A morte do defunto Seguir história

sahsoonya Sarah M

[Conto / Terror] Um breve relato da noite em que Cidão tentou pôr juízo nas cabeças de adolescentes


Conto Todo o público.

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A morte do defunto

Era quase meia noite quando os jovens adentraram o cemitério. Cidão os viu perambular pela entrada rindo e pulando como se estivessem num parque.


Ele observou um tanto curioso um dos garotos dançar sobre um túmulo, enquanto uma das moças gritava: “Ei, Antônio, desce daí que você vai acordar os mortos!”


Acordar os mortos... Que coisa ridícula! – pensou.


Andando sempre um pouco mais atrás afim de não ser descoberto, Cidão seguiu-os até certo ponto, onde decidiu ir embora, afinal, nada de interessante parecia estar prestes a acontecer ali mesmo. Quando se virou disposto a voltar, ouviu um conjunto de risadinhas, depois um estrondo, e voltando-se para a direção dos risos notou que os garotos, que pareciam extremamente embriagados, estavam golpeando um dos túmulos com uma pá que acharam por acaso no chão.


Aquilo era mesmo uma falta de respeito. Cidão decidiu ir até lá colocar um pouco de juízo na cabeça dos jovens e aproximando-se, disse:

- Deveriam largar essa pá.


De súbito um dos garotos desmaiou. Todos começaram a gritar e Cidão agitou as mãos no escuro.


- Desculpe, eu não pretendia assustar vocês... Eu só estava passando e os vi...


Uma das garotas apertou os olhos para melhor ver o homem que aproximava-se na escuridão, e após ver que se tratava de um simples andarilho, sibilou aos outros:

- Acalmem-se, imbecis, é só um homem que estava de passagem. Vejam! Ele não é alma penada. Jonas, abra os olhos!


- Boa noite. – disse Cidão um tanto relutante, enquanto um dos garotos abaixava a pá e as meninas riam do amigo que desmaiara de tanto susto.


- Poxa, cara, quase que você nos mata de susto! – disse Jonas.


- Você é segurança aqui? – questionou o rapaz que recuperava-se do tombo. – Vai multar a gente?


- Longe disso meu jovem, eu só gosto de caminhar por aqui... Não vou encrencar ninguém...


Eles suspiraram aliviados.


- Mas, vou dar um conselho...- completou Cidão com o dedo indicador levantado.


Os garotos se entreolharam.


- Não deveriam bater essa pá assim, alguém pode se machucar.


Um dos garotos começou a balançá-la de um lado para o outro, como para desafiá-lo. Cidão sorriu, em seguida, prosseguiu:


- Foi assim que acabei morrendo...


O choque foi total. Antônio voltou o olhar para Cidão e os garotos permaneceram estáticos.


- V... Você está brincando, não é? – disse Jonas com a voz trêmula.


- Não meu jovem, veja! Meu túmulo é esse aqui...


Ele apontou então a lápide que trazia nitidamente sua foto e o apelido “Cidão” na inscrição. O brilho da lua cheia pareceu se dissipar completamente e aterrorizada, a molecada saiu em uma carreira até a saída, gritando a plenos pulmões coisas do tipo: “Socorro! Fantasma! O diabo está aqui!”.


Cidão os observou fugir em silêncio. “Por que será que as pessoas sempre reagem assim ao conversarem comigo?” – pensou.


Juca veio caminhando em meio ao breu da noite e cumprimentou o amigo, dizendo:

- Linda noite, não, Cidão?


- Pena que aqueles garotos fugiram... Eu queria conversar...


- Sei como se sente. Imagine o que acontece quando eu tento falar com as pessoas... Elas fogem feito o diabo foge da cruz.


- Não consigo entender por que... – tornou Cidão confuso.


Cidão e Juca puseram-se a caminhar pelo cemitério, jogando conversa fora, enquanto ocasionalmente, Juca parava para apanhar seu braço que caía.


Quanto aos jovens, não se sabe ao certo se chegaram bem em casa ou se sua sanidade permaneceu intacta. Mas, uma coisa era certa: jamais voltaram a pôr os pés num cemitério, pelo menos não em vida.

27 de Agosto de 2019 às 03:43 0 Denunciar Insira 2
Fim

Conheça o autor

Sarah M Apenas uma pessoa que ama as palavras e o poder que elas possuem. KPOP, ROCK, ANIME, DORAMA, GAMES, POETRY, HORROR MOVIES, ENGLISH, KIDS EXO - KAISOO "I would prefer not to" - Bartleby the scrivener (Herman Melville)

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