BOMBAS DE ALEGRIA Seguir história

debrittus Maykow Debrittus

A vingança nem sempre será o melhor caminho.


Conto Impróprio para crianças menores de 13 anos.
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BOMBAS DE ALEGRIA

Desde criança sentia que seria responsável por um grande acontecimento, algo que colocaria meu nome na História, por isso busquei atingir meu objetivo, estudei nas melhores escolas e me tornei Mestre em Física Atômica e Molecular, mas com o passar do tempo meu objetivo foi mudando, presenciei as pessoas se destruírem e perderem o que tinham de melhor, então depois de anos de luta a sociedade finalmente se sucumbiu à criminalidade e para piorar a situação, atualmente existe um toque de recolher que inicia às 19h e vai até às 07h, nesse período não existe policiamento no Estado, casas são arrombadas, lojas saqueadas, mulheres estupradas e passou a ser comum sairmos para trabalhar ao amanhecer e encontrarmos corpos assassinados pelo caminho, corpos esses que ficam ali expostos até o recolhimento, vidas que desaparecem sem nenhuma atenção ou preocupação de quem foi o responsável pelo terrível crime, toda a população se armou e se tranca em casa para se defender e quem se arrisca a sair nesse período está fadada à própria sorte.

Adorava acordar bem cedo e caminhar pela orla das praias de Vila Velha, cidade que nasci e aprendi a amar e admirar, mas que hoje não sinto nada, apenas a vergonha de viver uma vida de medo e tensão, onde as pessoas de bem se trancam em casa durante a noite e rezam para que não precisem sair à noite, torcendo para que o dia amanheça logo.

Vou ser breve ao relatar o porquê dessa extrema decisão que estou prestes a tomar. Fui casado e tive uma única filha, quando ela tinha treze anos minha esposa veio a falecer e a partir de então a criei sozinho, não quis me relacionar mais, amei apenas uma mulher na minha vida e a partir daquele momento decidir cuidar da minha filha. Ela cresceu sempre com muito amor, paguei as melhores escolas e faculdades e foi nessa época em que ela conheceu um rapaz que com o tempo se tornou seu marido, os dois eram um casal abençoado por Deus e ela engravidou, minha primeira netinha iria nascer e eles resolveram colocar o nome da avó, minha querida esposa: Ana Lins. Aconteceu que mês passado ela estava quase na data do agendamento do parto, quando por volta das 21h a bolsa estourou e eles não pensaram duas vezes, saíram para o hospital, faltando três quadras chegarem o carro deles foi cercado por três motos e não adiantaram os gritos de socorro deles. Ele foi assassinado e teve sua cabeça decapitada, ela antes de ter seu corpo todo despedaçado foi estuprada e retiraram minha netinha de sua barriga e cortaram a cabeça dela. Quando soube do acontecido meu mundo acabou, não pude acreditar no que havia acontecido, ficava imaginando ela me pedindo socorro e eu sem ter a chance de ajudar.

A partir desse momento decidi que iria me vingar, não apenas daqueles que haviam cometido esses crimes, mas de toda a sociedade. Passei a viver e a me dedicar para a conclusão do meu plano e, finalmente, depois de algum tempo consegui criar a menor e mais poderosa de todas as bombas e as chamei de Lins, nome que seria dado a minha neta.

Por ser tão pequena e ter o formado e tamanho de uma boleba ou bolinha de gude como é conhecida em outros Estados pude espalhar Lins por todo Estado, mas tive o cuidado de deixar um local onde pudesse acompanhar e presenciar esse acontecimento único.

Sempre gostei de ir ao Pico da Bandeira e resolvi que seria de lá que assistiria de camarote, a destruição do Estado, durante todo o tempo em que planejava e construía as bombas consegui criar um acampamento bem camuflado e protegido para morar durante um tempo, e o grande dia estava chegando, passei a noite acordado e já estava amanhecendo, sendo assim decidi ir para o Pico da Bandeira assim que o toque de recolher acabasse e assim o fiz. Juntei todos os mantimentos, ferramentas e armas que pudesse levar e entrei no carro e partir, passei pela última vez pela orla da praia, observei aquela paisagem que aprendi a amar e que amaria sempre, mas logo à frente a realidade voltou, havia um corpo assassinado na esquina, havia uma necessidade de mudança, mas mudança total, apenas aqueles que sobrevivessem teriam a chance de recomeçar e só sobreviveriam se aprendessem a trabalhar juntos, a se importarem um com os outros e buscassem o melhor para todos.

Minha viagem até o Pico foi tranquila, estacionei o carro e arrumei as coisas, pelas minhas contas teria que realizar duas viagens então resolvi subir o mais rápido possível, depois de algumas horas de caminhada cheguei ao acampamento que ficara próximo a uma nascente de água, poucos sabiam de sua localização e era ideal para minha sobrevivência, deixei as coisa no lugar e desci para buscar o restante das coisas. A descida foi rápida, mas demorei quase o dobro do tempo para subir novamente, a cada passo que eu dava minha alegria de estar prestes a realizar meu objetivo me dava forças para seguir em frente e assim o fiz até subir todo o pico novamente.

Era o dia 24 de novembro, escolhi essa data especial por ser o dia em que minha filha completaria vinte e oito anos. O dia ainda estava um pouco claro, mas logo anoiteceria, resolvi programar Lins para detonar a partir de 21h, mesmo horário em que assassinaram minha filha, mas antes tinha tempo de fazer um jantar especial, tomar um bom vinho e depois apenas esperar.

Sempre fui ótimo em tudo que fiz e no horário certo já estava sentado na minha cadeira de praia saboreando mais uma taça de vinho quando começaram a acontecer às primeiras explosões que continuaram por todo o litoral e avançaram para o interior e capital do Estado.

Durante algum tempo fiquei ali, admirando minha obra de arte, a cada explosão dava uma risada de alegria e tomava um gole de vinho, depois de alguns minutos o silêncio pairou no ar, Lins havia completado sua missão.

Minha vingança estava realizada, eu me vingara de todas as pessoas que deixaram a sociedade ser destruída, daqueles que mataram minha filha, minha neta e meu genro, dormiria tranquilo aquela noite sabendo que um mundo melhor surgiria a partir daquele novo dia.

Durante a noite sonhei com minha filha e meu genro e em seus braços minha netinha minha filha não parava de chorar e me perguntava por que eu havia feito essa barbaridade, por que eu dizimei todas essas pessoas, tentava responder e justificar que seria por todas as atrocidades que haviam cometidos contra eles, mas minha voz não saia nada e nesse momento senti uma tristeza tão imensa que nem quando eles morreram eu havia sentido, acordei chorando muito e pela primeira vez tive a noção do que havia cometido, não consegui nem pedir perdão a Deus, levantei e sai um pouco do acampamento, a noite estava linda com várias estrelas no céu, voltei e resolvi que minha vida acabaria ali, peguei o revólver o carreguei e coloquei na minha cabeça e apenas fechei os olhos e ...

3 de Outubro de 2019 às 15:12 1 Denunciar Insira 3
Fim

Conheça o autor

Maykow Debrittus Natural da cidade de Ipatinga, localizada na região leste do estado de Minas Gerais, a 240 km da capital Belo Horizonte. Venho de uma família de quatro irmãos, casado e pai de três filhos. Publiquei meu primeiro livro "Adoção, uma história de Vida”, para homenagear meus filhos, a partir daí passei a escrever por hobby e paixão. Tenho outro livro publicado “O Exercício do Amor – Drama”, participações em revistas, antologias e coletâneas.

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gaKk🔥mura gaKk🔥mura
Suicida narrador?! Putz... Morreu ou não?
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