LIÇÃO NATALINA Seguir história

debrittus Maykow Debrittus

Prepare-se para mudar... Ela já havia me dado o maior presente que poderia ganhar naquele natal, me ensinou a olhar pela janela...


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LIÇÃO NATALINA

Antes de descrever o que estou sentindo neste exato momento tenho que retornar ao natal do ano passado.

Todos os anos minha família se reúne para passar o natal na casa dos meus pais, sem duvida nenhuma é minha comemoração favorita e fico sempre esperando a revelação do amigo oculto, desde o dia em que sorteamos, sempre tento descobrir que tirou quem.

A comemoração correu tudo bem e neste dia ganhei de amigo oculto da minha querida e amada tia um Globo de vidro com boneco de neve, toda vez que balançava o globo era como se começasse a nevar, por vezes me pegava imaginando naquele local com as neves caindo e brincando com aquele boneco de neve. Fiquei encantado com aquele presente, mais ainda por ter sido um presente da minha querida e amada tia.

Quinze dias após o natal minha tia veio a falecer, senti muito sua perda e chorei por dias, sempre que pegava o globo lembrava-se dela e lagrimas escorriam pelos meus olhos, além dela morar próximo de onde morávamos sempre a considerei minha segunda mãe. Aquele presente passou a ter um significado mais especial ainda, até que um dia ao tentar pegar ele veio a escorregar da minha mão e caiu, por sorte não quebrou, mas trincou todo o vidro e ficou apenas uma pequena parte onde ainda conseguia ver o boneco e parte da casa.

Fiquei arrasado e permaneci com ele alguns meses até o dia em que resolvi joga-lo fora, pois não tinha mais aquela beleza de antes, mas não tive coragem de coloca-lo na lixeira, apenas coloquei ao lado antes de sair para trabalhar, quando cheguei ao trabalho senti um arrependimento bater no meu coração. A única lembrança que havia ficado da minha tia e eu acabara de jogar fora, resolvi ligara para casa e pedir para que retirasse ele, mas já era tarde ele não estava mais lá e passei a viver com ele apenas na minha memoria.

Enfim era véspera de Natal, e como sempre a noite todos se reuniria na casa de meus pais. Este ano infelizmente com uma perda minha tia, ela que sempre durante o dia entregava cestas básicas e brinquedos que recolhia durante todo ano e resolvemos continuar, além de ajudar as pessoas queríamos homenagear sua memoria. Resolvemos continuar entregando em um bairro próximo de onde morávamos e seguir o mesmo trajeto que ela sempre fazia.

Depois de entregar durante toda manhã, enfim restava fazer uma ultima entrega, assim que cheguei notei uma casa muito simples, sem muro ou cerca alguma e com uma pequena horta na frente, mas muito bem cuidada onde não deixei de notar algumas belas verduras, alface, couve, cebolinha, tomate e algumas outras que não consegui identificar. Assim que bati palmas uma senhora chegou da janela e me atendeu.

— Oi Bom dia, em que posso ajudar o senhor?

— Bom dia, gostaria de entregar uma cesta para a senhora. — Assim que disse, ele veio e abriu a porta.

— Desculpe não me apresentei meu nome e Diogo.

— Não precisa se desculpar Diogo, eu também não me apresentei. — Meu nome e Maria Aparecida, mas todos me chamam de Vó Maria. — Vamos entrar um pouco, acabei de fazer um café.

Geralmente não entraria, mas naquele momento sentir algo diferente e resolvi entrar. A casa por dentro era mais simples, na sala havia um sofá rasgado e uma estante velha que ao olhar para ela levei um susto. Notei algo muito familiar naquela estante era o globo com o boneco de neve que havia jogado fora, não tinha como ser outro, ali estava ele todo trincado. Fiquei meio paralisado prestei atenção na Vó Maria me chamando para cozinha para tomar o café.

— Aconteceu alguma cosia meu filho? Pareci que viu um fantasma!

Pequei o copo com o café, o aroma era incrível e o sabor melhor ainda, e não me contive e perguntei:

— Desculpe estava prestando atenção naquele globo trincado.

— O Globo, ele é incrível não é? — Estava recolhendo algumas latinhas em um bairro vizinho, sabe meu filho minha vida é muito difícil, acordo todos os dias para verificar a lixeira das casas para encontrar latinhas ou algo que eu possa conseguir algum dinheiro, algumas casas já até separam para mim e ao chegar a uma me deparei com esse globo ao lado de uma lixeira, não me contive e trouxe-o e desde então ele está comigo. — Anos anteriores nesta mesma data sempre uma senhora me entregava uma cesta, mas descobri que infelizmente ela veio a falecer, fiquei muito sentida pela morte dela, sempre tomávamos café e ficamos durante alguns minutos conversando, por vezes precisa de alguma coisa aqui em casa e recorria a sua ajuda que sempre estava disposta a me ajudar, já a tinha como uma irmã.

— Pena que ele esta todo trincado e não dá para ver todo o interior. — Disse segurando para não chorar.

— Não meu filho, olhe aqui tem um local onde você consegue ver uma grande parte. — Disse me entregando o globo.

— Segurei o globo e o balancei, aquele mesmo que por vezes balançava e ficava imaginando naquele local.

— Olha! —Segura nesta direção que você conseguirá ver melhor, digo para todos que essa posição e igual a uma janela. — Sabe meu filho para que você possa ver a beleza das coisas não precisa ver ela toda, basta apenas uma pequena abertura para ver o que é belo, esse globo me traz sentimentos de amor, paz e esperança. — Neste momento não me contive e lagrimas rolaram pelos meus olhos, lembrei-me da minha tia, daquele globo trincado que para mim havia perdido toda beleza, aproveitei e dei um forte abraço e me despedi de Vó Maria. — Não quis comentar sobre aquele globo que um dia me pertenceu ou sobre aquela sonhara que tanto a ajudou ser minha tia, até porque teria a certeza de que ela me devolveria se soubesse de toda a história.

Ela já havia me dado o maior presente que poderia ganhar naquele natal, me ensinou a olhar pela janela. Olhar para aquela pequena abertura que tantas vezes nos passa despercebida, aquele abertura que às vezes está em uma olhar de uma pessoa necessitada e doente em busca apenas de alguém para escutar, aquela criança que chora com fome na esperança de ganhar um pedaço de pão, aquele morador de rua que por vezes arrisca abrir seu lixo na esperança de encontrar uma simples latinha, aquele olhar daquele drogado que e discriminado, mas por vezes sonhou em tentar sair daquela situação, no amigo tão alegre que naquele dia se encontra calado e quieto em busca de alguém para o ajuda-lo.

Depois deste natal passei a celebrar o natal todos os dias em minha vida, buscando sempre uma janela aberta para ajudar, eliminando a tristeza, amarguras, rancor e ódio do meu coração e deixando brotar em minha alma e coração sentimentos de amor, paz e esperança. Passei a ver um mundo diferente, onde todos têm seus problemas, mas sempre existe uma janela aberta na esperança de alguém ver e ajudar.

16 de Outubro de 2019 às 15:29 1 Denunciar Insira 2
Fim

Conheça o autor

Maykow Debrittus Natural da cidade de Ipatinga, localizada na região leste do estado de Minas Gerais, a 240 km da capital Belo Horizonte. Venho de uma família de quatro irmãos, casado e pai de três filhos. Publiquei meu primeiro livro "Adoção, uma história de Vida”, para homenagear meus filhos, a partir daí passei a escrever por hobby e paixão. Tenho outro livro publicado “O Exercício do Amor – Drama”, participações em revistas, antologias e coletâneas.

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gaKk🔥mura gaKk🔥mura
" Na nossa vida, muitas vezes é assim... Ficamos a encarar a única estrelinha queimada em nossa árvore de natal, e acabamos ´por desprezar as outras, diversas em tamanhos e cores, a cintilar o brilho incandescente do amor, da paz e da esperança sobre nós e nossas famílias" Belo texto! Parabêns!
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