S06#03 - STRANGE Seguir história

lara-one Lara One

O que você faria se repentinamente coisas estranhas começassem a acontecer dentro de casa? E imagine se isso acontecesse num dia em que... você estivesse com visitas? Hum... Um dia comum na casa dos Mulder. Bem... Nem tão comum. Muito estranho, realmente... Afinal, pessoas são estranhas...


Fanfiction Seriados/Doramas/Novelas Para maiores de 21 anos apenas (adultos).

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S06#03 - STRANGE

INTRODUÇÃO AO EPISÓDIO:

Fade in.

Residência dos Mulder

Sexta-feira – 08:23 P.M.

[Som: The Doors – People are Strange]

Foco no carro do outro lado da rua.

Close no binóculo que o Canceroso sustenta, observando a casa, de dentro do carro. Abaixa o binóculo.

O carro de Mulder entra no pátio. Scully desce. Mulder desce e pega Victoria do banco de trás, que está só de fraldas. Victoria balança as pernas rechonchudas, num beiço, tentando se soltar e ir pro chão. Mulder a segura de bruços contra seu quadril.

MULDER: - (RESMUNGANDO) Precisamos aumentar o estoque de roupas na bagagem.

SCULLY: - Acha que eu ia presumir que ela se enfiaria embaixo do bebedor e apertaria a torneira?

O Canceroso sorri, levando o cigarro à boca.

MULDER: - Deveria presumir. Sabe que ela não pode ver água. Deve ser alguma espécie de reação do inconsciente causada por uma síndrome pós-uterina.

VICTORIA: - Nah!

MULDER: - Abra a casa. Eu seguro a fera.

VICTORIA: - (SE SACUDINDO) Nah!

Scully caminha até a porta. Pega o jornal. Procura as chaves na bolsa.

SCULLY: - Droga... Onde coloquei as chaves?

MULDER: - Procura logo, ela tá fugindo!

SCULLY: - Eu gostaria realmente de saber a quem essa menina puxou! Meu Deus, eu não era tão terrível! Tem certeza de que não puxou a você?

MULDER: - Se eu lembrasse da minha infância... Anda logo, Scully!

SCULLY: - Não consigo achar as chaves!

MULDER: - (DEBOCHADO)Pinguinho, quando sua mãe te inseminou e eu te pari, nunca achei que seria tão bagunceira!

VICTORIA: - Nah!

Scully olha pra Mulder, erguendo a sobrancelha.

SCULLY: - Tá explicado porque a pobrezinha é desse jeito.

MULDER: - Fica quietinha, filha amada das minhas entranhas...

VICTORIA: - Nah!

Mulder segura Victoria pelos braços, que reluta sacudindo as pernas. Sem querer dá um chute no meio das pernas dele. Mulder se encolhe, mordendo os lábios. Entrega Victoria pra Scully. Enfia as mãos no meio das pernas, segurando o grito, numa fisionomia de dor. Scully olha pra ele segurando o riso.

MULDER: - (VOZ FINA) Isso, mata os seus futuros irmãozinhos!

SCULLY: - (RINDO) Acho que ela acaba de chutar suas 'entranhas', Mulder.

O Canceroso dá um sorriso. Acena negativamente com a cabeça, apagando o cigarro.

CANCEROSO: - (SORRI/ DEBOCHADO) As coisas na vida se repetem. Só que desta vez estou olhando pra filha do meu filho. E vendo a cópia fiel e geniosa do pequeno Mulder na frente dos meus olhos.

VINHETA DE ABERTURA: A VERDADE ESTÁ LÁ FORA.

VICTORIA (OFF): - Nah!



BLOCO 1:

Residência dos Mulder

Sexta-feira – 08:39 P.M.

[Som: The Doors – People are Strange]

Mulder entra em casa, segurando Victoria. Fisionomia de sono. Scully entra atrás dele. Abatida, se arrastando de cansaço.

SCULLY: - Que droga. Da próxima vez me lembre de colocar as chaves na bolsa. E não no porta luvas do carro, pra ficar feito uma doida procurando por mais de 10 minutos!

MULDER: - Que tal aquele jantarzinho caseiro?

SCULLY: - (SE ATIRA NO SOFÁ/ EXAUSTA) Passo. Só se você cozinhar.

Scully fecha os olhos. Mulder larga Victoria no tapete, no meio dos brinquedos. Victoria sai engatinhando pela sala, rindo, cheia de energia, rebolando as fraldas.

VICTORIA: - Da da da da...

Mulder olha pra Scully.

MULDER: - Então, quem sabe uma pizza bem cheia de queijo? Hum?

SCULLY: - Zzzzzzz...

Mulder sorri. Aproxima-se de Scully. Tira os sapatos dela e ajeita as pernas dela sobre o sofá. Pega uma manta do armário e a cobre. Olha pra Victoria.

MULDER: - Mocinha, se comporte. Sem barulhos, mamãe tá cansada. Vou pedir uma pizza pra nós.

Mulder pega o telefone. Fica pensativo. Larga o fone no gancho. Vai pra cozinha. Volta com um imã de geladeira. Pega o telefone e disca.

MULDER: - ... Boa noite. Eu quero uma pizza grande de...

Mulder arregala os olhos em pânico.

MULDER: - Me dá um segundo!

Mulder solta o telefone e corre. Pega Victoria de dentro da lareira. Victoria já toda suja de carvão. A coloca no tapete de novo. Volta pro telefone. Percebe que sujou a camisa de carvão.

MULDER: - Desculpe... Bom, eu quero uma pizza grande, metade quatro queijos e metade pepperoni... Só um segundinho...

Mulder larga o telefone de novo, corre e pega Victoria que estava tentando enfiar o dedo na tomada. A segura com o braço, contra sua barriga. Volta pro telefone. Victoria balança as pernas, num beiço, querendo se soltar. Mulder a mantém firme.

MULDER: - Onde estávamos? ... Ah sim... O endereço... Boa pergunta.

VICTORIA: - (CONTRARIADA, SE REVIRANDO) Nah!

Mulder fica parado, tentando lembrar o endereço.

MULDER: - Só um momentinho.

Mulder caminha até a porta e sai pra fora. Vai até a caixa de correio. Victoria se revirando, querendo ir pro chão.

O Canceroso observa, segurando o riso.

Mulder tenta ler a caixa de correio. Victoria tentando se soltar.

VICTORIA: - Nah! Nah! NAAAAAAAAHHHHHHHHH!!!!!!!!

Mulder volta pra dentro. Pega o telefone, já cansado.

MULDER: - Desculpe de novo. É na Rua One, número 3112.

Mulder desliga. Solta Victoria no chão, que sai engatinhando rapidamente. Mulder a observa.

MULDER: - (COÇA A CABEÇA) Isso não vai dar certo... Não sei o nome, mas vou ter que comprar aqueles cercadinhos pra crianças. Questão de segurança nacional. Prioridade máxima.

Mulder senta-se na poltrona. Olhos pendendo de sono. Começa a ficar abobalhado e fecha os olhos por segundos. Abre os olhos num susto. Pula da poltrona. Corre e puxa Victoria que morde o fio da televisão.

MULDER: - (PÂNICO) Assim não dá! Você não é uma criança, é o protótipo miniatura do Robocop com o The Flash!

VICTORIA: - Nah!

Mulder senta-se na poltrona.

VICTORIA: - (TENTANDO SE SOLTAR) Nah!

MULDER: - Sim senhora. Vai ficar aqui no meu colo agora.

VICTORIA: - (REINANDO) Nah!

Mulder levanta-se.

MULDER: - Você quem pediu. Vou preparar sua mamadeira e cama pra você. Hoje não tem hora extra, eu tô morto!

VICTORIA: - (BEIÇO) Nah!

MULDER: - Sim.

VICTORIA: - Nah!

MULDER: - Sim e não me retruca! Eu sou seu pai!

VICTORIA: - Nah!

MULDER: - Não sou? Hum, então me conta isso direitinho. O que sua mãe andou aprontando, hein?


9:34 P.M.

Mulder sentado na poltrona, já entediado e mal humorado de sono, ainda sujo de carvão. Victoria também suja, brincando no tapete sem demonstrar fadiga. Scully dormindo de boca aberta no sofá, chega a roncar de cansaço. Mulder olha pro relógio. A campainha toca. Mulder se levanta. Abre a porta. O rapaz da entrega sorri, notando a sujeira na roupa de Mulder.

ENTREGADOR DE PIZZA: - Boa noite, senhor.

MULDER: - (IRRITADO) O que tem de boa? Não tem nada de boa!

ENTREGADOR DE PIZZA: - (ASSUSTADO) São... Vinte dólares.

Mulder puxa a carteira. Procura o dinheiro. O entrega. Pega a pizza. O rapaz olha pra ele, esperando gorjeta. Mulder bate a porta na cara dele.

MULDER: - (IMITANDO VOZ FEMININA/ MAL HUMORADO) Em 20 minutos, senhor. Em 20 minutos estaremos entregando sua pizza...

Victoria olha pra ele.

MULDER: - (IRRITADO) Vinte minutos o meu cace... Preciso cuidar o que digo, tem um papagaio nessa casa sedento de vocabulário novo.

Mulder coloca a pizza sobre a mesa de centro. Scully se acorda.

SCULLY: - O que houve?

MULDER: - Estou indignado com os serviços de tele-entrega.

SCULLY: - Não falei disso. Você está sujo de... Carvão?

Mulder limpa os lábios com a mão. Procura Victoria com os olhos.

MULDER: - Cadê ela?

Os dois se levantam. Procuram com os olhos. Corre-corre.

MULDER: - Pinguinho?

SCULLY: - Victoria! Onde você está filhinha?

MULDER: - Eu juro que ela tava no tapete há menos de um segundo!

SCULLY: - Mulder, como posso confiar em você? Ahn? Você não cuida dela!

MULDER: - Eu só pisquei os olhos!

SCULLY: - Pois não pode piscar os olhos quando tem criança por perto...

Scully entra na cozinha.

SCULLY: - Victoria!

Mulder sobe as escadas. Scully volta pra sala.

SCULLY: - O que vai fazer?

MULDER: - Olhar lá em cima.

SCULLY: - Mas ela não sobe degraus ainda.

MULDER: - Confie nisso. Eu já disse, ela não é uma criança, é um exterminador!

Scully volta pra cozinha. Olha embaixo da mesa, nervosa.

SCULLY: - Victoria! Filhinha, responde pra mamãe! Onde você está?

Scully olha na lavanderia. Volta pra cozinha. Olha pra sala. Olha pra porta dos fundos. Arregala os olhos ao olhar a portinha do cachorro.

SCULLY: - (DESESPERADA) Oh meu Deus! A piscina! MULDER!!!!!!!!!!!!

Scully abre a porta da cozinha, correndo pra piscina. Mulder sai atrás dela. Os dois olham pra dentro da piscina. Scully já em lágrimas. Mulder se atira na água. Scully chora, põe as mãos no rosto. Mulder volta à tona, cuspindo água.

MULDER: - Não tem nada aqui.

Scully põe a mão no peito, rindo e chorando. Mulder sai da piscina, encharcado, escorrendo água pelos cabelos e roupas, sacudindo as calças e os sapatos.

SCULLY: - Onde ela se enfiou?

MULDER: - (PÂNICO) A rua!

[Som: People Are Strange - The Doors]

Mulder sai correndo. Resvala na grama e cai sentado. Se levanta desesperado, levando grama, água e terra consigo, com o traseiro todo sujo.

Mulder corre até a frente da casa. Olha de um lado pra outro da rua, aflito, afrouxando completamente a gravata. Olha pro jardim. Põe as mãos na cabeça. Corre em direção às plantas e tropeça na mangueira, caindo de bruços no meio das folhagens.


Corta pro Canceroso no carro, que observa incrédulo, boquiaberto.


Corta pra Mulder, que se levanta, todo torto, enrolado na mangueira. Mulder se livra da mangueira aos chutes, indignado. Começa a fuçar no meio dos arbustos, parecendo um cachorro, atirando pra trás folhas e terra.


Corta pra Nancy, de bobs na cabeça, chinelos e chambre de florzinhas, pondo o lixo na calçada. Olha pra Mulder como se ele fosse um louco, balançando a cabeça em reprovação.


Corta pra Scully que procura pelos fundos da casa. Abre o barracão de ferramentas.

SCULLY: - Victoria?

Barulhos.

SCULLY: - (SORRI) Filhinha? Vem pra mamãe, vem.

Um esquilo salta em cima de Scully que começa a sapatear aos gritos, tentando tirar o bicho dos cabelos. O esquilo dispara, atravessando o jardim. Scully põe a mão no peito, ofegante e assustada.


Corta pra Mulder, revirando a lata de lixo na calçada, atirando tudo pra trás. Nancy o encara.

NANCY: - Deviam proibir gente louca de morar nesse bairro! Humph!


Corta pra Scully que volta pra varanda dos fundos. Mulder sai pela porta da cozinha, esbaforido, sujo e encharcado, com folhas secas grudadas no terno e uma casca de banana na cabeça.

MULDER: - Nada... (OFEGANTE) E ela não teria tempo de descer a rua.

SCULLY: - (TIRA A CASCA DE BANANA DA CABEÇA DELE) Olhou no meio das folhagens do jardim?

MULDER: - Sim. (OFEGANTE/ PÕE AS MÃOS NA CINTURA) E dos arbustos... Ah Deus! A lareira!

Mulder corre pra sala. Olha pra lareira. Nada. Levanta as almofadas do sofá. Olha pros brinquedos de Victoria pelo chão. Entra em desespero. Põe as mãos na cabeça, aflito.

MULDER: - (SEGURA O CHORO) Eu sou um pai bastardo! Eu não cuido nem da minha única filha! Eu vou me matar se alguma coisa acontecer com a pobrezinha... Pinguinho! Pinguinho, responde pro papai!

SCULLY: - (GRITA) Mulder!!!!

Mulder põe a mão no peito.

MULDER: - (TRÊMULO/ QUASE CHORANDO) A desgraça! Eu sabia que a desgraça se abateria sobre nós. Eu sabia... Não quero nem ver o que aconteceu... Scully, me perdoa porque eu jamais vou me perdoar!

Scully entra na sala, segurando Victoria.

SCULLY: - (SORRI) Advinha onde encontrei essa coisinha fujona?

MULDER: - Onde?

SCULLY: - Na varanda dos fundos, debaixo do balanço, deitada ao lado do Cookie e comendo a ração dele.

MULDER: - (BEIÇO DE NOJO) Que coisa mais porca!

VICTORIA: - (BEIÇO) Nah!

MULDER: - (INCRÉDULO) Como ela fugiu?

SCULLY: - Pela saída do cachorro.

MULDER: - (INVOCADO) Quero esse cachorro direto na rua! Vou pregar aquela merda!

SCULLY: - Mulder...

Corte.


Mulder entra na cozinha pela porta dos fundos, com um martelo, pregos e tábuas, deixando um rastro de água e lama. Irritado, tira o paletó e abre a camisa molhada. Arregaça as mangas. Scully olha pra ele. Victoria quietinha, acompanhando Mulder com olhos assustados.

SCULLY: - Mulder...

Mulder começa a pregar a saída do cachorro. Acerta o dedo. Dá um grito.

Scully coloca Victoria no carrinho e vai socorrer Mulder. Pega a mão dele.

SCULLY: - Ai, machucou muito?

MULDER: - (MANHOSO) Não. Só o meu orgulho... Ai!

SCULLY: - Vou cuidar disso. Pode virar uma bolha.

Scully cuida de Mulder atenta a ele.

[Som: People Are Strange - The Doors]

O carrinho de Victoria começa a se mover lentamente pela cozinha em direção à sala. Victoria sorri, apoiada no carrinho, olhando pro chão.

Mulder e Scully não percebem.

O carrinho vai indo pra sala, sozinho. Victoria rindo, agita os braços.

Scully se vira pra trás. O carrinho para.

SCULLY: - Mulder...

MULDER: - O que foi?

SCULLY: - Nada. Estou com tanto sono que tô vendo coisas. Jurava que tinha deixado o carrinho na cozinha.

MULDER: - Que noite de sexta agitada. Pelo amor de Deus, abriram a Caixa de Pandora!

Mulder pega as chaves do carro.

SCULLY: - Aonde vai?

MULDER: - (IRRITADO) Resolver um problema. Nunca deixe pra amanhã o que pode fazer hoje.

SCULLY: - Mas vai sair sujo e pingando água desse jeito?

MULDER: - Scully, me traz depressa uma calça, uma camiseta e meus tênis. Mas seja rápida, quero pegar o shopping aberto.

SCULLY: - Pra quê?

MULDER: - Aguarde e confie.


11:21 P.M.

Mulder agachado na sala, montando o cercadinho. Fisionomia maquiavélica de tanto sono. Victoria, sentada no carrinho, observa Mulder desconfiada.

MULDER: - Hehehehe... Vamos ver quem de nós dois é mais esperto.

VICTORIA: - (OLHANDO PRA MULDER NUM BEIÇO)

MULDER: - Você quer guerra, terá guerra. Hehehe... Nunca me provoque quando estou com sono.

VICTORIA: - (OLHANDO PRO CERCADINHO NUM BEIÇO)

MULDER: - Pode observar, é pra você mesmo. Todinho seu.

VICTORIA: - (OLHANDO PRA MULDER NUM BEIÇO)

MULDER: - Vamos ver quem é que vai fugir agora.

VICTORIA: - (OLHANDO PRA MULDER NUM BEIÇO)

MULDER: - Não menospreze meu tempo de vida. Você tem 8 meses e eu tenho 40 anos!

Mulder termina de montar o cercadinho. Levanta-se.

MULDER: - Pronto! Sua nova casa. É bem espaçosa, confortável, cabe um monte de tralhas aí dentro e principalmente... (MAQUIAVÉLICO) Tcham tcham tcham tcham: É revestida de plástico!!!!!

VICTORIA: - (OLHANDO PRA MULDER NUM BEIÇO)

MULDER: - Caso você esteja pensando em fazer xixi nela pra se livrar da prisão. (APONTA PRA CABEÇA/ ENCARANDO VICTORIA) Eu tenho miolos, sou uma raposa. Penso em tudo. Antecipo os fatos, malandrinha. Você tem muita mamadeira pela frente pra poder me superar.

Victoria faz um beiço maior ainda. Scully entra na sala com uma mamadeira.

SCULLY: - Ai que lindinho, Mulder!

MULDER: - Lindinho e útil. Agora sim vou ter descanso. Sem ter que correr pela casa quase enfartando, me atirando na piscina no meio da noite, revirando o jardim e o lixo.

Mulder pega Victoria e a coloca dentro do cercadinho.

MULDER: - Vá se acostumando.

Victoria franze o cenho. Começa a chorar.

SCULLY: - (APIEDADA) Ela não gostou.

MULDER: - (MAQUIAVÉLICO) Mas eu adorei! Agora posso colocar meus pés pra cima e cochilar a hora que quiser.

Scully coloca os brinquedos dentro do cercadinho. Pega Victoria.

SCULLY: - Vem, mamãe vai dar mamadeira pra você e vamos dormir. Amanhã você tem o dia todo pra brincar.

MULDER: - (MAQUIAVÉLICO) E o cercadinho inteirinho só pra você.

SCULLY: - Mulder!

MULDER: - (DEBOCHADO) Isso não é nada pessoal, Pinguinho. Mas... Admita. Essa foi uma jogada esperta. Eu sou mais inteligente que você.

Victoria continua olhando pra Mulder, emburrada com ele. Se abraça em Scully, tentando escalar o peito de Scully com os joelhos, pra se esconder atrás do pescoço dela.


12:32 A.M.

Scully entra no quarto, vestida numa camisola. Mulder, de cuecas, deitado de bruços na cama.

MULDER: - A fera dormiu?

SCULLY: - Dormiu. (DESPENCA SOBRE A CAMA) Quero dormir... Roncar... Me rolar nessa cama, sonhando muito.

MULDER: - (SE ARRASTA ATÉ ELA) Quem sabe você dá uma roladinha comigo?

SCULLY: - Não, Mulder! Eu não quero rolar com ninguém hoje. Eu quero dormir!

MULDER: - Hum... Não vai fazer isso comigo...

SCULLY: - Mulder, eu tô cansada! Hoje não.

MULDER: - Só um pouquinho.

SCULLY: - (RINDO) Pouquinho? E como é isso?

Mulder sobe em cima dela. Scully olha pra ele.

MULDER: - Não sei. Mas podemos aprender juntos.

Scully vira-se por cima dele.

SCULLY: - Tudo bem, eu posso estar cansada, mas pra isso eu arrumo fôlego rapidinho!

Os dois se atracam de frescuras, rolando pela cama. Mulder fica em cima dela. Começa a beijá-la no pescoço. Scully envolve as mãos nele.

SCULLY: - (DEBOCHADA) Nossa, Mulder! A coisa tá séria mesmo!

MULDER: - (OFEGANTE) Eu disse que tô a mil...

Mulder desce os lábios por entre os seios de Scully, abrindo-lhe a camisola.

MULDER: - (OFEGANTE) Eu quero você agora...

Victoria começa a chorar.

VICTORIA: - Mama!!!

Mulder ergue a cabeça em pânico.

MULDER: - Não acredito! Agora?

Scully empurra Mulder e sai do quarto. Mulder respira fundo. Dá com a cabeça no travesseiro várias vezes.

Scully entra no quarto, segurando Victoria, que derruba lágrimas.

SCULLY: - Aconteceu alguma coisa, ela nunca chora!

MULDER: - Aconteceu, Scully. (IRRITADO) Ela tá se vingando de mim pelo cercadinho!

SCULLY: - Mulder, como pode dizer uma coisa dessas?

MULDER: - (IRRITADO) Confessa Pinguinho, sua rebelde revoltada! Você tá fazendo isso de propósito! Só pra se vingar de mim!

VICTORIA: - (SE ENCOLHENDO CONTRA SCULLY) Mama!

SCULLY: - Mulder!

MULDER: - (BEIÇO) Ela tá fazendo sim.

VICTORIA: - (ASSUSTADA) Mama!!!

SCULLY: - (IRRITADA) Mulder! Pare já com isso! Como pode ser tão maldoso a ponto de achar que ela premeditou isso como vingança por um cercadinho? Ela é um bebê, Mulder! Bebês não premeditam vingança!

MULDER: - (BEIÇO) Ela não é um bebê, é um exterminador!

VICTORIA: - (CERRANDO O CENHO PRA CHORAR) Mama...

SCULLY: - Mulder! Isso que você está dizendo é um pecado! Olhe pra ela. Está apavorada!

Mulder olha pra Victoria que soluça derrubando lágrimas.

SCULLY: - Pobrezinha. Ela tá assustada.

MULDER: - Desculpe. Eu... Eu tô fora de mim hoje. (RI DE SI MESMO) O que faz o cansaço... Olha o que pensei!

Scully beija Victoria no rosto.

SCULLY: - Que maldade! Ela teve um pesadelo. Ainda tá assustada.

[Som: People Are Strange - The Doors]

Scully vira-se pra trás pra pegar uma toalha. Victoria olha pra Mulder e abre um sorriso debochado de orelha a orelha.

MULDER: - (PÂNICO) Eu não acred...

Victoria fecha o sorriso rapidamente. Scully olha pra ela. Victoria olha pra Scully com carinha de quem está sofrendo, derrubando uma lágrima, tristonha. Mulder arregala os olhos.

MULDER: - (INCRÉDULO)Que coisinha mais cínica!

SCULLY: - Quê?

MULDER: - (BEIÇO) Ela! Ela riu de mim!

SCULLY: - Mulder, pare já com isso! A única criança aqui dentro dessa casa é você!

MULDER: - Mas...

SCULLY: - Cala a boca, Mulder! Seu abusado!

MULDER: - Ela tava rindo de mim! Quando você se virou ela riu de mim e depois...

SCULLY: - Cala a boca Mulder! Você tem imaginação muito fértil, sabia? Pois agora, só por seu desaforo, ela vai dormir com a gente.

MULDER: - (PÂNICO)

SCULLY: - E você trate de dormir! Não quero mais vocês dois de birra!

MULDER: - Mas...

SCULLY: - Durma!

MULDER: - (BEIÇO) Mas ela...

SCULLY: - Mulder!

MULDER: - (BEIÇO) Tudo eu, tudo eu...

SCULLY: - Mulder, por Deus, que se eu ouvir mais uma reclamação sua, eu ponho você pra fora do quarto! Eu tô cansada e quero dormir!

Scully deita-se, pondo Victoria entre ela e Mulder.

MULDER: - ... Tá certo, Pinguinho. Tudo bem, foi uma jogada de mestre. Admito. Você venceu. Mas amanhã... Hehehehe... Tem cercadinho pra você o dia todo.

SCULLY: - Mulder!

Mulder afunda o rosto contra o travesseiro.

MULDER: - Tô quietinho, tô quietinho.


2:37 A.M.

Scully se acorda. Senta-se na cama. Olha pro lado. Mulder e Victoria dormindo agarradinhos, Victoria segurando a chupeta na boca de Mulder. Scully sorri. Levanta-se e sai do quarto.

Corte.


Scully entra na cozinha. Acende as luzes. Cookie, deitado em seu cesto ergue a cabeça. Scully abre a geladeira. Pega água.

SCULLY: - Estou tão cansada que não consigo mais dormir. Só cochilo umas três vezes por dia... Ei, quer me fazer companhia?

Cookie se levanta, abanando o rabo. Scully serve um café. Pega um bloco e uma caneta e senta-se à mesa.

SCULLY: - Ok... (ESCREVENDO) Comprar ração pro Cookie... Levar o terno do Mulder pra tinturaria... Comprar fraldas... Ligar pro cara que vai terminar de consertar a piscina... Colocar a carta pra Ellen no correio... Dar um trato nos cabelos do Mulder que estão um horror... Comprar uma chupeta nova pra Victoria... Fazer supermercado... (PARA PENSATIVA/ MORDENDO A CANETA) Hum... Tinha uma coisa importante que eu não deveria esquecer, mas não consigo lembrar mais... O que era? ... Droga! Quando me lembrar eu anoto.

Scully se levanta.

SCULLY: - Ok, Cookie. Mamãe vai fazer uns biscoitos. É... Nada como fazer biscoitos quando se perde o sono.

Scully pega farinha do armário. Ovos e leite da geladeira. Pega uma tigela. Para na pia pensativa.

SCULLY: - Droga! Quinta-feira ainda parei e disse: tenho que anotar pra não esquecer... E não lembro mais o que era. Não dá, quando a gente lembra tem que deixar tudo de lado e anotar. Mas ao invés de fazer isso, era o Mulder me irritando com aquele caso, a Victoria berrando nos meus ouvidos por causa da chupeta, o Skinner me exigindo aquele relatório que esqueci de fazer... E ainda por cima a chata da Nancy batendo boca pelo muro por causa do jardim dela que o Cookie estragou... Eu sei que era importante. (INTRIGADA) Mas o que era? Meu Deus, minha memória não funciona mais como funcionava antes... Acho que estou cansada. Queria tirar uns dois dias só pra mim.


Sábado – 9:39 A.M.

[Som: Culture Club - Karma Chameleon]

Mulder sentado à mesa da cozinha. Uma capa plástica sobre o corpo. Mãos sobre a mesa, com esponjinhas entre os dedos, secando as unhas com base incolor. Batuca os dedos na mesa ao som da música. Rosto cheio de creme cor de rosa. Observa nervoso o monte de utensílios e cremes de beleza sobre a mesa.

MULDER: - (CANTAROLANDO) I'm a man... Whithout conviction... (PÂNICO) Que diabos estou cantando?

Scully entra com uma caixa de tintura. Mulder olha em pânico pra ela.

MULDER: - Não! Não quero mais ser a cobaia da escola de beleza Madame Scully! Escute uma coisa, eu ainda não cheguei aos 50 anos. Faltam quase 10 anos pra isso!

SCULLY: - Eu sei, mas o que tem?

MULDER: -Dizem que um homem tem até os 50 anos pra abichalhar. Ainda tô no prazo!

SCULLY: -Mulder, por favor! Que coisa mais antiquada! Cuidar da beleza não faz de você gay. Torna você mais atraente, sedutor, mais bonito, alimenta sua auto-estima e ainda agrada sua esposa. E você, como um bom libriano, não fica fazendo ceninha porque librianos são vaidosos. Não adianta andar perfumado em roupas bonitas se ficar com essa aparência desleixada. Eu vou resolver isso. Não mesmo! Eu amo o Richard Gere, mas você não combina com grisalhos...

MULDER: - (PÂNICO) O que vai fazer?

SCULLY: - Cobrir esses brancos. Não quero meu marido gatão por aí com esse rosto envelhecido. Como as outras vão me invejar?

MULDER: -(PÂNICO) Eu não acredito! Eu ainda me presto a ser sua cobaia! Eu não vou pintar o cabelo! Isso é ridículo! Vou parecer uma bicha velha! Que horror! Vão ficar rindo da minha cara no FBI! Isso não é coisa de homem! Respeite meus cabelos brancos! Foi você quem fez a maior parte deles nascerem!

SCULLY: -(RINDO) Nossa, pra que tanto estresse? Não vai perder sua virilidade, vai é ficar mais gostosão. Isso não é tintura. É natural. Pensando melhor, Mulder... Vou fazer uma faxina em você. Precisa de hidratante, anti-rugas e massagem no corpo com óleos aromáticos.

MULDER: - Hum... (DEBOCHADO) Scully eu vou te falar uma coisa sobre rugas. Rugas não são sinais de velhice, porque se fossem, o meu saco seria pré-histórico.

SCULLY: - (RINDO) Mulder! Que tal depilação com cera quente de abelha?

MULDER: - (PÂNICO) Uh! O que você quer depilar? E por que abelha? Abelha não! Au!

Scully começa a rir. Pega uma toalhinha umedecida e fica de frente pra Mulder. Começa a tirar o creme do rosto dele. Mulder olha debochado pra ela.

SCULLY: - Vamos tirar esse esfoliante, passar um creme nutritivo...

MULDER: - Conheço outra maneira de esfoliar alguma coisa... Acredite, pode nutrir muito.

SCULLY: -(RINDO) Para, seu boca suja! Você devia pelo menos passar um leite de...

MULDER: - (OLHA DEBOCHADO PRA ELA) ...

SCULLY: - (ERGUE A SOBRANCELHA) Esquece o que eu ia dizer, mente pervertida.

MULDER: - (DEBOCHADO)Essa coisa de passar leitinho no rosto não é comigo, é com você.

Scully o belisca.

MULDER: - Au!

SCULLY: -(RINDO) Para! E fica quieto ou não posso passar creme em você.

Scully passa creme no rosto dele, suavemente. Ele fica olhando pra ela.

MULDER: - (DEBOCHADO) Quem sabe eu passo creme em você, ahn? Também posso fazer depilação... Hum? Mas nada que venha de abelhas... Se quiser picadas, eu posso fazer isso...

SCULLY: - (RINDO) Para Mulder! Fica quieto! Só mais um pouquinho... Mulder, você tem uma pele tão bonita. Deveria cuidar mais dela.

MULDER: - (VOZ AFEMINADA) Você acha, benhê?

SCULLY: - (RINDO) Como você é machista, sabia? Mulheres gostam de homens que se cuidam.

MULDER: - Eu me cuido.

SCULLY: - Cuida nada! Só cuida das unhas. Deveria cuidar mais do rosto, do corpo.

MULDER: - Mas eu faço muito exercício.

SCULLY: - Não basta. Tem que hidratar sua pele.

MULDER: - (BEIÇO) Não estou gostando de você hoje. Parece sinistra. E por que estamos ouvindo Boy George ao fundo?

SCULLY: - (RINDO) Estou me inspirando nele.

MULDER: - Uh! Não quer fazer minhas sobrancelhas, colocar batom em mim, fazer trancinhas e me vestir de menina!

SCULLY: - Sabe que eu fazia isso com o pobre do meu irmão quando eu era pequena. Adorava vesti-lo com as minhas roupas! E ele achava engraçado.

MULDER: - O Bill?

SCULLY: - O Charles, certamente. O Bill era grande demais, podia me bater!

MULDER: - Agora entendi porque Charles virou budista, vive de vestido e é meio delicado daquele jeito...

SCULLY: - Hum... Hoje não, Mulder. Mas deixa que isso me deu uma ideia pra outro dia... Uhu! Até me empolguei...

MULDER: - Lá vem a minha Scully com as idéias sinistras dela... Isso envolve eu ter que usar calcinha de novo e você cuecas?

Scully veste as luvas, rindo, olhar maquiavélico. Pega a bisnaga e agita. Encara Mulder.

SCULLY: - Preparado?

MULDER: - (PÂNICO) Isso dói? Vai me mutilar? O que tem aí?

SCULLY: - (RINDO) Vou deixar você gostoso.

MULDER: - Sei. Só pras outras te invejarem...

SCULLY: - Não. Gostoso só pra mim...

Os dois trocam um beijo.

MULDER: - Nossa! Estou tão caco assim ou a noite vai ser quente? Tá bom. Mas dispenso o creme verde que você coloca no rosto. Parece com o que serviam pra gente comer na prisão. Eu ia ter que usar uma britadeira pra tirar aquilo.

SCULLY: - Para de mexer essa cabeça! Assim não dá!

MULDER: - Tá, vou ficar quietinho. Onde está Victoria?

SCULLY: - No cercadinho, brincando.

MULDER: - Hehehehe. Ela se acostumou com a ideia?

SCULLY: - Não sei, mas sinceramente me sinto mais tranquila. Não dá pra fazer nada com ela à solta pela casa. Eu não descanso. Quando estivermos na sala, sem nada pra fazer, até dá pra deixar ela no tapete. Mas fora isso não. Sua ideia foi ótima, não sei como não havia pensado nisso antes. Acho que é coisa de 'mãe de primeira viagem'.

MULDER: - Você anda cansada, isso é indiscutível. Não deveria estar aqui cuidando de mim. Devia estar fazendo alguma coisa pra você.

SCULLY: - Estou me divertindo fazendo isso. Até me sinto mais relaxada. Eu gosto de cuidar das pessoas. Principalmente do meu homem.

MULDER: - Adoro quando você me chama de seu homem. Admito, fico todo besta quando escuto isso. 'Sou o homem dela. Só dela.'

SCULLY: - (SORRI)

MULDER: - (DEBOCHADO) Espero que Victoria cresça logo, assim você me deixa de lado e aplica seus conhecimentos de beleza nela.

SCULLY: - Hum, talvez. É que fazer isso em homens é mais excitante.

MULDER: - Excitante por quê?

SCULLY: - Porque mulheres se cuidam sempre. E homens como você Mulder, que não se cuidam, quando a gente faz uma faxina geral leva o maior trabalho, mas o resultado é visível.

MULDER: - (EMBURRADO) Vou fingir que não ouvi isso. Tem certeza de que ninguém vai notar que pintei o cabelo? Eu não vou tolerar piadinhas maldosas vindas do Girafão, eu tô avisando. Se alguém notar essa tinta você vai se entender comigo. Eu juro que arranco todos os pelos do seu corpo com uma pinça!

SCULLY: - Uh!

MULDER: - Método de tortura. Se eu sair daqui parecendo uma bicha velha você vai ver só.

SCULLY: - Cala a boca, sua bicha velha! Vou transformar você em gente de novo.

MULDER: - E por acaso eu já fui gente algum dia, Scully?



BLOCO 2:

11:23 A.M.

Scully com uma camiseta de Mulder dos Yankees e de calcinha, deitada no sofá, braços pra cima, agarrada na almofada, bem descontraída. Victoria, sentada no tapete, com a chupeta na boca, olhando catatônica pra alguma coisa do outro lado do sofá.

SCULLY: - Por isso eu digo. A vida é muito fácil, as pessoas que complicam as coisas. Você pode fazer tantas coisas, juntos, que nem dá tempo de entrar em rotina...

Corta pra Mulder. Sentado entre as pernas de Scully, pintando as unhas dos pés dela, com todo o cuidado. O rosto com uma máscara azulada. Victoria continua olhando pra ele.

MULDER: - Hum... Tá ficando bonito...

SCULLY: - Vê se não borra muito.

MULDER: - Não tô borrando... Sabe que adoro pés pintados? Fico excitado com isso. Sabe, Scully, descobri uma coisa: sou louco por pés. Você tem os pezinhos tão pequeninos, delicadinhos...

SCULLY: - (OLHANDO PRA VICTORIA) Mulder, sua filha está assustada com você.

MULDER: - Imagino... O pior é que (LAMBE OS LÁBIOS) Essa coisa dá vontade de comer. Do que é? Morango?

SCULLY: - É.

Victoria deixa a chupeta cair da boca. Engatinha até o sofá. Olha pra Mulder.

VICTORIA: - Dah!

MULDER: - Dá o quê?

Victoria senta no chão. Segura as pontas dos pés, olhando pra eles. Ergue um dos pés.

SCULLY: - (RINDO) Ai filhinha, que meiga! Mulder, ela quer se arrumar também!

VICTORIA: - Dah!

MULDER: - Vou começar a cobrar o meu serviço de pedicure e manicure... Pronto, Scully. Deixa secar.

Scully estende as pernas por cima do encosto do sofá. Mulder levanta-se. Coloca Victoria sentada no sofá. Senta-se no chão.

MULDER: - (DEBOCHADO) Pés e mãos, madame?

VICTORIA: - (RINDO)

MULDER: - Que cor? Hum?

SCULLY: - Rosinha... (APONTA PRA CAIXA DE ESMALTES) Aquele clarinho ali.

MULDER: - (EXAMINANDO A CAIXA DE ESMALTES) Hum... Que tal a madame escolher?

Victoria aponta pro vermelho.

MULDER: - Não mesmo! Você tá muito nova pra ficar por aí provocando. O que você tá pensando?

SCULLY: - (RINDO) Minha filha vai ser uma mulher muito sensual.

MULDER: - (ENCIUMADO) Só sobre o meu cadáver!

SCULLY: - Vai ser alta... Imagino que ela vai ser a gata do bairro.

MULDER: - (ENCIUMADO) O que me preocupa são os gatos que vão ficar em cima do meu muro miando a noite toda!

SCULLY: - Ai, de pensar que quando a gente menos percebe já está comprando o primeiro sutiã... Passa tudo tão rápido.

MULDER: - (DEBOCHADO) Não sei. Nunca comprei meu primeiro sutiã.

Scully olha pra ele, rindo. Mulder começa a pintar as unhas dos pés de Victoria. Ela observa atenta, sem se mexer, curiosa.

MULDER: - Hum... Nem tem unha aqui pra se pintar... Preciso de uma lupa!

SCULLY: - Percebeu como Victoria é vaidosa?

MULDER: - E você percebeu como eu tenho razão? Eu sou um escravo das mulheres. Elas se aproveitam de mim.

SCULLY: - Hum, 'Dr. M' e suas mulheres... Admita, você gosta.

MULDER: - Eu fazia isso... com Samantha... Ela adorava que eu pintasse as unhas dela.

SCULLY: - Ela deixou o endereço. Devia deixar de ser teimoso e procurá-la.

MULDER: - Minha irmã morreu, quando era criança.

SCULLY: - Você é quem sabe... Seu sobrinho... Você nem o conhece.

MULDER: - Não me interessa. Ela não conhece minha filha também. Muda de assunto.

SCULLY: - Tá bom.

MULDER: - Fica quietinha agora, precisa deixar secar como a mamãe tá fazendo. Me dá a mãozinha.

Mulder pega a mãozinha de Victoria.

MULDER: - Minha nossa, isso é mão? Precisa de dez mãos dessas pra fazer uma das minhas!

VICTORIA: - (RINDO) Ox!

MULDER: - Que vontade de morder a mãozinha dessa menininha...

Mulder morde a mão de Victoria. Ela tira a mão da boca dele, rindo sem parar.

MULDER: - Minha vontade é de morder esse neném todinho! Eu vou morder.

VICTORIA: - Nah!

MULDER: - Ah eu vou!

VICTORIA: - Nah!

SCULLY: - Mulder! Ela vai sujar tudo de esmalte!

MULDER: - Tá bom, sem folia... Scully, ela tem suas unhas.

SCULLY: - Tem né?

MULDER: - Igualzinhas... Até o formato. Os dedinhos... Ela tem dedinhos de Scully.

SCULLY: - (DEBOCHADA) Eu estava inspirada...

MULDER: - (TRISTE) Queria tanto poder olhar pra você e dizer: vamos fazer outro.

SCULLY: - (SORRI) Mulder... Sabe que eu sofria por isso. Mas não sofro mais. Victoria é um presente. Pelo menos temos uma filha. Agradeço a Deus por isso.

MULDER: - (TRISTE) É, temos. E eu agora é que gostei da ideia de ter filhos. Agora que senti o gostinho disso... É tão bom você poder abrir a boca e falar: eu sou pai. Ou mostrar pros amigos a foto dela feito um bobo: essa é minha filha! (OLHA PRA VICTORIA) Ou ficar noites em claro, ter que mergulhar na piscina, ser chantageado por causa de um cercadinho...

VICTORIA: - (RINDO) Nah!

MULDER: - (DEBOCHADO) Não pensa que eu esqueci não. Depois nós vamos ter uma conversinha, só eu e você, papo de pai pra filha. Me aguarde.

Victoria faz beiço de Scully com carinha pidona de Mulder.

SCULLY: - (RINDO) Olha só a cara dela de quem tá sofrendo? Bem feito, Mulder! Ela é chantagista emocional feito você.

MULDER: - Eu não acredito! Essa mistura funcionou bem, Pinguinho. Não dá pra resistir!

SCULLY: - (PÂNICO) Mulder, hoje é sábado?

MULDER: - É.

SCULLY: - Oh meu Deus! Agora eu lembrei do que esqueci!

Scully se levanta do sofá, agitada. Mulder fecha o esmalte.

MULDER: - (ASSOPRANDO AS UNHAS DE VICTORIA) Lembrou do quê?

SCULLY: - Amanhã é reunião de família e será aqui em casa desta vez.

Mulder olha pra ela em pânico.

MULDER: - Não... Eu não acredito que vou ter que ficar sendo simpático pra Bill Dog!

SCULLY: - Mulder...

MULDER: - Nah! Como diria minha filha.

SCULLY: - Ele é meu irmão. Mulder, faz isso por mim, faz?

MULDER: - (BEIÇO)

SCULLY: - Por mim... Hum?

Scully troca um beijinho com Mulder. Victoria observa.

SCULLY: - Afinal de contas, é a primeira reunião só de família, que a Victoria participa. Ela tem que se integrar com os primos, os tios...

Scully vai pra cozinha. Mulder olha pra Victoria.

MULDER: - Seguinte, Pinguinho: Você também é minha filha, portanto tem um Mulder aí dentro. Como é sua primeira reunião de família, eu tenho que passar informações e dicas úteis de como sobreviver num final de semana com a família Scully. Dica 1: Culpe sempre o cachorro.


1:23 P.M.

Scully, cabelos presos na cabeça, ainda só de camiseta e calcinha, tira o pó com uma das mãos e passa o aspirador na sala com a outra. Seca o suor do rosto.

SCULLY: - Mulder!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Mulder sai da cozinha comendo biscoitos e deixando um rastro de farelos.

MULDER: - (BOCA CHEIA) O que foi?

SCULLY: - (INCRÉDULA) Me casei com uma traça!

Mulder esconde o biscoito atrás de si.

MULDER: - (SEM GRAÇA) Ahn... Já sei, um pratinho...

SCULLY: - Vá comprar umas flores. Quero deixar tudo em ordem... Coloque o lixo na rua, dê uma ajeitada no quintal e faça o favor de dar banho no Cookie porque daqui eu sinto o cheiro dele! E Mulder... Eu quero uma empregada! Não dá mais pra trabalhar a semana toda, a casa fica um caco, no fim de semana eu pareço a Escrava Isaura tentando limpar tudo!

MULDER: - Mas tá limpo, eu limpei a casa essa semana. Como você reclama, credo!

Scully passa o dedo na estante e aproxima-se dele.

SCULLY: - O que é isso então?

MULDER: - (DEBOCHADO) Ácaros alienígenas? Poeira cósmica? Hum... Acho que é um Arquivo X.

SCULLY: - (O ENCARA/ SÉRIA) Mulder...

MULDER: - (A DEVORANDO COM OS OLHOS DE CIMA A BAIXO) Você fica tão sexy com a minha camiseta, furiosa desse jeito... Quem sabe a gente vai lá pra cima fazer sujeira nos lençóis ao invés de ficar aqui limpando a casa...

SCULLY: - Mulder, vá fazer o que eu pedi ou só vou lavar os pés hoje à noite!

MULDER: - (DEBOCHADO) E daí? Prefiro o sabor e o aroma natural do meu prato favorito...

Scully atira uma almofada nele. Mulder corre pra cozinha. Scully segura o riso. Passa o pano no sofá. Olha incrédula. Enfia a mão no vão entre o assento e o encosto. Retira biscoitos, pizza, embalagens de chocolate.

SCULLY: -Victoria Mulder! Seu pai não teve uma mãe com pulso firme pra educar, mas eu não vou deixar você se tornar um segundo Mulder, nem sobre o meu cadáver!


3: 21 P.M.

Close da embalagem de xampu infantil, num formato de golfinho, sobre o balcão do banheiro.

Scully prepara o banho de Victoria na banheira deles. Coloca pouca água. Vai para o quarto. Mulder cochila na cama.

Scully sai do quarto. Volta com Victoria. Deita-a na cama e a despe.

SCULLY: - Hum... Hora do banho, senhorita dobrinhas fofas da mamãe...

Victoria sacode os braços e as pernas, sorrindo.

SCULLY: - Adora água não é?

Scully esfrega o nariz no peito da filha. Ela ri. Scully brinca com ela.

SCULLY: - Ah, sente cócegas é?

Victoria ri alto. Scully sorri pra ela.

SCULLY: - Lindinha da mamãe!

VICTORIA: - (RINDO) Mama!

[Som: The Doors – People are Strange]

Scully pega a menina e vai para o banheiro. Coloca Victoria dentro da banheira. Victoria sorri. Começa a bater na água.

Scully volta para o quarto. Olha pra Mulder dormindo. Sorri. Sai do quarto. Volta com a toalha da menina.

Scully entra no banheiro. Ajoelha-se ao lado da banheira. Victoria com o tubo de xampu infantil do golfinho na boca. Scully pega o xampu. Olha intrigada.

SCULLY: - Como fui esquecer isso aqui! Imagina se você abre? Deus, que mãe relapsa que eu sou!

Scully se levanta e coloca o xampu sobre o balcão. Suspira. Volta pro quarto. Pega as roupas da menina e as coloca sobre a poltrona.

SCULLY: - Minha nossa, tenho um monte de roupa pra lavar hoje! Ainda tenho que ir ao supermercado, imaginar alguma sobremesa pra amanhã... Ai, que saudade dos meus sábados de solteira, sem nada pra fazer...

Scully volta pro banheiro. Arregala os olhos.

Close do xampu infantil novamente dentro da banheira, Victoria brincando com ele.

Scully recua assustada.

SCULLY: - (APAVORADA) MULDER!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Mulder dá um pulo da cama, todo atrapalhado, tropeçando nos móveis.

MULDER: - (MEIO DORMINDO/ ESFREGANDO A CANELA) Au! O que foi?

SCULLY: - (NERVOSA) T-tem... Tem fantasmas na casa!

MULDER: - (ASSUSTADO) Fantasmas?

Scully corre até a banheira e pega Victoria. Sai do banheiro, abraçada na filha. Mulder olha pra ela.

MULDER: - Como assim? O que você viu?

SCULLY: - O xampu!

MULDER: - Ahn?

SCULLY: - (ASSUSTADA) O xampu! Eu o deixei sobre o balcão da pia e quando voltei... Ele estava na banheira!

MULDER: - Tem certeza Scully?

SCULLY: - Claro que eu tenho!

MULDER: - Scully, você está cansada... Deve ter pensado que colocou o xampu no balcão, mas não o fez.

SCULLY: - Eu sei o que eu vi, Mulder!

Mulder olha debochado pra ela.

MULDER: - Xampu... Xampus não voam sozinhos por aí, Scully.

SCULLY: - Eu sei disso! Mas ele foi parar do balcão pra dentro da banheira! Se eu não o coloquei lá e você estava dormindo, alguém o colocou.

MULDER: - Fantasma limpinho esse...

SCULLY: - (NERVOSA) Mulder não brinca com isso! Eu vou sair daqui. Ah não fico nessa casa nem mais um minuto com a minha filha!

MULDER: - Scully...

SCULLY: - Não! Eu não vou ficar numa casa assombrada!

MULDER: - Scully, por favor. Relaxe. Vou observar o banheiro.

SCULLY: - Observe sim! Tem manifestações de poltergeist nele!

Scully sai correndo do quarto com Victoria nos braços. Mulder suspira.

MULDER: - Poltergeist no meu banheiro... Por que logo no meu banheiro? Era só o que me faltava... Espero pelo menos que eles saibam usar a descarga.

Mulder vai pro banheiro. Pega o xampu de dentro da banheira e o observa curioso. Coloca o xampu sobre o balcão. Senta-se sobre o vaso. Cruza os braços e fica observando o xampu.


4:03 P.M.

Scully entra no quarto. Caminha lentamente até o banheiro. Empurra a porta devagar. Vê o xampu sobre o balcão. Então percebe Mulder dormindo, sentado no vaso.

SCULLY: - Mulder...

MULDER: - Zzzz...

SCULLY: - Mulder!

MULDER: - Ahn?

SCULLY: - Vai dormir na cama!

MULDER: - Que horas são?

SCULLY: - Quatro da tarde.

MULDER: - Eu fiquei aqui e o xampu está no mesmo lugar!

Mulder se levanta. Vai pro quarto e atira-se na cama.

MULDER: - Poltergeist no banheiro... Ahn! Você está assistindo muito filme de terror, Scully.

Scully fica parada na porta do banheiro olhando pra todos os lados.

SCULLY: - Acho que... Isso é a fadiga. Desculpe, Mulder.

MULDER: - Zzzz...

Scully sai do quarto.


4:17 P.M.

[Som: The Doors – People are Strange]

Scully desce as escadas com uma trouxa de roupa e vai pra cozinha. Empurra o carrinho de Victoria pra lavanderia.

SCULLY: - Ai filha... Mamãe está cansada. Já estou até vendo coisas.

Scully coloca a roupa na máquina. Põe o sabão em pó. Fecha a tampa e liga a máquina. Apoia-se na máquina. Suspira.

SCULLY: - Não pensei que seria tão difícil conciliar trabalho com o lar e a família...

Victoria deitada no carrinho, brincando com um mordedor.

SCULLY: - Eu só queria um tempinho pra mim mesma. Um bom banho relaxante... Uma boa noite de sono...

Scully ergue o braço. Olha pras axilas.

SCULLY: - (INDIGNADA) E um tempo pra me depilar antes que eu vire a macaca Chita!

Scully abre a secadora. Retira as roupas e coloca num cesto. Retira da secadora um pijama de Victoria cheio de desenhos do Mickey Mouse. Coloca no cesto. Vai retirando peças.

SCULLY: - Droga, malditas camisas pra passar! Eu vou matar o Mulder, por que ele suja tanta camisa? Hoje ele vai ficar amigo íntimo do ferro de passar, ah vai! ... Ah meu Deus! Esqueci o bolo!

Scully sai correndo da lavanderia. Veste a luva térmica e abre o forno. Retira o bolo todo queimado. Coloca a fôrma sobre a pia. Retira a luva e joga dentro da pia, frustrada.

SCULLY: - Droga! Estraguei tudo! Olha o que fiz com o bolo de cenoura! Nem pra fazer um bolo pro meu marido eu sirvo!

Scully volta pra lavanderia. Continua retirando as roupas da secadora. Então olha pro pijama do Mickey que está no chão.

SCULLY: - (NERVOSA) ... Eu... Eu juro que coloquei isso no cesto, debaixo das camisas do Mulder...

Scully junta o pijama e coloca no cesto. Vira-se pra baixar a tábua de passar. Vira-se de novo pro cesto e uma das camisas de Mulder voa na cara dela.

Scully dá tapas, tirando a camisa do rosto. Empurra o carrinho pra fora e tranca a lavanderia, chorando, desesperada.


4:31 P.M.

Mulder sai da lavanderia. Scully apavorada contra a pia da cozinha, tremendo. Mulder fecha a lavanderia. Olha pra ela.

MULDER: - Então minha camisa te agrediu?

SCULLY: - ...

MULDER: - Posso usar Victoria como sua testemunha e conseguimos um mandado de prisão preventiva pra camisa...

SCULLY: - ...

MULDER: - Scully... Eu vou te dizer uma coisa...

SCULLY: - ... (COMEÇA A CHORAR) Eu sei o que vi!

MULDER: - (APIEDADO) ...

SCULLY: - (CHORANDO) Até o bolo que estava fazendo pra você eu queimei! Mulder, eu não sou uma boa dona de casa!

Mulder sorri. A abraça.

MULDER: - Scully... Você é boa dona de casa, você só está cansada.

SCULLY: - Não sou! Não consigo nem tomar conta do meu marido e da minha única filha!

MULDER: - Consegue sim.

SCULLY: - Não. Eu não consigo.

MULDER: - Olha, faz uma coisa... Sente-se aqui. Vou fazer um chá, você anda muito nervosa. Quero que durma. Durma um pouco, tome um banho bem relaxante, tire umas horas só pra você... Sabe aqueles cremes todos? Que tal usar em você? Hum?

SCULLY: - Eu tenho que passar as roupas e colocar as outras na secadora e ainda tenho que fazer a sopinha da Victoria... Não temos nada na geladeira, vem visita amanhã, o supermercado, o cachorro tá sem ração e...

MULDER: - Scully, me escuta! Vá dormir. Deixa tudo isso comigo. Eu cuido das roupas e da Victoria e vou ao supermercado. Só faz a lista do que precisa.

SCULLY: - A lista tá ali na geladeira, mas você não...

MULDER: - Sim senhora, eu ando virado na Martha Stewart e até gosto disso. Agora fica sentadinha aí, vou fazer um chá e você vai tirar um sono de beleza. Tá bom? Daí quando você acordar, toma um banho bem relaxante e eu faço um jantarzinho romântico. Se quiser uma massagem sou perito nisso.

SCULLY: - (SORRI MAIS CALMA) ...

MULDER: - É minha culpa se você está desse jeito. Eu tenho sido relapso, deveria ajudar você nas tarefas da casa... Por fim você fica sobrecarregada e é normal que comece a ver coisas.

SCULLY: - Será que foi isso?

MULDER: - Claro que foi isso. Não tem fantasmas na casa, Scully.

Scully suspira. Mulder entrega o chá pra ela.

MULDER: - Bebe isso e vai lá pra cima. Eu fico aqui passando roupa e de olho nela. Dou a sopa, a faço dormir e tiramos a noite pra nós dois, ok?

Scully sorri entre lágrimas. Mulder troca um beijo com ela. Victoria observa, sentada no carrinho.

SCULLY: - Estou um lixo!

MULDER: - Não está não. Está linda e gostosa.

Scully sorri cansada. Se levanta e sai da cozinha. Mulder a acompanha com os olhos apaixonado. Então olha sério pra Victoria.

MULDER: - Vamos trocar de roupa e colocar um vestido bem bonito pra passear com o papai.

VICTORIA: - (BATE PALMAS)

MULDER: - Operação 'Ajudar Mamãe' em andamento. Mas vamos ser mais espertos. Não sei passar roupa, sou um fracasso nessa coisa. Vamos largar tudo isso na lavanderia, vamos ao supermercado, depois pegamos as roupas e voltamos pra casa. Combinado?

VICTORIA: - 'Nado'.

MULDER: - É isso aí.


5:26 P.M.

Mulder no supermercado, empurrando o carrinho. Victoria sentada na cadeirinha do carrinho, brincando com uma caixa de gelatina. Mulder olha pra nota.

MULDER: - Seria mais fácil comprar veneno de rato pra servir no almoço de amanhã...

Mulder olha pra prateleira de ração.

MULDER: - E agora? Pra que eles fazem tanto tipo de ração?

Mulder pega os óculos do bolso e os coloca. Agacha-se, lendo embalagem por embalagem.

MULDER: - Com vitaminas... Com cálcio... Filhotes... Sênior... Legumes... Sabor carne... Diet... Diet??? (PÂNICO) E agora? Qual é a maldita ração desse cachorro?

Mulder levanta-se irritado. Pega um pacote enorme de ração.

MULDER: - Cachorro desgraçado, come feito elefante! Vai essa aqui mesmo.

Mulder coloca o saco dentro do carrinho.

VICTORIA: - Nah!

MULDER: - (SORRI SURPRESO)Não?

Victoria aponta pra uma embalagem. Mulder troca o pacote.

MULDER: - Tem certeza?

Victoria afirma com a cabeça.

MULDER: - Filha, você se supera a cada dia! Tá bom, vou confiar no seu instinto feminino. Mulheres sabem melhor.

Mulder empurra o carrinho. Entra em outro corredor.

MULDER: - Vamos levar sorvete pra mamãe... Não me deixe esquecer disso... Hum biscoitos...

VICTORIA: - Dah!

MULDER: - Qual a mamãe compra pra você? Hum?

VICTORIA: - (APONTA)

MULDER: - Ah, o do Elefantinho... Elefantinho é um 'iço', né?

VICTORIA: - Nah!

MULDER: - Ainda tô invocado com essa coisa de 'iço'... Puxa vida, me lembrei do leite em pó! (OLHA PRA NOTA, AJEITANDO OS ÓCULOS) Scully nem colocou aqui... Vai ver esqueceu.

Mulder empurra o carrinho. Bate em outro carrinho. Olha pra frente, incrédulo.

MULDER: - Mas nem no supermercado eu tenho paz?

FROHIKE: - Mude de supermercado. Compro nesse há anos.

Victoria abre um sorriso.

VICTORIA: - 'Hero'!

MULDER: - Frohike, quem é "hero"?

FROHIKE: - Eu. (CONVENCIDO) Virei herói dela.

MULDER: - Não a culpo por não saber pronunciar seu nome... Scully está cansada, resolvi dar uma ajuda... Mas tô mais perdido que cachorro que cai da mudança. Tem reunião da família Scully lá em casa.

FROHIKE: - Então deveria ter pegado mais dois sacos de ração. Um não vai chegar.

Os dois começam a rir. Victoria olha pra eles, mordendo a caixinha de gelatina. Os dois seguem o corredor. Mulder socando biscoitos e todo o tipo de porcaria no carrinho.

FROHIKE: - Krycek me ligou. Está seguindo Strughold, desconfiado até os fios de cabelo.

MULDER: - Não sei o que houve realmente, Frohike, que fez o rato ficar tão fulo. Sei que o fato de Marita, do filho... Mas ele mudou muito. Sei que não tenho motivos pra confiar nele, mas eu não sei, eu tô confiando. Instinto.

FROHIKE: - Mesmo sabendo que ele matou seu pai?

MULDER: - Frohike, vou te dizer uma coisa. Imagine se meu pai estivesse vivo. Acha que ele estaria do meu lado ou estaria com o Sindicato?

FROHIKE: - ...

MULDER: - Exatamente. Portanto, mesmo que eu gostasse do meu pai, doeria mais ter que lutar contra ele. Bill teve o que merecia, ele colheu o que plantou. Não estou aqui defendendo Krycek, nem tenho motivos pra isso. Só estou vendo a coisa toda pelo lado de fora. Krycek não sabia quem estava matando, era burro demais na época. Tanto que quase o mataram depois pra calar a boca dele. Se tem um cara que é culpado disso tudo é o Fumacinha. Ele nos colocou nesse jogo, uns contra os outros. E você acha que meu pai diria a verdade pra mim? Não, ele não diria. Ele teve tempo pra dizer. Nunca quis fazer isso. Só o fez quando sentiu nos ossos que iriam matá-lo, como uma maneira de se livrar da culpa que ele levaria pro túmulo.

FROHIKE: - Você tem razão, Mulder. Me surpreendo às vezes com seu senso de discernimento das coisas. Precisa de leite em pó?

MULDER: - Ah sim... É esse aqui.

FROHIKE: - Não acha que 10 latas é muita coisa pra um bebê?

MULDER: - ... É... Ela é um bebê, não é um elefante...

Mulder olha pra Victoria. Ela segura a raposinha de pelúcia. Mulder fica intrigado. Coça a cabeça.

MULDER: - Engraçado... Deixa pra lá.

FROHIKE: - Quando fui falar com o russo, por um momento eu vi Charles Bronson na minha frente, em Desejo de Matar. O cara de dia se esconde, de noite sai fazendo a limpa nos canalhas.

MULDER: - (INCRÉDULO) Ele tá matando gente?

Os dois olham pros lados. Fazem sinal de silêncio um pro outro.

FROHIKE: - Ele está limpando o lixo, como ele mesmo diria.

MULDER: - Acha que o russo ficou louco?

FROHIKE: - Ele é louco! Você viu as pilhas de aparelhos de ginástica que ele tem? O cara tá se transformando numa máquina de matar.

MULDER: - Que coisa mais linda eu e você num supermercado fazendo fofoca da vida dos outros, feito duas comadres que se encontram!

Victoria sorri pra eles. Aponta pra prateleira.

VICTORIA: - Dah!

Mulder nem olha o que é e põe no carrinho.

FROHIKE: - E Victoria? As suas teorias estão acontecendo na prática?

MULDER: - Ontem... Deixa pra lá. Você não acreditaria que ela tava me provocando numa guerra fria.

FROHIKE: - Vai ver Mulder. Seus pesadelos nem começaram. O dia que ela revelar o que supomos que faça... Você vai ter muita dor de cabeça pra convencer Scully a aceitar isso.

MULDER: - Sinceramente eu nem quero pensar no assunto. (OLHA PRO RELÓGIO) Droga, tenho que pegar a roupa na lavanderia. Frohike, temos que combinar com os rapazes um boliche numa sexta-feira. (DESESPERADO) Ando precisando urgentemente falar sobre conspirações, beber cerveja, coçar o saco em público e contar piadas machistas antes que fique maluco. Preciso ficar no meio de homens, quero muitos homens do meu lado.

FROHIKE: - (ASSUSTADO) Ei, Mulder, o que há com você?

MULDER: - (NERVOSO) Excesso de convívio com mulheres. Elas estão me estragando e me deixando doido. Olha pra mim, tô fazendo compras, sendo cobaia de experimentos de beleza, tô chamando Scully de 'meu amor', fazendo jantar e pasme: assistindo programas da Martha Stewart. Não vai demorar muito e tô entrando em crise de identidade, falando de voz mansa, chamando urubu de meu nego e ouvindo Bryan Adams!

Os dois batem na madeira da prateleira.



BLOCO 3:

7:28 P.M.

[Som: The Doors - People Are Strange]

Victoria sentada na cadeirinha. Mulder dando sopinha pra ela. O rosto da menina completamente sujo, porque ela alterna sua atenção e Mulder erra a colher.

MULDER: - Filha, por favor... Olha aqui pro papai... Deixa o Cookie...

VICTORIA: - Okie!

MULDER: - Você tem que comer e deixar o 'Okie'. Agora é hora de comer, o 'Okie' também vai comer depois.

Ela vira o rosto, indicando que não quer mais.

MULDER: - Tá bem... Vamos limpar esse rosto e... Cama pra você.

Victoria olha pra Mulder fazendo um beiço de quem não gostou da ideia.

MULDER: - Ei, não me olhe com essa cara de Dana Scully contrariada. Sim senhora... Eu tenho que cuidar da mamãe hoje.

VICTORIA: - ... Mama...

MULDER: - É. Mama tá cansadinha. Nós dois a deixamos cansada. Por isso, papai vai ajeitar essa cozinha e depois vou colocar você pra dormir. Preciso ajudar a mamãe.

VICTORIA: - (SUSPIRA NUM SORRISO) Mama...

Mulder termina de limpar o rosto de Victoria. Aspira o ar.

MULDER: - Engraçado... O que a Scully anda usando pra lavar a cozinha? Hum... Cheira tão bem... Parecem rosas.

Mulder cheira Victoria.

MULDER: - Não, é você que cheira a rosas. Não é a primeira vez que sinto isso.

Mulder levanta-se. Coloca o prato na pia. Começa a lavar o prato.

MULDER: - Ajudar a mamãe...

Victoria o observa. Mulder olha pra Cookie sentado a seus pés o encarando. Larga o prato dentro da pia.

MULDER: - Ah! Entendi, esqueci de você.

Mulder abre o armário e retira a ração. Sai pela porta dos fundos. Cookie vai atrás dele, abanando o rabo. Mulder serve a ração pra ele.

MULDER: - Ok, pulguento, vê se come e vai dormir também. Não quero criança e cachorro acordados. Hoje aqui dentro o assunto é adulto.

Mulder entra, fechando a porta. Guarda a ração. Então olha pra pia. Arregala os olhos.

O prato no escorredor, limpo. Mulder vira-se pra Victoria que olha pra ele.

MULDER: - Quem fez isso?

Victoria o observa.

MULDER: - Você viu alguma coisa?

Victoria nem liga pra ele. Brinca com os botões da roupa. Mulder coça a cabeça, olhando pela cozinha. Vai até a lavanderia. Olha pra dentro. Nada. Vai pra sala. Olha pras escadas.

MULDER: - Scully, você está acordada?

Nenhuma resposta. Mulder volta pra cozinha. Pega Victoria.

MULDER: - Ok, mocinha, vamos pra cama. Vou fazer você dormir porque preciso investigar isso. Tem algo estranho dentro dessa casa e eu quero saber o que é. Ou também vou começar a acreditar que trabalhos caseiros deixam a gente estressado a ponto de ver coisas.


8:39 P.M.

Mulder sentado na poltrona, bebendo café e lendo um livro, de óculos. Victoria no cercadinho, brincando. Scully desce as escadas, num roupão de banho e cabelos molhados.

SCULLY: - Mulder?

MULDER: - Aqui.

SCULLY: - Victoria?

MULDER: - Não se preocupe com ela. Já tomou sopa, já dei banho e agora tá só fazendo hora pra ir dormir.

SCULLY: - Conseguiu ir ao supermercado, passar as roupas e...

MULDER: - Tudo pronto e arrumadinho. Até o Cookie tá cheirando a bebê.

Scully sorri. Senta-se no colo dele. Se abraça em Mulder.

MULDER: - Descansou?

SCULLY: - Sim... Tomei um banho bem gostoso... Consegui até me depilar, passar hidratante... Você é melhor dona de casa do que eu. Já fez tudo isso...

MULDER: - Confesso que as roupas foram pra lavanderia. E Frohike me ajudou no supermercado. Aliás, melhor dizendo, foi Victoria quem ajudou eu e Frohike no supermercado. Ah! Comprei sorvete pra você. Diet. E já comprei uma torta pra sobremesa de amanhã.

Scully se aconchega nele, o beijando no ombro.

SCULLY: - Por que está usando óculos?

MULDER: - Tô com problemas de visão novamente... (DEBOCHADO) Acho que é a idade. Impressão minha ou essa casa está num silêncio tão grande que consigo escutar sua voz?

SCULLY: - (SORRI) O que está lendo?

MULDER: - Técnicas de Shantala: Massagem para bebês. Comprei no supermercado.

Os dois se entreolham rindo.

MULDER: - Vamos aprender isso e quando a fera não dormir, é só fazer Shantala que ela apaga rapidinho... (LENDO) Na vida intra-uterina a criança passa por experiências de contato íntimo e completo com a mãe. Ela se sente amparada, amada, segura. O tato é mais desenvolvido no bebê já nessa fase. E essas trocas são necessárias para a sua estabilidade física, emocional e energética. Os movimentos do corpo da mãe, bem como as contrações uterinas ainda na gestação são as primeiras massagens que se intensificam no trabalho de parto, provocando uma grande preparação para a primeira inspiração do bebê. A massagem é diária, a partir de 1 mês de idade, tem uma sequência, uma direção a serem seguidas que dão a base da intenção para a qual ela existe.

SCULLY: - Ela vai adorar, Mulder. Sabe que adora carinho.

MULDER: - Éisso o que acontece fazendo massagem nos bebês, Scully. O toque, o carinho provoca um aumento da auto-estima e consequentemente da imunidade. (LENDO) A massagem atua sobre todo o sistema neurológico equilibrando-o, desenvolve a coordenação motora, atua sobre a musculatura, articulações, elimina tensões e bloqueios. Previne e alivia as cólicas intestinais e facilita um sono tranquilo e profundo. Enfim, transforma o bebê num bebê saudável em todos os aspectos.

SCULLY: - Adorei a parte do 'sono tranquilo e profundo'...

Victoria olha pra eles com a chupeta na boca.

MULDER: - Olha que interessante: (LENDO) A massagem deve ser feita sobre as pernas da mãe ou do pai, mantendo assim uma proteção muito grande por estar dentro do campo áurico de quem faz. É realmente um ritual de paz e segurança, de tranquilidade e de amor. É o Yoga do bebê, de profunda meditação. A criança que recebe amor na infância será um adulto equilibrado, sem traumas e que transmitirá sentimentos altamente elevados para com os seres humanos e toda a natureza.

Mulder fecha o livro.

MULDER: -Perfeito pra ela e pra nós. E a mamãe quer massagem também? Prometo que só massagem, vou me comportar.

SCULLY: - Mulder...

MULDER: - Fala.

SCULLY: - Estou precisando tomar vitaminas.

MULDER: - Por quê?

SCULLY: - Estou boba. Esquecida e distraída demais.

MULDER: - Cansaço? Fadiga?

SCULLY: - Deve ser... Acho que trabalhar fora, cuidar de uma casa e de uma filha tem me esgotado.

Mulder a beija no rosto.

MULDER: - Quer comer alguma coisa?

SCULLY: - Me prepara um sanduíche?

MULDER: - Quem sabe você se ajeita nesse sofá, encontra algum filme interessante e me espera que vou preparar alguns sanduíches e vamos ficar agarradinhos vendo TV? Ahn?

SCULLY: - Adorei a ideia. Eu te amo.

Mulder troca um beijo com Scully. Victoria os observa. Mulder olha pra Victoria.

MULDER: - E você, lembre-se do nosso acordo. É noite, hora de criança dormir e de adulto ficar acordado. Agora eu tenho direitos sobre a mamãe. Os seus já acabaram e recomeçam às 7 da manhã.

Victoria faz beiço. Mulder vai pra cozinha. Victoria tenta ficar em pé se agarrando na tela de cordinhas do cercadinho. Tira a chupeta da boca e atira no chão.

VICTORIA: - (APONTA PRA CHUPETA) Dah!

Scully entrega a chupeta pra ela. Victoria atira o ursinho pra fora, rindo.

VICTORIA: - Dah!

SCULLY: - (RINDO) Ah, você quer brincar é?

Victoria se sacode sobre as pernas, risadas altas. Joga as coisas pra fora do cercadinho e Scully joga pra dentro. Scully cansa. Victoria continua.

SCULLY: - Não filhinha, mamãe cansou.

Victoria faz um beiço. Scully se deita no sofá. Olhos pesados. Victoria senta-se e olha pra TV desligada. Scully se vira pra ela, quase dormindo.

[Som: The Doors - People Are Strange]

A TV se liga sozinha. Scully não dá bola, quase dormindo. Os canais trocam rapidamente até pararem num desenho animado. Scully se dá conta e pula do sofá.

SCULLY: - (HISTÉRICA) MULLLDDDDDEEEEEERRRRRR!!!!!!

Victoria olha assustada pra Scully. Mulder entra na sala.

MULDER: - O que... (OLHA PRA TV)

SCULLY: - (CHORANDO DE MEDO) Não!

Mulder arranca a TV da tomada. Scully nervosa, vai recuando. Mulder a abraça.

MULDER: - Scully, tá tudo bem, ok? Fica calma, é só um problema nos cabos...

SCULLY: - (CHORANDO) Medo é algo ilógico, mas eu... Eu tô apavorada, estressada, cansada... Que papelão! O que você vai pensar de mim, eu não sou mais a Scully que eu era...

Mulder a abraça mais forte, fazendo carinhos nela e olhando intrigado pra TV.

MULDER: - Scully, estou preocupado com você. Muito preocupado mesmo. Você não está bem. Nem sei se é uma boa ideia receber sua família com você desse jeito.


9:14 P.M.

[Som: The Doors - People Are Strange]

Mulder sai da cozinha com uma bandeja. Olhar surpreso. Scully dormindo dentro do cercadinho, encolhida, abraçada em Victoria que, de chupeta na boca, faz carinhos desajeitados no cabelo da mãe. Mulder sorri.

MULDER: - É, Pinguinho... O 'bebê' dormiu...

Mulder larga a bandeja na mesa de centro. Flexiona o corpo pra dentro do cercadinho e pega Scully nos braços.

MULDER: - Ok, Pinguinho. Vou colocar o bebê na cama e nós dois vamos ver filmes... (NERVOSO) Tô preocupado com sua mãe... Scully não é assim. Ela realmente tá estressada. Nunca vi a racional Dana Scully agir desse jeito feito uma menininha assustada...


10:38 P.M.

[Som: The Doors - People Are Strange]

Mulder sentado à mesa da cozinha, compenetrado, lendo um livro intitulado: 'Causas Mais Freqüentes do Estresse Feminino'.

Barulhos.

Mulder vira-se pra trás. Olha pra sala escura. Volta a atenção pro livro.

Barulhos.

Mulder para de ler e olha pra trás. Nada. Escuridão. Mulder se levanta. Vai até a sala. Acende a luz.

MULDER: - Cookie? É você, rapaz?

Nenhuma resposta. Mulder sobe as escadas. Olha em direção ao quarto de Victoria que está claro.

MULDER: - Pensei que tinha apagado o abajur...

Mulder para na porta de seu quarto, olha pra Scully que dorme. Sorri. Então caminha em direção ao quarto de Victoria, que agora está com as luzes apagadas. Mulder coça a cabeça.

MULDER: - A loucura da Scully tá me afetando... Juro que vi a luz acesa!

Mulder acende a luz. Victoria dormindo. Mulder acena a cabeça negativamente e apaga a luz.

VICTORIA: - Ox!

Mulder acende a luz. Victoria de bruços no berço, apoiada nas mãozinhas, olhando pra ele assustada e suada.

MULDER: - (SORRI) Não adianta. Você não dorme mesmo, Pinguinho. Qual é o seu problema com o sono? Hum?


11:12 P.M.

[Som: The Doors - People Are Strange]

Na cozinha, Mulder sentado na cadeira, lendo. Victoria sentada na cadeirinha alta, brincando com um ursinho. O urso cai no chão. Ela olha pra baixo, num beiço indignado. Olha pra Mulder. Mas Mulder não percebe. Victoria chora, chamando a atenção dele.

MULDER: - O que foi?

VICTORIA: - (CHORANDO) 'Uso!'

Mulder vê o urso no chão. Pega-o e entrega pra ela. Victoria continua a brincar. Mulder volta a ler. Victoria joga o urso no chão. Mulder pega o urso. Ela joga de novo, rindo. Mulder pega de novo. Ela insiste e atira o urso longe.

MULDER: - Ah não. Eu não estou com tempo pra essas brincadeiras.

VICTORIA: - (BEIÇO) Ox!

MULDER: - Agora vai ficar sem urso. Não vou pegar.

Ela continua com um beicinho, chateada. Olha pra Mulder, mas Mulder continua lendo. Victoria inclina-se pro lado e vê o urso no chão. Estende a mãozinha.

Close no urso que flutua indo até as mãos dela, sem Mulder perceber. Victoria começa a brincar com o urso. Mulder larga o livro.

MULDER: - É, acho que a coisa do mural na cozinha pode funcionar. Vou fazer uma escala de divisão de trabalhos domésticos e anexar no mural... Preciso de um café... (ASSUSTADO AO VER O URSO) O quê... Eu não acredito!

Mulder olha pra trás procurando o urso pelo chão. Olha de novo pro urso nas mãos de Victoria. Encara a filha. Ela continua brincando.

MULDER: - (CURIOSO/ COÇANDO A CABEÇA) Como fez isso?

VICTORIA: - (OLHA PRA ELE SEM ENTENDER)

MULDER: - ... Faz de novo.

Mulder pega o urso e joga no chão. Victoria olha emburrada pra ele.

MULDER: - Pega.

VICTORIA: - ... Nah!

MULDER: - Pega.

VICTORIA: - (COMEÇA A CHORAR)

MULDER: - Não vou entregar o urso. Mostra como você fez isso.

VICTORIA: - (CHORANDO)

MULDER: - Se você quer o urso vai ter que pegar. Eu não vou.

Mulder vira-se de costas, disfarça que olha pela janela. Então Victoria estende o bracinho e o urso levita até as mãos dela. Mulder acompanha o urso flutuando no ar com os olhos arregalados.

MULDER: - (EMPOLGADO) Uau!

Mulder pega o urso e joga na sala.

MULDER: - Traz o ursinho pro papai, traz?

Victoria sorri. Estende o braço e lá vem o urso de novo. Mulder fica boquiaberto. Pega uma maçã e joga na sala.

MULDER: - A maçã. Traz a maçã pro papai.

Victoria nem liga pra Mulder e sua maçã. Agora está entretida com o urso.

MULDER: - (SORRI) Descobri a fonte dos fenômenos paranormais dentro dessa casa... E a pobre Scully achando que está louca... Foi você, não foi Pinguinho? O xampu, a camisa, o prato, a TV, as luzes e agora o urso... Incrível! Preciso contar isso pra Scully! (PÂNICO) ... Acho melhor não contar... Isso vai deixar ela mais doida ainda! E amanhã tem reunião aqui e... Não, deixa pra depois.


Domingo – 8:47 A.M.

Scully coloca Victoria na cadeirinha.

SCULLY: - Tá bom, mamãe vai dar gelatina pra você.

Scully vai até a geladeira e pega a gelatina. O telefone toca. Scully atende o telefone.

SCULLY: - Alô? (SORRI) Oi Tara!

Scully conversa ao telefone enquanto procura uma colher. Coloca a gelatina sobre a pia e a colher também. Leva a chaleira ao fogo. Victoria observa a gelatina.

SCULLY: - Não, Victoria está bem, todos estão bem... Já estão no aeroporto? Quer que eu peça a Mulder pra pegá-los? ... Não, claro que ele vai com prazer... (SORRI) Certo... (OLHA NO RELÓGIO) Só nos dê mais uns 15 minutos porque ele foi buscar Charles e mamãe...

Victoria estende o braço e a gelatina levita até ela. Victoria abre um sorriso. Enfia os dedos na gelatina, levando-os a boca. Scully, entretida no telefone, nem percebe.

SCULLY: - Tá bom... Então até daqui à pouco. Beijos!

Scully desliga. Vira-se pra pia e só vê a colher.

SCULLY: - Onde coloquei a gelatina?

Scully vira-se pra Victoria. Victoria toda lambuzada de gelatina pelo rosto, cabelos e roupa. Scully põe as mãos na cabeça! Pega um pano.

SCULLY: - Oh meu Deus, como sou desastrada! Fui deixar isso na sua frente... Olha a sujeira que você fez, filhinha!

Scully tira a gelatina e coloca sobre a pia. Limpa o rostinho de Victoria que choraminga.

SCULLY: - Mamãe vai dar gelatina direitinho pra você, tá?

Scully vai até a pia e começa a enxaguar o pano. Victoria olha pra gelatina e estende o braço. Lá vem a gelatina de novo pra ela. Scully torce o pano. Olha pra pia. Fisionomia de frustração. Olha pra Victoria comendo gelatina com os dedos. Scully arregala as sobrancelhas.

SCULLY: - Mas eu tirei a gelatina e... coloquei aqui... Meu Deus! Estou ficando doida!

Mulder abre a porta da frente. Will entra correndo, passa por ele e vai pra cozinha.

WILL: - Tia Dana!

SCULLY: - (SORRI) Will!

Will se abraça em Scully. Victoria faz um beiço de ciúmes. Meg entra na cozinha.

MARGARET: - Onde está a garotinha da vovó?

Victoria abre um sorriso.

MARGARET: - Meu Deus, Dana! Não sabe dar gelatina pra menina?

SCULLY: - Me esqueci da gelatina na frente dela.

Meg pega Victoria e a abraça.

MARGARET: - Vovó trouxe um monte de presentinhos pra você. Um deles é uma boneca!

Victoria pula no colo de Meg. Will aproxima-se.

WILL: - Oi Vic!

Scully olha pra ele. Sorri.

SCULLY: - Tá bom, você eu deixo chamá-la de Vic. Mas ninguém mais.

Victoria sorri pra Will. Estende a chupeta pra ele.

MARGARET: - Não, o Will não gosta mais de chupeta.

SCULLY: - Onde está o Mulder?

MARGARET: - Está com Charles lá fora.

SCULLY: - Tara e Bill estão no aeroporto... Vou pedir pra Charles ir com Mulder buscá-los.

Scully sai da cozinha.


11:49 A.M.

[Som: The Doors - People Are Strange]

Bill bebendo cerveja e conversando com Scully no quintal. Mulder com cara de poucos amigos, fazendo churrasco. Charles ao lado dele, de túnica budista, assando cenouras e outros legumes.

CHARLES: - Quando vai terminar de consertar a piscina?

MULDER: - Em breve. E tenho que consertar aquela cerquinha que divide o jardim da piscina. Principalmente por causa das crianças...

Mulder observa Victoria brincando com Matthew na grama. Matthew briga com Victoria, tentando arrancar a boneca que Meg deu da mão dela. Matthew puxa a boneca de Victoria. Victoria faz um beiço de tristeza. Mulder observa o garoto com irritação.

CHARLES: - E como está a vida, Mulder? Tudo se normalizou?

MULDER: -Financeiramente... Por que o resto... Sempre tem uma confusão pra se resolver...

Mulder percebe Matthew se aproximar de Victoria e atirar um brinquedo na cabeça dela. Mulder faz cara de pânico. Victoria dá um olhar furioso pra Matthew que pega a boneca dela e estraçalha com gosto. Victoria faz um beicinho derrubando lágrimas, calada. Então se vira pra Matthew. Olha pra um dos brinquedos. Estende o braço. Mulder arregala os olhos. O brinquedo voa sozinho acertando a cara de Matthew que cai no chão. Mulder solta o garfo.

MULDER: - Charles, cuida disso pra mim, ok? Preciso resolver uma coisa urgente...

Mulder corre, tendo tempo de pegar a pedra enorme que começava a levitar do chão. Olha pra todos os lados. Bill sai da cozinha.

BILL: - O que está fazendo com essa pedra, Lunático?

MATTHEW: - Me acertou!

BILL: - O quê? Você ia bater no meu filho com uma pedra?

MULDER: - E-eu... Não. É que... Eu preciso dessa pedra.

BILL: - (O ENCARA) Pra quê? Você é louco de pedra, isso sim.

Mulder coloca a pedra no chão. Bill pega Mulder pela camiseta.

BILL: - Olha aqui, Lunático, não se meta com meu filho.

Bill o solta. Scully se aproxima.

SCULLY: - O que foi?

BILL: - Esse doido queria jogar uma pedra no meu filho.

SCULLY: - Mulder!

MULDER: - M-mas...

SCULLY: - Por favor, Mulder. Pode agir como um adulto? Ou é pedir demais?

Mulder respira fundo, olhando pra Victoria. Scully e Bill se afastam.

MATTHEW: - (AOS GRITOS) Ela atirou em mim! Ela é bruxa! A pedra veio voando e...

Mulder puxa a orelha de Matthew pra ele calar a boca. Matthew olha emburrado pra Mulder.

MULDER: - Tá doido, menino?

MATTHEW: - Eu vi! Eu vi! Ela é bruxa!

Mulder se aproxima de Matthew e olha pra ele.

MULDER: - (OLHAR DE LOUCO) Olha aqui, pirralho, se disser isso pra alguém, eu atiro você naquela piscina. E eu crio jacarés nela. E eles não comem há dias! E se você acredita em bruxas, eu sou bruxo. E adoro fazer ensopado de criancinha.

Matthew sai correndo, chorando, pra dentro de casa. Mulder olha pra Victoria. A pega no colo. Examina a cabeça dela.

MULDER: - Machucou você, filha? Ahn?

VICTORIA: - (CHORANDO) Nah!

MULDER: - (A ABRAÇA) Machucou o orgulho... Não faz isso, tá bom? Se ele incomodar você, chore que eu venho correndo. Pedra não. Machuca, faz dodói. Não pode atirar coisas nas pessoas, tá? Isso é errado.

VICTORIA: - (CHORANDO APONTANDO PRA BONECA)

Mulder pega a boneca do chão.

MULDER: - Não chora, Pinguinho... Bem que dizem tal pai, tal filho. O pai dele fez igual com a sua mãe quando ela era pequena... Mas olha, escuta o que papai vai dizer. Papai é médico de bonecas sabia?

VICTORIA: - (CALANDO O CHORO/ ATENTA A MULDER)

MULDER: - Papai vai cuidar da boneca e ela vai melhorar. Tá bom?

Victoria se abraça em Mulder.


12:11 P.M.

Charles e Bill cuidando do churrasco. Mulder sentado no chão, entre Victoria e Will, tentando consertar a boneca. Victoria o observa, chupeta na boca, olhinhos em lágrimas.

WILL: - Que menino chato! Por que fez isso com a boneca? Só pode ser por ciúmes da vovó ter trazido um presente pra Vic.

MULDER: - Não diga isso. É primo de vocês, precisam se dar bem... Entre nós dois, óbvio que é chato, é filho de quem?

WILL: -(RINDO) ... Tio Bill Dog!

MULDER: - Quero que faça um favor pra mim, Gafanhoto. Só confio em você pra pedir isso. Fique de olho em Victoria. Não deixe Matthew provocá-la.

WILL: - Claro que não. Ele é maior, ia dar uma surra nela e machucá-la.

MULDER: - Na verdade... Não sei bem quem ia sair machucado da coisa toda, mas fique de olho quando eu estiver distraído... Pronto, filhinha. A boneca já não tá mais dodói.

Mulder entrega a boneca pra Victoria. Ela abre um sorriso de orelha a orelha. Abraça a boneca.

MULDER: - (SORRI) É a primeira boneca que ela ganha.

WILL: - Instinto materno.

Mulder olha pra Will, surpreso.

WILL: - É, tio Mulder. Meninas têm isso. Se não se cuidar... Vai virar avô bem cedinho.

Mulder agarra Will numa falsa chave de braço e revira os cabelos dele. Will rindo, aos gritos. Victoria pula, rindo junto. Mulder o solta.

MULDER: - Tem programa pra fazer no próximo sábado? Tenho que comprar uma bicicleta pra um certo menino ruivo que emprestou dinheiro do cofrinho dele pra tia Dana quando a gente tava na pior.

WILL: - (OLHOS BRILHANDO) Isso é sério? Mas tio Mulder, ainda não dá pra comprar a bicicleta, eram só 30 dólares e eu só tenho mais 20...

MULDER: -Gafanhoto, já ouviu falar de juros? (SORRI) Vou devolver seus 30 dólares, guarde com os outros 20 e a bicicleta é um presente para o meu sobrinho favorito.

WILL: - (SORRI) Sério? Eu sou o seu sobrinho favorito?

MULDER: - (DEBOCHADO) O filho do Bill é que não é.

WILL: - Se eu não for seu sobrinho favorito vou contar pra todo mundo que você pinta o cabelo.

MULDER: - (PÂNICO)

WILL: - Brincadeirinha, tio Mulder... Eu só sei disso porque ouvi tia Dana falar.

MULDER: - (RESPIRA ALIVIADO) ...


BLOCO 4:

1:09 P.M.

A família Scully sentada à mesa, no jardim. Will sentado na grama, ao lado de Victoria, brincando de quebra-cabeças com ela. Victoria sorri pra ele. Matthew os observa. Will olha pra ele.

WILL: - Se tocar na minha prima eu bato em você, seu tampinha!

VICTORIA: - 'Obo'!

Scully passa por eles, carregando uma jarra de suco.

SCULLY: - Isso mesmo, brinquem os três, direitinho.

Scully coloca a jarra na mesa. Senta-se ao lado de Tara, de frente pra Mulder. Mulder não consegue comer, só observa Victoria, tenso. Meg percebe.

MARGARET: - Fox, relaxe. Estão brincando. Crianças brigam.

Scully olha pra Mulder com ternura.

SCULLY: - Você viu, mamãe, que marido ótimo que eu tenho? Como ele é amoroso com a filha? Sempre atento.

Mulder fica vermelho. Disfarça revirando a comida com o garfo.

BILL: - Não faz mais do que a obrigação dele. E então, Dana, como vai o emprego?

SCULLY: - Ótimo. Melhor impossível.

TARA: - Tão bom ver você feliz de novo. Eu... Eu mesma fiquei tão feliz quando as coisas todas se ajeitaram pra vocês. Finalmente podem ser uma família.

Will aproxima-se com Victoria no colo.

VICTORIA: - (GRITA) Mama!

WILL: - Tia Dana, ela quer a senhora.

Scully pega Victoria no colo.

MARGARET: - (BOBA) Ai, como minha netinha é linda! Eu não canso de olhar pra ela... Adorou a bonequinha que a vovó comprou.

BILL: - Calma mãe. Você ainda não conhece a minha futura filha. Eu e Tara estamos planejando uma neta pra você.

SCULLY: - (IRRITADA) ...

BILL: - Dana, não fique chateada se precisar de alguma ajuda financeira, afinal de contas, o FBI não paga muito bem e você ainda casou com um pé rapado. Sinta-se à vontade pra pedir ajuda.

Mulder olha irritado pra Bill. Victoria olha pra Bill num beiço.

MULDER: - Eu não quero ser chato, mal educado ou seja lá que rótulo vocês possam me dar, ok? Mas essa casa é minha, eu estou oferecendo o almoço, o objetivo disso tudo é diversão e descontração, Scully anda uma pilha de nervos querendo se distrair um pouco e eu não quero mal humor e intriga nessa droga de mesa! Eu quero diversão. E ponto final. Quem nunca passou por aperto financeiro na vida que atire a primeira pedra.

Tara e Meg aplaudem Mulder. Bill se cala. Scully olha apaixonada pra Mulder, num suspiro. Victoria olha pra Bill. Estende as mãos.

VICTORIA: - "ill"!

BILL: - (BOBO) Quer vir com o tio Bill? Ela sabe meu nome!

Mulder olha incrédulo pra filha.

[Som: The Doors - People Are Strange]

Scully olha pra Victoria. Victoria pula no colo dela. Scully entrega Victoria por cima da mesa pra Bill. Mulder olha intrigado pra Victoria. Começa a suar frio. Scully olha pra ele.

SCULLY: - Mulder, o que está havendo com você? Parece mais estressado do que eu.

MULDER: - (DESCONCERTADO) É que... Não estou tendo bons pressentimentos hoje... (SEM DESGRUDAR OS OLHOS DE VICTORIA) É sono... Dormi pouco...

Bill brinca com Victoria, sorrindo.

BILL: - É a filha da minha irmã... Linda como ela. Parece uma boneca. É uma Scully legítima.

Scully olha pra Mulder, estranhando a fisionomia dele. Mulder tenso. Fecha os olhos, nem querendo olhar pro lado.

BILL: - Bonita como os Scully, inteligente, graciosa e educada.

Mulder morde os lábios em pânico, já prevendo. Continua de rosto virado. Bill fica sério. Ergue Victoria.

BILL: - Ela está sem fraldas?

Scully coloca a mão nos lábios, virando o rosto, doida pra rir.

BILL: - Ela fez... Caquinha no meu colo!

Mulder solta uma gargalhada e sai às pressas da mesa. Tara começa a rir. Scully solta uma risada. Todo mundo ri de Bill. Victoria olha pra Bill num sorriso cínico.

VICTORIA: -"ill"...

Bill entrega Victoria pra Charles. Pega guardanapos, tentando se limpar.

BILL: - Tinha que ser filha desse lunático mesmo! E eu achando que ela era uma Scully legítima! É outra lunática! Não é uma Scully é um Mulder! Olha o que Dana fez! Contaminou nossos genes com malditos genes Mulder!

Bill se levanta da mesa, indignado, se limpando e indo em direção à casa. Victoria olha pra Charles. Se abraça no pescoço dele. Scully se levanta.

SCULLY: - Filha que coisa feia! Vem, mamãe vai limpar você. Quem tirou suas fraldas? Ahn?

Scully pega Victoria e vai pra dentro. Mulder em pé, ao lado de Will.

MULDER: - Estranho.

WILL: - O que, tio Mulder?

MULDER: - Ela estava de fraldas. Quem tirou as fraldas dela?

Will olha pra cima assoviando, arrastando o pé pela grama. Mulder olha pra ele, incrédulo.

WILL: - Fica pela última reunião onde ele me chamou de perdedor. E agradeça que eu não coloquei pimenta na comida dele.


1:31 P.M.

[Som: The Doors - People Are Strange]

Todos sentados à mesa. Menos Bill. Tara e Scully servem cafezinho.

CHARLES: - Dana, adoro sua casa. Existe uma vibração boa aqui dentro. A gente pode sentir amor por aqui.

SCULLY: - Que bom que acha isso, Charles.

CHARLES: - Mas sinceramente... Dana, me diga que incenso você queimou na sala.

SCULLY: - Incenso? Não queimei incenso algum.

Mulder olha nervoso pra eles.

CHARLES: - Sei lá, então é o limpador que você usa, porque tem um cheiro de rosas vermelhas e frescas naquela sala que faz a gente ir ao nirvana.

SCULLY: - Tem razão. Há dias ando sentindo isso. Mas não sei de onde vem e...

Mulder corta o assunto.

MULDER: - Eu quero agradecer a você, Charles... A Meg... E a Tara também por tudo que fizeram por eu e Scully quando as coisas não estavam bem por aqui.

TARA: - Mulder, não me agradeça. Eu não ajudei.

MULDER: - Você deu muito apoio pra Scully. E eu entendo que não fez mais porque não podia... Entendeu né?

MARGARET: - Adorei essa torta. Quem fez?

MULDER: - O supermercado, Meg. Não tivemos tempo.

MARGARET: - Hum, mas está ótima. Me lembrou a torta que sua tia Brenda fazia, Dana.

SCULLY: - Ai, a Tia Brenda! Que saudades dela...

Bill senta-se à mesa, de roupa trocada. Todos seguram o riso.

BILL: - É uma casa bonita, devo admitir. Um belo jardim. A piscina é que está um horror. Veio assim?

MULDER: - Não. Foi um atentado a bomba.

Bill olha pra ele apavorado.

BILL: - Chamou a polícia?

MULDER: - Eu sou a polícia.

BILL: - E... Pegou os caras?

MULDER: - (DEBOCHADO) Ainda não. Mas Bush está tentando. Parece que vai mandar vocês pra lá.

Bill olha em pânico pra Mulder.

MARGARET: - Mas deixa eu contar uma coisa assustadora pra vocês.

Todos olham pra Meg. Meg olha pra trás, procurando as crianças. Elas estão brincando, distraídas. Meg olha pra todos.

MARGARET: - Dia desses, eu perdi o sono. Desci, fiz biscoitos, lavei a louça... Mas nada de dormir. Aí me sentei em frente da TV.

Scully sentada ao lado de Mulder, se recosta nele, atenta a Meg. Mulder envolve os braços nela. Todos prestam atenção em Meg.

MARGARET: - Foi quando me deparei com um filme. Daqueles sabem?

BILL: - Que filme, mãe?

MARGARET: - Aqueles filmes... De sexo.

Mulder morde os lábios, se segurando. Scully abre um sorriso.

SCULLY: - Mãe? Você vendo isso?

MARGARET: - Eu nunca tinha visto! Vocês já viram?

Todo mundo se entreolha num coro de veementes 'nãos' repetitivos.

MARGARET: - Então parei pra olhar. Vocês sabem que sou super aberta pra um monte de coisas, mas aquilo ali... Aquilo me chocou! Vocês não imaginam que coisa mais horrível! Tinha umas mulheres, sabem... Chupando os homens!

Mulder chega a ficar vermelho, doido pra rir. Scully morde os lábios, virando o rosto.

MARGARET: - Imagina que coisa absurda! Mas Deus me livre que alguém da minha família fizesse isso. Eu nunca mais beberia um copo de água na casa deles!

Scully pigarreia. Mulder assovia baixinho. Charles disfarça, tirando um fiapo da roupa. Bill olha pro céu. Tara nervosa, se levanta.

TARA: - Alguém mais quer bolo? Eu vou colocar na geladeira.

MARGARET: - Não, sente-se aí, ainda não terminei de contar. E o pior nem foi isso! O pior de tudo é que a mulher depois veio com um... Um órgão masculino de borracha...

BILL: - Mamãe! Chega desses comentários, por favor!

MARGARET: - E queria enfiar no cara. Pode uma coisa dessas? Que tipo de mulher propõe isso pra um homem?

Mulder levanta da mesa, corado pra rir, correndo pra dentro de casa, em ataque convulsivo.

SCULLY: - (CORADA) Ele... Foi ao banheiro.

Charles se enfia embaixo da mesa rindo. Meg olha pra ele.

MARGARET: - O que foi?

CHARLES: - Perdi algo... (SEGURANDO O RISO) Acho que meu botão.

MARGARET: - Botão? Mas você está de túnica!

Bill olha pra Scully e Charles.

BILL: - Não estou entendendo nada.

CHARLES: - Sorte sua.


3:46 P.M.

Will sentado na frente da TV jogando vídeo game. Victoria ao lado dele, atenta e curiosa.

WILL: - Assim... Agora tem que matar todos os alienígenas. Eles não podem tomar a base.

VICTORIA: - (OLHOS ACOMPANHANDO O JOGO/ VIDRADA) 'ase'.

WILL: - Tá vendo aquele cara de preto? Ele é da Organização das Forças Ocultas. Ele trabalha pro governo e é o chefão da conspiração.

VICTORIA: - 'Iço!'

WILL: - (OLHA PRA ELA) Não, ele não é um bicho. É um homem.

Mulder entra na sala. Coloca alguns chocolates no sofá.

MULDER: - Tem presentinho pra você aqui, Gafanhoto.

WILL: - Valeu, tio Mulder! Mas depois, agora eu quero passar de fase.

Mulder sorri e sai da sala.

WILL: - Assim, Vic, você não pode matar o homem de preto antes da fase 5, senão você é pego pelos alienígenas.

VICTORIA: - (OLHANDO PRA WILL) 'ígenas'.

WILL: - Eu nunca passei dessa fase. Nunca consigo matar o chefe dos alienígenas. Tem que matá-lo na hora certa, ele é perigoso, quer destruir o mundo.

Victoria olha pro vídeo game.

WILL: - Vou tentar. Mas já sei que vou morrer e ter que começar de novo.

Victoria olha atenta pro vídeo game. Will aperta um botão.

WILL: - (RINDO) Não acredito! Eu consegui! (OLHA RINDO PRA VICTORIA) Eu consegui, Vic!

Victoria sorri, pulando.

WILL: - (PAUSA O GAME) Vou pegar chocolate pra nós. Quer?

Victoria olha pros chocolates e estende a mão. Os chocolates vêm flutuando pela sala, passando pela cara de Will que observa estarrecido. Os chocolates caem na frente dele.

WILL: - Uau! Como você faz isso?

Victoria estende a mão. Aponta pro ursinho dentro do cercadinho. O ursinho vem levitando até cair sobre as pernas de Will. Will estende a mão e aponta pra um livro na estante. Fica frustrado porque nada acontece. Mulder entra na sala.

MULDER: - Então, passou de fase?

WILL: - ... Tio Mulder... Como ela faz isso?

MULDER: - (SORRI) Quem? Quem faz o quê?

WILL: - Ela me deu os chocolates sem levantar daqui.

MULDER: - (PÂNICO) ...

WILL: - Que legal! Ela tem superpoderes!

Mulder senta-se ao lado de Will. Olha pra ele.

MULDER: - Gafanhoto, sabe guardar segredos, não sabe?

WILL: - Claro que sim.

MULDER: - Não conte nada, nem pro seu pai sobre isso.

WILL: - Tá. Mas como ela...

MULDER: - Um dia eu te explico. Quando a gente tiver sozinho, tá?

WILL: - Mas por que não posso dizer? Vocês podem ficar ricos com a Vic fazendo mágica!

MULDER: - Porque as pessoas não vão entender. E vão discriminá-la. Vão tratá-la diferente, entende? E você sabe como é ruim quando as pessoas nos tratam diferente.

WILL: - É, eu sei. Tudo bem, tio Mulder. Eu não vou contar nada. Vai ser nosso segredo.

MULDER: - Ela ainda não tem noção dos dons que tem. Não quer fazer mal, porque pra ela isso é algo normal. Eu vou ter que colocar freios nela antes que alguém se machuque... Deixa eu jogar com vocês?

WILL: - (DEBOCHADO) Não... Você não sabe nada de alienígenas e conspirações do governo.

Mulder revira os cabelos dele, os dois brincam de lutar no tapete. Victoria sorri, erguendo os braços. Engatinha até eles pra brincar junto.

Corte.


Scully guarda a louça. Tara seca a louça.

TARA: - Dana, Victoria é tão esperta pra idade dela. Parece que ela entende tudo que a gente fala.

SCULLY: - Sim, ela é super esperta.

TARA: - Matthew ainda é tão bobo. Fico preocupada às vezes. Mas Meg me disse que meninos custam mais a aprender as coisas.

Scully senta-se. Puxa uma cadeira pra Tara. Tara senta-se ao lado dela. Scully olha pra Tara.

SCULLY: - Ultimamente estou muito estressada. Tudo mudou na minha vida, eu não assimilei nada ainda e... Além disso, estou seriamente preocupada com Victoria.

TARA: - Ela não está bem?

SCULLY: - Não, ela está muito bem... Mas... Ela é precoce demais... Estou com medo.

TARA: -Dana, as crianças são precoces hoje em dia. Matthew teve seu primeiro dente com dois meses! Imagina que loucura foi pra mim, ele berrando dia e noite por isso, com febre.

SCULLY: - Mas Matthew não assimilava as coisas tão rapidamente. Ela não sabe falar direito, mas se expressa em respostas. Ela entende o que gente diz. Ajudou Mulder no mercado, acredita? Ela gravou as marcas que eu costumo comprar.

TARA: - Mas Dana, entenda. É você e Mulder aqui. Ela é a única criança por perto. Convive o dia todo com adultos, é claro que ela sofra estímulos pra aprender mais rápido, pra poder fazer parte do mundo que ela conhece. Matthew ainda tem as crianças da vizinha, amiguinhos na escolinha...

SCULLY: - É... Talvez você esteja certa. Victoria vive num mundo de adultos, cercada de adultos. Pena que vocês não moram mais perto, seria ótimo ter Matthew por aqui. Victoria teria outra criança pra brincar. Eu fico preocupada com ela. Mulder ultimamente tem falado muito em adoção e acho que vou ter que adotar uma criança daqui algum tempo. Não é justo criá-la sozinha... Eu sei, tive três irmãos, odiaria me sentir a única criança da casa, sem ter ninguém pra brincar.

TARA: - Olha, se precisar de alguma coisa que eu possa fazer... Parece que Bill vai viajar por um mês, ainda não é certo, mas se quiser, eu posso vir pra cá e tomar conta dela. Ela é um doce.

SCULLY: - Eu queria arrumar uma babá. Mas não confio minha filha na mão de ninguém. Você sabe porquê.

TARA: - É difícil, eu sei. Mas Dana, vai ter que pensar na possibilidade, para o bem de Victoria.

SCULLY: - É, eu sei. Sacrificamos muito a menina, a expomos a perigos desnecessários... É cansativo pra ela ficar viajando pra lá e pra cá conosco. E eu não quero mais incomodar mamãe. Nem Charles. Eu às vezes acho que sou a pior mãe do mundo! Eu tinha tantas teorias para criar um filho. Agora... Não tenho mais nenhuma. A prática é diferente.

TARA: - Dana, sempre é assim. Eu também tinha tantas teorias. Agora estou perdida. Nenhuma teoria se encaixa no meu filho.


10:12 P.M.

[Som: The Doors - People Are Strange]

Mulder na sala, vendo TV. Scully sentada ao lado dele, lendo o livro de Shantala.

SCULLY: - Admita. Foi melhor do que esperávamos.

MULDER: - E o Oscar dessa reunião hoje foi para... sua mãe. Pela performance no almoço sobre filmes de sexo explícito.

SCULLY: - (RINDO) Mulder!

Mulder olha rindo pra TV. Scully volta a atenção pro livro.

Victoria no chão, brincando. Olha para a boneca ao longe. Estende o braço. A boneca ergue-se do chão e vem levitando, passando pela frente de Scully que não percebe porque está lendo. Mulder ao ver dá um pulo do sofá pegando a boneca no ar, colocando atrás de si e disfarçando. Scully ergue o rosto e o encara.

SCULLY: - O que houve?

MULDER: - Nada...

SCULLY: - Nada?

MULDER: - Uma mosca... Tinha uma mosca voando...

SCULLY: - Mosca??? Mas como ela entrou?

MULDER: - Não sei, devo ter deixado a porta da frente aberta...

Mulder senta-se e entrega a boneca pra Victoria, que sorri achando aquilo engraçado. Então ela estende a mão e um porta-retratos vem flutuando lentamente na frente de Scully. Mulder pula novamente do sofá, pegando o porta-retratos no ar e o escondendo atrás de si. Scully ergue a cabeça. Abaixa os óculos e olha pra ele. Victoria começa a rir.

SCULLY: - O que tem aí?

MULDER: - Nada.

Scully olha pra Victoria, que olha rindo pra Mulder.

SCULLY: - O que o papai está aprontando hein?

Mulder vai saindo de fininho, de frente pra Scully. Scully levanta-se. Consegue puxar o porta-retratos das mãos dele.

SCULLY: - O que quer com isso?

MULDER: - Ahn... Ver...

SCULLY: - Mas... Isso estava na lareira!

MULDER: - Não, eu tinha pegado e escondido debaixo da almofada.

SCULLY: - Pra quê?

MULDER: - Ahn, hum, eu...

SCULLY: - Mulder, por favor! Você está agindo feito um doido! Agora quem está estressado é você!

Scully solta o livro e vai pra cozinha. Victoria rindo estende o braço. Mulder olha sério pra ela.

MULDER: - Não...

Ela abaixa o braço e faz beiço.

MULDER: - Não! Não faça mais isso.

VICTORIA: - ... (BEIÇO)

Victoria estende o braço. Mulder olha pra ela mais sério.

MULDER: - Não. Papai não gosta disso. Ok?

VICTORIA: - ...

MULDER: - Não é pra fazer isso. Papai não quer que você faça isso. Mostra o que você quer, que o papai entrega pra você. É assim que as coisas funcionam.


12:33 A.M.

Scully sai do banheiro, enrolada numa toalha, secando os cabelos molhados.

SCULLY: - Ainda bem que Victoria caiu cedo no sono... Também, teve um dia agitado. Você tem razão quando diz que ela precisa de companhia infantil...

Scully olha pra cama arrumada.

SCULLY: - Mulder?

Nenhuma resposta.

SCULLY: - Impressionante! Não se presta nem pra desfazer a cama! Mulder, onde você está? O que está aprontando? Eu juro que se você se socou naquele sótão de novo eu te mato!

Scully começa a puxar a colcha, arrumar os travesseiros, enquanto resmunga, cabisbaixa.

SCULLY: - Me pergunto todos os dias quais as vantagens de se ter um homem? A resposta é sempre a mesma: serve pra cortar a grama. Quando serve! Passa o dia no porão e quando chega em casa, passa a noite no sótão! Parece mais um morcego do que um homem! Batman! Vem dormir, por favor!

[Som: Trio Los Panchos - Perfidia]

Scully ergue a cabeça incrédula.

SCULLY: - Que música... (VIRA-SE PRA TRÁS/ ARREGALA OS OLHOS)

Corta para a porta. Mulder, cabisbaixo, vestido de Zorro, em calças de couro justíssimas, botas, camisa preta, capa, chapéu, chicote e espada na cintura. Uma rosa vermelha na mão.

MULDER: - (DUBLANDO) Nadie... comprende lo que sufro yo... canto... pues ya no puedo sollozar... solo... temblando de ansiedad estoy... todos... me miran y se van...

Mulder ergue sedutoramente a aba do chapéu e o rosto, revelando a máscara negra que lhe cobre os olhos verdes cor de jade. Cheira a rosa.

MULDER: - Mujer... si puedes tu con Dios hablar... preguntale si yo alguna vez... te he dejado de adorar...

SCULLY: - (CATATÔNICA/ PERNAS BAMBAS) Oh... my... God!

Mulder se aproxima requebrando os quadris na melodia da música. Scully fica catatônica, com a boca aberta.

MULDER: - Y al mar... espejo de mi corazón... las veces que me ha visto llorar... la perfidia de tu amor.

Mulder se aproxima e pega Scully de supetão, a conduzindo pra um tango, encostando-a contra o corpo fortemente. Mulder a leva pelo quarto dançando, indo e voltando. Scully não consegue reagir.

MULDER: - Te he buscado por doquiera que yo voy... y no te puedo hallar... ¿Para que quiero otros besos... si tus labios no me quieren ya besar?

Mulder a deita em seus braços. Coloca a rosa na boca. Aproxima os lábios dos de Scully. Ela fecha os olhos, entorpecida. Mulder solta a rosa na boca de Scully mal tocando seus lábios nos dela.

MULDER: - Y tu... quien sabe por dónde andarás... quien sabe que aventuras tendrás... que lejos estás de mí...

Mulder a ergue rapidamente, a puxando pro tango de novo.

MULDER: - Te he buscado por doquiera que yo voy... y no te puedo hallar... ¿Para que quiero otros besos... si tus labios no me quieren ya besar?

SCULLY: - (SUSPIRA)

MULDER: - Y tu... quien sabe por dónde andarás... quien sabe que aventuras tendrás... que lejos estás de mí... de mí...

Mulder a conduz pra um giro. A solta. Scully olha pra ele. Mulder retira o chapéu, levando de encontro ao peito, abaixando a cabeça, a cortejando.

MULDER: - Buenas noches, señorita.

SCULLY: - (CATATÔNICA/ COM A ROSA NA BOCA)

Mulder puxa a espada. Leva até o corpo de Scully, retirando com a ponta da espada a toalha que ela veste. Scully ainda catatônica.

MULDER: - ??? Mujer???

SCULLY: - (DEIXA A ROSA CAIR/ BOQUIABERTA)

MULDER: - ???

SCULLY: - (EMPOLGADA) Mulder... Isso é espanhol?

Scully salta em cima dele. Mulder quase perde o equilíbrio, a agarrando pelo bumbum.

MULDER: - Yhaaaaaaaaa!!!!!!! Despertou os hormônios adormecidos!

SCULLY: - (INCLINA A CABEÇA PRA TRÁS) Me beije, senhor Zorro. Faça um Z bem grande no meu colchão!!!

MULDER: - Quero é fazer 'cosítas' com você nesse colchão...

SCULLY: - (EMPOLGADA) Cosítas??? Mulder, isso é espanhol?

Scully o agarra, os dois vão se beijando pra cama, caindo no colchão. Scully enlouquecida começa a beijar o peito de Mulder, abrindo-lhe a camisa. Apaga o abajur.

SCULLY: - (BEIJOS) Me mata (BEIJOS) me bate (BEIJOS) me joga nessa cama (BEIJOS) e me chama de sua vadia! Vem aqui (BEIJOS) requebra esses quadris em cima de mim (BEIJOS) seu tarado asqueroso... (BEIJOS) Oh, Mulder! Faz o que quiser comigo essa noite, eu juro que não me importo!

MULDER: - Sério? Tudo? Tudo o que eu quiser?

SCULLY: - Tudinho!

MULDER: - Eu sou um gênio! Hehehehe... Por que não tive essa ideia antes? Quer que eu tire a roupa?

SCULLY: - Não tira nada! Nada! Nadinha, nem as botas!!!

MULDER: - Mas esse chicote aqui vai atrap...

SCULLY: - Cala a boca, Zorro! O chicote fica!


X

22/03/2002

9 de Setembro de 2019 às 17:05 0 Denunciar Insira 0
Fim

Conheça o autor

Lara One As fanfics da One são escritas em forma de roteiro adaptado, em episódios e dispostas por temporadas, como uma série de verdade. Uma alternativa shipper à mitologia da série de televisão Arquivo X. https://www.facebook.com/laraone1

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