Don't Cry Seguir história

sophiagrayson Sophia Grayson

Seiya era um jovem inexperiente em ser pai, mas faria de tudo para proteger e deixar seu tesouro feliz.


Fanfiction Anime/Mangá Todo o público.

#fluffy #saint-seiya #song-fic #cavaleiros-do-zodiaco
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Capítulo Único

A fresca brisa da manhã grega carregava perfumes exóticos das rosas e flores do jardim particular do Templo de Athena. No mesmo jardim, embaixo de uma frondosa árvore Sakura — plantada pela própria deusa da estratégia — de pernas cruzadas, estava o atual guardião da Nona Casa, o Cavaleiro de Ouro, Seiya.

Com roupas leves — camisa de manga comprida arregaçada, calças de algodão e de pés descalços — tocava seu velho violão, enquanto mantinha com seus olhos castanhos e vigilantes com de uma águia em sua pequena preciosidade, o bebê adotivo de sua deusa com seus dez meses de vida, Kouga.

O neném se embolava com seu mordedor emitindo grunhidos, escorrendo um fio de saliva. Uma das mãos encaracolava uma mexa ruiva e seus grandes globos castanhos observavam com atenção e curiosidade seu pai de coração, escutando a rouca e melodiosa voz.


“Brilha, Brilha Estrelinha

Quero ver você brilhar

Lá encima flutuar

Como diamantes a brilhar

Brilha, Brilha Estrelinha

Quero ver você brilhar

Brilha, Brilha Estrelinha

Eu queria ser você

Lá no alto, cintilante

Uma estrela eu quero ser

Brilha, Brilha Estrelinha

Eu queria ser você

Brilha, Brilha Estrelinha

Quero ver você brilhar

Faz de conta que é só minha

Só para ti irei cantar

Brilha, Brilha Estrelinha

Brilha, brilha lá no céu

Vou ficar aqui dormindo

Para esperar Papai Noel”


Encerrou a canção, deslizando seus longos dedos nas cordas, fitando carinhosamente o bebê, que largou o brinquedo lançando-o no ar, gritando como se tivesse entendido a clássica música infantil.

Seiya riu e fez um cafuné no pequeno que riu mais ainda. Colocou o violão de lado e pegou o pequeno. Com umas fraldinhas branca e bordada com um Pégaso e estrelinhas — feita pela própria deusa Athena — limpou a saliva que escorria na face do neném.

O pequeno escorregou em seu colo, retornando tempo depois para a grama podada. Pegou uma das pelúcias que tinha ao lado, um carneirinho, que tinha sido presente de Kiki. Engatinhou, se mantendo perto do mais velho, agora perdido em seus próprios pensamentos.

Sua mente vagava, nunca imaginou que teria tal relacionamento com uma criança e que a mesma fosse como um filho. A perigosa vida que levava, não fazia que o cavaleiro pudesse sonhar com isso. Se casar e ter uma família.

Mesmo que a primeira afirmação não pudesse se concretizar, era claro como uma água que seu amor era platônico e utópico. A mulher de seus olhos era uma deusa, que teve muita sorte de ser seu conselheiro e ainda se manter no Santuário e não em outro lugar.

Já a parte da família, ele considerava todos seus amigos como uma grande, calorosa e unida família. Podia sempre contar com qualquer um deles. Talvez o único a demorar fosse Ikki, mas sempre que o problema ficava feio, aparecia em sua típica entrada triunfal.

Todavia, seus sentimentos para com o ruivo bebê eram diferentes e demorou um pouco para conseguir entender. A paternidade era uma ligação a mais profunda, mais do que uma amizade e amor de irmão. Vinha a constante preocupação com o bem-estar, se estava feliz, triste e chateado. O que tinha ocorrido para agir de tal forma? Mimar, mas não tanto. Ser uma boa imagem, pessoa, para que o jovem ser ao crescer ter aquele bom exemplo de vida. Educar, proteger e depois enviar um ser para o mundo. Como se cria um ser humano? Qual é a melhor forma? Comemorar suas vitórias, se orgulhar e claro se decepcionar, já que nem tudo é cem porcento perfeito.

Encostou sua cabeça na árvore, tanta coisa em questão, mas ele não odiava e sim o contrário, amava tudo aquilo que se vinha no pacote para cuidar da pequena criatura que virou sua preciosidade.

Suspirou. Fechando suas orbes, negligenciando por segundos o neném. Abrindo imediatamente quando escutou um baque e um choro estridente.

Em um pulo se levantou com seus sentidos em alerta e um leve crepitar de seu dourado Cosmo. Vasculhou os lados, sentindo um gelo na espinha quando não encontrou o menino por perto, só então para identifica-lo perto das roseiras, que eram um pouco longe de onde estavam.

Deitado, com as mãos contra o chão em auto reflexo de se proteger, tinha as gordinhas mãos raladas, assim como as pernas, joelhos, sua testa e bochechinhas. Seu choro e lágrimas partia o coração de qualquer um.

Seiya tentava entender o que tinha ocorrido e como o bebê foi tão rápido de um canto a outro.

Em passos largos foi até o pequeno, se lançando de joelhos e o abraçando. Seus braços, já experientes embalou o ruivinho. Limpou suas lágrimas que ainda insistiam de cair. “Só foi um susto meu bem” “Estou aqui, meu bebê” sussurrava. Kouga escondeu seu rostinho no peito do mais velho e apertando o tecido com suas pequenas mãos.

Levantou-se e o balançou de leve, ninando-o, caminhando entre as rosas perfumadas, com uma das mãos entre as madeixas ruivas, fazendo um cafuné.

Uma brisa bagunçou seus cabelos, trazendo com sigo, uma composição que fizera e nunca concluiu, guardada no fundo de sua mente. As palavras agora vinham, como se sempre estivessem ali. Calmamente, no início baixo e depois alto, quando se deixou levar completamente.


“Não chore meu bem, estou aqui. Não precisa temer nada, te protegerei com minha vida.

Do mundo cruel, de seus próprios demônios e daquele que há te fazer mal.

Serei seu guardião, seu escudo e sua espada, até meu último sopro de vida.

Por isso te peço, meu anjo, não derrame essas lágrimas.

Minha linda estrela, meu tesouro, minha razão para continuar vivendo. Aquele que irradia meu dia.

Que mesmo com o cansaço e sem forças, só de lhe ver-te dar-me energias para passar um tempo contigo, meu filhote, meu lindo Pégaso.

Por isso te peço, minha pérola, não derrame essas lágrimas.

Seus belos olhos castanhos não combinam com tristeza, seu sorriso carregam a mais bela e inocente felicidade.

Suas madeixas ruivas, significam sua forte personalidade, resistência e firmeza.

Oh, meu pequeno Pégaso, não verta suas lágrimas. Sua alegria e espontaneidade, trazem a boa energia ao ambiente.

Por isso te peço, minha joia, não chore, não tema, sou seu guardião, te protegerei.

E permita, por favor, que as pessoas queridas vejam seu maravilhoso brilho”


Terminou mais uma vez, com sua sonora voz, agora sem a ajuda de seu violão. O choro não ecoava mais, mas Kouga ainda estava agarrado nele, pensou que estava a dormir, o que se revelou o oposto quando fitou o bebê que o encarava com intensidade, ainda um bico adornando seu rosto, parecia com receio de algo.

Seiya sorriu, indicando que tudo estava bem, passando o peso para seu outro braço. Logo o ruivinho tirou sua tromba e substituiu por seu belo sorriso e risada gostosa, acalentando o coração do jovem pai.

O sagitariano seguiu para dentro do Templo, indo ao quarto do bebê, iria fazer um curativo nas áreas machucadas e troca-lo de roupa, pois a mesma se rasgou em certas partes. Que ainda era uma incógnita para o mais velho.

Deixou-o no berço, pegando uma muda de roupas e os curativos e antissépticos. Sua surpresa foi grande, quando viu o menino em pé, andando desajeitado no largo berço. Então como uma lâmpada se acendendo por causa da eletricidade, entendeu o ocorrido, e surtando internamente ao mesmo tempo, percebendo que seu menino estava aprendendo a andar.

Mas suas lágrimas de felicidade marcharam seu rosto, depois que Kouga se virou para ele, encontrando o que queria e se apoiando na grade com uma mão no Pégaso de pelúcia e a outra na madeira esculpida.

— Papá! — saiu risonho dos pequenos lábios do neném.

Seiya deixou que as coisas caíssem ao lado do berço, com cuidado e abraçou o menino, beijando sua testa. Não se cabia de tamanha felicidade. O menino lhe reconheceu como pai. Jamais imaginou isso.

— Papá? — tocava em seu rosto, não entendendo bem a reação do mais velho, que riu, balançado a criança em seu colo.

— Está tudo bem, meu filho — afirmou grave, limpando rapidamente suas lágrimas — Só estou feliz — como resposta teve outro grito e o menor pegou um de seus dedos, abraçando a pelúcia desajeitadamente com seus pequenos braços.

Passando o intenso momento, o moreno fez os curativos e trocou o pequeno. O que ambos não sabiam, era uma jovem deusa de cabelos lilases, com seu típico vestido grego e joias pesadas, presenciava o momento de longe sorridente, com uma câmera filmando e tirando fotos, desde os primeiros passos dando pelo pequeno quando o sagitariano não viu, a canção original que o mesmo entonou, até as primeiras palavras e a reação do mais velho.

Claro que quando seu bebê chorou quase correu para acudi-lo, mas percebeu que estaria arruinando algo. E ainda bem que não fez nada, tudo que aconteceu depois foi lindo e um bálsamo para a deusa.

Talvez um dia contasse que estava a espiar tudo, quando fosse mostrar o que fora registrado. Por enquanto ficaria a observar seus dois meninos.

15 de Setembro de 2019 às 19:17 0 Denunciar Insira 1
Fim

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Sophia Grayson Só uma garota que gosta de escrever.

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