S04#08 - METAL CONTRA AS NUVENS Seguir história

lara-one Lara One

Onde está o real inimigo? Com o Canceroso fora da jogada, Krycek definitivamente sente-se livre para começar seu próprio jogo de vingança contra Mulder. Parece que a cada milênio, um novo Herodes surge. E talvez não esteja perseguindo um Cristo, mas apenas um João Batista... Eles podem vencer? Talvez sim. Talvez não. Porque agora, Mulder sabe a verdade. E porque há muitos anos ele sempre perde. Talvez agora, Mulder revide. Na mesma moeda.


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S04#08 - METAL CONTRA AS NUVENS

“Ouviu-se um som em Ramá, o som de um choro amargo. Era Raquel chorando pelos seus filhos; ela não quis ser consolada, pois todos estavam mortos.”

Mateus 3, 16


INTRODUÇÃO AO EPISÓDIO:

Trovoadas. Noite de tempestade. Chuva forte que cai pelo jardim da velha e enorme casa.

Corta para dentro. Nos corredores escuros do orfanato, apenas os raios conseguem algumas vezes iluminar e identificar o ambiente. E a estranha silhueta alta, de um homem de negro, com um sobretudo. Que aparece e desaparece entre os clarões. Segura em sua mão uma espada dourada, que reflete a luz dos raios contra os céus. Não se pode identificar seu rosto. Ele olha para o alto da escada.

A velha freira desce, segurando uma lamparina, passando por ele sem vê-lo. Ele sobe as escadas. Atrás de si, um par de asas.

Uma luz forte e dourada toma conta de todo o lugar. Som de estampido.

Ele arrasta a ponta da espada pelos degraus. Cada vez que a espada toca o chão, o som agudo de uma nota musical é ouvido.


Laboratórios Tammany – Virgínia – 12:21 A.M.

Close da placa no portão que balança com o vento: Não ultrapasse

Há um vigia armado, vestindo um casaco. Fuma um cigarro, debaixo da luz do poste, ao lado da guarita.

Caminhões baús se aproximam, vindos de dentro da propriedade. O vigia abre o portão. Os caminhões saem, um atrás do outro.

Close na lateral de um dos caminhões, onde há uma logomarca: Laboratórios Tammany.

Deslocamento de foco para baixo, onde há duas pequenas logomarcas dos produtos da empresa: produtos de higiene para o bebê. Close da segunda logomarca, onde se vê uma vaquinha bebê, com fraldas e sorrindo: Tammy - Leite em pó para bebês.

VINHETA DE ABERTURA


BLOCO 1:

FBI – Sala de Reuniões – 1:17 P.M.

Mulder sentado. Sério. Fisionomia de quem segura-se pra não agredir alguém. O vice-diretor anda de um lado para outro, falando. Scully cabisbaixa, algumas vezes olha para o parceiro, com dó dele.

VICE-DIRETOR: - ... gravitando ao redor da Terra. E o que era? Uma sonda de reconhecimento.

MULDER: - ...

VICE-DIRETOR: - Mas não. Você tinha que gastar muitos dólares para descobrir isso. Sabe o que penso a seu respeito, não sabe?

MULDER: - ...

VICE-DIRETOR: - Lhe fiz uma pergunta!

MULDER: - Não, senhor.

VICE-DIRETOR: - Penso que deveria estar limpando o chão que eu piso. Ninguém é insubstituível, agente Mulder.

MULDER: - ...

VICE-DIRETOR: - Penso que não faz o seu serviço. Você é lento, demorado, alienado.

MULDER: - Não faço melhor o meu serviço porque tenho de fazer o serviço desgraçado dos outros. Se os meus colegas fossem mais ágeis, eu não demoraria a ter uma conclusão.

VICE-DIRETOR: - Empurrar a culpa nos outros sempre é mais fácil. Você é o problema por aqui, agente Mulder. As pessoas não gostam de você porque é arrogante, não se mistura com seus colegas. Você é apático, não tem carisma.

MULDER: - Talvez eu deteste fofocas e conversas bobas jogadas fora. Meu cérebro é precioso demais pra ficar ouvindo besteiras. Prefiro ler um livro.

VICE-DIRETOR: - Ótimo. Comece por algo que se refira à psicanálise. Porque eu quero na minha mesa um relatório sobre a sua sanidade mental. Você não está apto para exercer sua função. Se entrou com uma petição para investigarmos o seu ‘suposto rapto por alienígenas’, acho que eles esvaziaram seu cérebro. (SORRI) Se é que você o teve algum dia.

MULDER: - (CONTENDO-SE) ...

VICE-DIRETOR: - Agente Mulder, ao contrário do que dizem, eu sei o quanto você é incompetente para estar aqui dentro. Você não tem instinto, não tem talento. Por que não desistiu ainda? Abra um restaurante, vá fazer faxina. Seu futuro está aí. Poderá contar aos seus clientes as suas historinhas de terror. Não tente escrever um livro. Você não tem capacidade cerebral pra isso.

Scully olha com ódio pro vice-diretor. Ele olha pra ela.

VICE-DIRETOR: - Muito menos você.

Scully olha pra ele.

VICE-DIRETOR: - Beleza não é competência. Você é uma incompetente que não pensa por si mesma. Sabe que deveria estar lavando roupa, teria seu mérito se fizesse isso. Agora saiam daqui e pensem no que eu falei. Vocês são dois perdedores.

Mulder levanta-se rápido, saindo porta à fora. Scully atrás dele. Os dois caminham pelo corredor, em silêncio. Mulder aperta o botão do elevador com força.

MULDER: - (FURIOSO) Não fala nada. Absolutamente nada.

Scully olha pra ele e suspira.


Corta para os Arquivos X. Mulder entra na sala. Scully atrás dele. Mulder pega seu paletó.

MULDER: - Por hoje chega.

SCULLY: - ...

MULDER: - (INDIGNADO) Não vou trabalhar e ponto final. Não sou incompetente? Não sou apenas um agentezinho sem cérebro? Pois então eu vou pra casa, limpar o chão.

SCULLY: - Mulder, eles querem um relatório...

MULDER: - (FURIOSO) Danem-se! Ele não disse que ninguém é insubstituível? Então eu não vou fazer falta.

SCULLY: - ...

MULDER: - Estou com dor de cabeça...

Mulder abre a porta. Scully olha pra ele.

SCULLY: - Mulder, espere por mim. Tenho roupa pra lavar.

Os dois saem, indignados.


Local desconhecido – 7:36 P.M.

Um campo. Alguns homens bem arrumados. Krycek estaciona uma picape. Desce. Três russos ao lado dele. Armados. O Homem das Unhas Bem Feitas o observa. Marita ao lado dele.

HUBF: - Precisa de todo esse circo?

KRYCEK: - Não confio em vocês. Melhor andar com proteção.

HOMEM A: - Começamos o plano. O leite contaminado será distribuído às crianças de todos os orfanatos do país.

KRYCEK: - Já disse que o filho de Mulder é problema meu.

MARITA: - O filho dele é nosso problema! Aquele homem nos enganou, nos deu a vacina errada.

Krycek abaixa a cabeça e ri debochado. Olha pra eles.

KRYCEK: - Vocês são um bando de tolos... Acham que ele daria a vacina pra vocês? Na melhor das hipóteses, trocou a verdadeira pela falsa e está em algum lugar do mundo com ela. Fazendo um tratamento pra sua doença.

Eles se entreolham.

MARITA: - Pensamos que Scully teria ficado com ela.

KRYCEK: - Não. Aqueles dois não têm cérebro pra isso. Ele está com a vacina. Mas se estão tão preocupados com isso, por que vão matar a criança?

HUBF: - Sabe que não queremos a vacina. Não queremos rastro dela por aqui.

KRYCEK: - O que querem que eu faça?

HOMEM A: - Distraia a atenção de Mulder. Você sabe como fazer isso.

KRYCEK: - E se não souber?

HOMEM A: - Mate-o. Já temos o que queremos dele. Felizmente os alienígenas ficaram com seu DNA. Nossos governos começarão a criar a nova raça. Uma raça livre de doenças, uma raça inteligente, a perfeição de Deus. Dominaremos o planeta e estaremos livres de futuras ameaças alienígenas.

KRYCEK: - Eu quero aquela vacina. Vocês sabem que todos morreremos sem ela.

HOMEM A: - Há tempo pra tudo, Alex. Encarregue-se de manter aqueles dois longe da verdade. O resto é conosco. Sem aquele velho mentiroso, agora vamos vencer. Mulder não terá mais dicas. Será manipulado à nossa maneira.

Krycek olha pra Marita. Entra no carro, ao lado dos russos. O Homem das Unhas Bem Feitas olha sério pra eles.


8:12 P.M.

Mulder deitado no sofá, assistindo TV. O cachorro, em cima dele, dormindo. Mulder afaga o cachorro.

MULDER: - Tá ficando muito folgado, pulguento. Igualzinho a sua dona.

Scully entra na sala, vestida num pijama.

SCULLY: - Não vai dormir?

MULDER: - Estou assistindo o noticiário.

Ela senta-se na cadeira.

SCULLY: - Alguma notícia boa?

MULDER: - Nenhuma. Exceto a propaganda dos Cebolitos...

Mulder sacode o cachorro.

MULDER: - Cookie, cai fora, eu quero me levantar.

O cachorro vai pro chão, deita-se nos pés de Scully. Scully o pega, segurando no colo, fazendo carinhos nele. Mulder vai pro banheiro. Scully pega o controle. Olha pra TV. Aumenta o volume.

TV (OFF): - ... em 11 estados, abrangendo principalmente o leste dos Estados Unidos. O tempo amanhã para Washington é de muita chuva e tempestades vindas da costa do Atlântico...

O cachorro começa a latir. Pula do colo de Scully.

SCULLY: - Cookie? O que foi?

O cachorro anda de um lado pra outro na sala, olhando pra cima. Scully fica intrigada. Olha pro teto.

SCULLY: - Cookie! Pára de barulho!

O cachorro olha pra porta. Late sem parar. Mulder volta pra sala.

MULDER: - O que houve com esse bicho?

SCULLY: - Eu não sei.

Cookie começa a uivar olhando pra porta. Mulder olha pra Scully. Agacha-se ao lado do cachorro. Afaga-o. Ele continua latindo. Olha pra Mulder, olha pra porta.

MULDER: - Cookie, o que está vendo?

SCULLY: - (ASSUSTADA) Mulder, pára com essas coisas!

MULDER: - Os animais são mais sensíveis do que nós, Scully. Ele está com medo de alguma coisa.

Mulder olha pra porta. Levanta-se. Cookie continua latindo. Mulder abre a porta. Olha para os lados, não há nada.

MULDER: - Não tem ninguém aqui e...

Mulder olha pro chão.

MULDER: - (INTRIGADO) Scully...

SCULLY: - O que foi?

MULDER: - Pediu alguma encomenda pelo correio?

SCULLY: - Não.

Mulder agacha-se no chão. Scully fica olhando curiosa. Cookie sobe no colo dela, enfiando a cabeça debaixo de seu braço. Mulder fecha a porta.

MULDER: - (INTRIGADO) Quem nos daria isso de presente?

Mulder ergue uma espada dourada. Observa-a com curiosidade. A luz reflete na lâmina.


11:11 P.M.

Os dois, sentados no sofá, observam a espada sobre a mesa de centro. A espada reflete os raios que caem e parece devolver a luminosidade contra o céu. Cookie está bem longe. Mulder segura um lenço de papel contra o nariz.

MULDER: - Ele não gosta dessa coisa.

SCULLY: - Mulder, quem deixaria isso na nossa porta?

MULDER: - Algum novo informante? Um samurai? O professor da Scully Lee?

Mulder levanta-se. Joga o lenço no lixo. Ergue a cabeça pra trás.

SCULLY: - Não é a espada de um samurai. Isso é uma espada antiga, muito além da época dos samurais.

MULDER: - (CURIOSO) Como sabe tanto sobre espadas?

SCULLY: - Meu avô colecionava espadas. Isso daí é ouro, Mulder. Ouro com detalhes em prata. Vale uma fortuna.

MULDER: - Presente de casamento pra você? Do seu irmão?

Ela sorri. Levanta-se. Tenta pegar a espada, mas desiste. Não consegue erguê-la.

SCULLY: - Pesada! Não sei o que isto significa, Mulder, mas vamos descobrir.


Pistoleiros Solitários – 12:28 A.M.

Byers tenta erguer a espada. Não consegue. Desiste. Eles o observam.

BYERS: - Isso é impressionante! Nunca vi nada assim. Gostaria de ficar com ela, Mulder, para analisar melhor.

FROHIKE: - Onde acharam isso?

MULDER: - (DEBOCHADO) Estava enterrada numa pedra.

BYERS: - Isso vale uma fortuna.

MULDER: - O que um presente como este pode significar?

BYERS: - Uma espada? Como é que vou saber?

Langly senta-se num banco. Olha pra Byers com a espada.

LANGLY: - A espada, na mitologia antiga, significava justiça. Guerreiros eram presenteados com espadas de ouro por sua bravura e coragem.

Eles olham pra Langly, curiosos. Langly ergue os ombros.

LANGLY: - Quadrinhos. Depois dizem que não se pode aprender nada com eles.

FROHIKE: - Também vi Conan, ô sua barbárie da natureza.

LANGLY: - Mas tem um outro significado.

SCULLY: - (CURIOSA) Que significado?

LANGLY: - Quem recebe uma espada é pra usá-la.

MULDER: - (DEBOCHADO) Scully, então o presente é pra você, porque eu não sei lidar com essas coisas. Tentei esgrima aos 16, mas acabei matando o cachorro.

Scully olha pra Mulder, indignada.

MULDER: - (SE JUSTIFICANDO) Coisas de garoto...

BYERS: - Podemos ficar com ela? Vamos descobrir o que é, de onde veio... Muito interessante.

Byers fica olhando pra espada, admirado.


Apartamento de Mulder - 3:21 A.M.

Som ligado. (para evitar escutas indesejáveis)

Os dois sentados no sofá. Scully com as pernas sobre o sofá, abraçada em Mulder. Os dois enrolados num cobertor. Cookie dormindo no colo de Mulder. Mulder olha pra Scully, nervoso. Afaga a cabeça do cachorrinho. Eles falam baixo.

MULDER: - Estou com medo.

SCULLY: - De quê?

MULDER: - ... De saber que ele não está por trás disso.

SCULLY: - ...

MULDER: - Isso me diz que qualquer coisa pode acontecer. Acabaram minhas deduções, Scully. Eu podia prever o que ele faria. Mas agora, eu não sei quem é o inimigo.

SCULLY: - Krycek?

MULDER: - Não, Scully. Sei que Krycek quer se vingar de mim pelas coisas que aconteceram. Mas o inimigo está lá fora, e agora eu não sei mais quem é ele.

SCULLY: - Krycek mentiu pra mim. Se tivesse dado ouvidos à ele, eu teria matado nosso filho.

MULDER: - Scully, posso parecer bem maluco. Não confio naquele rato e tenho vontade de matá-lo. Mas Krycek esconde alguma coisa. Que nem o Fumacinha sabia.

SCULLY: - Sobre os planos da chamada invasão?

MULDER: - Scully, realmente já parou pra pensar sobre isso?

SCULLY: - Me pergunto por que alienígenas invadiriam um planeta como o nosso. Pra quê? Nós já destruímos nosso planeta com as próprias mãos.

MULDER: - Na verdade, Scully, eles só querem uma coisa aqui.

SCULLY: - E o que seria?

MULDER: - Ainda não sabe?

SCULLY: - Mulder, eu não vi as coisas que você me contou, mas... tento ligá-las e nenhuma faz sentido.

MULDER: - Talvez a Terra seja a ‘geladeira’ deles, Scully.

Scully fecha os olhos.

MULDER: - Talvez sejam uma raça nômade. Não por necessidade de alimento, mas por necessidade de reprodução. Precisam se deslocar para vários planetas, para conseguir hospedeiros. Usam sua tecnologia avançada para manipular o jogo, negociando com líderes, oferecendo a salvação de suas peles.

SCULLY: - E sabe se cumprem a palavra?

MULDER: - Aposto que não. Esses alienígenas são parasitas que necessitam de hospedeiros para se procriarem. Com a vacina que você criou, eles não terão como fazer isso. Eles morrerão, porque o organismo humano fica imune.

SCULLY: - ...

MULDER: - O Fumacinha sabia disso. Sabia que tudo seria feito à toa, porque na verdade, eles não queriam uma vacina. Queriam uma raça resistente por natureza. Por isso pediu que você fizesse a vacina. (SORRI)... Ele sabe o que você fez, Scully. Ele já tinha tudo calculado. Por isso pediu pra você.

SCULLY: - ...

MULDER: - O nosso inimigo invisível está agora sob a forma de vários inimigos. Se duvidar, até o gerente do seu banco.

SCULLY: - Mulder, então por que eles pediram a vacina? Por que o seu pai entregou a vacina, mesmo sabendo que eles não a usariam?

MULDER: - Eu disse, Scully. Ele tinha tudo calculado. Sabia que entregando a vacina, eles criariam uma mutação alienígena que resistiria a essa vacina.

SCULLY: - Mas se eles têm nas mãos a chance de vencer esta guerra, porque querem dar aos alienígenas a sua própria espécie? Mulder, isso não faz sentido algum pra mim. Cães defendem cães. Gatos defendem gatos. Homens defendem homens, não alienígenas.

MULDER: - Scully, e se existe algum alienígena dentro do esquema deles e eles não sabem?

Scully fecha os olhos.

SCULLY: - Mulder... Pára, eu não consigo raciocinar mais.

MULDER: - Pelo menos sabemos como matá-los.

SCULLY: - Mas só podemos fazer isso depois que eles estão dentro do hospedeiro!

MULDER: - Não falo de atear fogo naquela droga, que parece só viver e se procriar no frio. Falo da nossa conspiração, Scully.

SCULLY: - ... Acha que é hora?

MULDER: - Acho que é hora. O problema é pra quem entregar isso.

SCULLY: - ... Mulder, eu estou cansada de percorrer lugares e ouvir um não. Ninguém está interessado em curar ‘gripes’.

MULDER: - Onde está a verdadeira vacina?

SCULLY: - Escondidinha, Mulder. Onde só eu sei.

Ele sorri.

SCULLY: - (DEBOCHADA) Ou os idiotas acham que eu entregaria a fórmula verdadeira?

Os dois olham um pro outro e riem.

SCULLY: - Fórmula errada... Bingo! Um pra Mulder e Scully...

MULDER: - (RINDO) Scully, tô começando a ficar com medo da gente.

SCULLY: - Muitos tapas na cara acordam.

MULDER: - Eu não disse que aquele velho tinha tudo calculado? Ele sabia que você não confiaria nele. Ele sabia que estava levando a vacina errada. Fez isso de propósito... Scully, quando descobrirem isso, pode ter certeza de que virão atrás de nós.

SCULLY: - (IMITA O CANCEROSO FUMANDO) Mulder, passamos à fase B do plano 1. Aquele imbecil do Krycek nunca desconfiará disso. Deixe-o dar voltas como um cego tolo. Ele só vê a verdade que ele quer.

Mulder olha pra ela e ri.

MULDER: - Scully, estou desconfiando que você anda fumando escondida pelos cantos...

SCULLY: - Cuidado comigo, Mulder. Sou uma mulher armada e perigosa. E agora, ganhamos uma espada.

MULDER: - Eu já te disse que você tem sido o meu cérebro? A minha lucidez?

SCULLY: - Não. Mas diante da sua atual situação, vou tentar encarar isso como um elogio.

Ele abaixa a cabeça e ri.

SCULLY: - Siga meus métodos, Mulder. Não vai se arrepender. Seus métodos já estão muito conhecidos. Você é carta marcada no jogo. Hora de mudar a estratégia de guerra. Mudaremos nosso ataque e abordaremos o inimigo por baixo, de surpresa, antes do amanhecer. Ele nem vai saber o que atingiu quando der o último suspiro.

Ele olha pra ela, abismado.

SCULLY: - Aprendi com meu pai. Ele era da marinha.

MULDER: - Scully, realmente estou com medo de você...

SCULLY: - Não mexa com a minha cria e eu sou dócil. Toque um dedo nela e vai ver a fera que existe em mim.

MULDER: - Scully, só temos que lembrar que a esperteza quando é demais, morde o dono. E já vimos isso acontecer.

SCULLY: - Códigos, Mulder. Códigos. Eles pensam que nos monitoram. Mas eles não sabem o quanto nós os induzimos a crerem nas nossas mentiras. Como eu disse, deixe-os verem o que querem.

MULDER: - Scully, você tá me surpreendendo...

Batidas na porta. Scully levanta-se. Abre uma fresta da porta, mantendo a tranca de segurança. Vê Skinner. Skinner coloca o dedo sobre os lábios, pedindo silêncio. Entrega um bilhete pra ela e sai rapidamente. Scully, sem entender nada, fecha a porta. Mulder olha pra ela. Scully lê o bilhete. Olha pra Mulder.

SCULLY: - Mulder, que tal um café na lancheria da esquina?

Mulder coloca o cachorro no sofá. Pega a jaqueta.


BLOCO 2:

Interestadual de Ohio – 5:21 A.M.

Mulder dirige o carro. Braço apoiado na janela. Skinner no banco de trás, nervoso. Scully está tensa.

MULDER: - Como soube disso?

SKINNER: - Hoje pela manhã, havia uma pequena nota no jornal, dizendo que o governo e os laboratórios Tammany estavam distribuindo doações para orfanatos. Então, há algumas horas atrás, Kersh me ligou pedindo alguns dos meus agentes. Disse que havia acontecido uma tragédia em Virgínia, onde crianças de um orfanato inteiro morreram de causas desconhecidas.

MULDER: - ...

Scully segura as lágrimas, olhando pela janela.

SKINNER: - Krycek veio até mim, fazendo um alarde de uma operação secreta na Califórnia, onde uma nave caiu. Aposto mais nesse recorte, Mulder. Ele me é menos suspeito.

Mulder esmurra o volante.

MULDER: - Estão tentando envenenar inocentes com leite em pó? Meu Deus, mas até que ponto esses canalhas chegam?

SKINNER: - Aposto com você que deve haver centenas de latas de leite em pó naquele orfanato.

Scully cerra os punhos, com ódio.

MULDER: - Krycek foi mandado pra desviar as atenções. Mas não vão me enganar de novo, Skinner.

SKINNER: - (SUSPIRA) Depois de ver a Scully sendo levada por algo que eu nunca tinha visto, depois de ver suas radiografias cheias de objetos metálicos, de ver vocês perderem um filho... Mulder, eu nem sei mais no que penso. Estou perdido. E se eu estiver enganado?

MULDER: - Acho que não está não. Algo me diz que estamos perto. Eles estão nos dando a dica sem saber. Se estão atacando orfanatos, é sinal de que nosso filho está vivo, em algum deles.

Skinner olha pela janela.

SKINNER: - Mulder, eu não vou fazer o que vocês me pediram.

Mulder olha pra ele pelo retrovisor.

MULDER: - Skinner...

SKINNER: - Não, Mulder. Acredito que desta vez vamos conseguir. Não acho justo que vocês dois queiram deixar o FBI agora.

MULDER: - Eu já disse que posso fazer isso muito melhor sem uma credencial e leis.

SKINNER: - Mulder, não pode tornar-se um justiceiro cego.

MULDER: - Eu estou cansado! Eu não tenho mais nada pra fazer naquele porão!

SKINNER: - Sabe que você não pode sair daquele porão, Mulder. Você agora, mais do que nunca, sabe qual o motivo de ter parado ali e não em outro lugar.

MULDER: - ...

SKINNER: - É você, Mulder. E se não quer a responsabilidade, eu entendo. Mas fugir dela não é algo que eu possa compreender.

MULDER: - Quero ter uma vida comum, Skinner. Eu quero parar de ter de fugir, de esconder a minha vida paralela com a mulher que eu amo porque isso serve para fazerem ameaças lá dentro.

SKINNER: - Mulder, eles não vão fazer nada contra o relacionamento de vocês. Você sabe disso. Pode até beijar a Scully no auditório central na frente de todo mundo que ninguém vai ver nada.

MULDER: - ... Não confie nisso. Eu não tenho mais proteção.

SKINNER: - Tem certeza disso?

MULDER: - Skinner, o que você sabe?

SKINNER: - Eu sei que andam muitos cegos por lá, Mulder. Cegos demais. E a experiência me diz que não se deve menosprezar a inteligência de uma raposa velha. Você entende o que eu digo. Se é você, Mulder, ele não vai deixar que nada interfira.

MULDER: - Mas você também sabe onde acaba o poder dele.

SKINNER: - Mas também sei onde começa a sua vingança.


Orfanato das Irmãs Carmelitas – 6:11 A.M.

Mulder estaciona o carro. Movimento de ambulâncias, carros do FBI, policiais. Vários pequenos sacos pretos sendo levados por legistas. Skinner desce do carro. Mulder olha pra Scully.

MULDER: - Se quer ficar aqui, eu entendo. Deixa isso comigo e com o Skinner.

Scully desce do carro. Mulder olha pra ela, tenso. Scully observa as crianças mortas sendo levadas. Skinner olha pra Mulder, num gesto de cumplicidade.

SKINNER: - Mulder...

MULDER: - (TOMA CORAGEM) Tá. Vamos falar com os responsáveis.

Kersh sai do orfanato. Aproxima-se deles.

KERSH: - Onze meninos. Todos mortos. Precisamos averiguar a causa mortis.

SCULLY: - (COM ÓDIO) Eu faço isso.

Os três olham pra ela. Scully está com o olhar distante, como quem sente raiva.

SCULLY: - Não tenho um diploma em medicina legal pra não usá-lo.

MULDER: - (PREOCUPADO) Você...

SCULLY: - Eu estou bem, Mulder. Faça a sua parte. Eu faço a minha.

Scully afasta-se. Os três entram no orfanato. A velha freira chora, desconsolada.


Quântico – 8:14 A.M.

Mulder entra no necrotério. Scully está sentada, olhando pro nada. Mulder aproxima-se. A abraça, beija-a na testa. Ela derruba lágrimas.

SCULLY: - Nenhum deles é ele.

MULDER: - Eu sei.

SCULLY: - (SORRI/ ABRAÇA-O)

MULDER: - (SUSPIRA) Descobriu alguma coisa?

SCULLY: - Nada. Mulder, foi envenenamento, eu sei. Os testes de sangue nada confirmaram, mas existem substâncias venenosas que não podemos detectar, que se perdem na corrente sanguínea... (DERRUBA LÁGRIMAS) Onze inocentes mortos, Mulder.

Scully levanta-se, tenta secar as lágrimas, mas não consegue. Olha pra Mulder, com olhos de quem não compreende tanta maldade.

SCULLY: - Onze! Mulder, todos bebês em fase de aleitamento! Meu Deus, Mulder!

Mulder abaixa a cabeça.

SCULLY: - Isso é a maior de todas as covardias, é como um maldito aborto! Eles não tinham condições de se defender! Mulder, que tipo de animal envenena o leite de uma criança? (CHORANDO) Que tipo de animal?

Mulder passa as mãos no rosto, segurando as lágrimas.

SCULLY: - Se pegassem uma arma e apontassem pra uma criança de 6 anos, ela tinha chances de correr! Mas estas? Mulder, isso é uma covardia! Eles não podem se defender! São apenas bebês!

MULDER: - Scully, eu sei que isso é difícil pra nós dois. Mas precisamos ficar calmos. Se mataram alguns, matarão mais. Precisamos descobrir o que colocaram no leite e precisamos evitar que mais mortes aconteçam!

SCULLY: - Como, Mulder? Se não temos provas do envenenamento? Como vamos acusar uma empresa grande como a Tammany e o governo de genocídio infantil?

Mulder olha pras macas, cobertas por lençóis.

MULDER: - Kersh deu o assunto por encerrado. Estão jogando a culpa nas pessoas que trabalham na cozinha do orfanato. Pegaram um bode expiatório e a imprensa caiu em cima. A mulher foi levada presa, acusada de assassinato premeditado. O jornal desta manhã leva na capa a manchete de ‘ Assassina de bebês em Virgínia’. Daqui á pouco vão acusar a pobre freira de cúmplice!

Scully abaixa a cabeça.

MULDER: - Mandei amostras do leite para o laboratório. Se puder ficar em cima deles, eu gostaria muito que acompanhasse o processo. Não confio em ninguém a não ser em você, Dra. Scully. Tem algo aí que não se encaixa. Ambos sabemos que o leite está contaminado. Mas o que me intriga é que todos os bebês tomaram o leite e apenas os meninos morreram. Nada aconteceu com as meninas. Acho que aí entra sua experiência em medicina. Algo a ver com cromossomos X?

Scully olha pra ele. Sorri, ainda derrubando lágrimas.

SCULLY: - Eu te amo.

Mulder sorri. Caminha até a porta.

MULDER: - Cromossomos é com você. O X sempre é a resposta da questão. Quantas vezes já te disse que a mulheres sobrevivem mais do que os homens?

Mulder sai. Scully fica olhando pra porta.


FBI – Sala de reuniões – 2:47 P.M.

Kersh observa Mulder. Mulder levanta-se.

MULDER: - Estão dizendo que eu sou louco? Isso é um complô contra mim?

KERSH: - Estamos afirmando que você está fora desse caso. Não foi requisitado.

Skinner levanta-se. Olha pra Kersh.

SKINNER: - Mulder foi requisitado por mim. Você pediu agentes meus. Não especificou ninguém em particular. Portanto, Mulder e Scully estão no caso.

Kersh levanta-se.

KERSH: - Eu não os quero nesse caso.

Skinner sorri. Olha pro vice-diretor.

SKINNER: - Lamento ter um colega que não vê a situação. Scully é médica e este caso envolve investigação toxicológica!

KERSH: - Como pode deduzir que foram mortos por envenenamento, senhor Skinner?

O vice-diretor os observa, como quem observa um jogo de tênis.

SKINNER: - (DEBOCHADO) Talvez tenham sido mortos por espancamento?

Mulder abaixa a cabeça, segurando o riso. Mesmo diante das circunstâncias sérias, a incompetência de Kersh fica visível.

SKINNER: - As autópsias não revelaram manchas, cicatrizes ou projéteis. Portanto, se está negando que a única possibilidade enquadrada aqui está errada e não cabe neste caso... Então está me dizendo que isto é um Arquivo X?

Kersh abre a boca, incrédulo. Mulder põe a mão no rosto, impressionado com a atitude de Skinner.

SKINNER: - E se é um Arquivo X, como você deduziu, Mulder está no caso. E você fora. Porque eu cuido dos Arquivos X. São pertinentes a mim e não à você.

KERSH: - Eu não disse que é um arquivo X!

SKINNER: - Disse. Diante de todas as circunstâncias, se o provável envenenamento foi descartado por você mesmo, então isto é um enigma. E enigmas são minha jurisdição.

VICE-DIRETOR: - Walter...

SKINNER: - Sim, senhor?

VICE-DIRETOR: - O caso está sob sua jurisdição.

Skinner olha pra Kersh. Kersh levanta-se e sai, indignado.

SKINNER: - Obrigado, senhor. Peço sua licença, eu e meus agentes temos muito trabalho pela frente.

Mulder e Skinner saem da sala. Trocam um cumprimento batendo as palmas das mãos.

MULDER: - Primeiro set de duplas vencido. Mas da próxima, tenta não sacar sua ironia tão no fundo da quadra. Quase matou ele com um golpe na cabeça... Ainda bem que sou seu amigo, Skinner. Nunca pensou em ser promotor público?


BLOCO 3:

Interestadual da Virgínia – 3:47 P.M.

Skinner dirige. Mulder ao lado dele.

SKINNER: - Acha que é algum agente químico que ataca os cromossomos?

MULDER: - Acredito que tem algo a ver com isso.

SKINNER: - Tudo isso pra eliminarem o seu filho?

MULDER: - O que me faz acreditar que realmente ele é especial.

SKINNER: - Mulder, mas não faz ideia de quem roubou seu filho?

MULDER: - Nenhuma. Mas seja quem for, confio plenamente. Me parece ter sido mais pai do que eu fui. Porque eu não consegui protegê-lo.

SKINNER: - ...

MULDER: - Skinner, eu quero que rasgue a minha carta de demissão. Não vou me afastar.

Skinner sorri.

MULDER: - Sabe qual é a melhor maneira de se esconder alguma coisa?

SKINNER: - Não.

MULDER: - É mantê-la bem à vista.

SKINNER: - Mulder, o que está pensando?

MULDER: - Nada, Skinner. Nada. Só quero dizer que eu acordei. E que não estou mais pra brincadeiras. Que de agora em diante, isto é uma guerra, entre eu e eles. Eu não sei quem é o inimigo, mas eu vou lutar.

SKINNER: - Os inimigos, Mulder, são todos que podem usar seu poder para manipular a verdade. Nem que seja um pastor tentando vender o reino dos céus. Ou um comerciante empurrando um uísque falsificado.

O celular de Mulder toca. Mulder atende.

MULDER: - Mulder...

FROHIKE (OFF): - Não vai acreditar no que descobrimos.

MULDER: - O que descobriram?

FROHIKE (OFF): - Sua espada canta.

MULDER: - (SORRI) Acho que já vi isso numa fábula... A espada cantora...

FROHIKE (OFF): - Mulder, é sério. Ela emite notas musicais. Tons maiores e menores. Conforme você toca a ponta dela em algum objeto sólido, ouve uma nota. Mas num agudo impressionante. Langly já quebrou todos os copos aqui fazendo experiências.

MULDER: - Pago seus copos, Frohike.

FROHIKE (OFF): - E tem mais, Mulder. Isso não é ouro. Isso é... é algum tipo de metal, tem propriedades do ouro, mas tem outras propriedades também. E é bem pesado, não conseguimos tirá-la de onde deixou.

MULDER: - O que quer dizer?

FROHIKE (OFF): - Que isto é de um metal desconhecido. Não amassa, não quebra e não derrete.

MULDER: - Está me dizendo que essa espada é extraterrestre?

FROHIKE (OFF): - Estou dizendo que não há registro de alguma coisa desse tipo na tabela periódica conhecida.

MULDER: - ...

FROHIKE (OFF): - Tem um sinal desenhado com prata no cabo da espada. É bem microscópico.

MULDER: - Conseguiu decifrá-lo?

FROHIKE (OFF): - Ainda não. Mas estamos tentando com vários entendidos no assunto.

MULDER: - Me informe o que descobrir.

Mulder desliga. Olha pra Skinner.

MULDER: - Estranho... Muito estranho. Te falei da espada que apareceu na minha porta?

SKINNER: - Que espada?


Quântico – 8:39 P.M.

Scully observa algo pelo microscópio. Mulder olha pra ela. Scully afasta-se do microscópio. Olha pra ele.

SCULLY: - Nunca houve relato de algo assim na história da medicina, Mulder.

MULDER: - ...

SCULLY: - Seja o que for que causou isso é completamente desconhecido e até eu duvidaria da minha explicação se ouvisse isso de alguém.

MULDER: - Alguma substância alienígena?

SCULLY: - Levando em consideração que é desconhecida, eu poderia dizer que é alienígena. Isso vai causar alvoroço na medicina.

MULDER: - ... (INTRIGADO) Me explica como se eu tivesse 10 anos de idade.

SCULLY: - Você sabe que possíveis erros na meiose e divisão celular inicial do zigoto, podem levar a anormalidades dos cromossomos. O número de cromossomos no gameta é 23 e este é o número haploide. Quarenta e seis é o número diploide. Um múltiplo exato do número haploide denomina-se euploide. Portanto, os números haploide e diploide de cromossomos, que são múltiplos de 23, são euploides. Um número de cromossomos que não seja um múltiplo exato de 23, como na síndrome de Down com 47 cromossomos, é chamado de aneuploide.

MULDER: - Continue.

SCULLY: - A poliploidia é uma condição rara encontradas em seres humanos, exceto em abortos, certas células diferenciadas e tumores. Um estado aneuploide no qual um terceiro cromossomo está presente além do par autossômico normal, como na Síndrome de Down, é denominado trissomia. O que vejo aqui é uma trissomia completamente desconhecida.

MULDER: - Sei, mas isto não ocorre na formação do feto, nas divisões celulares?

SCULLY: - Sim, Mulder. Mas o que vejo nessas crianças é que isto ocorreu do dia pra noite. Como se algum agente patogênico externo interferisse nas células, fazendo com que elas regredissem rapidamente, voltando a multiplicar-se como num feto em formação, causando alteração genética nos cromossomos. Em especial, no Y.

MULDER: - Então esses bebês morreram por terem o cromossomo Y.

SCULLY: - Exatamente. E isto é impressionante, Mulder. Pegando o exemplo da Síndrome de Down, ou trissomia do cromossomo 21. Geralmente ocorre numa freqüência maior na primeira divisão meiótica do que na segunda. Marcadores ligados ao X também mostraram que a não-disjunção pode ocorrer tanto na ovogênese quanto na espermatogênese. Um exemplo disso é um indivíduo XXY, com Síndrome de Klinefelter, que é daltônico e cujos pais têm visão normal. O gene para o daltonismo é recessivo, ligado ao X, e o filho não recebeu um cromossomo X do pai. Logo, a mãe deve ser portadora do gene num cromossomo X, e o filho deve ser o produto da fertilização de um ovócito XX por um espermatozoide Y. Como ambos os cromossomos X devem possuir o gene mutante, provavelmente ocorreu uma não-disjunção durante a segunda divisão meiótica da ovocitogênese.

MULDER: - Scully, eu não tô entendendo nada. Só entendi que sou daltônico por culpa da minha mãe!

SCULLY: - Mulder, geralmente o erro vem do cromossomo X. Aqui vemos que essa substância utiliza-se do X para afetar o Y. Portanto, ela é inofensiva para as crianças que tem XX, as meninas. Para os meninos não. Mas as meninas que beberam o leite, com certeza possuem essa substância nas células. Não sei se ela desencadeará futuros problemas nessas meninas. Mas com certeza, matará todos os filhos homens que elas tiverem.

MULDER: - E o que isso tem a ver com eles? Por que querem matar todos os homens do planeta?

SCULLY: - Talvez porque estejam criando homens com imunidade... especiais.

MULDER: - ... (ASSUSTADO) Está me dizendo que eles querem criar uma nova raça de humanos? Alienígenas se procriando com terrestres? De novo? Scully, isto se encaixa nas teorias da Quinta Raça e da Quarta Extinção. E quando eu digo que Deus é alienígena, ainda me chamam de doido! Já li isso na Bíblia. Deus se revoltou quando seus ‘anjos’ vieram à Terra e começaram a se procriar com as humanas. Misturando-se com as criaturas.

SCULLY: - Não sei mais no que pensar, Mulder. O que sei é que isto causa uma regressão cerebral tão grande, que leva a criança à um estado completo de torpor, até que o cérebro pare de comandar as próprias funções vitais, levando-as à morte. O que seria um acidente de divisão celular de um feto, passa a ser um acidente proposital de deficiência em crianças com menos de um ano de idade.

MULDER: - ... (FECHA OS OLHOS)

SCULLY: - (DESESPERADA) Se nosso filho é imune, eles logo saberão quem ele é, porque sobreviverá! É como o encontrarão!

MULDER: - Scully, eles querem matar nosso filho, não protegê-lo!

SCULLY: - Então, Mulder, acho que alguém entre eles está dando informações erradas. Talvez nem eles saibam o que estão fazendo. Talvez tenham um objetivo, mas outro objetivo paralelo está sendo utilizado.

MULDER: - ... Scully, quem teria motivos pra mutar a espécie humana transformando-a em alienígenas?

SCULLY: - Alienígenas?

MULDER: - (PÂNICO) Scully, tem um alienígena entre eles. E está comandando tudo, sem os idiotas perceberem. Está usando o jogo deles contra eles. E os idiotas estão perdendo.

Mulder levanta-se.

SCULLY: - O que vai fazer?

MULDER: - Vou até os laboratórios Tammany.

SCULLY: - Vou com você.

MULDER: - Skinner está entrando com um mandado de apreensão do leite. Mas houve outro caso na Carolina do Sul e em Kentucky. Mais 30 crianças morreram.

Scully abaixa a cabeça.

MULDER: - Quero que volte pra Washington. Veja o que os rapazes descobriram sobre aquela espada. Pode ser uma pista.

SCULLY: - Não está tentando me afastar do caso, está?

MULDER: - Não. Quero só te poupar de coisas desagradáveis. Faz isso por mim, tá?

Ela olha pra ele, apaixonada.

MULDER: - Pode ser?

SCULLY: - (SORRI) Tá. O que você não me pede sorrindo, que eu não te faço chorando?

MULDER: - Numa outra ocasião eu te dou a resposta merecida, sua baixinha safada.

Os dois saem abraçados.


Laboratórios Tammany – 9:29 P.M.

Mulder desce do carro. Há soldados do exército no portão. Mulder puxa a credencial. Eles se colocam na frente dele.

SOLDADO: - Tem um mandado?

MULDER: - Tenho.

Mulder retira o mandado do bolso. Um general aproxima-se rapidamente.

GENERAL: - Deixe-me ver isto.

Ele puxa o papel das mãos de Mulder. Sorri. Rasga-o.

GENERAL: - Agora não tem mais.

Mulder olha boquiaberto e invocado.

MULDER: - Está obstruindo a justiça!

GENERAL: - Este lugar está sob investigação militar.

MULDER: - (IRRITADO) Eu quero que se danem! O FBI está investigando as atividades ilícitas desta empresa.

GENERAL: - (GRITA) Não vou repetir. Tome seu rumo, senhor.

MULDER: - (GRITA) Eu não vou sair daqui.

Mulder o desafia. Os soldados apontam as armas. Mulder puxa a arma. Os soldados engatilham as armas.

MULDER: - Ok, temos um contra todos. Se querem violência, vai ser no tiro que eu vou entrar aí dentro.

Os soldados continuam mirando as armas em Mulder. O general olha pra ele.

GENERAL: - Volte pro seu carro e vá pra Washington. Não há nada de estranho aqui para ser visto.

MULDER: - Não? (INDIGNADO/ AOS GRITOS) Quarenta e uma crianças morreram e não há nada de estranho por aqui?

GENERAL: - Lhe asseguro que não. Agora volte pro seu carro.

Mulder abaixa a arma. Entra no carro furioso. Dá a partida, sai cantando os pneus. Toma a estrada. Esmurra o volante, enraivecido.

MULDER: - (GRITA) Fuck me, fuck me, fuck me! Sempre esbarro na força! Os desgraçados usam a força a seu favor! ... Ponto pra eles de novo?

Mulder vira o volante rapidamente, tirando o carro da estrada. Dirige por entre um mato. Pára o carro. Desce. Tira o paletó e joga dentro do carro. Está completamente fora de si de tanta raiva.

MULDER: - Não me conhecem...

Mulder abre o porta malas.

MULDER: - (INDIGNADO) Ah, realmente não me conhecem. Vão se fu... çar comigo. Ah, vão!

Mulder tira uma sacola de ferramentas. Uma lanterna. Fecha o porta malas.

MULDER: - Vamos ver se eu não entro nessa pôrra... Se a Scully estivesse aqui ia me mandar lavar a boca com sabonete.

Mulder caminha por entre o mato, com a sacola no ombro.

MULDER: - Já disse que fico enfurecido quando me desafiam. Dê um desafio ao Mulder e ele vai sentir-se impelido a ultrapassá-lo. Conseguiram me tirar do limite. Meteram o dedo na colmeia. Não vou pra parede hoje. Hoje eu vou encostar um!

Ele sai reclamando pelo meio das árvores, dizendo palavrões.


Sede dos Pistoleiros Solitários – 11:47 P.M.

Scully entra. Frohike tranca a porta. Ela observa.

SCULLY: - Preciso comprar mais fechaduras também.

FROHIKE: - Onde está o Mulder?

SCULLY: - Acaba de me ligar. Está no meio do mato, acabou de atravessar um fosso e está tentando cortar a cerca dos Laboratório Tammany, enquanto diz palavrões de toda a espécie.

FROHIKE: - Precisa ver isso, Scully... Ninguém conseguiu decifrar o que significa.

BYERS: - Parece uma escrita japonesa. Mas não faz sentido.

LANGLY: - Não faz mesmo. Nunca vi nada nos quadrinhos do Mangá sobre isso...

Scully aproxima-se da espada. Pega a lupa. Observa.

BYERS: - Ouvimos no noticiário. Trinta crianças morreram.

SCULLY: - Estou aguardando um telefonema do Skinner para irmos até o Kentucky...

Scully afasta-se. Coloca a lupa sobre a mesa. Afasta-se de costas, olhando incrédula para a espada.

SCULLY: - (ASSUSTADA) ... Não toquem nisso.

BYERS: - Por quê?

SCULLY: - Não é para ser tocado.

FROHIKE: - Scully, o que sabe que não sabemos?

SCULLY: - Isto é escrita angelical. Já vi isso em livros.

BYERS: - E o que significa?

SCULLY: - Significa que não é para ser tocada, não pertence à vocês.

FROHIKE: - Mas se foi deixada na porta do Mulder, foi um presente, não acha?

SCULLY: - Não toquem nisso. Preciso de um pano. Vamos cobri-la.

FROHIKE: - ??? Scully, você tem certeza?

Ela enche os olhos de lágrimas. Começa a ficar nervosa. Olha pra eles.

SCULLY: - Tem o nome do Arcanjo Miguel nela.

FROHIKE: - Mas isso não é uma lenda?

LANGLY: - Que lenda? Esse quadrinho eu não li ainda.

SCULLY: - O Arcanjo Miguel é responsável pela ordem no mundo. Pela justiça. Esta é a espada que ele usou para derrubar o mal. Para render Satã.

Os três observam a espada, incrédulos.

BYERS: - Isso é de um anjo?

LANGLY: - Aposto que ele deve ser muito forte pra segurar isso.

SCULLY: - Não é a força. É a justiça. O amor para com a humanidade que torna isto leve. O sinal que é dado a quem tem o poder de erguê-la.

BYERS: - ...

FROHIKE: - Mas que raios isso foi fazer na porta do Mulder?

SCULLY: - (ELA FECHA OS OLHOS)

FROHIKE: - Um aviso?

Scully abre a porta. Sai. Os três ficam olhando pra espada.

LANGLY: - He-Man invejaria essa coisa...


FBI – Gabinete do Diretor Assistente – 12:27 A.M.

Skinner pega o paletó. Scully o aguarda.

SKINNER: - Vamos pra Virgínia. Quero ver eles rasgarem outro mandado na cara de um diretor assistente.

SCULLY: - Senhor, acho que Mulder corre perigo.

Os dois saem apressados pelo corredor. O celular de Skinner toca. Skinner atende.

SKINNER: - Walter Skinner... Sim, senhor, estou indo pra Virgínia agora.

Skinner pára. Scully pára. Olha pra ele.

SKINNER: - ... Mas, senhor... Sim, eu ouvi.

Skinner desliga. Olha pra Scully.

SCULLY: - O que aconteceu, senhor?

SKINNER: - Acabam de ‘pegar o culpado’ pelas mortes das crianças. ‘Um assassino serial, que foi pego em flagrante, após ter matado mais 20 meninos e incendiado o orfanato’.

Scully fecha os olhos.

SCULLY: - Deus... Como podem mentir tanto? Encobrir a verdade? Matar inocentes por isto? E saírem impunes, jogando a culpa em qualquer cidadão desavisado?

SKINNER: - Vamos pra Virgínia, Scully. Eu justifico as despesas.


2:47 A.M.

Um caminhão baú sem identificação entra numa fazenda.

Corta para Mulder, parando o carro à distância. Pega o binóculo. Acompanha o caminhão com os olhos.

MULDER: - Buscando a matéria prima, desgraçados?


2:56 A.M.

Skinner e Scully dentro do carro, na frente do portão.

SKINNER: - Onde estará o Mulder?

SCULLY: - Estou preocupada. Não consigo ligar pra ele.

Os soldados vigiam o portão.

SKINNER: - Não vamos conseguir entrar aí. O mandado não vale mais nada. Os militares estão na jurisdição.

O celular de Scully toca. Ela atende.

SCULLY: - Scully.

BYERS: - Scully, aconteceu uma coisa estranha.

SCULLY: - O que foi?

BYERS: - A espada sumiu.

SCULLY: - Ahn??? Como assim ‘sumiu’?

BYERS: - Desapareceu. Estávamos atarefados e quando percebemos, ela tinha sumido de cima do balcão.

SCULLY: - Deixem. Esqueçam isso. Não é nossa.

Scully desliga.

SKINNER: - Algum problema?

SCULLY: - Não, senhor.

Scully perde o olhar ao longe. Coração apertado. Nervosa.

SCULLY: - Tenho medo de matarem Mulder. Ele não sabe quando parar.

SKINNER: - ...

SCULLY: - Precisamos entrar aí. Talvez tenham pego Mulder.

SKINNER: - Scully, acalme-se. Precisamos agir pelos métodos da justiça.

SCULLY: - (INCRÉDULA) Justiça? Senhor, onde está a justiça?


BLOCO 4:

3:02 A.M.

Mulder dentro do carro, observando a propriedade. A chuva começa a cair. Mulder abaixa a cabeça sobre o volante.

MULDER: - (INCRÉDULO) Vinde a mim os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados... Hã! Me pergunto tantas vezes onde está a justiça... A própria lei protege os culpados... Me sinto cansado, impotente... Perdido numa estrada sem placas.

Os pingos da chuva caem pelo vidro. Mulder observa. Percebe que eles deslizam todos para um lado, na mesma direção. Mulder olha curioso. Um trovão. Mulder dá um pulo assustado. Escuta um som agudo. Fica cismado. Outro trovão. Uma nota aguda. Mulder vira-se para trás. Olha pra espada. Ela parece responder em notas agudas a cada ressonância do trovão.

MULDER: - ... (FISIONOMIA DE INTRIGA) Mas como essa coisa foi parar aí?

Trovão. Som agudo.

Mulder olha pra espada. Olhar distante. Liga o carro. Dá a volta na estrada. Segue para o outro lado.


Escritório Regional do FBI - 3:17 A.M.

Skinner fala ao telefone.

SKINNER: - Eu sei, mas acredito que tem um agente meu lá dentro, correndo perigo.

O celular de Scully toca. Ela atende depressa.

SCULLY: - Scully... (RESPIRA ALIVIADA) Mulder, onde está? ... Graças à Deus!

Skinner desliga. Olha pra ela, ansioso.

SCULLY: - Sim, eu sei... Mulder, acabou. O caso nem está mais nas mãos do Bureau e... Mulder, o que vai fazer? ... Não, eu estou no escritório de Virgínia e quero você aqui rapidinho... Mulder? Mulder?

Scully desliga. Skinner olha pra ela.

SKINNER: - O que aconteceu?

SCULLY: - Ele disse que tem coisas a resolver.

SKINNER: - O que esse maluco vai fazer agora? Sabe onde ele está?

SCULLY: - Me disse que está voltando pra Washington, mas tem coisas a resolver antes.

Skinner senta-se. Põe as mãos no rosto.

SKINNER: - Mulder... Por que tem que me dar dor de cabeça sempre?

Scully guarda o celular. Aproxima-se da janela, olhando a chuva. Olha pro céu. Fecha os olhos, segurando seu crucifixo.


3:44 A.M.

Um posto de gasolina. O carro de Mulder parado, com o porta malas aberto. Mulder aproxima-se do carro, carregando um galão de gasolina. O frentista olha pra ele. Mulder coloca o galão no porta malas. Fecha-o. Entra no carro.

MULDER: - Droga!

Mulder desce. Caminha até a cafeteria. Aproxima-se do balcão. A garçonete vem atendê-lo.

GARÇONETE: - Posso ajudá-lo?

MULDER: - Tem fósforos?

GARÇONETE: - Fósforos? Bem, eu tenho...

MULDER: - Vontade de fumar danada, sabe?

Ela sorri. Entrega uma caixa de fósforos. Mulder pega a carteira.

GARÇONETE: - Não, não é nada não.

MULDER: - Obrigado.

Mulder sai com a caixa de fósforos. Coloca no bolso. O frentista o observa. Mulder entra no carro. Dá a partida. Olha pelo espelho. Vê o reflexo da espada.

MULDER: - Entendi.


Hotel Winston - 3:54 A.M.

Scully anda pelo quarto, de um lado para outro. Nervosa. Pega o celular. Disca. Gravação. Ela desliga, atira o celular na cama. Senta-se. Põe as mãos no rosto.

SCULLY: - Ele vai fazer besteira. Posso sentir isso ressoando nos meus ossos.

Trovoadas. Scully olha pela janela. Observa a chuva. Fica num completo estado de torpor. Sonolenta. Levanta-se e caminha até a janela. Fica olhando pra fora.

Close no vidro da janela do reflexo de Scully. Atrás dela, o reflexo de um anjo, segurando seu filho. Ela olha pro reflexo, mas não tem coragem de se virar. Põe a mão sobre os lábios, derrubando lágrimas. Num piscar de olhos, o anjo desaparece com a criança.


4:12 A.M.

Mulder estaciona o carro dentro da propriedade. Desce. Caminha esquivo por entre o mato alto. Puxa a arma. Aproxima-se do pequeno depósito. Esquivando-se, caminhando lentamente, encostado na parede, Mulder aproxima-se de uma janela. Olha pra dentro.

Close de seis homens manuseando máquinas, que injetam alguma substância dentro de latas de leite em pó.

Mulder agacha-se e passa por baixo da janela. Ergue-se. Mantém a arma segura entre as mãos, contra o peito. Espia pra dentro de novo. O Homem das Unhas bem Feitas aproxima-se dos outros. Ao lado dele, um homem bem vestido.

HOMEM: - Vamos logo com isso! Temos que mandar a mercadoria para o leste ainda hoje!

Mulder fecha os olhos. Trovões. A chuva cai fortemente. Mulder olha pro céu. Respira fundo. Toma coragem. Chuta a porta com força.

Os homens olham assustados. Mulder entra com a arma apontada, aos gritos.

MULDER: - FBI, todo mundo parado!

Eles erguem as mãos. Menos o Homem das Unhas Bem Feitas. Mulder aproxima-se.

MULDER: - (GRITA) Eu disse pra levantar as mãos!

HUBF: - Não vai fazer nada, Mulder. Não há nada a ser feito por aqui.

MULDER: - (GRITA COM ÓDIO) Levanta as mãos, desgraçado, ou eu vou meter bala em você! Se não morreu numa explosão forjada, vai morrer agora!

Ele levanta as mãos.

HUBF: - Quantas vezes ajudei você a sair de enrascadas? Lhe dei a localização da base alienígena e a vacina para salvar sua parceira. É assim que recebo sua gratidão?

MULDER: - (RI) Gratidão? Pelo quê? Por ter feito o serviço que meu pai te ordenou? Por tê-lo ajudado a espalhar o vírus dentro daquela nave alienígena?

Ele observa Mulder, com um ar de lorde inglês bem educado.

HUBF: - Seu nariz está sangrando...

Mulder passa a mão no nariz e olha pro sangue.

MULDER: - (GRITA) O que estão colocando nessas latas?

Ninguém responde. Mulder pega o Homem das Unhas Bem feitas pelo colarinho. O empurra contra a parede.

MULDER: - (AGRESSIVO) Eu fiz uma pergunta!

HUBF: - E não vai obter a resposta.

MULDER: - (ENCOSTA A ARMA NO QUEIXO DELE) Tem certeza?

HUBF: - Não pode me ameaçar assim. Estamos fazendo algo que vai salvar o planeta.

MULDER: - Seu idiota. Estão ajudando os alienígenas sem saber!

Mulder o solta. Afasta-se. Observa as latas. Há inscrições em russo. Alguns homens seguram etiquetas dos laboratórios Tammany. Mulder sorri.

MULDER: - Bem que me disseram que jogar a culpa nos outros é fácil... Obtiveram isso daquele rato sujo?

Mulder abaixa a arma. Olha pra eles com raiva. O Homem das Unhas Bem Feitas aproxima-se.

HUBF: - (DEBOCHADO) O que vai fazer, agente Mulder? Nos prender?

MULDER: - ... (REVOLTADO)

HUBF: - Nos acusar de conspiração contra o povo americano? Acha que não virão apagar as provas? Acredita realmente que vai provar a verdade? Somos um grupo, Mulder. Você é o exército de um homem só. Ainda quer provar a verdade? Se quer a verdade, fale a verdade. Onde está seu pai?

MULDER: - Que eu saiba, no inferno.

HUBF: - Acha que eu não sei que forjou a morte dele? Que está o ajudando? Mulder, acho que deveria juntar-se à nós. Seu pai mente. E conseguiu enganá-lo a ponto de tirar seu filho de você. Ele pegou a criança.

MULDER: - (GRITA) É mentira!

HUBF: - Sabe que não, Mulder. Só não quer acreditar. Porque está morrendo.

MULDER: - ...

HUBF: - Ainda quer correr a atrás da verdade. Quer provar a verdade?

Mulder sorri cansado. Aponta a arma na cabeça do Homem das Unhas Bem Feitas.

MULDER: - Eu não quero provar a verdade. Eu já a conheço. Só quero justiça.

Mulder aperta o gatilho.

Fade out (tela escura)

Som de trovão.

Som de vários tiros.


Hotel Califórnia - 5:33 P.M.

Scully acorda-se num sobressalto, chamando por Mulder. Olha pra cama vazia. Scully coloca as mãos no rosto.


5:34 P.M.

[Som: Metal Contra as Nuvens - Legião Urbana]

Mulder sai do depósito. Caminha até o carro. Fisionomia de ódio nos olhos dele. Guarda a arma no coldre. Abre o porta malas. Retira o galão pra fora do carro. Carrega-o no ombro. Entra no depósito. Espalha gasolina por tudo, por sobre os corpos, por sobre as caixas de leite. Atira o galão bem longe. Sai. Puxa a arma. Pega o fósforo e acende um palito. Joga-o no rastro de gasolina. Dá as costas e volta pro carro.

MULDER: - Essa é a justiça que eu conheço. Menos um.

Mulder liga o carro e parte. O depósito incendeia-se rapidamente, queimando tudo.


FBI – Gabinete do Diretor Assistente – 10:32 A.M.

Um dia depois...

Skinner olha pra Mulder.

SKINNER: - Fiquei sabendo que houve um incêndio em uma fazenda do governo na Virgínia.

MULDER: - ...

SKINNER: - Encontraram sete corpos e latas de leite contaminado. E alguma coisa armazenada num contêiner, com a descrição de produto químico. Infelizmente não podemos saber se era o que estava sendo utilizado para matar as crianças.

MULDER: - ... Sete? Sete corpos?

SKINNER: - Algum problema?

MULDER: - ... Não.

SKINNER: - (DESCONFIADO) Sabe de alguma coisa, agente Mulder?

MULDER: - Por que deveria saber?

SKINNER: - ... Depois do ocorrido, as latas de leite enviadas aos orfanatos foram todas recolhidas e destruídas pelo Bureau.

MULDER: - ...

SKINNER: - As crianças não correm mais perigo. O relatório inicial indica que 500 creches do país receberam leite contaminado. O que significa que se algum ‘elemento desconhecido’ não tivesse interferido na história, mais de 3 mil bebês estariam mortos agora. Seja quem foi que fez isto, talvez a própria conspiração deles, uma retaliação, sei lá. Mas o sujeito pode encostar sua cabeça à noite e dormir tranqüilo.

MULDER: - ...

SKINNER: - Tem certeza de que não sabe nada sobre isso?

MULDER: - Não, senhor. Fico feliz que o FBI tenha tido competência para punir os criminosos. Infelizmente, eu não estava lá para ajudar. Estava voltando pra Washington, perdido em mentiras convincentes. Como sempre. Bancando o tolo.

Mulder levanta-se. Abre a porta. Skinner olha pra ele.

SKINNER: - Mulder.

Mulder vira-se pra ele.

SKINNER: - Por causa da chuva forte, não ficaram marcas de pneus no chão. As provas foram limpas pela natureza, que a meu ver, parecia estar protegendo alguma coisa. Como uma cúmplice silenciosa.

MULDER: - ...

SKINNER: - Eu faria o mesmo.

Mulder sai. Skinner sorri. Continua seus afazeres entre papéis.


Arquivos X – 11:48 A.M.

Scully observa Mulder. Ele está sentado, com o olhar distante. Pensativo.

SCULLY: - A espada desapareceu novamente.

MULDER: - ...

SCULLY: - No que está pensando, Mulder?

MULDER: - Em sete corpos.

SCULLY: - (SÉRIA) Deveria haver oito?

MULDER: - ...

Ele abaixa a cabeça. Ela aproxima-se dele. Encosta-se na mesa, ao lado dele. Cruza os braços. Olha para o pôster. Fisionomia séria.

SCULLY: - A polícia local descobriu sete corpos. Como o FBI estava no caso, os corpos foram para Quântico. Como o diretor assistente não gosta de intrusos em investigações pertinentes ao seu departamento, solicitou por escrito que eu fizesse a autópsia.

Mulder olha pra ela, angustiado. Scully caminha até sua mesa. Pega uma pasta. Atira sobre a mesa de Mulder.

SCULLY: - Aí está o meu relatório detalhado. O ângulo das balas, a destreza do atirador. Era um profissional. Com certeza.

MULDER: - ...

SCULLY: - Fiz a autópsia em sete corpos, todos mortos com tiros e incinerados. Trabalho de vingança. Não acha? Talvez um justiceiro, talvez alguém que tenha sentido-se traído... Ou talvez alguém induzido pela força do anjo da morte e da justiça, cumprindo apenas o que Deus pediu: salvar inocentes da lâmina da espada... Quem sabe?

Ele abaixa a cabeça. Engole em seco. Ela sabe. E ela é uma profissional acima de tudo.

MULDER: - (CULPADO) Então você pode identificar o assassino pela arma usada. Pode entregá-lo às autoridades.

SCULLY: - Arma?... Bem, quem sabe?

Mulder olha pra ela.

SCULLY: - (CÍNICA) Afinal, eu não encontrei nenhum projétil nos corpos.

Mulder continua olhando pra ela, incrédulo.

SCULLY: - Quem pode saber, né Mulder?

MULDER: - Como não encontrou?

Ela pega a pasta e guarda num arquivo.

SCULLY: - As balas sumiram ‘misteriosamente’ dos cadáveres. Acho que isto é um Arquivo X. Pelo menos, esta é a minha opinião e a do Skinner.

Mulder abaixa a cabeça. Sorri aliviado. Ela fica na frente dele.

SCULLY: - Onde quer almoçar?

MULDER: - Tô sem fome.

SCULLY: - Vem. A gente toma um sorvete.

MULDER: - ... Eu... Eu só não pude encontrar o nosso filho.

SCULLY: - ... (TRISTE)

MULDER: - ...

SCULLY: - Vem, Mulder.

Ela dá a mão pra ele. Os dois saem de mãos dadas, fechando a porta.


X


04/10/2000

7 de Agosto de 2019 às 00:18 0 Denunciar Insira 0
Fim

Conheça o autor

Lara One As fanfics da One são escritas em forma de roteiro adaptado, em episódios e dispostas por temporadas, como uma série de verdade. Uma alternativa shipper à mitologia da série de televisão Arquivo X. https://www.facebook.com/laraone1

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