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thalita-bersan1567042585 Thalita Bersan

Sammy é um garoto comum de 17 anos que se incomoda bastante com a maneira que todos ao seu redor o tratam,como se ainda fosse uma criança.Porém tudo muda quando um modelo famoso se interessa sentimentalmente por ele lhe causando dúvidas sobre sua sexualidade e contratempos diversos.


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Em progresso - Novo capítulo Todas as Quintas-feiras
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Quando acordei naquela manhã cinzenta de agosto para o primeiro dia de aula após as férias de meio de ano, achei que seria um dia como tantos outros. Sai da cama sonolento com minha mãe gritando sem parar do andar debaixo como sempre fizera. Levantei meio desnorteado e nem me dei ao trabalho de calçar meus chinelos, vestido somente de uma samba canção fui até o banheiro para lavar meu rosto, estava morto de sono.

Levantei meu rosto na altura do espelho e percebi como estava com uma aparência horrível: Meu cabelo ruivo estava totalmente bagunçado e em pé, meu rosto sardento estava um caos, estava com olheiras e meus olhos verdes não emitiam ansiedade nenhuma por estar retornando as aulas, mais um chato e cansativo dia de aula.

- Sammy!- Era minha mãe que berrava meu nome da cozinha. - Se não descer logo irá se atrasar. Quantas vezes já mandei você não jogar vídeo game até tarde?

- Tudo bem mãe já estou descendo. – Realmente tenho um incorrigível vicio por vídeo game, para falar a verdade qualquer garoto de dezessete anos que se preze tem.

Voltei para o meu quarto com o humor um pouco melhor depois de ter enfiado a cabeça debaixo da torneira. Sentei na cama soltando um suspiro desanimado e puxei debaixo dela meu tênis que se encontrava bem sujo. O que posso fazer, eu não me incomodava com a cor que meu tênis possuía nunca me importei com essas coisas. Fui até meu guarda roupa e fiquei alguns minutos analisando uma roupa que me caísse bem, afinal era volta das aulas e felizmente não precisávamos usar aqueles uniformes ridículos. Então optei por uma camiseta vermelha com escritas em japonês e uma calça jeans ferrada e bem desbotada e folgada.

Desci arrastando meus pés pelos degraus, totalmente desanimado e já encontrei o café na mesa, minha mãe sempre tão eficiente. Sentei me largando em uma cadeira ao lado da minha irmã e logo fiquei a par da discussão dela com o meu pai sobre o relacionamento que ela tinha com um garoto funkeiro que meu pai não apoiava de jeito nenhum.

- Já mandei você se esquecer daquele marginal Beatriz.

Meu pai era o típico pai do subúrbio, alto um pouco acima do peso era sempre sério e meio carrancudo e sempre gostou das coisas corretas, tudo que fugia do padrão ele não aprovava. Meu pai possuía uma seriedade incrível e ate um modo rígido de criar os filhos, me espantou bastante ver minha irmã discutindo com ele daquela maneira, afinal ela era a filha favorita.

- Eu vou embora de casa se você continuar controlando minha vida dessa maneira, eu já tenho dezenove anos!

Minha irmã dava aqueles gritos histéricos que me fazia tampar o ouvido enquanto mastigava uma torrada. Resolvi não me pronunciar se não levaria uma bronca, mas fiquei mastigando de cara feia a encarando para que não estourasse meus tímpanos. Mas Beatriz estava muito nervosa para prestar atenção em mim, seus olhos estavam cheios de lagrimas e percebi que ela tremia enquanto despedaçava uma torrada entre os dedos. Eu chegava a ficar com pena dela afinal parecia muito apaixonada pelo tal funkeiro. Mas segundo a opinião dos meus pais Beatriz era muita coisa para o marginal da vizinhança e merecia coisa melhor.

Para falar a verdade eu também não entendia porque minha irmã estava perdendo tempo com um marginal daqueles, ela era muito bonita, não falo isso só por ser irmão dela e sim por ser verdade. Ela tinha longos cabelos ruivos e a pela sardenta da nossa mãe e os olhos verdes como os meus, herança do nosso pai, era alta e causava inveja em qualquer patricinha, sempre chamava muita atenção por sua estatura e beleza e sempre andou muito bem vestida principalmente porque adorava moda, estava cursando faculdade de designer de moda e se aprofundava de corpo e alma para exercer tal profissão.

- Vamos parar com essa discussão?

Minha mãe vinha com uma travessa de biscoitos dando a discussão como encerrada, ela era o pilar da família e se dedicava totalmente a isso, sabe aquelas mães modelos? Quando jovem ela trabalhava como modelo porem encerrou a carreira a pedido do meu pai já que se casaram muito jovens. Minha mãe engravidou cedo e teve que deixar seu sonho de lado porem diz que não se arrepende nenhum pouco de ter largado tudo por sua família, com certeza a melhor mãe do mundo.

- Eu já vou indo, to atrasado. - Disse enchendo minha mochila com biscoitos, levando uma bronca da minha mãe e um “tenha mais educação” do meu pai.

Resumindo minha vida era bem típica, nada muito fora dos padrões da classe media bons pais dedicados à família e uma irmã temperamental. Também tinha um cachorro é claro, o nome dele era Koney da raça husky siberiano que eu adorava e tinha ganhado no meu ultimo aniversario, ele foi um presente por minhas boas notas. E quanto a mim não fugia do padrão não passava de um simples adolescente pronto para mais um dia de aula.

Quando cheguei ao colégio tudo estava normal como sempre. Os alunos estavam um pouco mais empolgados é claro por estarem voltando de férias relaxantes e estavam mais faladores que o normal comentando sobre suas viagens. Passei pela aglomeração de gente e fui ate o pátio me sentando num banco vazio que ficava mais afastado para pegar o boné que se encontrava no fundo da minha fedida mochila e descobri que minha roupa suja de educação física tinha ficado ali dentro as férias inteira, percebi então que meus biscoitos ficaram infestados com aquele mau cheiro, mas como estava com fome os devorei sem pensar duas vezes.

- Como vai Samuel? – Ouvi alguém chamando meu nome e levantei o rosto que estava enfiado dentro da mochila para ver o rosto do meu melhor amigo Vitor.

- Vou bem. -Respondi comendo meu segundo biscoito.

- Não vai me oferecer não fominha?

Vitor se sentou ao meu lado puxando minha mochila, tentei argumentar, mas quem era eu contra a força do Vitor?Ele praticava muay thai há quase três anos, era enorme com mais de um metro e oitenta, possuía um físico de dar inveja em qualquer um, tinha cabelos negros que usava arrepiado com gel e um par de olhos azuis. Já eu era o típico cara mediano e longe de ter aquela força.

- Vitor. - Reclamei. -Era pra comer só um.

- O que é isso Sammy não seja egoísta. -Ele sorriu e se levantou me encarando. - Você ta ficando em forma em garoto, andou malhando?

- Não. - Respondi chateado, ele sabia muito bem que eu não curtia fazer coisas como malhar.

- O sinal já tocou é melhor eu ir. - Ele se despediu de mim levando meus biscoitos.

O Vitor e eu nos conhecemos desde garotos. Uma vez na quarta série ele se sentou ao meu lado na sala de aula e começamos uma conversa sem fim sobre jogos. Desde então sempre estudamos juntos porem nesse ultimo ano fomos para classes diferentes, pelo que disseram a gente falava demais durante as aulas e ficando juntos não dávamos voz a qualquer professor.

Quando fui para a sala de aula segui diretamente para meu lugar de sempre, a ultima mesa do canto ao lado da janela enorme que dava para a quadra. Sentei na cadeira e atirei minha mochila sobre a mesa tentando achatar meu cabelo que já caia sobre meus olhos, não podia usar boné dentro da sala de aula e mesmo que pudesse ele tava fedendo demais para tira-lo da mochila. Abri um gibi que trazia na mochila para passar o tempo, afinal os alunos estavam de pé conversando e nenhum professor tinha chegado ainda, e foi nesse momento que as coisas mais estranhas começaram a acontecer.

Eu estava lendo o gibi sem muito interesse por já ter lido varias vezes quando de repente reparei que um rapaz com um estilo muito estranho se sentou à mesa a minha frente e se virou para mim batendo o braço na minha mesa chamando minha atenção.

- Seu nome é Samuel não é?

Eu levei um susto com o barulho e o encarei com o semblante mais desconfiado e carregado o possível. Aquele garoto tinha pircings no rosto todo, tatuagens pelo pescoço e braço e um enorme moicano. Não lembrava de ter visto ele pela escola mas provavelmente fazia parte dos punks esquisitos que andavam por lá.Mas o que achei mais estranho era ele saber o meu nome,o que aquele esquisito queria comigo?

- Sim, por que quer saber?

- Presta atenção na quadra quando o time de futebol da universidade vier jogar no ultimo horário, alguém no jogo quer te da um recado. - Disse ele rindo com um deboche e já se levantando.

- Ei espera ai! – Gritei, mas o cara já ia passando entre as fileiras e trombando com todos no caminho. Achei aquela atitude no mínimo estranha.

Resolvi que seria melhor não ir atrás daquele tipo de gente e olhei pela enorme janela ao meu lado e vi os preparativos para o jogo de futebol. Não entendi nada, afinal o time da universidade jogaria contra o time do terceiro ano no meu colégio, mas isso não passava de um jogo amistoso. Eu bem que gostaria de estar participando do jogo, mas eu não era tão bom assim no futebol, eu conhecia o Vitor que estaria no time, será que ele queria me dar algum recado?

- Sammy o que aquele marginal queria com você? – Acordei dos meus devaneios com a voz que me chamava à atenção, desviei meu olhar da quadra e encarei o rosto da Carol que estava sentada a minha frente me encarando com aqueles olhos amêndoas enormes e surpresos.

- Oi pra você também Carol, como foi às férias?- Tentei soar um pouco sarcástico, para deixa-la mais curiosa, mas ela franziu ainda mais a testa e endireitou os óculos, estava apreensiva, então resolvi matar sua curiosidade. - Não faço ideia de quem seja aquele cara, deve ser só um desocupado.

- Achei bem estranho você falando com um tipo desses. -Disse ela ajeitando a alça da mochila e se endireitando na carteira a minha frente.

Eu sorri e me debrucei na mesa encarando sua nuca. A Carol era minha amiga desde o segundo ano e sempre fazíamos tudo juntos, desde estudar para as provas, os trabalhos escolares e ate as provas em duplas. Ela era minha paixonite de adolescência e eu daria de tudo para ter uma chance com ela, mas eu era muito atrapalhado e tímido e não fazia ideia de como chama-la para sair sem parecer um tremendo idiota.

Enquanto eu pensava sobre o assunto vi quando duas garotas vinham correndo na nossa direção e pararam na mesa da Carol dando pulos de histeria e falavam sem parar me deixando surpreso com tanta empolgação.

- Carol você já ficou sabendo quem virá jogar no colégio? – Gritava uma de nossas colegas, uma garota gordinha cheia de sardas.

- O time da universidade não é?- Ela não parecia nem um pouco interessada.

- Sim é. - Respondeu a outra que era magrela e tinha uma voz estridente, eu não gostava de nenhuma das duas. - Mas adivinha quem vira da universidade para jogar?

- Como eu vou saber meninas? – A voz da Carol saia doce e calma e com um tom de risada discreta, estava obvio que elas a estavam irritando tanto quanto a mim.

- Evan Demian! –Gritaram as duas juntas dando pulinhos.

Fiquei olhando de uma para outra tentando entender o motivo de tanto alvoroço e quem era esse cara que as deixavam tão eufóricas. Carol se levantou batendo as duas mãos na mesa e olhou para mim com um sorriso de orelha a orelha, parece que tinha acabado de ganhar na loteria.

- Eu não acredito. - Gritou ela e começou a pular eufórica com as amigas me deixando com um semblante confuso.

- Quem é esse cara?- Murmurei tentando chamar sua atenção.

- Sammy! O Evan é um grande astro do futebol na universidade você deveria conhecê-lo.

- Não sou tão chegado ao futebol assim. - Respondi desconfiado. - E nem achei que você fosse.

- Eu não gosto de futebol. - Ela se sentou segurando minha mão o que me fez corar violentamente. - Ele é um modelo muito famoso aqui na cidade, alem de ser muito bom no futebol, ele é lindo e esta ficando muito conhecido por estar sendo chamado por desfilar as melhores grife.

- Nunca ouvi falar dele.

- Mas você nunca ouve falar de nada Sammy. - Disse Mel a garota mais gordinha revirando os olhos e puxando a Carol da cadeira para que juntas continuassem os pulos histéricos.

Não deixei que o comentário daquela garota me afetasse, eu nunca gostei dela e só a aturava por causa da Carol. Eu não conseguia entender como uma pessoa como a Carol podia andar com uma menina dessas tão sem personalidade, que sempre estava com revistas de fofocas por todos os lados e não perdia a chance de saber da vida dos outros. Me debrucei encarando a quadra e deixei aquele assunto de lado.

Quase no final da aula o apito do jogo se fez ouvido por todos os alunos que se amontoaram na janela, principalmente as garotas que adoravam ver os caras da universidade jogando, uma perda de tempo em minha opinião.

- Eu não acredito é o Evan Demian! – Quem gritava era Jéssica uma das garotas metida a besta da minha sala, ela dava aqueles pulinhos estranhos fazendo a sua curta saia se levantar ainda mais, fazendo os garotos soltarem aqueles comentários sem moral que sinceramente me faziam rir.

Resolvi olhar para a quadra e vi que o jogo já tinha começado e todos corriam pelo campo atrás da bola. O nosso professor já tinha desistido de falar sobre a matéria já que o jogo estava prendendo a atenção de todos os alunos e foi se sentar. Fiquei observando as jogadas e localizei o Vitor que chutava a bola a passando para um companheiro de time. Eu ate que gostava de jogar às vezes, mas meu esporte favorito era skate, eu não tinha tanto talento nem disposição como o Vitor ou os outros caras para correr atrás daquela bola.

O resto da aula foi com todos pendurados na janela gritando quando o nosso time marcava um gol ou xingando quando a universidade marcava um gol. Passei a maior parte do tempo olhando o pessoal por cima do gibi que eu fingia ler, principalmente observando a Carol que pulava eufórica na cadeira gritando o nome do tal Evan. Eu a achava tão linda com aquele cabelo castanho preso num rabo de cavalo e aquele rosto redondo com sorriso de covinha que fiquei a encarando por mais tempo do que o normal.

Fiquei tanto tempo naquela posição meio distraído que levei um susto quando Carol me olhou de repente chamando minha atenção e depois desviou os olhos para outras pessoas ao redor.

- O que o Evan esta fazendo?

Todos se amontoaram na janela até mesmo quem não estava interessado no jogo. As garotas não paravam de gritar e pular nas cadeiras e o professor se levantou pedindo que fizesse menos algazarra.Todo mundo estava comentando e apontando para a quadra e resolvi dar uma olhada para ver o que estava acontecendo.Percebi que o jogo estava parado e os jogadores andavam pela quadra e conversavam,não entendi direito o que estava acontecendo e chamei a atenção da Carol curioso.

- Carol o que foi?- Perguntei morto de curiosidade.

- Sobe aqui. -Ela segurou na minha mão me puxando para seu lado.

- O que foi?- Perguntei olhando para o gramado e foi quando finalmente vi a pessoa mais popular da universidade, o rapaz mais famoso daquela cidade.

Evan Demian o prodígio estava no meio do campo olhando fixamente para a janela da minha sala, tinha levantado a camisa de jogador e por baixo estava exibindo outra camisa com um enorme coração escrito: “Eu te amo!” Aquilo foi uma loucura, aquele cara era disputado em tudo quanto é lugar e se encontrava apaixonado por alguém da minha escola.

As garotas cochichavam e acenavam para ele. Jéssica lhe mandava beijos, crente de que o cara estava se declarando para ela. Depois que a coisa começou a esquentar no campo, pois estava vindo o diretor alterado pela desordem dos gritos das garotas, Evan somente fechou a mão nos lábios como se capturando seu próprio beijo e o lançando em direção a alguém da minha sala. Jéssica para se exibir ainda mais fez questão de fingir que pegava o beijo com as duas mãos e a levou para sua boca, logo depois fazendo um sinal de coração.

A situação no jogo foi resolvida pelo diretor que não entendia o alvoroço que o rapaz modelo estava causando, tudo voltou ao normal recomeçando assim o jogo e o sinal para o final da aula tocando.

- Era para mim aquele beijo, que declaração mais linda. - Jéssica se exibia toda ajeitando seus cabelos loiros e reforçando a sombra em seus olhos verdes.

- Garota convencida. - Reclamava Carol ajeitando seus óculos. - O que você acha Sammy?

- Acho do que?- Perguntei desinteressado.

- Não achou um pouco estranho o que o Evan fez lá embaixo?Parece que ele queria aproveitar o momento do jogo que ele sabia que todos estariam assistindo para se declarar a alguém.

- Ou sacaniar com a cara de meninas sonhadoras. - Respondi apontando para Jéssica.

- Será?- Ela me olhou desanimada. - Tem razão, Evan Demian. - Suspirou se apoiando na janela admirando o rapaz que jogava dando um show de bola no campo.

- Quantos anos ele tem?- Perguntei apoiando na janela ao seu lado.

- Vinte e um anos. - Respondeu ela orgulhosa, mais parecia àquelas fãs lunáticas que sabiam tudo sobre seus ídolos favoritos.

- Pra mim esse cara não tem graça alguma. -Disse olhando Evan jogar.

O que todos vinham naquele cara?Tudo bem que ele estava começando a se tornar famoso e isso era um motivo de reboliço entre as adolescentes. Era o típico rapaz bonito que teve sorte de nascer com aquele rosto perfeito e aquela aparência que deslumbra todo mundo.

Fiquei sabendo pela Carol que fazia uns meses que ele começara a desfilar algumas marcas famosas e realmente estava se tornando bastante comentado e virou uma bomba na mídia. Mas pelo que pude perceber ele ainda estava fazendo faculdade e tentava agir como um rapaz comum, apesar de todo o reboliço que ele causava onde punha os pés.

Tudo bem ele podia ser perfeito, mas o que o senhor perfeição estava querendo se declarando para alguém do meu colégio?Será que estava à procura de alguma aventura?Afinal ele podia ter quem quisesse. Pudera eu poder também ter quem eu quisesse.

- O que você tem Sammy?- Carol estranhava o jeito que eu a olhava, mas sinceramente eu não tinha como evitar, ela era tão linda. - Sammy!-Ela gritou me acordando de meus devaneios.

- O que foi?- Perguntei sem entender aquele escândalo.

- Você vai embora agora ou vai esperar o Vitor?- Ela já ajeitava sua bolsa e pegava o dinheiro para o ônibus.

- Eu vou esperar o Vitor. - Respondi meio triste, afinal só a veria no dia seguinte. - Você não vai assistir o final da partida?

- Tenho que ir para casa vou sair com a minha mãe. -Murmurou chateada, estava obvio que ela queria ficar para conhecer o Evan.

- Até amanha então. - Me despedi arrumando minhas coisas.

A maioria dos alunos já tinha deixado à sala de aula e estavam aglomerados na quadra de futebol para assistir o jogo. As meninas que raramente gostavam desse tipo de evento estavam em peso na quadra rindo, apontando e comentando e todo mundo sabia que a causa daquele reboliço era o tal modelo famoso.

Consegui arrumar um lugar na arquibancada no meio daquela bagunça e fui me sentar para terminar de assistir o jogo. Eu estava ali mesmo pelo Vitor e depois do jogo tínhamos combinado de ir para sua casa então eu tinha que esperar aquele jogo terminar e aturar a falação daquelas meninas ate o final.

Durante o jogo fiquei reparando no tal do Evan Demian, realmente a aparência dele se destacava no meio de todos aqueles homens e a beleza era única. Acho que fazia parte de ser um modelo ter aquela aparência que dava inveja em qualquer um e com certeza conseguia a mulher que bem quisesse.

Fiquei mais alguns minutos assistindo o jogo e acabei percebendo que o Evan olhava para a arquibancada procurando alguém, provavelmente a garota para quem tinha se declarado. Bufei me sentindo nervoso e estranhei quando seu olhar cruzou com o meu e ele riu, não era possível que aquele cara estivesse rindo para mim. Olhei ao redor para ver se tinha alguma garota da minha classe ali, mas só tinha alguns garotos, achei aquilo estranho e pensei que além de ser famoso talvez ele fosse simpático também, aquilo me deixou com mais raiva ainda e decidi sair da arquibancada e dar uma volta pelo colégio, eu estava morrendo de ciúmes de um cara que eu nem conhecia e provavelmente nunca estaria na disputa contra mim pela Carol.

Decidi que seria muito melhor esperar o Vitor no pátio do que alimentando raiva por um cara que eu nem sequer conhecia. Aquela atitude infantil me deixava chateado sem dizer um invejoso. Adoraria possuir toda aquela grandeza, mas o que eu, um mero garoto péssimo em esportes e no colégio, viciado em vídeo game que tinha como passatempo andar de skate tinha a oferecer nessa situação?Nada!

- Samuel! - Ouvi a mesma voz do inicio da aula me chamando e me virei para o rapaz de moicano que se encontrava acompanhado de uns três amigos.

- O que você quer?- Fiquei olhando para os lados, não tinha ninguém ali além de mim e aqueles caras não estavam ali para conversarem.

- Pode vir comigo?- Pediu o cara do moicano se aproximando com os amigos, aquilo me deu um calafrio, ir aonde? - Tem alguém querendo falar com você atrás do colégio é o melhor lugar para vocês conversarem.

- Mas quem quer falar comigo?- Questionei tentando fazer minhas pernas ficarem firmes para fugir correndo dali, mas um rapaz negro e gordo percebeu isso e me cercou por trás segurando meu braço me forçando completamente a segui-lo.

- Relaxa Samuel. - Era a vez do cara do moicano de novo. - Ninguém fará nada com você, só querem levar um papo numa boa. - Fiquei calado e os segui sem falar mais nada.

É obvio que eu estava nervoso, assustado, afinal quem não estaria?Todos ali eram maiores do que eu, e se eles quisessem me oferecer droga?Ou bebida?E se eu não aceitasse?Todos esses pensamentos surgiram na minha cabeça no momento e quando contornamos os muros o silêncio era ainda pior, fui levado ao fundo de um deposito amplo totalmente esquecido pela escola, onde não deveria pisar alguém ali há anos.

- Pronto. - O rapaz negro me soltou e olhou cúmplice para os outros garotos. Ficaram todos calados enquanto eu olhava sem entender para eles.

- O que vocês querem?- Gritei, eu não estava mais me importando em cooperar, estava assustado e queria sair logo dali.

- Fica calmo garoto, só estamos esperando alguém chegar, nada vai te acontecer, é claro se ficar de bico fechado.

Não preciso dizer como me senti, gelei por inteiro e me sentei sobre umas caixas empoeiradas no canto, fiquei olhando para a atitude dos quatro, mirei o relógio, já era quase uma da tarde. Tentei não pensar na pessoa que chegaria em breve para falar comigo, eu não conhecia aqueles caras e nunca dei motivos para irrita-los no colégio,eu nem fazia o tipo bagunceiro.

Fiquei pensativo tentando encontrar algum motivo para ter ocorrido àquela situação e me lembrei sobre o aviso que o cara do moicano me deu para que olhasse para a quadra durante o jogo que alguém queria me dar um recado.

- Oi. - Tentei chamar a atenção do cara com moicano, mas os quatros me olharam com aquelas caras de pouco amigos. Pigarreei e continuei. - Você disse que alguém no jogo de hoje tinha um recado para mim, eu não vi nada de diferente no jogo de hoje.

O rapaz levantou as sobrancelhas pra mim e se virou para os amigos dando uma boa gargalhada, eu não entendi o motivo daquela cena, mas resolvi me levantar e me aproximar o que deixou um deles nervoso e se pondo na minha frente;

- Eu preciso ir para casa, minha mãe vai me matar eu não posso ficar por aqui, vocês podem me adiantar o assunto?

- Eu já disse que alguém esta vindo para te ver e pediu que segurasse você aqui ate acabar o jogo e não deixar você ir embora. - Respondeu o do moicano com a voz bem mais seria.

- Essa é uma piada do Vitor não é?Vocês o conhecem não conhece, ele esta tentando me pregar uma peça.

- Cala a boca pirralho e vai sentar logo. - Gritou o gordão e voltei para o fundo resmungando.

Fiquei quase meia hora sentado em silêncio quando assistia aqueles quatro conversando e fumando maconha o cheiro vinha ate mim enchendo meu nariz com aquele odor forte. De repente ouvi passos se aproximando e dois deles se afastaram para receber a pessoa que chegava, os outros dois ficaram parados próximos da porta do deposito e o gordo e o do moicano sumiram de vista. Levantei para olhar quem era a pessoa que queria tanto assim falar comigo e vi o cara do moicano acenando para os outros dois que se juntaram a eles.

Pensei em correr, mas eles poderiam me pegar e me matar de pancada por isso resolvi continuar sentado olhando para a porta aberta e vazia. Ouvi um murmúrio de vozes do lado de fora e me aproximei da porta segurando a lateral apreensivo, se fosse o Vitor que eu visse ali ele pagaria muito caro por aquela brincadeira de mau gosto.

Mas minha surpresa ficou evidente quando vi a rodinha de garotos circulando um cara alto vestido com o uniforme de futebol, estranhei na hora aquela situação e decidi sair do deposito me aproximando para ver quem poderia ser. Os murmúrios se tornaram audíveis e ouvi que eles discutiam sobre dinheiro e estavam sendo pagos pelo rapaz alto e loiro, quando o reconheci fiquei totalmente pasmo.

- Evan?

Os cinco se viraram para me encarar e o gordo me segurou pelo pulso me arrastando de volta para o deposito. Esperneei puxando meu braço e gritava para alguém me dizer o que estava acontecendo. O gordo me jogou dentro do deposito e cruzou os braços na frente da porta me impedindo de sair.

- O que vocês querem seus dementes?- Berrei furioso e joguei a mochila no chão, se tivesse que partir para briga para me livrar daquela situação iria com tudo para cima deles.

Nesse instante vi que Evan batia no ombro do gordo e falou algo que não entendi, mas que fez o cara sair da porta e deixa-lo entrar. Fiquei surpreso encarando aquela cena e suando frio enquanto Evan se aproximava de mim com passos lentos.

- Olá Samuel. - O cumprimento foi muito educado e apesar de sua voz grave e grossa ele demonstrava muita gentileza, estranhei muito aquela situação.

- O que você quer?- Perguntei me afastando. - O que significa isso?

- Fica calmo. - Pediu ele se aproximando e parando a alguns centímetros de mim. - Só queria saber o que achou da declaração que fiz a você?

- Declaração?- Eu fiquei espantado, não podia ser verdade, aquela declaração na quadra era pra mim?Mas como isso podia ser verdade, aquele cara só podia estar me confundindo com outra pessoa. - Você esta me confundindo, eu não sou uma garota!-Rebati ofendido.

A resposta dele foi uma risada baixa e animada, o canalha parecia estar se divertindo com aquela situação, enquanto eu estava suando frio e apavorado com todas aquelas coisas acontecendo. Acho que ele percebeu meu desespero ao olhar para meus olhos arregalados de espanto e parou de rir dando uma tossida ficando sem graça.

- Desculpe pelo jeito que lhe tratei, mas eu não conseguia ver outra maneira para chegar ate você. –Me encarava com aqueles olhos indecifráveis.

- E por que você queria se aproximar de mim?E por que teve que mandar aqueles marginais me encurralarem aqui atrás?Da onde você me conhece?Eu nunca te vi nada vida para você vir me intimidar dessa maneira, você é louco?

Eu estava perdendo a cabeça com aquele lunático. Primeiro sou arrastando por um bando de marginais para uma área do colégio que ninguém mais usava, imaginando mil coisas loucas que eles poderiam querer comigo. Agora conheço o tão famoso e prodígio modelo Evan Demian e descubro que isso tudo foi orquestrado por ele e pior aquela declaração na quadra tinha sido pra mim, como assim?

- Eu pensei que você gostaria de saber que aquela declaração foi para você. –Ele se aproximava mais de mim. - Já estou de olho em você faz um bom tempo. -Sussurrou essas ultimas palavras no meu ouvindo já se inclinando sobre mim e me prendendo contra a parede.

Virei o rosto para ficar longe dele e o empurrei com força ficando nervoso, não surtiu muito efeito porque ele colocou uma mão na parede sobre meu ombro e a outra segurou com força meu rosto perto do seu.

- Não sou gay!- Expliquei, mas estava tremendo tanto com aquela aproximação que já estava sentindo as pernas bambas.

- Será que não?- Ouvi sua voz melosa e debochada e seu halito fresco entrava na minha boca de tão próximos que estávamos. Eu não estava conseguindo afasta-lo de mim, mas desviava os olhos para não ter que encara-lo, eu estava encurralado.

- Você é uma gracinha Samuel.

Evan murmurou e começou a acariciar meu rosto. Quando resolvi encara-lo e nossos olhos se cruzaram ele aproveitou o momento para agarrar minha cintura com seus braços fortes e me puxou para um beijo. Quando os lábios dele tocaram os meus senti um tremor por todo o corpo, arregalei meus olhos assustado, afinal tinha um homem me beijando. Tentei me desvencilhar de seu abraço, empurrei seu rosto, mas só fui mais pressionado, ele colou seu corpo no meu segurando com força minha nuca. Sua língua abria passagem em minha boca, explorando-a sem permissão.

Fiquei espantado com aquela situação e tentei chuta-lo, mas ele aproveitou para pressionar mais ainda contra meu corpo me espremendo contra a parede. Choraminguei me sentindo incomodado com aquela situação e já estava perdendo o ar com aquele beijo que não acabava mais.

Quando ele rompeu o beijo puxei uma grande lufada de ar e senti que ele descia os beijos pelo meu pescoço, enquanto segurava minha cintura com muita força, prendia minhas pernas com as suas e a outra mão acariciava minha barriga por baixo da camisa.

- Para com isso seu safado! - Tentei gritar furioso e tirei sua mão da minha barriga, mas ele segurou minha mão com força contra a parede e aproximou seu rosto a milímetros do meu.

- Eu te quero Samuel, por que você não só aproveita?

- Eu não sou gay!- Repeti pra ele entender e o encarei olho no olho, estava furioso. Seu semblante ficou sereno e ele sorriu, ele era um gay desgraçado, mas era muito bonito e aquilo me deixava ainda mais irritado, aquele babaca conseguiria qualquer mulher, por que logo eu?

- Só relaxa gatinho. - O som da sua voz ficou mais suave e ele beijou meu rosto bem perto da boca soltando meu corpo. Senti meu corpo relaxar e ele aproveitou para segurar meu rosto e começar outro beijo porem dessa vez foi muito mais suave.

Admito que dessa vez não foi tão ruim assim,ele me beijou com tanto carinho e com tanta vontade que abri a boca sentindo sua língua entrar na minha boca e retribui na mesma intensidade.Era a primeira vez que eu era beijado daquela maneira,nunca tinha beijado uma garota daquele jeito e aquele beijo estava me enchendo de curiosidade,era diferente e era bom.

Evan chupava meus lábios com vontade e depois voltava a beija-los suavemente, se movia com calma mordendo meu lábio inferior e depois o superior alternando entre eles, me deixando louco. Posso jurar que se aquele beijo tivesse sendo com uma garota seria o melhor beijo do mundo sem via de duvidas. Sem contar seu cheiro delicioso que era uma mistura refrescante de sabonete de hortelã com um perfume muito gostoso, seus cabelos que estavam molhados provavelmente por causa do banho roçavam nas minhas bochechas me fazendo inalar um cheiro delicioso de frutas.

Comecei a ficar muito empolgado com aquele beijo e segurei nos ombros dele para prolongar aquele beijo ainda mais e levantei um pouco mais os pés, não muito, mas era porque eu queria mais acesso a ele. Agarrei em seu cabelo para aproxima-lo mais e engoli sua boca com a minha querendo mais e mais e ele retribuía com todo carinho e atenção do mundo me abraçando com força. Além de lindo e carinhoso, era cheiroso também, provavelmente o homem dos sonhos de qualquer mulher, era o homem perfeito, era esse o prodígio que todos falavam e idolatravam e não era pra menos.

- Nossa Samuel. – Ouvi ele murmurar excitado no meu ouvido enquanto beijava minha orelha.

Eu estava tão tonto com aquele beijo que levei um tempo para perceber que ele estava chamando meu nome, senti sua respiração pesada no meu rosto e abri os olhos para encara-lo e foi somente nesse instante que pude vê-lo claramente, estando tão perto de mim e com seu rosto quase colado ao meu, e meu choque não poderia ter sido maior.

Apesar de nunca ter pensando na hipótese de me sentir atraído por um homem, aquilo tudo mudou naquele instante. Evan não era somente um homem bonito, ele era perfeito, todos os traços do seu rosto eram lindos e em harmonia o deixando simplesmente irresistível, não tinha como não se atrair por toda aquela perfeição. O cabelo loiro e molhado grudado no seu rosto tão másculo e firme e aqueles olhos que antes eram azuis agora se encontravam esverdeados. Seus lábios se encontravam bem vermelhos por causa do beijo que acabara de me dar. Sinceramente eu já não era mais eu naquele momento.

- Estou ficando muito excitado com você. - Confessou mordendo o lábio inferior e me dando outro beijo, juntou seu corpo ao meu novamente e só ai que pude sentir o membro duro dele roçando na minha barriga.

Aquela sensação fez que eu acordasse de vez da loucura que estava fazendo. Eu estava no maior amasso com um homem e ele já estava duro e roçando em mim sem pudor e a culpa só era minha por ter deixado aquilo chegar tão longe. Reuni todo meu autocontrole e o empurrei com força com os dois braços. Claro que ele era grande demais para que eu conseguisse move-lo, mas acho que dessa vez ele entendeu minha reação e se afastou uns dois passos de mim.

- O que foi?- Percebi que seu tom de voz soava preocupado e surpreso.

- Não posso fazer isso. - Resmunguei limpando minha boca com as costas da mão e sentindo as lágrimas descerem pelo meu rosto. -Eu preciso ir embora.

- Quero te ver de novo.

- Me deixa ir embora. - Implorei aos prantos.

Evan ficou alguns minutos me encarando com aqueles olhos indecifráveis e tristes. Eu não queria nem imaginar no que ele estava pensando só queria ir embora e senti os soluços tomando conta do meu corpo e o barulho do meu choro aumentando cada vez mais. Vi que Evan esticou o braço indicando a saída e sem pensar duas vezes peguei minha mochila e sai correndo o mais rápido que pude.

Sem saber se estava sendo seguido por aqueles marginais tentei correr o mais rápido que podia com as pernas tremulas do jeito que estava e acabei tropeçando e caindo em uma área cimentada próxima da quadra, cai com tudo no chão rasgando a calça na altura dos joelhos e esfolando minhas mãos no chão para proteger minha cabeça. Fiquei esparramado no chão sentindo todo meu corpo doer e debrucei a cabeça sobre meus braços e voltei a chorar sem força pra mais nada, eu não estava conseguindo assimilar tudo que tinha acontecido naquele dia e estava em pedaços.

Fiquei alguns minutos chorando com a cabeça baixa e pensando que seria melhor sair logo dali quando ouço passos rápidos se aproximando de mim. Fiquei assustado achando que poderia ser os marginais e me levantei tropeçando na mochila porem um par de mãos fortes me segurou pelo ombro me agarrando com força;

- Me solta!- Gritei. - Me deixa em paz!- Me joguei no chão chorando como uma criança, cobri minha cabeça com meus braços e fiquei tremendo até que uma voz calma me confortou.

- Sammy... - Era a voz do Vitor. – Cara o que houve?Você esta bem, o que aconteceu?- Ele me fazia inúmeras perguntas e eu não conseguia responder a nenhuma. Por necessidade talvez ou por me sentir desprotegido me agarrei à camisa de Vitor com força escondendo meu rosto em seu peito. - Sammy. -Ele me abraçou com força. - O que aconteceu contigo?

- Me leva daqui Vitor por favor.- Pedi tremendo entre as lágrimas.

- Tudo bem. - Finalmente ele entendeu que eu não estava em condições de falar e levantou meu braço pondo em volta de seu pescoço, pegou minha mochila no chão e me arrastou até á sua casa que era bem próxima do colégio.

Andamos em silêncio até sua casa, eu mancando e ele com uma cara de poucos amigos, afinal eu nunca tinha deixado de contar nada para o meu melhor amigos e aquela foi à primeira vez que eu não queria falar. Com certeza ele estava chateado comigo, mas eu precisava processar tudo que tinha acontecido.

Esse clima durou por quase dez minutos ate chegar a sua casa que se encontrava em um enorme prédio e sem elevador. Vitor me ajudou a subir as escadas e percebi que ele me encarava com um semblante desconfiado, imaginei que ele estava curioso com aquela situação e mais ainda por eu estar me mantendo calado, lá no fundo ele sabia que algo de muito grave tinha acontecido porque eu nunca agia daquele jeito, mas eu precisava daquele tempo.

Chegamos ao quinto andar e Vitor retirou a chave de seu bolso e abriu a porta e foi direto para seu quarto levando com ele minha mochila, fui atrás sem falar nada. Naquela hora não havia ninguém na casa dele, afinal ele morava apenas com o pai e esse trabalhava o dia todo.

Quando cheguei ao quarto, Vitor estava em pé de braços cruzados perto da porta, resolvi não dar atenção ao seu semblante preocupado e fui mancando ate sua cama onde me sentei colocando a perna machucada pra cima soltando um gemido, Vitor se aproximou e se sentou ao meu lado e ficou me encarando com seu olhar mais duro.

- Me fala o que aconteceu.- Pediu ele com uma seriedade enorme me deixando menos a vontade ainda.

- Bem... -Tentei enrolar, como ia dizer que passei por uma humilhação daquela?O Vitor ia me estranhar. Olhei ao redor e tentei secar meu rosto com a palma da minha mão e nisso vi que ela estava toda machucada e ainda sangrava, fiquei encarando aquela ferida aberta tentando inventar alguma desculpa e me safar daquela situação tão constrangedora, mas Vitor não estava para brincadeira.

- Me fala!-Gritou ele morrendo de raiva e sem nenhum pingo de paciência para esperar uma resposta.

Fechei meus olhos sentindo as lágrimas voltarem a descer por meu rosto e funguei tremendo. Não queria falar sobre isso, não estava pronto e estava com mil pensamentos passando na minha cabeça, eu precisava de um tempo para processar aquele dia e voltei meu rosto para meu melhor amigo o encarando com os olhos vermelhos.

- Não quero falar sobre isso agora.

- Por que não?O que você andou aprontando Sammy?- Vitor segurou meu braço em sinal de sua amizade, querendo dizer que estava ali para me ouvir e me ajudar.

- Desculpa Vitor, mas eu não vou falar disso agora.

- Não confia mais em mim?- Sua voz estava tão triste e seu semblante tão infeliz que me senti um monstro em fazê-lo se sentir daquela maneira, mas o que eu poderia fazer?Ele nunca poderia me ajudar naquele tipo de assunto.

- Desculpa. - Disse eu entre o choro. - Eu sinto muito.

- Não se preocupe. - Ele passou a mão nos fios de seu cabelo molhado em sinal de desapontamento e frustração e se levantou sem olhar pra mim. - Quando você tiver confiança em mim, eu estarei aqui para te escutar. - Dito isso ele saiu do quarto.

Meus olhos se encheram de lágrimas mais uma vez, o Vitor pensava que eu não confiava nele, ele era meu melhor amigo e eu não podia falar sobre um assunto tão delicado, não antes de processar tudo que tinha acontecido e principalmente entender por que eu tinha gostado tanto de ficar com aquele lunático. Me encolhi no meio das cobertas e chorei a tarde toda amaldiçoando aquele maldito Evan Demian.

Continua...

29 de Agosto de 2019 às 20:05 0 Denunciar Insira 1
Continua… Novo capítulo Todas as Quintas-feiras.

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