Life After Karma Seguir história

notaqueenakhaleesi Writer Lay

Kitty pensou que havia saído ilesa de suas desventuras na época do high school, porém em algum momento o karma cobra. E ele a alcança até mesmo em uma realidade alternativa onde é um garoto.


Fanfiction Para maiores de 18 apenas.

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Capítulo único

Você sabe que o casamento perfeito vai acontecer quando a outra pessoa é iluminada por Deus, esperou por você por anos, tem uma conta bancária satisfatória e uma beleza de fazer os anjos chorarem. Oliver era a pessoa pela qual esperei a minha vida toda para constituir uma vida honrada e perfeita, mais deslumbrante que a de qualquer um dos meus colegas do tempo da faculdade e ainda mais do que a dos meus colegas de escola. Depois de aguentar todo a sua conversa vegana por anos, eu ganhei um anel de diamantes, então posso dizer que eu mereci. E com essa certeza, eu desembarcava na frente do sushi bar onde meu aniversário seria celebrado - uma cortesia da família do meu noivo, dona do empreendimento.

O andamento da coisa ia muito bem, obrigada, toda aquela bajulação era bem-vinda, até que começaram a se preparar para cantar o parabéns e Oliver não era visto em lugar algum. Entre conversas, alguém disse que meu noivo estava no banheiro, e como uma futura esposa dedicada, fui até a entrada do mesmo para perguntar se estava tudo bem. Mas ali no canto escuro do sushi bar, Oliver tinha a língua de uma estranha em sua boca, enquanto suas mãos estavam apalpando a bunda caída da fulana.

— O que diabos você pensa que está fazendo, Oliver James Brennand? — Perguntei em tom de voz alto, chamando a atenção de todos os presentes naquele estabelecimento para os atos daquele pecador descarado.

Uma festa de aniversário em um sushi bar não era a minha escolha ideal para a celebração da minha data de nascimento, mas pela insistência da família de minha noiva, ali estava. Adentrei o espaço iluminado por aquelas estúpidas lâmpadas redondas e temáticas, seguindo em direção a mesa principal, a única com pessoas ao redor. O espaço estava fechado para o evento, então os presentes eram a minha família, a de Olivia, e uma longa lista de amigos da minha noiva, além de algumas pessoas que eu fazia questão que assistissem como a minha vida estava andando muito bem, obrigado. Minha noiva estava sendo o centro das atenções quando parei ao seu lado, com ela exibindo o caro anel de diamantes que lhe dei no dia que fiz o grande pedido. Estava dando tudo certo na minha vida e eu me sentia no topo.

Porém rapidamente vim abaixo durante a exibição de depoimentos de meus amigos sobre mim passando em um telão.

— Olivia… Essa é você? — Perguntei em retórica, soltando a mão de minha noiva enquanto que no telão um vídeo dela, usando o mesmo anel de noivado que dei a ela, masturbava um de nossos amigos em comum.

Meu rosto queimava de raiva como as chamas altas do inferno.

Chorava em puro ódio dentro do meu carro no estacionamento do restaurante, enquanto podia ouvir nítido o som de pessoas trabalhando para cima e para baixo para limpar os pedaços de comida arremessados e a louça espatifada enquanto eu tentava arrancar sangue da cara cínica de Oliver ao dizer que tudo não passava de um pequeno erro. Nunca fui tão humilhada em toda a minha vida e isso incluía ter que admitir que todos os garotos que decidi conquistar no high school ou preferiram Marley Rose ou simplesmente me esqueceram quando viram uma outra garota mais rica por perto.

— Com licença, senhorita. — Um rapaz batia na janela do carro, vestindo o uniforme de funcionário do restaurante, o semblante preocupado. — Mas está se sentindo bem? Posso ajudar?

— Ajudar… Você é mais um intrometido querendo saber como desenrolou o drama entre o relacionamento dos seus patrões. — Afirmei, abaixando minimamente o vidro para que ele me ouvisse.

— Okay… Posso até ser, mas você definitivamente precisa de alguma ajuda. — O rapaz admitiu, tirando de seu bolso um pacote de lenços descartáveis com o monograma do sushi bar. Ele estendeu aquilo para mim, com um sorriso sem graça. — São para suas lágrimas, senhorita.

Os peguei desconfiada, olhando para ele de canto. Pessoas bondosas demais não existiam nesse mundo, sempre soube disso. Talvez ele estivesse curioso em saber o que iria acontecer e se eu iria pagar as despesas que causei destruindo tudo a minha frente. Porém ele estava ali, e eu podia usar de sua disposição para me ajudar a me recompor, pelo menos.

— Qual seu nome? — Perguntei, em tom defensivo.

— Louis, senhorita. Louis Atkins. — E então abriu um sorriso mais animado em minha direção, parecendo inocente e sutil.

E eu tinha lá meu fraco por garotos que parecem minimamente inocentes e sutis.

— Vá embora. — Falei de dentro do banheiro, onde esfregava irritadamente os cabelos para trás com as mãos úmidas e tentando parecer menos transtornado do que no momento em que entre respirações pausadas para não gritar com a minha agora ex-noiva e ir preso por agressão contra a mulher anunciei que ela nunca seria levada em um arrebatamento por ser a própria enviada de Satanás na Terra. O barulho seco de alguém batendo contra a porta não parava, mesmo que eu tivesse gritado para ficar sozinho diversas vezes. — Você é surdo ou burro? Eu não vou sair daqui agora.

— Ahn… Nenhum dos dois. É que não podemos deixar alguém se trancar no banheiro, simplesmente. Normas de segurança. — Uma voz feminina surgiu do outro lado da porta, reticente. Não era nenhuma voz que eu reconhecia, a propósito.

— Nesse caso… Eu já vou sair. Só mais cinco minutos. — Respondi contrariado a moça.

— Posso chamar um táxi para você. Sei que o pessoal do Uber obrigatoriamente gentil, mas o pessoal que fica ali no ponto já viu de um tudo, então realmente acho que podem ser boa gente e não irão lhe importunar e ainda vão oferecer uns lencinhos caso caia em tentação de chorar no banco de trás. — A garota tagarela seguiu falando, em tom gentil, como se tivesse a melhor das intenções.

— Eu dou meu jeito, obrigado… Ahn… — Balancei a cabeça, buscando por um nome, até perceber que ela não disse nada.

— Lois. Lois Atkins. — Ela se apresentou, em voz calma e até mesmo inocente. Em seguida, completou sua apresentação com um: — Sinto muito pelo que passou. Imagino que não tenha sido a melhor noite de sua vida.

— Eu já fui trocado algumas vezes, mas nunca por alguém que eu considerava realmente meu amigo. — Admiti, respirando fundo. — E em público.

— Não é algo que realmente se espera passar, mas tudo acontece por alguma razão. Deus não o deixaria passar por uma provação dessas sem que tivesse estruturas para tanto. — Ela seguiu falando, capturando minha atenção.

— Você… Está falando que isso é um propósito divino? — Perguntei, me aproximando da porta, a mão sobre a maçaneta.

— Deus não escolhe os capacitados, mas capacita os escolhidos, certo? Então, sim. — Ela concluiu, e eu quase podia imaginar aquela pessoa sem imagem definida encolhendo os ombros na sequência.

Abri a porta em uma pequena fresta, olhando para ela com curiosidade.

— Lois Atkins, você é mesmo uma mulher de fé.

Em um primeiro momento, Louis parecia um rapaz de boa índole e que seria um refresco muito grande em comparação a toda a vergonha que passei com Oliver. Nunca vi alguém saber tanto sobre meus gostos como ele. Simplesmente sabia exatamente o que dizer e o que fazer para me manter sorrindo e em paz. Claro, era estranho como meus amigos simplesmente começavam a se afastar de mim, depois de tantos anos, sempre implicando com Louis e dizendo que ele era muito estranho. Mas não conseguia ver o que tinha de errado no garoto prestativo e passional que ele era.

Se bem que eu conseguia ver pequenos traços que me deixavam desconfortável quando eu não estava totalmente focada em algo nosso e estava pensando em minha carreira ou algo do tipo. Louis não gostava que eu tivesse outras coisas em mente, principalmente coisas que não o envolviam. Nessas ocasiões, brigávamos e ele era completamente inadequado e áspero, mesmo em público. Em seguida ele se desculpava, chorando, dizendo que estava arrependido e implorava pelo meu perdão e o de Jesus.

Acabava aceitando, porque se estava disposto a se retratar perante Nosso Senhor, então estava falando a sério.

Lois parecia ser a garota exemplar perfeita. Olhava para sua cabeça loira adormecida ao meu lado durante a noite e me perguntava como que eu tinha tido a sorte de depois daquele noivado desastroso encontrar alguém tão acima das expectativas. Religiosa, humilde, quieta, com um comportamento semelhante ao de uma dona de casa dos anos 70, quando os costumes eram tão mais conservadores. Parecia a garota feita para me acompanhar lado a lado.

Exceto quando ela parecia esquecer disso, me mandando me foder em voz baixa, como se eu não fosse ouvir. Ou deixando implícito que eu deveria ser mais gentil com ela porque só ela me aturava. Ameaças soltas, fora de contexto e local. E então ela voltava a seu comportamento submisso, com seus sorrisos e modo prestativos. Mas estava gravado em minha mente o momento hostil.

As coisas simplesmente saíram do controle.

Acho que é o melhor jeito de descrever aquela situação, com a minha descoberta com o verdadeiro altar que Louis tinha em casa com cada coisa minha que eu considerava perdida antes de consolidarmos a nossa relação. Planners, canetas, bolsas de mão, até mesmo meu antigo celular estava guardado na casa de Atkins. Era completamente aterrorizante e quando o confrontei, ele me respondeu que tinha que aprender a ser um parceiro para mim melhor do que Oliver foi, e que ele se esforçou muito para me agradar.

Perguntei se o lance da traição foi armado por ele e ele só me respondeu que eu deveria saber o tipinho de pessoa com quem planejava casar.

Foi nesse instante que gritei pela janela do apartamento dele por ajuda.

O que dizer de Lois Atkins a não ser que ela é completamente fora da casinha?

Quando tentei me separar dela, sua primeira reação foi perguntar se eu era quem estava louco. Porque ela não iria me perder assim por causa de umas discordâncias pequenas - ela chegou ao ponto de arremessar meu celular pela janela porque estava falando com uma colega de trabalho - e que eu estava insano se achava que ela não iria lutar com todos os poderes que ela tinha em mãos para me obrigar a ficar.

E quando ela falava sobre seus poderes, era a estranha habilidade das pessoas confiarem e acreditarem nela, a ponto de que todo mundo achava mesmo que eu estava tendo algum desequilíbrio psicológico e que ela era a pessoa sã que estava tentando cuidar de mim. Meu emprego foi ameaçado por ela, o síndico do prédio achava que eu estava enlouquecendo e até mesmo minha família acreditava que estava sendo possuído por espíritos ruins.

Estava desesperado por uma forma de me livrar da mulher que disse na minha cara que me livrou de uma pessoa que nunca foi batizada nas águas de Cristo e que deveria ser grato a ela e não fugitivo.

Consegui um mandato de restrição contra Louis. Mas mesmo assim sair de casa sempre era um pânico diferente. Olhava mais de vinte vezes por cima do ombro antes de avançar uma quadra, apavorada que aquele stalker absoluto voltasse a me perseguir.

Um dia estava comprando meu vestido para comparecer ao casamento de Marley Rose e pude jurar que o vi por alguns segundos do outro lado da rua, óculos escuros e boné. Meu estômago embrulhou e automaticamente pedi a Deus para que me vigiasse. Um ônibus passou pela rua e quando sumiu de minhas vistas, a imagem de Louis já não estava mais lá.

Todo dia era uma nova provação, e entendi que era o modo do Senhor me punir em vida por meus pecados anteriores. Era a única explicação racional.

Consegui ajuda quando Lois estava quase conseguindo convencer a todos que eu estava incapacitado de viver sem observação médica. Com laudos tirados de sabe-se-lá onde, ela dizia que iria devotar sua vida a me acompanhar e cuidar de mim, que juntos iríamos passar por aquela tormenta. Porém consegui provar que seus laudos eram falsos e que a pessoa perturbada era ela.

Lois não podia se aproximar de mim a uma distância de 200 metros. Mas mesmo assim escolhi sair de Los Angeles e me esconder no interior de Louisiana para que sua influência nunca mais me alcançasse. Toda vez que alguma mulher se aproximava de mim, eu temia que fosse outra possuída como ela.

Eu que sempre julguei todo mundo, agora só esperava por clemência e um pouco de sossego em minha vida.


13 de Outubro de 2019 às 21:35 0 Denunciar Insira 0
Fim

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Writer Lay Perfil para postagens de fanfics apenas. Para publicações de material original, siga @the9intheafternoon.

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