi um dos grandes motivos que tornou Wen Zhuliu, braço direito de Wen Ruohan, o líder do clã Wen; apenas um.

O outro motivo para fazer Wen Zhuliu suportar todo aquele autoritarismo e crueldade do clã Wen, caminhava bem a sua frente, despreocupado, como se fosse um alvo inatingível.

Wen Zhuliu sabia que Wen Chao odiava ser incomodado, por isso, observava-o por detrás das árvores, sempre tentando manter-se o mais oculto possível. Mas acabava falhando miseravelmente. Quando o sol batia contra o rosto de Wen Chao, e o vento soprava forte, o jovem cerrava parcialmente os olhos, deixando um sorriso verdadeiro transparecer no rosto sempre tão carrancudo. Ficava admirando secretamente a genuína beleza de um jovem que tinha tudo para ser um bom cultivador e um grande futuro líder, mas, que acabou sendo reprimido e instigado a repetir as ações grotescas do pai. A parte que mais doia, era fazer parte daquele show de horrores, que foi a criação de Wen Chao. Isso partia seu coração. Ajudaria Wen Ruohan a conquistar todo o mundo da Cultivação como prometido e, depois, sumiria no mundo. Não suportaria ficar e presenciar Wen Chao trilhar o mesmo caminho sanguinário de seu mestre.

– Wen Zhuliu? - Wen Zhuliu apertou a mão contra o peito. Certamente, as batidas desenfreadas de seu coração o havia entregado. Nunca conseguia manter-se indiferente quando estava sozinho na presença de Wen Chao – Que diabos faz aqui; aconteceu algo?

– Jovem Mestre, gostaria de fazer sua escolta, se possível.

– Ahã? Claro que não! Estou apenas aproveitando o momento, não estamos exatamente em guerra o tempo todo, sabia.

Wen Zhuliu olhou em volta. Lingjiao não estava por perto, era uma chance rara e não deveria ser desperdiçada. Sabia o quão arriscado era cortejar o filho do mestre Wen; poderia perder a vida apenas por tentar. Mas, com o passar dos anos, Wen Zhuliu sabia também que, lutando pelo império Wen, suas chances de estar ali, a cada novo amanhecer, diminuía drasticamente.

– Por que essa preocupação toda afinal, devia guardar seu poder para quando eu realmente precisar dele.

– Jovem Chao… gosta do meu poder?

– Ei, não se dirija a mim dessa forma, insolente! Mas é óbvio, sua habilidade é suprema, e ninguém pode detê-lo. - o jovem Wen voltou a sorrir insano e vitorioso como de costume – Não há núcleo no mundo que não possa ser derretido pela sua mão.

Nesse momento, Wen Zhuliu revelou seu lado mais fraco. Seu olhar se perdeu no rosto do jovem mestre. Sentiu os olhos transbordarem e a garganta doer. Wen Chao possuía esse núcleo inquebrável, um que Wen Zhuliu acreditava ser indestrutível. Sonhava com um dia em que poderia tocá-lo e fazê-lo seu. Um dia onde faria o jovem abrir os olhos e entender as insanidades que seu clã cometia. Um dia onde derreteria aquele núcleo duro e gelado, e o faria arder mais que o Sol.

– E se eu disser que, existe um que eu talvez não possa derreter, e que custaria a minha vida, caso tentasse.

– Ahã? Isso é mentira, você pode derreter qualquer coisa com essa mão; pare de dizer tolices. E quem liga para a sua maldita vida? Se fosse para salvar a minha, tentar seria, no mínimo, nada menos que sua obrigação. - Wen Chao fez um sinal com a mão, como se espantasse um inseto qualquer.

Aquelas palavras foram tão duras e tão verdadeiras, que foi Wen Zhuliu quem sentiu algo partir por dentro. Talvez, seu jovem mestre também possuísse a triste habilidade de destruir núcleos; principalmente se esse núcleo estivessem em seu coração. Wen Zhuliu fez uma breve reverência e deu as costas, se retirando.

– Wen Zhuliu. - Wen Chao o chamou, seu tom de voz mais suave que o usual – Em breve chegará o grande dia. Finalmente conquistarei o último clã revoltoso, então, mais uma vez, conto com você.

– Será uma honra, Jovem Mestre.

– Mais uma coisa. Abandone completamente essa ideia estúpida de que possa existir um núcleo inquebrável. E se, por acaso esse dia chegar e você encontrar tal obstáculo, quero que honre a promessa que fez a meu pai e morra tentando; como um verdadeiro Wen.

– Cumprirei essa última ordem com todo o meu ser.

– Assim espero. Algo mais?

– Não senhor.

– Então retire-se, e mande Lingjiao aqui, de repente me senti só, e preciso de companhia de verdade.

– Sim, meu senhor.

Wen Zhuliu fingiu não ouvir a última parte do pedido de Wen Chao. Não era garoto de recados e se seu jovem mestre quisesse mesmo a companhia daquela mulher fútil, teria ele mesmo que ir buscá-la.

Mas, a maldita parecia farejar qualquer oportunidade de se aproximar de Wen Chao, pois, Wen Zhuliu mal saiu da floresta e já se deparou com aquela criatura, se rastejando feito uma cobra, atrás de poder. Assim que avistou Wen Zhuliu, Lingjiao veio correndo ao seu encontro.

– Wen Zhuliu, estava com Wen Chao?

– Certamente. - aquela voz o irritava profundamente.

– Ele pediu que me procurasse?

– Não. - mentiu.

– Gostaria de me acompanhar até o Jovem Mestre?

– Não.

– Ahhh, Zhuliu, e se eu for atacada no caminho?

Wen Zhuliu nem se deu ao trabalho de responder, porém, sua expressão falou por si. Lingjiao entendeu o recado e crispou os lábios, em um sorriso perverso.

– Mas por que todo esse mau humor? Ele percebeu que você o estava cortejando de longe novamente, e o dispensou? - Wen Zhuliu deixou que uma ruga de choque transparecesse em seu semblante, arrancando um sorrido ainda mais cruel de Lingjiao – Quem diria não é, que um homem tão poderoso e habilidoso como você, seria derrotado por uma mulher frágil e atraente, não é mesmo. Lhe desejo mais sorte… na próxima vida.

Wen Zhuliu, por um momento, perdeu a cabeça e agarrou o pescoço de Lingjiao. A mulher ainda conseguiu gritar antes de começar a ser estrangulada pelo cultivador. Wen Zhuliu sabia que Lingjiao não era o real motivo de suas frustrações, na verdade, Lingjiao era tão insignificante, que nem valia o esforço de sequer discutir com ela. A mulher era tão desprezível que nem ao menos havia um núcleo para ser partido ali; era vazia em todos os sentidos. Afrouxou o aperto para que ela pudesse voltar a respirar adequadamente.

– Wen Zhuliu o que pensa que está fazendo?

Wen Chao apareceu ali correndo com a espada desembanhada. Provavelemente acreditou que Lingjiao estava sendo atacada. Sabia que Wen Zhuliu estaria por perto, por isso mostrou um pouco de coragem, indo ao resgate da mulher. Mas, a cena de ver seu mais fiel lacaio quase matando a mulher que o servia, era confuso demais. Ficou um tempo sem saber como proceder diante a cena. Assim que Lingjiao viu Wen Chao parado ali, fingiu um desmaio, sendo solta em seguida por Wen Zhuliu. Wen Chao correu até sua amada, estatelada no chão. Ajeitou-a em seu colo e passou a abaná-la. Lingjiao percebendo que talvez Wen Chao não puniria Wen Zhuliu, começou a dar um verdadeiro escândalo.

– Como pode manter um homem descontrolado desse por perto? Quem garante que um dia, não será você?

– Lingjiao, acalme-se. Tenho certeza de que deve haver um grande mal entendido aqui.

– Como pode? Quero voltar ao castelo, não ficarei nem mais um minuto perto de um louco que faz o que bem entende e nem ao menos recebe uma punição devida por isso. Servirei a Wen Ruohan, ele é um verdadeiro líder, e não deixaria isso passar em branco.

Wen Chao ficou pálido. Seria um problema se Lingjiao voltasse ao castelo e seu pai ficasse sabendo que ele estava perdendo o controle de seus servos. Além é claro, de ter que arranjar outra mulher tão submissa quanto Lingjiao. Por outro lado, punir Wen Zhuliu não seria uma tarefa nada agradável. Acreditava que o cultivador nunca havia recebido uma punição sequer na vida. Tinha medo de que isso prejudicasse seus serviços de proteção em tempo integral. Mas um serviçal seria sempre um serviçal, e Wen Chao precisava mostar quem estava no controle.

– Wen Zhuliu, não irei tolerar esse comportamento insolente diante uma situação tão grave. Atacar um membro do próprio clã, ainda mais uma mulher indefesa, é motivo de desonra para qualquer cultivador Wen.

– Eu sugiro açoitamento em público. - de repente, Lingjiao se levantou eufórica demais, arrancando uma expressão de irritação de Wen Chao; sabia que a mulher estava supervalorizando o ocorrido.

– Não em público. Wen Zhuliu não é qualquer um. Ele vai pagar, mas eu mesmo farei isso, a meu modo.

Lingjiao ficou claramente insatisfeita com o resultado, mas já era alguma coisa. Faria tudo o que fosse possível para colocar Wen Zhuliu em seu devido lugar. Wen Zhuliu não disse uma única palavra em sua defesa. Ouviu tudo calado e de cabeça baixa.

Mais tarde, naquele mesmo dia, Wen Zhuliu foi levado ao estábulo onde ficavam grande parte dos animais da propriedade. Lingjiao ficou mais uma vez insatisfeita, pois sabia que Wen Chao havia escolhido o lugar mais distante dos olhos de todos. Dois serviçais se aproximaram de Wen Zhuliu a fim de predê-lo pelas correntes.

– Não será necessário. - foi a primeira vez que Wen Zhuliu falou – Receberei meu castigo sem mover um único músculo sequer.

Wen Chao sorriu satisfeito com aquela resposta, o que deixou Lingjiao ainda mais enfurecida. Wen Chao se postou às costas de Wen Zhuliu e estalou o chicote no chão. Esperou o homem baixar a parte superior de seu traje, antes de começar.

A imagem que viu o fez derrubar o chicote, no chão cheio de palha. Várias marcas antigas, de um provável chicoteamento, cobriam toda a extensão de pele ali. Algumas delas pareciam tão profundas, que Wen Chao temia abri-lás só de tocar com as mãos.

– Precisa de ajuda para fazer isso, o que está esperando? - Lingjiao, ao contrário de Wen Chao, não parecia nem um pouco compadeciada com a situação.

Não tinha como voltar atrás. Wen Chao pegou o chicote, se afastou um pouco, e desferiu o primeiro golpe. Demorou mais que o esperado para dar o segundo. Passou a aumentar o ritmo com o tempo. Sabia que se o intervalo entre as chicotadas fosse longo, a dor seria bem mais acentuada.

Parou assim que viu o primeiro filete de sangue escorrer.

– Eu sou a vítima, tenho direito a ao menos uma delas. - Lingjiao estendeu a mão exigindo o direito a uma chicotada em Wen Zhuliu.

– Ele chegou no seu limite.

– Eu também. - Lingjiao se alterou.

– Eu ainda aguento. - a voz de Zhuliu saiu rouca e arrastada pela dor – Posso suportar a de Lingjiao.

Aquilo deixou Lingjiao cega de ódio. A mulher arrancou o chicote das mãos de Wen Chao e passou a desferir vários golpes por cima da carne bastante mutilada.

Apesar da dor, um sentimento bom tomou conta de Wen Zhuliu. As chicotadas da mulher doíam umas vinte vezes mais que as de Wen Chao. Com toda a certeza, Lingjiao não possuía mais força que seu jovem mestre. Isso só poderia significar que, Wen Chao não estava realmente usando força para puní-lo. Mas também, não queria se iludir, pois as feridas, a essa altura, já estavam bastante abertas, o que poderia contribuir para aumentar a dor. Seu joelho acabou cedendo na última chicotada de Lingjiao.

– Ah, não ia mover um único músculo, não é mesmo; homem tolo.

– JÁ CHEGA! - Wen Chao arrancou o chicote das maos de Lingjiao e o jogou no chão. – Wen Zhuliu é meu melhor cultivador, vou usar você de escudo, caso ele não se recupere a tempo de tomarmos a última Seita de Cultivação. Um vassalo insolente e uma mulher descontrolada… estou bem acompanhado mesmo.

Todos saíram, deixando que Wen Zhuliu finalmente pudesse ceder até o chão.

Wen Zhuliu ficou ali no mesmo lugar, sozinho, durante o resto do dia. Somente quando a noite caiu, é que escutou alguém se aproximar do estábulo. Ouvia passos desajeitados e coisas sendo derrubadas. Com muita dificuldade de se movimentar, sentou e esperou pelos cuidados dos servos responsáveis por cultivadores desobedientes.

– Mas que droga é essa? Isso tudo é só pra curar umas feridas ou reviver os mortos?

Wen Chao entrou carregando vários potes, panos e garrafas. Parou em frente a Wen Zhuliu, que o encarou com uma expressão de surpresa.

– Tá olhando o que, meu pai me obrigou a cuidar pessoalmente dos seus ferimentos. - Wen Chao corou até as orelhas.

Wen Zhuliu se manteve sério, mas, por dentro, riu daquela atitude infantil por parte de Wen Chao. Era tudo mentira, e Wen Zhuliu sabia muito bem disso. Primeiro, Wen Chao jamais contaria a seu pai que surrou seu melhor cultivador apenas para atender aos caprichos de uma prostituta qualquer; ele seria deserdado e Lingjiao morta. Segundo, Wen Ruohan não se importava com sua saúde, desde que continuasse a destruir tudo pelo caminho. Wen Zhuliu acreditava inclusive que, se pudesse, Wen Ruohan já teria decepado seu braço para usá-lo como arma.

Wen Chao se sentou atrás de Wen Zhuliu e começou a tratar de suas feridas. Apesar de seu jovem mestre ser basante desajeitado, Wen Zhuliu não se sentia mal. Ser tocado por Wen Chao, fazia todas as suas dores irem embora, até mesmo as que não eram físicas.

– Não vai acontecer novamente. - Wen Zhuliu sentiu Wen Chao parar o que estava fazendo – Nunca mais tocarei um dedo em Lingjiao.

– Tenho certeza que não. - Wen Chao começou a enrolar uma faixa sobre os ferimentos – Eu a mandei para tirar umas férias; bem longas. - Wen Chao sentiu o corpo de Wen Zhuliu ficar tenso – Não se preocupe, não fiz nenhum mal a ela.

– Desculpe, é que as coisas não andam muito piedosas entre os Wen.

– Uhm, não é como se a culpa fosse exclusivamente nossa. Não queria arriscar outro confronto entre vocês, além disso… - Wen Chao passou a última volta de faixa pelo peito de Wen Zhuliu, dando um nó na parte da frente – … Lingjiao pode ser substiutída.

Ao ouvir aquelas palavras, Wen Zhuliu tocou as mãos de Wen Chao. O jovem cultivador sentiu o coração de Wen Zhuliu disparar como uma manada enfurecida. O contato aumentou quando ,Wen Zhuliu, entrelaçou seus dedos aos dele.

– Tenho certeza que pode.

Devagar, Wen Zhuliu se virou para encarar seu jovem Mestre. Wen Chao continuava vermelho. Wen Zhuliu levou a mão até o rosto de de Wen Chao, onde fez uma leve carícia antes de segurar seu queixo e puxar o rosto do jovem em direção ao seu.

– Cuidado com essa maldita mão. - Wen Chao deu um forte tapa na mão esquerda de Wen Zhuliu, quando já estavam a milímetros de distância um do outro. – Eu bati nas suas costas, não na cabeça; pare de pensar bobagens. - Wen Zhuliu baixou a cabeça, envergonhado – Vá descansar agora. Em breve, terá que derreter tantos núcleos, que fará esse dia de hoje parecer ter sido divertido.

Wen Chao pegou as coisas que trouxe e saiu reclamando mais uma vez. Antes de deixar o local, Wen Zhuliu o chamou uma vez mais.

– Eu irei derreter, todos eles… mesmo que ele seja indestrutível; nem que eu tenha que morrer por isso.

– Hum, você quase morreu com a surra de hoje.

– Mas eu tentei… - Wen Zhuliu lhe lançou um olhar mole – … e cheguei bem perto de conseguir; bem perto mesmo.

A imagem de Wen Zhuliu quase tocando seus lábios, veio a mente como um raio, fazendo Wen Chao voltar a ficar vermelho e sair correndo irritado. Aquilo deixou Wen Zhuliu ainda mais feliz. Talvez, seu joevem mestre tivesse razão. Talvez não houvesse um único núcleo no mundo, que ele não pudesse derreter.

17 de Outubro de 2019 às 11:18 0 Denunciar Insira 0
Fim

Conheça o autor

Takkano 30 anos, paulista, escorpiana!

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