Lua de segredos Seguir história

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Chichi era uma jovem índia filha do chefe da sua aldeia e se via prometida para Yamcha, filho do chefe de uma das tribos aliadas à sua. Dona de um gênio forte e decidida a garota nunca entregou seu coração ao jovem guerreiro a qual era noiva, ou a qualquer outro guerreiro, mas quando um certo boto cruza o seu caminho uma coisa estranha acontece e ela se vê decididamente envolvida e apaixonada por um jovem misterioso que apareceu... Das águas a mata, a lenda ganha vida. universo Gochi inspirado na lenda do boto-rosa


Fanfiction Anime/Mangá Para maiores de 18 apenas.

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A india e o boto

Aquela mata era um lugar cheio de vida e beleza, ela provia alimento, recursos, remédios... havia ali uma estranha ligação quase que espiritual entre a mata e toda vida que nela habitava e partilhava seus recursos, fosse do pequeno uirapuru ao taiaçu, fosse da onça pintada ao macaco-aranha, do pequeno índio ao grande xamã da tribo indígena.

Todos aqueles tinham tamanha importância, igual equilíbrio e profundo respeito pela mata viva. Tiravam apenas o que era necessário e assim perpetuava-se o ciclo constante do ecossistema. E é justamente nessa mata que a nossa história tem início.

A jovem índia de cabelos negros longos e lisos estava sentada na esteira trançada por ela a muito tempo antes, próximo a ela havia outras índias que por igual cumpriam as tarefas do dia, era um sistema bem simples aquela aldeia, cada um tinha seu lugar, sua função, seu trabalho. E todos cooperavam pelo bem da tribo, havia a individualidade, mas perpetuava-se o coletivo...

O bem maior, o bem da tribo!

Sozinhos eram apenas homens, mas juntos eram a vida, uma comunidade.

Ela tecia habilmente entre os dedos uma nova rede de pesca, concentrada na tarefa ela apenas ouvia as conversas entre as índias e sorria quando lhe era conveniente. Diferente do que se poderia imaginar ao vê-la tão entranhada naquela roda, ela não era tão constante naquele meio, mesmo que gostasse das tarefas que fazia, ela insistia em caçar, ou pescar, tinha uma enorme atração pelo rio e suas águas, o que era uma enorme dor de cabeça para o seu pai.

A garota tinha herdado o espirito guerreiro e forte dele, o chefe da tribo e talvez pela sua determinação o convencia a deixa-la fazer essas coisas, no fim ele sempre cedia, mas havia algo que ele até então não havia cedido. O casamento da garota com o filho do chefe da tribo aliada deles. Era algo que já havia sido arranjado há muitos anos, desde que nasceram e era algo do qual ela não poderia simplesmente fugir.

Para ela, o futuro marido era um pesadelo do que ela não gostava nem um pouco, mas seu pai dizia que era picuinha dela para com o garoto, porque sua pequena índia nunca havia aberto seu coração a guerreiro algum até então, e por isso o chefe Cutelo achava que o motivo dela não gostar do seu “noivo” não tinha a ver com sentimentos em si, mas pelo seu gênio realmente difícil, afinal Yamcha era um guerreiro promissor da tribo Hito ke no nai, era um jovem forte, bom caçador, mas por mais que tentasse não amolecia o coração da garota de cabelos negros e olhos de jabuticaba, que apenas o aceitava como obrigação e nada além disso.

– Chichi, – começou uma das índias que tecia um suntuoso cocar de caça para o seu futuro marido que usaria na próxima festa da colheita que ocorreria no primeiro dia de lua cheia. – Deveria fazer algo assim para Yamcha, ele sempre traz coisas bonitas para você, penas coloridas e sementes... – a garota olhava para a índia que tecia até então a sua nova rede de pesca concentrada. Com aquela pergunta, Kaori – a índia que a fez – conseguira silenciar as outras índias que, tal como ela, ficaram curiosas com a resposta de Chichi, a filha do chefe Cutelo. Não era segredo o quanto algumas inclusive invejavam o que foi ofertado a garota indígena que parecia não dar tamanha importância ao compromisso.

Chichi parou o trançando hábil nos dedos e respirou fundo antes de erguer o olhar em direção a Kaori e responder:

– Se ele merecer um cocar, eu farei um para ele – disse a índia e sorriu pensando nas competições que eram feitas entre os índios para eleger os melhores e ela, aquele ciclo iria competir com seu arco e flecha. – Basta ser um campeão.

Ela então fechou o ciclo do enlaço tecido e fez um preciso nó e largando sobre o colo a rede esticou-se.

– Eu soube que ele é o melhor guerreiro da tribo dele – comentou Kaori, já entre as índias – já ouviu isso também Chichi?

A garota, no entanto, colocou-se de pé e enrolando sua esteira individuas e sua nova rede de forma ágil a rede apenas limitou-se a responder:

– Vou tomar um banho no rio, está muito quente.

– Não deveria ir sozinha, pode ser perigoso, tem onças – falou uma índia mais velha. E Chichi negou com a cabeça rindo.

– Eu levo minha lança – disse simplesmente e começando a caminhar em direção as ocas de moradias que eram um pouquinho mais afastadas das coletivas e dali onde estavam que poderia ser tido como uma central de artesanatos da tribo. Era onde guardavam material para aquilo e onde se reuniampara faze-los, coisas como cocares, redes, cestos, esteiras...

...

A jovem índia abaixou-se acocorada às margens do rio, a saia tecida por ela era uma composição entre os fios finos e ressecados, contas de sementes e penas coloridas. Sobre os seios apenas a longa cascata negra de seus cabelos os encobria, na pele – que era um tanto mais clara que a maioria das mulheres de sua tribo – vários desenhos feitos com jenipapo indicavam seu clã, seu status. No seu rosto, mais precisamente na linha dos olhos, a pintura vermelha marcava seu atual estado de solteira, a braçadeira tecida em seu braço indicava o fato de caçar...

Ela deslizou os dedos nas águas ligeiramente escuras que pareciam sujas aos olhos que desconheciam as águas. Os olhos negros subiram em direção ao céu vendo o sol quente através das arvores e ela realmente não resistira, aquele ela seu ponto favorito para banhos, era mais fechado, pouco visitado, nunca havia visto nenhum predador por aquelas bandas, e ainda havia uma grande pedra no meio onde ela costumava ficar, apreciando o sossego.

Ela levantou-se e olhou para os lados como força do hábito de uma caçadora que espreita, e levando as mãos aos cabelos, os jogou para trás, deixando à vista os seios redondos e, deixando a mão então descer a saia, desatou o laço que a prendia e despiu-se largando tudo ali na margem, as vestes, a nova rede e a lança.

Os pés tocaram as águas e ela começou a caminhar em direção ao profundo e quando as águas atingiram a sua cintura ela mergulhou, perdendo-se rio a dentro. Nadava alegre, livre, viva como sempre se sentia ali, não demorou para alcançar a rocha no centro do rio e subiu, sentando-se na mesma, pernas cruzadas e olhar contemplativo completamente alheia que por atrás das águas ela também era observada, admirada, e aquela não era a primeira vez...

Observada por um dos mais antigos habitantes dos rios, havia certas superstições, magia e beleza no animal que espreitava.

Timidamente o boto colocou a cabeça para fora da superfície das águas escuras e com aquilo logo ganhou o olhar negro e curioso sobre si, se olhavam em silencio e de repente ela sorriu encantada. Um lindo boto-cor-de-rosa!

Sem pensar, ela levou à mão água, balançando como se o chamasse, mas ele por um instante recuou-se acanhado, mas perdeu-se no olhar dela que exalava curiosidade e euforia.

Aproximou-se, aos poucos, e ela, esticando um pouco mais a mão, sentiu no corpo a euforia daquilo. O coração batia rápido e enérgico contra o peito, a respiração precipitava-se e uma estranha energia a empurrava aquilo. E então os dedos finalmente tocaram o focinho e ela fechou os olhos, rindo boba e um pouco ofegante com o contato, a mão espalmou então aumentando a área de contado, ela estava mesmo tocando aquele animal!

Abriu o olho e ele então esguichou um jato de água nela que gargalhou divertidamente, porque ele pareceu realmente fazer graça, brincando no meio das águas a deslumbrando e então mergulhou.

Chichi levantou-se da pedra e colocou-se a olhar por todos os lados, em busca do lindo animal cor de rosa, a face de desapontamento era notória e então ele emergiu novamente e ela viu que ele trazia algo consigo, e ajoelhou-se na pedra bem perto da água quando o boto depositou em suas mãos um peixe pacu de bom tamanho.

– Pra mim? – ela perguntou surpresa, talvez o presente mais inusitado que recebera e podia jurar que foi respondida

E ele saltou mergulhando nas águas novamente e ela ficou olhando par ao peixe em duas mãos...

(...)

Ela terminava apressada suas tarefas daquele dia, havia ficado responsável por ajudar com a confecção de novas tigelas e cestos. Ela pintava a cerâmica que havia já esfriado do cozimento da argila e ansiava por logo estar livre. Tinha pressa, tinha euforia e de repente riu-se consigo ao pensar que tudo aquilo era para um animal.

Certo de que nunca esteve tão ansiosa por estar perto de ninguém como do seu novo amigo, um lindo boto-cor-de-rosa, o segredo que ela não dividira com mais ninguém da tribo, seu lugar favorito e suas tardes de brincadeiras com seu inusitado amigo rosado. Se era normal? Ela não sabia, mas tinha criado uma imensa afeição pelo bicho, às vezes se achava louca por conversar com ele principalmente por às vezes parecia-lhe que ele intendia...

– Pelo visto está animada para a festa da colheita! – disse Kaori que estava extremamente concentrada em fazer o preparo da pasta de urucum e jenipapo para as pinturas do dia seguinte quando a lua cheia viria.

Chichi realmente estava de bom humor, estava animada com a festividade que viria e por mostrar o quão eximia com seu arco e flecha ela era ao vencer a competição entre tribos.

– Estou animada para usar meu novo cocar – disse Chichi rindo.

– Mas... pensei que havia feito para o Yamcha – disse Kaori surpresa

– Eu disse: se ele merecesse, o que eu duvido! – riu Chichi – de qualquer forma, temos um lindo Cocar.

Chichi então levantou-se segurando o ultimo jarro pintado

– Acabei por aqui, eu vou...

– Ao rio – disse Kaori – garota, pelo visto gosta mesmo das águas.

– Já falei, é época de calor, gosto de me banhar – disse Chichi e colocou o jarro pintado junto aos outros e virou-se para sair.

Não demorou para entrar em sua oca e ali pegou de uma espécie de alçapão alguns caranguejos colocando dentro de uma espécie de bolsa tecida em cipó e folhagem, pegou sua lança e saiu em direção ao rio mais uma vez.

Já na margem, ela largara tudo se aproximando das águas e não precisa de muito para ter a superfície o animal de coloração rosada com a vocalização animada.

– Sabe o que eu trouxe? – ela perguntou pegando a bolsa e erguendo – caranguejos, peguei muitos pela manhã, você... gosta, não é?

Ela então entrou na água com a bolsa presa a si indo até a rocha. Senta ali ela tirava caranguejo a caranguejo jogando para o boto, quase como uma competição de apanhar dos dois.

– É melhor que muitos da minha tribo – ela riu ao dizer e ele esguichou água contra ela novamente – ei! Foi um elogio sabia? – gargalhou e ele vocalizou algo antes de voltar a jogar água nela que ficando de pé na rocha mergulhou no rio atrás dele. Literalmente estavam nadando e brincando na água quando Chichi mergulhava em um ponto, ele emergia em outro zombando da índia que nunca o alcançava. Ficaram um tempo brincando e logo o sol começou a baixar novamente e Chichi preparava-se para nadar para a margem, mas o boto entrou em sua frente e não a deixava sair e ela riu ao acariciar o focinho novamente.

– Prometo que volto amanhã! – ela disse, mas ele ainda assim não a deixava passar – hei! É uma promessa tá legal? – ela falou firme olhando nos olhos do boto e ele então mergulhou nas águas.

Ela parou ainda na margem não o vendo mais e torceu os cabelos escorrendo toda a água e vestiu-se sem saber que ainda era observada pelo animal entre as águas.

...

O dia estava completamente cheio de coisas para fazer, e com a festa da tribo acontecendo, ela praticamente não conseguia sua brecha. Havia muita comida, música, cantos e competição. Mas o lado ruim era Yamcha em seu pé.

Ao lado de uma das grandes ocas ele insistia em um colar de contas e penas para a garota, colocou no pescoço dela e a mão deslizou nos cabelos lisos o fazendo ir de encontro ao nariz aspirando cheiro levemente adocicado proveniente da mistura que a garota usava para os cabelos. E não resistindo o nariz passou suave pelo pescoço de Chichi que se afastou de uma vez mostrando irritação e ele sorriu ao ficar frente a ela novamente.

– Eu matei uma onça essa semana, estava sozinho, foi um... um ataque rápido e eu enfiei a minha lança nela! – vangloriou-se como guerreiro, o gesto de empalo com a sua futura esposa.

– Deve ter sido bem rápido mesmo, onças não vacilam. – disse, um tanto seca, sem dar o braço a torcer ao jovem que tinha uma cicatriz no rosto fruto de várias caçadas.

– Eu sou o melhor da minha tribo Chichi. – disse ao deslizar os dedos pelos fios negros do cabelo dela novamente – quero ver teu rosto pintado marcando que somos um casal tão logo...

Ela fez uma careta com aquilo a qual ele ignorou completamente

– ahhh minha Aneci, bem que poderia dividir tua rede comigo essa noite – disse Yamcha ao se aproximar sensualmente da garota que o empurrou o negando.

– Não! Não te quero em minha rede ainda! – disse firme a garota ao manter uma pose defensiva e fechada e Yamcha chiou.

– Recusa minhas prendas e me recusa Chichi? Porque é tão ruim amansar esse teu gênio?

– Porque ainda não é a hora! – ela bateu o pé – ainda não.

E ele enlaçou a cintura dela deslizando o nariz pela pele clara do rosto dela.

– Minha Iracema, estou perdido por tu, não faz pirraça e nem me faz esperar mais – suplicou o índio de cabelos negros.

Ela suspirou resignada, como conseguia ser carente e insistente? Para ela, ele não soava como o guerreiro forte e implacável que sonhara, ou menos aquele índio que ela se sentia rendida ou apaixonada como suas amigas da tribo, e muito menos confiaria a sua proteção a alguém tão vanglorioso de si como Yamcha. Mas pensava no bem da tribo ao cumprir aquela união que estreitaria os laços entre as duas aldeias.

– Logo dividirei minha rede com tu, tenha paciência, afinal, não cassou uma onça? O que é uma pequena espera?

Ela sentia-se orgulhosa com aquele cocar em sua cabeça, sabia que com seu arco e flecha em mãos não haveria espaço para mais ninguém, surpreendeu os guerreiros da tribo de Pual, a tribo de Yamcha e também surpreendeu a alguns guerreiros de sua própria tribo que achava a índia delicada demais, mas pelo visto mortal com arma em punho. O chefe Cutelo exibia grande orgulho de sua pequena guerreira. Tinha o talento da mãe sem dúvidas e para ele vê-la com o cocar exibindo seu status era merecidamente bonito de se ver.

Para as duas tribos, era o casamento de seus melhores filhos em uma nova linhagem de líderes.

...

Ela viu a lua tão alta no céu e mordeu o lábio hesitante, seu pai dormia pesadamente na rede dele na oca ao lado, ela conseguia ouvir parte dos roncos dele, e Chichi passou o dia todo sem pisar um único momento nas margens do rio, ou ver seu amiguinho rosado e pensou na promessa, ela não quebraria sua palavra, uma palavra era honra e ela era uma guerreira honrada!

Pé ante pé ela levantou-se de sua rede e caminhou silenciosamente em direção ao seu arco e flecha, colocou nas costas as flechas presas com o arco e saiu escondida. Só podia estar maluca mesmo, sair no meio da noite na floresta sozinha, com tantos perigos à frente só pra ir a um rio ver um boto!

– É uma promessa Chichi! – disse para si mesma quando olhou de costas para a sua tribo ficando para trás.

No céu a imensa lua cheia brilhava e iluminava tão bem tudo que ela não tinha problema algum para enxergar qualquer coisa. Entranhou-se na mata indo em direção ao seu lugar favorito e escondido do rio. Rezava a Tupã para não cruzar com uma onça, do contrário estava literalmente em uma encrenca. Após uma longa caminhada ela estava frente ao rio, tirou as flechas e o arco os deixando de lado, andou uns passos à frente e sentiu a água fresca molhar seus pés e acocorou-se, tocando as águas com a mão.

– Eu vim! – falou alto para o rio – eu... só demorei – se viu se justificando para o nada – eu... tive muitos afazeres e... – Ela riu – eu ganhei meu próprio cocar acredita? Eu sou muito boa mesmo com meu arco, você deveria ter visto, aposto que mesmo você sendo todo rapidinho ainda assim eu sou mais aqui na terra.

– É mesmo? – A voz rouca, vibrante e mansa ecoou próximo a ela que se assustou desesperadamente ao virar-se rapidamente para a origem da voz atrás de si desequilibrando-se e caindo sentada nas margens molhadas do rio. Os olhos negros dela levantaram-se muito rápido para ir de encontro aos olhos negros e intensos dele, ergueu a cabeça quase quarenta e cinco graus extra para contemplá-lo já que ele era bastante alto em relação a ela.

Cabelos negros como a noite que eram completamente despenteados, desajeitados e diferente de tudo que ela já havia visto, pareciam ter vida própria de tanta rebeldia com pontas que iam em várias direções, era forte, era bonito, tinha um porte altivo, rosto de feições bonitas de se olhar e um sorriso estranhamente cativante, fora que havia algo no olhar dele que soava decididamente conhecido para ela.

Ele sorriu coçando a nuca desajeitadamente,

– Desculpa, não queria te assustar -ele disse ao estender a mão a ajudando a levantar. Ela o olhou e sinceramente pensou e despacha-lo, não sabia se ele era algum índio de tribo rival, ele não tinha pintura alguma no corpo que indicava seu clã, talvez fosse algum dos invasores de terra nativa. Mas algo no semblante dele a fez estender a mão e se deixou se ajudada.

– Quem é você? – perguntou ela sem perder tempo – não é dessas bandas, não é?

Ele sorriu, não tinha se enganado em nada quando a impetuosidade da sua indiazinha, era mesmo uma filhinha de Jaci, guerreira nata.

– Sou...Goku – ele disse – e não sou de tão longe assim, bom, mais ou menos.

Ela olhou para ele ainda de espreita, analítica se confiava ou não. Fazia ali seu julgamento.

– O que faz na mata tarde da noite? – ela perguntou

– O que você faz sozinha à noite? Não tem medo da floresta... hã?!

– Chichi – ela disse firme mantendo o contato olho a olho com o jovem alto – você invade, então você responde, ou posso mata-lo.

– Bom – ele riu – sem arma é meio desvantajoso não acha?

Ela se surpreendeu com aquele jeito meio inconsequente dele, não lembrava em nada um guerreiro disposto matar algum rival de tribo. Poderia baixar sua guarda temporariamente? Bom, sua curiosidade era muito maior e algo nele simplesmente a fazia ter uma confiança, novamente a sensação era de algo familiar. Bufou e sentou-se um pouco mais afastada da margem do rio olhando para água, era como se desse a ele a chance de aproximação. Barreiras baixadas.

– Então tu ganhou teu próprio cocar? Deve ser muito boa com o arco em punho – ele disse e ela sorriu.

– Sabe, eu passei dias fazendo aquele cocar, era digno de um chefe de tribo – comentou – tem penas nobres e, eu teço muito bem – sorriu orgulhosa de si.

– Parece que tem muitas habilidades Chichi, mas...

Ela virou-se a ele que a pouco havia sentado ao seu lado.

– É estranho eu sei, eu tá aqui gritando para o nada, mas tem um motivo, é sincero – confessou surpresa consigo mesma de estar em uma conversa no meio da noite com um completo estranho e ainda se abrindo deixando suas defesas de lado.

– Acredito, parece ser uma garota de firme palavra – disse ele e ela abriu os olhos de repente espantada com o justo comentário, mas ele apenas riu coçando a nuca.

Ela achou o sorriso cativante, embora muitas perguntas soassem em sua mente.

– E então, porque está aqui assim? – ela perguntou deslizando os dedos pelos fios de cabelo que estavam frente ao corpo.

– Gosto muito da noite – ele afirmou e olhou para a lua cheia – mas são poucos os momentos que eu... digamos tenho disponível...

Ela abraçou os joelhos e os cabelos caíram em cascata a frente quando ela encostou o queixo nos joelhos fitando o rio.

– Hoje teve festa na minha tribo sabe? Eu queria ter vindo antes, mas consegui. Eu queria ver um... amigo – ela sorriu negando com a cabeça – eu tinha prometido que viria, agora ele vai achar que... eu não tenho palavra.

– Tenho certeza que ele vai entender seu lado – Goku disse e ela virou a cabeça de lado o olhando. Bom, ele era bonito, não era como a maioria dos índios guerreiros tão cheios de si que perdiam mais tempo falando dos seus grandiosos feitos de caçada do que sendo amigáveis. Por um momento ela realmente procurou suas pinturas de tribo, estava cada vez mais intrigada. Então ela sorriu pela gentileza do comentário dele.

– E você Goku? Usa arco? Lança?

Ele gargalhou

– Acho que talento natural – ele franziu o cenho com uma careta – é estranho confesso – riu novamente com ela esbarrando-se contra ele.

– De verdade, porque isso foi horrível! – ela comentou rindo.

– Eu gosto muito desse cheiro que vem de você Chichi, é gostoso. – Ele mudou a perspectiva da conversa e a olhou fundo nos olhos e mesmo que ela tivesse ouvido algo como aquilo antes, vindo dele e com a intensidade do olhar dele nela fez soar completamente diferente de antes. Provocou uma sensação nova e estranha de verdade.

– É... uma mistura de algumas flores com... óleo – ela disse deslizando as mãos pelos cabelos e então sentiu o toque dele em seus cabelos deslizando os dedos entre os fios e ela quis recuar pela primeira vez, mas o coração estava acelerado, eufórico e a verdade é que o contato foi estranhamente bom – eu o escovo sempre e... – Então ela fechou os olhos ao sentir os dedos dele agarrarem-se aos fios de forma mais intensa e roçarem no couro cabeludo e ela suspirou pesadamente com a sensação daquilo.

– São macios os seus cabelos e – ele disse e levou ao nariz cheirando – realmente cheiram bem! Gosto disso! Mesmo! Toca-los é muito bom!

Ela encarava os olhos dele, perdida momentaneamente e então com o fulgor que de repente sentia de forma intensa, que fazia suas bochechas aquecerem e corarem-se, ela levantou-se.

– Bom, já que pouco aproveita da noite Goku, me... me mostra do que gosta na floresta.

Os olhos dele praticamente incandesciam a olhando de baixo, era como se a visse através das águas como antes, e via cada mínimo detalhe dela, a enxergava como um todo. E então ele se levantou dizendo.

– Gosto de você! – sorriu sincero e ela mordeu o lábio respirando forte.

Seria ele um delírio de morte? Ela fora atacada ao ir sem autorização ao rio no meio da noite e estava caída em algum canto agonizando para a morte e agora delirava mesmo?

– Não gostaria tanto se me conhecesse – ela disse como resposta.

– Acho que conheço o bastante – ele disse mais perto dela quase podiam se alcançar. E ela virou de repente o rosto.

– Vem, vamos andar um pouco. – Ela estendeu a mão a ele.

...

Pareciam duas crianças bobas no meio da mata, subindo nas arvores, comendo frutos no meio da noite, era a situação mais inusitada que ela poderia viver com um estranho, que agora não era mais tão estranho assim, principalmente porque sentia-se mais à vontade com ele do que estivera uma vida toda com Yamcha, por exemplo.

– Gosto de manga– ele disse ao lambuzar-se com o fruto e ela gargalhou.

– Parece uma criancinha comendo! Olha só pra essa lambança!

Ele gargalhou ao encostar na arvore terminando de chupar o fruto e a olhou pendurada como uma linda macaquinha na galha alta.

– Me segura! – ela gritou e saltou com plena confiança e ele entendera os braços a pegando no colo estilo noiva e por um instante estavam muito próximos, perdidos um no outro. Ela sentia o ar faltar dos pulmões e o coração bater muito rápido outra vez. E ele a deslizou a descendo do seu colo quando ela sorriu envergonhada, ele achou bonitinho aquela nova face dela.

– Mais manga Chichi – ele disse erguendo mais fruto rindo para ela e mordeu

– Você me sujou toda de manga! Preciso de um banho, e você também!

Caminharam e já próximo a chegada do rio ele fez uma ameaça firme.

– Vou te sujar toda de manga, pequena!

Sim, como duas crianças bobas e sem pudor.

Ele com as mãos meladas do fruto doce e ela disposta a correr para dentro do rio quando ele a agarrou por trás a erguendo levemente, esfregou as mãos ao subir no rosto dela que debateu-se e fez com que ambos desiquilibrasse e caíssem no chão, mas ele não parou de esfregar a manga no rosto dela que protestava rindo e ele gargalhava junto sem perceberem a proximidade que estavam, os o fato dele estar sobre ela e de como ela estava entregue a situação completamente mergulhada nele, e ele completamente perdido nela. E as gargalhadas foram morrendo, até sobrar as respirações fortes e intensas que se chocavam e os olhos que se encaravam e ele desceu o que faltava do seu rosto para fazer os lábios se encaixarem finalmente...

14 de Setembro de 2019 às 23:24 0 Denunciar Insira 1
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