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the9intheafternoon Layse Amaral

Uma jovem professora que acaba se envolvendo com a pessoa errada. Um músico preso em sentimentos paternais indevidos. Um adolescente popular tomando o maior golpe de sua vida. Uma conversa de despedida entre uma mulher que viveu de um tudo e sua melhor amiga. Momentos da existência de vinte personagens, sempre marcados por uma história que poderia ser qualquer coisa, mas se transformou em um momento de plot-twist. Fragmentos da vida de pessoas aleatórias e protagonistas dos seus próprios destinos.


Drama Para maiores de 18 apenas.

#oneshot
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Em progresso - Novo capítulo Todas as Sextas-feiras
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Como (não) ser uma destruidora de corações

Como ele é?

Alto… Bem branco, possivelmente porque nunca pega sol. Vive apressado, dá muitos plantões e em dois hospitais.


A conta do jantar naquele dia pagaria o aluguel de seu apartamento tranquilamente, mas Sarah não iria reclamar. Estava em uma missão – ou algo do tipo. Prometeu a sua amiga Rachel que iria extrair todas as informações de porquê aquele homem que lhe parecia tão simpático ali em sua frente enquanto falava sobre as crianças que cuidava no hospital havia ignorado todas as suas ligações depois da noite que passaram juntos.

Sarah sabia na verdade o motivo dele não ter ligado, afinal era o típico caso do “comeu e jogou fora”, mas prometeu a uma chorosa Rachel que saberia exatamente o que aconteceu e lhe contaria no dia seguinte. Seus métodos não eram os mais ortodoxos, é claro. O encontrou fazendo sua corrida matinal no parque e iniciou uma conversa com ele como quem não quer nada. Lhe deu seu número, ele lhe ligou e os dois saíram algumas vezes. Naquela noite era a terceira, e pelo luxo do lugar que estavam, ele tinha outras intenções para com ela além de deixá-la na frente de seu apartamento.


E você só quer mesmo saber sobre o motivo dele ter a ignorado?

Sim… Sabe, eu achei que estávamos tendo uma conexão, e então ele simplesmente sumiu.

Entendo… Então, eu posso usar qualquer meio pra conseguir a resposta?

Você vai torturá-lo?

Não! Oh, não! A não ser que ele peça.

Sarah, você está falando…?

Ele só é um cara que não vale a sua preocupação, Rachel, não se chateie.


— Então, eu estava morrendo de cansaço, depois de mais de 48 horas passando de um hospital para outro, então eu simplesmente entrei no banco de trás do carro e apaguei. — Matthew continuava falando, empolgado, mas Sarah sabia que aquilo era apenas uma elaborada dança do acasalamento.

E para aquele assunto, o que menos gostava era de complexidade.

— Posso fazer uma pergunta? — Ela disparou, abrindo um sorriso leve.

— Claro.

— O que te impede de me comer agora mesmo no banheiro desse restaurante? — Da mesma forma leve de seu sorriso, sua voz ressoou.

Matthew abriu um sorriso bem mais sujo do que o da mulher, balançando a cabeça em concordância.


Assim que adentraram o banheiro, ele passou os braços em volta da cintura de Sarah, juntando seus corpos e a encostando na parede, colando seus lábios em um beijo cobiçoso. Sarah por sua vez correspondia o beijo deixando suas mãos vagarem pelas laterais do corpo do homem, sentindo os músculos de Matthew por cima do tecido do terno que usava para a ocasião. A forma como ele buscava por seus lábios acendia o tesão que sentia por ele. Não à toa que Rachel se sentia triste por seu desaparecimento, ele era atraente demais para perder de vista.

Mas logo mais a resposta apareceria. Homens ficavam de guarda baixa por alguns segundos após o orgasmo e era seu momento de questionar o que diabos aconteceu.

Todavia, antes precisava descer o blazer de Matthew, o jogando no chão sem prestar muita atenção, enquanto subia sua perna em sua cintura e sentia suas mãos explorarem por baixo da barra do vestido de grife que pagaria em 10 vezes pelo seu preço. Matthew se esfregava entre suas pernas, endurecendo com aquele atrito, aproveitando de cada segundo daquele beijo. Seus lábios desceram para seu queixo, beijando seu pescoço e em seguida mordiscando a ponta de sua orelha enquanto suas mãos abaixavam as alças do vestido da mulher. Assim que os seios se revelaram, as mãos grandes ficaram massageando-os até que optou por abaixar o rosto e passar a língua em volta do bico de um deles, deixando-o rígido antes de chupá-lo. O ar escapou dos lábios de Sarah com um arfar suave. Às cegas, tateou até encontrar o zíper de sua calça social e abri-lo.

Tinham pouquíssimo tempo naquele banheiro e a qualquer momento poderiam ser flagrados e expulsos, logo Matthew se agarrou a carteira e a camisinha dentro dela como se fosse um bote salva-vidas. Contra a parede, as pernas de Sarah ao seu redor, as estocadas eram intensas e urgentes, assim como a forma que ela gemia baixo contra seu ouvido. Os dedos dele agarravam com força a parte posterior da coxa da mulher, e as unhas afiadas dela estavam correndo o risco de furar a camisa de botões e linho do outro conforme se enterravam no tecido em suas costas.

De surpresa, o polegar do médico estava sobre seu clitóris, acariciando-o enquanto as suas investidas ficavam mais fortes e grunidos vinham de seus lábios. Estavam em frenesi quando as vozes alteradas vieram do lado de fora. Como uma briga muito feroz e cada vez mais perto da porta do banheiro. Os dois se entreolharam e os movimentos foram serenando, até pararem enquanto tentavam distinguir o que se passava a tão poucos metros deles.

— Eu sei que ele está aqui, eu vi o carro dele no estacionamento. — A voz de uma mulher claramente irritada chegava até os dois.

Sarah apenas deu de ombros e estava pronta para recomeçar, mas Matthew parecia ter visto uma assombração em uma esquina escura. A mulher apertou os olhos, o encarando, enquanto empurrava suas mãos para longe de seu quadril. Ajeitou o vestido, prestando ainda mais atenção no que estavam dizendo do lado de fora.

— Eu não quero ficar calma, eu não tenho mais cara pra ficar calma, eu quero olhar na cara desse sem vergonha. — A mulher vociferava acima da voz de um homem que parecia apaziguar as coisas, mas ela não dava a mínima. — Onde ele está?

— Merda. — Matthew disse em voz baixa.

E a forma como seu pênis murchou dizia que ele era “o ele”.

— Ora, ora. — Foi apenas o que Sarah lhe disse, balançando a cabeça em negativa, enquanto limpava os borrões de seu batom com as pontas dos dedos. Puxou o vestido para baixo, ajustando-o em seu corpo e então marchou para fora do banheiro, sem nem olhar para trás. Ele que se virasse para encarar o seu problema e mais o outro ali fora. Pegaria sua bolsa e daria no pé. Era esse o plano, até encontrar na saída dos banheiros uma mulher enfurecida, usando um casaco pesado e um coque apertado, carregando consigo uma pequena garotinha, muito parecida com ela. — Merda.

— Senhorita Knowles, o que você faz aqui? — A pequena garota lhe perguntou, com curiosidade, seus lindos e grandes olhos verdes carregados de curiosidade, fazendo com que Sarah desse uma risada nervosa ao encará-la.

— Dafne! Que bom vê-la. E… Com sua mãe! — Ela lhe disse, abrindo um sorriso trêmulo para as duas, sentindo a ferocidade da Sra. Monteith em sua direção.

— Você estava com ele, não é? Você é com quem ele tem se encontrado todo fim de semana do último mês, não é? A vadia com cheiro de baunilha? — Ela lhe acusou sem nem pestanejar, fazendo com que Sarah piscasse algumas vezes, pensando no que dizer.

— Eu… Definitivamente... Não cheiro a baunilha. — Foi o máximo da eloquência que conseguiu ter.

Senhora Monteith foi para cima de si com passos duros e ágeis, e quando pensou que teria que a lembrar que tinha uma criança a tiracolo, Matthew saiu do banheiro, como se estivesse planejando escapar de fininho.

— Eu sabia! — A mulher gritou, fazendo com que vários de seus fios castanhos se soltassem do penteado. — Eu sabia que estava aqui, seu desgraçado! Como você pôde? Como pôde fazer isso comigo? E com sua filha? Seu desgraçado filho da puta!

Conforme a mulher falava, ela desviava seu foco para o marido traidor, o que foi a deixa para que Sarah ficasse nas pontas dos pés e recuasse, se esgueirando pela parede, centímetro por centímetro, pegando distância.

— Eu posso explicar. — Matthew arriscou, em voz baixa, colocando a mão em frente ao corpo para protegê-lo. Seu olhar foi para a filha, abrindo um sorrisinho para ela. — Querida, sua mamãe está nervosa, não lhe dê ouvidos.

— Eu vou arrebentar sua cara, seu babaca cara de pau! A sua e dessa aí! — Disse apontando para Sarah, que já estava a bons passos de distância dos dois.

— Por que você vai bater na minha professora, mamãe? — A voz de Dafne Monteith era aguda e confusa, como se não entendesse uma vírgula do que acontecesse. O normal para uma criança de 5 anos.

— Sua o quê? — A mãe perguntou a menina, antes de se voltar para Matthew e acertar um bom tapa em seu braço, fazendo o pessoal do restaurante começar a intervir com mais urgência. — A professora da sua filha! Você não podia ir mais distante, seu verme? Tinha que arranjar uma piranha que dá aulas para a educação infantil?

— Elise, calma. Por favor. — Ele lhe dizia, nervoso, se encolhendo, sendo tão minúsculo que Sarah nem sabia como pôde ficar úmida pelo tipinho.

Ela fez um muxoxo, jogando os cabelos para o lado.

— Ele não conta que é casado. Não sou a primeira. Sinto muito por ter que descobrir tudo assim. — Falou para Elise, dando passos para trás, até suas costas baterem na mesa em que estavam momentos antes. Pegou sua bolsa ali, segurando-a com força, já sabendo que teria que correr dali o mais rápido possível. — Sobre trazer sua filha pra ver isso, que tal “péssima escolha”? Enfim, mas você é a mãe e sabe o que faz. Porém é errado. — Abriu um sorrisinho para Dafne, que a observava assustada e perdida. — E querida, sinto muito, mas seu pai é pior do que o Capitão Gancho, do dia da historinha. Um dia você entenderá isso.

Com o que restava de sua dignidade, saiu dali, dando a mínima para os gritos histéricos de Elise em sua direção, o chorinho de Dafne, as desculpas esfarrapadas de Matthew e o nervosismo da equipe do restaurante tentando conter o caos. Tinha acabado de perder um orgasmo e ainda passou uma vergonha daquelas. Precisava mais de um pote de sorvete e umas três cervejas do que de qualquer sermão.

“A próxima reunião de pais e mestres vai ser bem estranha”, pensou consigo, enquanto chamava um táxi na rua, a brisa de Manhattan sendo sua cúmplice tão sem remorsos quanto a si.

4 de Outubro de 2019 às 22:44 1 Denunciar Insira 5
Leia o próximo capítulo O que esperar quando você definitivamente não estava esperando

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BlackSapphire  BlackSapphire
eu adorei isso! 👏🏾👏🏾
4 de Outubro de 2019 às 20:19
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