S05#21 - ELA VAI TER UM BEBÊ... EU UM ATAQUE! Seguir história

lara-one Lara One

Na vida de um homem, ser pai é uma grande responsabilidade. Na vida de Mulder, ser pai pode ser muito mais difícil...


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S05#21 - ELA VAI TER UM BEBÊ... EU UM ATAQUE!

INTRODUÇÃO AO EPISÓDIO:

[Fade in]

[Som de burburinhos]

[Fade out]

A sala do tribunal cheia. Os Pistoleiros, Suzanne, Scully, sua família e até Cookie. O Canceroso e o sindicato. Krycek e Marita. Carter, Kersh e agentes do FBI. O Caçador. Samantha, Teena e Bill Mulder.

No júri, apenas uma menininha de uns cinco anos, usando vestido e chuquinhas, que observa curiosa.

Corta pra Mulder sentado no banco dos réus, cabisbaixo.

O juiz Skinner, em trajes típicos da profissão, dá uma martelada forte, pedindo silêncio.

[Som: David Bowie - Underground]

Corta para o advogado de defesa que entra pela porta do tribunal, passando entre olhares curiosos. É o músico David Bowie, com cabelos arrepiados e longos (como no filme Labirinto, onde fazia o Rei dos Duendes), vestido como advogado. Ele para na frente de Mulder, cantando e encenando a letra.


No one can blame you...For walking away...Too much rejection...No love injection...

(Ninguém pode culpar você por caminhar pra longe. Tanta rejeição, nenhuma injeção de amor.)

Bowie vira-se para a plateia de braços abertos.


Life can be easy... It's not always swell...

(A vida pode ser fácil...Isto nem sempre é formidável...)

Bowie vira-se para a menininha do juri.


Don't tell me truth hurts, little girl...'Cause it hurts like hell

(Não me faleverdades que doem, garotinha...Pois isto dói como o inferno)

Bowie olha pra Mulder e aponta para o Sindicato. Mulder o observa atento.


But down in the underground (oh oh oh oh oh)You'll find someone true (down underground)

(Mas abaixo no subterrâneo você encontrará alguém de verdade)

Bowie aponta para a menina no júri. Mulder olha pra ela.

Down in the underground (oh oh oh oh oh)A land serene... A crystal moon, ah, ah

(Abaixo no subterrâneo. Uma terra serena, uma lua cristalina)

Bowie entrega pra Mulder uma bola de cristal. Mulder olha pra dentro da bola e vê a menina do júri, presa, gritando algo que ele não escuta.


It's only forever... Not long at all... Lost and lonely... That's underground... Underground

(É apenas pra sempre, não muito tempo. Perdido e solitário. Isso é o subterrâneo... Subterrâneo)

Mulder continua observando a bola de cristal. Sombras negras envolvem a garotinha. Mulder levanta-se desesperado e deixa a bola espatifar-se ao chão. Sangue começa a escorrer. Mulder olha pra menina do júri. Arregala os olhos. Bowie envolve a menina num abraço, num sorriso maligno. A menina grita desesperada olhando pra Mulder.


Daddy, daddy, get me out of here!!!! (heard about a place today)

Papai, papai, me tire daqui!!! (ouvi sobre um lugar hoje)

I, I'm underground (nothing never hurts again)

Eu, eu estou no subterrâneo (nada nunca machucará novamente)

Corte.


Mulder dá um grito e cai da cama. Scully que assistia TV, olha assustada pra ele. Mulder, ainda meio dormindo, senta-se no chão, cabelos revirados. Olha pra TV.

[Na tela o filme Labirinto, cena onde David Bowie segura o bebê nos braços.]

Mulder, arregala os olhos, aterrorizado, pega a arma da cômoda e sai dando tiros na televisão que explode. Scully pula da cama, segurando a barriga aos gritos, apavorada. Mulder cai em si, ficando numa cara de pânico. A TV destruída, saindo faíscas. Scully olha pra Mulder.

SCULLY: - (FURIOSA/ GRITA) Eu não sabia que odiava tanto assim o David Bowie! Deveria ter me avisado!

A porta do quarto se abre. Meg entra de camisola, assustada, com bobs nos cabelos e creme amarelo no rosto, segurando um facão. Mulder dá um berro, apavorado.

SCULLY: - (GRITA/ ASSUSTADA) Não atira, não atira! É a minha mãe!!!

VINHETA DE ABERTURA: A VERDADE ESTÁ LÁ FORA...



BLOCO 1:

Virgínia – 6:39 A.M.

Scully bebe um copo de leite, comendo biscoito. Meg faz o café, nervosa.

MARGARET: - Quase engoli meu coração... Quando ouvi tiros e gritos, dei um pulo da cama e peguei aquele facão que escondo no armário... Pensei que o 'fazedor de fumaça' estava na casa... Até os pelos do meu braço se arrepiaram.

SCULLY: - (INDIGNADA) E eu? Mais uma dessas e eu acabo parindo na mesma hora. De susto!

MARGARET: - Ele está tenso, Dana. Precisa dar mais atenção pra ele, conversar. Fox está cheio de problemas. Leva todos eles pra cama. Só pode terminar em pesadelo.

SCULLY: - O Mulder me paga... Vou lá tentar acordá-lo de novo ou vai perder a hora.


FBI – 8:21 A.M.

[Som: Talking Heads – Wild Wild Life]

A porta do elevador se abre. Mulder sai do elevador às pressas. Cabelos desgrenhados, a gravata torta, a lapela do terno pra dentro. Olhos inchados de sono. Corre às pressas, resvalando nos sapatos pelo corredor, segurando-se na porta da ante-sala de Skinner. Entra. A secretária olha assustada pra ele.

MULDER: - (SORRISO) Bom dia!

SECRETÁRIA: - Bom dia, agente Mulder. Ele está zangado.

MULDER: - (SORRI) É... Ahn...

Mulder abre a porta de Skinner e espia pra dentro.

MULDER: - Com licens...

Mulder fecha a porta rapidamente. O estrondo de algo se estatelando contra a porta pelo lado de dentro faz a secretária pular da cadeira e Mulder cerrar os olhos, mordendo os lábios. Mulder abre lentamente a porta e espia pra dentro. Entra. Passa entre os cacos de um cinzeiro quebrado. Fecha a porta. Skinner, de braços cruzados o encara furioso.

MULDER: - (PIGARREANDO) Bom dia!

SKINNER: - (SÉRIO) Boa tarde.

MULDER: - É que... Eu tive um problema com o carro e me atrasei pra reunião... Não avisei porque esqueci o celular e...

SKINNER: - (GRITA) Cale a boca, Mulder!

Mulder se encolhe, olhando pra ele com o rabo dos olhos.

SKINNER: - (GRITA) Ficou quase uma semana fora do FBI fazendo sei lá o quê e aonde! Quando volta, já no segundo dia chega atrasado.

MULDER: - Eu posso me explicar com...

SKINNER: - Não vai se explicar com ninguém. Dei o caso para outro agente resolver.

MULDER: - Mas, Skinner, eu queria resolver o caso e...

SKINNER: - Se tivesse interesse estaria aqui pontualmente às 7:30! Do jeito que está se atrasando todos os dias até parece que mora na Virgínia e não há cinco quadras daqui!

MULDER: - ...

SKINNER: - Mulder o que está havendo com você? É seu câncer? Se for, você sabe que posso afasta-lo. Mas essas atitudes relapsas estão me causando problemas! O pior de tudo é que como não podem demitir você, ficam só reclamando. E adivinha no ouvido de quem? Estou injuriado com isso!

Skinner esmurra a mesa. Mulder arregala os olhos.

MULDER: - ... Desculpe, Skinner. Não vou mais chegar atrasado. Sei que tenho sido relapso com o FBI. Mas assumi outras responsabilidades, virei um homem de negócios e não estou conseguindo atender todas elas. Mas eu prometo, vou me organizar.

SKINNER: - Eu suspeito dos seus 'negócios', Mulder. E eles envolvem fumaça. Não serei complacente com você. Não serei mesmo, discordo do que está fazendo! Pois arrume seu terno, sua gravata e seus cabelos. Tem um caso pra você em sua mesa há uma semana e até agora não vi você mexer um dedo pra resolve-lo. Tem 24 horas pra fazer isso. Quero você em Nebraska hoje. E acredite que se não for, eu mesmo vou relatar isso à diretoria.

Mulder caminha até a porta, mas se esquece de abrir. Dá com o nariz na porta. Skinner olha pra ele assustado. Mulder esfrega o nariz, abre a porta e sai. Suspira. Olha pra secretária, enquanto esfrega o nariz.

MULDER: - Queria que o dia tivesse mais de 24 horas.

SECRETÁRIA: - Por quê?

MULDER: - Porque 24 horas não chega pra tudo que tenho que fazer num dia.

Ela sorri pra ele. Mulder sai, arrumando o terno. Olha para o relógio.

MULDER: - (PÂNICO) Droga! O helicóptero! A reunião!

Mulder sai correndo. Aperta o botão do elevador. Desiste. Desce pelas escadas, às pressas. Revira o bolso do paletó. Procura as chaves, desesperado. Coloca a chave na fechadura, todo atrapalhado. Entra correndo no escuro, tropeça no cesto de lixo, pega a valise e sai correndo, trancando a porta.


Virgínia - 9:03 A.M.

Scully, no quarto, sentada numa cadeira, passa suavemente creme pela barriga.

SCULLY: - ... E não foi como eu queria que fosse. Mas agora eu percebo que há uma coisa muito mais rica nisto, do que no modo como eu queria: Você foi desejada antes mesmo de estar aí dentro... Como diria seu pai, você nunca foi um acidente de percurso. Você foi planejada, amada, esperada... Eu sonhava com você, eu imaginava você aí dentro... Seu pai traçava planos pra ocultar você, ele chorou noites inteiras porque tinha medo de que você nunca viesse...

Scully fecha a roupa. Levanta-se. Ajeita as almofadas e deita-se na cama. Continua afagando a barriga.

SCULLY: - Sabe, depois que colocamos você aí dentro... Depois que resolvemos um pequeno problema dos Pistoleiros... Fizemos amor. Mas de uma forma diferente, filhinha... Me lembro das mãos dele enlaçadas nas minhas, do amor que vibrava ali, tentávamos fingir que aquela noite seria como se fosse sua concepção, de uma forma natural... Ainda me lembro que estava meio dormindo, desperta de um sono estranho onde seu pai estava nele... eu sentia uma mãozinha segurando a minha... já era madrugada e parecia que havia uma luz dentro do quarto, algo diferente... Senti um calor enorme dentro da minha barriga... (SORRI) Acho que senti sua alma...


Nova Iorque – Rua Este 46 - 10:09 A.M.

Mulder e Krycek no corredor cochicham um com o outro.

KRYCEK: - (OLHANDO PRO RELÓGIO) Estou aqui desde cedo. Eles estão aí dentro trancados a manhã inteira.

MULDER: - Todos?

KRYCEK: - Menos Garganta Profunda.

MULDER: - Ouviu algo? O que estão tramando?

KRYCEK: - Ouvi apenas 'aviões'. Estão falando muito baixo.

MULDER: - O que será que estão armando?

KRYCEK: - Eu não sei, mas não acho que seja uma festinha.

Barulho da porta se abrindo. Mulder e Krycek se separam rapidamente, virando a cara um pro outro, disfarçando. O Canceroso espia pra fora.

CANCEROSO: - Entrem.

Eles vão entrar, mas da sala saem vários árabes. Krycek e Mulder se entreolham, assustados.

MULDER: - (COCHICHA) Árabes? O que estão negociando com árabes em Nova Iorque?

KRYCEK: - (COCHICHA) Como é que eu vou saber? Nosso negócio são os alienígenas!

Os dois se aproximam da porta. Mulder cede lugar pra Krycek. Krycek cede lugar pra Mulder. Mulder insiste. Krycek insiste. Os dois entram ao mesmo tempo, se esbarrando. Krycek olha pra Mulder.

KRYCEK: - Me faz um favor? Quer tirar fora esse papel higiênico grudado no seu sapato?


Arquivos – X – 1:21 P.M.

[Som: Talking Heads – Wild Wild Life]

Mulder segura o celular no ouvido e o telefone apoiado no outro ombro, a caneta numa das mãos.

MULDER: - (ESTRESSADO) Eu já sei! Eu já sei! Já verifiquei a informação com a fonte e Strughold veio pra cá no avião das 6 da manhã com alguma coisa num tubo criogênico! Aquelas múmias não comunicaram nada nem pra mim ou pra você! Estão armando uma feia! Krycek, você tem que estar nessa reunião!... Espera aí...

Mulder divide a atenção pro outro telefone.

MULDER: - Me desculpe, senhora McGillis. Mas tem certeza realmente de que há um espectro na sua casa? Verificou se ele atravessa paredes?

Mulder anota alguma coisa. Vai pro outro telefone.

MULDER: - Faz assim, rato. Vai você e depois me diz o que ficou estabelecido na reunião. Eu não posso ir, estou sendo retaliado aqui dentro! Estou tão estressado que sonhei com David Bowie cantando pra mim! ... Significado dos sonhos?... Bissexualidade reprimida quem tem é o seu pai!

Mulder vai pro outro telefone.

MULDER: - Está certo, senhora McGillis. Eu estou indo pra Nebraska hoje. Combinado... (PÂNICO) Não, a senhora já me contou tudo, não precisa contar de nov... (SUSPIRA) ...

Mulder volta-se pro outro telefone.

MULDER: - Ele disse isso? Depois de tudo o que passamos naquela missão ele disse isso? Desgraçado! Não foi ele que passou aquela merda toda!

Um terceiro telefone toca. Mulder deixa os dois caírem sobre a mesa e revira o paletó. Pega o celular. Atende.

MULDER: - (SUSSURRA) Agora não... Tá... Tá bom, eu levo leite. Tá, tá certo... Tá, estou ouvindo... Sim, eu encontro... Não se preocupe, você não vai ficar com desejo de manga... Sim, sim, eu vou chegar cedo pra fazer lamaze... Tá, eu compro óleo de amêndoas... Sim, vou jantar com você...

Mulder pega o outro telefone.

MULDER: - Ok, rato. Já estamos combi... Desculpe, senhora McGillis... Continue...

Mulder solta o telefone e pega o celular.

MULDER: - Tá bom rato, eu vou pra Nova Iorque hoje... Ahn, desculpe, é você... É eu tenho que ir pra Nova Iorque... (SUSPIRA) Eu sei, o lamaze, a manga, o jantar, mas... Tá bom, eu vou chegar em casa e vamos brincar de imitar peixe...

Mulder pega o outro celular.

MULDER: - Agora tenho que desligar, rato. Não vou poder ir pra Nova Iorque. Pega o que puder e me diz depois. Se estiverem armando pra cima da gente, vão se arrepender.

Mulder desliga o celular e pega o telefone.

MULDER: - Eu sei que você está com medo, cansada, sozinha, mas eu vou dizer algo pra você: eu te amo. (CORADO) Ahn... Desculpe, senhora McGillis... (CATATÔNICO) Bem, eu... eu sou casado e tenho 40... Não, meus olhos são verdes...

Mulder desliga o telefone rapidamente em pânico. Põe a mão na boca. Atende o celular.

MULDER: - Tá, eu sei que você está sozinha, mas você tem que entender que eu preciso trabalhar, tenho que ficar atento aos movimentos é questão de segurança!!! Imagina se eu falasse com Krycek pensando que estava falando com você! ... Mas Scully, você mais do que ninguém sabe disso!!! Eu tenho um Arquivo X em Nebraska me esperando há uma semana e Skinner quer resultados. (CHATEADO) Tenho uma reunião suspeita em Nova Iorque, uma reunião com os Pistoleiros e você ainda me cobra que eu não te dou atenção porque não vou cedo pra casa pra fazer lamaze?

Mulder recosta-se na cadeira. Passa a mão no rosto. Suspira.

MULDER: - Eu sei. Eu sei... Tá, tá bom... (MAGOADO) Tudo bem, eu vou pra casa pra fazer lamaze... Eu levo a manga...


Pistoleiros Solitários – 6:11 P.M.

Frohike abre as cinco trancas da porta. Mulder entra, abatido, camisa aberta, segurando o paletó sobre o ombro. Langly ao vê-lo, cruza os braços e vira a cara. Frohike está sério. Mulder fica parado em silêncio, olhando pra eles, com cara de cachorrinho pidão. Frohike olha pra ele.

FROHIKE: - Desista. Isso só funciona com mulheres. Eu não sei se prefiro te espancar ou simplesmente ignorar você como um inseto mentiroso.

MULDER: - Frohike, eu expliquei pra você. Não me abandone agora. (OLHA PRA LANGLY) Langly...

LANGLY: - Frohike, acho que tem um mosquito aqui. Não tá escutando um som estranho?

MULDER: - (SUSPIRA) Tá bom, tá bom... Vocês têm o direito de me ignorar, de encerrar nossa amizade. Eu escondi algo de vocês, mas... por favor! Eu e Scully combinamos que vocês iriam saber mais tarde...

FROHIKE: - Ah, então você e Scully, aquela outra safada mentirosa, passaram a decidir sobre o que contar aos amigos... Iam contar pra gente quando a criança tivesse 20 anos?

Mulder dá as costas, triste. Frohike sorri.

FROHIKE: - Mulder!

Mulder vira-se.

FROHIKE: - Sabe que somos seus amigos. Não liga pro Langly, ele só queria ir a um chá de fraldas.

MULDER: - Infelizmente não vai ter chá de fralda. Mas eu deixo as fraldas pra ele fazer chá... Langly, está magoado comigo?

LANGLY: - É... Estou ressentido... Mas em vista da situação você parece ter amadurecido. Agora tá jogando na língua deles. Sabe se é menino ou menina?

MULDER: - Não sei, mas tenho tido uns pesadelos esquisitos com meninas...

LANGLY: -Meninas? Ah! Isso é apenas a idade avançando e transformando você num quarentão idiota.

Mulder fica incrédulo.

FROHIKE: - Ok, vamos parar de lamúrias e jogar a bola na cesta. Mas se for menino vai ter meu nome.

LANGLY: - Pobre da criança... Melvin... HAHAHAHAHAHA... Melvin Mulder... HAHAHAHAHA... Parece nome de comediante!

Frohike olha atravessado pra Langly. Langly senta-se ao computador, rindo. Mulder retira uma folha do bolso.

MULDER: - Copiei de Krycek. Entregamos isso ao chanceler alemão. São as bases de operações secretas dos alienígenas e Strughold. As que estão em vermelho, por algum motivo que não me disseram, estão sendo poupadas.

FROHIKE: - Vamos roubar o sinal do satélite deles pra descobrir que droga é essa. Se escondem algo, vamos saber.

Byers entra. Ao ver Mulder, aproxima-se furioso.

MULDER: - Oi, Byers...

Byers mete um soco na cara de Mulder. Mulder bate contra a parede. Frohike e Langly se metem no meio. Mulder esfrega o maxilar, assustado.

MULDER: - O que eu fiz?

BYERS: - Se tocar um dedo na Suzanne, eu te mato!

MULDER: - Eu não vou matar a Suzanne!

BYERS: - Não foi isso que fiquei sabendo!

FROHIKE: - Byers, quer pensar com a cabeça?

BYERS: - Eu não confio mais no Mulder. Ele trabalha agora pra um governo paralelo!

MULDER: - Pelo amor de Deus, Byers! Eu salvei a Suzanne!

Byers vai pra cozinha. Mulder suspira. Olha pra Frohike.

MULDER: - Frohike... Eu quero chorar. O mundo inteiro caiu em cima de mim!!! Todos me odeiam! Eu estou vivendo uma vida selvagem...

Mulder cai sentado na poltrona e abaixa a cabeça. Põe as mãos no rosto. Frohike espanta Langly pra cozinha e fecha a porta. Senta-se ao lado de Mulder.

MULDER: - Não estou conseguindo servir a dois deuses. Cobranças daqui e dali, e a única pessoa que eu pensei que me entendia, está me cobrando também! FBI e Sindicato. Praticamente tenho dois empregos que me exigem atenção constante. E Scully e o meu filho ficam sem atenção. Chego em casa me arrastando, tiro forças sei Deus de onde pra conversar, fazer carinhos nela... Você sabe, mulheres grávidas são mais sensíveis e não quero errar com ela e meu filho num momento tão importante. E estou errando.

FROHIKE: - Tem certeza? Não recebi nenhum e-mail de Foxy Roxy reclamando. E acredite, ela reclama mesmo.

MULDER: - Tinha uma viagem pra Nebraska, não fui. Um caso atrasado que Skinner tá me cobrando. Então tive que fazer um charme e pedir à Diana que fosse resolver por mim. Uma reunião importantíssima em Nova Iorque entre eles e Strughold sobre a invasão. Deveria ter ido, mas não fui. Não sei o que estão tramando. Agora nunca vou saber mesmo, porque não posso confiar no rato. Pode ser algo contra nós todos. Mas não fui porque Scully me ameaçou por telefone, está me esperando pra jantar, lamaze, óleo de amêndoas... E pelo jeito vai jantar sozinha, porque eu tô tão cansado que nem sei de onde tirei forças pra chegar aqui. Mal consigo dirigir... E eu odeio o torpor do sono, faz a gente ficar desatento e posso cometer um erro crucial e colocar meu filho em perigo.

FROHIKE: - Acha que Scully está exigindo demais de você?

MULDER: - Acho que todos estão exigindo demais de mim. Eu sou um. E estou cansado. Atenção pra vocês e Suzanne, por causa da vacina. Atenção pra aquele canalha fumante e sua gangue. Atenção pro FBI, atenção pra Scully, pro meu filho e até pro cachorro que não anda batendo bem da cabeça. Eu estou esgotado! ... Droga, esqueci de pagar a conta da luz! Por que não deixei débito em conta? Por que sou idiota?

FROHIKE: - Você precisa de uma boa noite de sono, Mulder. E amanhã vai sentir-se novo em folha. Encare assim: nada é pra sempre.

MULDER: - Não foi o que David Bowie me disse.

FROHIKE: - ???

MULDER: - Até isso... Aquele anjo desgraçado que tem um senso de humor negro, tá me avisando de alguma coisa e isso tá me deixando nervoso, porque não consigo mais raciocinar de cansaço! Por que usou David Bowie pra isso?

FROHIKE: - ??? Mulder, do que está falando? Bateu a cabeça? O que tem o David Bowie a ver com conspirações? Bom, ele é o Starman, será que é algo a ver com aliens? Não. Acho que você está vendo cabelo em cabeça de Skinner. Um sujeito estafado vê coisa onde não existe... Com tanta mulher gostosa pra sonhar e vai sonhar com homem?

Mulder levanta-se.

MULDER: - Preciso ir pra Virgínia ainda. Sinto, mas hoje vou de carro, sem aquela coisa de dois táxis, me esquivando... Não me aguento mais em pé.

FROHIKE: - Vai com calma, Mulder... Por que não conta ao Skinner? Perdeu a confiança nele?

MULDER: - Não. Skinner está por um fio. Quero protege-lo. Krycek está doido pra mata-lo. Só quero poupar Skinner.

Mulder abre a porta e sai. Frohike olha pra ele com piedade.

Corte.


Mulder sai da casa dos Pistoleiros.

Corta para o carro preto estacionado adiante, faróis desligados. Quando Mulder toma a rua, o carro parte atrás dele.


7:28 P.M.

[Som: Talking Heads – Wild Wild Life]

Mulder dirige, os olhos quase se fechando. Algumas vezes cochila na direção. Acorda-se. Olha pelo retrovisor, mas não assimila o carro que o segue à distância. Cochila novamente.


Virgínia – 7:46 P.M.

Scully abre a porta, num sorriso. Mulder força um sorriso.

SCULLY: - Oi! Sabia que eu ganharia de todos.

MULDER: - (CONTRARIADO) Por que será?

Mulder entra. Scully aproxima-se para beijá-lo, mas ele senta-se no sofá.

SCULLY: - Assiste o noticiário que vou esquentar o jantar.

MULDER: - Pensei que já tivesse jantado e que ia brigar comigo.

SCULLY: - Por causa de um jantar? Que infantilidade!

Scully vai pra cozinha. Aperta a tecla do microondas.

SCULLY: - Mamãe foi dormir mais cedo. Sabe que estive lendo sobre algumas técnicas de massagem para grávidas muito interessantes? Bem que você poderia praticá-las em mim.

Scully volta pra sala.

SCULLY: - Trouxe a manga? Vamos pro lamaze?

Scully abre um sorriso de ternura. Olha pra Mulder que dorme sentado no sofá, de boca aberta, exausto. Senta-se ao lado dele. Ajeita a franja de Mulder.

SCULLY: - Mulder... Mulder, vem dormir no quarto, vem...

Ele dá um pulo.

MULDER: - (SONOLENTO/ DISFARÇA) Não, eu não estava dormindo. E então o que aconteceu por aqui hoje? Onde está Meg?

SCULLY: - (SORRI) Mulder... Vai dormir.

MULDER: - Não estou com sono. Vamos fazer o lamaze...

SCULLY: - Mas eu estou com sono. Vem.

Ela levanta-se, puxando Mulder pela mão.

SCULLY: - Vai, sobe. Vou desligar as luzes e ativar o alarme e já subo também.

Mulder sobe as escadas se arrastando. Scully olha pra ele com pena.


Corta para o carro preto estacionado do outro lado da rua, em frente à casa deles. Faróis apagados.


1:36 A.M.

[Tema da Pantera Cor de Rosa]

Scully levanta-se sorrateira da cama e desce as escadas. Entra na cozinha. Abre a geladeira e pega um doce. Começa a comer, furtivamente. Lambe os dedos. Fecha a geladeira. Vai pra lavanderia e fecha a porta.


3:47 A.M.

Scully acorda-se, sentando-se na cama. Segura a barriga. Morde os lábios. Olha pro lado, Mulder dorme de bruços, babando no travesseiro. Scully faz uma cara de dor. Leva a mão até Mulder. O sacode pelo ombro.

SCULLY: - Mulder...

MULDER: - Zzzzz...

SCULLY: - Mulder...

MULDER: - (SEM ABRIR OS OLHOS) ... Estou indo, Skinner... Zzzzz...

SCULLY: - Mulder, acorda!

MULDER: - Tá, eu sei... Strughold...

SCULLY: - (NERVOSA) ... Mulder!!!!!

Mulder senta-se na cama, esfregando os olhos. Olha pra ela.

MULDER: - O que foi?

SCULLY: - Estou sentindo contrações.

MULDER: - Ah certo.

SCULLY: - (DESESPERADA) Acho que ele vai nascer!

[Som: Talking Heads – Wild Wild Life]

Mulder deita-se de novo e fecha os olhos. Abre-os em pânico. Pula da cama, aterrorizado, colocando as mãos na cabeça.

MULDER: - Contrações??? Nascer? Agora? Ah meu Deus!

SCULLY: - (CHORAMINGANDO) Ai Mulder, dói muito!

Mulder começa a correr de um lado pro outro feito um pateta.

MULDER: - O que eu faço? O que eu faço???

SCULLY: - Ai tá doendo!

Mulder pula em cima da cama. Segura as mãos dela.

MULDER: - (NERVOSO/ TREMENDO) Não fica nervosa... Não fica nervosa...

SCULLY: - (CHORANDO ASSUSTADA) Dói! Dói!

MULDER: - (PÂNICO) Fica calma, fica calma... Respira fundo... Isso, pausadamente... Beicinho de peixe... Tente se acalmar... Deixe que eu fique nervoso...

SCULLY: - Mulder, dói!!!!!!


Corta para fora da casa. As luzes todas se acendem. Percebe-se a sombra de Mulder correndo de um lado pra outro dentro do quarto.


Corta para o carro preto estacionado do outro lado da rua. A mão envelhecida, segurando um binóculo coloca-se pra fora da janela.


4:11 A.M.

Close da caneca colocada sobre a mesa.

Meg, de bobs nos cabelos, séria, usando um daqueles 'chambres' de florzinha. Puxa a cadeira e senta-se. Mulder, sentado, com uma cara de poucos amigos. Olhos inchados de sono, cabelos revirados, e a expressão nos lábios de cachorro que vai morder.

Scully bebe o chá, olhando pra eles com receio. Os dois a encaram de frente, indignados. Ela larga a xícara sobre a mesa, e sorri desconcertada.

SCULLY: - Ai, não me olhem assim! Eu não tenho culpa. Mas é que... Dor de barriga também dá contrações...

MULDER: - (INDIGNADO) Também pudera! Quer devorar a geladeira inteira numa gravidez só!

Meg olha pra Mulder, arregalando os olhos.

MARGARET: - Não grite com ela. Está grávida.

MULDER: - (INDIGNADO) E daí? Desde quando gravidez é doença?

MARGARET: - (DURONA) Não é doença! Mas não admito que grite com a minha filha desse jeito!

MULDER: - (IRRITADO) Então diga pra sua filha fechar a boca antes que acabe parindo um pudim!

Mulder levanta-se da mesa, irritado. Meg fica furiosa. Os dois começam a bater boca. Scully abaixa a cabeça.

MARGARET: - Sei que está estressado, mas isso não lhe dá o direito de descontar na Dana!

MULDER: - (INCRÉDULO) Estressado? Vocês duas não sabem o que é estresse! Passam o dia todo dentro de casa tricotando sem fazer nada, não sabem o que é rezar por uma boa noite de sono. Que hoje foi estragada por causa de um alarme falso, que me deixou tremendo dos nervos até agora!

MARGARET: - E você? Que acorda dando tiros na televisão feito um louco?

MULDER: - (OLHAR DE PSICOPATA) Eu sou louco, Meg Scully!

Meg recua, assustada. Mulder está encanzinado.

MULDER: - E agora se me dão licença, eu vou dormir. Alguém aqui tem que acordar cedo e ir trabalhar. Tem coisas muito mais importantes lá fora do que comer o dia todo e ficar discutindo cor de enxoval. Pouco importa o sexo dessa criança, vai ser amada do mesmo jeito!

MARGARET: - Como pode ser tão estúpido?

MULDER: - Eu sou estúpido. Principalmente com coisinhas fúteis de meninas mimadas! Ah meu Deus, o que vim fazer nessa família? Eu fui talhado a facão! Vocês esculpidas!

Scully observa os dois.

MARGARET: - Não fale da minha família, Fox!

MULDER: - (GRITA) E não me chame de Fox!!!!!!!!!!

MARGARET: - (ASSUSTADA)

MULDER: - Pelo amor de Deus, é apenas uma criança! Não é a comitiva presidencial que precisa de regras de protocolo pra eventos de recepção! Vocês duas perturbam a minha filha com esse monte de frescura!

MARGARET: - Sua mulher está grávida, precisa de atenção especial.

MULDER: - Mais atenção do que ela tem?

MARGARET: - Meu Deus, Dana! São os malditos genes do pai dele. Quem puxa aos seus não deve a estranhos! Insensível!

MULDER: - (GRITA/ FURIOSO) Insensível? Estão me acusando de insensível?

As duas ficam quietas, olhando assustadas pra ele.

MULDER: - Pois o insensível aqui vai dizer uma coisa pra vocês duas: Se for menina, vai ser uma Mulder legítima! Bagunceira, desleixada e sem frescuras! Vai usar macacão jeans, boné, pulseiras energéticas, cristais, ter um duende sobre a escrivaninha e acreditar em alienígenas! Só pra vocês revirarem os olhos em colapso nervoso! E apostem, praga de pai injustiçado pega!

Mulder sai furioso. Scully olha pra Meg.

SCULLY: - Não deveria ter gritado com meu marido desse jeito.

MARGARET: - Marido? Ele hoje tá vestido de cavalo! Nunca vi ele desse jeito!

SCULLY: - É, pode ser um cavalo sim, mas você não tem o direito de gritar com Mulder desse jeito! Ele tem razão mesmo! É muita frescura pra ter um filho. E sabe de quem é a culpa?

MARGARET: - Agora vai dizer que é minha.

SCULLY: - Sim! É sua! Que me criou feito princesinha numa redoma de vidro!

MARGARET: - Ótimo! Daqui à pouco você vai estar usando roupas hippies e morando num trailer!

SCULLY: - Pois aposte que ia ser muito mais interessante! Não percebe? Mulder está coberto de razão! Não vou discutir com ele porque ele tem razão sim! Agora eu vi realmente a diferença que existe entre nós dois. Mulder é prático. Eu sou complicada. E me dá licença. Vou subir e pedir desculpas ao meu marido pelo estado de nervos em que ele ficou.

MARGARET: - Ô ditado mais certo: em briga de marido e mulher não se mete a colher!

Scully sai da cozinha. Meg suspira. Desliga as luzes.


BLOCO 2:

6:38 A.M.

[Som: Talking Heads – Wild Wild Life]

Mulder sai da casa. Olheiras enormes. Scully abre a porta e vai atrás dele, segurando a arma dele.

SCULLY: - Mulder!

Ele vira-se. Ela se aproxima.

SCULLY: - Esqueceu sua arma.

MULDER: - ... Peça desculpas à sua mãe... Ela nem tem obrigação de estar aqui nos ajudando e eu acabo soltando minhas ferraduras nela.

SCULLY: - Eu peço.

MULDER: - (SORRI) Eu trago a manga pra você... E uns bombons de licor pra Meg.

Scully o abraça. Mulder a abraça, num suspiro. Scully segura o rosto dele em suas mãos. Olha-o com ternura.

SCULLY: - Esquece meus caprichos... Eu não quero manga, lamaze, e menos ainda você estressado. Estamos grávidos. Devemos é curtir os momentos e não arranjar brigas.

MULDER: - (SORRI) ...

SCULLY: - Quero é esquentar meus pezinhos e dormir agarradinha. E juro que não vou comer tanto doce de novo.

Mulder sorri. Afaga a barriga dela. Beija-a nos lábios.

MULDER: - Cuidem-se as duas. Se tudo der certo, eu chego mais cedo hoje. E trago a manga...

SCULLY: - O que quer pra jantar?

MULDER: - Só quero um abraço. A única fome que eu tenho é de carinho.

Scully sorri. Os dois trocam outro beijo apaixonado. Mulder caminha até o carro. Scully espreguiça-se, ajeitando a coluna, passando a mão na barriga. Mulder sai com o carro, acenando pra ela. Ela acena pra ele, até ele sumir ao final da rua. Scully afaga a barriga sorrindo de felicidade. Volta pra varanda. Apanha uma flor e a aspira. Entra em casa, fechando a porta.


Corta para o outro lado da rua. O vidro do carro preto desce lentamente. Garganta Profunda continua olhando pra casa, com uma fisionomia de incredulidade.


Arquivos X – 8:01 A.M.

Mulder entra na sala. Acende as luzes. Caminha até a mesa, abre uma das gavetas. Retira um incenso e acende. Começa a espalhar pelo ambiente.

MULDER: - Muita energia negativa aqui dentro! Xô!!!!

O telefone toca. Mulder olha sério para o telefone.

MULDER: - Já? Não dá pra ter um minuto de paz?

Mulder olha pro incenso. Coloca num incensário.

MULDER: - Não dá. Tem que ser arruda mesmo. Coisa bem forte. (ATENDE) Mulder... Sim, senhor... Sim, já estou subindo.

Mulder desliga. Suspira. Abre a porta e sai.


8:09 A.M.

Scully passa o aspirador no tapete da sala, enquanto fica com uma das mãos nos quadris. Desliga o aspirador. Abre a porta. Meg entra, com uma cara de poucos amigos.

SCULLY: - O que houve?

MARGARET: - Meus olhos se recusam a acreditar no que vi.

SCULLY: - (CURIOSA) Você foi mesmo até lá? Entrou? Ela deixou?

MARGARET: - Acha que colocaria meus pés na mesma casa em que ela habita? Nunca! Eu fiquei feito uma daquelas espiãs de cinema, cuidando do outro lado da rua. Mas eu vi! Eu vi com meus olhos! E o pobre Will indo pra escola de arrasto feito um bichinho! Meu Deus, já vão quase 12 anos e Charles não aprendeu nada!

SCULLY: - Para de brigar com Charles. Sabe que isso só vai fazer ele se distanciar da gente de novo. Mãe, um dia ele acorda.

MARGARET: - Me preocupa é o Will. Já estou consultando um advogado pra ver se posso apelar pra custódia. Não quero o meu neto vendo as canalhices dela.

SCULLY: - Não vai conseguir isso... Mãe, esquece. Relaxa. Se preocupe agora com este aqui que está vindo... Sabe que Charles vai voltar pra ela sempre que ela disser eu te amo. Mesmo que seja falso. Ele acredita que a mãe do filho dele um dia vai criar juízo. Enquanto isso, deixe ele criar chifres.

MARGARET: - Fox se acalmou?

SCULLY: - Pediu desculpas a você por ontem.

MARGARET: - Eu também devo desculpas a ele. Fui a sogra intolerante. Ele não merecia ouvir aquilo. O pobrezinho vem pra cá todas as noites, só não vem quando algo muito importante tem que ser resolvido... Segure esse homem. Não vai encontrar outro igual por aí.

SCULLY: - (SORRI) E como a gente segura um homem? Pela cama?

MARGARET: - Não. Pela barriga. Porque depois da cama vem a fome. E comida congelada faz eles irem embora rapidinho.

SCULLY: - (RINDO) Mamãe...

Meg coloca a bolsa sobre o sofá. Senta-se.

MARGARET: - Então?

SCULLY: - Então o quê?

MARGARET: - É menino ou menina?

SCULLY: - Não sei! Não tenho curiosidade. Que coisa você também!

MARGARET: - Já pensou nos nomes?

Scully senta-se, negando com a cabeça.

MARGARET: - Dana, seu filho já está quase nascendo e você nem sabe que nome vai dar a ele? Meu Deus, você está lenta demais!

SCULLY: - Mamãe! Eu já tenho tudo pronto. Já comprei enxoval, fraldas...

MARGARET: - Menos o nome.

SCULLY: - O que importa o nome?

MARGARET: - O nome importa sim. Uma pessoa carrega a influência do nome pela vida toda. Sem contar na numerologia.

SCULLY: - Esquece essas besteiras! Isso não é científico!

MARGARET: - Fox vai assumir?

SCULLY: - (INCRÉDULA) Como assim?

MARGARET: - Sim, porque vocês não são casados. Vai ficar registrado no nome de quem?

SCULLY: - Meu e dele! Do vizinho é que não é! Mãe, que coisa! Só porque não temos um papel assinado pela lei de que somos casados, não significa que não somos casados.

MARGARET: - Eu só vou acreditar vendo o dia em que ele te levar para o altar.

SCULLY: - Mãe, Mulder não é homem disso.

MARGARET: - É... Ninguém é perfeito mesmo... Sempre tem um defeitinho.

SCULLY: - (INCRÉDULA) O que está havendo com você, Margaret Scully? Já começou de novo a mandar na minha vida? Agora tá entendendo porque tenho que ficar longe de você e ocultar coisas? Você não respeita minhas decisões!

MARGARET: - Não fale assim comigo. Quer terminar na mesma encrenca que seu irmão?

SCULLY: - Charles e eu estamos em situações diferentes. Eu sou amada. O pobrezinho nunca foi.

MARGARET: - O Bill pode ser chato, mas ele assumiu seu compromisso. Ele manteve o nome da família. O que digo pras minhas amigas? Que minha filha é mãe solteira?

SCULLY: - Dona Meg, não comece. Não é a mais indicada pra falar de gravidez antes do casamento... Além do mais, não sou solteira.

MARGARET: - É amigada. Pior ainda!

SCULLY: - Não sou amigada. Mamãe, eu e Mulder já vivemos juntos há um bom tempo! Além do mais, nós nos casamos numa igreja.

MARGARET: - Às pressas... Sem a família presente... Feito dois malucos.

SCULLY: - Nós somos malucos. Não importa as convenções. Importa é que somos felizes. De que me adiantaria um marido num papel se não o tivesse em minha vida?

MARGARET: - Seu pai nunca concordaria com isso.

SCULLY: - Pois eu brigaria com ele também. A vida é minha. Sou eu quem decide o que é melhor pra mim.

MARGARET: - Não vou brigar com você... Terminei de tricotar um casaquinho cor de rosa.

SCULLY: - E se for menino?

MARGARET: - Então vai ser gay, porque não vou fazer outro.

SCULLY: - Mamãe!

MARGARET: - Não comeu nenhum doce de novo, não é?

SCULLY: - Não. Pode verificar a geladeira. Aquela latinha de leite condensado ainda está na metade. Não toquei!

MARGARET: - Olha que vou verificar a dispensa. Se algum item estiver faltando, sinal de que você fez alguma sobremesa. Hum, mas isso não prova nada, você poderia ter saído pra comprar algo pronto.

SCULLY: - Não saio de casa. O combinado foi esse. (CÍNICA) Acha que me prestaria a sair de casa só pra comprar um doce? Cruzes, mamãe! Parece que não me conhece!


FBI - Sala do Diretor – 8:31 A.M.

[Som: Talking Heads – Wild Wild Life]

Mulder entra na sala atapetada. Carter faz pilhas com cartas de baralho de mulheres nuas em cima da mesa. Olha pra Mulder.

CARTER: - Sente-se agente Mulder.

MULDER: - Se estiver ocupado...

CARTER: - Estou furioso! Vou lhe dar uma suspensão! Ficou uma semana fora do Bureau! E está chegando atrasado todos os dias. E não pense que vai me enrolar desta vez!

Mulder senta-se. Pega umas cartas e começa a colocar na pilha.

MULDER: - O segredo disso, diretor, é o equilíbrio. Mas principalmente a energia mental...

CARTER: - (CURIOSO) Energia mental?

MULDER: - Sim. Uau! Essa ruiva aqui é quente...

CARTER: - Me deixe ver... (PEGA A CARTA) Hum... Realmente... Mas o que quer dizer com energia mental?

MULDER: - (CRUZA AS PERNAS COM AR DE ESPECIALISTA) Diretor, sabe que gosto do senhor. O acho uma pessoa extremamente inteligente e completamente mística. O senhor sempre está na 'crista da onda'. Como psicólogo vou lhe dar o significado do porquê está fazendo uma pilha de cartas com mulheres nuas.

CARTER: - E o que significa?

MULDER: - Que está estressado com o seu trabalho.

CARTER: - Não me sinto estressado.

MULDER: - Mas seu inconsciente está. Tanto que está colocando pra fora o aviso de 'out of order' através desse seu jogo inocente de cartas. E se não se cuidar vai entrar em choque de ideias. Seu cérebro vai definhar aos poucos. Pode nunca mais conseguir dirigir alguma coisa ou escrever alguma série de TV.

CARTER: - (PREOCUPADO) O que devo fazer?

MULDER: - Vou lhe dar uma dica. Cada vez que se estressar com alguém da sua equipe de trabalho, pare e respire fundo. Então medite. E jamais separe seu casal principal.

CARTER: - Meditar? Mas eu não sei meditar!

MULDER: - Vou lhe ensinar uma técnica de autoconhecimento chamada 'jogo dos 8 erros'. Mais conhecida como 'técnica da oitava'.

CARTER: - (COÇANDO A CABEÇA) Hum, não sei... O número oito me dá azar... Eu deveria ter parado no sete mesmo...

MULDER: - De preferência faça isto no escritório. Para meditar você deve ficar em silêncio. Então respire fundo e sente-se sobre um tapete com motivos de bebês. Pense na merda que você fez...

CARTER: - Mas não tenho um tapete de bebês! Por que isso?

MULDER: - Porque atrai as forças positivas do cosmo. Bebês significam vida nova. E de preferência deixe o vídeo cassete ligado num filme com Frankenstein. Afinal, ele era uma criança crescida.

CARTER: - Certo. E o que mais?

MULDER: - Fixe seus olhos numa estátua de um elefante.

CARTER: - Elefante? Por que elefante?

MULDER: - Elefantes são animais sagrados para os indianos.

Carter dá um murro na mesa e derruba as cartas todas.

CARTER: - (INCRÉDULO) Eles de novo? Odeio qualquer coisa que venha deles! Principalmente estátuas e templos budistas! São "todas as coisas" do demônio! Pesadelo eterno! Malditos indianos!

MULDER: - Mas eles sabem tudo de meditação.

CARTER: - Sei, então eu olho fixamente para a estátua do elefante... Eu gosto de elefantes...

MULDER: - Calma, o senhor não pode olhar pra qualquer ponto da estátua. Tem que olhar pras orelhas grandes do elefante. Do seu elefante. Aquele elefante enorme que agora lhe dá dor de cabeça e baixa audiência.

CARTER: - Sim, eu olho pras orelhas grandes do meu elefante.

MULDER: - Isso. Com um pepino na boca.

CARTER: - (COÇA A CABEÇA) Pepino na boca?

MULDER: - Sim, o pepino é a representação dos seus problemas. Entende? Você arrumou um pepino enorme.

CARTER: - Sei. Me sento no tapete com motivos de bebês, com o vídeo do Frankenstein, olho pras enormes orelhas do meu elefante, com um pepino na boca. E o que faço?

MULDER: - Fique por uma hora assim, de olhos fechados, murmurando meu nome.

CARTER: - Por que o seu nome?

MULDER: - É um ritual, você tem que murmurar o nome do sujeito que lhe ensinou a técnica. Recapitulando: Sentado sobre o tapete com motivos de bebês, olhe para as orelhas do elefante, com o pepino na boca, escutando a voz do Frank e murmure: Mulder, Mulder, Mulder... Recite o mantra: Ventos que sopram pela dimensão da verdade, mais me valia uma raposa rebelde na mão do que um elefante orelhudo trancado na garganta. Xá, xe, xi, xô, xena!

Carter pega o telefone.

CARTER: - Aqui é o diretor. Quero um tapete com motivos de bebês nessa sala, o filme do Frankenstein, uma estátua de elefante bem orelhudo e um pepino... Agora!

Mulder levanta-se.

MULDER: - (DEBOCHADO) Vou embora, deixa-lo com seu bebê, seu Frankenstein, seu elefante orelhudo e o pepino em suas mãos.

CARTER: - (EMPOLGADO) É isso mesmo. Fora daqui! Xô!

Mulder sai rindo, fechando a porta atrás de si.

MULDER: - Pelo menos a "Madame Min" me diverte...


11:57 A.M.

[Som: Elton John – I Guess That's Why They Call It The Blues]

Scully, no sótão, sentada perto do computador, passa a mão na barriga. Meg entra. Scully não percebe.

MARGARET: - O almoço está pronto. O Elton John aí só reforça minha teoria de que você está sendo cruel com o pobre Fox.

SCULLY: - Teoria? Mamãe, desde quando tem teorias?

MARGARET: - Estou me acostumando com vocês dois. Até estou pensando em fazer um curso de detetive particular. É uma vida interessante... Podia me ensinar a atirar...

SCULLY: - Eu estou grávida e você está louca.

MARGARET: - Tudo bem que você quer atenção, que é o único filho de vocês, mas deveria dar uma atençãozinha pra ele. Largue seus caprichos psicológicos de grávida e o incentive. Ele tem que vir pra casa recarregar suas pilhas e não acabar com o resto de energia que tem.

SCULLY: - ... (MANHOSA) Eu sei, mas eu tô grávida.

MARGARET: - Afinal de contas, homens casados, carentes, sem atenção, acabam sempre encontrando uma que dê atenção. Típica situação, Dana, pra perder um marido pra uma amante, sabia? Ele quer um cafuné e você diz: trouxe minha manga?

SCULLY: - Ai, mãe! Que coisa boba! ... Eu sinto falta dele aqui comigo nesse momento.

MARGARET: - Mas pelo amor de Deus! Você o tem quase todos os dias, nos finais de semana! Quer o quê? Ele grudado em sua barriga 24 horas por dia?

SCULLY: - Eu queria. Acho que ele não está tão empolgado quanto eu. Não me traz mais rosas... Café na cama... nem faz mais massagem nos meus pés...

MARGARET: - (INDIGNADA) Bata na sua boca, isso é blasfêmia! Ainda quer exigir do pobre além do que ele já está fazendo? Você deveria trazer rosas e café na cama pra ele! Está em casa sem fazer praticamente nada! E ele trabalhando feito doido! Agradeça à Deus pelo marido que tem, porque homem nenhum faria por uma mulher e um filho o que ele está fazendo! Sabe o que é isso? Eu vou dizer: manha. Você está manhosa. E como está fora do FBI, não tem muito com o que se preocupar e começa de caprichos bobos. Continue assim e vai ver no que vira seu casamento.

SCULLY: - (SUSPIRA) Acho que você tem razão. Não estou fazendo o que prometi fazer... Mas mãe, eu sou tão carente que agora eu quero todas as atenções dele pra mim. Entenda isso. Eu sempre quis ter um filho e agora é a minha única chance. Quero ter direito de curtir tudo!

MARGARET: - Eu entendo. Mas vocês dois não são pessoas normais, Dana. Curta isso também. Olha pra sua barriga. Me diga que só o fato dele se mexer aí dentro já não é suficiente? Ele só quer um ambiente bom pra se desenvolver. Não quer mangas e você brigando com o pai dele porque não veio jantar.

SCULLY: - ... Você tem razão. Passei dos meus limites... Eu sinto meu bebê pular quando Mulder se aproxima, pelo simples fato de que ele vai ter a presença de Mulder por perto. Eu deveria fazer o mesmo. E não apenas esperar Mulder porque significa que vou ganhar atenção, massagens, desejos realizados... Estou sendo egoísta. O que será que Mulder está fazendo agora?


Arquivos X – 12:01 P.M.

[Som: Talking Heads – Wild Wild Life]

Mulder come um sanduíche. Lê o livro aberto sobre a mesa.

MULDER (OFF): - Quarta etapa: Com 10 cm de dilatação e contrações poderosas, a mãe está pronta para começar o esforço de empurrar seu bebê. (MORDE OS LÁBIOS) As contrações continuam muito intensas, mas muitas mulheres sentem uma energia renovada agora que o momento de conhecer seu bebê está tão próximo. (ASSUSTADO) Muitos obstetras realizam um pequeno corte no períneo, o que facilita a passagem do bebê e impede que o tecido se rompa no momento do nascimento. (PÂNICO) A cada contração o bebê se aproxima mais da abertura vaginal, até que sua cabeça se torna visível. Mais um pouco de esforço e a cabeça do bebê está do lado de fora. (PAVOR) Como ela é a parte mais larga do recém-nascido, o resto do corpo normalmente passa com facilidade. Pronto! (SUSPIRA ALIVIADO) Aí está ele! (SORRI) O bebê pode ser posto sobre o abdômen da mãe por alguns momentos mas, após o corte do cordão umbilical, ele provavelmente será posto em um bercinho aquecido onde suas vias respiratórias serão aspiradas e os primeiros exames serão realizados.

Mulder larga o sanduíche.

MULDER: - (PÂNICO) Eu não vou conseguir fazer isso... Eu vou desmaiar!

Mulder olha pro livro. Pega o sanduíche. Continua comendo.

MULDER (OFF): - As contrações não acabam com o nascimento do bebê, embora a maioria das mulheres esteja emocionada e encantada demais para perceber isso. O objetivo das contrações agora é expelir a placenta... (PÂNICO) O que geralmente ocorre entre cinco minutos e meia hora após o nascimento.

Mulder olha pro sanduíche. Faz cara de nojo. Coloca sobre a mesa.

MULDER (OFF): - (APAVORADO) Ao ser expelida, a placenta será examinada em detalhes para que a equipe médica se certifique que ela está intacta e saiu por inteiro já que qualquer vestígio que fique dentro do útero pode vir a causar sérios problemas. A última providência é a sutura do corte...

Batidas na porta. Mulder fecha o livro rapidamente, coloca na gaveta e pega o sanduíche. Diana entra. Coloca uma pasta de papel sobre a mesa dele.

DIANA FOWLEY: - Fenômenos psíquicos. Nenhuma evidência de fantasmas. Apenas um caso de telecinese.

MULDER: - (LARGA O SANDUÍCHE) Sério?

DIANA FOWLEY: - Por que não foi almoçar? Não pode ficar comendo essas porcarias todos os dias. Está doente, precisa se alimentar dignamente.

MULDER: - O que mais descobriu?

DIANA FOWLEY: - Ela vive com um neto, o menino é o responsável pelos fenômenos. Já incendiou móveis, moveu objetos pela casa e consegue projetar-se para fora do corpo.

MULDER: - (EMPOLGADO) E eu perdi isso!

DIANA FOWLEY: - Fiz o relatório. Assine seu nome. Me deve essa.

Mulder pega a pasta. Começa a ler o relatório. Ela vai se aproximando. Mulder ergue os olhos desconfiado, até que ela senta-se no colo dele. Ajeita a lapela do terno.

MULDER: - Diana... Eu ainda não esqueci da Scully... Me dá mais um tempinho.

Diana afaga os cabelos dele. Mulder fecha os olhos. Mas levanta-se num repente, fazendo-a sair de cima dele.

DIANA FOWLEY: - Tudo bem, Fox. Mas se estiver precisando de carinho, atenção, uma boa massagem pra esquecer dos problemas... Tem alguém aqui que adoraria cuidar de você. Me parece tão cansado e carente.

MULDER: - ... (SUSPIRA) Estou cansado e carente... Mas não...

DIANA FOWLEY: - A senhora McGillis perguntou como você era... Não entendi porque ela tinha tanto interesse em você.

MULDER: - (SORRI) ... Deixa pra lá...

Diana sai da sala. Mulder a acompanha com os olhos. Começa a se coçar feito doido.

MULDER: - Impressionante! Maldita alergia Diana Fowley! ... (PÂNICO) Meu Deus! Preciso aproveitar a hora do almoço e procurar a bendita manga! Onde diabos vou achar manga em Washington???


BLOCO 3:

Gabinete do diretor assistente – 2:18 P.M.

Mulder entra rapidamente. Skinner lê o relatório.

SKINNER: - Telecinese... Por que não subiu antes? O chamei há vinte minutos!

MULDER: - Eu... Estava procurando mangas.

SKINNER: - Mangas????

MULDER: - (DISFARÇA) É, mangas, aquela fruta tropical pra fazer uma simpatia...

SKINNER: - (INCRÉDULO) Mulder, quer uns dois dias de folga? Não está regulando bem da cabeça. Vá ao médico, pegue um atestado de dois dias. Hoje é sexta, só quero ver sua cara na quarta-feira. Fui claro?

MULDER: - (SORRI) Skinner, eu te amo!

SKINNER: - Caia fora daqui, Mulder! Não me irrite mais do que já estou irritado com você! Mas tem um porém nisso tudo...

Mulder suspira.


Virgínia – 3:49 P.M.

Scully termina de dobrar as roupinhas do bebê colocando no armário. Fecha a porta. Sai do quarto e desce as escadas, segurando-se no corrimão. Vai pra cozinha.

SCULLY: - Mamãe... Estou me sentindo uma pata... Minhas pernas doem, meus seios doem, minhas costas...

MARGARET: - Deveria estar descansado.

SCULLY: - ... Me faz um chazinho? Ahn??? Aquele chazinho de mãe?

Scully senta-se na cadeira. Meg começa a fazer o chá.

SCULLY: - Mãe, estou com medo.

MARGARET: - Medo de quê?

SCULLY: - Do parto.

MARGARET: - Dana, deixa de ser boba.

SCULLY: - Ao mesmo tempo em que não aguento mais pra ele nascer, eu fico com medo... Em casa, sem hospital... recursos... anestesia... Ai Deus! No grito??? E se ele não quiser sair? Preciso ensinar Mulder a fazer corte de períneo.

MARGARET: - Deixe de ser boba! As mulheres antigamente só tinham filhos em casa, sem corte de períneo, sem anestesia e nem por isso era horrível! Era mais saudável! Sem riscos de infecções hospitalares.

SCULLY: - É que se for pra um hospital... Eles vão afasta-lo de mim, como é o procedimento e eu não sei se não vão rouba-lo... Se aquela gente descobre... Não. Tem que ser em casa mesmo.

MARGARET: - Eu disse que se quiser que eu ajude...

SCULLY: - Não mãe... Isso é entre eu e Mulder. (SORRI) Eu só confio a vida do meu filho a ele.

MARGARET: - (INCRÉDULA) E eu?

SCULLY: - Ai, mãe, não é o que está pensando... É que... Puxa, é um momento tão intenso pra nós dois... Algo só nosso... É nosso filho... Até que essa coisa de ter um filho escondido tem algo de bom. Pelo menos vai ser um parto íntimo. Entre eu e Mulder... Como tudo em nossa vida, sempre um pelo outro...

MARGARET: - Bom, ele colocou aí, agora ele que tire.

SCULLY: - Mamãe! Você está desbocada hoje, sabia?


Apartamento de Mulder – 4:29 P.M.

[Som: Talking Heads – Wild Wild Life]

Mulder aproxima-se da porta. Falando sozinho.

MULDER: - (RABUGENTO) Dois dias de atestado. Em compensação na quarta já quer que eu vá pro Kentucky ministrar palestra... Amigo da onça! Interesseiro!

Mulder entra. Fecha a porta, retira o paletó. Arregala os olhos.

Close da sala repleta de almofadas rasgadas e flocos espalhados.

MULDER: - Mas que diabos... (GRITA/ FURIOSO) Cookie!!!!!!!!!!!!!!

Mulder entra na cozinha procurando o cachorro. Vai pra varanda. Volta pra sala. Vai pro quarto.

MULDER: - Seu cachorro dos infernos! O que está fazendo, seu maldito pulguento?

Cookie deitado num canto, em cima de uma roupa de Scully. Mulder olha pra ele.

MULDER: - O que foi Cookie?

Ele nem se mexe. Mulder olha apiedado. Agacha-se ao lado dele, lhe faz carinhos.

MULDER: - O que você tem rapaz?

Cookie ergue os olhos tristes pra ele.

MULDER: - Não vai fazer festa? O síndico cuidou de você?

O cachorro nem se mexe.

MULDER: - (PREOCUPADO) Cookie, você está bem?


5:17 P.M.

Mulder sentado. A veterinária examina Cookie. Então olha pra Mulder.

VETERINÁRIA: - Teve alguma perda recente na família?

MULDER: - Bem... Minha esposa.

VETERINÁRIA: - Ele está desnutrido. Não está comendo por estar deprimido.

MULDER: - Deprimido?

VETERINÁRIA: - Sim, cães ficam deprimidos. Se não tratar, ele pode ficar agressivo. É um bom cão, mas é uma raça de cachorro que gosta de companhia, de família, crianças por perto...

MULDER: - É, eu tenho viajado muito e ele tem ficado com o zelador... Ele nem brinca mais. Pensei que fosse por estar adulto.

VETERINÁRIA: - Ele não tem um bom relacionamento com o senhor. Na cabeça dele sua esposa era sua dona. Ele perdeu o que tinha, e pelo quadro clínico dele, não vai se recuperar. Ou vai se tornar agressivo ou pode ficar num cantinho deitado até morrer.

MULDER: - (SUSPIRA) Bem que notei que ele pegou uma roupa dela e dormia em cima.

VETERINÁRIA: - Vou receitar uns medicamentos. Mas não sei se seu cachorrinho vai melhorar.

Mulder olha pra Cookie apiedado.


Virgínia – 6:02 P.M.

Mulder estaciona o carro na frente da casa, enquanto fala ao celular.

MULDER: - Krycek, vou te dizer uma coisa: Strughold está tentando ser poupado. E não duvide que o Canceroso vai fazer uma aliança por baixo dos panos e depois aprontar outra. Abra seus olhos. E sobre Scully? ... Eles nunca vão abrir a boca pra dizer quem está com ela. Mas eu vou encontra-la sozinho... Carter chega a me dar pena... Precisava ver a cara do Kersh quando entrou na sala dele e o flagrou num ritual estranho de meditação... Não, estou indo enterrar meu cachorro... Pois é, o desgraçado do bicho ficou doente, levei no veterinário e tive que sacrifica-lo... Tá, eu ligo se me informarem algo.

Mulder desliga o celular. Desce. Abre a porta de trás e puxa Cookie pela guia.

MULDER: - (IRRITADO) Vem, seu choramingão. Até você me abandona! Já não me basta todo mundo me perturbar e até você começa a me dar problemas. Vai matar as saudades da sua dona, seu chato. Essa é a sua casa nova. E não faça sujeira no jardim ou vai voltar pra Alexandria com uma passagem só de ida!

Mulder o puxa pelo jardim. Bate à porta. Scully abre.

SCULLY: - (SORRINDO) Cookie!!!!!!!!!!

O cachorrinho começa a abanar o rabo, latir e a cheira-la. Scully se agacha e o pega no colo. Cookie lambe o rosto dela.

[Som: Talking Heads – Wild Wild Life]

Corta pra Mulder que os observa contrariado. Vai pra cozinha reclamando. Meg olha pra ele. Mulder nem percebe Meg na cozinha.

MULDER: - Até o cachorro merece um abraço. Eu não.

Mulder abre a geladeira. Meg o observa. Mulder põe as mãos na cabeça.

MULDER: - Droga! Esqueci do leite! Vai começar a cobrança!

Mulder fecha a geladeira e sai pela porta dos fundos. Mas volta. Meg olha pra ele.

MARGARET: - Oi, Fox!

MULDER: - (COÇANDO A CABEÇA/ PERDIDO) Ah, oi Meg!

MARGARET: - Algum problema?

MULDER: - Eu... Eu ia fazer alguma coisa, mas não lembro o que era.

MARGARET: - ... Que tal ir buscar leite?

MULDER: - Ah! Obrigado, Meg. Era isso...

Mulder sai. Meg fica olhando pra porta, incrédula. Mulder entra novamente.

MULDER: - Meg... Você tem as chaves da garagem? Vou usar o conversível da Scully.

MARGARET: - Pra quê?

MULDER: - Pra buscar leite.

MARGARET: - Mas você deixou seu carro aí na frente.

MULDER: - Eu vim de carro? ... Ah, é mesmo!

Mulder sai. Meg balança a cabeça negativamente.

MARGARET: - Coitado... Já não batia bem, agora menos ainda...


6:33 P.M.

Scully sentada no sofá, fazendo carinhos em Cookie.

SCULLY: - Tava com saudades da mamãe né? Viu que nosso neném tá crescendo?

Mulder no telefone. Mau humor visível.

MULDER: - (INDIGNADO) É um cocker spaniel, não é um cão de guarda! Uma casa média! Sim, média, meu senhor! ... Por acaso você fala a minha língua???

Scully olha pra ele.

MULDER: - Não é do tamanho de um poodle! Ele é mais gordinho! Mas que droga, você quer chamar o gerente?

Scully suspira. Olha pra Mulder.

SCULLY: - Mulder, Cookie não vai se acostumar no quintal. Ele se criou dentro de casa.

Mulder bate o telefone irritado.

MULDER: - Que sujeito idiota! Vou denunciar essa maldita loja!

SCULLY: - Mulder, esqueça a casa do cachorro. Ele dorme na lavanderia. Está acostumado, não vai se sentir bem lá fora. Deixe que eu resolva isso.

MULDER: - Não! Você tem é que se preocupar com o bebê. Cookie vai dormir lá fora, eu vou construir a droga dessa casa!

SCULLY: - Mulder, desde quando é carpinteiro?

MULDER: - Eu tenho dotes que você desconhece, Scully. Se surpreenderia em saber o quanto eu, um martelo, pregos e madeiras temos um relacionamento amistoso...

Scully ergue as sobrancelhas, suspirando desanimada.


8:49 P.M.

Scully, encostada no balcão da cozinha, braços cruzados, observa Meg tirar a forma de biscoitos do forno.

Som de marteladas vindas da rua. Meg olha pra Scully.

MARGARET: - Quer levar biscoitos e leite pra ele?

SCULLY: - Vá você. A fera está solta.

MARGARET: - O cão morde?

SCULLY: - Não. Mulder. Ele está mordendo hoje.

MARGARET: - Terminei. Vou pra cama. Além de estar cansada, acho que vocês querem ficar sozinhos pra conversar.

Scully observa a pilha de mangas sobre a cesta de frutas. Olha pra porta. Toma coragem.

SCULLY: - Acho que vou lá dizer ao Gepeto que martelos e madeira não combinam com ele. Está lá desde as sete da noite tentando construir aquela arapuca que nem tem ares de casinha de cachorro... Teimoso feito uma mula! Deveria é construir um curral pra ele. Porque hoje tá que parece um cavalo!

Meg seca as mãos num pano. Beija Scully na testa.

[Som: Talking Heads – Wild Wild Life]

Scully sai pra varanda dos fundos. Na casa ao lado, Nancy observa pela janela da cozinha.

SCULLY: - Mulder!

MULDER: - (IRRITADO) O que é?

SCULLY: - Mulder, são 9 horas da noite. Os vizinhos vão começar a reclamar do barulho.

MULDER: - Danem-se os vizinhos!

Mulder continua martelando, irritado.

SCULLY: - Mulder, por favor... Deixa pra amanhã.

MULDER: - Não! Isso é meu dever, afinal prometi ser homem pra você. E não vai ser uma maldita casa de cachorro que vai me estragar mais o dia!

SCULLY: - Mulder, você não pode fazer tudo! Pelo amor de Deus, relaxe um pouco! Deixa pra amanhã!

MULDER: -Eu vou conseguir construir isso! Amanhã eu tenho mais coisas pra fazer.

Close da casinha, que está toda torta, caída pra um lado. Scully se irrita.

SCULLY: - Mulder venha já aqui. Agora!

Ele atira o martelo no chão. Mas acerta o pé. Começa a pular num pé só, gritando de dor. Scully suspira. Mulder começa a quebrar a casa aos pontapés.

MULDER: - (IRRITADO) Desgraça! Maldito cachorro! Maldita casa! Maldito Skinner! Maldito Canceroso, maldito FBI! Dane-se todo mundo, eu quero esganar essa gente, estou cansado, estressado, nervoso, eu quero matar um hoje!!!!!!!!!!!!!!!

Nancy arregala os olhos. Saca o binóculo pra ver melhor.

NANCY: - George, você precisa ver isso...

Mulder começa a pular na grama feito doido. Chuta as tábuas pra longe. Chuta a grama. Começa a destruir tudo. Scully se irrita e caminha furiosa até ele. O pega pela orelha.

MULDER: - Au!!!!

SCULLY: - Vem pra dentro!

Scully vem arrastando Mulder pra dentro da cozinha pela orelha.

MULDER: - Eu estou irritado! Me larga! Eu quero descontar minha raiva! Estou nervoso.

SCULLY: - Já pro quarto, Mulder! Eu sei qual é o teu problema. Vou acabar com essa sua irritação e vai ser agora! Vai ficar calminho, calminho!


3:29 A.M.

[Som do Tema da Pantera Cor de Rosa]

Scully levanta-se sorrateiramente. Veste um robe. Mulder dorme de bruços, nu, entre os lençóis. Scully sai silenciosamente do quarto. Mulder abre os olhos.

MULDER: - Aonde vai?

SCULLY: - (NERVOSA) Eu? Ahn... Tomar água.

Mulder fecha os olhos.

Corta pra Scully descendo as escadas. Cookie está deitado no tapete. Ergue a cabeça e balança o rabinho pra ela.

SCULLY: - (SUSSURRA) Vem com a mamãe! Vem!

Scully vai pra cozinha. Abre a porta da lavanderia e entra com o cachorro, fechando a porta.


11:23 A.M.

No sótão, Scully observa algo no computador. O cachorro deitado no tapete aos pés dela. Scully espreguiça-se na cadeira, ajeitando a coluna. Passa a mão na barriga.

Corta pra Mulder, escorado na porta. Cara de quem acordou há pouco. Sorri.

MULDER: - O que está fazendo?

SCULLY: - Mais calminho?

MULDER: - (DEBOCHADO) Um pouco...

SCULLY: - (RI) Eu sei como acalmar você...

MULDER: - Gostei do que fez por aqui... Escritório, quarto... Ah, o quadro da Yoko veio pro sótão... (DEBOCHADO) Essa cama no ambiente de trabalho não me parece ter sido colocada com boas intenções... Escritório privê?

SCULLY: - Já estava aqui... Fiquei com pena de me desfazer... E assim, quando a casa estiver cheia e quisermos dar uma fugidinha, temos o sótão... (SORRI MALICIOSA) Estaremos trabalhando...

MULDER: - ... Scully, desculpe por ter dormido demais.

Scully sorri. Levanta-se. Espreguiça-se de novo.

SCULLY: - Hoje é sábado. E sábados são sagrados para os judeus... Ai, Mulder, me lembrei! Tem uns pasteizinhos judaicos servidos em festas judaicas, recheadinhos de cebola que são uma delícia... Hum, aqueles doces feitos com frutas secas, canela em casca, maçãs com mel... Mulder, existe algum restaurante judaico por aqui?

MULDER: - (SORRI) Não que eu conheça.

SCULLY: - Novidades boas! Suzanne conseguiu fabricar artificialmente a proteína que ativa o gene.

MULDER: - (SUSPIRA) Um problema a menos.

Scully senta-se na cama. Olha pra ele.

SCULLY: - Vem aqui. Precisamos conversar.

MULDER: - (NERVOSO) Minha nossa! Esqueci do óleo de amêndoas! Só agora que lembrei!

SCULLY: - Mulder, se acalme. Senta aqui. Assunto sério.

Mulder senta-se. Vai abraça-la, mas ela o puxa, fazendo-o deitar-se com a cabeça em seu colo.

MULDER: - (SORRI) Pinguinho tá crescendo... Nunca mais contei histórias pra ela. Deve estar triste comigo.

SCULLY: - Está feliz. Acredite.

MULDER: - E você? Eu te faço feliz?

SCULLY: - Claro que me faz feliz. Mulder... Não está certo. Nada está certo. O que eu temia começou a acontecer. Você está cansando. Está se matando. E não adianta me dizer que não, porque eu estou grávida e sua filha me diz isso.

MULDER: - Pinguinho dedo-duro! Não sabe guardar segredo?

Mulder senta-se. Scully olha pra ele.

MULDER: - Tá legal, Scully. Você está me deixando irritado. Completamente irritado. Fora do sério. Está se revelando aquele tipinho de mulher repulsiva: fútil, cheia de frescurinhas e parece que se esqueceu do que vivemos até hoje e de quem somos!!! Você está abusando da minha pessoa! Odeio essa melosidade toda, essa coisa chata de 'você não me dá atenção'. Odeio cobranças absurdas! Eu estou com mil coisas pra dar atenção. Claro que nossa vida é prioridade, mas tem bilhões de pessoas nesse mundo que morrerão se eu ficar babando em você e no nosso filho o dia todo. Vocês são importantes, mas o planeta também é! Bilhões de vidas dependem da minha atenção dentro daquele covil em Nova Iorque! Você, nosso filho e essa casa dependem do meu suor dentro do FBI! Não entende isso?

SCULLY: - ...

MULDER: - Não entendeu ainda que nós não somos um casal comum, que fica se curtindo o dia inteiro até enfartar de tanto mel? E não espere que vou pedir desculpas pelo que falei. Foi sincero e prometemos nunca mentir ou fingir um pro outro.

SCULLY: - ... Desculpe. Estou feliz demais que não percebo sua aflição. Quero dividir tantas coisas que acontecem, mas infelizmente me esqueço que só estamos sendo felizes porque temos a missão de ajudar o mundo. Se não fosse por isso, esse milagre dentro de mim nunca teria acontecido. Foi uma troca com Deus. Você não me magoou. Você não tem culpa. Eu não tenho. A situação é que complicou tudo. Estou sendo relapsa com você e admito. Foi infantilidade o que eu disse pelo telefone sobre o jantar. Inconsequente e mesquinho. Se tiver que ir a Nova Iorque vá. Porque se não for, amanhã podemos descobrir da pior maneira que descobriram minha gravidez. Fique atento a eles. Quanto ao FBI, tire suas férias, Mulder. Esqueça os Arquivos X.

MULDER: - ... Não vou tirar férias agora. Quero tirar férias quando você completar 8 meses. Pra preparar nossa fuga.

SCULLY: - Mulder... Já que esta semana entramos numa crise, vamos zerar tudo. Antes estava funcionando. Mas a partir do momento que desrespeitei você, as coisas ficaram ruins. Não é isso que queremos em nosso relacionamento. Precisamos ver nosso lado e compreender o do outro. Combinado?

MULDER: - (SORRI) Há quanto tempo eu não digo 'eu te amo?'

SCULLY: - (SORRI) Não faz muito tempo não. Você me disse ontem.

Os dois ficam em silêncio. Mulder deita a cabeça nas pernas dela. Scully afaga seus cabelos.

MULDER: - Queria nunca mais sair daqui. Mas só de pronunciar isto já fico culpado em ser tão egoísta.

SCULLY: - Como você disse, só faltam alguns meses. 92 dias, mais precisamente. Em 92 dias vamos ter nosso bebê, você vai se livrar do Sindicato, do FBI... Então vai poder respirar aliviado.

MULDER: - (IMPRESSIONADO) Eu só tenho mais 92 dias pra olhar pra essa barriga?

SCULLY: - Claro! Tá pensando que é filho de burro?

Mulder senta-se.

MULDER: - Mas... Isso não é justo. Parece que foi ontem...

SCULLY: - (RINDO) Mulder! Ele vai ter que sair de um jeito ou de outro! Você não vai mais ter minha barriga pra olhar, mas vai olhar diretamente pra ele. Ou ela.

MULDER: - (PÂNICO) Scully eu tô com medo... É sério... Agora eu tô ficando com medo... Eu vou ser pai. Parece que a palavra agora ficou mais pesada.

SCULLY: - Mulder, se acalme. Você está tenso demais. Você premedita as coisas, coloca a carroça na frente dos bois e ao final é menos do que você pensou. Tenta ficar mais calmo. Essa ansiedade toda não vai ajudar. Não carregue tudo nas costas. Já comprei a casa do cachorro. Encontrei a conta da luz na sua carteira e guardei. Mamãe vai pagar.

MULDER: - (DESCONFIADO) O que fazia com minha carteira?

SCULLY: - Bem, ahn... Procurava bilhetinhos ou números de telefone femininos. Nunca se sabe.

Mulder abaixa a cabeça. Começa a rir. Ela o sacode pelos ombros.

SCULLY: - Não comeu nadinha desde que chegou. Vamos lá pra cozinha, vou ajudar mamãe com o almoço.

MULDER: - Você... (RINDO) Scully, eu sou doido por você. Principalmente quando tem essas atitudes ciumentas. Me sinto único, sabia?

Ela se levanta e o puxa pela mão.


12:28 P.M.

[Som: Talking Heads – Wild Wild Life]

Scully serve o prato pra Mulder, que está sério e distante. Meg olha pra ele. Scully, quieta, os observa.

MARGARET: - Algum problema, Fox?

MULDER: - Não, Meg. Ela parou com os doces?

MARGARET: - Sim. Não a vejo comendo mais nada.

Mulder pega o garfo, coloca a comida na boca.

MARGARET: - Fox, vai assumir seu filho?

Mulder se engasga. Scully segura o riso. Mulder bebe um gole de suco. Olha pra Meg, olhos arregalados.

MULDER: - (PÂNICO) Que tipo de pergunta é essa, mãe?

MARGARET: - Sou sogra. Esqueceu disso?

MULDER: - Claro que vou assumir! Eu vivo com sua filha, dei essa casa pra ela!

MARGARET: - Ótimo. Coloque o resto no nome dela. Por via das dúvidas, você pode morrer e pelo menos não vai deixar eles na pior.

Mulder abre a boca, num estado de pânico. Scully põe a mão na testa, suspira.

SCULLY: - Mamãe... Encontrei um nome pro meu bebê. Se for menino vai se chamar Elvis e se for menina, Oprah.

Meg levanta-se da mesa, indignada. Sai da cozinha. Mulder olha pra Scully e começa a rir. Scully olha pra ele.

SCULLY: - É essas coisas nela que me irritam! Acho que a assustei.

MULDER: - Ela é sua mãe. Está preocupada com você. Se eu estivesse nessa situação também iria me preocupar. Minha filha grávida, morando com um sujeito maluco... Eu ia exigir satisfações do cara.

SCULLY: - Meu Deus! Mulder, você não pode controlar a vida da sua filha!

MULDER: - Acha que vou criar minha filha com tanto trabalho pra largar nas mãos de um qualquer? Pois não. Namoro só depois dos 21. E dentro de casa. Comigo no sofá.

Scully olha pra ele, incrédula.

SCULLY: - Quem saiu assustada agora fui eu! Você não vai fazer isso! Nunca, me ouviu? Não vou criar uma beata! Vou criar uma mulher! De traumatizada chega eu!

MULDER: - Só espero que ela não tenha seu gênio.

SCULLY: - Por que não? Todas as mulheres da família Scully são geniosas. Ela vai ser teimosa como a mãe! Você não queria cópias minhas pela casa?

MULDER: - Também não exagera...

SCULLY: - Você fala da boca pra fora, Mulder. Quando vir sua filha vai virar uma manteiga derretida, ela vai subir em cima de você e você vai deixar e fazer todos os caprichos dela.

MULDER: - Não confie nisso.

SCULLY: - Vai sim. Pressinto que eu terei que ser os freios aqui dentro. Porque você não sabe dizer não. É sua natureza, Mulder.

Mulder olha pra ela. Faz beiço de deboche. Meg entra na cozinha, com uma mala.

MARGARET: - Fox você só volta ao trabalho na quarta. Então vou tirar esses dias pra mim.

MULDER: - Meg, não circule por aí...

MARGARET: - Vou à casa de uma amiga. Assim vocês têm tempo de planejar um casamento decente. Eu providencio a igreja.

Meg sai. Mulder e Scully se entreolham.

MULDER: - Ela tá falando sério.

SCULLY: - Deixa falar. Eu estou ficando supersticiosa. Tudo está tão bom assim que tenho medo de estragar!


4:16 P.M.

No sótão, Mulder deitado de bruços na cama, entre os lençóis. Sorri.

MULDER: - Acho que vamos trocar de quarto... Gostei dessa cama...

SCULLY: - Não. Já trabalhamos num porão, vai querer dormir num sótão?

Scully revira umas caixas de papelão.

SCULLY: - Tá vendo? Se me disser aonde coloco esses livros todos que você 'doou', eu posso ter mais alguma coisa pra fazer durante a semana. Que tal colocar nesse armário?

MULDER: - Ai, deixa os livros e vem aqui, vem. Sua maníaca por organização.

Scully abre uma das caixas. Examina os livros. Mulder olha pra ela.

MULDER: - Você tá uma gracinha com essa barriga de fora. É a barriga mais linda que eu já vi.

SCULLY: - Culpa sua, Mulder. Olha o que você fez comigo!

MULDER: - (SORRI) Ah, eu fiz sozinho é?

SCULLY: - Fez. Isto é um Arquivo X.

MULDER: - No meu tempo era outra coisa, mas como os tempos mudam... Eu não tenho culpa se você não tem nada na cabeça. Deveria ter mais juízo.

Scully pega alguns livros e sobe na cama. Tenta equilibrar os livros na cabeça, debochada. Mulder ergue-se olhando pra ela, curioso.

MULDER: - O que está fazendo?

SCULLY: - Agora eu tenho algo na cabeça.

MULDER: - (SORRI)

SCULLY: - Estou tentando melhorar minha postura...

MULDER: - Parece uma doidinha.

SCULLY: - Eu sou uma doidinha. Estou tentando adquirir conhecimentos por osmose.

Scully larga os livros. Deita-se na cama. Mulder se arrasta até ela, cheira o seu pescoço. Scully ri.

SCULLY: - Para! Não pode me ver que fica doido?

MULDER: - É esse cheiro que você tem... Não sei de onde vem... Não é perfume, é como se estivesse impregnado na alma. Eu me reconheço nele.

SCULLY: - Hum...

Mulder apoia o cotovelo no colchão. Passa a mão na barriga de Scully.

MULDER: - Que tal massagem nos pezinhos?

SCULLY: - Depois não reclama. Você me acostuma mal.

Mulder senta-se empolgado. Começa a massagear os pés dela.

SCULLY: - Hum... Gostoso...

MULDER: - Promete pra mim que vamos ficar aqui até quarta-feira, deitadinhos nessa cama, tirando folga da vida selvagem... Puxa, falta uma televisão aqui.

SCULLY: - Já estamos em defasagem de uma televisão.

MULDER: - Juro que vou comprar outra. Scully, você tem o filme Labirinto?

SCULLY: - Não começa Mulder.

MULDER: - Vou comprar o DVD e assistir até entender a mensagem.

SCULLY: - Mulder, não tem mensagem nenhuma, ok? Senta aqui do meu ladinho, senta?

Mulder senta-se ao lado dela. Fecha os olhos. Ela, marota senta-se sobre ele. Mulder olha pra ela.

MULDER: - O que quer, Blue Eyes?

SCULLY: - (SORRI SAFADA) Advinha? Hoje sou eu quem está nervosinha por aqui...

MULDER: - Assim?

SCULLY: - É. Fica mais fácil.

Scully ergue os braços, retirando a roupa. Mulder olha para os peitos dela.

MULDER: - Uau! Agora sim você parece a Pamela Anderson...

SCULLY: - Atrevido! Não aperta muito! Ou vamos ter um acidente por aqui.

MULDER: - (DEBOCHADO) Acho melhor ir buscar uns biscoitinhos.

SCULLY: - (RINDO) Mulder, seu atrevido!


BLOCO 4:

6:11 P.M.

Scully sentada na varanda, com a mão sobre a barriga. Observa a casa ao lado. Suspira.

SCULLY: - Impressionante! Essa mulher não tem mais nada pra fazer do que ficar cuidando a vida dos outros?

Scully fecha os olhos. Mulder entra, segurando uma rosa vermelha. A observa num sorriso. Ela percebe, mas finge cochilar. Mulder aproxima-se, agachando-se ao lado da cadeira. Começa a cantar pra ela, a observando.

MULDER: - ... Blue eyes... Baby's got blue eyes... Like a deep blue sea... On a blue blue day...

Scully abre os olhos e sorri. Olha pra ele. Mulder olha pra ela, afagando o rosto dela com a rosa.

MULDER: - Baby's got blue eyes...

SCULLY: -(SORRI) Amo Elton John... Essa música é linda.

Mulder toma os lábios dela num beijo. Afasta os lábios. Levanta-se. Ela levanta-se também. Mulder entrega a rosa, beijando-a no rosto. Ela abaixa a cabeça num sorriso bobo. Recosta a cabeça no ombro dele e segura a rosa contra a barriga.

SCULLY: - Ai!

MULDER: - (ASSUSTADO) O que houve?

SCULLY: - Sua filha ou filho chutou forte. Acho que ela adora o pai dela fazendo agrado pra mãe dela.

Mulder sorri.

MULDER: - Estranho... Ficar parado aqui sem fazer nada...

SCULLY: - Esse marasmo me entedia.

MULDER: - Troco com você. Da próxima vez, eu fico grávido.

Scully sorri. Aproxima-se da mesa e pega uma maçã. Fica de frente pra Mulder, recostada nas grades.

SCULLY: - Mulder, tenho que te falar uma coisa, Dr. Amante Casado.

MULDER: - ???

SCULLY: - É, você sabia que é médico, casado e que sou sua amante?

MULDER: - O que está falando? É algum joguinho?

SCULLY: - Não. É o que a nossa vizinha pensa. Atacou mamãe na calçada pra perguntar sobre minha vida, acredita? Pensa que mamãe é minha empregada.

MULDER: - (TENSO) Scully...

SCULLY: - Não, Mulder. Ela não tem nada a ver com aquela gente. Nancy é fofoqueira mesmo. Mas mamãe desaforada como é, confirmou o que ela pensava.

MULDER: - Vou reclamar com Debby, a corretora. Ela disse que os vizinhos não seriam problema.

SCULLY: - Não, até estou me divertindo com isso. Mamãe e eu ficamos horas rindo, é a nossa diversão agora.

MULDER: - Quer dizer que sou seu amante casado. E médico? Por que médico?

SCULLY: - Ela acha você elegante. Sempre de terno e gravata. Chega num carrão... (RINDO) Se ela soubesse que nem seu é, é do FBI... Hum... Você tem cara de médico, Mulder.

MULDER: - Eu? Pelo amor de Deus! Eu seria até advogado! Mas médico??? Odeio medicina... O que mais eu sou?

SCULLY: - Um safado. E eu sou a destruidora de lares.

MULDER: - (RINDO) E a minha mulher?

SCULLY: - Ah ela não sabe de nada. A bobinha.

MULDER: - (RINDO) O que essa Nancy faz da vida?

SCULLY: - Hum, como eu ando desconfiada até da sombra, chequei a ficha dela e do marido, usando sua senha no FBI. São casados há 30 anos, tem três filhos. Duas meninas, uma casada, e a outra que estuda na Califórnia. O rapaz também é casado. Nancy é dona de casa. O marido, George, tem um supermercado aqui em Virgínia. É um bom homem. Dia desses, ele estava arrumando o jardim e ao me ver, foi muito gentil. Me cumprimentou, admirou nossas flores... Até que ela o puxou pra dentro. Acho que com medo da destruidora de lares aqui dar em cima do marido dela.

MULDER: - Acho que temos mais uma fofoqueira por aqui.

Scully dá um tapinha nele, rindo.

SCULLY: - Não! Eu sou policial federal. É minha obrigação saber da vida dos outros...

MULDER: - Tá bom...

SCULLY: - Vai amar saber disso: ela é vice-presidente da associação de bairro e presidente do Movimento Cristão Pela Moral Familiar da Virgínia.

MULDER: - (EMPOLGADO NUM SORRISO) Me diga que não está brincando...

SCULLY: - Mulder, por favor. Seu semblante já me disse tudo. Deixe essa mulher em paz, não provoque os vizinhos!

MULDER: - Não vou colocar cesta de basquete no quintal e chutar a caixa de correio... Fique tranquila.

SCULLY: - Mulder...

MULDER: - Vou adorar fazer festinhas privês naquela piscina. Nós dois nus...

SCULLY: - (RINDO) Mulder!

MULDER: - Vou encher a garagem de calendários de mulheres nuas e vamos brincar de mecânico com as portas abertas. Hehehehe... Scully, você não sabe como eu adoro provocar beatas moralistas...

SCULLY: - Mulder! Não alimente o monstro! ... Hum, eu só queria saber quem é que colocou aquele adesivo na porta do sótão: 'Viva uma vida selvagem: tenha filhos'.

Mulder assovia, disfarçando.


2:11 A.M.

No quarto deles, Mulder dorme. Scully levanta-se nua. Veste um roupão, sem fazer barulho. Mulder abre os olhos.

MULDER: - Aonde vai?

SCULLY: - Beber água.

Scully sai de fininho do quarto. Mulder fecha os olhos. Mas abre-os, num insight. Senta-se na cama. Olha pra porta, desconfiado.


Corta pra cozinha.

[Tema da Pantera Cor de Rosa]

Scully entra sorrateira na cozinha. Pé por pé. Caminha até a lavanderia. Fecha a porta. Alguns instantes, ela sai, com uma lata de leite condensado. Coloca sobre a mesa. Abre a geladeira. Pega um doce e passa o dedo lambendo-o. Coloca sobre a mesa. Serve um copo de leite. Observa pra dentro da geladeira. Retira outro doce. Fecha a geladeira. Então olha pra porta da cozinha. Deixa o prato cair no chão, pega no flagra. Mulder parado, num roupão igual ao dela, de braços cruzados e indignado.

MULDER: - (SÉRIO) Muito bonito, Dana Scully...

Scully sorri, desconcertada.

SCULLY: - Eu... Eu...

MULDER: - (INDIGNADO) Água não é? Bem que desconfiei de tanta sede assim na madrugada.

Mulder passa por ela, desviando do doce no chão. Abre a porta da lavanderia. Ela corre.

SCULLY: - Não, Mulder, não...

Mulder olha pra todos os lados. Então vê o banquinho perto do armário alto. Sobe no banquinho. Tenta abrir o armário, mas está trancado.

MULDER: - Cadê as chaves?

SCULLY: - ...

MULDER: - Vamos, sua criminosa. Não adianta negar. Se não me entregar as chaves, eu vou tira-las à força.

Scully leva a mão ao bolso do roupão e retira a chave. Entrega pra ele.

MULDER: - Não pensou que eu ia descobrir? Não sabe que sou bom em mistérios?

SCULLY: - (BEIÇO)

Mulder abre o armário. Fica em pânico.

Close do armário, cheio de latas de leite condensado.

Mulder olha pra ela incrédulo.

MULDER: - Eu não acredito!

Scully faz beiço e abaixa a cabeça, feito criança que sente que vai receber castigo. Mulder olha pra dentro do armário.

MULDER: - 1,2,3,4,5,6,7,8,9,10,11... (PÂNICO) Aqui tem mais de 50 latas de leite condensado!

SCULLY: - (BEIÇO)

Mulder desce do banquinho. Volta pra cozinha. Ela o segue emburrada.

MULDER: - Que coisa feia, Scully. Você não sabe que não pode se entupir de doces desse jeito?

Scully pega o copo de leite e um biscoitinho. Olha pra ele, tentando amansa-lo.

SCULLY: - (SORRI) Mas admita, meu plano funcionou. Só agora você descobriu.

MULDER: - Acha bonito isso?

SCULLY: - Não. É necessário!

Os dois ficam de frente um pro outro.

MULDER: - Isso é gula! Sua viciada!

SCULLY: - Não é não! Eu não sei, mas eu preciso de açúcar! Tudo bem, admito, a manga, o sushi, isso tudo foi capricho, Mulder. Mas o doce não! Preciso sentir açúcar na boca! Eu fico tonta, passo mal... Até eu me assusto com a quantidade de açúcar que estou ingerindo, mas...

MULDER: - E nem engordou tanto... Já foi ao médico ver isso?

SCULLY: - Ele diz que é capricho, assim como você diz!

MULDER: - Sabe o que me deixa mais indignado?

SCULLY: - (BEIÇO)

MULDER: - Sabe?

SCULLY: - (BEIÇO) Não...

MULDER: - (SORRI) Que você ia comer tudo isso sem dividir comigo!

Ela olha pra ele. Abre um sorriso.

SCULLY: - Não tá zangado comigo?

Mulder se aproxima dela. A segura pelo queixo.

MULDER: - (SORRI) Não sei... Estou pensando no castigo pra você... Tem mais doce na geladeira?

SCULLY: - Tem.

MULDER: - Vou começar a fiscalizar essa geladeira.

SCULLY: - ...

MULDER: - Agora suba. Eu vou resolver esse problema por aqui.

Ela sai da cozinha, com um beiço enorme, cabisbaixa.


2:48 A.M.

Mulder entra no quarto com uma tigela. Scully olha pela janela, chateada, com o roupão caindo pelo braço, esfregando o ombro.

MULDER: - Ei, gulosa...

Ela olha pra ele.

MULDER: - Que tal mousse de chocolate?

SCULLY: - (SORRI) Você fez pra mim?

MULDER: - É, eu fiz.

Scully abre um sorriso e pega a tigela. Mulder balança a cabeça negativamente. Tira o roupão.

MULDER: - Que coisa feia ficar mentindo pro seu marido.

Mulder a abraça por trás. Beija seu rosto.

MULDER: - E aí, está bom?

SCULLY: - Hum, delicioso.

Mulder deita-se na cama. A observa. Ela come com tanto gosto que ele ri. Scully larga a tigela sobre a cômoda. Tira o roupão e senta-se na cama. Puxa o lençol sobre os seios.

SCULLY: - Desculpa. Enganei você e mamãe.

MULDER: - Como consegue ingerir tanto açúcar? Olha que eu sou doente por doce, mas você conseguiu me superar!

SCULLY: - Eu não sei. Já disse, é além do meu controle. Meu corpo pede açúcar!

Mulder olha pra ela num sorriso.

MULDER: - Eu tenho uma resposta. A ciência não vai explicar.

SCULLY: - Mulder, não é gula...

MULDER: - Eu sei. Isso é um Arquivo X.

SCULLY: - Ah não deboche de mim.

MULDER: - Não estou debochando. Você sente uma necessidade de comer doce que não sabe de onde vem, correto?

SCULLY: - Correto.

MULDER: - Dizem que anjos gostam de doces. Tem um anjinho dentro de você. Acha que ele vai pedir o quê?

Scully sorri. Mulder recosta a cabeça contra o peito dela, num sorriso. Ela recosta o rosto na cabeça dele.

SCULLY: - Mulder... Agora é sério, me deu sede.

Mulder olha pra ela debochado. Levanta-se. Veste o roupão novamente.

MULDER: - Eu busco a água... Só por via das dúvidas...

SCULLY: - (RINDO)

Mulder sai do quarto. Scully suspira. Brinca com o lençol. Passa a mão na barriga.

SCULLY: - Tá vendo? Tá vendo a confusão que você me causou, sua gulosinha? Vamos ter que arrumar outro esconderijo agora... Hum, tem aquele barracão no fundo do quintal...

Mulder entra no quarto com um copo de água. Senta-se na cama. Entrega pra ela. Ela bebe. Coloca o copo sobre a cômoda. Os dois aproximam os lábios e trocam um beijo. Scully olha apaixonada pra ele.

SCULLY: - (SORRI) Um anjinho?

MULDER: - (SORRI) Um anjinho.

Mulder tira o roupão. Enfia-se debaixo dos lençóis. Ela se deita. Ficam olhando um pro outro em silêncio. Começam a rir.

MULDER: - Você é boba.

SCULLY: - Por quê?

MULDER: - Quando eu era criança, escondia doce debaixo da cama, dentro de uma caixinha de sapatos.

SCULLY: - (RINDO) E se eu fizer isso, vai contar pra Meg?

MULDER: - (RINDO) Eu? Tá me chamando de dedo-duro é? Eu não me esqueci do que o padre disse.

SCULLY: - ???

MULDER: - Promete amá-la, respeita-la, esconder seus doces, até que a morte os separe?

Os dois começam a rir. Scully vira-se de costas pra ele. Mulder a abraça. Os dois fecham os olhos.

SCULLY: - Hum, amanhã podemos acordar às duas da tarde?

MULDER: - (SORRI) Sem objeção...


6:21 P.M.

Foco na janela da sala. A chuva cai forte.

Scully sentada no sofá. Mulder deita-se no sofá, com a cabeça nas pernas dela. Ela faz carinhos nele. Mulder fica brincando com os dedos pela barriga de Scully.

SCULLY: - Algumas vezes me esqueço que você está grávido também.

MULDER: - É, eu tô sofrendo. Posso não estar com dores nas costas, desejos malucos, seios explodindo, correndo no banheiro de minuto em minuto, mas eu tive todos os enjoos por você.

SCULLY: - Hum, tadinho!... Sabe, Mulder, eu entendo você... Deve estar um bagaço, cheio de preocupações, se preocupa demais comigo e com seu filho... A mim cabe a gravidez física. A você a psicológica. E eu sei que você está tão grávido quanto eu. E sem atenção nenhuma.

MULDER: - Não fala assim que eu me aproveito.

SCULLY: - (SORRI) Quer massagem? Óleo de amêndoas? Lamaze?

MULDER: - Não. Eu quero manga.

Scully começa a rir. Mulder fecha os olhos.

MULDER: - Hum, mas uma massagem caía muito bem... (MANHOSO) Scully, eu tô sofrendo.

Scully sorri. Faz carinhos nos cabelos dele. Mulder, de olhos fechados se ajeita no sofá, adorando aquilo.


7:08 P.M.

Eles continuam no sofá. Mulder dormindo com a cabeça no colo dela. Scully assiste TV, fazendo carinhos nos cabelos dele. A porta abre-se. Meg entra. Scully pede silêncio num gesto.

SCULLY: - (SUSSURRA) O que aconteceu?

MARGARET: - (SUSSURRA) O de sempre. Amigas casam.

SCULLY: - (SUSSURRA) Deveria casar novamente.

MARGARET: - (SUSSURRA) Não. Agora eu sinto cheiro de liberdade. Ninguém mais me tira isso.

Scully sorri. Continua acariciando Mulder e assistindo TV. Meg senta-se na poltrona.

MARGARET: - (SUSSURRA) Que filme é esse?

SCULLY: - (SUSSURRA) Não sei, peguei pela metade. Mas o rapaz loiro é da máfia. A velhinha é mãe dele e não sabe das sujeiras do filho.

MARGARET: - (SUSSURRA) É tão bom quando tudo está em paz... Tem três gerações nessa sala.

SCULLY: - (SORRI) Isso não é lindo?

Mulder se vira. Continua dormindo.

MARGARET: - (SUSSURRA) É a minha neta. A única neta da família Scully. Portanto não me culpe... Quer pipocas?

SCULLY: - (SUSSURRA) Deixa que depois eu faço. Mãe, e se for um menino...

MARGARET: - (SUSSURRA) Não vai ser. É a minha neta que eu espero tanto. Você está redonda. Meninos não esparramam a barriga.

Scully sorri. Meg assiste o filme.

MARGARET: - Oh, pobrezinha da velhinha... Por que ele faz isso com a mãe dele? Como existem filhos injustos, despreocupados com a família.

SCULLY: - (SUSSURRA/ AFAGANDO A BARRIGA) Aquele cara lá atrás é o cúmplice do roubo. A máfia agora quer pegá-los por traição.

MULDER: - (DORMINDO) Mamãe?

As duas olham pra ele.

MULDER: - (DORMINDO) Nova Iorque. Navios... Não deixa o papai ir...

As duas arregalam os olhos. Scully levanta-se do sofá. Olha em pânico pra Meg. Meg põe as mãos nos lábios. Scully nega com a cabeça.

SCULLY: - (RELUTANTE) Ele está sonhando. Só isso.

Scully sai da sala. Meg fecha os olhos. Abre-os. Vai pra cozinha. Scully está fazendo um café, nervosa, com a mão sobre a barriga.

MARGARET: - Por que não me disse?

SCULLY: - Dizer o quê?

MARGARET: - Que Fox tem ligações psíquicas com o filho.

SCULLY: - Porque ele não tem! Isso não existe!

MARGARET: - Por que reluta em aceitar? Não percebe a grandeza disso? Meu Deus, você não está esperando uma criança comum! Está esperando um anjo de luz! Agora entendo porque se entope de açúcar!

SCULLY: - Mamãe, para! Para por favor! Meu filho não é um Arquivo X! A única diferença dele pra uma criança normal é que tem genes ativados. Nada mais do que isso.

Meg se cala. Scully prepara o café.


8:11 P.M.

Meg serve o café. Scully sentada à mesa.

SCULLY: - Não estou com fome. Estou nervosa. Alguma coisa dentro de mim, uma angústia... Você me deixou impressionada!

MARGARET: - Desculpe.

Meg senta-se ao lado dela. Mulder entra na cozinha. Abre um sorriso.

MULDER: - Ora, ora... O que foi, Meg? Ganhou na canastra tão rápido? Limpou a aposentadoria das suas amigas?

MARGARET: - Amigas separadas e viúvas vão casando...

Mulder senta-se à mesa.

MULDER: - Tem um médico apaixonado por você...

MARGARET: - Já vivi um casamento uma vez. Foi muito bom. Não vou conseguir outro assim novamente.

MULDER: - Desculpe por aquela noite Meg. Eu não tinha o direito de gritar com você.

MARGARET: - Ora, Fox... Brigas de família. Enfim nossa primeira briga. Já estava ficando preocupada...

Mulder sorri. Olha pra Scully.

MULDER: - O que foi? Por que está calada? Dana Scully não está comendo??? Nossa, isso é sério!

Mulder beija a mão dela. Scully sorri.

SCULLY: - Quer café?

MULDER: - Olha aí. Depois eu me acostumo e você vai reclamar. Meg está de testemunha.

SCULLY: - Agora é minha vez de dizer: deixa eu te acostumar mal, Mulder.

Scully serve o café pra ele.

SCULLY: - Vai pra Nova Iorque hoje?

MULDER: - Tá maluca? Estou fora de lá até quarta feira!

MARGARET: - E aquele sujeito fumacento e mentiroso, como está?

SCULLY: - Mamãe!

MARGARET: - Mas é um fumacento mentiroso sim.

MULDER: - Deixa a Meg falar, Scully. Nada mudou em relação ao que sinto por ele. Continua sendo hipócrita e mentiroso. Está bem, Meg. Bem melhor do que nós todos aqui. E bloqueando seus pensamentos pra que eu não os leia. Vem coisa feia aí, estou com medo. Acho que está negociando algo com Strughold. Se deixou Krycek por fora é porque a coisa é grande. Só estou curioso com os árabes.

SCULLY: - Que árabes?

MULDER: - Havia árabes numa reunião com ele.

SCULLY: - Algo a ver com você?

MULDER: - Não, acho que eram outros negócios. Agora a presença de Strughold em Nova Iorque me deixou com a pulga atrás da orelha.

SCULLY: - ... Tome seu café, Mulder. Se esqueça deles por um dia.

O celular toca. Scully fica nervosa. Olha pra Mulder, olha pra Meg. Mulder levanta-se e atende.

MULDER: - Mulder... Fala... (INCRÉDULO) Agora? Onde?... Ok, estou indo.

Mulder desliga, nervoso, enquanto olha pra Scully. Levanta-se.

MULDER: - Um navio atracado no cais de Nova Iorque. Me desculpe, vou ter que ir.

Meg olha pra Scully. Scully acena negativamente com a cabeça.

SCULLY: - (NERVOSA) Não... Você não vai.

MULDER: - Scully, já vai começar com seus caprichos?

SCULLY: - Não! É uma armadilha!

Scully levanta-se nervosa. Para na porta da cozinha, abrindo os braços. Mulder olha pra ela, sem entender.

SCULLY: - Vai ter que passar por cima de mim.

MULDER: - O que deu em você?

Scully começa a chorar. Mulder aproxima-se dela.

MULDER: - Scully, eu não posso...

SCULLY: - Se me ama e ama seu filho vai ficar aqui.

MULDER: - Por que está fazendo essas chantagens comigo?

Scully se agarra nele. Mulder a abraça, olhando pra Meg. Confuso. Meg olha pra Mulder.

MARGARET: - Escute sua mulher, Fox. Grávidas têm 'intuição'... Entende?

Mulder olha pra Scully. Ela derruba lágrimas. Mulder abre um sorriso.

MULDER: - Tá bom. Eu não vou. Se você e Pinguinho me querem aqui, eu fico.

Scully sorri, se agarrando nele. Mulder a envolve num abraço.


10:28 P.M.

A chuva continua caindo. No quarto, Scully em pé, segura a barriga. Mulder ajoelhado com a cabeça encostada na barriga de Scully, conta com os dedos.

MULDER: - Psiu, fique quieta.

SCULLY: - (SORRI)

MULDER: - Ela está se comunicando por código Morse.

SCULLY: - Sério? E o que ela está dizendo?

MULDER: - Espera... Estou tentando decifrar...

Mulder sério, continua contando com os dedos.

SCULLY: - (CURIOSA) Fala Mulder! O que ela está dizendo?

Mulder levanta-se. Olha sério pra Scully.

MULDER: - Ela está dizendo: vocês dois são malucos, mas eu os amo.

Scully envolve os braços na cabeça dele, o apertando contra sua barriga. Mulder sorri.

Batidas na porta. Meg entra, nervosa.

SCULLY: - Mãe?

MARGARET: - Acabei de ouvir no noticiário... Um navio com carga tóxica... Explodiu no cais de Nova Iorque matando várias pessoas.

Mulder ergue a cabeça e olha assustado pra Scully. Scully chora. Meg sai do quarto. Mulder levanta-se.

MULDER: - (ASSUSTADO) Como sabia?

SCULLY: - ... (CHORANDO) Alguém que ama você me disse.

Mulder, assustado, abraça-se em Scully. Desliza suavemente sua mão pela barriga dela. Fecha os olhos.


Corta para o carro preto, do outro lado da rua. O vidro desce lentamente. Garganta Profunda observa a silhueta dos agentes abraçados, através da cortina do quarto. Sentado ao lado dele, um homem puxa a arma.

HOMEM: - Ele não caiu na armadilha. Precisamos entrega-lo a Strughold ou não teremos a aliança dele.

GARGANTA PROFUNDA: - ...

HOMEM: - Agora sim estão no alvo. Posso acerta-la daqui... Hora de acabar com isso.

Garganta Profunda puxa a arma. Olha pela janela.

GARGANTA PROFUNDA: - (FRIO) Realmente, hora de acabar com isso.

Garganta Profunda vira-se rapidamente, acertando um tiro na cabeça do homem. Sangue e pedaços de tecido cerebral atingem o vidro. Garganta Profunda guarda a arma. Pega o celular e aperta uma tecla, enquanto observa a silhueta de Mulder e Scully pela janela.

GARGANTA PROFUNDA: - Sou eu... Sim, estou seguindo Mulder... Mas como eu disse, Mulder não está traindo você. É um pobre infeliz, estúpido. Está dentro de um carro, observando os céus... Esqueça-se do rapaz... Ele não tem mais nada na vida desde que perdeu Scully...

Garganta Profunda desliga. Observa a janela do quarto. Abre um sorriso. Liga o carro.


Quarta-feira

FBI – 8:11 A.M.

[Som: Talking Heads – Wild Wild Life]

A porta do elevador se abre. Mulder sai do elevador às pressas. Cabelos desgrenhados, a gravata torta, a lapela do terno pra dentro. Olhos inchados de sono. Corre às pressas. Entra na ante-sala. A secretária olha pra ele.

MULDER: - (SORRISO) Bom dia!

SECRETÁRIA: - Bom dia, agente Mulder. Ele está zangado novamente.

MULDER: - (SORRI) Acho que eu e você já conhecemos essa novela...

Mulder abre a porta de Skinner e espia pra dentro.

MULDER: - Cheguei!

Mulder fecha a porta rapidamente. Estrondo de algo se estatelando contra a porta. A secretária nem se assusta. Mulder ajeita o terno, a gravata e os cabelos. Entra na sala, fechando a porta.

Close na placa A.D. Skinner, enquanto se escutam os berros de Skinner lá dentro.

SKINNER: - Pelo menos pode fechar o zíper das calças???


X

13/09/2001

22 de Agosto de 2019 às 16:27 0 Denunciar Insira 0
Fim

Conheça o autor

Lara One As fanfics da One são escritas em forma de roteiro adaptado, em episódios e dispostas por temporadas, como uma série de verdade. Uma alternativa shipper à mitologia da série de televisão Arquivo X. https://www.facebook.com/laraone1

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