Santa Ignorância Seguir história

valeriacazevedo Valéria Costa

E me perco nas entrelinhas do passado Amarrada na passagem do tempo...


Poesia Todo o público.
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Santa Ignorância

Não sei o que me assombra

Pouco sei o que gosto

Nas voltas da vida procuro

Sem coragem de olhar meu rosto

Frio, pálido e transfigurado

Numa corrida incessante pelo caminho errado

Sinto o cheiro pútrido e doce do mosto.


E perco-me nas entrelinhas do passado

Amarrada na passagem do tempo

Estática, vendo a árvore definhando

Raízes firmes fincadas mesmo com o vento

Sinto minha essência sair

As folhas das árvores cair

Organismo paralisado ou lento?


E no meio da conquista eclética

Sinto o cheiro forte de maresia

Lembro daquele dia pensando

E lavo-me com as águas da nostalgia

Pessoas belas, amadas e queridas

Que junto a mim acabaram feridas

Dizerem que a vida é vinho e poesia.


Sinto inveja dessas antigas pessoas

Com espírito jovial e alegre

Que expressam no rosto a infância tenra

Elas percorrem a vida como uma lebre

Presas numa meta irremediável

Na busca por um sonho inalcançável

Frenéticos e perdidos nessa febre.


Eu preferia não saber a verdade

Tomei a pílula e me arrependi

Suportaria melhor a ignorância

Me pouparia de toda a dor que já senti

Essa verdade maldita que intercala morte e vida

Há de me exaurir.


Como descobri pouco importa

Mesmo assim terei que conviver

Com a ideia sufocante

De que o melhor da vida é viver

Sendo que nunca senti

Muito menos sorri

Verdadeiramente como deve ser.

17 de Agosto de 2019 às 18:21 0 Denunciar Insira 2
Fim

Conheça o autor

Valéria Costa Adoro a vida e toda sua composição. Amate de literatura e qualquer coisa que possa ser leitura. Estudante de Letras apaixonada pela arte de lecionar. Observadora das estrelas, precursora da liberdade e fã de café (muito café mesmo).

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