A Ilha Seguir história

sweet-mary

"À beira do inóspito, uma beleza ao alcance dos olhos, jamais do toque. Há um preço por se afeiçoar a solidão, uma espécie de fadiga seletiva. A contrariedade traz desconforto e a rotina tem o seu sustento no pragmatismo de um idoso rabugento e bem pouco tolerante a mudanças, sobretudo as mais drásticas."


Poesia Romance Todo o público.

#timidez #medo-de-amar #mulher #desejo #amor #prosa-poética #metalinguagem #metáforas #romance #escritora-mary
Conto
0
1.2mil VISUALIZAÇÕES
Completa
tempo de leitura
AA Compartilhar

Curitiba, 22 de janeiro de 2015.

O sorriso dela é um habilidoso pincel que encobre as névoas de desesperança. As pequenas ondas de águas cristalinas refletem o brilho do sol, são o espelho do mundo. Os dedos feitos de ampulhetas deixam escapar por entre os dedos dos pés um pouco da magia dos céus.

A tranquilidade dá a impressão de que a vida transcorre em câmera lenta e despreocupada, tal qual as férias sabem ser quando mente e corpo entram em comunhão por um bem maior que a incessante queixa do imutável. As folhas das palmeiras sacolejam livremente ao compasso das brisas. O aroma de flores é o sinal mais nítido de telepatia.

No entanto, existe um limite muito bem definido para se aproximar das margens. Ninguém costuma se atrever, deve ser por medo ou também preguiça. À beira do inóspito, uma beleza ao alcance dos olhos, jamais do toque. Há um preço por se afeiçoar a solidão, uma espécie de fadiga seletiva. A contrariedade traz desconforto e a rotina tem o seu sustento no pragmatismo de um idoso rabugento e bem pouco tolerante a mudanças, sobretudo as mais drásticas. Ao primeiro indício de tempestade, a cabana é o refúgio, até o medo do escuro fica para ser julgado depois de amanhã, quando a chuva passar e varrer a dor.

Ela espera que alguém não venha só de passagem, mas até agora ninguém a contrariou, nem teve coragem de entregar-se à beleza que vem do medo superado, das lágrimas francas de um amor confessado. Então, fica ali, feito uma menina debruçada ao parapeito da janela à espera do amor que nunca vem. Ou errou de esquina ou não existe ninguém. Ou se existe, o seu coração prefere acreditar que não.

Puros são os cães que demonstram fidelidade sem barganha, tão pouco da vida querem, e assim ela deseja ser, o mais simples que puder, sem nem sequer deixar rastros. E se houver alguém olhando adiante, se esse alguém puder olhar além de si mesmo, para mais adiante, mais longe do que ela já pode sentir. Talvez ela só precise que alguém esteja ali. Tudo o que se é não tem sentido se permanecer escondido.

24 de Setembro de 2019 às 23:57 0 Denunciar Insira 0
Fim

Conheça o autor

Mary Curitibana, futura jornalista, escritora em constante progresso, escorpiana com ascendente e lua em peixes. Apaixonada por todas as singelezas da natureza, onde se encontra o olhar compassivo de Deus. Em matéria de livros, filmes e músicas, minha lista tende a crescer, mas sempre há aqueles que têm um espacinho especial no meu coração. Prazer, eu sou a Mary.

Comentar algo

Publique!
Nenhum comentário ainda. Seja o primeiro a dizer alguma coisa!
~