S04#16 - TERAPIA SEXUAL – PARTE I Seguir história

lara-one Lara One

Um caso bizarro para nossos agentes. Até onde pode se esconder o monstro dentro de um pacato médico? Parece que novamente o prazer mata. Serão Mulder e Scully as próximas vítimas? Fic escrita em parceria: One & Gica


Fanfiction Seriados/Doramas/Novelas Para maiores de 21 anos apenas (adultos).

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S04#16 - TERAPIA SEXUAL – PARTE I


INTRODUÇÃO AO EPISÓDIO:

Residência dos Tyller - Imediações de Trenton – Nova Jersey – 3:33 A.M.

[Som: Red Right Hand - Nick Cave]

NARRADOR (OFF): - (COM UMA VOZ SINISTRA DE VINCENT PRICE) Madrugada... Um homem. Este em seus cinquenta anos, rosto sereno apesar de maltratado pelo tempo. Seus olhos estão fechados. As mãos em contato com a porta, como se sentisse o que se passa através dela... E ele sente... Nick Marshall sente... Assim ele sabe. Sabe que este casal que se abriga num enrolado de lençóis, exalando a energia pura e condensada do ato sexual, será sua próxima vítima.

[Som sinistro de respiração acelerada. Pulsação]

NARRADOR (OFF): - Vítima? ... Não. Sua presa... Presa sim, pois eles serão seu alimento. Não físico e fugaz, mas espiritual. Apenas recuperar algo que lhe foi privado.

A porta se abre. Ele anda através da escuridão do quarto.

NARRADOR (OFF): - Ele vê a cama. Esta que abriga os corpos perdidos em seus sonhos... Coloca seus dedos em ambas as testas. Sente a energia fluir. Ele vai se sentindo forte, enquanto os corpos perdem a viva aparência... A transferência é completada. O homem e a mulher jazem no leito, que antes fora o palco de infinitas sensações que os faziam mais vivos do que nunca... Agora só resta ao homem de rosto sereno, se livrar dos corpos... Que minutos antes o tinham nutrido.

[Som de risadas sinistras]

VINHETA DE ABERTURA: A VERDADE ESTÁ LÁ FORA


BLOCO 1:

Apartamento de Mulder – 6:46 A.M.

[Som: Instrumental de Stuck on You – Lionel Ritchie]

Mulder sai do quarto, de cuecas de seda, se arrastando. O cachorro atrás dele. Mulder entra na cozinha. Abre a geladeira.

MULDER: - Tá, certo, o que você quer pro desjejum?

O cachorro senta-se, observando-o. Abana o rabo.

MULDER: - Sabe, pulguento, tirando nossas rixas, você até que é um bom amigo. Não se esqueça que o cão é o melhor amigo do homem. Não da mulher, ok?

Ele dá um latido.

MULDER: - Ainda bem que concorda comigo.

Mulder tira uma caixa de leite. Abre o armário pegando cereais.

Corta pra Scully levantando da cama. Vai pra cozinha reclamando.

SCULLY: - (MAL HUMORADA) Eu queria desaparecer da face da Terra. Eu queria ficar um ano fora do FBI. Eu queria fazer sexo por 24 horas consecutivas. Eu queria ter uma caderneta de poupança recheada e ir pro shopping gastar tudo com besteiras. Eu queria que a atriz do meu seriado de ficção científica preferido fosse menos burra e manipulável...

Ela entra na cozinha. Olha incrédula. Mulder bebendo leite na embalagem.

SCULLY: - (IRRITADA) Eu não acredito!

MULDER: - No quê?

SCULLY: - (POSSESSA) Eu não acredito que esteja bebendo o leite na embalagem!

MULDER: - Qual é o problema?

SCULLY: - Isso é bem coisa de homem mesmo! Mulder, essa é a coisa mais anti-higiênica que já vi!

Ele abre a boca, mas se contém. Olha pra ela debochado. Mas tem que revidar.

MULDER: - Ô, Scully... Acha a minha boca nojenta?

SCULLY: - ...

MULDER: - Você mete a boca em tantas coisas piores! Agora tá com nojo da minha boca? De outras coisas você não tem nojo?

Ele sai da cozinha rindo, vingado. Ela fica corada, abaixa a cabeça constrangida.


7:11 A.M.

Mulder saindo do quarto, arrumando a gravata. Vai pra cozinha. Scully toma café, já vestida.

MULDER: - Temos que chegar cedo hoje. Nada mais de atrasos.

SCULLY: - Estamos relapsos, Mulder.

Ela aproxima-se dele e ajeita sua gravata.

SCULLY: - Hum... Adoro quando você usa alguma coisa que lhe dei.

MULDER: - (DEBOCHADO) Scully, tudo que você me dá eu uso. Sabe que nunca vou recusar...

Ela dá um tapinha nele, desconcertada.

MULDER: - Você vai comprar minhas gravatas de agora em diante. Você tem bom gosto.

SCULLY: - Acho que vou é te dar um banho de loja, Mulder... Seus ternos parecem saídos do Exército da Salvação! Hum... Que perfume é esse?

Ela o puxa pra baixo, cheirando seu pescoço. Ele fecha os olhos.

MULDER: - Não faz isso, Scully...

SCULLY: - Por quê?

Ele suspira. Ela olha pra baixo. Dá um sorriso safado.

SCULLY: - (DEBOCHADA) Mulder, Mulder... Não estamos mais naquela fase de tensão sexual. Não há mais mistérios e...

MULDER: - Só pra variar, Scully, você continua errando suas teorias...

Ele a empurra por cima da mesa.


7:34 A.M.

Mulder pega as chaves do carro. Caminha até a porta. Scully pega sua pasta. Os dois ficam olhando um pro outro.

MULDER: - Quer saber?

SCULLY: - Hum?

MULDER: - Dane-se!

Ele se atraca nela violentamente. Começam a se beijar e se agarrar como dois malucos, descendo aos poucos pro chão.


Gabinete do Diretor Assistente - 9:30 A.M.

Mulder e Scully sentados na recepção. A secretária lê uma revista. Mulder olha pra ela. Olha pra Scully. Passa a mão na perna de Scully. Ela segura um riso, afastando a mão dele. A secretária olha pra eles. Mulder disfarça. A secretária volta os olhos pra revista. Mulder aproxima seus lábios do pescoço de Scully, lhe dando um chupão. Ela o empurra, rindo. A secretária olha pra eles. Eles disfarçam. O telefone toca. A secretária atende.

SCULLY: - Você sabe por que o Skinner quer nos ver?

MULDER: - É sobre um caso que ele quer que investiguemos. Algo sobre casais desaparecidos.

SCULLY: - Ah! Pensei que fosse uma outra bronca por causa desses atrasos... Mulder, precisamos ter uma conversa séria sobre isso.

A secretária desliga. Olha pra eles.

SECRETÁRIA: - Agentes, podem entrar!

Os dois levantam-se. Mulder abre a porta pra Scully e faz reverência. A secretária sorri, balançando a cabeça negativamente. Os dois entram. Skinner está sentado, fazendo a barba com um barbeador elétrico.

SKINNER: - Sentem-se.

Os dois sentam-se. Skinner pára o que estava fazendo e olha pra eles.

SKINNER: - Me atrasei...

MULDER: - (SEGURA O RISO)

SKINNER: - Bom, este caso se trata do desaparecimento de casais que faziam um curso chamado terapia sexual...

MULDER: - Puxa, ouvir isso pela manhã já me deixa de bom humor...

SKINNER: - Quer ficar com um humor melhor ainda?

MULDER: - (SORRINDO DEBOCHADO) Ah, tá brincando... Eu sou um cara comprometido...

Scully abaixa a cabeça, segurando o riso.

SKINNER: - O FBI quer que vocês dois se passem por um casal e investiguem o sujeito responsável por essa clínica, o Dr. Nick Marshall.

Mulder abre um sorriso maquiavélico.

MULDER: - Ô, Skinner, deixa eu ver se entendi... O FBI vai nos pagar pra fazer um curso de terapia sexual?

SKINNER: - Não quer?

Scully solta uma gargalhada. Skinner olha pra ela, curioso. Ela fica séria.

SCULLY: - Me desculpe, senhor.

SKINNER: - Quero vocês dois em Trenton ainda hoje.

Skinner puxa um envelope da gaveta. Entrega pra Scully.

SKINNER: - Vocês vão se passar por um casal em crise. O FBI já mandou o pedido de vocês e os documentos falsos estão todos aí. O curso tem duração de uma semana e é ministrado pelo Dr. Marshall. Essa clínica é uma espécie de fazenda, num local retirado. Ele afirma que seus métodos ajudam a recuperar um casamento perdido.

SCULLY: - Baseado em que evidência?

SKINNER: - Ele acredita que terapia sexual funcione, desde que o tratamento seja seguido à risca.

Mulder abaixa a cabeça, segurando o riso. Scully o cutuca.

SKINNER: - Dois casais, pacientes do Dr. Marshall, recentemente desapareceram. O FBI acredita que haja alguma ligação. Até provarmos o contrário, ele é suspeito.

Skinner entrega uma pasta pra Mulder.

SKINNER: - Aí tem o relatório preliminar da investigação.

Os dois levantam-se.

MULDER: - Skinner, meu filho... Eu ainda beijo essa sua careca.

SKINNER: - Saia daqui, Mulder. Agora! E aproveite o curso pra aprender alguma coisa sobre ‘conter impulsos e chegar cedo no trabalho’.

MULDER: - Sim, senhor, diretor sexy e da lanterna poderosa do FBI.

Scully segura o riso.

MULDER: - Vamos, Scully. Vamos pra casa arrumar as malas.

Os dois saem. Skinner balança a cabeça.

SKINNER: - Desde o dia em que eu o vi pela primeira vez, tive a sensação de que eu teria muita dor de cabeça... Nem é preciso ser paranormal pra saber disso.

Skinner levanta-se depressa. Abre a porta.

SKINNER: - Mulder!

Mulder, que já está no corredor vira-se.

MULDER: - O que é?

SKINNER: - Comporte-se. Não me crie confusão. E não se esqueça: estão fingindo.

MULDER: - Tá. Eu finjo muito bem, acredite.

Skinner suspira. A secretária, rindo, coloca a revista na frente do rosto.


Interestadual de New Jersey – 1:23 P.M.

Scully lê os papéis, enquanto Mulder dirige. Larga-os sobre as pernas.

SCULLY: - Mulder.

MULDER: - O que é?

SCULLY: - (RELUTANTE) Precisamos conversar.

MULDER: - Sobre?

SCULLY: - Mulder, estou preocupada com a gente.

MULDER: - Preocupada com o quê?

SCULLY: - Com essa fase maluca de pele. Mulder, nem no início éramos tão... tão...

MULDER: - Quentes.

SCULLY: - É, quentes.

MULDER: - Ora, Scully. A gente vai se conhecendo com o tempo, percebendo o que o outro gosta. Vai criando certas intimidades... Se libertando de certos medos... É natural que seja assim. Nossa relação está amadurecendo. Só isso. Pra que se preocupar se depois de anos ainda somos atraídos um pelo outro?

SCULLY: - (ABAIXA A CABEÇA/ TRISTE) ... É que tudo começou com pele, passou pra amor e agora me parece pele de novo.

MULDER: - E daí?

SCULLY: - (RESSENTIDA) Daí que vai terminar. Eu sei.

Mulder suspira. Olha pra ela.

MULDER: - Já notou como você é neurótica?

SCULLY: - (INCRÉDULA/ ERGUE AS SOBRANCELHAS) ...

MULDER: - Tudo começou com pele, então se agora estamos em fase de pele é sinal que tudo vai acabar. Você não pode pensar assim: começou com pele, depois amor, pele, amor, pele, amor... Não. Você sempre tem que levar tudo pra tragédia: Pele, amor, pele, fim de tudo. Depois eu é que sou o neurótico!

Ela faz um beiço.

MULDER: - (DEBOCHADO) Tudo bem, Scully. Se terminar saiba que foi o melhor sexo que já tive. E de graça.

Ela olha pra ele o fulminando.

SCULLY: - Isso está demais! É isso que estou dizendo!

MULDER: - (OLHA PRA ELA COM MALÍCIA) Não gosta?

SCULLY: - (DESCONCERTADA) ... Claro que eu gosto... Mas me preocupo. Ontem seu vizinho bateu na porta. Eu o atendi. Ele olhou pra mim sério e disse: Vocês dois me irritam! Ninguém é tão bom assim!

Mulder segura o riso. Ela nervosa.

SCULLY: - (SÉRIA/ NERVOSA) Ele deu as costas, furioso, e eu fiquei vermelha. Queria cavar um buraco e me enterrar ali mesmo.

MULDER: - Ele só tá com ciúmes.

SCULLY: - (FURIOSA) Mulder, isso não tem graça! Até aquela senhora do apartamento em frente passa por mim e fica rindo. As crianças ficam me chamando de Madonna. O prédio inteiro sabe da nossa vida sexual! Eu não aguento mais passar pelo porteiro e ver ele segurar um risinho debochado.

MULDER: - Você é quem faz escândalo.

SCULLY: - (INDIGNADA) Escândalo? Tudo bem, eu faço escândalo. Mas quem é que o provoca?

Ele sorri. Olha pra ela.

MULDER: - Eu vou tentar me controlar. Vai tentar também?

Ela olha pra ele, soltando o ar pelas narinas com força, furiosa.

MULDER: - Sim, porque eu não sou o único tarado nesse carro.

SCULLY: - (FURIOSA) Eu não sou tarada!

Mulder estaciona o carro no acostamento.

MULDER: - Tá, tá legal. Não gostou daquilo. Então fala.

SCULLY: - Eu gostei, eu adorei. E não é daquilo que eu estou falando!

MULDER: - ... (DEBOCHADO) Pensei que tivesse algo contra morangos...

SCULLY: - (NERVOSA) Estou falando de tudo. Mulder, estamos excitados demais! Parece doença! Nos atrasamos pro trabalho, não saímos mais nos finais de semana... Eu me sinto uma vadia completa! Quando não estou naquele porão, estou na cama! Eu nem preciso mais de roupa pra andar em casa!

MULDER: - E qual é o problema?

SCULLY: - (CULPADA) ... Isso não é certo.

MULDER: - Quem disse?

SCULLY: - ... Não é certo.

MULDER: - Lá vem Dana Scully cheia dos seus complexos sexuais...

SCULLY: - Não é complexo.

MULDER: - (INCRÉDULO) Scully, se eu e você estamos gostando disso, qual é o problema por aqui?

SCULLY: - ... Não é certo.

MULDER: - Por quê? Por que é pecado?

SCULLY: - ... (ARMA O BEIÇO/ CULPADA)

MULDER: - Ô, Scully, qual é a sua neura em sentir tesão, transar e gozar?

Ela grita. Ele encolhe-se, assustado.

SCULLY: - (GRITA) Não fala assim! Eu odeio palavrões!

MULDER: - (PÂNICO/ INCRÉDULO) ...

SCULLY: - ...

MULDER: - (INCRÉDULO) Que palavrão eu falei?

SCULLY: - (CONSTRANGIDA/ NERVOSA) E-essas coisas.

MULDER: - (DEBOCHADO) Tá certo, Scully. Então qual é a sua neurose em sentir ‘atração sexual, fazer amor e entrar em êxtase’?

SCULLY: - ... (RUBORIZA)

MULDER: - (INDIGNADO) Ah, me poupa! Isso é tudo a mesma coisa. Só mudam as palavras. E eu não sei porque você se choca quando eu falo ‘gozar’.

Ela grita, pondo as mãos nos ouvidos. Ele arregala os olhos, surpreso.

SCULLY: - Pára!!!!!!!!!!

Ele liga o carro. Balança a cabeça. Começa a rir.

SCULLY: - (INDIGNADA) Pára de rir! Seu boca suja!

MULDER: - (PROVOCANDO) Gozar!

Ela grita. Dá um tapinha nele. Ele ri.

MULDER: - (SACANA) Ahá! Agora eu descobri como me vingar de você.

SCULLY: - (FURIOSA) Pára com isso, isso não tem graça!

MULDER: - Ô, Scully, você é uma louca na cama, como pode ter vergonha de falar coisas assim? Tem vergonha de falar mas não tem vergonha de agir? É isso?

SCULLY: - ... (BEIÇO)

MULDER: - (MAQUIAVÉLICO) Você está naquela sua fase de culpa de novo... Crise de consciência... É bom eu saber disso.

SCULLY: - ...

MULDER: - (PROVOCANDO) Scully, confessa, mas você adora quando eu resolvo amassar o bombril...

Ela grita.

MULDER: - Pênis!

Ela grita. Ele continua rindo.

MULDER: - (DEBOCHADO) Scully, como médica...

SCULLY: - (FURIOSA) Dentro de um contexto médico isso não é palavrão. Mas vindo dentro do seu maldito contexto... E isso é baixaria!

MULDER: - (DEBOCHADO) Engraçado que às 3 horas da manhã, no seu ouvido, eu aposto que não seria baixaria...

SCULLY: - Pára!

MULDER: - (MATREIRO) Scully, me desculpe... Eu sei que fui grosso com você. Vou me comportar... Mas que culpa eu tenho se quando te vejo fico de pau duro?

Ela grita. Ele tá se divertindo com o pânico dela.

MULDER: - Se eu fico doido pra dizer no teu ouvido, Scully, quero trepar com você...

Ela solta um grito, escandalizada. Ele continua rindo.

MULDER: - É, realmente acho que você tá precisando de uma terapia... Confesso que esse seu lado eu ainda não conhecia... (DEBOCHADO) É... Ainda tem um lado da Scully que eu tô louco pra conhecer...

Ela grita.


BLOCO 2:

Clínica do Dr. Marshall – 6:21 P.M.

Os dois caminham ao lado do Dr. Marshall. Scully com um beiço, bem afastada de Mulder.

MARSHALL: - Temos ótimos quartos. Piscina, salas de jogos. Quero que compreendam, senhor e senhora Manners, que precisamos que vocês sigam os nossos regulamentos. Para isso precisam ficar hospedados aqui durante o curso.

Marshall olha pros dois que nem se olham.

MARSHALL: - Percebo que o casamento de vocês está em crise mesmo.

Marshall abre a porta do consultório. Eles entram. Os dois se sentam. Scully vira o rosto e nem olha pra Mulder. Está furiosa com ele. Marshall senta-se. Pega uma ficha.

MARSHALL: - Bem, vocês são casados há 10 anos. É natural que agora comecem a enfrentar certas crises. Mas quero que saiba que nosso curso vai proporcionar a vocês várias maneiras de lidarem com isso. Infelizmente o ser humano tende a perder o desejo pelo parceiro, depois de muitos anos de convivência. Mas aqui, através de palestras e métodos, vocês aprenderão a reconquistar tudo de volta, como se fossem recém casados para sempre.

Marshall lê a ficha.

MARSHALL: - Sinto que a situação de vocês seja esta. Mas não se preocupem. Senhora Manners, lhe garanto que já tivemos vários casais por aqui que enfrentaram a mesma situação e conseguiram superar isso. Como eu disse, é apenas uma crise. Não significa nada, senhor Manners. Não precisa ter vergonha ou sentir-se culpado pelo que faz. Não há nada de errado com sua sexualidade. Homens de 40 anos costumam sofrer esse tipo de crise.

Mulder não entende nada, o questionando com os olhos.


Quarto de Mulder e Scully – 6:57 P.M.

Scully sentada na cama, tendo um acesso de riso. Mulder, indignado, caminhando de um lado pra outro, falando ao celular.

MULDER: - Isso é conspiração, Skinner! Quem inventou essas fichas malditas?

Scully se atira na cama rindo sem parar. Mulder olha pra ela indignado.

MULDER: - E não podiam ter dito que o nosso problema era a frigidez dela? A minha impotência?

Mulder desliga o celular furioso. Ela continua rindo.

MULDER: - (INDIGNADO) Aquele pessoal do FBI me paga! Eu vou mostrar pra eles quem está com crise de identidade sexual, usando as lingeries da esposa e transando com garotos de 20 anos!

Ela continua rindo.

MULDER: - (INDIGNADO) Qual é a desses caras?

SCULLY: - (RINDO) Precisava ver a cara de pânico que você fez quando o médico disse que era só uma fase e que você superaria sua compulsão momentânea por camisolas, calcinhas e garotos... (RINDO) E que queria saber se esses impulsos ocorriam em sua adolescência...

Ele entra no banheiro batendo a porta. Grita furioso.

MULDER: - Isso não tem graça, Scully!

Ela continua rindo.

MULDER: - (RESMUNGANDO) Eu sempre me dou mal em tudo! Isso é perseguição!

SCULLY: - (PROVOCANDO) Mulder, desde quando você é gay?

Ele abre a porta do banheiro.

MULDER: - (SÉRIO) Vem cá, vem. Eu um minuto eu te mostro o quanto eu sou gay.

Ela continua rindo. Vai até ele.

SCULLY: - (PROVOCANDO) Olha Mulder, você tem todo o aparato. Só não é porque não quer. Você leva jeito.

Ele a puxa pra dentro do banheiro, batendo a porta. Ela grita.

MULDER: - Quem é gay, hein?

SCULLY: - (RINDO) Você!

MULDER: - Primeiro aviso. Pára.

SCULLY: - Gay!

MULDER: - Segundo aviso.

SCULLY: - Gay!

MULDER: - Eu te avisei, Scully... Azar o seu.

SCULLY: - ... Azar por quê, seu florzinha?

MULDER: - (DEBOCHADO) Scully... Tenho uma péssima notícia pra você. Eu sou ativo.

SCULLY: - (GRITA/ RINDO) Não!!!!!!


Sala de Terapia – 8:23 P.M.

Seis casais sentados em cadeiras, dispostas em círculo. Mulder e Scully entram. Mulder senta-se. Ela senta-se delicadamente na cadeira.

SCULLY: - Ai... Tô sofrendo!

MULDER: - (DEBOCHADO) Eu falei pra você não me provocar.

SCULLY: - Eu vou me vingar, Mulder... Me aguarde.

MULDER: - (RINDO) Com o quê?

SCULLY: - Não se preocupe, Mulder... Tenho dedos bem ágeis.

Ele olha pra ela em pânico.

SCULLY: - ... Hum, mas isso não seria vingança... Tem que ser algo a altura... Bom, eu tenho um catálogo de um sex shop. Primeiro aviso: Não durma mais de costas pra mim, Mulder. Pode ter uma surpresa.

Mulder recua o corpo pro lado, a encarando assustado.

MULDER: - Eu, hein?!?

Ela fica séria. Não olha pra ele.

MULDER: - ... Eu vou embora daqui. Não quero ninguém me olhando com um sorriso safado no canto da boca.

SCULLY: - Ninguém sabe os motivos porque estamos aqui, Mulder. O próprio Dr. Marshall falou que mantém segredo sobre seus pacientes até para os outros pacientes.

MULDER: - Eu não sei não. E se algum abobado resolver passar a mão no meu traseiro, vai levar chumbo!

SCULLY: - Eu posso?

MULDER: - Não! Fique bem longe do meu traseiro. Não confio mais em você!

Scully ri. Ele faz beiço. Ela cochicha no ouvido dele.

SCULLY: - (SAFADA) Mulder, eu quero comer você todinho. Quero te fazer gritar a noite toda, de quatro na minha cama.

Ele olha pra ela apavorado. Afasta a cadeira. Ela abaixa a cabeça rindo.

MULDER: - Acho melhor ficar com suas crises de consciência. Eu me sinto mais seguro assim.

SCULLY: - ... (RINDO)

Mulder cochicha pra ela.

MULDER: - Qual é o meu nome mesmo?

SCULLY: - David.

MULDER: - E o seu?

SCULLY: - Gillian.

MULDER: - (INDIGNADO) Sem comentários. Quem foi o idiota que deu um nome desses pra gente?

SCULLY: - Como é que vou saber?

MULDER: - Se eu me chamasse David me enforcaria!

SCULLY: - Mulder, fica quieto!

Marshall entra na sala. Aproxima-se de um oratório.

MARSHALL: - Boa noite, amigos. Vejo que temos um belo grupo aqui. Quero explanar sobre nosso programa num primeiro momento. Depois, gostaria que todos os casais aqui se apresentassem. Para o bom andamento do nosso programa, é necessária a ajuda mútua. Todos aqui temos problemas, certo? Então todos querem se ajudar.

Mulder boceja. Scully o cutuca.

MARSHALL: - Os recursos terapêuticos são todas as manobras que utilizaremos além da palavra, com o objetivo de modificar de algum modo a situação problemática.

Mulder boceja. Scully o cutuca.

SCULLY: - Pára!

MARSHALL: - Durante as duas primeiras noites do tratamento, os casais estão proibidos de manterem um envolvimento sexual com penetração.

MULDER: - (PÂNICO) Eu não gostei mais disso. Vou morrer!

SCULLY: - (RALHANDO COM ELE) Mulder!

MARSHALL: - O objetivo disto é o afastamento da ansiedade de desempenho e da compulsão pela genitalidade.

Mulder suspira. Scully continua atenta.

MARSHALL: - Num segundo momento, o tratamento passará a ser a auto-focagem corporal. Os procedimentos para isto: espelho de corpo inteiro, olhar frente e costas. Explorar diferentes posições corporais parados ou em movimento. Questionar o que mais gosta e o que menos gosta.

MULDER: - (DEBOCHADO) Tô começando a gostar disso...

SCULLY: - Eu vou atirar em você se não calar essa boca!

MARSHALL: - Depois disto, passamos para a auto-focagem genital.

MULDER: - E de pensar que ao invés de estar atrás de monstros, estou no paraíso...

SCULLY: - Mulder...

MARSHALL: - Os procedimentos desta fase: com um espelho, cada um de vocês vai olhar e localizar parte dos órgãos genitais.

MULDER: - Uau!

Ela olha pra ele assustada. Faz um beiço de pânico.

SCULLY: - Eu quero a minha mãe!

Ele olha pra ela debochado. Cochicha em seu ouvido.

MULDER: - (DEBOCHADO) Tá com medinho, Scully?

SCULLY: - Pára! Eu não tenho medo de você.

MULDER: - Nem precisa. Esse tipo de abordagem psicológica visa o autoconhecimento. Não sou eu ou você que vai tocar no outro. Cada um toca em si. Bem longe do outro.

SCULLY: - (ALIVIADA) Ufa!

MULDER: - (DEBOCHADO) Mas eu quero ver você fazer isso na minha frente. Eu sou um profissional, Scully. Será apenas um tratamento psicológico com acompanhamento pessoal...

SCULLY: - Não vou fazer nada. Lembre-se o real motivo porque estamos aqui. Seu tarado sem cura!

MARSHALL: - Finalmente o Foco Sensorial. O exercício consiste em: a mulher deve deitar-se de bruços e o homem deve acariciá-la com as mãos descendo das costas até os pés.

SCULLY: - Tira esse sorriso cínico da cara, Mulder. Não dou minhas costas pra você. Nem pense.


8:59 P.M.

Mulder olha pro relógio, já irritado.

MULDER: - Que coisa mais chata, Scully! Estão me estuprando os ouvidos!

SCULLY: - ...

MULDER: - Chega, Scully. Pega as algemas e vamos prender esse tarado.

SCULLY: - Mulder, isto é interessante. Ele realmente é um profissional. Já li algo sobre terapia sexual e ele está realmente descrevendo os métodos corretos.

MULDER: - Ele é um tarado sádico. Olha se vou falar pra ele meus problemas sexuais!

SCULLY: - Fico pasma com o psicólogo Mulder, questionando uma técnica.

MULDER: - Existem outras técnicas sexuais. Uma delas é praticar.

SCULLY: - Você me irrita, Mulder.

MULDER: - Cala a boca Scully. Estou prestes a vomitar de tédio!


11:12 P.M.

Scully revirando a mala. Mulder deitado, resmungando.

MULDER: - (INDIGNADO) Eu não acredito que fiquei duas horas sentado naquela cadeira ouvindo aquelas besteiras sem ter nenhuma disfunção sexual.

SCULLY: - ... Nenhuma? Ora, se não é o amedrontado Mulder que fugia pras revistas com medo das mulheres verdadeiras.

Scully retira um pijama. Dirige-se até a porta.

MULDER: - (PÂNICO) Aonde vai?

SCULLY: - (VINGATIVA) Esqueceu-se? Na primeira noite temos que dormir em quartos separados.

MULDER: - Você não está falando sério...

SCULLY: - Estou.

MULDER: - Scully, estamos aqui pra investigar esse cara e não pra seguir as ordens dele.

SCULLY: - Acho que isso vai ser bom pra nós, Mulder. Quem sabe pára essa loucura toda. Você ouviu o que ele disse. Precisamos conter impulsos.

MULDER: - (PIDÃO) Scully... Scully, deita aqui, vai. Desiste disso.

SCULLY: - Quer levantar suspeitas? Se eu não for, vão perceber. Há enfermeiros de plantão aí no corredor, para que os regulamentos não sejam quebrados.

MULDER: - Não, eu não tô preocupado em levantar suspeitas. Estou preocupado em não poder levantar outra coisa...

SCULLY: - Pois vai ficar sem levantar nada hoje, Mulder. E bem que merece. Você está me devendo aquela história do carro, aquela do banheiro...

MULDER: - Ah, é vingança, é? Se não tivesse gostado tinha me dito! Quando um não quer, dois não fazem, esse é o nosso acordo.

SCULLY: - ... Sabe que eu gosto. Mas acho que este caso veio em boa hora. Mulder, me entenda. Isso realmente não está certo. Isso não é normal. Me parece mais um vício, uma fuga. Precisamos nos afastar ou vamos nos enjoar.

MULDER: - (RECLAMANDO) Enjoar... Posso enjoar de sementes de girassol, mas não de Scully. Scully é algo que não me enjoa. Há dez anos olho pra você e há dez anos eu fico cada dia mais atraído.

SCULLY: - (TERNAMENTE) Mulder... Vai ser difícil pra mim também. Mas vamos tentar, tá?

Ela sai do quarto. Ele suspira, inconsolado.

MULDER: - (RECLAMANDO) Malvada! Scully, sua bruxa má! Se eu morrer de asfixia auto-erótica como previu o Clyde Brukeman, você vai ter o que merece! Pois tomara que fique se coçando a noite inteira! Se roçando no travesseiro. Amanhã eu me vingo! Sabe que eu me seguro, mas eu me vingo!

Ele se levanta.

MULDER: - (RESMUNGANDO) Preciso de um maldito banho gelado! Quem diria que as coisas voltariam a ser como eram antes?


9:24 A.M.

Scully sentada a uma das mesas do restaurante da clínica. Toma café. Mulder aproxima-se. Puxa a cadeira e senta-se. Boceja. Olheiras enormes.

SCULLY: - Dormiu bem?

MULDER: - Não dormi.

SCULLY: - Por quê?

Ele abaixa a cabeça.

MULDER: - (SÉRIO) Descobri uma coisa ontem. Você tinha razão, acho que isso ajuda a descobrir algumas coisas sobre nós.

SCULLY: - (ATENTA) ...

MULDER: - E confesso que pode ter pele no meio, mas a perturbação maior não foi essa. Descobri que viver uma noite ou um dia longe de você é como estar no inferno. Não dá pra dormir sem sentir seu pé gelado. Tô ferrado! Fui fisgado mesmo. Agora não adianta reagir.

Ela sorri. Segura a mão dele.

SCULLY: - Também não dormi.

MULDER: - ...

SCULLY: - Pés gelados...

MULDER: - (DEBOCHADO) Pelo menos fez os exercícios de toque?

Ela ri.

MULDER: - (SÉRIO) Eu não fiz. Mesmo que estivesse doido de tes... (CALA-SE) ... Não fiz.

SCULLY: - Eu fiz.

Ele olha pra ela, incrédulo.

SCULLY: - Não por recomendação médica. Mas por necessidade física.

MULDER: - (SURPRESO/ DEBOCHADO) Scully? Você chamando a ‘tia sira’?

Ela atira um miolo de pão nele.

MULDER: - Au!

SCULLY: - Pára! Eu já disse que não gosto desses palavrões!

MULDER: - Quer dar uma volta antes da ‘aula’? Quem sabe eu possa resolver o teu problema na prática.

SCULLY: - Mulder, não dá. Eles estão vigiando todo mundo.

MULDER: - (INDIGNADO) Isso aqui é um pé no saco, Scully! Parece um convento de freiras lésbicas assassinas!

SCULLY: - Mulder, eu andei dando uma volta por aí. Mas sempre tem alguém nos seguindo. Eu não acho que isso seja apenas um método para eficiência do tratamento. Não concorda?

MULDER: - Eu sei que esse Marshall é muito estranho, Scully. Ele tem uma cara de Woody Allen misturada com um comportamento francês de filmes eróticos de quinta categoria.

SCULLY: - Mulder, precisamos nos misturar com essa gente. Quem sabe obtemos algumas informações.

MULDER: - Faça isso, Scully. Eu vou tentar revirar a sala do Marshall em busca de provas.


BLOCO 3:

Escritório do Dr. Marshall – 10:11 A.M.

Mulder entra na sala, sorrateiramente. O ambiente está iluminado pela claridade da janela. As cortinas mexem-se com a brisa. Mulder procura com os olhos. Aproxima-se dos arquivos. Começa a revirá-los. Acha a pasta com o nome do Tyller. Mulder abre a pasta e começa a ler em voz baixa.

MULDER: - O que temos aqui? Anotações... Hum... O senhor Tyller apresenta uma séria compulsão por sexo com garotinhas. (INDIGNADO) Velho tarado... Devia ser adepto da teoria das franguinhas: primeiro cria e depois papa... A crise do casal começou quando a senhora Tyller descobriu o envolvimento de seu marido com a babá de 16 anos... (DEBOCHADO) Que chato! ... Além de tarado era burro!... A crise aumentou quando o senhor Tyller descobriu que a esposa o traía com seu melhor amigo... (RINDO) Além de tarado e burro também era corno!

Mulder larga a pasta. Fecha o arquivo.

MULDER: - Cada uma... Não sei o que essa gente tem na cabeça... Além de chifres.

Mulder olha pra escrivaninha. Aproxima-se. Abre as gavetas. Revira-as. Retira uma chave muito antiga, enorme. A observa curioso. Ouve o barulho de passos no corredor. Larga a chave e fecha a gaveta rapidamente. Esconde-se atrás da porta.

O som dos passos continua como se passassem pelo corredor seguindo em frente. Mulder respira aliviado. Abre a porta lentamente. Espia pelo corredor. Não vê nada nem ninguém. Sai, fechando a porta.


Sala de terapia - 10:45 A.M.

Mulder entra na sala. Scully conversa com algumas mulheres. Ele se aproxima.

MULDER: - Preciso falar com você, ‘querida’.

Ela ergue as sobrancelhas e pede licença. Os dois vão pra um canto.

MULDER: - (DEBOCHADO) Sabia que o Senhor Henry Tyller era tarado e corno?

SCULLY: - (INCRÉDULA) Ahn???

MULDER: - A única coisa estranha que encontrei foi uma chave na gaveta do Marshall.

SCULLY: - Chave?

MULDER: - Uma chave muito estranha. Velha demais pra ser de uma porta comum.

SCULLY: - Como conseguiu entrar lá?

MULDER: - Não estou sofrendo de compulsão homossexual?

Ela arregala os olhos.

MULDER: - (INCRÉDULO) Não, Scully. Não fiz o que está pensando. Eu apenas comecei a conversar com um dos enfermeiros e esse simplesmente caiu fora. Deve ter pensando que eu era gay. O que prova que ‘segredos’ aqui não existem.

Um casal aproxima-se deles.

BOB: - Olá, somos os Willians. Eu sou Bob, esta é Melissa.

MULDER: - Mu... David e Gillian.

Eles trocam cumprimentos.

BOB: - Não estão achando essas técnicas estranhas demais?

MULDER: - Por completo.

MELISSA: - É a primeira vez de vocês?

SCULLY: - Sim.

BOB: - Também é a nossa. Confesso que isso aqui é ‘aberto’ demais pra nossa cabeça.

Scully sorri.

SCULLY: - O Dave estava me falando isso agora mesmo.

As duas se afastam fofocando. Bob coloca as mãos nos bolsos e aproxima-se de Mulder.

BOB: - Você conseguiu fazer aqueles exercícios?

MULDER: - De jeito nenhum!

BOB: - (SORRI/ NERVOSO) Puxa, cara, fico feliz em confessar isso pra alguém e saber que foi recíproco. Pensei que a coisa seria diferente.

MULDER: - Estão casados há muito tempo?

BOB: - Cinco anos. Viemos pra cá por causa das brigas. Na cama tudo funciona, mas fora dela as coisas ficam complicadas. Ela é ciumenta demais, entende?

MULDER: - (SUSPIRA) Ah, entendo. Como eu entendo!

BOB: - E vocês? Qual o problema?

MULDER: - ... O mesmo.

BOB: - Sério? Acho que seremos bons amigos, David.

MULDER: - Com certeza, Bob...


2:34 P.M.

Mulder sentado ao lado de Scully. Tédio no rosto. Marshall falando.

MARSHALL: - Eu quero apresentar pra vocês a Dra. Yara Cuervo, PHD em sexologia.

Todos batem palmas. Mulder olhando com o rabo dos olhos, contrariado.

MULDER: - (IRRITADO) Estou enfartado de sexo, tenho até nojo disso!

Scully ri.

MARSHALL: - Ela vai explanar pra vocês alguns assuntos importantes sobre a sexologia humana.

MULDER: - Acho que já conheço essa Cuervo...

SCULLY: - De onde?

MULDER: - (PROVOCANDO) Transamos ontem.

SCULLY: - Não vai me irritar, Mulder. Desista.

Ele segura o riso.

YARA: - Primeiramente vamos explanar sobre as mulheres. Muitos homens não sabem o que é uma mulher.

Mulder olha pra Scully.

MULDER: - (DEBOCHADO) ... Sem comentários...

YARA: - A melhor receita para a mulher sentir prazer na cama é começar recebendo muitos abraços, beijos e carinhos. No sexo, as carícias das preliminares às vezes são até mais importantes do que a penetração. A maioria das mulheres reclama de falta de carinho por parte dos homens. Se você também tem essa queixa, explique ao seu parceiro que prefere ficar mais tempo nas preliminares, ensine onde e como gosta de ser acariciada. Mas, antes de trocar carícias com seu parceiro, você mesma deve descobrir quais são as suas zonas erógenas, aquelas que provocam uma excitação muito grande quando tocadas.

MULDER: - Não precisa, eu já descobri todas. E você não tem queixa disso, tem?

SCULLY: - Não, minha queixa é que você enrola até demais!

MULDER: - (INDIGNADO) Tá vendo? Se a gente avança é um insensível. Se fica nas preliminares é um enrolador. Mulheres, blargh!

YARA: - Dos pés à cabeça, existem vários pontos no corpo da mulher que podem despertar desejo, como pés, joelhos, coxas, bumbum, virilha, costas, nuca e mamilos, entre tantos. A melhor maneira de descobri-los é pedir para o parceiro explorar esses locais com beijos, toques e até mordidas de leves.

Mulder boceja. Scully o cutuca.

YARA: - A outra maneira garantida de saber onde você sente mais prazer e qual é o jeito certo de tocar esses locais é a masturbação. Se você ainda não se sente à vontade, vá treinando aos poucos. Escolha uma hora em que esteja sozinha em casa e deite-se na cama nua no escuro e de olhos fechados. Quando estiver totalmente relaxada, passe a mão pelo seu corpo todo, explore cada ponto e fique atenta às suas sensações. Assim, quando você for transar, vai saber o que lhe dá mais prazer e vai conseguir pôr em prática as posições sexuais que permitem um contato maior com essas áreas sensíveis.

MULDER: - (DEBOCHADO) Eu queria ver isso...

SCULLY: - Cala a boca, Mulder!

YARA: - O ponto G é um ponto que promete orgasmos intensos e maravilhosos. Ele fica atrás do osso púbico, dentro da parede da vagina e a 5 cm da entrada dela...

MULDER: - (DEBOCHADO) Já anotei o endereço.

SCULLY: - Mulder!

YARA: - O sexo oral é a forma mais prazerosa de fazer amor. A boca e a língua do parceiro ficam em contato íntimo com o órgão mais erógeno da mulher, o clitóris. Já para o homem, ele recebe carícias na parte mais sensível e erótica do pênis, a glande. Para a mulher a maciez da língua do parceiro e o ritmo delicado dos movimentos são o caminho mais fácil de atingir o orgasmo.

MULDER: - Sem comentários... Ela sabe das coisas...

YARA: - Para ser igualmente prazeroso para o casal, é preciso dar sinais de onde cada um gosta de ser beijado. Sexo oral é uma questão de treino e também de conhecer as partes mais sensíveis do corpo da mulher e do homem.

Mulder dá uma risadinha.

YARA: - Bem, primeiramente: Como fazer nele.

SCULLY: - (ABAIXANDO A CABEÇA, NERVOSA) Acho que vou sair daqui...

MULDER: - (DEBOCHADO) Por quê? Não tá gostando da palestra? Não era você que tava adorando a ideia?

SCULLY: - Mulder, você vai começar com piadas e eu vou acabar rindo e todo mundo vai me olhar com a cara atravessada.

MULDER: - (DEBOCHADO) Vou me comportar, eu prometo.

YARA: - Comece beijando todo o corpo dele, bem devagar e de maneira provocante. Segure delicadamente o pênis e ponha-o na boca aos poucos, chupando a glande e fazendo movimentos circulares com a língua.

Ela abaixa a cabeça.

SCULLY: - (NERVOSA) Eu vou sair daqui.

MULDER: - (DEBOCHADO) Calma, Scully. De repente você consegue superar o seu complexo com ‘palavras pesadas’...

YARA: - E para ele fazer em você...

SCULLY: - (DESESPERADA/ SEGURANDO O RISO COM A MÃO) Uh, Deus! Mulder, nem respira, tá legal?

MULDER: - (DEBOCHADO) Mas eu tô quieto...

YARA: - Peça a ele que comece lambendo e mordiscando a parte interna das suas coxas a virilha e o bumbum e que depois aproxime lentamente a língua do seu clitóris, lambendo a vagina, os pequenos lábios. Ele também pode penetrar a vagina com a ponta da língua e fazer movimentos circulares um pouco acima ou abaixo do clitóris.

MULDER: - (DEBOCHADO) Passei no teste, né? Agora você tem as provas concretas que eu sou um ótimo amante.

SCULLY: - Mulder...

YARA: - Vocês também podem fazer os dois juntos, ao mesmo tempo...

MULDER: - (SÉRIO/ DEBOCHADO) Não, isso dá confusão... Um por vez...

SCULLY: - (SEGURANDO O RISO) Mulder, quer parar?

YARA: - Na posição como 69, homem e mulher fazem e recebem sexo oral ao mesmo tempo. O casal deve se deitar de modo que o rosto dele fique próximo da vagina, e o dela voltado para o pênis. Uma outra posição muito estimulante, é um dos dois ficar por cima, no sentido contrário um do outro. Os sentidos têm um papel de destaque no processo de excitação. O sexo é puramente sensorial, ou seja, tato, olfato, audição, visão e paladar, que, junto com a fantasia, são usados para que o corpo possa relaxar e se entregar ao prazer. Isso faz parte das preliminares. E elas podem ser iniciadas até dias antes da relação, quando você começa a planejar como será o encontro com a pessoa querida.

MULDER: - (DEBOCHADO) É, ela tá falando um assunto sério. Eu por exemplo comecei minhas preliminares com você há quase 10 anos atrás... Ficava planejando...

SCULLY: - (QUASE NÃO SE CONTENDO) Mulder!

YARA: - Você saliva quando se lembra de um prato delicioso? Pois um processo bem parecido acorre quando se pensa em sexo. As sensações vão tomando conta do corpo e da mente. Uma carícia, um beijinho... e chega a excitação. Então a salivação acontece na genital, ou seja, a lubrificação. O sangue começa a circular mais rápido, invade a pele e os órgãos sexuais, provocando uma onda de calor. Quanto mais rapidamente ele circular, maior será a sensibilidade nas zonas erógenas e a temperatura da pele esquentará mais ainda. Nesse momento, a musculatura começa a oscilar entre tesão e o relaxamento e o coração passa a bater mais forte.

MULDER: - (DEBOCHADO) Ah, deixa disso. Saliva ali também é bom...

SCULLY: - (RINDO) Mulder, pelo amor de Deus, fica quieto!

YARA: - Para ser uma boa amante, é preciso descobrir as zonas erógenas dos homens e conhecer as carícias que os levam ao êxtase. O pênis é o centro das atenções masculinas, é a zona mais erógena, especialmente a glande e a bolsa escrotal. Mas toques na virilha, no peito, nos mamilos, no bumbum, nas coxas e na nuca também são bastante estimulante.

MULDER: - (DEBOCHADO) Tá anotando isso?

Ela abaixa a cabeça, doida pra rir.

YARA: - Outro grande ponto de prazer dos homens é o ânus.

MULDER: - (PÂNICO)

Scully coloca as duas mãos sobre os lábios, mal se contendo pra rir.

YARA: - E, se você acha que se ele pedir carícias nesse lugar é sinal de uma tendência homossexual, está enganada. Trata-se de uma região sensível, pois é cheia de nervos. Vários homens têm ereção ao serem tocados no ânus.

MULDER: - Se tentar isso, eu juro que atiro em você, Scully.

SCULLY: - Eu... (QUASE RINDO) Eu quero... rir!

YARA: - Bem, e sobre o sexo anal? Além de gostar de receber carícias no local, fazer sexo anal também está entre as preferências masculinas. O prazer dessa prática, para o homem, está na sensação de dominar a parceira. Com ela de joelhos e de quatro, o homem se sente mais poderoso. Além disso, o ânus é mais apertado do que a vagina, o que provoca mais prazer, além de ele sentir que tem um pênis maior.

SCULLY: - (DEBOCHADA) Meu Deus, maior do que já é?


3:24 P.M.

YARA: - Bem, vamos falar sobre as fases do homem.

MULDER: - (DEBOCHADO) Tava demorando. Se vier com a história do ‘condor’ eu atiro nela.

YARA: - Dos 18 anos aos 25 anos Ele está mais potente, cheio de vigor. Apesar disso, geralmente esse início da vida sexual é complicado e o homem está mais preocupado com o tamanho do pênis, tem medo de brochar... E acaba nem prestando muita atenção nos desejos da mulher. Dos 25 anos aos 50 anos. O homem fica mais confiante e passa a valorizar também o lado afetivo da relação. É quando o homem está bem na profissão, cheios de projetos e de bem com a vida. Esses fatores influenciam no desempenho sexual. A partir dos 50 anos há uma pequena queda na produção do hormônio masculino, a testosterona, passa a ocorrer uma certa dificuldade na ereção e o desejo diminui.

MULDER: - (DEBOCHADO) Meu Deus! Tenho só pouco mais 10 anos pra fazer sexo?

SCULLY: - (RINDO) Mulder!

YARA: - Ao contrário do que se pensa, toda mulher pode ter orgasmos. 90% das mulheres têm orgasmo e pensa que não, porque ouviu da amiga que tinha de sentir o corpo flutuar ou ver estrelas.

Os dois se olham assustados.

MULDER: - Conheço isso, mas no nosso dicionário chama-se abdução.

YARA: - Pode se ter várias sensações, mas o orgasmo nunca é igual para todas as pessoas, por isso é difícil definir essa experiência. Mesmo assim há componentes físicos e psicológicos comuns. Fisicamente, o orgasmo é uma descarga de tensão sexual e muscular que gera uma sensação de pleno relaxamento. Psicologicamente, isso pode ser entendido como um prazer muito grande, uma impressão de felicidade e satisfação. E vocês sabem quais são os sinais do orgasmo?

MULDER: - (INDIGNADO) Pela mãe do guarda! Quem é que não consegue identificar um orgasmo?

SCULLY: - (INDIGNADA) Eu, quando você não cala essa maldita boca! Deixa a mulher falar. Tem mulheres que não sabem mesmo. Por causa de maridos imprestáveis que só sabem chegar, ter e virar o traseiro pro lado, pensando em si próprios. E depois dizem que a mulher é frígida. Nos tratam como depósitos de esperma.

Ele olha pra ela, boquiaberto.

MULDER: - Isso não serve pra mim.

SCULLY: - (FURIOSA) Sorte sua, ou eu não estaria aqui hoje. Sou feminista, Mulder. Não me provoque.

Ele olha pra ela em pânico.

YARA: - É possível perceber quando o orgasmo está prestes a acontecer. A respiração acelera, o coração bate mais forte, as mamas aumentam e os mamilos endurecem. O clitóris também aumenta de tamanho, muda de cor, e a vagina e o útero se contraem com mais e mais força.

MULDER: - (DEBOCHADO) É, Scully. Acho que você vai cair mortinha de tanto ouvir essas coisas ‘escandalosas’ aqui.

SCULLY: - Não. São em sentidos médicos. Não depravados.

YARA: - Muitas mulheres confundem excitação com orgasmo. Excitação é o caminho que pode levar ao gozo. Ela é percebida principalmente com a lubrificação da vagina, condição ideal para o início da transa e, consequentemente, para o orgasmo. Se você deseja descobrir o caminho mais fácil para alcançar o orgasmo, a primeira grande dica é não ficar ansiosa. Para isso, é preciso ser espontânea, estar muito a fim de transar com o parceiro e se entregar de verdade, perder completamente a vergonha. A melhor posição é a que deixa você mais à vontade e confortável.

MULDER: - (OLHA PRA ELA) Eu já sei qual é.

SCULLY: - Sorte sua.

YARA: - Bem, vamos falar de mais tabus. Por muitos anos a masturbação foi vista com preconceito. Tocar o próprio corpo em busca de prazer era considerado feio, sujo, imoral e vergonhoso. Ou seja, a mulher que se masturbasse para atingir o prazer sexual de uma forma solitária escondia isso do mundo, do parceiro e até de si mesma. Hoje, felizmente, as coisas estão mudando e a masturbação começa a ser vista como um meio saudável de autoconhecimento.

MULDER: - (DEBOCHADO) Autoconhecimento? Eu pensei que isso servia pra outras finalidades, tipo tirar o leite do...

SCULLY: - (IRRITADA) Mulder, pára, por favor!

YARA: - Entretanto, é justamente nessa fase que muitas mulheres começam a achar que o único jeito de sentir prazer sexual é pela penetração do pênis na vagina. Mas existem outras maneiras de sentir prazer, e a masturbação pode ajudar a conhecê-las. Usar a imaginação, fantasiar, sentir-se excitada e tocar seu corpo em busca de sensações é também importante. Porque é nesse momento que você pode descobrir que um toque bem leve no bico dos seios, por exemplo, pode deixá-la com o maior tesão. Ou que mãos quentes afastando as suas coxas são uma verdadeira delícia.

MULDER: - Scully, eu confesso que não tô mais aguentando ouvir isso o dia todo e chegar de noite e ter de tomar um banho frio!

SCULLY: - Realmente, o tratamento é extremista.

YARA: - O fato é que tocar-se é o primeiro e talvez o mais importante passo para descobrir como chegar ao orgasmo quando estiver com seu parceiro.

SCULLY: - Eu não preciso disso. Você já sabe me tocar muito bem. Eu nem sabia que tinha tantas zonas erógenas antes de te conhecer.

Ele dá um sorriso.

MULDER: - Sério?

SCULLY: - ...

MULDER: - Gostei do elogio.

SCULLY: - ... (RELUTANTE) ... Você merece.

YARA: - Bom, falamos um pouco das mulheres. Mas e os homens? Para os homens, o pênis é o centro das atenções desde a infância. Trata-se do símbolo maior da masculinidade. Um membro tão potente que, segundo os psicólogos, desperta inveja nas mulheres.

SCULLY: - (FEMINISTA) Eu não tenho inveja de não ter um. Pelo menos não fico escolhendo pra que lado vestir ele dentro das calças!


BLOCO 4:

4:32 P.M.

Mulder abaixa a cabeça.

MULDER: - Meu Deus, essa gente toda que está aqui não sabe fazer sexo ou eles pensam que todo mundo por aqui é virgem?

YARA: - A variação do papai e mamãe: Aqui, os corpos não ficam totalmente colados como na posição tradicional. A mulher consegue maior prazer com ele de joelhos entre suas pernas e ela com as pernas ao redor dos quadris dele. Assim a penetração fica mais fácil e a região pélvica dele fricciona o clitóris dela.

MULDER: - (INDIGNADO) Eu não acredito no que tô ouvindo... Com 10 anos eu já sabia disso.

SCULLY: - Mulder!

MULDER: - Eu não sei porque, mas estou assoviando mentalmente a música dos Cheetos, pra ver se me distraio, ou vou acabar tendo uma ereção em público!

SCULLY: - Mulder!

YARA: - A do homem por trás. A vantagem é que a penetração do pênis por trás estimula o ponto G e a mão dele fica livre para massagear o clitóris, favorecendo o orgasmo da mulher.

MULDER: - Ah, sério? Nunca imaginei isso...

Scully morde os lábios, louca pra rir.

MULDER: - Ah, ela não sabe de nada! Eu deveria estar lá na frente ensinado isso. Mas ficaríamos presos aqui por uma semana...

YARA: - Agora vamos ensinar como colocar um preservativo.

MULDER: - (DEBOCHADO) Se ela pedir um voluntário...

SCULLY: - (ENCIUMADA) Mulder, eu vou te esganar!

MULDER: - Au!

SCULLY: - Juro que nunca mais vou assistir qualquer palestra do seu lado! Você é o sujeito que fica falando o tempo inteiro durante o filme! Nem me convide pra ir num cinema.

MULDER: - Juro que eu não falo nada quando tô no cinema.

SCULLY: - Presta atenção em silêncio?

MULDER: - (DEBOCHADO) Não, passo as mãos em silêncio...

SCULLY: - (DESCONSOLADA) Mulder!


6:22 P.M.

Mulder, sentado no chão, de frente pra Scully, segurando as mãos dela. Os outros casais fazem o mesmo. Yara anda entre os casais.

YARA: - O terceiro passo é o mais difícil, este consiste em enquadrar a mulher dentro de um perfil de atitude na cama quanto a sua passividade. Uma mulher totalmente passiva, ou submissa, é aquela que gosta de receber ordens, que espera que o homem decida tudo, e o seu principal prazer consiste em dar prazer ao homem, não raramente estas gostam de se sentir escravas e vulneráveis. Uma mulher totalmente ativa, ou dominadora, é o oposto da submissa, é uma pessoa que quer tomar todas as decisões, preza principalmente o seu prazer, e tem fantasias de escravizar os homens.

Mulder olha pra Scully e pisca o olho debochado. Ela abaixa a cabeça e sorri timidamente.

YARA: - Estes são os extremos do gráfico, falando em linguagem matemática, e as pessoas variam dentro desses limites, cabe a você descobrir em que ponto ela está e em que ponto você está. O casal deve ficar mais ou menos em lugares simétricos dessa curva, ou seja, se você é predominantemente dominador, ela precisa ser predominantemente passiva, e vice versa, caso isso não aconteça, a transa tem menos chances de ser um sucesso.

Mulder suspira. Olha pra Scully.

MULDER: - Acho que você é a dominadora, o que significa que eu sou o passivo.

SCULLY: - Mas você também parece querer dominar.

MULDER: - Posso fazer isso. Gostaria de fazer isso. Mas só quando você resolver mostrar seu lado passivo sem medo algum.

SCULLY: - Não sou uma mulher submissa, Mulder.

MULDER: - A submissão não é algo pejorativo e é da natureza feminina. E não significa que você seja menos Scully por isso.

SCULLY: - ...

Scully abaixa a cabeça, tensa. Mulder percebe.

MULDER: - Quando tivermos nossos netos, você jura que não vai contar o que aconteceu por aqui? Não quero os moleques debochando dos meus cabelos brancos.

YARA: - Você deixa uma submissa extremamente decepcionada e irritada se você agir todo carinhoso com ela, tratando ela como se fosse uma estátua de cristal. E por outro lado, uma dominadora ou uma romântica inveterada, vai ficar furiosa se você der uma de machão.

Mulder olha pra ela.

MULDER: - Está vendo? Tá vendo a dificuldade que eu passo quando nunca sei quem está aí dentro de você, se a Dana ou a Scully.

Ela sorri. Solta um suspiro aliviado.

YARA: - A etapa das preliminares é governada por uma regra básica. É melhor pecar por excesso do que por falta.

MULDER: - (DEBOCHADO) Eu disse que ela sabia das coisas. Tá vendo? Não me culpe por exagerar. Lembre-se do que ela disse.

SCULLY: - (RINDO) Vou tentar.

MARSHALL: - Nós homens, falando no geral, não estamos pré-programados para gastar tempo com preliminares, não faz parte do nosso extinto natural, isso é algo que nós aprendemos com o tempo. Contudo, esta parte do ato, que nós não damos muita importância, é o fator crucial para agradar a mulher. Se a mulher estiver bem excitada, implorando para você penetrá-la, ela vai achar o seu membro o mais gostoso do mundo quando você o coloca-lo. Por outro lado, se ela estiver fria, provavelmente vai achar sem graça e às vezes vai até sentir um incômodo.

Mulder abaixa a cabeça, disfarçando o riso. Scully olha rindo pra ele.

SCULLY: - Ahá, então é assim que você me ilude?

MULDER: - Juro que nunca tinha visto isso por esse ângulo...

YARA: - Conclusão, gaste suas fichas aqui, porque se essa etapa não for boa, provavelmente as outras também não serão. Aqui vai um conselho para os homens: Você precisa ter em mente que o melhor parceiro sexual, não é necessariamente o que gasta todo o tempo nos finalmentes, nem o que abusa da preliminar. O verdadeiro animal na cama é aquele que é um mestre da psicologia, da sensibilidade e do autocontrole, aliado obviamente ao vigor físico.

Mulder olha pra Scully debochadamente, com um sorriso irônico nos lábios.

MULDER: - (CONVENCIDO) Confessa. Sou ou não um animal na cama?

SCULLY: - (DEBOCHADA) Você é um animal o dia todo Mulder: inútil, imprestável, só serve pra decorar a casa e fazer companhia.

MULDER: - Tá bom, Scully. Vou tentar não levar isso pro lado pessoal. Mas saiba de uma coisa.

SCULLY: - O que?

MULDER: - Que eu adoro ser seu bichinho de estimação.


7:12 P.M.

Mulder de braços cruzados, sentado na cadeira. Scully com a fisionomia de tédio, braços cruzados também.

YARA: - O pompoar é uma técnica milenar surgida no Oriente. Em alguns países como a Índia, as mulheres começam a aprender a técnica na infância.

Mulder põe as mãos no rosto.

MULDER: - Não creio que estou ouvindo isso... Não creio... Primeiro foram as tais bolinhas tailandesas...

SCULLY: - Estou achando esse assunto muito avançadinho pro meu gosto.

MULDER: - Qual é, Scully? Não é você que gosta de inovação? Aprenda alguma coisa com a Dr. Cuervo.

Scully olha irritada pra ele.

YARA: - Por meio de exercícios as praticantes do Pompoarismo alcançam o total controle dos músculos vaginais. Podem entre outros movimentos imitar o sexo oral, prender o pênis impedindo-o de sair e fechar alternadamente os anéis vaginais em torno dele, é como se a mulher estivesse fazendo uma massagem com a vagina. Na Tailândia, existem shows de Pompoarismo, onde as mulheres chegam a atirar dardos, bolinhas, fumar e até mesmo abrir garrafas. Obviamente existe um truque mas o maior segredo é a força da vagina.

Scully coloca a mão na testa, abaixando a cabeça. Mulder fica rindo.

MULDER: - (DEBOCHADO) É... é aquilo que eu falo sobre a força feminina...

SCULLY: - Mulder, seu debochado de uma figa, quer calar essa maldita boca?

Ele olha debochado pra ela.

MULDER: - (DEBOCHADO) Confessa, Scully, você adoraria que a academia do FBI desse esse tipo de treinamento em Quântico... Aposto que mataria qualquer um com um dardo...

Ela o belisca.

MULDER: - Au!

SCULLY: - Pára com isso! Ou vou matar você com um tiro.

MULDER: - (DEBOCHADO) Sério? Qual calibre você usa por lá, 32 ou 38?

SCULLY: - Pára ou vou te esganar aqui na frente de todo mundo.

MULDER: - ... Só uma pergunta. E é sério.

SCULLY: - ... Fala.

MULDER: - (DEBOCHADO) Você consegue abrir uma garrafa de champanhe?

SCULLY: - (IRADA) Urghhhh, Mulder!!!!!!!!


10:11 P.M.

Scully deitada, de camisola, lendo um livro. Mulder atirado na cama. Resmungando.

MULDER: - Eu não aguento mais esse lugar. Eles falam de sexo o dia todo e de noite olham pra gente e dizem: não podem se tocar! O que eles pensam? Que eu sou alienígena?

SCULLY: - E não é?

MULDER: - Posso até ter genes alienígenas, mas todos têm. E se sou um pouquinho mais alienígena que os outros eu te digo: Eu adoro a espécie humana feminina... Apesar de que não encontrei nenhuma da minha espécie ainda.

SCULLY: - Tem certeza?

MULDER: - Tá, não vamos falar das nossas desconfianças, de porque nos colocaram juntos desde o início... Deixe seu cérebro longe de encrencas.

SCULLY: - (OLHOS NO LIVRO) Acho que é por isso que você é diferente dos homens que tive... Hum, é bom ter um alienígena na cama. Ele faz coisas de ‘outro mundo’.

MULDER: - Vai, vai rindo. E vai provocando. Vai ver em que galáxia eu vou te deixar usando apenas a minha língua.

Ela olha pra ele. Ele levanta-se.

MULDER: - Vou tomar outro banho. Estou de mau humor. E esse maldito calor pra ajudar!

Ela suspira. Continua lendo o livro. Ele olha pra ela, muito mal intencionado.

MULDER: - Não quer lavar as orelhinhas, Scully?

SCULLY: - (SEM DESGRUDAR OS OLHOS DO LIVRO) Não. Lembre-se: estamos proibidos de tocar um no outro.

MULDER: - Tocar não. Ele falou em pene...

SCULLY: - (CORTANTE/ CONSTRANGIDA) Eu sei. Mas sabe que nunca conseguimos isso.

MULDER: - ... Scully, sabia que estamos aqui pra pegar esse cara?

SCULLY: - Sei. Mas acho que essa terapia vai nos ajudar também. Portanto, mantenha-se longe de mim por mais uma noite.

Ele entra no banheiro, resmungando.

MULDER: - Presente, né Skinner? Só se for presente de grego! Vai ter o troco, seu careca safado.


Escritório do Dr. Marshall – 11:23 P.M.

Marshall senta-se em sua cadeira. Observa a sala. Olha pra sua gaveta.

NARRADOR (OFF): - Novamente o monstro começa a tomar vida. O Dr. Marshall parece não ser mais o homem de feições calmas e dedicado a sua profissão. Ele olha fixamente para a velha chave. A chave dos seus segredos mais profundos... A chave que separa o médico do monstro... E aos poucos, a fisionomia do médico amigo transforma-se no olhar brilhante de um monstro faminto... Faminto por vingança.


Quarto de Mulder e Scully – 11:46 P.M.

Scully abre a janela. Deita-se na cama de novo. Pega o livro. O suor corre da testa. Ela sacode a camisola com a mão, tentando se refrescar.

SCULLY: - Queria beber alguma coisa bem gelada. (GRITA) Ô, Mulder, morreu afogado? A companhia de água ligou avisando que o reservatório de Trenton já está vazio!

Ele sai do banheiro. Cabelos molhados, vestido de terno e gravata. Ela olha pra ele.

SCULLY: - (CURIOSA) Aonde vai?

MULDER: - (CÍNICO) Buscar alguma coisa gelada.

SCULLY: - De terno e gravata?

Ele dá um sorrisinho maroto. Ela o questiona com os olhos azuis desconfiados.

SCULLY: - Mulder... Eu te conheço. O que está aprontando?

MULDER: - Nada. Estou apenas pronto pra alguma emergência.

SCULLY: - Vou ignorar você, Mulder. Gente louca é melhor ignorar.

Ela volta os olhos para o livro. Ele liga a TV. Ela olha pra ele.

SCULLY: - Mulder, eu não posso me concentrar com essa coisa ligada. Basquete e romance não combinam.

MULDER: - O que está lendo?

SCULLY: - Em Algum Lugar do Passado.

MULDER: - Esse é bom... Pensei que estivesse lendo Love Story... Argh!

SCULLY: - Eu gostei de Love Story.

MULDER: - Tudo bem, Scully. Ninguém é perfeito...

Ela abaixa a cabeça e continua lendo.

MULDER: - Música te atrapalha?

SCULLY: - Não.

Ele desliga a TV. Revira sua mala e puxa um CD.

MULDER: - Ahá! Sou um cara prevenido.

Ela o ignora lendo o livro.

SCULLY: - (COM OS OLHOS NO LIVRO) Se tiver Ramones aí eu te esgano. Bem como Sex Pistols, Rolling Stones ou qualquer coisa que seja ruído.

MULDER: - Sabe qual é o seu problema? Você não curte os dinossauros do Rock. Você é uma ignorante musical.

SCULLY: - Sei... (ATENTA NO LIVRO)

Ele se aproxima do aparelho de CD. Coloca o CD.

[Som: You can leave your hat on – Joe Cocker] (aquela música tema do filme Ou tudo ou Nada)

Scully ergue rapidamente os olhos do livro, incrédula.

Mulder olha pra ela, se embalando com a música, sensualmente, enquanto leva as mãos para afrouxar a gravata.

Scully abre um sorriso de surpresa. Atira o livro no chão. Ajeita-se na cama, observando Mulder, empolgada.

Mulder continua dançando. Abre a gravata, deixando-a ao redor do pescoço. Retira o paletó sensualmente, atirando em cima dela. Ela retira o paletó de cima da cabeça, os cabelos revirados, sorrindo.

Mulder retira o coldre com a arma. Olha pra ela com um ar de policial malvado. Scully ergue as sobrancelhas, empolgadíssima. Ele retira as algemas da cintura, balançando-as com a mão. Ela morde os lábios. Ele atira as algemas na cama.

Mulder continua a dançar. Aproxima-se dela. Retira a gravada do pescoço, envolvendo no pescoço dela, enquanto dança. A puxa, colando o rosto dela em sua barriga, dançando. Ela fecha os olhos. Ele a empurra, acenando negativamente com a cabeça. Enrola a gravata no pescoço de Scully. Afasta-se dela. Vai pra frente da cama.

Scully o acompanha com os olhos, cada vez mais empolgada e num sorriso que parece não acabar mais. Senta-se sobre as pernas, olhando pra ele curiosa.

Mulder pára de dançar. Fica de lado pra ela. Abaixa a cabeça. Ergue-a, dando um olhar tímido mas sensual, proposital. Começa a abrir as mangas da camisa. Corpo rígido, numa atitude masculina. Ela morde os lábios, olhando-o como um esquilo curioso.

Ele passa a mão nos cabelos molhados, mas uma mecha da franja insiste em cair-lhe sobre a testa.

Ela começa a respirar com dificuldades.

Mulder abaixa a cabeça e retira os sapatos com os pés. Ela o acompanha curiosa. Ele retira as meias. Ela come o corpo dele com os olhos.

Ele abaixa a cabeça e abre os botões da camisa. Vira o rosto pra ela, olhando-a de cantinho. Volta as atenções pra camisa. Dançando suavemente, ele vai abrindo-a. Ela mal pára na cama, irrequieta.

Mulder abre toda a camisa. Inclina o corpo pra trás. De olhos fechados, deslizando as mãos por todo o seu peito, entre os pelos, descendo as mãos pra todos os músculos de seu abdômen. Ela morde os lábios, excitada.

Mulder, ainda de lado, olha pra ela sensualmente, num ar de menino malvado. Começa a dançar novamente, retirando a camisa até metade dos braços. Ela solta o ar preso dos pulmões. Ele veste a camisa de novo. Ela faz uma fisionomia de frustração. Ele dançando, de frente pra ela, tira a camisa. Atira-a em cima dela. Ela pega a camisa no ar, levando-a a seu nariz, aspirando o perfume dele. Ele continua dançando, movendo os quadris. Desce as mãos pelo peito até abrir o cinto. Ela morde a camisa dele. Ele dá um sorriso matreiro. Retira o cinto e o estala como um chicote, jogando pra ela. Ela está catatônica, mordendo a camisa dele.

Ele continua dançando. Vira o rosto, fechando os olhos. Desliza as mãos por seus braços, contornando os músculos. Desliza as mãos pelo abdômen, colocando uma das mãos pra dentro das calças, de olhos fechados, inclinado a cabeça pra trás.

Scully mal respira. O suor corre da testa dela. Ela morde mais a camisa dele.

Mulder lança um olhar de desejo pra ela. Vira-se de costas. Ela solta a camisa dos dentes, agarrando-a com força entre as mãos. Ele dançando, vai lentamente retirando as calças. Olha pra trás. Ela olha pra ele, afoita. Ele desce a calça até metade do bumbum, deixando transparecer a cueca de seda escura com algumas estampas pequenas. Ela fica boquiaberta. Ele veste as calças novamente. Ela começa a bater palmas.

SCULLY: - Tira! Tira! Tira!

Ele de costas, vira o rosto pra ela, a provocando com o olhar. Então desce as calças. Ela bate palmas, assoviando. Ele atira as calças por sobre a poltrona. Vira-se de frente, só de cuecas. Ela já está no quinto estágio da loucura. Ele continua dançando sensualmente e masculinamente, a provocando. A chama com as mãos e um olhar de pidão. Ela arrasta-se até os pés da cama, sentando-se. Ele aproxima-se dela, dançando. Ela leva a mão e ele recua o corpo pra trás, fazendo que não com o dedo indicador. Ela suspira. Ele aproxima-se novamente, remexendo os quadris em frente ao nariz de Scully. Ela fecha os olhos, inebriada, fora de si, tocando-lhe as cuecas boxer de seda com a ponta do nariz. Ele vai pra trás, tentando se afastar, mas ela rápida como uma gata, o segura pela cintura das cuecas, dando um impacto no corpo dele.

SCULLY: - Chega Mulder.

MULDER: - Não pode me tocar. Regra da casa.

SCULLY: - Cala a boca, Mulder...

MULDER: - Vou chamar o gerente.

SCULLY: - Quanto?

MULDER: - Sou caro.

SCULLY: - Pago tudo. Cada centímetro desse corpo sensual.

MULDER: - (SORRINDO) Uau!

SCULLY: - Você é meu, Mulder. Hoje eu dou as ordens nessa cama.

MULDER: - (FECHA OS OLHOS) Sim, senhora.

SCULLY: - Vou fazer misérias com você, Mulder... Vou te deixar jogado nessa cama como um objeto usado.

MULDER: - (OFEGANTE) ... Me usa, Scully...

Ela o segura pela cintura. Ele continua dançando, esfregando-se no rosto dela. Ela, de olhos fechados, mordisca-o de leve por sobre a cueca. Ele inclina a cabeça pra trás. Fecha os olhos. Agarra-se nos cabelos dela.

Corta para o lado de fora da porta do quarto de Mulder e Scully.

Close na mão de Nick Marshall em contato com a porta. Desvio do foco para o rosto dele, que mostra um sorriso nos lábios e os olhos fechados.

NARRADOR (OFF): - Ele sente, ele sabe. O monstro sabe que estes são os escolhidos. Ele nunca vira tamanha energia. E sua fome aumentava.

[Som sinistro de respiração acelerada . Pulsação]

O sorriso no rosto se retrai e ele começa a tremer e suar, numa crise de abstinência.

MARSHALL (OFF): - Calma, aguente firme... Ainda não é a hora. Embora esta não tarde a chegar.

Marshall olha para baixo. Sorri, vendo alguma coisa.

Desvio do foco para a luz violeta que sai por baixo da porta.


TO BE CONTINUE...

(som de uma risada sinistra)


22/11/2000

9 de Agosto de 2019 às 16:54 0 Denunciar Insira 0
Fim

Conheça o autor

Lara One As fanfics da One são escritas em forma de roteiro adaptado, em episódios e dispostas por temporadas, como uma série de verdade. Uma alternativa shipper à mitologia da série de televisão Arquivo X. https://www.facebook.com/laraone1

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