S04#23 - THE FOG Seguir história

lara-one Lara One

Nossos agentes investigam uma estranha nuvem que por onde passa, leva alguma coisa da pequena cidade interiorana... Mas parece que a delegada local, acha Scully muito ‘interessante’ e Mulder parece estar se achando o ‘sexy’ e com os hormônios em crise... Um pobre judeu perdido numa cidade católica de costumes rígidos... Fic escrita em parceria: One & Angel


Fanfiction Seriados/Doramas/Novelas Para maiores de 21 anos apenas (adultos).

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S04#23 - THE FOG

INTRODUÇÃO AO EPISÓDIO:


Rodovia interestadual das Carolinas Norte e Sul

Proximidades de 'Oh, My God' – Divisa das Carolinas - 4:17 P.M.

[Som: I'm Too Sexy – Right Said Fred – é, aquela mesmo!]

O caminhão, com uma enorme carreta carregada, passa em frente à câmera, apressadamente.

Corta para a cabine.

Hills, o gordo e barbudo caminhoneiro, dirige, fumando um charuto. O caminhão balança um pouco. Ele tem uma aparência suja e desleixada, usando botas, calças jeans, uma camiseta regata, que ressalta os pelos encaracolados e vastos do peito. Tem uma enorme tatuagem de uma mulher peituda e nua no braço, envolta por uma cobra.

HILL: - Sabe de uma coisa, Butcher? Vamos descarregar o polietileno e correr pra casa. Tem uma cerveja gelada nos esperando. E aquela loira quente, dona da sua namorada.

Corta para o banco. O buldogue olha pra ele.

HILL: - (RINDO SAFADAMENTE) É isso aí, garoto. Enquanto você fica com a sua namorada, eu fico com a minha.

A música acaba.

LOCUTOR (OFF): - Você está ligado na FM 101.5. Notícias: A recontagem de votos no estado da...

HILL: - Shii, ainda estão nessa coisa? Sabe, Butcher, são todos uns filhos da mãe. Essa é a verdade. O discurso é um, a prática outra.

Ele continua dirigindo.

LOCUTOR (OFF): - Agora a previsão do tempo: tempo ensolarado em toda a costa leste do Estados Unidos.

HILL: - (SORRI DEBOCHADO) Esses caras entendem tanto de tempo quanto eu entendo de engenharia de plásticos. Vai é fazer frio. Tem um nevoeiro se aproximando.

Corta para a nuvem baixa, como um nevoeiro, que sobrevoa a estrada lentamente, vindo de encontro ao caminhão.

HILL: - Mas que diabos? Quem fala sobre o tempo mente! Esses caras não sabem distinguir sol de neblina!

Corta para a nuvem que passa pelo caminhão lentamente.

Não há mais caminhão. Apenas porcas, parafusos e pneus na estrada, que caem do nada, saltitando pelo asfalto, conjuntamente a um dos sapatos de Hill.

A nuvem continua movendo-se pela estrada.

VINHETA DE ABERTURA:



BLOCO 1:

Arquivos X – 8:11 A.M.

Scully entra na sala com os dois copos de café. Abre a boca, Mulder faz sinal pra ela calar-se. Está ouvindo rádio. Scully ergue as sobrancelhas, coloca o café dele sobre a mesa e senta-se em sua cadeira. Mulder desliga.

MULDER: - (ENTUSIASMADO) Pegue suas coisas e vamos pra Carolina.

SCULLY: - (NENHUM POUCO ENTUSIASMADA) O que tem na Carolina?

MULDER: - Pneus saltitando na estrada.

SCULLY: - (DEBOCHADA) Hum, e isso é um Arquivo X?

MULDER: - ...

SCULLY: - O que está me escondendo?

MULDER: - Nada.

SCULLY: - Mulder...

MULDER: - Há duas semanas, moradores da pequena e pacata cidade de 'Oh, My God'...

SCULLY: - O que foi?

MULDER: - Nada. Bem, moradores de Oh, My God...

SCULLY: - (OLHA PRA ELE O QUESTIONANDO)

MULDER: - Desculpe. Este é o nome da cidade. Sugestivo não?

SCULLY: - (CORTANTE) Os moradores de Oh, My God???

MULDER: - Estão todos em pânico.

SCULLY: - (OLHANDO PRA ELE COM DEBOCHE) Hum... Os pneus da cidade estão todos brincando de pula-pula nas estradas? (COLOCA AS MÃOS NO ROSTO/ EM GESTO DE ESPANTO) Por isso batizaram a cidade de Oh, My God!?

MULDER: - (DEBOCHADO) Hê-hê-hê... Essa foi boa. Mas não chega a ganhar o Emmy. Aliás, Scully, há quanto tempo a gente não ganha nada?

SCULLY: - O que tem a ver os pneus com os moradores?

MULDER: - Não são apenas os pneus. As coisas estão desaparecendo.

SCULLY: - (SEGURANDO UM BEIÇO DE DEBOCHE) Que coisas?

MULDER: - Casas, ferramentas de jardim, carros, postes de luz, casa de cachorro, cercas e até mesmo o Lulu sumiu do quintal da senhora Flammers.

SCULLY: - Hum... Lulu estaria por trás do desaparecimento? Quem sabe Lulu está montando uma casa maior pra ele...

MULDER: - (INDIGNADO) Ô, Scully, vai ficar debochando da minha cara?

SCULLY: - (DEBOCHADA) Eu? Absolutamente! Continue. Muito, muito interessante sua história.

MULDER: - Pessoas também estão desaparecendo.

SCULLY: - ... (SEGURANDO O RISO) ... Acha que algum ET está roubando coisas pra brincar de construir uma cidade?

MULDER: - Pegue seu Playmobill, Scully. Vamos até lá.

SCULLY: - Lego não serve.....?

MULDER: - Não. (DEBOCHADO) Eu sou da época do Playmobill.

SCULLY: - (SÉRIA) Não, espera aí! A quê as pessoas atribuem esses desaparecimentos?

Ele disfarça que tira algum fiapo da camisa. Ela o olha seriamente.

SCULLY: - Mulder...

MULDER: - (QUASE SUSSURRANDO) ... Uma nuvem.

SCULLY: - Ahn? Você disse uma nuvem?

MULDER: - ... (OLHA PRA ELA)

SCULLY: - Mulder, nuvens não somem com pessoas.

MULDER: - Não é bem uma nuvem... é uma neblina.

SCULLY: - (INDIGNADA) Você por acaso já esteve realmente em Londres? Como não desapareceu por lá?

MULDER: - Scully, isso...

SCULLY: - Não! Mulder, fenômenos climáticos ocorrem em todos os lugares. Neblinas não devoram coisas ou pessoas e muito menos o Lulu da senhora Flammers!

MULDER: - ...

SCULLY: - (FURIOSA) E se eu não quiser ir? Já notou que eu sempre tenho que deixar meu trabalho pra ir atrás das suas suposições?

MULDER: - (SE FAZENDO DE VÍTIMA) Fique aqui. Sem problemas. Tem todo o direito de fazer seu trabalho... Eu não quero impedir você de fazer seus deveres... Não... De forma alguma... Você não tem que ficar correndo atrás das minhas loucuras...

SCULLY: - (IRRITADA) Ótimo! Eu não quero perseguir nuvens raptoras de cachorrinhos!

Ele pega o paletó. Olha pra ela.

MULDER: - Que dia é hoje?

SCULLY: - Sexta-feira.

MULDER: - (DEBOCHADO) Dizem que por lá, as noites de sextas-feiras são agitadas, num lugar chamado 'Um drink no Inferno'.

Ela levanta-se rapidamente. Pega sua pasta. Ele disfarça, coloca as mãos no bolso, segurando um riso, enquanto assovia.


Delegacia de 'Oh, My God' – 3:29 P.M.

A alta e forte delegada, quase da altura de Mulder, com um coque nos cabelos loiros, olhos azuis marcantes, peitos fartos, aproxima-se de Mulder e Scully.

MULDER: - (MURMURA/ BOQUIABERTO) Oh, my God!

SCULLY: - (COCHICHA/ ENCIUMADA) Aviso: Não quero ter problemas aqui, entendeu?

Ele olha pra Scully, rindo. A delegada aproxima-se.

SAM: - FBI?

Eles mostram as credenciais.

MULDER: - Agentes Mulder e Scully.

SAM: - Samantha Andrews. Mas podem me chamar de Sam.

Ela troca um aperto de mão com Mulder de estalar os ossos. Mulder faz cara de pânico. Ela solta a mão dele. Ele tenta disfarçar, virando a cara pro lado numa fisionomia de dor e sacudindo a mão.

SAM: - Vieram por causa do fenômeno.

SCULLY: - Viemos pra analisar cientificamente as condições envolvidas.

A delegada fita Scully.

SAM: - Agente...

SCULLY: - Dana Scully.

SAM: - Dana. Dana, sei que isto pode parecer estranho pra vocês o tanto quanto é pra mim. Fico feliz por estarem aqui. Talvez me ajudem a resolver esse mistério.

SCULLY: - Há quanto tempo está ocorrendo esse distúrbio?

SAM: - Há mais de duas semanas. Primeiro recebi a queixa do senhor Phillips. Ele disse que alguém havia roubado uma parelha de bois. Dois dias depois, outro fazendeiro registrou queixa por terem roubado seu celeiro.

SCULLY: - Celeiro?

SAM: - Isso mesmo, Dana. Como alguém pode roubar um celeiro inteiro sem ninguém perceber? A princípio fui verificar só porque ele estava tenso. Wilson bebe muito e costuma contar estórias por aí. Mas o celeiro havia sumido. Interroguei os vizinhos e ninguém viu nada. O celeiro sumiu do dia pra noite. Apenas algumas vacas e galinhas ficaram no local.

MULDER: - E a nuvem?

SAM: - Bom, eu não vi nuvem alguma ainda. As pessoas da cidade toda comentam que essa nuvem passa por alguma coisa e essa coisa desaparece no nada. (RI) Absurdo!

SCULLY: - (OLHANDO PRA MULDER) Com certeza.

SAM: - Estão hospedados em algum lugar?

SCULLY: - Pode nos recomendar algum hotel?

SAM: - (SORRI) Não temos hotel na cidade. Podem ficar na pensão da senhora Flammers. Comida boa, cama macia. Ninguém entra depois das 10 da noite.

Mulder olha pra Scully com deboche.

SAM: - Bom, depois posso circular com vocês por aí. Hoje é sexta. Sempre há algum tumulto, alguma briga. Quem sabe podem interrogar os habitantes locais e descobrirem detalhes que não descobri?

SCULLY: - Faremos isso.

Sam aperta a mão de Scully, suavemente. Aproxima-se da orelha dela.

SAM: - (COCHICHA) Se não se sentir à vontade, amiga, pode ficar na minha casa. Sei o quanto é chato ficar em hotéis com parceiros homens que acham que sabem de tudo. Homens, uns bobocas egocêntricos.

Scully sorri agradecida. Sam afasta-se de Scully.

SAM: - Foi um prazer conhecer vocês.

Sam afasta-se deles, entrando numa sala. Mulder cochicha pra Scully.

MULDER: - (MALICIOSO) Hê-hê-hê... Ganhou, Scully. Eu confesso que desta vez não tive chance. Você arrasou na conquista. Não vou competir com você.

SCULLY: - (INOCENTE) Ahn?

MULDER: - Santa inocência! Não reparou nos 'coturnos russos dela com biqueira de aço alemão e feitos artesanalmente por presos políticos da Sibéria'?

Ela olha pra ele sem entender nada. Ele ri.

MULDER: - Tá, deixa pra lá. Eu vejo coisas onde não existem.

SCULLY: - (INCRÉDULA) Mulder, está insinuando que a delegada Sam é lésbica?

MULDER: - Não. Ela só é chegada em amassar um bombril. Ou substituir a língua por algo que ela não tem...

Ela o cutuca.

MULDER: - Au!

SCULLY: - Pára com isso! Ela só está sendo gentil comigo, porque sabe o quanto esse maldito mundo é machista! Solidariedade feminina.

MULDER: - (DEBOCHADO) Cuidado, Scully. Não solidarize demais...


Pensão Santa Maria Madalena – 5:11 P.M.

Mulder termina de assinar o livro. A velha magra, de ar sério e com óculos, o observa por debaixo das lentes.

VELHA FLAMMERS: - Dois quartos?

MULDER: - (CARA DURA) Não, senhora. Um. Contenção de despesas do FBI.

VELHA FLAMMERS: - Sinto muito. Aqui só alugamos dois quartos. Isto é uma pensão de respeito. Se me mostrarem a certidão de casamento, tudo bem.

Ela vira-se pra pegar as chaves. Mulder olha debochado pra Scully.

MULDER: - (COCHICHA) Se lembra daquela velha magrela e esquisita dos desenhos do Pica Pau?

SCULLY: -(COCHICHA) Meany Ranheta?

Scully segura o riso. Olha pra velha. A semelhança é impressionante.

MULDER: - Certo, dois quartos então.

VELHA FLAMMERS: - O café é servido às sete, é proibida a entrada de animais e não é permitido entrar ou sair depois das dez da noite.

MULDER: - E se eu tiver um crime pra resolver?

VELHA FLAMMERS: - Me acorde pra abrir a porta.

MULDER: - (PÂNICO) ...

VELHA FLAMMERS: - Nem namorados ou namoradas. As camas são todas de solteiro. Não permitimos sexo aqui dentro.

MULDER: - (DEBOCHADO)... E lá fora, no jardim, pode?

Scully segura o riso, colocando a mão sobre os lábios, baixando a cabeça.

VELHA FLAMMERS: - Não. Não pode também.

Mulder cochicha pra Scully:

MULDER: - Vamos embora. Já tá explicado porque o Lulu dela sumiu. Não podia continuar sua espécie...

VELHA FLAMMERS: - Prezamos pela moralidade cristã. Vejo que sua parceira também é cristã.

SCULLY: - Sim senhora.

VELHA FLAMMERS: - Portanto ela honra sua crença e tradição. Sabe do que estou falando.

Mulder morde os lábios contendo um riso que quer escapar. Scully o cutuca com o pé.

VELHA FLAMMERS: - Se quiser assistir a missa no domingo, é pela manhã. Aqui estão os horários.

Scully pega o folder. Sorri.

SCULLY: - Obrigado.

VELHA FLAMMERS: - Vou mostrar seus aposentos. Por favor, me acompanhem.

Ela segue na frente, subindo as escadas. Mulder segue ao lado de Scully.

MULDER: - (COCHICHA/ DEBOCHADO) Cristã... Se ela soubesse o que você coloca na boca aos domingos de manhã. Não tem nada a ver com hóstia, menos ainda com vinho.

Ela o cutuca. A velha vira-se.

VELHA FLAMMERS: - Você é judeu, não é?

MULDER: - Como sabe?

VELHA FLAMMERS: - O nariz. O nariz denuncia um judeu.

Scully cerra os lábios, doida pra rir.

MULDER: - (COCHICHA)... Se meu nariz é grande, ela ficaria impressionada se visse o tamanho do meu...

SCULLY: - (RINDO) Mulder!


Cafeteria Santo Graal - 5:43 PM

Scully toma um café descafeinado, em frente a Mulder.

MULDER:- Scully....a coisa tá preta pro nosso lado.

Ela retesa a sobrancelha direita.

SCULLY:- Pode me dizer o por quê Mulder?

MULDER:- (OLHANDO PARA OS LADOS) Já viu o nome dos estabelecimentos daqui? Cafeteria "Santo Graal", Livraria "Santo Sudário", Restaurante "Santa Ceia"... Até as lojas não escapam! Tem até um tal de "Atacado Nazareno"!!! Estou me sentindo o próprio excomungado!

SCULLY:- (DEBOCHADA) Não se sinta assim Mulder... Aberrações da natureza escapam do santo ofício... E além do mais, você é judeu.

Ele se irrita, alcançando uma das revistas perto da mesa.

MULDER:- (SUSSURRANDO) Scully, eu quero ver quem é que vai ser excomungado quando gritar e fazer beicinho pedindo o seu "pirulito preferido" e essas velhas carolas cheirando a formol perceberem do que se trata!

SCULLY:- (ASSUSTADA/RINDO) Mulder!!!

Ele dá um sorriso cínico, voltando os olhos para a revista.

MULDER:- Eu não acredito!

SCULLY:- ???

MULDER:- (DEBOCHADO/ LENDO) "Sessão Resolva suas dúvidas com o Padre Vitinho"... Pergunta 1: "Carmelita" pergunta: "Padre, tenho tido muitos pensamentos pecaminosos, principalmente com um vizinho a minha santa morada. Algo me impede de parar, e quando percebo, estou fazendo coisas horríveis. Sinto meu corpo possuído pelo demônio. Por favor, me ajude!" Padre Vitinho responde: "Minha filha, o homem que te traz esses pensamentos está imerso na tentação de Lúcifer, por isso, esforce-se, pois com esforço é que se garante a morada na casa de Deus...

SCULLY:- (RINDO) Para Mulder!!!

MULDER:- (QUERENDO IRRITAR): "Passe dois dias em jejum, bebendo somente água benta. Jogue sal e água benta no pátio que te esconjura, para espantar o espírito do mal...

Scully o belisca no braço.

MULDER: - (MANHOSO) Au!

SCULLY: (SUSSURRANDO) Mulder, pelo amor de Deus! Cale essa maldita boca!

MULDER: - (MANHOSO) Aiiee... Preferia essas mãozinhas nervosas em outro lugar....

Ela o fita incrédula, sentindo o rosto avermelhar de vergonha. Ele pisca e morde os lábios, na típica expressão infame de ninfomaníaco.

SCULLY: - Mulder, eu juro que vou te internar... Tá com síndrome de Michael Douglas de novo, é?

MULDER: - Não... Tô com necessidade de Sharon Scully...

A porta do estabelecimento abre-se rampante. Sam entra, com seu passo bonachão. Veste calças jeans surradas, coturnos, um colete de couro. Tem gel nos cabelos.

MULDER:- (PROVOCANDO) Hum... sentiu o perfume, Scully? "Viril Max. Com Viril Max, as fêmeas não irão resistir ao seu cheiro inebriante, procurando incandescidas a sua virilidade"...

SCULLY:- (FULMINANDO-O COM OS OLHOS/RAIVA) Você me paga Mulder!!

SAM:- Agentes, mais algumas coisas desapareceram esta tarde. Desde roupas no varal até... Não, vocês precisam ver para acreditar.

Sam lança um olhar 43 para Scully, que finge não perceber. Ela olha para Mulder, pedindo ajuda, mas ele apenas sorri cínico para ela, dando de ombros.

SAM:- Vamos Dana, deixe esse 'armário' aí para você pendurar as roupas... Homens só servem para isso mesmo!

Sam engata um dos enormes braços ao redor de Scully, puxando-a para fora do estabelecimento. Ela não consegue reagir, diante da enorme delegada.

SCULLY:- (MOVENDO OS LÁBIOS, SEM SOM): Me ajuda!!!!!

MULDER:- (REPETINDO, CIRCULANDO A LÍNGUA NOS LÁBIOS) Quer que eu leve o óleo sabor vanilla?

SCULLY:- (MOVENDO OS LÁBIOS) Gay enrustido!! Eu te odeio Mulder!


Casa dos MacFlint – 5:57 P.M.

Os três chegam no local da casa. Mulder olha para Scully, que ainda tem o cenho contraído.

MULDER:- Casa? Que casa?

Apenas duas poltronas, almofadas, cadeiras, talheres de cozinha, parafusos, porcas e pregos, algumas peças de roupa, e duas camas de solteiro unidas se encontram no terreno. Mulder olha pra ela e começam a cochichar.

MULDER:- (COCHICHANDO) Camas unidas hein Scully?

SCULLY:- Se você abrir essa boca suja mais uma vez, eu juro que te quebro os dentes Mulder!

MULDER:- (OLHAR SEDUTOR/SAFADO) Boca suja que você adora sentir trabalhando lá em baixo.....

Ela dá um beliscão forte no braço dele. Sente o rosto queimar.

SCULLY:- Err... Delegada Andrews, quando isso exatamente aconteceu?

SAM:- (PISCANDO O OLHO) Me chame de Sam... Bem, pelas testemunhas, foi há cinco minutos...

MULDER: - A nuvem?

SAM:- Sim, a nuvem.

SCULLY:- Que nuvem é essa afinal? E onde está o casal MacFlint?

SAM:- Na Igreja. Estão apavorados. Pensam que foi o demônio que levou a casa deles. Eles estavam dentro da residência quando aconteceu.

Mulder caminha até onde estão os talheres.

MULDER:- 11 facas, garfos e colheres... algumas facas maiores, repetidas. Sobraram 2 sofás, duas camas...

SAM:- Dois meninos jogavam bolas de gude... A tal da nuvem passou, e uma das bolitas sumiu. Os passarinhos da senhora Rutic também, sobraram apenas dois canários que estavam na mesma gaiola. Houve outros relatos também. Num bar, perto daqui.

SCULLY: - E os MacFlint? Precisamos averiguar...

SAM: - Deixe-os na Igreja por enquanto. Nunca vi gente mais religiosa!

MULDER: - Eu já.... (OLHANDO PRA SCULLY DEBOCHADO)


BLOCO 2:

Bar Inferninho Sagrado – 6:30 P.M

Mulder olha para Scully, debochando. Ela nem o fita. Sam adianta-se, traspassando a porta.

MULDER:- (ESTICANDO OS BRAÇOS) Ahh, me sinto em casa!

SAM:- Esperem aqui na porta.

Ela caminha entre os homens, cumprimentando-os com tapas nas costas.

JOSEPH:- Sam, há quanto tempo! Precisamos organizar aquela caçada!

PETER:- Sam, conseguiu a verba? Precisamos construir o muro da Igreja!

Os comprimentos continuam pelo bar inteiro. Scully cerra os lábios, com raiva de Mulder. Ele se diverte com o aborrecimento dela.

SAM:- Pessoal, aqueles são Fox Mulder e Dana Scully, agentes do FBI. Estão investigando o fenômeno que está acontecendo por aqui.

Os homens olham para Scully dos pés à cabeça. Ouvem-se alguns assobios.

SAM:- Dana, venha cá um minuto.

SCULLY:- Preciso investigar com Mulder...

SAM:- Que isso! Deixe o imprestável fazer esta parte! Além do mais, não quer esses buldogues babando no seu blazer, certo? Precisa pôr respeito.

SCULLY: - Sam, preciso investigar junto de Mulder. Somos parceiros. A visão científica é importante nesses casos...

Scully olha para os pés de Sam sem perceber.

SAM: - Gostou dos coturnos? São russos, com biqueiras alemãs.

SCULLY: - (INCRÉDULA) Me... mesmo?

SAM: - Claro... Um dos parceiros viajantes me trouxe... Posso conseguir um par pra você.

Ela pega na lapela do blazer de Scully, bem perto do seio. Scully gela. Sam faz expressão sedutora, levantando as sobrancelhas e fazendo beiço.

SAM:- (FALANDO MANSO) Dana, o convite para ir a minha casa está de pé. Como é que você aguenta aquele armário do seu lado?

SCULLY: - (INCISIVA) Conheço Mulder há muito tempo. Digo que já o conheço de trás para frente, de dentro para fora. Nada de surpresas.

SAM: - (INSISTINDO) Homens... Os conhecemos dessa maneira, mas eles parecem não nos entender nunca... Somente uma mulher pode entender a outra...

SCULLY: - (ENTRANDO EM DEFENSIVA) Sam... Eu não sou o que você está imaginando...

SAM: - Entendo a sua refuta inicial... É sempre assim. Depois a interação é total...

SCULLY: - (ASSUSTADA) Mulder?? A Sra. Flammers não irá gostar de nosso atraso...

MULDER : - (GRITANDO, DO OUTRO LADO DO BAR) É cedo ainda Scully! Temos tempo!!

Scully levanta-se, procurando-o com os olhos. Encontra-o batendo papo com um bando de homens à beira do balcão. Aproxima-se.

SCULLY: - (INCRÉDULA) Mulder!!! Vou colocar isso no meu relatório!

MULDER: - O que foi Scully? Estou trabalhando! Você que ficou de chamego com a delegada!

Ela o puxa pelo braço, furiosa, levando-o para fora do bar.

SCULLY: - Mulder!! Éramos para estar investigando um caso sério aqui, e você fica bebendo cerveja de quinta junto com um bando de homens malcheirosos!!

MULDER: - (DEBOCHADO) Bebendo???? E o que me diz de você? Aposto que o "Samantão" não estava discutindo o caso... Seria... "Somente uma mulher entende outra mulher" ?

SCULLY: - (FURIOSA) Mulder, eu não suporto essa sua ironia!!! Pois irá se dar muito mal com isso um dia!! (PROVOCANDO) E depois, se ela tem razão?

MULDER : - (DESCONFIADO) O que quer dizer?

SCULLY: - (COLHENDO MADURO) De que adianta essa sua poderosa "espada jedi"? Eu já te disse uma vez que clãs de fêmeas homossexuais são intransponíveis!

MULDER: - (ESQUENTANDO) Tá virando a casaca é Scully? Não vem que você adora o meu sabre de luz!!!

SCULLY: - (DESAFIANDO) Será mesmo?

MULDER: - (PÂNICO)...

SCULLY: - Mulheres fingem Mulder... E muito bem! Você não está com a bola toda não!

MULDER: - Ah é? Pois bem! Se os vizinhos têm ciúme da minha performance, e ainda a criançada do prédio te chama de Madonna, eu não veria isso como mero fingimento!

SCULLY: - (APAVORANDO) Pois tente adivinhar os meus pensamentos quando eu supostamente tenho orgasmos múltiplos em cima de você.....

Ela sai vitoriosa, quase rebolando. Mulder pende o queixo, incrédulo. Engole em seco.


Pensão Santa Maria Madalena – 10:10 P.M.

[Som: I'm Too Sexy – Right Said Fred – leia-se 'Melô de David Duchovny!']

Som de passos furtivos no corredor. A madeira ressequida estrala ecoando mais alto do que deveria.

Close em Mulder. Pele brilhando de óleo essencial. Veste uma boxer preta de cetim reluzente, quase justa, bem curta. Carrega nas mãos um vidrinho de óleo. O rótulo dourado deixa aparecer o nome "Essência de Almíscar Selvagem". Aproxima-se da porta de Scully com um sorriso maquiavélico nos lábios.

MULDER: - Há há há Scully... Hoje eu não paro até você pedir clemência! E nada de gritos!

O bafo quente do ar permeia por ele, que começa a se abanar sem perceber.

Som de alguma porta se abrindo mais adiante.

Mulder estaqueia, a centímetros da porta de Scully. Sua mais ainda, encharcando a única peça que veste. Ouve passos lentos vindo em sua direção. Começa a recuar de ré, passo a passo, até seu quarto. Chega até sua porta. Gira a maçaneta. Nada. A porta só abre por dentro. A chave ficou em cima do criado mudo.

MULDER: - (RESMUNGANDO) Droga... Já estou sentindo o cheiro de formol vindo pelo corredor...

Close em uma pequena janela no fim do corredor. Ele vai até ela, evitando fazer barulho. Abre-a com cuidado. Transpassa as pernas, esgueirando o corpo nas pequenas abauladas de concreto entre um andar e outro. Quando começa a se mover em direção à janela do seu quarto, sente a cueca presa em um prego na madeira da janela. Presente que a pessoa do corredor está a ponto de enxergá-lo.

MULDER: - Filha da mãe essa Meany Ranheta!

Ele puxa a cueca com mais força e só ouve o tecido rasgando, o deixando nu. Equilibra-se do lado de fora do prédio. Esgueira-se até sua janela. Está fechada.

MULDER: - Mil vezes droga! Só me falta a Scully ter fechado a janela!

Mulder chega até a janela de Scully. Ele não enxerga diretamente, pois seu rosto está acima do vidro. Cutuca o vidro com o joelho, na tentativa de acordá-la.

MULDER:- Scully, abre! Sou eu!

Scully ouve um murmúrio, mas não entende de onde vem.

MULDER: - (SUSSURRA O MAIS ALTO QUE PODE) Scully!!!!!!!!

Ela olha em direção ao vidro e vê um Mulder pelado. Solta uma gargalhada de Gillian.

MULDER: - Scully, abre o vidro! Eu vou cair!!!

SCULLY: - (DEBOCHADA) Nossa Mulder! A vontade é tanta que você se reduziu a isso? Não sabia que tinha o hábito de invadir o quarto de mocinhas inocentes, pela janela do segundo andar....

MULDER: - (DESESPERADO) Socorro Scully!!!

SCULLY: - (MAIS DEBOCHADA) Sabe que está bonitinho? Fica aí Mulder.

MULDER: - (SEM FORÇAS) Não brinca mulher! Eu estou nu! Meus dedos já não me obedecem mais! Se eu cair, você vai ter suflê de Mulder amanhã!

SCULLY: - Hum, que prato suculento então!

MULDER: (DESESPERADO) Scully, eu vou cair!!!!

SCULLY: - Ora, cai! Tem muita carne aí para amortecer o impacto! Aliás, é bem capaz de você quicar no chão e acabar voltando e quebrando a minha janela. É uma possibilidade!

Ela percebe que ele fala sério, vai até a janela e a abre. Ele cai por cima dela.

SCULLY: - Não sabia que a nuvem fazia chover homens nus! Quem sabe não me cai um George Clooney daqui a pouco? Hum... que cheiro é esse Mulder.....

MULDER: - Porque? Tá gostando é "Sadan Scully"?

SCULLY: - É....é....excitante...

Ela se atraca em Mulder, rasgando a própria camisola. Mulder a fita catatônico. Ela o empurra na cama, selvagem, subindo em cima dele. Devora os lábios dele, enquanto parece ter mais de um par de mãos a explorar o corpo másculo.

MULDER: - Scully, você não estava brava comigo?

SCULLY: - (OFEGANTE) Mulder... eu quero te comer inteirinho....

MULDER: - (ESTRANHANDO)???

SCULLY: - (PERVERTIDA) Eu vou afogar o teu raposão... acabar com as pilhas da lanterna....

MULDER: - (ADORANDO A IDEIA) Ihh... Esse negócio de Almíscar funciona!! Tudo bem. Faz miséria. Mas não grita!

SCULLY: - Quero ver quem vai gritar.....

Ela sai de cima dele, indo até a bolsa. Ele escora-se com os cotovelos no colchão, a observando curioso. Ela tira da bolsa um pacote de Halls extraforte. Ele arregala os olhos, desconfiado, em pânico. Ela põe uma bala na boca sensualmente, olhando para ele. Começa a serpentear o corpo, dançando. Sobe na cama, arrastando-se de quatro pra cima dele. Mulder logo percebe o que ela quer com a bala.

MULDER: - (DESCONFIADO) S... Scully... Onde você vai colocar isso?

SCULLY: - Adivinha meu Darth Mulder...

MULDER: - (COM MEDO) Não...

SCULLY : - (ENLOUQUECIDA) Sim, sim, sim... Princesa Scully quer refrescar o sabre de luz de Darth Mulder...

Ele tenta correr, mas ela o segura, algemando-o na guarda da cama. Ele a fita assustado. Ela primeiro o beija, deixando-o sem fôlego. Começa a descer pelo corpo dele.

MULDER: - (DESESPERADO) Vai arder!!!!!

SCULLY: - Arder não... acender... uauuuuuuuuuuuuuuuu

MULDER: - (SENTINDO PEGAR FOGO) uhhhu... uhuuu. Scuulliieeeeeeeeee...


4:30 A.M.

Close na soleira da porta. Esta se abre, e dois pés cambaleantes aparecem. Lentamente enquadra Mulder. Nu. Lambuzado. Cabelos desgrenhados e melecados. Algemas no pulso direito. Parece que foi atropelado. Ele esfrega os olhos. Antes de pisar para fora da porta, olha para o corredor. O susto é tão grande que ele deixa-se cair para dentro do quarto. Scully sobressalta-se da cama, com o barulho, puxando o lençol por sobre os seios.

MULDER :- (CATATÔNICO) S...Sc...Scully....

SCULLY: - O que foi Mulder?

MULDER: - Olha isso...

Scully enrola-se no lençol, aproxima-se da porta, e não acredita. Metade da pensão desapareceu, e somente o lado dos quartos em que estão ficara intacto. Lá embaixo, alguns móveis espalhados. Nenhum sinal de movimento.

SCULLY: - Onde está a senhora Flammers?

MULDER: - (PÂNICO) Eu tô pouco me lixando pra senhora Flammers! Eu quero saber onde está o meu quarto! Minhas roupas foram embora com ele!


4:49 A.M.

A delegada Sam entra apressada no que sobrou da recepção. Carrega uma sacola. Scully está ao telefone, explicando alguma coisa. Sam sorri ao vê-la. Acena. Ela continua falando mas retribui um aceno.

Corta para Mulder, enrolado num lençol, ainda olha boquiaberto não acreditando que metade da casa de dois andares sumiu. Sam ao ver Mulder daquele jeito, muda rapidamente a expressão de alegria pra raiva. Aproxima-se dele e atira a sacola rispidamente.

SAM: - Trouxe umas roupas pra você. Espero que sirvam.

MULDER: - Ah, obrigado.

SAM: - Eram do meu ex-marido. Ele era um pouco mais baixo que você, mas... Acho que vai dar.

MULDER: - (SURPRESO) Ex-marido?

SAM: - (OFENDIDA) Sim, por quê? Acha que uma mulher como eu não pode ter o direito de errar uma vez na vida?

MULDER: - (CONSTRANGIDO) Não, é que...

Ela cruza os braços largos e o encara como se fosse um homem.

SAM: - (INVOCADA) Aposto que sei o que está pensando, 'Armário': Que ele me deixou.

MULDER: - ...

SAM: - (IRRITADA) Pois olha aqui, ô macho man, eu deixei dele, tá legal? E se é tão homem assim, vê se faz o seu papel de 'homem' e descobre logo que porra é essa que está destruindo a minha cidade. Já que se julga o espertalhão e competente, só porque tem bolas. Imbecil!

Ela dá as costas, indignada. Aproxima-se de Scully que desliga o telefone.

SAM: - Vamos, Dana. Preciso te mostrar uma coisa. Deixa que o machão aí se vire.

Scully olha pra Mulder. Ele olha debochado pra Sam. Sam sai. Mulder olha pra Scully.

MULDER: - Ciumento 'o moço', não?

SCULLY: - Para! Mulder, eu não gosto que deboche das pessoas, ok? Isso é preconceito.

MULDER: - (IRRITADO) Eu não sou preconceituoso. Desde que ela não se meta com a minha mulher!

SCULLY: - (INCRÉDULA) Mulder!

MULDER: - (ENCIUMADO) Avisa a sua namorada aí, Scully, que eu vou amontoar ela num canto se tocar num fio de cabelo seu.

Scully ergue as sobrancelhas, incrédula. Ele faz um beiço enorme. Ela se aproxima.

SCULLY: - Por que disse isso?

MULDER: - Essa 'coisa' aí pensa que é o quê? Ora vá se colocar no lugar dela! Isso é ridículo!

SCULLY: - Mulder!

MULDER: - (INDIGNADO) Sabe o que é isso? Falta! Ela não pegou um que fizesse bem o serviço!

SCULLY: - (HORRORIZADA) Ohh!

Scully coloca as mãos na cintura e o encara.

SCULLY: - (FURIOSA) Vou te dizer uma coisa, Fox Willian Mulder!

Ele encolhe-se, assustado, segurando o lençol no corpo.

SCULLY: - Isso foi a coisa mais machista que já ouvi na minha vida! Você não tem nada a ver se ela é homossexual ou não! Isso é questão de escolha! E o que acabou de falar prova porque as mulheres estão cada vez mais preferindo as mulheres. Porque vocês são todos uns grossos insensíveis!

MULDER: - Mas...

SCULLY: - 99% dos homens não prestam. Os 1% dos que prestam estão casados.

MULDER: - ...

SCULLY: - Dos 100% do total de espécimes masculinos, 30 % são homens. Os outros 70% são gays.

MULDER: - ... (INCRÉDULO)

SCULLY: - E dos 100% de homens casados, 80% deles são gays enrustidos! E passivos!

Mulder começa a rir.

MULDER: - Ô, Scully, eu até entendo dois homens. Mas duas mulheres? O que pode sair daí?

SCULLY: - (DEBOCHADA) Terapia sexual, lembra-se? Prazer não é obtido apenas através de penetração! Carícias e toques funcionam muito mais!

Ela sai furiosa. Mulder fica em pânico.

MULDER: - Meu Deus! Vejo o futuro da humanidade. Nós homens acabaremos em jaulas como meros doadores de esperma. Isso se a clonagem não aniquilar a nossa única utilidade de uma vez! Então seremos extintos desse planeta! A invasão começou... E não é alienígena. É feminina!


Cafeteria Santo Graal - 7:37 A.M.

Scully brinca com o fiapo da toalha entre os dedos. Fisionomia consternada. Mexe com o açucareiro, enquanto morde o lábio inferior.

Um caipira senta em frente a ela. Está vestindo as roupas do ex-marido da delegada: uma camisa xadrez vermelha, por cima de uma camiseta branca regata, e uma calça jeans justíssima, desbotada e rasgada. Está um pouco curta, e as meias aparecerem até quando ele fica em pé.

MULDER: - (INDIGNADO) Scully, eu estou parecendo um Forrest Gump caipira! Só falta o chapéu, o dente de ouro e a palhinha na boca!

SCULLY: - (DEBOCHANDO) Essas calças estão lindas em você, Mulder... Se a delegada Sam perceber os seus "dotes" querendo pular do jeans, e claro, o seu traseiro redondinho, quem sabe ela não percebe o que está perdendo... Afinal, como você mesmo disse, ela está precisando de um... Bom, e isso você tem para dar, vender e barganhar...

MULDER: - (INCRÉDULO) Que isso Scully? Tá usando os meus argumentos contra mim mesmo? Gostaria de me ver amassando aquele bombril gigante é?

SCULLY : - (BRAVA) Confessa que gostou da exuberância dela então!

MULDER: - (REBATENDO) Ahn??? Scully, por acaso andou tomando chá de cogumelo Amanita pela manhã??? Sabe que você me basta!!

SCULLY: - Então, isso quer dizer que eu sou somente a sua máquina de obter orgasmos???

Mulder esconde o rosto entre os braços, com uma vontade louca de gritar. Levanta o rosto e começa a brincar com seus próprios lábios.

SCULLY: - Para com isso Mulder....

MULDER: - (SEM ENTENDER) Parar com o quê?

SCULLY: - ...

MULDER: - Tá bravinha comigo?

SCULLY: - (EXPLODINDO) Brava!!! Pois eu tenho vontade de te estripar com os dentes!!! Mulder, o que está acontecendo??? Você não para de falar besteira! Você parece aqueles garotos de 14 anos que se masturbam 24 horas por dia!!! Você é praticamente o "Testosterona Man"!!!! E, ao invés de me ajudar a controlar os "impulsos" da Sam, me joga para os braços dela!! Qual é a sua, hein? Esqueceu do que o Marshall nos ensinou?? De que para derrubar os muros que nos rodeiam é preciso a ajuda de ambos, e não somente de um???? E eu detesto palavrões, e você sabe disso....

MULDER: - (PROVOCANDO) Não é o que parece, quando está esfomeada...

Scully levanta-se polidamente da mesa. A contorna com uma expressão que Mulder não consegue definir. Senta ao lado dele. Seus lábios se abrem em um sorriso cínico. Ela leva a mão esquerda até a virilha dele, com a raiva escondida no rosto.

SCULLY : - (APERTANDO O RAPOSÃO) Já que não consigo corrigir essa infantilidade patológica que você tem, preciso usar de outras armas... Agora você vai me ouvir...

MULDER: - (CÍNICO) Hum... o que iremos ter aqui hoje? "Homenletê com linguiçê à Sculliê"... Tá me fazendo cócegas Scully... Sua mão é pequena demais para o Raposão e a dupla "eggie"....

SCULLY : - (RAIVA) Não seja por isso!!!

Ela coloca as duas mãos lá, apertando com mais força.

MULDER: - (ASSUSTADO) Ei, pára com isso Scully!!!

SCULLY : - (APERTANDO MAIS AINDA) E ai de você se começar a ter reações involuntárias!!! Não reclama que as minhas unhas são letais?? Pois eu sei muito bem o que fazer com elas se você ousar se mexer...

MULDER: - (PÂNICO) Auuu... Scully!! Quer me deixar estéril por completo?? Onde estão os teus tabus??? Eu quero que eles voltem! (ENVERGONHADO) Aquele casal de velhos na outra mesa não para de olhar para cá!

SCULLY : - (DEBOCHADA) É mesmo? Que ótimo então! Agora me escuta: eu quero resolver esse caso de uma vez, porque não estamos trabalhando, e só pensamos em sexo e soltamos gemidos. Chega disso! Você quer mais motivos para que nos chamem de vagabundos no Bureau?

MULDER: - (SENTINDO O APERTO) Tá, tá, eu faço celibato com você, mas solta o 'trio inseparável'! Eu tô começando a ficar 'nervoso' e daqui a pouco, vou dar motivos para um exorcismo duplo e o reaparecimento da fogueira da inquisição!

SCULLY : - (DESANIMADA) Não adianta... Você não tem jeito mesmo. Mulder, por que faz isso? Me desrespeita em frente aos outros? Não pode ficar sério por um momento e me ouvir?

MULDER: - Eu te desrespeito?? O que me diz de você, com as duas mãos aí???? (SÉRIO) Scully, fiquei sério por muitos anos, te escutando, censurando os meus sarcasmos e instintos, só para não te assustar e te afastar! Precisa entender que eu preciso me soltar com você de vez em quando! Tá bom, vou ver se me controlo, ok?

SCULLY : - (MANHOSA) Mas não deixa de usar o Almíscar...

MULDER: - (INCRÉDULO) Definitivamente, eu não entendo vocês mulheres!!! Primeiro faz patê do raposão e me joga no latão de lixo, me desmoraliza, pedindo para que eu fique sério. E agora, quando faço isso, você simplesmente troca de personalidade e volta a ser a ninfomaníaca? Scully, me passa o teu manual de instrução, por favor!!!

Sam entra na cafeteria, acompanhada do casal MacFlint. Ao ver Scully sentada ao lado de Mulder, sente o rosto avermelhar de raiva. Os agentes percebem. O casal de velhinhos está pálido, quase à beira do pânico. Scully se dá conta que ainda está "apertando" Mulder, e o solta, sentindo o rosto corar. Sam vê o que os dois estavam fazendo. Aperta a mandíbula com raiva.

SAM : - (MATANDO MULDER COM O OLHAR) Aqui estão os MacFlint. (OLHA PARA SCULLY) Eles estão apavorados e querem que tudo seja resolvido.

Mulder olha para Sam com os olhos verdes faiscando. Sente uma raiva incontida dentro de si. Quase levanta da mesa para esmurrar a delegada.

SAM: - Eve e Adam, esses são Dana e.... (PIGARREIA COM RAIVA) Mulder, os agentes que estão investigando o caso.

EVE MACFLINT : - (RECEOSA/ COCHICHANDO) Ouviu marido? Ele só pode ser judeu!

ADAM: - Calma mulher, pode ser impressão.

MULDER : - (CUTUCANDO SCULLY) Ai meu Deus! Adão e Eva? Olha onde fui me meter... E por que essa gente tem raiva de judeu? Eu não matei Cristo!

SCULLY: - (FALANDO COM O CANTO DA BOCA/ O CUTUCANDO) Cala a boca, Mulder...

Mulder e Scully estendem os braços para cumprimentar, mas a velha continua com a expressão transtornada, olhando para Mulder desconfiada.

SCULLY: - Muito bem Sr. e Sra. MacFlint. Somos todos ouvidos.


Duas horas depois....

Mulder segura o queixo com um dos braços. Ele sente as pálpebras pesadas. Scully, ao lado, sente um cutucão dele a cada minuto, pra acorda-la. Sam, em frente a Scully, pensa na melhor maneira de tocar a pequena ruiva sem que Mulder perceba.

EVE: - ... E quando acordamos, tudo havia desaparecido!!! Ai, Virgem Santíssima!!! (PEGA UM DOS TRÊS ROSÁRIOS DO PESCOÇO)... Foi obra de Satã, o príncipe Lúcifer!!! A nossa cidade está amaldiçoada!!!

MULDER: - (TEDIOSO) Resumindo tudo. Vocês não viram nada, é isso?

ADAM: - É...

MULDER: - (ALIVIADO) Obrigado Sr. e Sra MacFlint. (DEBOCHADO) O depoimento foi de grande valia para as investigações... (SUSPIRA)... Vamos Scully?

SCULLY: - (CAINDO DE SONO) Como?

MULDER:- (ANSIOSO) Vamos....? (SORRISO DE DESESPERO) Acabamos de ouvir os MacFlint...

SCULLY: - Oh, claro! Iremos continuar as investigações.

Mulder e Scully levantam-se, indo em direção à porta.

MULDER: - Acabaram de tirar a virgindade do meu ouvido. Romperam meu tímpano!

A atendente do balcão olha para o traseiro de Mulder e levanta as sobrancelhas. Deixa escapar um murmúrio. Sam estranha e vai ao encontro da jovem.

JULIE : - (INTERESSADA) Quem é ele mesmo Sam?

SAM: - (IRRITADA) É o agente do FBI. Um grosso e sem graça.

JULIE : - Pode ser grosso, mas é gostoso... E tem um traseiro...

SAM: - (TENTANDO CONTER A RAIVA) Quer saber por que as mulheres estão perdendo o respeito ultimamente? Por causa de raparigas como você!!!! Não podem ver um cara que já vão abrindo as pernas! (CONTRAINDO O ROSTO) Eu tenho nojo disso!!!

Sam sai derrubando cadeiras e dando passos de elefante, fazendo as janelas tremerem. Julie observa incrédula a reação violenta da delegada.


Local da casa dos MacFlint – 9:42 A.M.

Mulder caminha por entre os objetos no chão. Sente-se desconfortável com a calça. Scully segura o riso, tentando ainda demonstrar irritação.

MULDER: - Credo Scully... Pensei que eu iria dormir na frente dos velhos! Eles contaram cada detalhe daquele dia, até do engasgo do Sr. MacFlint com uma azeitona! E depois disso tudo, me falam que não viram nada porque dormiam!

SCULLY: - ... (OLHANDO PRO TRASEIRO DELE)

MULDER : - (DESCONFORTÁVEL) Essa porcaria poderia ser um pouco mais folgada... Estou me sentindo esmagado aqui dentro!

SCULLY : - Quer fazer um rasgo no traseiro para ventilar?

MULDER : - (CÍNICO) Estou vendo que você não resiste em me sacanear hein?

SCULLY: - (FUGINDO DO ASSUNTO) Estamos procurando algum padrão nos desaparecimentos... Olhe, ficaram alguns utensílios, móveis... Os canários da Sra. Rutic... Mas por quê?

MULDER: - Parece que a nuvem escolhe o que ou quem vai levar...

SCULLY: - Quer saber Mulder? Sabe que não acredito nessa história de nuvem, mas estou cansada de tentar encontrar alguma explicação científica plausível para essa coisa que não se explica com a ciência. Você venceu.

MULDER : - (CATATÔNICO)...

SCULLY: - Isso se chama entrega Mulder.

MULDER: - Do que você está falando?

SCULLY: - Mulder... Às vezes eu realmente canso de me manter no pedestal de durona... De ficar teimando com você, quando eu sei que você tem razão... Canso mesmo! Eu... É difícil para eu falar disso, você sabe, mas preciso me entregar às vezes...

MULDER: - (EMOCIONADO)...

SCULLY: - Sabe quando você sente aquele âmago interno, aquela dor, tem vontade de jogar tudo para o inferno e chorar, agarrar-se ao que você tem de melhor e despejar todos os sentimentos refutos que permeiam seus pensamentos?

Mulder continua olhando fixo pra ela, hipnotizado.

SCULLY: - (ARREPENDIDA) Desculpe Mulder... Nem sei porque isso me veio agora. Não é hora nem local. Vamos trabalhar, e eu já estou ficando cansada. Não fale nada, por favor. As coisas que aconteceram nessas últimas semanas mexeram muito comigo e eu me sinto uma manteiga derretida.

Sam chega, interrompendo a divagação da agente.

SAM: - O que fazem aqui?

MULDER : - (IRRITADO) Estamos planejando um piquenique!

SAM: - O casal MacFlint quer que vocês assistam a missa junto a eles. Estão frágeis e desprotegidos, e apesar da reação de Eve, eles confiam em vocês.

Mulder continuou com o olhar parado em Sam, logo depois se dirigindo a Scully.

MULDER: - (PÂNICO) Pronto!! Agora sim eu entro direto na fogueira por blasfêmia! Onde eu fui me meter!


BLOCO 3:

Igreja Matriz Nossa Senhora dos Impossíveis - 10:30 A.M.

Mulder e Scully caminham ao lado do casal MacFlint. Eve entre Adam e Mulder, agarrada no braço esquerdo do agente. Mulder sentindo-se a última das criaturas, tanto pela roupa como pelo local. Scully se mantém séria, agarrada em Mulder, mas ele percebe que ela diverte-se com a situação dele.

SCULLY: - (COCHICHA/ DEBOCHADA) Pelo menos consegui entrar de braço dado com você numa igreja!

MULDER: - (AMEAÇADOR) Te prepara Scully...

SCULLY: - O quê?...(RECEOSA) Não inventa de me molestar aqui Mulder! Estamos na casa de Deus, e isso é blasfêmia e desrespeito!!

Ele mantém o sorriso cínico nos lábios.

MULDER: - (DEBOCHADO) Não sou católico. Sou descendente de Moisés e ainda estamos esperando a vinda do Messias. Meu calendário não fecha com o seu.

Os quatro entram pela soleira alta da porta ovalada. Todas as pessoas se viram para olhar quem chega. Mulder aperta os maxilares com força, contendo a vontade de correr dali. Scully agarra mais forte o braço dele, prevendo a atitude.

SCULLY: - Se você sair, espere para ver....

MULDER: - O que você poderia fazer?

SCULLY: - Da próxima vez, vou usar pimenta do reino misturada à mexicana ao invés de Halls!!! E farei isso sem você perceber... E quando ver, será tarde demais!!

MULDER: - (PÂNICO)....

SCULLY: - (CANTANDO VITÓRIA) Fica quietinho que tudo ocorrerá muito bem.

O casal MacFlint dirige-se para o primeiro banco. Há em torno de 30 pessoas sentadas. Mulder estaqueia, pedindo clemência à Scully. Todos continuam de olhos pregados sobre eles. Scully percebe o desespero dele, e saboreia como uma orca a brincar com a presa antes de devorá-la. Mulder começa a ficar impaciente, e ela concorda em sentar nos bancos vazios, mais atrás.

SCULLY: - Tá bom... Mas só desta vez! É... Realmente, a teoria é certa... É sempre a mulher que abdica de suas vontades para satisfazer o homem...


Meia hora depois...

Scully sai da Igreja. Mulder parado do lado de fora.

SCULLY: - Mulder, chama isso de vou ao banheiro e já volto?

MULDER: - (TRANSPIRANDO) Scully, eles me olham como se quisessem me devorar!! Não estou de acordo pra assistir uma missa! Acredito que me olham por causa dessa calça justa.

SCULLY: - (DEBOCHADA) Nossa, como ele é convencido!!!! Você se acha o bom, hein Mulder?

MULDER: - (CÍNICO) Tenho milhares de motivos para acreditar... Principalmente os que vêm de você...

SCULLY: - (IRRITADA) Mulder!!!!

MULDER: - (COLHENDO MADURO) Esquece Scully... (SORRISO SAFADO)

SCULLY: - Bem... É bem da verdade que vocês homens não sabem o poder de um jeans justo e surrado... Agora dá licença, vou voltar pra missa.

Ela vai se afastando e ele a puxa pelo braço. Chega bem próximo ao ouvido dela, fungando por gosto. Scully sente arrepios.

MULDER: - (SEXY) Tortura psicológica Scully... Agora aguenta... Eu sinto o seu cheiro penetrando os meus sentidos, isso realmente me enlouquece...

SCULLY: - (ASSUSTADA) Para com isso Mulder!!!! Por favor!!!

MULDER: - O tom da sua voz quando me deseja... O gosto da sua pele e sua boca...

SCULLY: - (IRRIQUIETA) Mulder... Eu faço o que você quiser, mas não agora! Preciso voltar lá pra dentro. Mulder, estamos na frente de uma igreja! Pode ao menos respeitar?

MULDER: - Vou respeitar. Minha vontade é de te jogar dentro daquele confessionário e fazer você gritar 'Oh my God', chamando por Ele.

SCULLY: - (INDIGNADA/ INCRÉDULA) Mulder, isso foi a maior blasfêmia que eu já ouvi! Não fale mais comigo!

MULDER: - (SÉRIO) Sabe aquela coisa de sinceridade, de sempre dizer a verdade, Scully? Pois eu estou falando a verdade. Sempre tive essa fantasia sexual. Pode ser doentio, mas eu não carrego a ideia de pecado, você sabe disso.

SCULLY: - (COM MEDO) ... Mulder...

MULDER: - Bom... Eu tenho uma proposta pra você... Eu paro. Mas depois você não vai poder sair fora... Terá que jurar.

SCULLY: - (ASSUSTADA) Mulder... Para com isso. Me diz o que é.

MULDER: - Não posso dizer... Se não quiser aceitar, eu continuo o que estou fazendo... (LAMBE A ORELHA DELA)... E entro agora com você aí e vamos pro confessionário... Hum, o que você prefere?

SCULLY: - (PÂNICO) Eu juro que topo tudo, mas não faz isso aqui!!!

Ele recosta-se na parede da igreja, cantando vitória. Scully entre às pressas na igreja, assustada.

MULDER: - Nada como ser persuasivo e convincente... Tadinha! Achou mesmo que eu teria coragem de fazer isso numa igreja.

Mulder sai de seus pensamentos, acertado na canela por uma bola. Um menino ruivinho vem correndo. Mulder pega a bola e chuta pra ele. Ele agradece e volta correndo pra praça. Mulder dá um sorriso, observando as crianças brincarem. Observa o menino jogando. Seu olhar se perde. Ele abaixa a cabeça, entristecido.

De súbito, a claridade do dia se esvai, dando lugar ao tom acinzentado e mórbido das tempestades. Mais longe, ao horizonte, lentamente a nuvem se arrasta pelos campos, chegando aos poucos à cidade. Mulder pressente e ergue a cabeça. Arregala os olhos. Caminha até a rua e observa o horizonte. As crianças continuam entretidas. Mulder grita. Elas olham pra nuvem e saem correndo. Mulder volta pra dentro da igreja, às pressas. O padre está rezando alguma coisa e olha atravessado pra ele. Mulder aproxima-se do banco onde está Scully.

MULDER: - (COCHICHA) Precisa ver isso. Está lá fora.

Scully levanta-se. Todos se viram pra acompanha-los com os olhos. Os dois saem da igreja. Scully coloca a mão sobre a testa e olha pro horizonte.

SCULLY: - Oh, My God!

A nuvem aproxima-se rapidamente.

MULDER: - (NERVOSO) Scully, me ajuda a calcular a trajetória. Ela vai passar por sobre a praça, estou certo?

SCULLY: - (TENSA) E se mudar de direção?

MULDER: - Não há vento pra isso.

SCULLY: - Mulder, precisamos avisar as pessoas para saírem rápido daqui.

Eles observam a nuvem se aproximando. Aos poucos ela passa por sobre a praça, deixando apenas alguns balanços e gangorras. Mulder e Scully olham, boquiabertos e catatônicos.

SCULLY: - ... Mulder?

MULDER: - ... Sim?

SCULLY: - ... Alguma teoria?

MULDER: - ... Deixa minhas pernas pararem de tremer primeiro.


Delegacia de 'Oh, My God' – 1:11 P.M.

[Som: I'm Too Sexy – Right Said Fred]

Mulder está sentado sobre a mesa, tirando a camisa. Fica só de regata branca, deixando os pelos do peito à mostra. Bebe um copo de água. Um calor dos infernos. Scully ao lado. Ambos analisando o mapa rasgado. Sam observa os dois. Percebe que suas chances são poucas, mas não desiste de seu intento. De onde está consegue ver os seios de Scully pelo decote da camisa. Um sorriso de contentamento aparece em seu rosto. Então olha para Mulder. Começa a analisar cada detalhe do corpo dele, passando os olhos lentamente. Admite que ele é muito atraente. Mas isso só aumenta a sua raiva. Dificulta ainda mais a disputa.

MULDER: - Vamos começar desde o início, Scully, de onde o caminhão desapareceu.

SCULLY: - Certo... Traçamos as linhas, em decorrência de cada... Cada... Como chamaremos? "Ataque da nuvem Homicida"?

MULDER: - (SORRINDO) Quem sabe... Fallen Fog? Bom, como não temos dados de onde ela passou desde a estrada até a cidade, isso porque era campo aberto, começaremos a investigar desde o desaparecimento do Lulu da Sra. Flammers... Foi na pensão?

SAM: - Não... Foi na casa de uma amiga... Lilly Dawson, se não me engano.


1:33 P.M.

Mulder e Scully olham incrédulos para o mapa anexado no mural da parede. Nele, a marcação com pincel atômico vermelho, faz exatamente uma espiral. Sam os observa.

MULDER: - (TODO BOBO) Eu não disse?? Encontramos um padrão dos "ataques".

SCULLY: - Como pode isso Mulder? Se seguirmos a linha traçada... A mesma deu uma espiral concêntrica!

MULDER: - Que pelo jeito, está chegando ao seu ponto final Scully. Não sei o que essa nuvem é, e como se formou, mas, dando vazão ao temor dos crentes daqui, é algum tipo de portal.

SCULLY: - As distâncias se equivalem... A única discrepância é o caso do caminhão, que está longe, e desvirtua um pouco a linha. Mas acredito que esse fenômeno tenha ocorrido mais vezes fora de área humana.

MULDER: - Espera... Me deixa ver isso direito.

Mulder chega mais perto do mapa, encostando-se em Scully. Sam continua com os olhos vítreos sobre os dois. Abaixa a cabeça, entristecida.

MULDER: Já sei onde iremos ir Scully... Providencie seu jeans surrado e um coturno...


Celeiro da Fazenda O'Coonel – 9:45 P.M.

Panorâmica da fazenda. A câmera lentamente vai pousando, até chegar no celeiro. Close na grande porta aberta. Mulder está sob um monte alto de feno, com o corpo atirado para trás. A mesma calça curta e justa, a camisa xadrez aberta, mostrando os músculos. Tem as mãos atrás da nuca, apoiando a cabeça. Um chapéu de palha sobre a mesma, e um capim comprido entre os dentes.

Scully, sentada a seu lado, com os cotovelos apoiados nos joelhos. Fisionomia de tédio. Está com uma de suas peculiares camisetas do FBI. O que diferencia é as calças pega-pinto "jeans seboso" e um coturno velho, três números maior que seus pés.

Mulder começa a cantarolar.

MULDER: - ... A minha prima arranjou um namorado...

Ela olha pra ele.

MULDER: - O nome dele ela diz que é 'um pão'... ou chama de pão doce, ou chama de pão fofo... eu chamo é de 'pão chocho'...

SCULLY: - ???

MULDER: - Uhhh.... é o 'chocho' pão...

Ela arregala os olhos.

MULDER: - Aquele pãoooo... que ela chama, é o 'pão duro' do padeiro, que eu já falei 'pá' Maria, que o namoro é sem futuro...

SCULLY: - ???

MULDER: - ... Namorar com o padeiro, se o padeiro é um 'pão duro'... eu chamo é de pão chocho... uhhhhh... é o 'chocho pão'...

SCULLY: - (BALANÇA A CABEÇA NEGATIVAMENTE)

MULDER: - Mas o viado do padeiro, é um cabra muito safado... 'pá' comer a minha prima se fingiu de namorado...

SCULLY: - (OLHANDO PRA ELE INCRÉDULA)

MULDER: - Ainda forçou a coitadinha, a soltar a tarraqueta, eu disse não dê a bu...

SCULLY: - (COLOCA AS MÃOS NOS OUVIDOS) Paaaaaaarrrrrrrrrrraaaaaaa!

MULDER: - (REMEDA) ... a buzina... pro chocho pão.

SCULLY: - O que está cantando? Que lixo podre é esse?

MULDER: - Raimundos.

SCULLY: - Ahn?

MULDER: - Você não pega nada diferente no Napster, não é Scully? Tem muita coisa legal pelo mundo...

SCULLY: - (INDIGNADA) Mulder, eu vou pedir indenização antecipada por danos corporais!! Você estupra meus ouvidos, este lugar está cheio de cobras e aranhas...

MULDER : - (SAFADO) Por que esse medo todo??? Você mesmo tem uma aranha de estimação que cuida todo dia, e ainda por cima muito sedenta pela "sucuri" que a visita o tempo inteiro...

SCULLY: - (PERPLEXA) Mulder!!!! Será que só entra podridão aí dentro dessa cabeça?

MULDER: - Não. Óleo negro também.

SCULLY: - ...

MULDER: - ...

SCULLY: - Como consegue fazer piadas de algo tão sério, Mulder?

MULDER: - Sexo e piadas, Scully, me ajudam a não pensar muito, entendeu?

SCULLY: - ...

MULDER: - ...

SCULLY: - ...

MULDER: - (JOGANDO VERDE) E tem mais, Scully. Você se auto-aclama como puritana!!! Aí, eu é que te pergunto!

SCULLY: - Esquece... 'Oh, My God', por que me enviou para esse lugar inóspito, onde uma nuvem "bulímica" engole tudo o que aparece, esse anormal do meu lado que só pensa em sexo, numa cidade que me faz sentir a mais ordinária das prostitutas!

MULDER: - Depois você diz que eu que sou radical.... (SEXY) Sabe Scully, teve uma coisa que eu não contei lá na terapia...

Ela volta o corpo em direção ao dele, interessada.

SCULLY: - (CURIOSA) O que seria? Transar na salinha do escritório do Kersh, com uma reunião sendo realizada e apenas a fina porta de madeira isolando o ambiente frio e metódico do calor e o cheiro do amor e do sexo?

MULDER: - (IMPRESSIONADO) Whoaaa... Essa eu não tinha pensado ainda! Aliás, combina com o que eu estou pensando agora... Ponto pra você Scully...

SCULLY: - (RECEOSA) Eu falei brincando...

MULDER: - Toda brincadeira tem um fundinho de verdade...

Mulder vira o corpo, apoiando o cotovelo no feno e a cabeça na mão, ficando de frente para ela, com um sorriso malicioso nos lábios. Scully engole em seco. Ele leva as mãos até ela, brincando com sua camiseta.

SCULLY: - (DESCONFIADA) Mulder... aqui não... eu tenho alergia a coisas ásperas, como esse feno... eu vou ficar um mapa geográfico, toda marcada!!! Você quer isso?

MULDER: - (TARADO) Hum... eu confesso que iria percorrer cada estrada que ficasse no seu corpo, desenhando um rastro molhado com a minha língua...

SCULLY: - Você não desiste mesmo... pois espere Mulder... mais dia, menos dia eu apareço com o meu coquetel "apimentado" e quero ver o seu "sabre de luz" brilhar por conta própria...

MULDER: - Não me pega mais nessa, Scully...

Ele aproxima-se dela, empurrando-a sobre o feno. Ela deita-se. Ele ergue a camiseta dela e começa beijar seu ventre.

SCULLY: - E a nuvem?

MULDER: - (LAMBENDO-A) Esqueceu que a nuvem não aparece duas vezes em um mesmo dia? ... Se ela realmente segue um padrão, não irá atacar hoje.

SCULLY: - (FURIOSA) Você me trouxe aqui só para mais uma das suas orgias sexuais Mulder??? Me arrastou para o meio dos carrapatos de cavalos e vacas, pulgas de galinhas e cachorros!!!!! Eu te mato!!

Ele olha pra ela, enquanto sobe com a língua.

MULDER: - Se quer ir embora, vai. Eu sou um bom rapaz, sei quando parar.

SCULLY: - ... Não vou embora. Mas mantenha-se afastado de mim.

MULDER: - ...

SCULLY: - Preciso pensar um pouco. Este lugar é sossegado e ótimo pra fazer isso.

MULDER: - ... Tá bom.

Ele deita-se no feno, olhando pra cima. Ela fica em silêncio, olhando pra fora, pela porta.

SCULLY: - Sabe que... Eu até entendo sua vontade de poupar dinheiro pra morar no interior... É um lugar calmo, ar puro... A vida me parece mais tranquila... Eu consigo até fazer planos pro futuro por aqui e...

Ela olha pra ele. Ele desabotoa o botão do jeans. Ela ergue a sobrancelha.

SCULLY: - O que está fazendo, Mulder?

MULDER: - Está muito apertado.

SCULLY: - ... (OLHANDO FIXAMENTE) Percebo.

MULDER: - Quer parar de olhar pros meus atributos físicos? Se eu olho pros seus peitos você fica me chamando de tarado.

SCULLY: - ... É... Realmente a mãe natureza foi generosa com você.

MULDER: - Mas não é você que diz que tamanho não é documento?

SCULLY: - ... Eu acho que sou uma mentirosa patológica.

Ela olha pra paisagem que vê através da porta.

SCULLY: - (SUSPIRA) ... Sabe que... (SORRI) Mulder, eu adoro o nosso relacionamento. Adoro a maneira como a gente brinca. O modo como vivemos despreocupados quando estamos juntos... E o modo como você me atrai. Me encanta. Me excita...

Ela olha pra ele. Ele, distraído, brinca com uma palha. Ela o examina com os olhos de cima a baixo. Sacode a camiseta pela gola. Ele percebe.

MULDER: - Qual é o problema?

SCULLY: - ... Mulderzinho, vamos conversar seriamente agora, tá legal?

MULDER: - Fala, 'Scullyta'.

SCULLY: - Mulderzinho... Vamos esclarecer certas coisas. A primeira delas é que você sabe que é sensual. Então não provoca esta pobre mulher aqui.

MULDER: - ... (SORRINDO SAFADO) Qual é, 'Scullyta'?

SCULLY: - Segundo: Essa sua cara de safado me deixa querer ser safada também.

Ele faz uma fisionomia de pidão.

SCULLY: - Terceiro: Essa carinha de pidão, me faz ficar louca. Portanto, Mulder, não aumenta mais ainda essa coisa de pele que existe entre a gente e...

MULDER: - Vai embora, Scully. Não quero ser sua culpa.

SCULLY: - Mulder, você é minha culpa ambulante.

Ela deita-se no feno. Ele sorri. Aproxima-se e ergue a camiseta dela.

MULDER: - E se chegar uma daquelas carolas cheirando a formol?

SCULLY: - Danem-se as carolas! Não sabem o que estão perdendo!

Ela ergue-se, tirando a camiseta. Ele continua a beija-la.

SCULLY: - Espera aí, Mulder...

Ela tira os coturnos, atirando longe. Tenta desabotoar o jeans.

MULDER: - Não, Scully, me deixa fazer isso...

Ele aproxima a mão da cintura dela. Ela encolhe a barriga. Ele sorri, enquanto desabotoa o jeans.

MULDER: - Medo?

SCULLY: - Não... Emoção. Parece sempre que é a minha primeira vez.

MULDER: - Quer sentir mais emoção?

Ele aproxima a boca e abre o zíper dela com os dentes. Ela fecha os olhos. Sorri.

SCULLY: - Mulder... Não vai abusar de 'euzinha' né?

Ele olha pra ela.

MULDER: - Sabe aquele assunto da igreja?

SCULLY: - (PÂNICO) Oh-ho...

MULDER: - Você jurou que faria o que eu quisesse... Ou se esqueceu disso?

SCULLY: - ...

MULDER: - Hein?

SCULLY: - ... Tenho até medo de perguntar...

Ele acaricia a barriga de Scully, suavemente, enquanto olha pra ela.

MULDER: - Adivinha o que eu quero?

SCULLY: - ... Mulder, confesso que você está mais criativo do que eu. E não faço a mínima ideia do que você quer. Nem imagino algo que não tenhamos feito ainda.

Ele sobe em cima dela. Olha-a nos olhos.

MULDER: - Quer saber algo que não fizemos ainda?

SCULLY: - O quê?

Ele começa a rir e a fazer cócegas nela.

SCULLY: - Para! Seu bastardo! E eu pensando que...

Ele cai de costas no feno, rindo. Ela sobe em cima dele.

SCULLY: - (SÉRIA/ OLHANDO NOS OLHOS DELE) Não quero cócegas, Mulder.

MULDER: - ... (FICA SÉRIO) Eu sei...

Ela coloca a língua na boca de Mulder. Ele devora os lábios dela. Os dois beijam-se enlouquecidos. Mulder vira-se por cima dela. Solta seus lábios.

MULDER: - Eu te amo.

SCULLY: - (SORRI) ...

MULDER: - (SÉRIO) Scully... Eu... Eu não quero fazer cócegas em você. Você sabe o que eu quero. Eu quero a mesma coisa que você. Era sobre isso que eu estava falando lá na igreja.

SCULLY: - ...

MULDER: - O outono está chegando.

SCULLY: - ... Eu sei.

Mulder olha nos olhos dela.

MULDER: - Se acha que estou errado na minha teoria...

Ela afasta a franja da testa dele. Olha-o com ternura e apaixonada.

SCULLY: - Você nunca esteve errado, Mulder. (SORRI) 'Eu não acredito em muitas coisas, mas em você eu acredito'.

Ele sorri. Beija-a novamente. Os dois se rolam pelo feno.


BLOCO 4:

1:13 A.M.

Scully recostada no peito de Mulder, com a perna por sobre ele. Brinca com os pelos do peito de Mulder. Ele acaricia os cabelos de Scully, absorto em seus pensamentos. Scully parece pensativa, imaginando coisas, com um sorriso nos lábios. Uma leve brisa entra pela porta, arrepiando a nuca da agente. Scully volta o corpo, olhando para a rua. Percebe a mudança na claridade e as folhas que se arrastam ao vento. Sente uma sensação estranha.

SCULLY: - Mulder...

Corta para os dois entrando num jipe. Scully segurando as botas na mão. Mulder com a camisa aberta.

MULDER: - Scully, temos que chegar antes daquela coisa.

SCULLY: - Mulder, eu não entendo! Ela nunca aparece duas vezes num só dia, você mesmo disse.

MULDER: - Pois se você esqueceu, Scully, já passou da meia-noite e já estamos no 'outro dia'.

SCULLY: - Acha que esta indo pra cidade?

MULDER: - Temos de ser mais rápidos e ficar fora do caminho dela.

Mulder liga o jipe. Acende os faróis e parte.

MULDER: - Scully, eu tenho uma teoria bem interessante. O que sabe sobre brechas de tempo e espaço? Buracos de minhocas?

SCULLY: - Einstein?

MULDER: - Exatamente. Acredito que essa nuvem seja isso. Como disseram os caipiras, 'um portal'. Eles não estão errados, Scully. Seja o que for essa coisa, ela leva tudo pra uma outra dimensão.

SCULLY: - Mas como certos objetos permanecem?

MULDER: - Não tenho explicação pra isso ainda, Scully. Mas que essa nuvem funciona como um 'Triângulo das Bermudas'...

SCULLY: - Mulder, se estiver certo, qualquer coisa que for sugada por ela nunca mais voltará!

MULDER: - Me pergunto pra onde vão, Scully. Como os buracos negros no espaço. Será que são portas, atalhos de ligação com um outro lado do universo? Ou uma dimensão paralela à nossa? Quem sabe aonde os objetos e pessoas foram parar?


Bar 'Inferninho Sagrado' – 1:37 A.M.

Mulder e Scully entram às pressas. Sam, sentada ao balcão, tomando uma cerveja, ergue a cabeça e olha pra eles.

MULDER: - Todo mundo pra fora daqui! A nuvem está vindo nesta direção.

De repente, as luzes se apagam, e o assobio do vento redunda pelas paredes.

MULDER: - Fora!!!! Entrem nos carros e vão para os campos!

O pânico começa. Todos saem correndo pra fora do bar. Scully sai com as pessoas. Mulder vai sair, mas percebe que Sam está sentada, cabisbaixa e triste, como se não ligasse pra nada. Mulder se aproxima.

MULDER: - Ouviu o que eu disse?

Ela ergue a cabeça, mostrando os olhos azuis entristecidos.

SAM: - Vá, 'Armário'. Eu vou ficar.

Ela empina o copo de cerveja, bebendo tudo. Mulder olha pra ela.

MULDER: - A nuvem está vindo.

SAM: - Eu sei. Acha que tenho medo, machão? Eu não preciso de homem pra me defender não, tá legal?

Mulder sorri.

MULDER: - Vou te dizer uma coisa, ô Samanthão.

Ela olha pra ele.

MULDER: - Você não precisa. Mas você queria. Queria ter alguém por você.

SAM: - ...

Scully entra no bar. Para e recua pra porta. Eles não percebem.

MULDER: - Ele deixou você. Entendi quando me atacou com aquele monte de palavras rudes no hotel. E confirmei quando ficou admirando eu e a Scully juntos na delegacia. Percebi que você nos invejava, de uma maneira boa. Como se quisesse ter tido a oportunidade de ter ao seu lado alguém que te amasse e respeitasse. Alguém que tivesse ambições profissionais e de vida. Alguém forte... Foi por isso que ficou dando em cima da Scully.

SAM: - ...

MULDER: - Foi por sua carreira? Pela sua competência em subir degraus na vida, enquanto ele descia?

SAM: - ... (SECA AS LÁGRIMAS) Você não sabe de nada.

MULDER: - Pelo menos foi o que fiquei sabendo por aí, que ele não tinha competência, a não ser pra beber e espancar a esposa. O típico baixinho invocado. Enquanto você trabalhava e dava duro pra sustentar o safado e o vício de jogatina e bebida que ele tinha.

Scully fica parada, coloca a mão sobre os lábios, incrédula.

SAM: - (SEGURANDO AS LÁGRIMAS) ...

MULDER: - Por isso essa cidade te respeita. Pela grande mulher que você é. Por isso ninguém aqui, por mais religioso que seja, fica te criticando. Ou acha que não percebi que uma cidade tão religiosa, tão cheia de moral e tabus, admitiu uma delegada gay sem manifestar nenhum preconceito? No meu lugar, não acharia isso suspeito, colega?

SAM: - ... Está tentando justificar minha homossexualidade? Acha que por isso eu quero mulheres?

MULDER: - Não. Estou querendo que você se valorize mais. E não se passe por uma idiota, tentando coçar bolas que não têm.

SAM: - ...

MULDER: - Não precisa tentar ser homem pra conquistar uma mulher. Você é uma mulher bonita e conquistaria qualquer pessoa que quisesse no mundo. Homem ou mulher.

SAM: - ...

MULDER: - Você não sabe o quanto é atraente, sabe?

Ela sorri. Olha pra ele.

SAM: - Dormiria comigo?

MULDER: - Eu faria sexo com você por uma semana inteira sem parar, até me estatelar no chão, mortinho.

Ela sorri mais animada.

SAM: - É, mas... Eu não faria sexo com você.

MULDER: - (SORRI) A ruiva tem dono. Puxa, custei tanto pra achar aquela ruivinha, não tira ela de mim.

SAM: - (SORRI) Eu não conseguiria.

MULDER: - ... Então? Vamos sair daqui? Ou essa coisa vai nos levar pra algum lugar. Imagina você ter que ficar com um homem por toda a eternidade numa dimensão paralela?

Ela levanta-se.

SAM: - Nem pensar!

MULDER: - Vamos. Depois a gente toma uma cerveja e te conto umas piadas safadas sobre mulheres. Por falar nisso, tem a Playboy desse mês?

Os dois percebem Scully. Ela sorri pra eles.

SCULLY: - Precisamos sair.

Mulder volta os seus olhos na neblina que começa a traspassar as paredes. Pega Scully pela mão.

MULDER: - Vamos dar o fora daqui!

Eles saem pela porta do bar, afastando-se. Está muito escuro. O vento passa forte por eles, os impossibilitando de serem mais rápidos. Eles ficam bem longe, observando a nuvem. Sam segura o chapéu na cabeça. Eles falam aos gritos, pois o barulho do vento é ensurdecedor.

SAM: - Acha que depois de completar o ciclo, ela vai desaparecer?

SCULLY: - Assim espero!

SAM: - Vou avisar o meu assistente. Vamos notificar a população pra ficar afastada das áreas de risco!

SCULLY: - Faça isso.

SAM: - Será que o centro de meteorologia do estado não nos ajudaria?

MULDER: - Não! Já falei com eles, mas a nuvem não aparece no radar, nem pelo satélite!

A nuvem passa, deixando atrás de si, apenas paredes caídas e objetos.

MULDER: - Isso é a coisa mais maluca que eu já vi!

Repentinamente a nuvem muda de trajeto. Mulder olha pra Scully.

SCULLY: - Está indo contra o vento!

MULDER: - Mas como?

SAM: - ... Oh, meu Deus!

Mulder olha pra Sam.

SAM: - Está indo pros campos!

Mulder corre até o jipe. Scully o segue.

SAM: - Quer que vá com vocês?

MULDER: - Não! Quero que consiga ajuda com outra cidade! Vão ter de abandonar esta até essa coisa sair de circulação!

Sam entra na viatura. Mulder e Scully entram no jipe.


7:14 A.M.

Corta para os últimos carros saindo da cidade. Sam acena pra eles. Mulder e Scully aproximam-se. Sam olha pra eles.

SAM: - Estão todos fora de risco agora. E tenho uma cidade fantasma nas mãos por algumas semanas. É, pelo menos vou tirar férias.

MULDER: - Pensei que a nuvem seguisse apenas uma trajetória espiral e terminasse num ponto. O último ponto de ataque deveria ser o bar. Errei quando presumi que desapareceria. No entanto, ela fez uma volta para retornar a espiral e calculo que vá voltar ao ponto de onde veio.

SCULLY: - Mas como vimos, ao voltar, ela não segue a mesma rota que fez quando chegou. Faz uma rota diferente, mas também em espiral.

Sam aproxima-se de Mulder.

SAM: - Obrigado mesmo.

Sam troca um aperto de mão com Mulder. Mulder grita.

MULDER: - O que você faz, hein? (SACUDINDO A MÃO) Levantamento de peso? Au!

Ela sorri. Aproxima-se de Scully.

SAM: - Me desculpe se... Se eu agi como uma idiota com você.

SCULLY: - ... Seja feliz, tá?

SAM: - Serei.

Scully coloca a mão em seu rosto e lhe dá um beijo de selinho nos lábios. Mulder ergue as sobrancelhas, incrédulo. Sam sorri e abaixa a cabeça. Scully entra no carro. Mulder entra também.

SAM: - (RINDO) Tem certeza de que não querem ficar mais alguns dias?

MULDER: - Não. Não é a nuvem que me assusta. Prefiro ir embora de uma vez, antes que acabe voltando sozinho pra Washington.

Corta pro carro na estrada. Mulder dirige.

MULDER: - Scully, só tem uma coisa me intrigando.

SCULLY: - O quê?

MULDER: - Por que você beijou uma mulher?

SCULLY: - ... Acho que fiz aquilo só por... chato dizer isso, mas porque estava com peninha dela.

MULDER: - Peninha, é? Se eu soubesse que você faria isso... Teria aceitado o convite e ficado por mais um dia.

SCULLY: - Por quê?

MULDER: - (MAQUIAVÉLICO) Pra realizar minha fantasia sexual de transar com duas mulheres ao mesmo tempo. Afinal, você já tava começando a tomar gosto pela coisa...

Ela dá um tapa no ombro dele.

MULDER: - Au!

SCULLY: - Cachorro sem vergonha!

MULDER: - Como você é egoísta, Scully. Só você pode realizar essas fantasias malucas? Afinal, nada mais justo, depois do que você andou me aprontando em inconsciência.

SCULLY: - (CULPADA) Para, Mulder! Não fala mais nisso, juramos nunca mais falar...

Ele olha pra ela. Ela cruza os braços, emburrada.

MULDER: - Relaxa, Scully. Eu não quero.

SCULLY: - (OLHA PRA ELE) Por que não? Eu sei que isso é tara de todo o homem.

MULDER: - Eu já fiz isso.

Ela olha pra ele incrédula.

SCULLY: - Cinco, né, Mulder? Só cinco?

MULDER: - Mais foi antes de te conhecer!

SCULLY: - (FURIOSA) Vai ver só. E além do mais, eu não realizei esse meu desejo ainda. Porque aquilo não foi o que eu queria. Aquilo foi um Arquivo X e quero me esquecer disso.

MULDER: - Como assim 'não realizou'?

SCULLY: - Quero dois homens bem reais.

Ele olha pra ela.

SCULLY: - Você é um deles.

MULDER: - Ah, obrigado por estar incluído na sua listinha particular. E quem seria o outro?

SCULLY: - O Bryan Adams.

MULDER: - (ENCIUMADO) Então aproveita e convida ele pra uma festinha. Já que ele te manda e-mail todo o mês e cartão postal virtual, pra comentar sobre a turnê dele pelo mundo.

SCULLY: - Como sabe disso? Mulder! Anda xeretando minha caixa postal?

MULDER: - E daí? Não é você que vive deletando os meus e-mails com fotos pornôs gratuitas?

SCULLY: - ... (MAQUIAVÉLICA/ SE VINGANDO) Adoraria ver você beijar um homem. Ver um homem passando as mãos em você ou você passar as mãos nele. A ideia me excita.

MULDER: - (PÂNICO) Scully, a partir de hoje, só papai e mamãe, tá legal? Acho que estamos ficando um pouquinho ousados demais, não acha?

Ela segura o riso.

MULDER: - Você, hein? Por que fui alimentar o monstro?

SCULLY: - Vou me concentrar na biografia da nossa vida, Mulder. Vai vender horrores e escandalizar a América.

Ela começa a rir. Mulder olha pelo retrovisor. Fica sério.

MULDER: - Scully.

SCULLY: - O que foi?

MULDER: - Não olha agora, mas tem alguma coisa nos seguindo.

Scully vira-se pra trás. A nuvem aproxima-se rapidamente deles. Scully fica tensa.

SCULLY: - Mulder, pelo amor de Deus, essa coisa não vai mais rápido?

Mulder sai fora da estrada, pegando uma estrada de chão.

MULDER: - Hehehe. Saímos da rota.

SCULLY: - Mulder...

MULDER: - O que foi?

SCULLY: - Ela saiu também.

Mulder olha pra trás.

MULDER: - Eu não acredito! Essa coisa está nos seguindo como se raciocinasse!

SCULLY: - Mulder, e sabe se ela não raciocina? Do que é feita?

Mulder olha pra Scully assustado. Vira o carro, tomando outra direção.

MULDER: - (OLHANDO PELO RETROVISOR) E agora?

SCULLY: - Ela virou também, Mulder!

Mulder volta pra estrada asfaltada.

SCULLY: - O que vai fazer?

MULDER: - Pela rodovia chegaremos mais rápido até a outra cidade.

O carro começa a falhar. Diminui até parar. Mulder liga, mas o motor morre. Ele tenta, desesperado. A nuvem se aproxima. Mulder olha pelo retrovisor, tentando ligar o carro. Começa a ficar nervoso.

MULDER: - Merda! Isso é hora? Tá vendo essas malditas contenções de despesas?

Mulder esmurra o volante. Abre a porta.

MULDER: - Vem, Scully, precisamos correr.

Os dois correm pelo meio da estrada, Mulder a puxando pela mão. Scully quebra o salto do sapato, torcendo o pé. Mulder para. Olha pra nuvem que está se aproximando cada vez mais. Pega Scully, a carregando em seu ombro.

MULDER: - É por isso prefiro que as baixinhas. São 'portáteis'.

SCULLY: - (DESESPERADA) Mulder, não vamos conseguir, ela está mais rápida do que nós!

MULDER: - Se tivéssemos algum lugar pra nos esconder...

Mulder larga Scully no chão. Segura-a pelos ombros e olha em seus olhos.

MULDER: - Presta atenção. Vamos confundi-la. Nos separamos. Assim você ganha tempo e conseguirá escapar.

SCULLY: - (DESESPERADA) Mas ela vai seguir um de nós!

MULDER: - Lembre-se, Scully. Se essa coisa pensa, é como um predador. Então vai querer pegar o mais forte primeiro.

SCULLY: - Mulder, não...

MULDER: - Scully, nós temos que ser racionais, ok? É uma situação de sobrevivência. Você vai por lá, eu vou por aqui.

SCULLY: - (GRITA) Mulder, eu não vou deixar você!

MULDER: - Vai, não tem escolha.

SCULLY: - Não!

MULDER: - Scully, faz o que estou dizendo! Se ficar aqui aquela coisa vai levar nós dois! Se for, pelo menos você se salva.

Ela se agarra nele. Fecha os olhos.

SCULLY: - Não. Se vamos morrer, vamos morrer juntos.

MULDER: - Scully...

Scully se aninha a ele, assustada. Mulder a abraça. Os dois parados no meio da rodovia. Observam a nuvem aproximar-se. Mulder olha pra ela.

MULDER: - Scully, eu só quero que saiba que eu te amo. Desculpe as besteiras todas.

SCULLY: - Me perdoa tudo que fiz, Mulder. Mas eu amo você mais do que a mim mesma.

Ele sorri. Beija-lhe a testa. Recostam a cabeça um no outro, de olhos fechados e abraçados. A nuvem os envolve.

Fade in.


Fade out.

A nuvem continua seguindo a estrada. Direção do foco para trás, onde Mulder e Scully continuam abraçados, parados no meio da estrada.


Gabinete do Diretor-Assistente – 4:21 P.M.

Skinner, sentado no sofá, com os pés por sobre a mesa de centro, leva um amanteigado à boca, sem desviar os olhos do relatório. Preso na leitura como se lesse um livro empolgante.

SCULLY (OFF): - ... Quando eu e o agente Mulder nos abraçamos com medo.

SKINNER: - (RI) Medo...

SCULLY (OFF): - A nuvem então passou por nós. Podia sentir um frio intenso, enquanto via objetos voando dentro dela, todos em pequenos pedaços, o que me faz acreditar que tudo que a nuvem englobava, reduzia a fragmentos, como se fosse um ser vivo digerindo seu alimento. Fechei meus olhos. Quando os abri, estávamos fora da nuvem.

SKINNER: - ... (ATENTO)

SCULLY (OFF): - A única explicação que esta agente e o agente Mulder encontraram, foi baseando-se nesta experiência própria e nos detalhes que até então não havíamos encaixado. A nuvem nunca leva nada duplo, de nenhuma natureza, quando passa por cima de alguma coisa. O que explicaria porque só levou uma das bolitas de gude das crianças, porque sobraram 11 garfos, facas e colheres, porcas e parafusos, pneus, apenas um canário desapareceu, e contando os animais da fazenda, o sr. Wilson constatou que apenas uma vaca e uma galinha haviam desaparecido... Ou seja: Se estivessem 3 caixas distanciadas umas das outras, o fenômeno as levaria. Se estivessem uma ao lado da outra, não... Se eu tivesse pensado em mim, e tivesse fugido, deixando meu parceiro, com certeza nós dois morreríamos. Um de cada vez.

Skinner sorri.

SKINNER: - ... Ah, as coisas do amor...

SCULLY (OFF): - A nuvem seguiu sua trajetória concêntrica e tomou a direção do Atlântico. Acreditamos que tenha sido o ponto de origem. Quanto às explicações científicas, esta agente sente muito em dizer que não há explicação alguma. Este fenômeno é realmente um caso paranormal. Não se justifica por quaisquer leis da física aceitáveis pela ciência.


X


08/12/2000

12 de Agosto de 2019 às 19:50 0 Denunciar Insira 0
Fim

Conheça o autor

Lara One As fanfics da One são escritas em forma de roteiro adaptado, em episódios e dispostas por temporadas, como uma série de verdade. Uma alternativa shipper à mitologia da série de televisão Arquivo X. https://www.facebook.com/laraone1

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