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morghanah Morghanah .

Seus braços se tornaram o meu refúgio de tudo aquilo que me afligia depois que te conheci


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#femslash #original #drama #girlslove #yuri #oneshot #romance
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N/A: Antes de mais nada gostaria de dizer que esta shot e cada palavrinha que foi escrita e a compõem são de imensa importância para mim por se basearem em algo por mim experienciado mesclado a uma trama fictícia, contudo, muitos de meus sentimentos vividos e sentidos estão presentes na trama, espero que gostem.

Ela contem uma capa interna também, mas por seu tamanho ser grande – se tratar de uma aesthtetics feita por mim –, preferi a postar em meu Instagram e para os que tenham interesse em visualizar a montagem, ela está disponível juntamente a várias outras feitas por mim.

Sem mais delongas, boa leitura.

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Estava em meu primeiro ano do ginasial quando a conheci. A pessoa que desde a primeira vez que nossos olhos se cruzaram eu soube que era ao seu lado que deveria estar até o final de meus dias e seu nome era Kawashita Sawako.

Kawashita-san – como a chamava logo de início – havia se mudado acompanhada de seus pais de sua cidade natal para a qual eu morava, desde que nasci e vivo ainda até hoje, por causa da escola e seu sonho de fazer faculdade de psicologia. Ela era uma adolescente de quinze anos como qualquer outra do ensino médio japonês no começo dos anos 2000. Seu cabelo liso era bastante comprido em sua cor natural, seu rosto exibia traços japoneses típicos com olhos pequenos e rasgados, nariz de batata e lábios carnudos na medida certa; suas mãos eram delicadas, seu corpo era magro embora seu busto fosse avantajado. Mostrava-se sempre muito discreta e educada em sua postura e modos para com todos. Contudo, o que chamava a atenção nela era seu sorriso largo e contagiante, assim como seu nome que era lido como “criança feliz”, embora alguns colegas maldosos a chamassem de Sadako, como a personagem do mangá e filme de terror Ringo.

Confesso ser o mais belo que vi em minha vida.

Após sua rápida apresentação em frente a turma, Sawako foi instruída pela professora responsável por nossa sala a se sentar na carteira vazia ao meu lado e a vi me cumprimentar com uma mesura formal antes. Nós duas estávamos nervosas naquela hora por inúmeros motivos e mal trocamos duas palavras uma com a outra, mesmo assim eu senti que algo em mim havia sido remexido. Uma sensação singela e tímida em meu coração, uma fagulha de algo muito maior – talvez imenso –, então a aula finalmente começou e com ela nosso ano letivo.

Como seria o natural, as semanas de aula foram passando – as vezes arrastadas nos dias chatos, outros correndo quando tínhamos coisas demais a entregar e tempo de menos para fazer – e com isso o pequeno laço iniciado em nosso pequeno contanto crescia vagarosamente, florescendo tal qual as flores de cerejeira murchavam do lado de fora da sala e o verão se aproximava a passos largos em nossa direção.

Ela sempre me ajudava nas matérias que eu mais tinha dificuldade e vice-versa. Dávamos aulas uma à outra nos momentos de estudo livre, no final do dia e principalmente quando tínhamos alguma avaliação marcada, mas o engraçado era nos ver nas aulas de Educação Física. Nós éramos um desastre total e vergonhoso, confesso.

Parecíamos duas patas chocas com dois pés esquerdos que não conversavam entre si, ainda por cima.

Se é que me entende.

Nessa época nossa amizade já era tão gostosa e a seu modo íntima o suficiente a ponto de nos permitir tirar sarro uma da outra de nosso fracasso motor a ponto de rirmos como hienas de nós mesmas, então vieram as férias de verão e mesmo assim não deixamos de nos ver quase todos os dias por culpa dos muitos afazeres e compromissos escolares do período.

Durante essas semanas, nós acabamos ficando mais próximas e conversando sobre outros assuntos além da escola como relacionamentos e família, pois finalmente tivemos tempo de ir uma na casa da outra e conhecer seus familiares. Por estarmos menos atribuladas tínhamos mais tempo livre para ficar divagando sobre o nada e conversarmos sobre o que quer que fosse o assunto; desde parto de tigres nos confins da ásia até física quântica. Tudo, absolutamente tudo virara pauta e rendia longas conversas até mesmo ao telefone.

Uma coisa que se tornou nosso costume era escutar música sentadas juntas no chão do meu quarto. Tínhamos o mesmo gosto musical e era tão gostoso ficar deitada no chão olhando para o teto ou de olhos fechados ouvindo nossos músicos favoritos contando somente para nós duas, que a gente se perdia por horas e horas ali dividindo cada uma um lado dos fones de ouvindo enquanto no meu discman, escutávamos de tudo um pouco de acordo com o nosso humor.

Isso depois de um bom picolé para ajudar a aliviar o calor ou uma limonada geladinha que minha mãe costumava fazer para nós duas e levar para o quarto. A gente sempre tomava a jarra toda e assaltava a geladeira em busca do que comer.

Duas traças.

Nossa playlist tinha de tudo um pouco desde músicas nacionais a internacionais e muitas animesongs porque ninguém era e ferro, né? Muitas delas bem famosas na nossa época ou do passado. Não tínhamos pegado a época áurea do grunge, mas não parávamos de escutar Jeremy do Pearl Jam ou o seu Acústico MTV nem que nossas vidas dependessem disso. Em nossos dias mais revoltados pulávamos e cantávamos juntas Boiler do Limp Bizkit, Papercut do Linkin Park ou Prision Song do System of a Down, porque essas músicas são apenas exemplos de álbuns simplesmente demais. Assim como nos mais tristes era Silverchair que escutávamos, porque apenas Daniel Jones sabia falar por nós tão bem ou o acústico também da MTV da Alanis Morissette e o cover maravilhoso de King of pain da banda the Police.

Da mesma forma que até mais do que eles, vivíamos a base de muito Luna Sea, Buck Tick, X Japan, Pierrot e L'arc-en-ciel nas alturas para estourar nossos tímpanos enquanto finjamos saber tocar instrumentos musicais no ar e estávamos num palco.

Quem nunca fez isso na vida que atire a primeira pedra?

Essas se for contar as que mais ouvíamos vou passar a noite toda falando e não chegarei a um final.

Esses dias passaram tão rapidamente que quando vimos o segundo semestre batia à nossa porta e toda a rotina voltou ao normal, mas nós estávamos diferentes. Não desgrudávamos mais uma da outra e quase sempre voltávamos juntas para casa, só não nos dias de clube de desenho dela e o meu de teatro. Dois que não tinham muito haver com nossos sonhos profissionais, mas usávamos para podermos nos expressar e colocar para fora pelo menos um pouco de tudo o que nos afligia e a pressão de termos que ser um sucesso. Fracasso não seria admitido e a morte por suicídio seria bem mais honrosa do que falhar.

Estávamos tão unidas que até mesmo nossos professores achavam engraçado nosso comportamento quase simbiótico e brincavam que fossemos gêmeas siamesas filhas de pais diferentes. O que nos diferenciava era o comprimento de nossos cabelos; enquanto o dela era comprido, todo por um e acabava no final de suas costelas, o meu era curto na linha dos ombros e com franja, ambos com a possibilidade de poderem ser presos e escuros em sua cor natural para não chamarem a atenção ou gerar qualquer tipo de segregação ou perseguição, assim como uma noção extra de união para com todo o corpo docente e discente, pois a escola funcionava como um enorme organismo vivo do qual fazíamos parte e éramos todos iguais e apenas um só.

Diferenças ou extravagância não eram toleradas e punidas de maneira severa.

Quando o inverno chegou e com ele as festividades de final de ano, Sawako e seus pais viajaram para sua terra natal para eles poderem estar com seus familiares e prestar respeito e homenagem a sus ancestrais, por culpa disso ficamos separadas alguns dias. O que para mim foi uma imensa tortura porque eu já estava apaixonada por ela e não fazia ideia.

Embora bem lá no fundo algo já me dissesse que era um outro tipo de amor o que sentia por ela que não somente o de melhores amigas e irmãs como nos tornamos.

Quando ela voltou de viagem, eu dormi dois dias seguidos em sua casa e seus pais acharam graça de nós porque ela ficou tão inquieta quanto eu durante esses dias longe.

E assim foi indo… os meses foram passando, as aulas acabando e recomeçando em abril do ano seguinte conosco tendo passado para o segundo ano e com ele novas responsabilidades, muito mais compromissos a se cumprir e exigências de todos os lados para aprendermos a lidar sem sucumbir ao desespero de não darmos conta de nosso dever como filhas únicas e futuro da nação. Porém, um dos muitos assuntos que me afligiam e tiravam meu sono a noite quando por vezes me pegava divagando era esse sentimento de certa forma confuso em meu peito que me deixava corada ou com um frio insano na barriga toda vez a via em determinadas roupas, nossos corpos estavam próximos demais ou nossas peles entravam em contato.

Tudo era novo para mim e não havia maldade de minha parte quando de mãos dadas passeávamos pela escola, no caminho de volta para casa ou quaisquer outros tipos de toques carinhosos e castos que costumávamos dar uma a outra como abraços, por exemplo. Eu adorava deitar em seu colo e a fazer mexer em meu cabelo, isso sempre me acalmava e dava sono, era engraçado. Eu dormia sem ao menos notar, as vezes acordava com ela me fazendo cafuné quando dormia sobre os livros na mesa na biblioteca da escola.

Então veio mais um verão e com ele a excussão da nossa turma toda para uma praia que duraria quatro dias e três noites. Todos da turma estavam eufóricos planejando todo tipo de coisa; fogueira, marshmallow assado na brasa, luau, histórias de fantasmas, muita melancia cortada, banho de mar e piscina também para aliviar o stress dos estudos e soltar fogos de artifício na praia ao menos uma vez. Muitos estavam mais ansiosos para ver o sexo oposto em trajes mais leves, quem sabe se pegarem ou até mesmo poder cochichar a noite toda sobre o que quisesse com sua companhia de quarto.

No hotel fomos distribuídos em duplas sob a tutela de quatro professores responsáveis por nós e mais uma vez nós duas ficamos no mesmo quarto. Assim que chegamos já fomos trocamos logo de roupa e seguimos em direção a praia. Eu só não contava em como iria me sentir ao vê-la de maiô e os cabelos molhados, sorrindo tão contente em minha direção. Sua imagem ficou gravada em minha retina e eu não soube como agir ou o que fazer quando ela me puxou para a água e começamos a brincar.

Eu jurava que estava num daqueles doramas bem clichês onde a mocinha deslumbrada e apaixonada via pela primeira vez o quanto seu senpai era lindo e o amava. Ao me dar conta de meus sentimentos e que talvez – muito provavelmente – todos haviam notado e com isso Sawako também, eu fugi dela e de todo mundo porque na minha cabeça era tudo errado.

Muito errado.

Uma menina não podia gostar de outra como eu gostava dela – como a amava –, diziam ser feio e sujo. Era sempre o que escutava das pessoas quando o assunto era amor entre indivíduos do mesmo sexo. Então chorei escondida trancada no banheiro por um bom tempo e fugi dela pelo resto do dia e da noite também, voltando para o quarto somente depois dela ter dormido, isso já no meio da madrugada.

No dia seguinte foi a mesma coisa só que a noite, Sawako me procurou e encurralou em nosso quarto para conversarmos e eu não soube o que dizer quando suas perguntas sobre eu estar longe ou sendo má com ela a troco de nada vieram, e só chorei. Chorei muito e ela como já havia feito tantas outras vezes apenas me abraçou, mas desta vez foi forte e com tanto carinho em seus gestos silenciosos e compreensivos fazendo tudo parecer tão pequeno e bobo, que quando vi já estava olhando para ela com a cara inchada e o nariz vermelho de tanto chorar enquanto ria da minha cena patética que nem eu mesma entendia a razão concreta de tamanho desespero demonstrado ali.

— Sua boba – ela me disse, retribuindo o sorriso. — Estava chorando tanto e se sentindo tão sozinha por quê?

— Nada demais – desconversei, fungando e ela negou.

— Mentirosa, sei que tem algo de muito errado com você desde que chegamos aqui e não é só porque vem me evitando, me fala o que eu fiz de errado e te magoou, Hanna-chan? Foi porque brinquei com o Kaneda e as outras meninas e comi melancia com eles ao final da tarde de ontem? – neguei. Eu nem tinha visto essa cena, mas agora que soube senti uma pontada de ciúmes. — Então, o que é? Fala pra mim. Sabe que eu não gosto de brigar com você nem de brincadeira – falou um pouco mais perto e com a testa encostada na minha. — É o mesmo que brigar com a minha alma e você afastada de mim é como estar sem meu coração – contou sendo a dramática que sempre foi, o olha que era eu quem fazia teatro, me deixando toda rendida e derretida.

Sua mão levemente fria tocou minha bochecha e eu fechei os olhos instantaneamente para aproveitar mais e melhor de seu toque que aos poucos migrou de lá para os meus lábios. Seu polegar contornou o inferior delicadamente e eu o beijei ao reabrir meus olhos e ver nos dela o mesmo desejo que eu tinha, então o beijo aconteceu.

Um contato calmo, singelo e puro com o gosto salgado ao final por culpa minha e dela que quando vi também chorava por não ser rejeitada, pois seu medo era gêmeo ao meu. Olhei para ela com espanto a vendo anuir e não foi preciso dizer mais nada porque eu entendi.

Ela também me amava tanto quanto eu a ela.

Foi a partir desse dia que tudo mudou entre nós. Passamos de melhores amigas quase irmãs – as siamesas de pais diferentes – para namoradas após meu pedido formal de namoro a ela, que o aceitou de muito bom grado, ainda naquela noite, sob risos ao confidenciarmos quando tudo aconteceu e os nossos sentimentos mudaram, o que mais gostávamos uma na outra e uma leve ceninha básica de ciúmes de minha parte por causa do que ela havia me contado mais cedo. Assim como beijos e mais algumas lágrimas de felicidade, abraçadas uma na outra usando nossos pijamas ridículos de bichinho como fazíamos lá em casa, mas desta além do futon dividimos também a alegria singela de amar e ser amada por seu único, primeiro e verdadeiro amor.

No dia seguinte não tive mais vergonha dela ou de tocá-la como no dia anterior por medo de ser rejeitada após estar consciente de meus sentimentos. Nossos colegas de sala e dois professores nossos que notaram meu comportamento estranho, até deram risada falando que as gêmeas siamesas voltaram a se entender. Perto do pôr do sol, os meninos acenderam uma fogueira na qual assamos e comemos marshmallows, batatas-doces, cantamos junto com eles ao som de dois violões e uma garota com shaminen, todo um repertório bem variado. Estava um clima tão bom e leve que nem vimos a hora passar direito. Mais tarde fomos tomar banho juntas e por estarmos sozinhas ousamos trocar alguns carinhos discretos e beijos rápidos, mostrando e por vezes tocando superficialmente nossos corpos nus pela primeira vez.

O que eu não esperava era que sozinhas no nosso quarto fossemos nos amar naquela noite.

Seus toques delicados, os beijos amorosos, as carícias vigorosas e nossos corpos em contato numa fricção gostosa que nos ensinou o que era sentir prazer, foi surreal. Me recordo como se fosse ontem da textura macia de seus seios em minhas mãos, o gosto de sua pele quando beijei todo o seu corpo e mordisquei suas coxas, a forma como seu gemido tímido e languido me deixou molhada quando a toquei com os dedos e a língua em ser nervo já rijo e os introduzi em seu canal vaginal. Da maneira manhosa como chamava meu nome enquanto trabalhava ali seguindo o que ela havia feito comigo minutos antes repetindo seus movimentos com atenção e cuidado para não a machucar, observando com imensa atenção e amor seu sorriso ao final antes de mais uma vez nos unirmos em busca de prazer mútuo.

Cada detalhe dessa noite ficou gravado em minha alma como nenhuma outra lembrança sua até aquele dia.

Na manhã seguinte acordamos abraçadas uma na outra e nuas, ela me beijou sem pudor algum me tocando também lá em baixo ouvindo-me gemer de forma manhosa e entregue, sequiosa por sentir mais de seus toques em mim e a tocar em troca, contudo, não o fizemos novamente porque corríamos o risco de sermos flagradas, se não teríamos repetido a dose antes de voltarmos para casa ao final daquela tarde onde tudo parecia ainda mais belo do que nunca.

Com nosso namoro em segredos de todo mundo nos tocávamos às escondidas na escola principalmente em nossa sala de aula depois que não tinha mais ninguém lá, no vestiário depois das aulas vespertinas de Educação Física e na casa uma da outra quando dormíamos juntas; dessa forma tentando ser o mais discretas possível, seguimos pelo resto do segundo e do terceiro ano escolares sendo esse último bastante pesado por culpa do vestibular e todo o peso em nossas costas de não virarmos ronins. Fizemos as tão temidas provas de vestibular e sim, passamos para nossos respectivos cursos. Ela psicologia e eu odontologia. Ficamos tão felizes com os nossos resultados e imensa vitória que ao final do tão esperado – porém, saudoso e tão temido – último dia de aula, por agora sermos donas de nossos corpos e aparências sem as regras impostas pela escola onde não se podia cortar o cabelo como se queria, pintar, usar maquiagem, deixar as unhas crescerem, fazer sobrancelha, usar anéis e até mesmo brincos, entre tantas cosias outras coisas bobas – como bebida alcoólica, por exemplo –, pois nada disso nos era permitido enquanto estudantes comuns do ensino fundamental e médio, mas como universitárias podíamos tudo; que assim que saímos fomos furar nossas orelhas, compramos tinta de cabelo, esmalte e maquiagem.

Na minha casa, cortamos o cabelo uma da outra e depois pintamos do jeito que achávamos ser o certo, ficando com as mãos manchadas de tinta e parte das orelhas também. Nos maquiamos do modo como achamos ser o certo e ficarmos parecendo duas palhaças, o que rendeu crises de riso sempre que nos olhávamos no espelho comparando o quão belas estávamos. Quando meus pais chegaram em casa e nos viram totalmente diferentes se assustaram e riram de nossas tripulias e o seu significado para nós, mas minha mãe me obrigou a deixar tudo limpinho, o que fiz com a ajuda da Sawako.

Meu cabelo estava bastante curto e num tom escuro de louro, já o dela pouco abaixo do ombro e bem vermelho. Estávamos de brinco e com a sobrancelha feita de um modo bem amador, torto e bizarro, porém nada disso importou. Cada pequena ação foi um grito de liberdade ao sermos finalmente donas de nós mesmas pela primeira vez em nossas vidas.

Depois desse dia tudo mudou para nós duas.

As pessoas nos olhavam com mais respeito ao saberem de nosso sucesso, especialmente por causa dos cursos e da universidade para a qual passamos e algumas semanas depois do resultado nós nos mudamos para o alojamento da faculdade. O engraçado foi que mais uma vez o destino foi bondoso conosco e nos colocou juntas no mesmo quarto. Sendo ali que de certa forma demos início a nossa pseudovida de casadas.

Isso porque durante nosso grito de liberdade lá em casa durante nosso primeiro porre eu tive coragem de fazer o que há muita já queria e vinha pensando com atenção: a pedi em noivado e ela aceitou antes de nos tocarmos novamente como em tantas outras vezes entre meus lençóis, mas agora com maior responsabilidade sob a premissa do avanço de mais uma etapa de nosso relacionamento e com maior desenvoltura e conhecimento mútuo sobre nossos corpos e o que nos dava prazer ou não.



Confesso que os anos seguintes não foram fáceis para nós duas e brigamos muito. Muito mesmo. A vida adulta não era e jamais foi fácil com todas as suas cobranças e responsabilidades para com nós mesmas e a sociedade homofóbica e fechada que nos rodeava. Nosso relacionamento ainda era mantido em segredo para a nossa própria segurança, o bem e estabilidade de nossas carreiras profissionais, mas era duro não poder demonstrar que a amava e ter que fingir ser somente sua amiga, controlar os olhares, as palavras. Toda e qualquer mínima ação que por ventura pudesse nos denunciar tinha que ser calculada, treinada e escondida com afinco e isso machucava as duas. Eu via e sentia tanto em mim quanto nela esse peso constante e no medo de errar, quais consequências traria a nossas vidas e a de nossos pais.

Era difícil não poder contar a eles o que se passava quando começaram a nos indagar sobre namoro e casamento após nossa formatura, mas quando fomos morar juntas tudo piorou porque eles desconfiaram e tivemos que abrir finalmente o jogo.

Contar tudo o que se passava.

Os meus pais não aceitaram e me chamaram de louca, disseram que iriam me internar em um hospício, que nada daquilo era real e tudo não passava de algum tipo de delírio insano de minha parte, mas me mantive irredutível e não soltei a mão da Sawako em momento algum durante toda aquela conversa difícil que tivemos. Contudo, o que me deixou mais triste foram eles a ignorarem e colocarem a culpa nela por eu ter “perdido a razão e estar fora de mim”, repetindo que estava louca e dizendo até mesmo que ela e seus sentimentos jamais foram reais enquanto ela estava ali de cabeça baixa a frente deles segurando a minha mão entre as dela, tentando a todo custo não desabar e me dar forças para seguir em frente.

Depois de uma discussão ferrenha que durou quase uma hora e todos choraram, eu disse adeus a meus pais que me consideraram louca. Uma doente mental por amar quem amava e eu nunca mais voltei para casa ou vi meus pais outra vez.

Na casa dela foi um menos pior porque eles tinham a mente um pouco mais aberta e já desconfiavam de nós há alguns anos, se tornando o meu porto seguro quando me vi sem família. Foram dias difíceis aos quais eu quis morrer muitas vezes, quase não levantava da cama e me sentia constantemente abandonada, amputada, morta por dentro, mas graças a Sawako que não saiu de perto de mim nem um só minuto e os momentos em seus braços quando deitadas juntas em nossa cama, no nosso apartamentinho que compramos em conjunto com muito esforço e vendendo os desenhos dela; aos poucos fui superando minha dor, ganhando ânimo para levantar de cama outra vez e retomar à minha rotina de trabalho. Um feito que no ano seguinte foi comemorado e recompensado com uma viagem curta para a mesma hospedaria que fomos na excursão da escola e de certa forma fizemos dela a nossa lua de mel atrasada, pois o casamento em si havia sido após me recuperar. Foi um gesto simples e simbólico, um jantar feito por nós duas lá em casa que contou com a presença de meus sogros, pois não tínhamos amigos ou ninguém além deles e nós mesmas para chamar.





Hoje, anos após tudo isso que nos aconteceu, eu posso dizer por mim mesma que superei as palavras rudes de meus pais, a forma como olharam para mim naquele dia como se eu não fosse normal, toda a rejeição à minha felicidade e a pena que eu via em seus olhos quando olhavam para mim enquanto eu falava de minha amada, de nossa vida e do nosso amor.

Abri meus olhos e vi o cabelo comprido e cor de chocolate a minha frente, cuja dona dormia usando uma camisa fina de alça e calcinha. Me aconcheguei nela e senti o cheiro de camomila em seu cabelo e sorri. Estávamos de folga por dois dias e podíamos aproveitar para ficar na cama mais um pouco, o que eu fiz enquanto olhava para ela ainda tão apaixona quanto no começo, isso a quase quinze anos atrás.

Sawako se virou em minha direção, sonolenta e sorriu ao me ver olhando para ela com cara de besta, óbvio.

— Bom dia – me deu um beijo, me puxou para os seus braços e me aninhei nela com imenso prazer.

Somente ela tinha esse poder, essa mágica estranha de mudar toda e qualquer emoção minha, seja aumentando ou a diminuindo, era ela quem me controlava, acalentava, acalmava e inflamava.

Sempre.

— Bom dia.

Seguimos abraçadas por mais algum tempo antes de nos levantar e tomar café.

A nossa rotina em dias de descanso era basicamente a mesma: dávamos uma geral na casa. Eu ficava encarregada de lavar toda a roupa suja acumulada, a estender, a louça e varrer o chão, já ela guardava as roupas limpas, arrumava nosso quarto e lavava o banheiro. Já a comida, nós sempre pedíamos o almoço e jantávamos fora porque ninguém tinha mais saco – ou energia – para fazer comida depois de tudo isso. Juntas limpamos tudo, abrimos as portas para deixar o ar estagnado circular pelos cômodos e entrar um pouco de luz também para evitar mofo e essas coisas chatas de ambientes constantemente fechados. E como sempre ao acabar toda essa maratona estávamos exaustas e mortas de fome porque dessa vez eu me esqueci de pedir a comida, e a Sawako me pôs de castigo por causa disso.

Ok, eu mereci, admito.

Tomamos banho juntas e lavamos as costas uma da outra, assim como acabamos demorando um pouco mais que o normal porque de lavar as costas passamos a outras coisas e quando vi, ela já estava com uma das mãos em meio às minhas pernas a me estimular e eu a gemer graças a isso chamando o seu nome, implorando por mais e ela me dando como a sádica que as vezes era comigo. Depois nos arrumamos como sempre e por a noite estar morna e agradável optamos por roupas leves; vestidos soltos e sapatilhas.

Seguimos aos risos enquanto eu reclamava que estava mais cansada do que ela e depois ela iria ver o que eu ia fazer após me abastecer e voltarmos para casa, tudo sob sua risada tímida e pequenas provocações mudas que somente eu entendia, chegamos ao restaurante modesto que sempre íamos juntas. Nos sentamos na mesa costumeira, cumprimentamos um dos garçons, fizemos nosso pedido e foi pouco antes do prato chegar que vi algo de que não imaginei; meu pai passando por aquelas portas, me fazendo tremer da cabeça aos pés e estatuar olhando em sua direção.

— O que foi, Hanna? – Sawako segurou minha mão por cima da mesa quando me viu chorar.

— Meu pai – foi somente o que consegui dizer.

Ela olhou imediatamente para trás a tempo de vê-lo me mostrar um sorriso triste e devido a meu estado acredito que essa foi a razão que o fez vir até nós e se colocar ao meu lado. Eu estava desacreditada e de certa forma com medo de que ele fosse fazer um show ali, nos prejudicar ou fazer algo contra a minha esposa, tanto que apertei a mão dela que segurava a minha num pedido desesperado para que me ajudasse a lidar com ele, a única coisa que ela fez foi anuir me dizendo que sim.

Ela jamais me deixaria sozinha na vida e eu sabia disso.

— Oi, filha – sua fala veio branda e eu não soube lhe responder mediante sua postura igual à de antigamente.

Ali estava o meu pai amoroso que a seu modo fazia de tudo para que eu me sentisse bem e ensinou tantas coisas, pois se eu sabia como amar e honrar a minha esposa, eu aprendi com ele o vendo tratar a mim e minha mãe. Ele me sorriu ternamente e tudo o que vinha guardando de saudades dele veio de uma vez só e eu o abracei pela cintura me permitindo chorar baixo na frente de todo mundo dentro do restaurante.

— Pai – foi tudo o que eu consegui dizer ali numa tentativa inútil de me explicar sem saber porquê o fazia, apenas precisava.

— Eu sei, Hanna-chan, eu sei… – falou ao afagar meus cabelos enquanto eu chorava.

Após alguns minutos consegui me recompor e ele se sentou ao meu lado.

— Como… como vai o senhor e a mamãe, estão bem?

— Sim, estamos bem e sentimos a sua falta, minha filha. Venha nos visitar. Já passou tempo demais, você não acha?

Anuí e notei que ele parecia ignorar minha esposa.

— Não vai falar com a Sawako, pai? – ele olhou para ela com desgosto e não lhe dirigiu a palavra em momento algum. — Por favor, não faça isso, ela é minha esposa agora – ele me olhou e suspirou derrotado sob o olhar triste dela.

Ele ainda não havia aceitado o nosso relacionamento mesmo após todos esses anos.

— O senhor ainda não nos aceita, não é, pai – comentei com pesar antes de me afastar dele e me sentar ao lado de minha esposa.

— Não é questão de aceitação ou não, Hanna, isso está errado – a forma como deu a entender que nosso relacionamento para ele era algo nocivo, me machucou demais.

— Não é, pai. Desde quando ser feliz e estar com quem se ama é errado? – eu me sentia triste, derrotada por ele nos ver daquela maneira tão restrita e não se abrir ao fato de que todo e qualquer amor era belo e saudável.

— Isso que sente não é real. Você está doente – respondeu tão ou mais cansado do que eu.

Abaixei a cabeça para olhar as minhas mãos unidas as dela me perguntando como não era real. Elevei os olhos até os dela que me sorria se fazendo a mesma pergunta; como o nosso amor não poderia real?

— Não estou, o senhor é quem não entende. Nós somos felizes juntas. Eu sou feliz ao lado dela, pai… é tão difícil assim para o senhor entender como eu me sinto?

Ele soltou o ar pelo nariz com um pouco mais de força, derrotado.

— Hanna, entenda, essa coisa que você chama de esposa – quando ele disse isso, Sawako se levantou, ofendida.

— Eu não sou uma coisa. Sou uma pessoa e quem é o senhor para me falar essas coisas de mim? Não foi o senhor quem esteve com ela quando em seus piores dias, não foi o senhor que a abraçou apertado quando falhava nas provas da faculdade e se sentia um lixo naquele quarto de dormitório longe de tudo e de todos sem uma única pessoa além de mim para a confortar, ou quando perdeu uma vaga no emprego porque não aceitou os abusos de seu chefe. O senhor não sabe nada sobre ela, sobre nós e o que passamos juntas, e se quer saber, ela está muito melhor agora do que jamais esteve antes. Nós somos muito felizes juntas, obrigada – bradou, irada, mostrando sua aliança e sua voz alta chamou a atenção de todos ao nosso redor, deixando a mim e meu pai sem palavras enquanto se levantava e saía.

— Sawako, espera! – pedi que ficasse e quando ia atrás dela, ele segurou meu pulso, negando. — Me solta, pai.

— Não posso.

Forcei, mas ele não soltou.

— O senhor não pode me prender. Eu já sou maior de idade – ralhei com ele que se manteve do mesmo modo.

Puxei minha mão com ainda mais força e consegui me soltar para seguir minha esposa, mas quando me virei na direção dela a vi apoiada a uma mesa e seu corpo oscilava.

— Sawako – apenas tive tempo de a chamar quando seu corpo despencou, caiu no chão e ninguém se moveu para ajudar.

Corri até ela chamando o seu nome, me ajoelhei ao seu lado para saber o que houve e ela estava estranha, mal respirava e seu coração não parecia na cadência certa de batidas, me deixando apavorada, mas o que mais me apavorou foi a inercia das pessoas. Ninguém se mexia para a ajudar ou pareciam prestar atenção em nós, aumentando me desespero por não entender mais nada.

— Filha, fica calma. Papai tá aqui – meu pai falou ao se colocar ao meu lado e pousar sua mão em meu ombro, olhei para ele, aflita, e pedi para ligar pedindo socorro porque eu tinha medo dela morrer ali mesmo o vendo se negar, foi então que o afastei de mim.

— Vai embora daqui, eu não preciso do senhor. Alguém chama uma ambulância – olhei na direção dos clientes e funcionários, mas ninguém se mexeu.

Com ódio de todos eu a ajeitei em meus braços e busquei por meu aparelho celular para ligar para o socorro. Os segundos de espera pareceram uma eternidade enquanto eu olhava para ela e a achava cada vez mais pálida e distante de mim, implorando a todos os deuses e deidades que não a levassem de mim ou não saberia o que fazer de minha vida. Nesse meio tempo pude pensar em como as pessoas eram retrógradas e mesquinhas, pois sei que não me ajudavam por eu ser lésbica e estar feliz ao lado de quem amava.

Quando a ligação foi atendida e eu reportei o acontecido, a única coisa que escutei foi.

“Nada disso é real, Hanna. Tudo não passa de uma alucinação sua, acorde. Você precisa acordar”.

No instante seguinte que afastei o aparelho de meu rosto ele já não existia mais em minhas mãos, muito menos ela estava ali em meu colo. Me vi nos braços de meu pai que segurava meu rosto, chorando tanto quanto eu, pedindo calma e implorando para que eu voltasse, reafirmando que tudo aquilo que eu sentia e vivia não passava de uma grande mentira, uma ilusão criada por mim mesma que não sei quando ou onde começou, mas que era tão ou mais real do que a minha própria realidade.

Em prantos olhei para ele, desacreditada, em seguida corri os olhos por todos os lados aos quais podia e me vi usando uma camisa de força sentada no chão de uma sela branca de manicômio, me dando conta de certa maneira de que tudo foi sim uma mentira. Então em desesperei de verdade.

— Não, não… NÃO! – gritei. — É mentira! Isso aqui é mentira – me debati para mostrar a camisa de força, pois me referia a ela em total negação de que a outra opção pudesse ser realidade.

Ninguém é capaz de criar ou sustentar uma mentira por quinze anos. Além disso, meus professores a viam, interagiam com ela e eu provaria que estava certa.

Era ele quem estava louco, não eu.

— Cadê ela, pai? Cadê minha Sawako? – voltei a me mover tentando me soltar, ainda com as mãos dele em meu rosto, ele então me abraçou apertado.

— Oh, minha filha… ela não existe. Jamais existiu – entoou com pesar, choroso, enquanto afagava o meu cabelo sob protestos meus que não conseguia fazer muita coisa.

— É MENTIRA! Ela existe sim! Eu… nós somos casadas. Estamos juntas desde o primeiro ano do ginasial e somos casadas há anos.

Ele negou.

— Hanna, ela não é real.

— É sim! – me mexi mais ainda para sair de seu aperto chorando cada vez, culpa de tamanha maldade comigo. — O senhor a conhece, pai – choraminguei, desesperada e sôfrega. — Ela ia sempre lá em casa – mais uma vez o vi negar.

— Você inventou tudo, filha. Nada do que viveu foi real, você está doente há anos, meu anjo.

— Não… o senhor está mentindo para mim – tentei me afastar dele. — Me larga. Me solta! – voltei a gritar e desta vez o mordi no ombro o vendo me soltar por culpa da dor.

Sentia gosto de sangue em minha boca enquanto o olhava e via em seus olhos uma tristeza profunda e pungente. Vi com pavor quando dois homens de branco acompanhados de um médico entraram no quarto sob meus berros e algo foi injetado em mim contra a minha vontade, que vi em seguida tudo ao meu redor escurecer.



Acordei sentindo uma mão em meus cabelos e sorri ainda de olhos fechados, reconhecendo perfeitamente a quem pertencia aquele toque único.

Era ela.

Abri os olhos e encarei seu belo rosto, sentindo o seu cabelo comprido como na época da escola resvalar em minha face fazendo cócegas, mas notei seus olhos avermelhados de choro e me assustei. Sawako percebeu e fez o que fazia antigamente, juntou uma mexa e começou a brincar com ela a passando em mim para me ver sorrir e ludibriar, mas eu conhecia todos os seus truques e ela estava triste. Éramos almas gêmeas e ela não podia mentir para mim, mas quando tentei mover minha mão para a tocar, não consegui como se estivesse presa. Olhei para baixo vendo a camisa de força, encararei meu redor vendo as paredes brancas e comecei e me desesperar.

— Calma, Hanna-chan, eu estou aqui com você – ela me disse ao se abaixar para me beijar sobre a testa, me vendo negar.

— Diz que é mentira, Sawako, que tá tudo bem – implorei chorando.

Ela me olhou de maneira séria sem deixar de mexer em meus cabelos, como se lesse algo em meus olhos antes de suspirar.

— Feche os olhos – pediu e imediatamente eu a obedeci, sentindo o toque de sua mão sobre a camisa de força cujo aperto aos poucos foi diminuindo até sumir. — Agora pode abrir.

Reabri os meus olhos e não mais me vi ali naquele lugar de desespero e agonia ou em nosso apartamento, mas no quarto dela, na casa dos pais dela depois de um dia normal de aula.

Nós duas estávamos usando a farda de verão da escola com a camisa aberta, deitadas em sua cama. Eu como sempre aninhada em seus braços sentindo o contato gostoso de sua pele um pouco fria se comparada à minha, meu rosto na altura de seu colo com uma das mãos num de seus seios por sobre a camisa branca de alça a qual usava sempre, acarinhando e beijando aquela parte tão macia de seu corpo tão adorada por mim. Não sabia ou era possível dizer se aquelas belas cores que vislumbrava pertenciam ao amanhecer ou ao anoitecer, enquanto uma leve brisa fria entrava pela janela aberta balançando as cortinas brancas bordadas por sua mãe e acarinha nossa pele exposta, a sentindo beijar a minha testa vez ou outra me dando a sensação de estar protegida de todo e qualquer mal que quisesse me ferir.

Completamente a salvo de toda e qualquer realidade que não fosse aquela ali com ela ao lado dela.









18 de Agosto de 2019 às 18:48 3 Denunciar Insira 3
Fim

Conheça o autor

Morghanah . Escritora faz algum tempo que migrou de outras plataformas para mostrar meu trabalho. Sou uma pessoa dedicada a historias mais densas com personagens tirados de uma mente conturbada por diversos conflitos internos e levemente insana, um detalhe importante que me fez iniciar a minha longa jornada na arte da escrita e, caso aprecie isso, seja bem vindo ao meu mundo.

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Billy Who Billy Who
GENIAL! Apenas essa palavra, porém, não expressa com exatidão o quão surpresa eu estou com essa história. tem vários pontos que gostaria de comentar, um deles a delicadeza que você constroe uma relação bonita e doce, para depois por abaixo com tanta maestria. Amei as referências musicais, pois são verossímeis, as normas orientais sobre escola - ninguém é louro e usa bandana no nariz no ensino médio, porque a autora é coerente. Não se trata de um Boku no Hero kkkkk É real Esse real porém é posto como subjetivo e desaba Não é real Mas gostaríamos que fosse, e como, pois é lindo tudo que as envolve, simplesmente eu amei as duas juntas. Mas aqui, se o amor de ambas não existe ou nunca existiu no mundo real, há lugar no vasto ambiente da fantasia (e loucura) e me pergunto; oq é a realidade se não onde vc estabelece seu lar? E o lar dela, era na outra. Genial, lindo, bem escrito e maravilhoso. Quero lamber a tela do meu celular e dar mil estrelas pra tua escrita.

  • Morghanah . Morghanah .
    Assim tu me deixa constrangida, more, e sei q entendeu perfeitamente a minha ansiedade em postá-la. A relação delas é c/ eu vejo o primeiro amor, pelo menos a versão feliz e correspondia do q seria esse sonho romântico e singelo qndo verdadeiramente vivido, e confesso q doeu um pouco o q fiz. As músicas e normas escolares tinham q ser verossímeis com a realidade japonesa c/ um todo por se tratar da realidade d uma delas. Tudo na nossa vida tbm é subjetivo, pois nada nem ninguém é absoluto. Nem mesmo o Tempo. Elas são tão lindas juntas ♥. Sim, a questão da realidade, ou realidades, representadas por Sawako e o pai da Hanna, são altamente subjetivas. Até pq se pararmos p/ pensar; o q é a realidade no final das contas? Algo q podemos tocar, sentir, cheirar? Ou simplesmente o q queremos acreditar q seja? E c/ vc mesma disse, a realidade da Hanna era a Sawako e vice-versa, então por que não seguir ao lado dela, já q o lugar delas era e sempre será ao lado e nos braços uma da outra? 3 weeks ago
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