E no meio do vazio, o nada Seguir história

mari-tagarro Sandy Lane

Ana Paula Guimarães está desempregada, sem sonhos, sem perspectivas, sem nada. Ela só quer que tudo se acabe o mais rápido possível. - obs: caso tenha depressão, não é recomendável ler essa história.


Drama Todo o público.

#morte #desesperança #tristeza #depressão #gatilho #drama
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1. Realidade bate à porta

Havia duas listas de nomes de funcionários penduradas no enorme painel da entrada da fábrica e cada nome contido ali era uma economia de salário, encargos sociais, vale-transporte, vale-refeição, etc... Todos mandados embora por uma justa causa: a crise. A crise na fábrica, a crise no país do desemprego galopante, a crise no bolso do patrão. Não espera, essa última crise não existia, Pepa tinha certeza. Uma pessoa que ostentava viagens e carros caríssimos não podia estar passando por alguma dificuldade. Duvidava que o patrão soubesse o que era ter uma geladeira quase vazia, apenas com água e um litro de leite disponíveis. Não, esse tipo de gente não sabia.

Com a vantagem de um nome com a letra A, Pepa encontrou facilmente o seu. Ana Paula Guimarães, a mais nova desempregada do Brasil. Iria engrossar uma fila de milhões. Pepa balançou a cabeça, desanimada. Porque ela tivera que nascer num país miserável como aquele, onde as oportunidades eram escassas e quando se conseguia um emprego, ainda vinha gente com um discurso de que trabalhar até destruir a saúde física e mental era um privilegio? Normalmente quem falava isso nunca enfrentara um ônibus cheio às 4:30 hrs da madrugada.

Pepa saiu, mas de cabeça erguida, mesmo que estivesse se sentindo mal por dentro. Perder uma fonte de renda, ainda mais num país tão instável, era algo que tiraria o sono de qualquer um. Mas tinha que ser forte e tratar de procurar um novo emprego. Infelizmente não tinha mais os seus queridos pais e a única familiar mais próxima era sua irmã, Daiane, mas preferia que elas só se vissem ocasionalmente. Daiane não era má pessoa, só que ela gostava de palpitar demais na vida da irmã mais velha e Pepa não tinha mais paciência para isso.

Pepa entregou o crachá de acesso da fábrica e então cortou definitivamente os laços com aquele lugar. Entrou no ônibus, pensou que era um milagre ele estar vazio, mas fazia sentido, já que não era um horário de pico, recostou a cabeça no banco, fechou os olhos e respirou fundo, soltando o ar ruidosamente, enquanto segurava com força as alças de sua bolsa falsificada da Gucci.

5 de Agosto de 2019 às 17:01 0 Denunciar Insira 2
Leia o próximo capítulo 2 . Então é isso, vida

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