0
2.1mil VISUALIZAÇÕES
Completa
tempo de leitura
AA Compartilhar

S04#14 - GÓLGOTA – PARTE II


“Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito”.

Lucas 24, 46


No fanfic anterior...

Scully olha algumas radiografias na parede. Fecha os olhos. Mulder a abraça.

MULDER: - Você é médica. Sabe me dizer se isso é correto?

Scully afirma positivamente com a cabeça. Abraça Mulder. Chora. Mulder abraça-a.

MULDER: - Ei, eu sou o doente por aqui, sabia?

SCULLY: -... Mulder, não quero perder você.

MULDER: - Não vai me perder... Scully, quantas vezes eu já saí de situações que ninguém sairia? Acha que um tumor desses vai me matar?

SCULLY: - Mulder, aumentou assustadoramente de volume. Podemos fazer uma cirurgia, mas, assim como antes, não é recomendável... Você pode ficar em estado vegetativo pro resto da vida.

VINHETA DE ABERTURA


BLOCO 1:

Pistoleiros solitários 11:32 A.M.

Suzanne abre a porta. Mulder, Scully e Vitória estão ali.

SUZANNE: -É bom ver vocês! Entrem.

Frohike entra na sala, numa cadeira de rodas. Está bem velhinho.

FROHIKE: -Essa linda mulher é a sua filha, Mulder?

MULDER: -Não vê que é a minha cara? Por isso é linda!

FROHIKE: - Agradeça à Deus por não ter o nariz dele!

Vitória o beija.

VITÓRIA: - E você, meu herói? Como está?

FROHIKE: - Aguardando mais rugas. E você, velho Mulder? O que procura agora? Algum remédio pra dor nas costas? Uma cadeira de balanço?

MULDER: - Preciso que entre num arquivo pra mim. Quero informações sobre algumas crianças desaparecidas.

FROHIKE: - Scully, você ainda continua quente! Adorável agente Scully. Eu poderia ter te dado uma vida melhor, mas você preferiu ele!

Scully sorri.

VITÓRIA: - Herói, uma série de crianças desapareceram nos últimos meses, em todo o país. Não conseguimos obter dados sobre elas.

FROHIKE: - Por que ela me chama de “Herói”?

VITÓRIA: - Porque nunca consegui pronunciar esse seu nome estranho. Frohike, Frohero... Hero é mais fácil.

FROHIKE: - Fico feliz pelo “hero”. Se me chamasse de Hike, “caipira”, eu ficaria furioso!

Langly entra na sala.

LANGLY: -Eu consigo isso pra vocês. Mas preciso esperar pelo Byers. Ele foi buscar as crianças na escola.

MULDER: - Scully, você poderia ficar aqui. Acho que vou começar a verificar a casa dessas crianças. Vitória, você vem comigo.

FROHIKE: - Sabe onde elas moram?

MULDER: - É o único dado que tenho, além do nome delas. Me facilitaria se pudesse olhar as fichas. Pouparia sapatos.

SCULLY: - Mulder... Tome cuidado. Não se desgaste demais.

Mulder a beija. Ele e Vitória saem. Scully suspira. Frohike percebe alguma preocupação no olhar dela.

FROHIKE: - Aconteceu alguma coisa?

SCULLY: - O tumor no cérebro dele aumentou de tamanho.

FROHIKE: - Malditos desgraçados!

LANGLY: - Ele vai ficar doido como daquela vez?

SCULLY: - Não. É diferente. Isso foi conseqüência daquela cirurgia.

FROHIKE: - ...

SCULLY: - Ele vai começar a radioterapia amanhã... Mas eu não estou otimista...

Suzanne a abraça.

SCULLY: - (DESESPERADA) Ele vai morrer, e eu não posso fazer nada!

SUZANNE: -Quem sabe eles têm a cura?

FROHIKE: - Tem uma nota no jornal de hoje... O Fumacinha morreu.

SCULLY: - O quê?

LANGLY: - É. Foi pro inferno.

SCULLY: -... Deus existe! Quero que se dane! O maior desgraçado de todos já saiu do nosso caminho.

FROHIKE: - Queria saber quem está controlando a coisa no lugar dele... Alguém de confiança deve estar no comando.


Rua 46 Este - Nova Iorque

1:12 P.M.

John olha pra Krycek.

KRYCEK: -Temos 24 horas pra descobrir o que está acontecendo.

JOHN: -Quantas já foram até agora?

KRICEK: - Em todo o mundo, 1345 crianças... A droga disso é que não sabemos porque as estão levando.

JOHN: -Por que não os deixamos agir e pegar quem eles querem?

KRICEK: - Por que isso seria o nosso fim! Acha que eles não estão tramando alguma coisa?

JOHN: -Aquele desgraçado tem que abrir a boca!

KRICEK: - Quer tentar?

JOHN: -Eu vou conseguir. Ele vai falar comigo.

KRICEK: - Garoto, você não tem experiência pra fazer isso. E experiência nesse lugar é questão de sobrevivência...

JOHN: -Se me chamar de garoto novamente, vai acabar se machucando, velhote.

KRICEK: - Você o matou, não foi?

JOHN: -Sr. Krycek, cuide dos seus problemas, eu cuido dos meus.


Residência dos Mulder - 6:56 P.M.

Scully prepara o jantar. Bryan entra na cozinha, com uma mochila nas costas.

BRYAN: - ... Mãe, estou indo embora.

Scully vira-se pra ele.

BRYAN: - Não dá pra dividir o mesmo espaço com ele.

SCULLY: - Bryan, por que odeia seu pai desse jeito?

BRYAN: - Eu não o odeio. Só desaprovo as doidices dele.

SCULLY: - Você não percebe, mas está o fazendo sofrer.

BRYAN: - O Fox Mulder? Ele não sabe o que é sofrer!

Scully mete um tapa na cara dele, com muita raiva. Bryan põe a mão no rosto, perplexo.

BRYAN: - Por que fez isso, mãe? Você nunca me bateu!

Scully pega um envelope grande e atira sobre a mesa.

SCULLY: - (REVOLTADA) Olhe isso. Quero ver se é um bom médico!

Bryan, ainda perplexo com a atitude dela, abre o envelope. Tira uma radiografia. Examina contra a luz. Olha desesperado pra Scully. As luzes refletem as lágrimas em seus olhos azuis.

BRYAN: - Mãe, e-eu não sabia que ele estava ficando pior...

SCULLY: - Seu pai tem um tumor maligno na cabeça que não tem cura. Portanto, Bryan, o que você chama de ‘doidices’ dele, são as coisas reais que fizeram com ele. Não acha que seu pai está sofrendo?

Bryan abaixa a cabeça. Vitória entra.

SCULLY: - Aproveite bem a vida com seu pai, Bryan. Porque não terá pai por muito tempo.

Vitória olha pra Scully. As lágrimas vão caindo dos olhos. Scully tenta se conter na frente dos filhos.

VITÓRIA: - Mamãe...

SCULLY: - Peço que não criem problemas pra ele, tá legal? Ele já tem com o que se preocupar.

Bryan não quer acreditar.

BRYAN: - Não quer tentar a remoção?

SCULLY: - Ele não quer. Prefere morrer do que viver como um vegetal.

Scully começa a chorar. Os dois a abraçam.


Hangar 19 – Dreamland - 11:34 P.M.

John entra numa sala, acompanhado de Krycek e alguns homens. John passa um cartão de acesso na porta. A porta abre-se. Ele entra sozinho. A sala está iluminada por uma estranha luz dourada.

JOHN: -Preciso que fale comigo. Não tem o direito de pegar as pessoas desse jeito. Se me contar o que pretendem, eu o deixo voltar para seu mundo. Se não contar, vou matá-lo.

Corta para o fundo da sala, onde está homem jovem, muito alto.

De sua cabeça caem fios dourados e longos, que surgem da metade da testa, assemelhando-se a cabelos. Os olhos são azuis resplandecentes. Veste um manto prateado com um laço branco atravessado no peito. Ele está exalando a estranha luz dourada. Tem uma aparência de um guerreiro. Mas não humana. Sua forma física é de uma matéria menos densa. Ele caminha lentamente até John. John afasta-se.

JOHN: -O que quer com essas crianças?

Não há resposta. Ele apenas olha dentro dos olhos de John, como se lê-se sua alma através deles.

JOHN: -(GRITA) Quem é você?

O Ser continua olhando pra ele, num olhar de pesquisa e ao mesmo tempo, de piedade.

JOHN: -(COM ÓDIO) Sei que entende o que estou falando! Quero saber porque estão levando essas crianças! Não temos acordos com vocês! De onde são?

O Ser afasta-se dele. A sala inunda-se da luz dourada. John começa a gritar, seu corpo treme. Krycek observa por um vidro. Um dos homens que está com ele ameaça abrir a porta.

KRYCEK: -Não! Deixe-o. Isso não é radiação, mas causa uma sensação horrível de dor! Deve ser algum tipo de arma que desconhecemos.

O Ser olha pra Krycek. Estuda-o. Krycek sente-se mal ao olhá-lo. Vira-se. John levanta-se e sai da sala.

JOHN: -O que foi aquilo?

KRYCEK: -Toda a vez que gritamos ou agimos com raiva ele solta aquela luz.

JOHN: -Por que não o matam de uma vez?

KRYCEK: -E perder a chance de descobrir os planos deles?

JOHN: -Ele não vai falar nada! Nem deve conhecer a nossa língua! Como veio parar aqui?

KRYCEK: -Vai achar estranho, mas ... Ele veio até nós. Nem tenho certeza de que essa coisa seja um ET.

JOHN: -E o que poderia ser? Já viu alguma coisa assim antes?

KRYCEK: -Isso está me assustando! Estou nervoso. Ele não fala, por que nos procurou?

O Ser continua olhando pra eles. John vira o rosto.

JOHN: -Aquele maldito olhar, parece que queima a gente por dentro!

O Ser aproxima-se do vidro. Estende sua mão. Ela transpassa o vidro e toca em John. Krycek arregala os olhos. John afasta-se.

KRYCEK: -(ASSUSTADO) Que diabos é isso?

JOHN: -Se ele pode sair daqui por que não sai?

KRYCEK: - (ASSUSTADO)Vou convocar uma reunião com os membros do grupo. É urgente!


2:33 A.M.

Mulder joga basquete no quintal. Escuta um barulho de carro. Pára de jogar. Entra em casa furioso. Vai até a sala. Bryan entra.

MULDER: - (IRRITADO) Se deu conta de que horas são? Sua mãe está nervosa. Eu não consegui dormir. Não podia avisar pelo menos aonde ia? Você não tem um pingo de consideração com as pessoas, garoto!

BRYAN: - ...

MULDER: - (FURIOSO) O que eu vou fazer com você? Hein? Me diz! Não sei o que se passa nessa sua cabeça! O que eu te fiz pra me odiar assim?

BRYAN: -...

MULDER: - Onde esteve?

BRYAN: -...

MULDER: - Bryan, eu me preocupo com você. Meu filho, você não era assim. Nós jogávamos juntos, brincávamos juntos, conversávamos. Agora você me evita como se eu fosse uma peste!

BRYAN: - Eu te odeio!

MULDER: -...

Bryan enche os olhos de lágrimas.

BRYAN: - Te odeio porque você desistiu de lutar. Você vai nos deixar! Pai, você é um covarde! Maior do que os caras que fizeram isso com você no passado!

Mulder olha pra ele. Respira fundo.

BRYAN: - Quer saber onde eu estive? Na faculdade, auxiliando meu professor a descobrir uma cura pra você. Porque eu não vou desistir. Não sou médico ainda, mas tô tentando fazer a minha parte. Faça a sua, Mulder!

MULDER: -...

Mulder aproxima-se dele. O abraça forte. Beija-o na testa.

MULDER: - Eu te amo, meu filho! Me desculpe.

Bryan abraça-o fortemente. Chora.

BRYAN: - Amo você, cara. Só que nossos gênios às vezes não combinam.

MULDER: - Estou lutando, meu filho. Mas você sabe que não depende de mim, de você ou da sua mãe.

Bryan fecha os olhos. As lágrimas vão caindo.

BRYAN: - Pai, eu apoio a decisão que tomar... Entendo que não quer ser um empecilho pra nós, passando a vida toda como um vegetal... Mas pai, prefiro olhar pra você todos os dias do que nunca mais olhar você de novo.

Mulder chora, abraçado nele. Respira fundo. Olha nos olhos do filho.

MULDER: - Estou tentando não deixar vocês perceberem o quanto estou com medo! E-eu não posso dizer isso à sua mãe, eu não quero que ela sofra!

BRYAN: - Pai, eu sou seu amigo, tá legal? Por que não diz pra mim o que está sentindo? De homem pra homem.

MULDER: - (CHORANDO) ... Bryan, eu tenho medo de morrer! Eu não quero morrer!

Bryan abraça-o com mais força. Recosta a cabeça de Mulder em seu peito. Afaga seus cabelos.

BRYAN: - Pai, chora. Você tem direito de sentir medo. Não tenta segurar tudo sozinho, nós sempre fomos uma família.

MULDER: - E-eu já vi a cara da morte muitas vezes... (FECHA OS OLHOS, CHORANDO) Mas agora eu tenho certeza de que ela está próxima! E estou com medo!

Mulder chora convulsivamente. Bryan chora calado, apertando o pai contra seu corpo.

MULDER: - Me promete que se acontecer algo, você vai tomar conta delas.

BRYAN: - Eu prometo, pai. Vou ser forte. Vou agir como um homem de verdade.

Mulder afasta-se dele. Tenta secar as lágrimas.

MULDER: - Vá dormir, filho. Você tem que acordar cedo.

Bryan beija-o.

BRYAN: -Pai, talvez eu nunca tenha dito isso com tanto orgulho, mas eu te amo! Tenho orgulho de ser filho de Fox Mulder. Você sempre buscou mostrar a verdade pras pessoas. E por causa dessa verdade, você agora vai morrer. Eu sei que não teve um pai que te amasse, que não teve uma mãe que zelasse por você. Sei da vida dura que teve e das coisas pelas quais lutou. Mas, meu pai, eu quero que saiba que a sua verdade está em nós. E mesmo que esses homens vençam com a sua morte, eles serão eternos derrotados. Porque você deixou no mundo, dois filhos, que lutarão para que a verdade não seja escondida!

Mulder olha pra ele.

BRYAN: -Pai, perdoa se escolhi ser médico. Mas é que meu lado humano precisa ajudar as pessoas.

MULDER: - Bryan, eu tenho orgulho de você... Porque tem a força da sua mãe. Se às vezes eu critico suas ações é porque tenho inveja da força que você tem. Mas, meu filho, saiba que eu amo você e que deposito minha esperança em suas mãos.

Bryan olha ternamente pra ele. Sobe as escadas. Mulder senta-se no sofá e chora.


BLOCO 2:

Bryan passa pelo quarto de Mulder. Vê a porta da varanda aberta. Vai até lá. Scully está sentada, fumando um cigarro. Bryan olha pro cigarro na mão trêmula dela.

BRYAN: - Mãe, está preocupada, não?

Scully ergue o cigarro.

SCULLY: - Não conte sobre isso ao seu pai.

BRYAN: - Eu cheguei tarde porque estava trabalhando numa pesquisa. Desculpe não avisá-la.

SCULLY: - (NERVOSA) Bryan, seu pai está desanimando. Dá uma força pra ele. Quem sabe você consegue convencê-lo a deixar o trabalho. Não quero que ele morra naquela sala, no porão do FBI, em cima de pilhas de Arquivos X.

BRYAN: - ...

SCULLY: - Eu não tenho mais esperança, Bryan. Tenho certeza de que ele vai morrer. E tenho certeza de que não vou suportar isso!

BRYAN: - Mãe, você o viu daquele jeito como vê as pessoas quando morrem?

Scully afirma com a cabeça. Chora. Bryan abraça-se nela e choram os dois juntos.


Hangar 19 - Dreamland - 4:43 A.M.

O sindicato está reunido. Todos falam ao mesmo tempo, estão em pânico. John tenta manter a ordem. Eles ficam quietos.

JOHN: -Meu avô se envergonharia da atitude de vocês.

HOMEM 1: -Se seu avô estivesse aqui, teríamos uma solução. Mas você é um garoto intrometido.

JOHN: -(AMEAÇADOR) Posso parecer um garoto. Mas sei coisas que vocês não sabem. Portanto, suas ameaças são à toa. Precisam de mim, porque eu sou neto dele. Tenho os segredos dele comigo e vocês vão ter de beijar os meus pés. Como ele disse, antes de ir para o hospital: Cuidem do meu neto. Ele é o livro de informações de que precisam. Acham que ele seria burro de morrer e não garantir o segredo para mim? Vocês poderiam tentar destruir a família dele, já que ele estava fora do caminho. Portanto, seu velhos imbecís, eu quero que parem de tagarelar para entrarmos num acordo!

Krycek olha irritado pra ele.

KRYCEK: -Sabem que Mulder está morrendo, não sabem? A dor de cabeça agora é a filha dele intrometida.

HOMEM 2: -Não sabemos se é esperta como o pai.

KRYCEK: -Vão descobrir da pior maneira. Tenho certeza disso... E o que vamos fazer com aquela criatura?

HOMEM 2: -Mulder está xeretando os arquivos das crianças desaparecidas. Vai chegar até nós. Não quero que ele veja aquela coisa. Já temos problemas demais.

JOHN: -E se usássemos Mulder para descobrir o que aquela coisa quer?

HOMEM 1: -Acha que ela falaria com ele?

JOHN: -Dê um ET à Mulder e ganhará sua confiança.

HOMEM 3: -Você deve estar maluco! Vai entregar as provas nas mãos dele? É o que ele quer! Então vai morrer feliz!

JOHN: -Vocês são burros mesmo! Meu avô tinha razão. O Mulder não vai sobreviver pra contar isso. Nós o usamos pra falar com aquela coisa. Depois que conseguirmos as informações, o matamos.

KRYCEK: -Isso é idiotice.

JOHN: -Ele vai falar com o Mulder. Tenho certeza disso.

HOMEM 3: -Como pode ter certeza? Ele disse?

JOHN: -Alguém aqui possui sinceridade no coração?

HOMEM 1: -Que tipo de pergunta imbecil é essa?

JOHN: -Aquela coisa vê a alma das pessoas. Nunca vai falar com um bando de miseráveis mentirosos!

Eles se olham. Começam a falar ao mesmo tempo. John acende um cigarro.

HOMEM 2: -Você está certo. Mas como convenceremos Mulder?

John tira um pequeno tubo de ensaio do bolso.

JOHN: -Com a cura da doença dele.

John atira o tubo de ensaio nas mãos de Krycek.

HOMEM 3: -Mas não temos a cura!

JOHN: -(FRIAMENTE) Ele não sabe disso.

HOMEM 1: -Garoto, você é pior do que o seu avô!

JOHN: -Me orgulho disso.


Residência dos Mulder - 05:35 A.M.

Mulder desce as escadas. Com olheiras de quem não dormiu a noite toda. Estava chorando. Vai até a cozinha. Vitória está sentada à mesa, trabalhando num notebook.

VITÓRIA: - Shii, papai, me pegou no flagra. Se a mamãe me pega com o notebook dela, estou encrencada.

Mulder sorri.

VITÓRIA: - Fiz café. Senta aí... Papai, você não dormiu, né?

MULDER: - Confesso que não consegui, minha filha... O que está fazendo?

VITÓRIA: - Procurando dados. Papai, passei a noite toda aqui. Digitei cada nome da lista. Acesso negado. O Herói também não conseguiu nada. Acho que essas crianças não tem ficha. Nem eles sabem quem as levou.

MULDER: - Está pensando o que estou pensando agora? Que eles estão de mãos vazias como nós?

VITÓRIA: - Isso mesmo, papai. Acho que nossos “amigos” também estão perdidos.

MULDER: - Vitória, eu não havia pensado nisso! É uma boa teoria... Acho que meu cérebro está atrofiando.

Mulder põe a mão na cabeça. Vitória olha assustada.

VITÓRIA: - Papai, devia descansar. Eu e a mamãe podemos resolver esse caso.

MULDER: - Eu estou bem.

VITÓRIA: - Papai, por favor. Ao menos hoje, fique deitado, durma, relaxe...

MULDER: - Tenho a eternidade toda pra relaxar. Se tiver que morrer, que seja trabalhando. Quero descobrir o que está acontecendo. Vou morrer tentando descobrir a verdade que eles encobrem!

VITÓRIA: -...

MULDER: - Vitória, você não está fazendo isso por causa da minha doença, está?

VITÓRIA: - Claro que não papai. Foi uma escolha própria.

MULDER: - Por que está buscando a minha verdade, seguindo as minhas crenças? Eu te influenciei tanto assim com aquelas histórias?

VITÓRIA: - Porque eu quero descobrir a verdade, papai. Porque ela não é sua, nem minha. É universal.

Vitória puxa o crucifixo que carrega no pescoço, igual ao de Scully.

VITÓRIA: - Mamãe me deu isso quando fiz 15 anos. Mesmo sabendo que você não acredita nessas coisas, papai, eu acredito. E pela minha fé cristã, eu tenho que buscar a verdade. Tenho que fazer a minha parte, nesse mundo podre. E vou fazê-la. Onde houver mentiras estarei lá para mostrar a verdade.

MULDER: -Vitória, não quero que termine como estou terminando. Passei minha vida toda buscando essa verdade. A única verdade que achei foram vocês e sua mãe. Acho que a verdade que procurei não existe.

VITÓRIA: - Papai, a verdade existe sim. E são várias verdades. Só queria que tivesse um pouco mais de fé.

MULDER: - (REVOLTADO) Eu não posso ter fé, Vitória. Me questiono onde está esse Deus que não faz nada. Pede para amá-lo e nos abandona à própria sorte? Ele não é um Deus bom e justo!

VITÓRIA: - Papai, Ele é um Deus que quer nossa evolução em espírito, energia. Precisamos merecer a dignidade de seu reino. Quanto mais tentamos ser dignos, ouvindo seus preceitos, mais puro nos tornamos. Quem lucra somos nós, não Ele.

Mulder sorri.

MULDER: - Você tem um bom argumento, sabia?

VITÓRIA: - Papai, rezo por você todas as noites. Reze por você também.

Mulder olha pra ela.

MULDER: - E- eu... Eu não sei rezar.

Vitória levanta-se e o abraça.

VITÓRIA: - Rezar é conversar, papai. É dizer o que sente. É pedir ajuda, é agradecer. Não precisa falar, pode apenas pensar. Ou se preferir, rezar é olhar para o céu. Você estará olhando nos olhos de Deus.

Mulder sorri pra ela.

VITÓRIA: - Papai, se você me ama, fica em casa hoje. Me espera com um jantar bem gostoso e marca mais pontos que o Bryan naquela cesta de basquete.

MULDER: -... Não.

Ela começa a beijá-lo e a apertar as bochechas dele.

VITÓRIA: - Papaizinho, bonitinho, cabelinho grisalhinho... Tão mimosinho, tão fofinho o meu velhinho...

MULDER: -Tá bom, Vitória, você ganhou. Seu nome já diz que você não perde uma.

VITÓRIA: - Eu te amo!

Ela dá um beijão nele e sai da cozinha.


8:14 A.M.

Scully e Vitória saem. Mulder e Bryan estão à mesa. Bryan levanta-se.

BRYAN: - (DEBOCHADO) Vou ter de deixá-lo sozinho. Preciso ir pra aula. Comporte-se.

MULDER: -Não estou sozinho. Tenho o cachorro. Eu e ele nos entendemos.

BRYAN: - Me empresta o carro?

MULDER: -Pode pegar as chaves.

BRYAN: - Pai, sabe quais as vantagens de se ter um cachorro ao invés de uma mulher?

MULDER: -Não.

BRYAN: - O cachorro nunca pergunta sobre os outros cachorros que você teve. Se você chega bêbado de madrugada, depois de uma farra, o cachorro está esperando contente por você. O cachorro fica quieto quando você manda e abana o rabo quando você pede.

MULDER: - (RINDO) Se a sua mãe escuta isso, estamos encrencados.

BRYAN: - Pai, tem uma garota que estuda comigo que é muito legal. Tô a fim de sair com ela, mas... Puxa, ela nem liga pra mim.

MULDER: -Filho, acredite, não sou bom em conselhos sentimentais. Devia falar com a sua mãe. Ela é perita nisso.

BRYAN: - Tá, sei da enrolação que vocês faziam. Mas sei que você falou pra ela o que sentia primeiro. Como fez?

MULDER: -O coração falou mais alto que a razão. Mas não siga esse conselho. Pode não dar certo. Acho melhor você comprar um cachorro.

Bryan sai rindo. Mulder levanta-se. O cachorro entra na cozinha.

MULDER: -Ei, garoto, veio me ajudar a bancar a dona-de-casa?... Tá, eu também preciso sair. Vou enlouquecer aqui dentro.

O cachorro começa a latir. Mulder estranha. O cachorro sai pra fora. Mulder vai atrás dele. Percebe um carro do outro lado da rua. O carro anda e estaciona na frente da casa de Mulder. Krycek desce. Afaga a cabeça do cachorro. O cachorro faz festa pra Krycek.

KRYCEK: -Tem um belo “cão de guarda”, Mulder.

MULDER: -O que quer aqui?

KRYCEK: -Precisamos conversar.

MULDER: -Não tenho nada pra conversar com você.

KRYCEK: -Aposto que vai gostar do que tenho pra dizer.

Mulder dá as costas pra ele. Chama o cachorro.

KRYCEK: -Mulder, não vamos brincar de ‘dois velhos rabugentos’.

MULDER: -Saia da minha casa!

KRYCEK: -É sobre as crianças desaparecidas, Mulder.

Mulder pára.

KRYCEK: -Podemos conversar aí dentro? Não quero que a vizinhança escute.

Mulder encara-o. Abre a porta. Krycek entra com ele.

KRYCEK: -Bonita casa, Mulder.

MULDER: -O que sabe sobre as crianças?

Krycek senta-se no sofá. Espicha as pernas sobre a mesa de centro.

KRYCEK: -Mulder, estamos com problemas. Não sabemos de nada.

Mulder olha pra ele, desconfiado.

MULDER: -Não acredito nisso.

KRYCEK: -Pode acreditar. Não somos os responsáveis pelo sumiço delas. Acontece que temos uma maneira de descobrir. Mas preciso que nos ajude.

MULDER: -(IRÔNICO) Ajudar vocês? Está brincando! E por que se preocupariam com as crianças? Como se vocês se importassem com elas!

KRYCEK: -Temos um alienígena, Mulder. E acredito que ele saiba sobre isso. Não é nenhum dos que conhecemos.

MULDER: - ... Por que está me contando isso?

KRYCEK: -Porque preciso de você. Ele se recusa a falar conosco.

MULDER: -E como sabe que falaria comigo?

KRYCEK: -Você é psicólogo, Mulder. Tem domínio das técnicas. Talvez ele use telepatia.

MULDER: -Não sou o único psicólogo do mundo!

KRYCEK: -Mas é o único psicólogo de confiança que conhecemos.

MULDER: -De confiança? Desde quando confiam em mim? Nossa falta de confiança é recíproca. Você está me escondendo alguma coisa, Krycek.

KRYCEK: -Pra dizer a verdade sim. Ele não fala conosco porque sabe quem somos.

MULDER: - (RI) Até o alienígena sabe que vocês são mentirosos!

KRYCEK: -Mas com você é diferente.

MULDER: -(DEBOCHADO) Devo aceitar isso como um elogio? Ora, Krycek, vocês não estariam tão desesperados pra vir aqui, pedir minha ajuda.

KRYCEK: -Mulder, nós estamos. Acha que eu gostaria de estar aqui implorando sua ajuda? Estamos assustados, não sabemos o que eles querem. Hoje são as crianças, amanhã as mulheres... O que estão fazendo?

MULDER: - Vocês não negociariam com o inimigo. Poderiam chamar outra pessoa pra fazer esse serviço sujo em troca de dinheiro! ... O Canceroso morreu. Isso é verdade?

KRYCEK: -É. Estava internado, com câncer de laringe. Nem os melhores médicos puderam ajudá-lo. A idade não ajudava muito. Então, vai nos ajudar nessa?

MULDER: -O que ganho em troca?

Krycek tira o tubo de ensaio do bolso.

KRYCEK: -A cura desse tumor que está te matando.

Mulder olha pra ele.

MULDER: -... Como posso confiar em vocês?

KRYCEK: -Isso eu não sei. Mas se quer viver, Mulder, isto aqui pode salvá-lo. Só depende de você. Acredite, o que tenho aqui pode devolver sua vida. Se não quer fazer por você, pelo menos pense na sua família. Faça por eles.

Mulder olha pro retrato de Scully com os filhos, na estante.

MULDER: - ... Onde está o alienígena?

KRYCEK: -Em Dreamland.

MULDER: - ... Preciso apanhar algumas coisas.

KRYCEK: -Pego você hoje à tarde.

Krycek sai. Mulder sobe as escadas nervoso.


BLOCO 3:

6:46 P.M.

Scully e Vitória entram na cozinha.

SCULLY: - Seu pai é um mentiroso, Vitória. Não fez o jantar.

VITÓRIA: - Então vou pedir uma pizza.

Scully vê um bilhete na geladeira.

SCULLY: - Vitória... Ele foi viajar.

VITÓRIA: - Viajar? Pra onde?

Scully pega o celular. Tenta ligar. Ouve uma gravação.

SCULLY: - Droga, o que o Mulder está aprontando? Não podia pelo menos ter dito pra onde ia? E se acontece algo com ele, como vou saber?

VITÓRIA: - Quando ele voltar, eu brigo com ele. Pode deixar.


Hangar 19 – Dreamland - 8:23 P.M.

Krycek e dois homens do sindicato caminham com Mulder. Mulder olha pra todos os lados.

MULDER: - É aqui que guardam as provas?

KRYCEK: -Não. Aqui guardamos os prisioneiros.

MULDER: - Ah, os que estão vivos. Tenho passe livre pra andar por aí?

KRYCEK: -Não banque o esperto, Mulder.

Eles se dirigem à sala onde está o Ser. John observa ao longe, para Mulder não vê-lo e reconhecê-lo. Krycek passa o cartão de acesso.

KRYCEK: - Vai entrar sozinho aí, Mulder.

MULDER: - Quando vou receber meu pagamento?

KRYCEK: - Assim que sair. Aí está a verdade que tanto procurou em toda a sua vida. Trate de descobrir a verdade que eles têm para nos oferecer.

Krycek abre a porta. Mulder entra na sala, toda iluminada pela luz dourada. Mulder coloca a mão na frente dos olhos. A luz é intensa. Krycek fecha a porta. Ele e os homens saem dali.

KRYCEK: - Vamos pra cabine, ouvir o que vão falar. Ligue os microfones e as câmeras.

Mulder tenta ver alguma coisa, mas a luz é muito forte. Mulder afasta-se até a porta. Tenta abri-la, mas não consegue. Mulder entra em pânico. A luz se atenua. Mulder vira-se lentamente e o vê.

MULDER: - (ESPANTADO) Jesus!

O Ser estuda Mulder com seus olhos. Olha profundamente pra ele. Mulder olha nos olhos dele, com medo.

MULDER: -... Meu Deus!

O Ser aproxima-se dele. Mulder tenta recuar, mas está catatônico, e ao mesmo tempo admirado com o que vê. O Ser olha nos olhos dele. Mulder acalma-se, olhando pros olhos azuis luminosos, e vê neles várias imagens de acontecimentos tristes da história humana. Mulder se emociona.

SER: -Paz sobre todos os quadrantes... Irmão.

Mulder começa a se sentir tonto. A luz do Ser atenua. Mulder recupera-se.

MULDER: - Quem é você?

SER: -E quem és tu?

MULDER: - Agente Mulder, do FBI...

SER: - Não... Quem és tu?

MULDER: -...

SER: - Não sabes quem tu és?

MULDER: - Você sabe quem sou?

SER: - Tu és alguém que quer a verdade mesmo que tenhas que pagar com tua própria vida... Tu és alguém que colocou os interesses das pessoas acima de teus próprios interesses.

Mulder cala-se. Olha pra ele. É como se ele olhasse através de Mulder.

MULDER: -Não fale nada, eles me mandaram pra interrogar você...

SER: -Eles irão escutar o que querem escutar. Não o que tu queres ouvir e o que tenho a dizer-te.

MULDER: - E-eu, estou cansado. Preciso...

SER: - Pode sentar-te sim.

Mulder, abismado, puxa uma cadeira. O Ser senta-se na frente dele.

SER: -Eu sei, tenho aparência humana.

MULDER: - Como pode ler o que penso?

SER: -Leia o que eu penso.

Mulder olha pra ele.

MULDER: -... Você veio em paz.... (SORRI) Como eu consegui isso?

SER: -É da natureza humana, mas está adormecido na racionalidade a que seus cérebros evoluíram.

MULDER: -... Quem é você?

SER: -Sou um amigo. Ashtar Sheram. Um dos comandantes da Ordem dos 49. Somos vários raças que observam vocês, há muitos, muitos milhões de anos. Por isso tenho semelhança com você. É meu irmão.

MULDER: -... Você é o que chamamos...

SER: - Anjos. Não sou Deus. Trabalho a serviço Dele. Suas concepções de Deus estão completamente erradas.

MULDER: - E-eu não acredito em Deus.

SER: - Por que ao ver-me chamou pelo nome Dele?

MULDER: -... E-eu não sei.

SER: -Você não precisa acreditar, irmão. Porque segues os ensinamentos Dele. Então, já acreditas, mesmo sem saberdes. Deus é o seu sopro de vida, toda a energia que compõem e destrói cada partícula desse universo. Nós dissemos à vocês que Deus está presente em tudo. Não entenderam.

MULDER: -... Por que então levaram as crianças?

SER: -Todos os acontecimentos estão sendo monitorados e acompanhados por nós. A hora está chegando. Precisamos levá-las. Estarão a salvo das catástrofes que irão ocorrer em breve. Esses homens, que o trouxeram, e muitos deles, insistem em destruir sua própria raça. Nossos planos estão traçados há milhões de anos e seguem etapas detalhadas. Vai haver uma Terceira Guerra em seu planeta. Nós vamos intervir.

MULDER: -...

SER: -Não fomos totalmente bem sucedidos na criação de vossa raça. Mas aos que acolheram os ensinamentos do que plantamos, estes serão os resgatados.

MULDER: -... Resgatados?

SER: -Vamos resgatar os justos. Os que acolheram os ensinamentos de nosso Mestre Sananda, que deu sua vida por vocês. Aquele a quem chamam Jesus Cristo. A humanidade foi avisada, tiveram oportunidades de evoluírem seus espíritos. Não deram ouvidos, alteraram a energia desse planeta afetando todo o universo, que é regido pela energia.

MULDER: - (EMOCIONADO) A verdade... Eu estou ouvindo a verdade!

SER: -Está ouvindo apenas uma parte da verdade. Ainda não estais pronto para o resto.

MULDER: - E quem são esses seres que ajudam esses homens?

SER: -Seres inferiores. Eles contentam-se em arrastar seres mais evoluídos para as dimensões da escuridão. Da escuridão da luz. Da escuridão do pensar. Do amar. Do evoluir. Esses homens utilizam os conhecimentos que lhe são dados por esses seres para criarem bombas atômicas, vírus assassinos, doenças que eles possuem a cura, mas não a entregam porque lucram mais com isso. Usam seus conhecimentos não a favor dos homens, mas para destruí-los. Por isso o conhecimento foi negado à sua espécie. Não estavam preparados para entendê-lo. Ganância, poder e mentira não fazem parte de nossas vidas. Nem dos resgatados, como você.

MULDER: -...

SER: -Deixamos um livro que vocês, infelizmente, não entenderam. Sananda foi enviado para mostrar como podiam utilizar sua fé e sua energia para curar seus doentes, para materializar seus alimentos, para solicitar uma chance pra vocês, porque os amava. Para mostrar que vocês são nossa imagem e semelhança. São energia. Que vós sois tão cheios de luz quanto nós somos. Mas não o entenderam. Alteraram seu fluxo energético. Fé é mover montanhas, meu irmão em luz. Vocês não creem, mas se acreditassem, poderiam remover seus problemas. Queres saber a verdade?

MULDER: - É tudo o que mais quero.

O Ser toca na cabeça de Mulder. Mulder fecha os olhos. Ele vê imagens de uma Terra futura, onde não existem mais maldades, de um mundo perfeito, de respeito, de amor, de solidariedade. Mulder chora.

Krycek e John olham pra um monitor. Vêem apenas a luz. Silêncio total.

KRYCEK: - Até agora não falaram nada! Seu plano deu errado.

JOHN: -Acho que aquela coisa matou o Mulder.

KRYCEK: - Quer ir até lá?

JOHN: -Pra mim chega! Quero um contingente de soldados agora. Vamos destruir aquela coisa, independente do que seja e do que precisarmos usar.

Mulder abre os olhos. O Ser tira a mão da cabeça dele.

SER: -Esta é a verdade, irmão. Ele vos disse: Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem o Pai senão por mim. A verdade esteve o tempo todo nas coisas em que tu não querias ouvir. Mas não há culpa, pois todas as religiões usaram o nome Dele para oprimir. A verdade estava nas palavras dele. Quem tem ouvidos ouça, o que o Espírito diz às igrejas. É tempo de prestardes atenção ao último livro da Bíblia. Os outros dois já não o servem para vós todos, porque são passado. A volta do Messias está próxima, para resgatar aqueles que são seus irmãos, filhos do Pai que é luz. Não penseis que de algum modo, toda a maldade será extinta. Ela não será. Não desta vez. Porque quem é soldado de nosso Pai, precisa ser digno de seu reino. Não podemos colocar uma fruta podre no meio das boas. Ela contamina. Bem-aventurados vós, que tendes fome e sede de justiça, porque sereis saciados.

Mulder olha pra ele.

SER: -Quem o trouxe aqui, não o deixará sair.

MULDER: - (RESIGNADO) Eu sei.

SER: -Eles não têm a cura para sua dor. Não se importam contigo, nem com os teus. Mas em verdade te digo, nada, nenhuma dor, nenhuma provação passa pelo Pai sem que esta seja necessária. A dor purifica o espírito, porque o livra das coisas fúteis e abre os olhos para a simplicidade da verdade. Por que veio até aqui, irmão? Só pela verdade?

MULDER: - (TRISTE) Você sabe porque vim. Achei que pudesse ganhar uma cura. Eu tenho medo, não quero deixar minha família que amo tanto.

SER: - Irmão em luz, em verdade e em Deus, te digo agora que tens terminada tua jornada por enquanto. Ama a teu Deus de todo o coração e não te apegues nem aos teus. Porque de ti não serão tomados. Só levamos o amor conosco. Não existe, morte, irmão.

MULDER: - Eu... eu tenho medo.

Mulder respira fundo.

MULDER: - Vá, antes que o peguem.

SER: -Eles não podem pegar-me. Eu vim porque precisava dizer a verdade à vós.

MULDER: - Sabia que eu viria aqui?

SER: -Sabemos tudo.

MULDER: - E por que precisava dizer a verdade pra mim? Existem pessoas muito mais dignas do que eu.

SER: -Porque tu precisavas ouvir a verdade. Para compreendê-la em outra oportunidade, porque o espírito não esquece, o corpo não tem memória. Nos veremos novamente, irmão. Temos um propósito para você, assim como para muitos.

MULDER: -...

SER: - Não odeie os que causaram mal à ti e aos teus. Tende piedade deles, pois são tão pequenos em luz quanto um grão de areia. São teus irmãos. Ame-os. Mas aparta-te deles, porque são maus. Estão perdidos. Não se turve vosso coração em desespero por isso. Eles não se acham no livro dos escolhidos, das 12 tribos de Israel. Todos vocês descendem dos grandes profetas. Assim está escrito e não será apagado. Irmão, eles estão vindo, assim como vieram há muitos anos. Saia daqui, teu destino não está aqui.

MULDER: - Mas como vou sair daqui?

SER: -Você vai saber quando.

Os soldados abrem a porta, com metralhadoras nas mãos, invadindo a sala. O Ser expande uma luz tão forte que eles ficam cegos, sem conseguir ver nada. Mulder passa correndo por eles. Sai do hangar. Olha pra trás. A luz ilumina o hangar inteiro. Mulder olha estarrecido. Uma nave dourada paira sobre o hangar e a luz projeta-se dele para dentro da nave. A nave desaparece num risco. Ouve-se um estrondo. Outro clarão.


Residência dos Mulder - 01:43 P.M.

Scully chora, sentada no sofá.

SCULLY: - Três dias... Eu não sei o que aconteceu com ele!

VITÓRIA: - ... Mãe, eu já avisei a polícia, procurei em todos os hospitais e...

Mulder entra em casa. Scully corre e o abraça.

MULDER: - Ei, que aconteceu por aqui?

SCULLY: - Como assim?

Scully começa a esmurrar ele.

MULDER: - Ei, o que foi que eu fiz? Só porque passei a noite fora de casa...

SCULLY: - A noite? Sumiu por três dias, estávamos aflitos com você...

MULDER: - Três dias? Scully, eu saí daqui ontem à tarde... Que horas são?

SCULLY: - Horas? Mulder, isso é coisa de perguntar depois do que fez com sua família?

Mulder olha pro relógio na cozinha: 1:45 P.M.. Olha pro seu relógio de pulso. 8:33 A.M.

MULDER: - Scully, você não vai acreditar! Sofri um lapso de tempo de mais de 72 horas...

SCULLY: - Mulder, eu odeio você!

Scully o abraça, chorando. Vitória olha pra ele.

VITÓRIA: - Pai, onde esteve?

MULDER: - Estive... Onde eu estive?

SCULLY: - Ah, meu Deus! Ele piorou!

Scully sobe as escadas chorando desesperada.

MULDER: - E-eu... Onde eu estive? Eu estava aqui, com o cachorro e... Por que eu entrei por aquela porta?

Bryan olha assustado.

BRYAN: - Pai, é melhor deitar um pouco.

MULDER: - Eu não estou louco!

Mulder começa a olhar para todos os lados, tentando se lembrar.

MULDER: - Como eu cheguei aqui? Onde eu estava?

BRYAN: - Pai, acho que preciso te levar pro hospital.

MULDER: -... Que coisa estranha! E-eu não me lembro de nada!

Bryan sobe as escadas. Vitória aproxima-se dele.

VITÓRIA: - Você foi abduzido! Eu não acredito!

MULDER: - ???

VITÓRIA: - Não se lembra de nada?

MULDER: -... Do que deveria me lembrar?

Vitória sorri. Mulder sobe as escadas. Entra no quarto. Scully está chorando.

MULDER: - Scully, me desculpe.

SCULLY: - Tá. O que importa é que esteja aqui.

Scully olha pra ele. O vê em preto e branco.

SCULLY: - Mulder, me abraça. Eu tô com medo.

Mulder vai até ela. A abraça.

MULDER: - Calma, eu estou aqui.

SCULLY: - Mulder, eu falei com o Krycek. Eles não tem a cura.

MULDER: -... Scully, todo mundo morre um dia. Mas eu vou viver muito ainda. Por que eu te amo.

Scully o beija suavemente.

SCULLY: - Mulder, quero fazer amor com você.

MULDER: - Puxa, se cada vez que ficar fora, eu tiver essa recepção, vou começar a sumir misteriosamente...

Ela sorri.

SCULLY: - Meu velho Mulder está de volta!

Os dois trocam um longo beijo.


Hospital Geral Washington - Um mês depois...

9:34 A.M.

Scully entra num quarto. Mulder está deitado na cama, com aparelhos ligados ao corpo. Ela aproxima-se.

SCULLY: - Mulder, sou eu.

MULDER: -... Ainda posso te ouvir, Scully.

SCULLY: - Não fala muito, tá?

Scully senta-se na cama. Acaricia o rosto dele.

MULDER: -... Como estão as crianças?

SCULLY: - Estão bem. E você?

MULDER: - Tirando o fato de não poder mexer o lado esquerdo do corpo e da minha cabeça doer, eu estou bem. Pelo menos estou lúcido.

SCULLY: -... Eu... Eu falei com o Waters. Ele pediu mais um tempo pra decidir se a Vitória fica ou não nos Arquivos X.

MULDER: -... Ela vai ficar, Scully. Conheço nossa filha.

SCULLY: - Mulder, amo você.

Scully beija-o.

MULDER: - Scully, por todo o respeito e pelo amor que temos um ao outro, quero te pedir uma coisa.

SCULLY: - Tá... Fala.

MULDER: - Me tira daqui. Não quero morrer num hospital.

SCULLY: - Mulder, eu não posso fazer isso.

MULDER: - Quero minha casa, Scully. Meus filhos. Você... Não quero acabar aqui.

SCULLY: -...

MULDER: - Por favor, Scully. É meu último desejo.

Ele olha pra ela. Sorri. Scully sorri pra ele também.


BLOCO 4:

Arquivos X - 11:13 A.M.

Vitória está sentada na cadeira de Mulder, lendo um arquivo X. Olha pro velho poster na parede, desbotado pelo tempo. Abre uma gaveta. Pega um punhado de sementes de girassol e as coloca sobre a mesa. Pega uma das sementes e a observa. Começa a chorar. Batidas na porta. Ela seca as lágrimas.

VITÓRIA: - Está aberta!

John entra. Ela sorri amável.

JOHN: -Vim desejar boa sorte na sua carreira.

VITÓRIA: - Obrigado, John.

JOHN: -Se puder ajudá-la, conte comigo. Se tiver algum problema, me fale.

VITÓRIA: - Tá.

JOHN: -Como está seu pai? Mamãe perguntou dele.

VITÓRIA: - Está bem.

John acena com a mão. Sai. Fecha a porta. Acende um cigarro. Traga-o profundamente.


Residência dos Mulder - Dois dias depois

7:55 P.M.

Vitória, sentada ao lado da cama, conta histórias pra Mulder. Bryan as escuta.

VITÓRIA: - Papai, infelizmente, além de você entrar para os Arquivos X, o caso das crianças foi inconclusivo.

Mulder sorri. Fala com dificuldades.

MULDER: - Aprenda... a conviver... com essa palavra.

Vitória o beija.

BRYAN: - Pai, sabe aquela dica? Eu resolvi me abrir pra garota.

MULDER: - ...

BRYAN: - Ela vai sair comigo amanhã à noite.

MULDER: - Compre... um cachorro.

Bryan sorri. Scully entra no quarto.

SCULLY: - Como está o meu doentinho?

MULDER: - (DEBOCHADO)...Maluco pra..fazer amor com você.

Scully sorri.

SCULLY: - Acho que não tem condições pra isso.

MULDER: - ... Me contento... com um beijo.

Ela deita ao lado dele. Beija-o na boca. Mulder a abraça com seu braço direto. Os filhos saem.

MULDER: - Pelo menos tenho um braço... pra fazer isso.

SCULLY: -... A Vitória pediu que eu contasse à você.

Scully faz carinhos na cabeça dele. Mulder olha pra ela.

SCULLY: - Waters a nomeou para trabalhar nos Arquivos X.

Mulder sorri.

MULDER: - Eu disse à você... que ela tinha... que se chamar Vitória.

SCULLY: - Por enquanto vou trabalhar com ela. Mas vou pedir meu afastamento depois.

MULDER: - Comprou... as passagens... pra Grécia?

SCULLY: - Estou esperando meu marido melhorar.

MULDER: - ... Ele vai melhorar...

Scully olha pra ele e não aguenta. Começa a chorar. Deita a cabeça no peito dele. Mulder acaricia os cabelos dela.

MULDER: - ... Viver comigo foi... difícil, Scully.

SCULLY: - Não, Mulder. Nunca foi. Só me arrependo de não ter conhecido você antes. De termos perdido tanto tempo!

MULDER: - Não... perdemos tempo... adorável agente... Scully. Vivemos momentos... intensos.

SCULLY: -... Mulder, eu amo você.

MULDER: - Amo você também.

SCULLY: -... Vamos fazer a cirurgia amanhã.

MULDER: - ... Eu só vou tentar... por vocês.

Mulder fecha os olhos.

MULDER: - ... Só por vocês... Eu não.... me sinto bem... Sei que não tenho condições... Acabou,Scully...

SCULLY: - Não, Mulder, não quero que desista!

MULDER: - Não estou...desistindo. Meu corpo é... que está.

SCULLY: -... Mulder, você foi a melhor coisa que tive na vida. Viver com você foi um conto de fadas.

MULDER: - ...Você sempre confiou em mim, minha verdade. Nem a morte vai apagar... o que sinto por você...

Scully beija-o. Ele não tem forças pra retribuir.

MULDER: - Amiga...

As lágrimas caem dos olhos dele. Ela chora também.

MULDER: - Perdoa por eu... te abandonar... mas eu não quis isso.

SCULLY: - Mulder, tem uma coisa que precisa saber. (CHORA) Tem uma nave parada sobre os céus dos Estados Unidos.

Mulder sorri.

SCULLY: - A sua verdade está ali fora, Mulder e você não pode vê-la. Isso não é justo! Ela nunca esteve tão perto!

MULDER: - ... Scully... agora me lembro... de onde estive... eu vi a verdade nos olhos da verdade.

SCULLY: -?

MULDER: - ... E vi a minha verdade ... nos teus olhos.

Scully o abraça. Recosta sua cabeça no peito dele. Mulder afaga os cabelos dela, com a mão cansada. Ele fecha os olhos. Sua mão desliza suavemente dos cabelos dela até cair por sobre o colchão. Ela escuta o último batimento de seu coração. Fecha os olhos e chora convulsivamente. Ergue o corpo dele e o abraça desesperada. Beija-o na testa. Chora, pronunciando o nome dele, enquanto o embala em seus braços.


Residência dos Mulder Três dias depois

10:34 P.M.

Scully, olha pra TV. Mas não presta atenção. Está com o olhar ao longe, semblante caído. Olhos tristes e vazios, como se não tivesse forças.

TV: - O governo americano pede para que as pessoas não saiam de suas casas, não há motivo para pânico. A nave avistada é apenas um projeto secreto da Força Aérea americana, segundo informações do Pentágono. De acordo com o ministro da defesa...

Vitória desliga a televisão. Tenta animar Scully.

VITÓRIA: - Mamãe, estou investigando uma informação de uma fonte confidencial...

SCULLY: - ....

Vitória olha pra ela.

VITÓRIA: - Mamãe, eu... Eu não consigo vê-la desse jeito.

SCULLY: -...

VITÓRIA: - Mamãe, fala comigo!

SCULLY: - (CHORA) ... Eu o amava!

Vitória começa a chorar. Abraça a mãe.

VITÓRIA: - Eu sei, disso. Eu também o amava. Mas precisa reagir ou vamos perder você também!

SCULLY: - (REVOLTADA) Eu não quero reagir! Eu quero ele de volta! Deus, eu o amava! Por quê tiraram ele de mim? ...Por quê?... Por quê? Eu odeio aqueles homens com toda as forças que ainda me restam!

VITÓRIA: - Mãe, vou pegar um calmante pra você.

Vitória levanta-se. Scully olha pra TV desligada. Bryan entra. Senta-se ao lado dela.

SCULLY: - (DESATINADA) Mulder, prova pra mim que você estava certo. Se paranormalidade existe, vem e me leva com você!

Bryan olha pra ela.

VITÓRIA: - Mãe, por favor, volta pra nós.

SCULLY: -... Mulder, você vai entrar por aquela porta e dizer que tudo foi brincadeira. Eu vou bater em você dessa vez.

Bryan levanta-se. Vai pra cozinha.

BRYAN: - Ele me pediu pra cuidar de vocês e nem isso eu consigo!

Vitória abraça o irmão. Chora com ele.

VITÓRIA: - Ela está perturbada.

BRYAN: - Ela está enlouquecendo, Vitória! Passa o dia inteiro falando com ele pela casa.

Scully sai do sofá. Vai para o quarto. Olha pra cama. Abre o guarda roupa. Olha pras roupas de Mulder. Sente o cheiro dele nas roupas. Chora. Desesperadamente chora.

SCULLY: - Você vai voltar, eu sei... Eu quero morrer! Quero morrer! A minha vida terminou! Mulder, seu desgraçado! Onde você está? Volta, Mulder! Volta!

Vitória e Bryan escutam os gritos dela. Vitória pega o telefone. Disca. Bryan está nervoso, sai porta à fora.

VITÓRIA: - Alô? (CHORA) Tio Bill, vem pra cá, por favor... A mamãe não tá bem... Eu não sei mais o que fazer... Ela tá gritando lá em cima, chamando por ele, pedindo pra morrer...

Scully deita-se na cama. Chora convulsivamente, os olhos já estão inchados. Já não tem mais forças.


Dois dias depois...

02:45 P.M.

Bryan entra no quarto de Scully, com uma bandeja nas mãos.

BRYAN: - Mãe?

Scully está deitada. Do lado dela, a raposinha de pelúcia que Mulder lhe dera. Não tem expressão no rosto abatido. Está bem mais magra e pálida.

BRYAN: - Mãe, precisa comer alguma coisa. Não come há dias.

SCULLY: - ...

BRYAN: - Mãe, você dizia que nos amava, mas não parece que ama. Por que não está ajudando em nada.

SCULLY: -...

Scully olha pra ele.

SCULLY: - Amo vocês demais pra me verem desse jeito. Estou enlouquecendo! Não quero enlouquecer vocês.

BRYAN: - Mãe, come só um pouquinho. Fiz uma sopinha pra você.

SCULLY: -...

BRYAN: -... Mãe, a Vitória já chegou. Se precisar de alguma coisa a chame. Eu vou pra aula.

Bryan larga a bandeja na cômoda. Sai do quarto, cabisbaixo. Scully fica olhando pro nada. Parece que desistiu de viver.


06:23 P.M.

Scully caminha pelo cemitério. Aproxima-se do túmulo de Mulder. Abaixa-se e coloca sementes de girassol sobre ele.

SCULLY: - Me diz como vou prosseguir sem você? Não restou mais nada... Deus, por que fez isto comigo? Por que tirou ele de mim? (CHORA) ... Mulder, me perdoa, mas... eu desisti.


10:21 P.M. - Dois dias depois

Scully está deitada na cama, olhando pro nada. Cada vez mais desanimada, sem reagir. Barulhos lá embaixo, como de coisas se quebrando. Som de um tiro. Scully tenta se levantar, mas está fraca demais. Arrasta-se pelo quarto, pegando a arma da cômoda. Apoia-se na cômoda e consegue se levantar. Desce as escadas, apoiando-se com dificuldade no corrimão. Alguém bate a porta dos fundos.

SCULLY: - Vitória?

Scully olha na sala. Olha pra cozinha. Vitória está caída no chão, com um tiro no peito. Scully vai se apoiando nos móveis, desesperada, tentando chegar na cozinha. Abaixa-se ao lado da filha e a segura nos braços. Chora.

SCULLY: - Ah, meu Deus, quem fez isso?

Vitória não reage.

SCULLY: - Vitória, pelo amor de Deus, fala comigo!

Vitória olha pra ela, em seguida olha pra porta da cozinha. Começa cuspir sangue pela boca. Scully a vê em preto e branco.

SCULLY: - Não olha pra ela! Não olha! Vitória, está me escutando? Não olhe pra ela, desvie o olhar!

Vitória fecha os olhos. Scully olha pra porta da cozinha.


Residência dos Mulder - Sete anos depois

Vitória está sentada na sala. Um homem sai da cozinha com uma tigela de pipocas. Senta-se ao lado dela.

KEVIN: -O que está assistindo?

VITÓRIA: - Um documentário sobre poltergeist.

KEVIN: - Tenho uma pesquisa para aprontar. Preciso ir pra Seattle.

VITÓRIA: - Kevin, você vai ficar fora de novo? Ah, amor, eu não sabia que casar com um biólogo daria tanta solidão!

KEVIN: - (ELE A BEIJA) Amorzinho, eu volto em dois dias. Preciso terminar o projeto de despoluição. Estou ajudando a construir um mundo melhor pro nosso filho.

VITÓRIA: - Tudo bem. Preciso ir pro FBI. Vamos ter uma reunião importante no meu departamento.

KEVIN: - Algum problema?

VITÓRIA: - É. Estamos com pilhas de Arquivos X para serem resolvidos e o Bureau está descontando em mim porque meus agentes não são mais rápidos! Agora, pra ajudar, eles estão brigando entre si, porque os agentes paranormais estão tendo visões semelhantes de crimes que estão ocorrendo em New Hampshire, mas a polícia local ainda reluta para trabalhar com paranormais nas investigações.

KEVIN: - E os casos estão sendo difíceis de resolver?

VITÓRIA: - Ontem conseguimos encontrar um grupo que estava fazendo terrorismo genético, e um assassino psicopata, graças aos médiuns espíritas. O tribunal deu ordem de prisão para o atual Majestic 12. Os últimos greys foram levados de volta a seu planeta e a Federação pede ajuda para mantê-los fora daqui. Eles não podem voltar e se aliar com os rebeldes. Estamos na pista do paradeiro dos conspiradores. Quando entramos no escritório deles em Nova Iorque, prendemos apenas alguns. O chefe, cuja identidade não sabemos, ainda está foragido. Mas eu pego o desgraçado. Ou não me chamo Vitória Mulder!

Bryan desce as escadas.

BRYAN: - Vitória, vou pro hospital. Tenho uma emergência pra atender. Depois vou sair com a minha garota. Não volto pra casa hoje.

VITÓRIA: - Tá.

Bryan sai. Um menininho de seis anos passa correndo pela sala com uma bola de basquete.

VITÓRIA: - Fox, onde você vai?

FOX: -Vou brincar, mãe.

VITÓRIA: - Não fale com estranhos. Se alguém se aproximar de você, grite sem parar!

O menino sai batendo a porta.

KEVIN: -Você vai criar complexos no garoto.

VITÓRIA: - Não confio em ninguém, Kevin.

KEVIN: -Nem em mim?

VITÓRIA: -Em você eu confio.

Os dois trocam um beijo. O garotinho entra correndo na sala.

VITÓRIA: - Fox, o que está fazendo?

FOX: -Nada.

VITÓRIA: - Você tá aprontando alguma.

FOX: -Não tô.

VITÓRIA: - Onde vai com esse taco de beisebol?

FOX: -Brincar.

VITÓRIA: - E cadê a bola? Vai jogar basquete com o taco?

FOX: -Vou pegar a bola que caiu no telhado.

Kevin levanta-se do sofá.

KEVIN: -Quando isso acontecer me chama, tá. Não é seguro pra você subir no telhado!

FOX: - (EMBURRADO) Tá, pai.

Os dois saem. Vitória desliga a TV. Olha pra foto de Mulder e Scully na estante. Vai até lá. Pega-a nas mãos.

VITÓRIA: - Tenho saudades de vocês! Essa casa nunca mais voltou a ser como antes. Queria que estivessem aqui comigo. Não puderam conhecer o neto maravilhoso que vocês têm, nem o marido bom que eu tenho...

Ela beija a foto. Coloca no lugar novamente. Olha pra um livro na estante. Puxa-o. Abre numa página aleatória. Vê a figura de um anjo.

VITÓRIA: - Hayel... Gostaria de falar com você... Preciso de esperança. Sinto falta deles.

Kevin entra. Fox também. Kevin vai pra cozinha. Fox olha pra Vitória.

VITÓRIA: - (MURMURA) Hayel...

Fox olha pra ela.

FOX: -Mãe, ninguém morre sabia?

Vitória olha assustada pra ele. Ele sai porta à fora com o bastão de beisebol. Vitória fica confusa. Fecha o livro. Espia-o pela janela, brincando com os outros garotos.

VITÓRIA: - Não... Estou imaginando coisas! Isso é típico da família Mulder!

Vitória fica ali parada olhando intrigada pro filho. Fox corre na grama, empurra os outros meninos. Eles brincam de pega pega. A mãe dos meninos grita do outro lado da rua. Eles vão embora. Fox fica olhando pra eles. Senta-se triste na grama. Pega a bola de basquete e fica olhando pra rua. Uma menina ruivinha passa por ele. Os dois trocam um olhar. Ele levanta-se. Ela pára. Os dois se aproximam.

FOX: -Quer jogar basquete?

KATE: -Prefiro beisebol.

FOX: -Você é uma chata, sabia?

KATE: -E você, o que pensa que é?

FOX: -Boba!

KATE: -Bobo é você!

FOX: -Qual é seu nome?

KATE: -Kate. E o seu?

FOX: -Fox.

KATE: - (RI) Fox? Isso não é nome de criança!

FOX: -Não tenho culpa se me colocaram esse nome. Também não gosto.

KATE: -...

FOX: -Gosto de basquete.

KATE: -E eu de beisebol.

FOX: -Tá certo, eu jogo beisebol.

Ela pega o taco. Ele arremessa. Ela erra.

FOX: -Viu, não sabe jogar!

KATE: -Cala a boca, menino. Estou jogando beisebol!

A mãe da menina se aproxima.

VALERY: -O que disse pra você, Kate? Temos que sair, você brinca com seu novo amiguinho depois.

Vitória sai correndo porta à fora. A mãe da menina olha pra ela, assustada.

VITÓRIA: - Oi, é... sua filha?

VALERY: -É.

VITÓRIA: - Ah, me desculpe. Sou Vitória Mulder.

VALERY: -Sou Valery Hilmond. Nos mudamos hoje pra cá.

VITÓRIA: - Onde estão morando?

VALERY: -Do seu lado.

VITÓRIA: - Puxa, é um prazer. Sejam bem vindos...

VALERY: -Vamos, Kate. Seu pai está esperando.

Vitória olha pra menina. Sorri.

VITÓRIA: - Senhora Hilmond, gostaria muito que sua filha brincasse com meu filho. Ele é muito solitário, sabe.

VALERY: -Ah, não vai ser problema. Ela também não tem irmãos. Só que aviso, ela é muito teimosa.

VITÓRIA: - Sei disso... Q-quer dizer, não tem problema.

A mulher sai segurando a menina pela mão. Ela vira a cabeça olhando pra Fox. Fox olha admirado pra ela. Ela sorri. Acena pra ele. Fox retribui. Vitória sorri. Pega o filho no colo. Beija-o. Entra em casa.


Ano 2.000 – Tempo atual

Apartamento de Mulder – 3:21 A.M.

Scully senta-se na cama, acordando num sobressalto. Olha para o despertador. Passa as mãos pelos cabelos, nervosa. Fecha os olhos. Abre-os. Olha pra Mulder, dormindo, tranquilamente. Scully suspira. Deita-se e abraça-se em Mulder.

Corta para fora da janela. O anjo Gabriel está sentado na marquise, balançando as pernas.

GABRIEL: - (DEBOCHADO) E depois, dizem que eu nunca aviso...


X


06/12/1999



9 de Agosto de 2019 às 04:54 0 Denunciar Insira 0
Fim

Conheça o autor

Lara One As fanfics da One são escritas em forma de roteiro adaptado, em episódios e dispostas por temporadas, como uma série de verdade. Uma alternativa shipper à mitologia da série de televisão Arquivo X. https://www.facebook.com/laraone1

Comentar algo

Publique!
Nenhum comentário ainda. Seja o primeiro a dizer alguma coisa!
~