Mandy e o roubo da energia sobrenatural Seguir história

insaneboo Boo Alouca

Mandy, Phineas, Ferb e seus amigos, agora precisam lidar com seus desafios pessoais da vida adulta, enquanto enfrentam sérios problemas profissionais. Amadurecer não é fácil e o futuro não é tão bom quanto sonharam na infância. Quando trabalhar para o governo se torna insustentável e toda a energia sobrenatural começa a sumir do planeta, Mandy e os irmãos Flynn-Fletcher se unem para trazer a sua realidade os únicos capazes de assustar o presidente e impedir uma Terceira Guerra Mundial: Rick Sanchez e Morty Smith.


Fanfiction Desenhos animados Para maiores de 18 apenas.

#slowburn #Mandy #NergalJr #BillyeMandy #As-Terríveis-Aventuras-de-Billy-e-Mandy #Phineas-e-Ferb #Rick-e-Morty #crossover #família #fanfic #mistério #258 #381 #sobrenatural
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O recado do Ceifador

N/A: Olá pessoinhas!

Faz tanto tempo que não piso aqui, estou até com o frio na barriga da primeira vez.
Não vou entrar em muitos detalhes, mas sumi do site porque passei um período péssimo psicologicamente. Porém a saudade de fanficar bateu e aqui estou eu, tentando resgatar meu ânimo de outrora com um crossover das minhas animações prediletas.

Quem quiser reassistir as sete icônicas temporadas de As Terríveis Aventuras de Billy e Mandy, eu tenho o link de um canal onde tem tudo completinho e com boa qualidade. Porém não sei mais se posso postar links de fora do site por aqui, então fiquem a vontade pra me chamar no privado e pedir, ok?

Boa leitura o/


****



CAPÍTULO 1

O RECADO DO CEIFADOR


20 de junho de 2024

Mandy. Base secreta do governo, Sul do Havaí, Atol de Palmyra.


Éramos uma célula de elite do governo até esse dia. Mas antes do fim da tarde, dos 200 habitantes da ilha — entre eles, 150 dos cientistas mais valiosos dos Estados Unidos — apenas duas pessoas sobreviveram.


O dia que antecedia o começo do verão em território norte americano, começou tranquilo. Comum, dentro da realidade do Atol.


Nosso trabalho ali era lidar com situações emergenciais fora do padrão. O esquadrão de controle e combate da anormalidade, o presidente costumava nos chamar.


Sabe o limite do que as pessoas acreditam existir ou ser possível? Nossa missão era administrar isso. Manter no lugar — Mas vez ou outra flexionavamos, expandindo ou diminuindo um pouquinho, de acordo com interesses governamentais.


Já viu um mutante ou alienígena andando pela rua? Não vale dizer que ouviu alguém dizer que já ouviu algo assim ou citar relatos sensacionalistas mirabolantes, sem nenhuma prova.


Já viu edifícios inteiros desaparecerem sem deixar rastros? Já deu de cara com Poseidon numa praia?


Dependendo da época em que estiver lendo isso e do tipo de pessoa que você for, é muito provável que não.


Mas já ouviu falar em fantasmas, certo? Ainda que talvez não acredite, ou nunca tenha visto um pessoalmente. Agora pense um pouco, o quanto tem certeza palpável sobre isso, a despeito de todo o furor sobre o assunto?


É porque alguém quis que se sentisse assim, com tamanha margem de dúvida.


Muitos alguéns, na verdade.


Éramos parte vital da agenda de manobra das massas. Especializados em varrer para baixo do tapete e criar grandes cortinas de fumaça ocasionais.


A organização era muito mais antiga que minha entrada ali, mas minha chegada alavancou os progressos. Eu tinha do que me orgulhar, afinal.


Controle, aventuras peculiares, prestígio, destaque e pessoas para mandar. Ah, dinheiro também, é claro. Meu eu de dez anos, diria que íamos muito bem. Chegamos aonde queríamos chegar.


Eu nunca tive talento para mocinha convencional moralista.


— O problema com o vulcão 47 foi resolvido. O risco de erupções em massa não existe mais.


Doutor Turner e seu jaleco amassado emparelharam comigo num corredor, a caminho da sala de reuniões, onde haveria o balanço de progresso semanal.


Ou o que devia ser o Doutor Turner.


— Não vou nem perguntar o que deu errado com a outra forma. — Comecei, sem enrolar. — Precisa ter mais cuidado, Júnior. Está numa ilha cheia de cientistas que vivem de caçar seres como você. Não pode ser tão desleixado.


— Certo. — Ele concordou resignado, ajeitando os óculos sob os olhos de esclera verde.


— E vê se usa umas lentes de contato, a desculpa da reação química não vai colar pra sempre. — Achei que devia arrematar.


Esse é Nergal Júnior. Meio demônio, meio humano. Filho do demônio rei das terras sobrenaturais do Centro da Terra, com a Tia Sis, irmã do pai do Billy.


É menos complicado simplesmente resumir como primo do Billy.


E poder assumir a forma que quiser é uma de suas principais vantagens… Digo, habilidades.


Júnior tem vivido comigo na ilha há quatro anos. Desde que cheguei ali, na verdade.


Mas nossa experiência em dupla precede essa data.


No fim do ensino médio tivemos tempo de admitir que nos interessávamos por peculiaridades um do outro. Pode-se dizer que temos algumas visões básicas e estilo em comum.


Todavia, quando nada o está perturbando, Júnior tende a ter um estado natural mais suave. Não chega a incomodar. Não para quem conviveu com o Billy. E compensa muito a tolerância do dia a dia, pela bela visão de quando ele se estressa.


Mesmo que dê certo trabalho para conter.


Eu sabia que não poderia contar com Billy caminhando ao meu lado, para sempre. Éramos melhores amigos apesar das diferenças, mas elas claramente nos levariam a caminhos diferentes quando saíssemos da infância. Sempre soube disso.


Júnior comprou meus planos de bom grado, desde a primeira sugestão.


Entre indas e vindas, encontros e desencontros em nossas jornadas pessoais, alojamentos de faculdade e esbarrões no submundo, tínhamos considerável tempo juntos acumulado.


Descobrimos como nos divertir bastante.


Era uma boa parceria. Mas é claro que haviam dias de guerra e costumavam ser bem intensos. Amadurecemos e crescemos juntos, dispunhamos de muitas armas um contra o outro.


Brigar era quase brutal.


— O Turner tem plantão nas câmaras de segurança hoje, dê um jeito nisso. Não pode ir. — Decretei quando faltavam poucos passos para a sala de reuniões.


— Por que? — Ele devolveu com naturalidade, nenhum traço de preocupação na voz. Sequer me olhou para dizer.


— Quero conversar com você no fim do meu expediente.


Júnior se colocou a minha frente me impedindo de andar e quase atropelo ele.


— Alguma forma específica que você queira? — Havia um sorrisinho safado muito mal disfarçado no rosto dele.


Eu o segurei pelo braço e puxei para voltar a andar ao meu lado.


— A de sempre, Júnior, eu disse conversar. Se fosse para outra coisa eu teria dito claramente. — Repreendi entredentes.


— Não sei não. Tem marcado essa conversa a semana toda e nunca aparece pra… Falar. Sabe? Isso quando aparece.


Era engraçado como ele se enrolou no meio da frase. As vezes agia com um constrangimento infantil, as vezes despachado demais. Outras vezes, escapava para dentro de si mesmo e ficava quase impossível de acessar.


Talvez, Júnior não ser tão fácil de desvendar, tampouco de manipular, fosse o que o mantinha interessante aos meus olhos, mesmo com o passar do tempo.


Tinha seus atrativos, há de se admitir.


Naquele instante, entretanto, era sua instabilidade que me chamava mais atenção.


Era por isso que vinha adiando a conversa.


Não era de meu feitio priorizar o timing dos outros acima do meu, mas consegui arrumar justificativas plausíveis a mim mesma, para isso, nos últimos dias.


Nesse vinte de junho, nenhuma me veio a mente quando acordei. Então decidi que pararia de enrolar. Lidaria com o que viesse, sempre deu certo.


A verdade era que eu devia ter prestado mais atenção ao meu redor ao invés de gastar foco nisso. Pelo menos naquela manhã.


Essa conversa não deveria ter acontecido, os corredores não deviam estar tão vazios àquela hora.


Júnior pareceu fazer menção de me cobrar uma posição, um comentário. Escapei mais uma vez, pois alcançamos a sala de reuniões e nossa conversa cessou como se nunca houvesse existido.


Ele assumiu a postura do Doutor Turner perfeitamente, me cumprimentou quando abriu a porta para mim, distante como esse funcionário sempre costumava ser.


Os poderes de Júnior nesse âmbito, apenas o permitiam assumir uma nova forma física. Suas habilidades de atuação e modulação de voz, vieram de grande esforço próprio e treinamento ao longo dos anos.


Dava orgulho de apreciar o resultado do meu trabalho como professora.


Passei sem responder ou olhá-lo e assumi minha cadeira na cabeceira da grande mesa. Um estagiário trouxe café. Também falou algo cordial, sem esperar resposta alguma.


Eu era líder da instalação há tempo suficiente, para que ninguém esperasse de mim o que não viria.


Júnior assumiu a cadeira do Doutor Turner e alguém me perguntou se poderíamos começar.


— Não. Vamos esperar chegar todo mundo.


Odiava ter que repetir pautas no fim das reuniões, porque alguém se atrasou ou se perdeu num lugar onde já vivíamos há anos.


Depois de uns minutos de espera, resolvi fazer alguma coisa, antes que o barulho do Júnior batendo a caneta na mesa, entediado, me fizesse atirar alguma coisa nele.


— Procure os que estão faltando e traga-os aqui. — Ordenei ao estagiário que me serviu café.


Os restantes na mesa engoliram em seco pelo destino de seus colegas. Júnior quase saiu do personagem quando engoliu uma risadinha.


Foi aí que começou.


Foi apenas o tempo de chamar o elevador. Ouvimos o sutil sinal sonoro que emite quando isso acontece. Então o grito de horror e o estagiário voltou correndo para dentro da sala.


Tão apavorado que quase se esquecia de respirar para dizer:


— Estão mortos, senhorita Mandy. Todos mortos.


Me levantei tão rápido que joguei a cadeira para trás.


Júnior fez o mesmo, mas até me alcançar, do canto da sala distante da porta, eu já havia chegado ao corredor e parado a porta do elevador, antes que tornasse a fechar.


A visão era a pior possível, poucos seres humanos teriam estômago para aquilo. Dois homens e uma mulher. Aos pedaços. Literais pedaços. O elevador parecia uma liquidação de açougue.


Algo os mastigou sem piedade.


Quando olhei para Júnior ao meu lado, ele estava tão chocado quanto eu.


Não pela cena, obviamente, já tínhamos visto muito pior. E sim pelo que provavelmente teria causado aquilo.


Se nosso palpite silencioso estivesse correto, estávamos todos correndo sério risco de vida. Ele incluso, porque a desvantagem de ser apenas meio demônio, consistia que Júnior não era imortal.


Senti o celular vibrar no meu bolso. Seja lá quem fosse, não podia ter escolhido hora pior.


Não olhei para ver quem era. Corri para meu escritório, apenas troquei um mero olhar com Júnior, ele entendeu o que devia fazer.


Voltou para a sala de reuniões e instruiu cada um ali com o protocolo de emergência adequado.


Eu apertei o alarme, pus o headset e tirei as pistolas da gaveta.


Enchia os bolsos do jaleco com cartuchos extra, enquanto tentava contato com alguém. Nada vinha como resposta.


Cogitei fazer uso do cordão sob minha roupa e desisti no mesmo instante. Decidiria com mais certeza depois de pôr meus olhos no foco da situação.


Se sobrevivesse a tal ato.


Júnior se preparava para entrar em minha sala quando abri a porta, quase lhe tirando o equilíbrio.


— Eu vou com você. — Disse sem hesitar.


Sabia que não precisaria pedir, já esperava vê-lo ali.


— Checou as outras salas desse corredor?


— Vazias. Todas.


— Eles descobriram a causa?


— O sistema das câmaras de segurança máxima falhou. Não estão conseguindo restaurar, mas vão continuar tentando.


Tomamos um segundo para puxar uma boa quantidade de ar, antes de abrir a porta para as escadas de emergência e prosseguirmos com cautela.


As luzes caíram naquele instante. Os geradores fizeram um esforço para segurar, mas também falharam eventualmente.


Soubemos assim que aquilo que causou a falha dos sistemas da câmara de segurança, estava avançando em danificar os demais.


Júnior segurou minha mão e ouvimos sons grotescos guturais, seguidos de gritos, barulhos de coisas se quebrando e sendo arremessadas.


Vinha de trás de nós. Era aquele andar. Mais precisamente, o corredor que acabamos de deixar e mal nos mantinhamos a metros de distância.


Não era seguro voltar e pelo estado do elevador, avançar não inspirava uma recepção mais convidativa.


— Que merda está havendo!? — Júnior bradou num sussurro gritado, temeroso.


— Essa é uma boa hora pra original. — Eu o alertei


— Não! — Ele exclamou subitamente determinado. — Não está tão ruim assim, a gente dá conta sem.


Funcionou como fator motivador.


Júnior era uma arma incrível quando carregado das razões certas. Mas no fundo, estava decepcionada. Todo aquele tempo juntos e ele ainda não me deixava ver a real forma dele.


A forma demoníaca completa com a qual havia nascido.


Chamávamos de “a de sempre” a forma pela qual o conhecemos na infância e ele costumava manter como sua aparência humana.


Diz a lenda que é a forma do primeiro ser humano que Júnior entrou contato ao pisar na superfície da Terra. Júnior assumiu sua forma e o matou porque não foi legal com ele sobre sua aparência.


Ou talvez esteja apenas possuindo-o esse tempo todo. Ninguém tem certeza, Júnior não gosta de tocar no assunto.


Na época, ele tinha sérios problemas para fazer amigos.


Sem soltar minha mão, ele me puxou escadas a baixo. Não nos perdermos um do outro, era uma chance a mais de sobreviver, tínhamos plena certeza disso, então não questionei seu ato.


Tiramos os sapatos em determinado ponto, tentando ser mais discretos.


O escuro não era um problema intransponível. Conhecíamos aquele prédio como nosso próprio corpo e Júnior podia enxergar muito bem no escuro.


Eu contava os degraus, baixinho, para saber quando acabava e terminava um novo lance de degraus entre os andares.


Usar a lanterna de nossos celulares não era uma opção. Vê-los significava sermos vistos de volta e perder o elemento surpresa.


Era melhor contar com as habilidades sensoriais do Júnior, cujos tentáculos eu sentia me esbarrar vez ou outra em sua busca por possíveis alvos.


Depois de uns três andares, Júnior me sussurrou:


— Quem você acha que escapou?


— Torce para não ter sido o Kraken…


Ele não teve tempo de me rebater.


Na curva seguinte, antes de pisarmos o primeiro degrau desse novo andar, barulhos de asas podiam ser ouvidos.


— Você dá conta? — Perguntei o mais baixo possível, bem ao pé do ouvido dele.


Ele apertou minha mão e então a soltou. Já era um sinal que eu entendia como um sim. Dei dois grandes passos para trás.


Gostaria muito de ter visto com clareza o que aconteceu.


Apesar de a essa altura meus olhos já terem razoavelmente se acostumando à escuridão, vultos de movimento em sombras, não compensavam a perda de nitidez da cena que era Júnior varrendo no mínimo umas cinco criaturas aladas do teto com os tentáculos.


— O que são? — Perguntei quando tive certeza de que estavam todas paralisadas.


— Fadas selvagens. — Ele respondeu sem emoção e ligou a lanterna do celular, me fazendo virar o rosto quando a apontou pra mim. — Achei que faria questão de treinar pontaria no escuro. Você é boa.


Júnior completou se sentando no chão.


— Não estou afim da adrenalina de arriscar a vida hoje.


Ele me olhou com completa estranheza.


Guardou sete dos tentáculos e fechou os olhos.


Eu sabia que fazia isso para se concentrar exclusivamente nas informações que buscava do tentáculo restante, o qual esticava ao máximo, deixando-o vasculhar o próximo andar por nós.


— Consegue ir até o salão de entrada?


Ele fez que não com a cabeça, antes de completar.


— Não com ele inteiro. Posso cortar se quiser.


Eu gostava bastante do tom subserviente que ele aprendeu a usar comigo com o tempo. Apesar de saber que ele fazia por interesse, por saber que eu gostava e era uma boa entrada para negociar.


E também, por saber que nasceria um novo tentáculo em poucos dias, caso perdesse um.


— Qual a situação do próximo andar?


— Sitiado. — Ele resumiu simplista.


— Por fadas selvagens?


Júnior apenas deu uma risada curta.


Eu entendi que deviam ter no mínimo umas três espécies de criaturas diferentes, só naquele andar.


Provavelmente piores que as fadas.


Ele recolheu o tentáculo, eu chutei umas fadas selvagens para o lado e me sentei a sua frente.


Júnior me olhava como se esperasse uma estratégia de ataque ou uma permissão para criar uma ele mesmo. Minha mão mais uma vez cogitou o cordão sob minha roupa.


Não o usava fazia muito tempo. Bons anos.


E naquele dia, também não precisei usar.


Antes que eu pudesse fazer isso um vórtice de energia surgiu rodopiante entre nós.


O justo vórtice que eu pretendia invocar.


Nenhum de nós se mexeu. Eu já tinha experiência o suficiente para não me abalar com aquilo e Júnior sendo metade ser sobrenatural, reconheceria uma espiral de energia das trevas em qualquer lugar.


Puro Osso surgiu em plena forma, quando o vórtice desvaneceu.


Ele sempre gostou de entradas triunfais sobre o caos, afinal.


— Menina, porque não atende o celular? — Seu tom grave e repreensivo ecoou pelas paredes da escadaria.


O barulho das criaturas no andar de baixo, se agitando, o respondeu.


— Que diabos está acontecendo aqui?


Puro Osso questionou enquanto eu enfim pegava meu celular e via umas quatorze chamadas perdidas do Billy.


Quatorze só naquele dia. Eu o vinha ignorando a semana inteira.


— Puro Osso, quantos vivos tem no prédio? — Disparei abruptamente, depois de um alto barulho de estouro nos sobressaltar.


— Hum… Deixa ver… — Ele ponderou suas sensações, como quem tem toda calma do mundo. — Uns vinte e sete. Não, espera. – Novo barulho alto. — Quinze. Ah não, só num minuto… Dez. Não, são cinco, agora tenho certeza.


Um breve silêncio da parte dele e Júnior se arriscou a perguntar:


— Ainda cinco?


— Não. Agora são três. — Puro Osso respondeu muito calmo.


— Como vamos passar pela centena de monstros que estão lá fora? — Júnior enfim parecia preocupado.


— Ao velho estilo.


O Ceifador estava quase orgulhoso ao dizer.


Com sua foice abriu um portal de energia verde rodopiante a frente. Puxou eu e Júnior do chão e ali nos atirou, antes de entrar também.


A sensação era da agonia de uma grande queda, mas foi muito rápida.


Quando dei por mim novamente, estávamos no lado de fora do prédio, encarando a construção das areias quentes da ilha, com o mar quase alcançando nossos pés.


Mesmo visto de fora, a destruição já era nítida.


— O que vamos fazer agora? — Júnior perguntou, claramente já prevendo a resposta.


Ajeitei o headset e lancei mão do celular.


A chamada que fiz não completou, mas pude deixar o recado.


— Senhor, aqui é Mandy, a líder da unidade de Palmyra. Temos um código branco fora de controle, sem mais sobreviventes. Acionando o protocolo de limpeza. Aguardo contato.


E assim que terminei, atirei o headset no mar e comecei a mexer na configuração de um aplicativo muito específico do celular.



— Tem certeza? — Júnior questionou, mas sem ousar me parar.


Nada respondi. Apertei o botão, o prédio implodiu frente a nossos olhos e começou a pegar fogo. Os grunhidos doloridos das criaturas era incômodo.


— O que é isso? — Júnior perguntou levando a mão a cabeça, os joelhos fraquejaram e se dobraram na areia.


— O gás da câmara sete. — Tive tempo de responder antes de ir pelo mesmo caminho.


Meu corpo já estava totalmente deitado e quase intoxicado por completo, quando a última coisa que me lembro de ter visto, foi Puro Osso se debruçando sobre mim para informar o motivo de sua visita.


— Tenho uma alma para ceifar amanhã, Mandy. Precisa dizer adeus ao seu pai. Vou levar vocês pra casa.


28 de Agosto de 2019 às 17:42 0 Denunciar Insira 2
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