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capítulo único

Muito abaixo de zero.

Dois pares de pegada, não na areia, mas na neve, guiavam até a soleira de um casebre em uma vila abandonada. Do atrevimento dado àqueles que se encontram do lado de fora, em plena luz do dia. Só que sem luz. Sem dia.

Gaara e Rock Lee em silêncio, ou quase. Costumeiro, mas incomum.

Gaara começou.

- Está incomodado?

Definitivamente incomum.

Lee o olhou como se tivesse falado o maior dos absurdos, ou como se simplesmente fosse absurdo o fato de falar. Naquele dia, era.

- Entediado. Ficar aqui não adianta muita coisa nesse clima. Digo, ficar parado aqui fora.

- Nos pediram para esperar.

Ele resmungou de imediato com o óbvio que era. Faltava jeito com as palavras e uma forma menos inquieta de ficar simplesmente em pé.

- Mas, por que fora?

Gaara bateu o excesso de neve q se acumulava na manga da sua jaqueta grossa. Foi o único movimento que fez.

- Está frio – constatou, por cortesia. Não era uma resposta.

Lee apenas estalou a língua, trocando o peso entre as pernas novamente, insatisfeito. Nem bolsos tinha para enfiar as mãos, e apenas as sobrancelhas para proteger o rosto.

- Algum sinal deles? - perguntou.

Gaara ergueu seu rosto para o céu escuro do ambiente que, por um raio mínimo de 5 quilômetros, era total e perfeitamente vazio. Ao redor somente milhas e milhas da mais pura e solitária nuance possível no país do Metal.

A cabaça gigante estava no chão, encostada, sem necessidade de uso no momento.

- Apenas... Deserto.

Os olhos de Lee percorreram pelo mesmo caminho, como se pudesse ver o que Gaara não viu.

- Um deserto de gelo.

Era só outra reclamação.

- Preferia que fosse areia?

- Preferia que fosse verde.

Lee tentou bater fora a lama que ensopava suas botas, mas só empurrou o pé dentro do mais fofo gelo. Parado como estava, os olhos de Gaara apenas se voltaram em cima do outro e sua roupa.

- Tem verde.

O riso de Lee se transformou em uma nuvenzinha de vapor em frente ao seu rosto.

- Tem mais vermelho.

Gaara apenas moveu os pés, quase flutuando na neve. Lee e ele tinham alguma diferença de altura, pouca coisa, mas que se destacava quando estava tão perto.

- Talvez... – outra nuvenzinha de vapor, essa se chocou contra sua pele – talvez devêssemos entrar.

Gaara o trouxe para baixo pelo colarinho de sua túnica, suave e imperceptível, e colou seus lábios nos dele.

Era inverno, mas a respiração de Lee contra o rosto de Gaara era quente. Primeiro falhou, e então relaxou. Sentindo a boca deslizar com cautela sobre a sua, as batidas fortes do coração contra suas orelhas fizeram o sangue de Lee correr mais rápido.

Para Gaara, borboletas eram criaturas de verão, então restaram às mariposas assanharem suas asas por dentro de seu estômago. Piegas. Simplista. E a sensação do beijo de Lee em meio à ventania o fazia crer que as mariposas, em algum momento, tinham escapado para suas pernas.

Quando se afastou, viu o calor se concentrar no rosto dele e sentiu a cor subir até os lábios.

Ninguém viu... Deserto.

Enquanto os cabelos ainda esvoaçavam, o silêncio havia voltado. Por um minuto... Cinco, talvez.

Fazia frio como o próprio inferno, mas Rock Lee podia jurar que estava em chamas.

- Mais vermelho, então. – Gaara concluiu.

Com a mão, entrelaçou dedos que não estavam menos frios que os seus próprios, sentindo prazer nas pequenas carícias de gelo que as ataduras fizeram. Suave como um suspiro.

As reclamações cessaram.

Lee enrolou os dedos do pé nos próprios sapatos, um sorriso tentando camuflar o rubor que subia em suas bochechas. Gaara apenas voltou a olhar para o céu.

Kankuro e Temari estavam demorando...

Talvez eles devessem entrar.

9 de Abril de 2020 às 06:40 0 Denunciar Insira 2
Fim

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Políbio Manieri Being alive...

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