S03#10 - PECADO Seguir história

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Mulder está com um comportamento estranho, em relação a Scully. Algo poderia estar acontecendo sem que ela soubesse? E se ele a estivesse traindo? Bem, ele acaba encontrando uma mulher desconhecida que o desperta. Hum, fic misteriosa... Vocês ficarão divagando entre o suspense, o erotismo... Ficarão confusos e eufóricos...


Fanfiction Seriados/Doramas/Novelas Para maiores de 21 anos apenas (adultos).

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S03#10 - PECADO

INTRODUÇÃO AO EPISÓDIO:

Fade in.

Apartamento de Mulder – 7:13 P.M.

[Som: Stevie Wonder – Part-time Lover]

Mulder, vestido de calças jeans, camiseta e jaqueta de couro, ajeita o cabelo molhado de gel na frente do espelho, deixando uma mexa cair-lhe por sobre a testa. Coloca algumas gotas de loção pós barba no rosto.

Batidas na porta.

Mulder termina de ajeitar o cabelo e caminha até a sala. Abre a porta. Scully, ergue as sobrancelhas ao vê-lo daquele jeito.

SCULLY: - (CURIOSA) Nossa! Onde vamos essa noite?

MULDER: - (SURPRESO/ PEGO NO FLAGRA) Scully? E-eu... Eu não imaginava que você viria aqui hoje.

Scully o empurra, numa fisionomia de desconfiança, invadindo o apartamento. Mulder fecha a porta. Vai atrás dela, meio sem jeito.

MULDER: - (FURIOSO) Eu pedi que não viesse aqui. Não quero que venha aqui, eles podem estar monitorando meu apartamento!

SCULLY: - ... Me desculpe, se atrapalhei alguma coisa. Só que estava passando e decidi lhe dizer que estou com problemas na minha família. A irmã da minha mãe está doente e vou vê-la no Kentucky.

MULDER: - ...

SCULLY: - Vai a algum lugar desse jeito, Mulder?

MULDER: - (NERVOSO) E-eu... Eu vou sair com os pistoleiros.

SCULLY: - (DESCONFIADA) Ah! Nessa produção toda?

MULDER: - (CÍNICO) Scully, por favor! Acha que eu trairia você? Que ciúme doentio!

Scully passa por ele e abre a porta.

SCULLY: - Bem, nos vemos na Segunda.

MULDER: - Tá.

Scully sai. Mulder fecha os olhos.

MULDER: - Droga!

Mulder pega o celular e aperta uma tecla. Aguarda, impaciente.

MULDER: - ... (NERVOSO) Oi. Me desculpe, eu tive um problema aqui, mas já estou chegando, me dê menos de uma hora... Não, está tudo sob controle, ela não desconfiou de nada... Tá... Te encontro no local combinado... Desejo você também. Nem imagina o quanto eu te desejo... Não, no meu apartamento é perigoso. Sei que no seu também não dá... Vamos pra um hotel, já arranjei tudo...

Mulder desliga o telefone. Guarda no bolso da jaqueta. Suspira, nervoso.

VINHETA DE ABERTURA: PART-TIME TRUTH...


BLOCO 1:

Apartamento de Mulder - 7:34 P.M.

Mulder anda de um lado pra outro. Tenso, nervoso.

MULDER: - Por que fui topar isso? Estou uma pilha! Aquela maluca! Tá, a ideia foi minha mesmo. Mas nunca imaginei que ela ficaria empolgada com isso!

Mulder serve uma bebida.

MULDER: - Pistoleiros... Jogar com os Pistoleiros...

Mulder bebe tudo num gole. Pega a carteira de cima da mesa de centro.

MULDER: - Acho que não esqueci nada... Ah!

Mulder caminha até o quarto. Volta colocando preservativos na carteira.

MULDER: - Agora sim.

Mulder abre a porta. Apaga as luzes e sai.

[Som: Stevie Wonder – Part-time Lover]

Mulder caminha até o elevador. Aperta o botão.

MULDER: - (DEBOCHADO) Babaca... Scully, como você é ‘inocente’! Fico pasmo com sua inocência...

O elevador abre-se e Skinner está ali. Olha pra ele. Mulder fica nervoso. Skinner fica surpreso ao vê-lo daquele jeito.

SKINNER: - Desculpe, Mulder. Acho que me atrasei.

MULDER: - Skinner, eu... Droga! Esqueci que tínhamos combinado de fazer o relatório do congresso...

SKINNER: - Fiquei de vir mais cedo, se soubesse que estava saindo...

MULDER: - Não, e-eu...

SKINNER: - Bom, eu volto outra hora. Não era nada de urgente mesmo.

Mulder entra no elevador.

MULDER: - Me desculpe, Skinner, mas... Eu não posso adiar.

SKINNER: - Não, não quero atrapalhar seus planos com a Scully.

MULDER: - (NERVOSO) Ah, a Scully... Bem, eu... É, sabe como são essas coisas.

SKINNER: - (DESCONFIADO) Mulder, está tudo bem?

MULDER: - Tá, está tudo bem. Por que não estaria?

SKINNER: - Você está com uma cara de quem está escondendo algo. Tramando alguma.

MULDER: - Impressão sua.

Skinner fica desconfiado. Aperta o botão do térreo. Mulder disfarça, assoviando e colocando as mãos no bolso da jaqueta.


Bar Buffalo Bill - 9:37 P.M.

Mulder estaciona o carro na frente do bar. Um daqueles bares bem isolados da cidade, onde você encontra todo o tipo de gente, desde cowboys até motoqueiros. Mulder desce do carro. Entra no bar.

[Som: Shakin Stevens – Give me your heart tonight]

Mulder olha por todo o lugar, procurando com os olhos.

Vários sujeitos jogam sinuca. Outros, sentados em mesas, bebendo. Outros no balcão. Todos olham pra Mulder. Mulder aproxima-se do balcão.

MULDER: - Uísque. Duplo.

O barman olha pra ele, enquanto serve o uísque.

MULDER: - Nenhuma garota apareceu por aqui...

BARMAN: - Se alguma garota aparecesse por aqui, eu já teria dado o fora com ela.

MULDER: - ... Acho que me atrasei. Droga!

Mulder bebe um gole do uísque, abaixa a cabeça, nervoso.

MULDER: - Eu sabia que isso ia dar errado!

Corta para os jogadores de sinuca, fumando, segurando tacos. As atenções deles voltam-se para a porta. O Cowboy #1 deixa o cigarro cair da boca. O Cowboy #3 esquece que estava virando a cerveja na boca e deixa a cerveja escorrer pelo queixo molhando a roupa.

COWBOY #1: - Meu Deus! De onde essa gata surgiu?

COWBOY #2: - Ô, meu benzinho, eu te pago tudo o que você quiser beber. Casa, comida, roupa lavada e meu salário inteiro!!!!

COWBOY #3: - Vem aqui com o papai, vem...

Mulder vira-se. Arregala os olhos. Faz aquela sua cara de quem viu uma presa indefesa. Vira-se pro barman.

MULDER: - Uau! Acho que vou frequentar esse lugar mais vezes. O público feminino daqui é convidativo.

O barman fica olhando em direção à porta.

BARMAN: - Nunca a vi por aqui antes. Deve estar perdida.

MULDER: - Se ela quiser se perder comigo eu não ficaria furioso.

Mulder volta suas atenções para o copo. Abaixa a cabeça. Pressente a mulher sentando-se ao lado dele.

A câmera não a focaliza. Apenas sua mão sobre o balcão, erguendo o indicador, unhas vermelhas, pedindo uma dose. Mulder olha pra ela, com um sorriso.

MULDER: - Eu pago.

Os homens lá atrás ficam vaiando Mulder. Continuam o jogo. Mulder continua a beber seu uísque, desviando os olhos dela.

MISTERY: - Obrigada.

MULDER: - ...

MISTERY: - Importa-se se eu me sentar aqui?

MULDER: - Não. Mas estou esperando uma pessoa.

MISTERY: - E se ela não vier?

MULDER: - Vou embora.

Close das mãos dela, abrindo uma cigarreira e retirando um cigarro.

MISTERY: - Tem fogo?

MULDER: - Não fumo.

Um dos cowboys se aproxima, ofertando um isqueiro, num sorriso sacana.

Close por trás da mulher. Ela está com seus cabelos negros presos na altura da cabeça. O decote de seu vestido preto e longo de paetês, vai até os quadris. O homem acende o cigarro pra ela, comendo-a com os olhos. Mulder observa. Abaixa a cabeça e a balança negativamente, segurando um sorriso. A mulher sopra a fumaça pra cima.

COWBOY: - Posso lhe ser útil em mais alguma coisa, docinho?

MISTERY: - Não, obrigada... Estou acompanhada desse cavalheiro aqui.

COWBOY: - Ah! ... Mas quem sabe você deixa esse chato e vem comigo? Eu posso te mostrar o que diversão, benzinho.

MISTERY: - Hum, e o que um cara sujo e fedorento como você poderia chamar de diversão? Uma luta de porcos na lama?

Os amigos dele riem lá atrás. Mulder olha pra mulher, boquiaberto. Fica espantado. O Cowboy se afasta emburrado. Mulder continua olhando pra ela.

MISTERY: - Acho que eles estão me despindo com os olhos e, de todos esses homens aqui, você me parece o mais limpo e acho que não pertence a este lugar.

MULDER: - E você? Pertence?

MISTERY: - O pneu do meu carro furou...

MULDER: - Ah!

MISTERY: - É solteiro, senhor...

MULDER: - ... Me chame de Fox.

MISTERY: - Fox... Hábil e rápido como uma raposa?

MULDER: - (ATIRANDO) Se espantaria se soubesse o quanto.

MISTERY: - Hum... Acho que sua companhia não virá... Não quer ir pra um lugar menos sujo do que esse? Acho que nós dois não combinamos com esse lugar.

MULDER: - Nem sei seu nome ainda.

Ela estende a mão pra Mulder.

MISTERY: - Oh, me desculpe. Lady Mistery.

Mulder beija a mão dela, olhando em seus olhos.

MULDER: - (SURPRESO) Ah, Lady Mistery... Qual o mistério, será que posso desvendar? Eu quero descobrir. Adoro um bom mistério. Sou especialista no assunto.

MISTERY: - É casado, senhor especialista em mistérios? Os devo lhe chamar de Scooby Doo?

MULDER: - Pra dizer a verdade eu sou casado sim.

MISTERY: - E marcou com sua amante e levou um bolo?

MULDER: - Por aí.

MISTERY: - Se me der uma carona até o motel mais próximo...

MULDER: - Não saio com vagabundas. Embora você seja uma bem interessante.

MISTERY: - Acha que sou uma vagabunda, Fox?

Mulder olha pra perna dela, cruzando-se sobre a outra, revelando o corte do vestido até a coxa e a liga da meia. Mulder afrouxa a gola da camiseta, nervoso.

MULDER: - ... (GAGUEJANDO) A-b-a-b-a-a...

MISTERY: - Isso não foi uma coisa educada. Não pode me julgar, posso estar querendo ser apenas algo que não sou.

MULDER: - Tá, me desculpe, eu sou um sujeito grosso mesmo. E eu gosto de vagabundas.

Mulder levanta-se.

MULDER: - Acho melhor ir embora.

MISTERY: - Pode me dar uma carona?

MULDER: - Se vai pra Washington...

MISTERY: - (ATIRANDO) Na verdade vou pra Rhode Island. Não quer me levar até lá? Afinal, Fox, amanhã é Sábado e acredito que você não tem programa melhor pra fazer. Que tal curtir a estrada do meu lado?

MULDER: - ...

MISTERY: - (INSISTINDO) Pago a gasolina. E pode ser algo muito interessante.

MULDER: - Pretendia ficar procurando Óvnis pelo céu.

MISTERY: - Posso procurar Óvnis com você.

Mulder sorri cínico. Coloca as mãos nos bolsos da calça jeans.

MULDER: - Não sei. Isso nunca me aconteceu antes. Não costumo sair com mulheres desconhecidas.

MISTERY: - Mas eu não sou desconhecida. Acabamos de nos conhecer.

MULDER: - Eu sou casado, minha mulher não merece isso.

MISTERY: - Qual é o problema? Acha que uma traição não seria interessante? Posso fazer coisas e te dizer coisas que sua mulher jamais faria.

MULDER: - (RINDO) Não tenho mania de caçar em bares.

MISTERY: - Também não. É que você me chamou a atenção. Você se ressalta no meio dessa corja de vagabundos fedorentos.

O barman olha pra Mulder, disfarçando um sorriso malicioso. Mulder olha pra ele.

MISTERY: - Bem, Fox. Estarei lhe esperando lá fora.

Mulder puxa a carteira e a vê se afastar.

Close dela de costas. Ela sai pela porta, rebolando o traseiro, provocativamente. Os cowboys começam a assoviar e a uivarem. O barman olha pra Mulder.

BARMAN: - Ganhou. Não acredito que vai deixar escapar.

MULDER: - Nem eu. Mas...

Mulder coloca o dinheiro sobre o balcão.

BARMAN: - Cara, ela tá no papo! Vai nessa! Vai deixar de fisgar um peixão desses?

MULDER: - Achou ela interessante?

BARMAN: - Interessante? Cara, essa mulher é um pavio! Se você acender a ponta pode se queimar!

MULDER: - Não sei. Ela é estranha.

BARMAN: - E você deve ser louco!

MULDER: - (CURIOSO/ RINDO) Dormiria com ela?

BARMAN: - Eu lamberia os pés dela se ela quisesse cara! Dormir seria a última coisa que eu iria fazer do lado de uma gostosura como essa!

Mulder dá um sorriso.

MULDER: - Bem, afinal o que tenho a perder?

O barman sorri. Mulder sai do bar. Caminha até seu carro.

Close das pernas dela, escorada no carro, apoiando o salto do sapato no pneu. A perna completamente de fora.

MISTERY: - Então, me dá uma carona?

MULDER: - Se subir aí nesse carro vai ter de aceitar minha lei.

MISTERY: - Que lei, Fox?

MULDER: - (TARADO) Ou dá ou desce.

MISTERY: - Hum... Você me parece ser um sujeito bem direto, não é mesmo?

Mulder olha pra ela, de cima a baixo. Com as mãos nos bolsos da calça jeans, os cabelos castanhos escuros caindo sobre a testa e o sorriso matreiro nos lábios.

MULDER: - Então? Quer ou não carona?

Ela afasta-se do carro. Entra na porta do carona. Mulder faz um jeito com as mãos e os braços.

MULDER: - (RINDO) Yes! Acho que isso pode ser mesmo muito interessante!


10:21 A.M.

Mulder dirige, olhando pras pernas dela. A câmera continua sem focalizá-la.

MISTERY: - Então você é agente federal?

MULDER: - Sou.

MISTERY: - Hum, deve ser excitante ver você colocando algemas nos pulsos dos criminosos.

MULDER: - Acha mesmo?

MISTERY: - Sempre tive uma fantasia erótica de ser presa e torturada por um agente federal.

MULDER: - E por que eu a torturaria?

MISTERY: - Por negar informações vitais?

Mulder dá um sorriso malicioso.

MULDER: - Que informações vitais você me negaria?

MISTERY: - A de que sou casada também?

MULDER: - É casada?

MISTERY: - Sou.

MULDER: - E o que faz um monumento de mulher como você, solta por aí? O seu marido deve ter um par de chifres bem longos. Ou é cego.

MISTERY: - Estou fugindo do meu marido. Estamos nos desentendendo muito. Mas não quero entrar em detalhes. Quer falar sobre sua esposa?

MULDER: - A Scully? Não, muito obrigada. Não quero falar dela não. Quero falar de você.

Close ao mesmo tempo em que ela vira o rosto pra fora da imagem, arrumando a mecha de cabelos negros que escaparam da presilha.

Mulder olha para as pernas dela.

MULDER: - Você me perturba. Nem estou prestando atenção nas placas.

MISTERY: - Sério?

MULDER: - Esse seu perfume... Você tem as pernas mais lindas que já vi. O corpo mais perfeito...

MISTERY: - Que cantada barata, agente federal. Não poderia ser mais criativo?

MULDER: - Tá bom... Eu quero passar o resto da minha vida comendo seu arroz empapado, fazer xixi de porta aberta e contar cada pé-de-galinha que for surgindo em volta de seus olhos.

MISTERY: - Essa eu não tinha ouvido ainda.

MULDER: - (RINDO) É uma derivação de ‘eu sou a azeitona da sua empada’.

MISTERY: - Aposto que você fala manso e sorri desse jeito para todas as mulheres. E aposto que as morenas são suas preferidas.

MULDER: - Pra dizer a verdade, eu gosto das ruivas.

MISTERY: - Deve estar dizendo isso porque sua mulher é ruiva, não é?

Mulder sorri.

MISTERY: - Mas ela não está aqui agora, pode elogiar as morenas.

MULDER: - Já tive namoradas morenas e não deu certo. Talvez eu seja supersticioso.

MISTERY: - Você não me parece o tipo que tem problemas com mulheres...

MULDER: - (DEBOCHADO) Como diria uma grande ‘filósofo’ que conheço: ‘o mulherio quando me vê fica indócil’... Mas é algo natural, não tenho controle. Não faço porque quero.

Mulder tira a mão da marcha do carro e passa na perna dela.

MISTERY: - E ainda é atrevido, senhor.

MULDER: - Eu disse, se quer carona...

Ela afasta a mão dele.

MISTERY: - E quem garante que me levará até o destino final?

MULDER: - Sou um homem de palavra.

MISTERY: - E se acontecer algo entre nós e eu acordar sozinha numa cama de motel, bem longe de Rhode Island?

MULDER: - E se eu acordar sozinho, numa cama de motel, com palavras escritas em batom, no espelho do banheiro, e sem minha carteira e o meu carro? E pior: sem minhas roupas?

MISTERY: - Queria ver a quem pediria socorro. Sua mulher te mataria.

MULDER: - (RI)

MISTERY: - Acha que eu faria isso?

MULDER: - Não te conheço, Lady Mistery. Ainda não te conheço.

MISTERY: - Também não te conheço, Fox.

MULDER: - Já disse, sou um homem de palavra.

MISTERY: - Percebo. Meias palavras não fazem parte de seu repleto dicionário de sacanagens.

Mulder olha pra ela.

MULDER: - Como sabe que eu tenho um repleto dicionário nesse estilo?

MISTERY: - Você é alto, bonito, charmoso e gostoso. Por que não se aproveitaria disso?

MULDER: - Já saiu com um agente federal?

MISTERY: - Não.

MULDER: - E como está a viagem?

MISTERY: - Até agora interessante. Mas quem me garante que não está mentindo que seja agente federal? Você pode ser um daqueles tarados estupradores.

MULDER: - E não está com medo de estar vestida desse jeito, num carro, sozinha com um desconhecido?

MISTERY: - Gosto da sua carinha. Me parece inofensivo.

MULDER: - Minha experiência como policial diz que uma ‘carinha’ inofensiva muitas vezes esconde um serial killer. E se eu não for inofensivo?

MISTERY: - Vou arriscar.

MULDER: - Seu marido sabe que fugiu dele?

MISTERY: - Acho que ainda não. É pateta demais. E sua mulher sabe onde você anda?

MULDER: - Não... Eu disse que jogaria boliche com os amigos e acho que ela acreditou.

MISTERY: - Otária... Mas sua mulher tem sorte, sabia?

MULDER: - (CONVENCIDO) Acha mesmo?

MISTERY: - (PROVOCANDO) Tem. Tem muita sorte. Você é um sujeito muito atraente. Você é daquele tipo que se der um sorriso vale a pena levar pra cama. É um troféu. Como eu disse, não devem faltar mulheres pra você.

MULDER: - ... Deixa isso pra lá... Na verdade me encontraria com uma mulher naquele bar e voltaria amanhã. Mas agora que sei que minha esposa ficará fora todo o final de semana, cuidando de uma tia doente em Kentucky...

Mulder olha com um sorriso matreiro pra ela, cheio de segundas intenções.


BLOCO 2:

[Som: Shakin Stevens – Give me your heart tonight]

Mulder dirige o carro. Olha pra ela, malicioso.

MULDER: - Acho que vou passar o final de semana em Rhode Island.

MISTERY: - ... Sério?

MULDER: - Tem parentes por lá?

MISTERY: - Não. Ia visitar uma amiga.

MULDER: - Tenho uma casa em Rhode Island, perto da praia. Se não reparar a bagunça...

MISTERY: - (PROVOCANTE/ SENSUAL) Não trouxe roupas.

MULDER: - Não vai precisar delas.

MISTERY: - Você é o homem mais direto que eu já conheci, Fox.

MULDER: - Bem, falamos tanto sobre mim. Você, o que faz?

MISTERY: - Nada pra ser presa.

MULDER: - (SORRI) E nesse nada, Lady Mistery?

MISTERY: - Bem, eu sou escritora.

MULDER: - (SURPRESO) Escritora? E o que escreve?

MISTERY: - Contos eróticos.

MULDER: - (RINDO) Sério? Escritora???

MISTERY: - Sério.

MULDER: - Então, devo pensar que é uma expert no assunto.

MISTERY: - Sou. Minha editora diz que sou muito criativa.

MULDER: - Acredito que é. E acredito que estou indo pra Rhode Island, com uma desconhecida que escreve contos eróticos. Acho que isto é um sonho. Ou um filme pornô de quinta categoria...

MISTERY: - (SENSUAL) Posso beliscá-lo se quiser.

MULDER: - Deixaria você me beliscar até morrer. Mas já aviso: sou muito sensível a toques femininos.

MISTERY: - É sempre tão galanteador assim?

MULDER: - Só quando estou do lado de uma mulher como você... Não quer mesmo me dizer o seu nome?

MISTERY: - Não. Isso é apenas uma aventura. Você pode se apaixonar e depois correr atrás de mim, me causando problemas... Prefiro que me trate por Lady Mistery. Como se eu fosse uma personagem do meu conto... Mistery está me deixando mais feliz. Mais leve. Ela tira as minhas neuroses.

MULDER: - Esqueci de dizer que sou psicólogo também. Acho que isso é uma fuga da sua personalidade verdadeira.

MISTERY: - Acha mesmo? E o que mais me diria, Dr. Fox?

MULDER: - Acredito que é mais feliz sendo a Mistery do que sendo você mesma.

MISTERY: - Você nem me conhece pra dizer isso.

MULDER: - É, tem razão. Mas acho que está gostando disso. De estar aqui com um estranho, traindo seu marido, nessa roupa provocante e sensual...

MISTERY: - E você, Dr. Fox? Se acha uma pessoa normal, ou está gostando de brincar de adultério?

MULDER: - Não sou uma pessoa normal. Estou gostando disso tanto quanto você. Me deixa excitado. Afinal, quem procurou sou eu, não foi? Você não estaria aqui se eu não topasse isso.

MISTERY: - E supondo que eu seja uma perturbada, o que me receitaria, Dr. Mulder?

MULDER: - Acho que um final de semana do meu lado e você ficaria curada das suas loucuras.

MISTERY: - Ou ficaria mais louca? Que interessante! Acabo de ter uma ideia pra um conto. Psicólogo louco, enlouquece paciente. Ele a aconselha a fazer sexo por 48 horas como terapia... Se você é meu médico, vou acatar seu diagnóstico e seguir a medicação.

MULDER: - Espero que omita meu nome. Sou um homem casado. Minha mulher desconfia até da sombra.

MISTERY: - Vive feliz com ela?

MULDER: - Vivo, embora ultimamente tenhamos tido problemas pra ficar juntos.

MISTERY: - Problemas de que tipo?

MULDER: - Ah, não gostaria de saber. Posso dizer que vivo tentando provar a existência de uma conspiração governamental que oculta a existência de vida alienígena nesse planeta. E que por isso, ela corre perigo. Eles querem toma-la de mim, me derrubar, maltratá-la.

MISTERY: - Hum, Dr. Mulder, acho que é mais louco do que eu... Acredita mesmo em homenzinhos verdes?

MULDER: - E você? Não acredita?

MISTERY: - Acredito que eles são cinzas.

Mulder sorri.

MULDER: - (SACANA) Que tal se parássemos durante a noite? Podemos seguir viagem amanhã. Estou sem pressa, você também... Dois aventureiros, sedentos por um adultério, buscando novas experiências... Eu não presto mesmo, você também não... Eu sou um tarado e você uma ninfomaníaca... Acho que fizemos uma boa dupla.

MISTERY: - O que está me propondo?

MULDER: - Ora, você não é nenhuma garota boba, sabe do que estou falando.

MISTERY: - Costuma transar com desconhecidas?

MULDER: - Não. Mas acho que hoje vale a pena. Você é tão criativa... Minha mulher diz que não sou criativo.

MISTERY: - Meu marido se queixa que sou criativa demais.

MULDER: - Na verdade, eu só tenho teoria. Preciso adquirir prática.

MISTERY: - (JOGANDO) Na verdade eu tenho um pouco de prática, mas me falta a teoria.

MULDER: - Posso te ensinar a teoria se me ensinar a prática.

MISTERY: - Estou gostando. É uma troca justa. Mas aviso, agente federal: hoje eu topo todas. Se quiser desistir, ainda dá tempo.

MULDER: - Não cheguei até aqui pra desistir.

Mulder olha pelo retrovisor do carro. Percebe que um carro o está seguindo. Mulder sorri, maquiavélico.

MULDER: - Gosta de aventuras, Lady Mistery?

MISTERY: - Por quê?

MULDER: - Acho que tem alguém nos seguindo.

MISTERY: - Poderia ser sua esposa?

MULDER: - Tenho certeza absoluta que não é minha esposa nem seu marido.

MISTERY: - Por que se preocupa?

MULDER: - É, tem razão. Não há motivo algum pra me preocupar. Mas não imaginava que eles estavam ainda atrás de mim...


Motel Elko – 11:41 A.M.

[Som: Stevie Wonder – Part-time Lover]

Mulder deitado na cama, coberto por um lençol. Ela levanta-se da cama, nua, com os negros cabelos soltos, que vão até a cintura, encaracolados nas pontas. A câmera a focaliza de costas. Ela entra no banheiro. Mulder exibe um sorriso deslavado no rosto.

MULDER: - (RINDO/PERTURBADO) Eu não acredito! Eu não estou fazendo isso!

Ela grita do banheiro.

MISTERY: - Não acredita ainda? Quer que eu volte pra aí e te belisque todinho?

MULDER: - Você vai voltar pra cá rapidinho, eu sei. Vem aqui, vem.

MISTERY: - Você borrou minha maquiagem...

MULDER: - Você não precisa de maquiagem pra ficar bonita.

MISTERY: - Se eu voltar pra essa cama, não vai restar nada pra sua mulherzinha.

MULDER: - Não gosto que falem coisas pra mim sem me provar a verdade.

Mulder levanta-se, enrolado no lençol. Vai até a janela. Abre a persiana com os dedos. Vê um carro suspeito no pátio do motel.

MULDER: - É, estão atrás de mim... Conspiradores nunca dormem...

MISTERY: - Quer para de olhar pra essa janela? Preciso de você aqui.

Mulder sai da janela. Vai pro banheiro. Escora-se na porta.

MULDER: - E pra quê precisa de mim?

MISTERY: - Pra passar creme pelo meu corpo, depois de um longo banho.

MULDER: - Adoraria passar creme no seu corpo. Mas tenho uma ideia melhor. Vou sair e buscar chantili.

MISTERY: - Não se esqueça dos morangos. Quero comê-los sobre seu peito.

MULDER: - (RINDO) Realmente, você é muito criativa.

MISTERY: - Sua mulher é uma burra. Ou você não faz com ela essas coisas sujas que fez comigo?

MULDER: - Faria todas as sujeiras que você quisesse.

MISTERY: - Foi bom pra você?

MULDER: - Foi ótimo.

MISTERY: - Que tal se fizéssemos algumas sacanagens aqui em cima dessa pia?

Mulder entra no banheiro.

Close da porta se fechando. Escuta-se as risadas dos dois lá dentro.

[Som: Stevie Wonder – Part-time Lover]

Corta para o carro lá fora. Krycek observa o motel. Com um sorriso sacana nos lábios.

KRYCEK: - Mulder, Mulder... Seu filho da mãe safado... Se a ruivinha desconfia...

Krycek pega o celular. Disca.

KRYCEK: - Sou eu... Se ele tá com a ruiva? (RINDO) Tá brincando! Acho que estão separados mesmo. O miserável sortudo tá num motel em Nova Jersey com uma morena de parar o trânsito! (RINDO) Por Deus, é sério! ... Não é piada não... Até estou com inveja!

Krycek desliga o celular. Atira no banco do carro.

KRYCEK: - Fox Mulder... Seu sacana imbecil. Até que enfim me deu ouvidos!

Krycek liga o carro. Vai embora.


12:31 A.M.

[Som: Shakin Stevens – Give me your heart tonight]

Mulder deitado na cama, assistindo TV. A mulher deitada nos braços dele, com o cabelo por sobre o rosto. Mulder a acaricia.

MULDER: - Não tenho vida social.

MISTERY: - O quê?

MULDER: - As pessoas me acusam de não ter uma vida social.

MISTERY: - ...

MULDER: - Tô sendo chato, né? Isso prova o que eu te disse e você não acreditou: As mulheres sempre ficam enlouquecidas por mim, mas quando eu abro a boca, elas saem correndo.

MISTERY: -... Hum, esse é o Fox ?

MULDER: - É. Esse é o Fox.

MISTERY: - Muito prazer, Fox. Não acho que seja um homem que fale besteiras.

MULDER: - Estamos na cama, é natural que você não queira me dizer a verdade.

MISTERY: - Me chama de mentirosa?

MULDER: - Não é isso. Esse é o Fox que você disse que queria conhecer.

MISTERY: - É a primeira vez que pega qualquer uma por aí, sem se importar quem seja?

MULDER: - Não. Já me aconteceu uma vez.

MISTERY: - E como foi?

MULDER: - Estranho. Animal.

MISTERY: - Em que sentido?

MULDER: - No sentido de que você faz sem pensar. Você está louco pra transar e não pensa em mais nada. Depois fica com aquela sensação estranha... Percebe que foi uma noite, pode ser até 30, mas que continua sozinho. Não tem companhia a não ser pra fazer sexo.

MISTERY: - Você é do tipo que sempre quis ter alguém do seu lado?

MULDER: - Não. Eu sempre sonhei em ter alguém do meu lado, mas nunca acreditei que isso fosse possível.

MISTERY: - Por quê?

MULDER: - Porque sou egoísta. Porque tenho minha causa.

MISTERY: - Seu casamento mudou algo?

MULDER: - Mudou. No princípio eu achava que era só tesão. Depois comecei a ver que era mais forte, implicava medo de falar meus sentimentos pra ela. Depois tudo estourou. Ficamos juntos... Engraçado, no início era tudo um sonho, uma coisa que eu achava que terminaria. Não por mim, mas por ela.

MISTERY: - Não acredita que ela ame você?

MULDER: - Não, não é isso. Só achei que ela se cansaria da minha pessoa. Eu não tenho nada pra agradar uma mulher, a não ser o corpo. Por isso sempre usei charme pra me atirar pra elas. Na hora do bem bom, eu fugia com medo. Aquela história do cão que ladra...

MISTERY: - E agora, o que pensa do seu casamento?

MULDER: - Penso que com todos os problemas que enfrentamos, permanecer juntos é um desafio. Tem gente que não se ama e reclama que isso é o maior empecilho do mundo! A gente se ama e o maior empecilho são os outros! Fazendo um análise, acho que de 10 vezes que brigamos, 8 são porque alguém armou alguma e nos colocou um contra o outro.

MISTERY: - Pensa em desistir?

MULDER: - Não. Nem dela, nem da minha vida. Eu sou teimoso. Quando quero uma coisa eu consigo. E eu quero ficar com ela e quero continuar minha vida profissional. E vou conseguir as duas coisas... E o seu marido?

MISTERY: - Meu marido... Meu marido é o tipo do homem que não há classificação existente. Ele também se acha egoísta, mas não acho que seja. Algumas vezes ele até é, mas quem não é egoísta?

MULDER: - E o relacionamento de vocês?

MISTERY: - Sob meu ponto de vista, é tempestuoso. Ora é uma calmaria interminável que parece um sonho. Ora é uma agitação frenética que leva meu estado mental às últimas.

MULDER: - Acho que todos os relacionamentos funcionam assim. Acho que precisa ter pontos altos e baixos, porque ninguém vive completamente feliz.

MISTERY: - É. É um mundo nervoso, sempre digo.

MULDER: - Vai voltar pra ele?

MISTERY: - (RI) Por que não voltaria? Isso é só uma aventura, Fox.

MULDER: - Claro que é.

MISTERY: - Depois, eu fico furiosa com ele às vezes, mas... Sei que ele faz tudo por mim. É meio burrinho e teimoso às vezes, sabe? Acha que ele sempre tem a razão, que ele pode tudo... Mas sei que é porque gosta de mim. Nunca questionei isso. Sei que ele me ama. Mesmo quando me apronta uma daquelas de me deixar descer do salto de raiva, mas... Sei que no fundo, é por mim. Acho que ele tá vivendo em função da minha pessoa e isso é preocupante.

MULDER: - Eu vivo em função dela e não acho que seja preocupante. Embora às vezes, eu passe as noites em claro preocupado com ela. Só que nunca pensei em deixá-la. Nunca penso: Ah, Scully, se você não me atrapalhasse tanto...

MISTERY: - (SORRI) ...

MULDER: - Na verdade, ela não me atrapalha. Os outros é que nos atrapalham.

MISTERY: - Costumo dizer que meu marido não é um fardo pesado. Apesar de que muitas vezes não consigo entrar na cabeça dele.

MULDER: - Por quê?

MISTERY: - Ele me parece complexo demais, sabe? Nada pode ser azul. Tudo é verde misturado com amarelo.

MULDER: - (RINDO) Sério? Pensa isso?

MISTERY: - É. Mas são essas coisinhas que me atraem nele. E fico apaixonada quando ele me protege...

MULDER: - É bom saber disso. É bom saber que mulheres como você gostam de se sentirem seguras. Assim sei que a minha mulher também gosta.

MISTERY: - Bem, se eu entendi, ela é uma mulher indefinida. Você nunca sabe o que se passa na cabeça dela.

MULDER: - Não. Nunca sei mesmo. Ela sabe até o que eu estou pensando, mas eu tenho dificuldade às vezes de entendê-la. Quando espero que ela vá fazer uma tempestade por causa de uma coisa, ela não faz. Quando acho que ela vai rir, me dá um tapa.

MISTERY: - Não acha que é bom esse mistério?

MULDER: - É claro que é bom ter mistérios. Mas também é bom descobri-los.

Ela acaricia o peito de Mulder, ternamente.

MISTERY: - O que diria pra ela?

MULDER: - Como assim?

MISTERY: - O que te incomoda? O que falta? Os aspectos negativos do relacionamento de vocês?

MULDER: - Primeiro lugar: se eu disser não toque, não toque. Se eu disser: perigo, saia correndo. Mas ela é teimosa. É como se eu insistisse pra ela não colocar a mão no fogo que vai se queimar. Ela vai lá e põe. Nem que se queime toda, mas ela tem que colocar a mão.

MISTERY: - Hum, acho que pensa ser o dono da verdade.

MULDER: - Não é isso. Eu só falo de uma coisa quando tenho certeza absoluta. Isso não se aplica à minha vida profissional, é claro. Mas no caso dela é sério. Tenho tanto medo de perdê-la que analiso todas as probabilidades antes. E quando tenho a certeza de que vai terminar mal eu digo. Mas ela é surda.

MISTERY: - ... Quem sabe ela tenta mudar isso?

MULDER: - E você? O que diria pro seu marido?

MISTERY: - Diria pra ele se esquecer um pouco do maldito trabalho e viver mais. Ele não vai mudar o mundo sozinho. Mas poderia mudar a minha vida. Mas ele é como a sua mulher, Fox. Teimoso e surdo.

Os dois riem. Mulder vira-se pra ela e a abraça.

MISTERY: - Pode continuar sua filosofia sobre os dogmas da existência humana, dos relacionamentos complexos...

MULDER: - Sou incapaz de resistir a um desafio. Quanto mais difícil, mas valente eu fico. Funcionou assim com a Scully. Quando eu quero, eu tenho. Sou obsessivo. Apesar de que também sou um manteiga derretida, algumas vezes sinto que carrego o mundo sozinho nas minhas costas.

MISTERY: - Por que foi pegá-lo então?

MULDER: - Boa pergunta. Não sei.


BLOCO 3:

2:17 A.M.

Mulder dirige o carro.

MULDER: - Não. Existem segredos que não posso falar pra ela.

MISTERY: - Não sentiria um alívio maior?

MULDER: - Não. É aquela coisa que eu disse à você do não ponha a mão no fogo, me escute.

MISTERY: - (RI)

MULDER: - ...

MISTERY: - Estou adorando essa experiência. Se soubesse que era tão bom, já o teria feito antes.

MULDER: - É recíproco.

MISTERY: - Já traiu antes?

MULDER: - A minha mulher? Não. Nunca. Quer dizer, uma vez, mas não considerei traição. Foi um fenômeno estranho.

MISTERY: - Já traí meu marido duas vezes.

MULDER: - (INCRÉDULO) Duas?

MISTERY: - (RI) É. Esta e com um outro homem. Mas ele sabe. Nunca me recriminou por isso.

MULDER: - E qual dos dois amantes foi o melhor?

MISTERY: - Casos diferentes.

MULDER: - Devo levar isso pro lado pessoal?

MISTERY: - Não, em hipótese alguma. Mas confesso que tive uma queda pelo outro.

MULDER: - Pensa nele ainda?

MISTERY: - Penso com ternura, sabe? Penso que ele merecia tanto e nunca teve o que merecia. É uma ternura. E você, costumava trair suas mulheres?

MULDER: - Tenho um amigo, o Frohike, que é uma figurinha. Ele conseguiu definir bem a minha situação com as mulheres. Um dia, num desses papos que você tem enquanto toma uma cerveja, ele me disse: Mulder, você é especialista em arrumar mulheres pros outros comerem.

MISTERY: - (RI)

MULDER: - Sério. E acho que o Frohike tem razão. Eu arranjava as garotas, pagava a diversão, mas quem ganhava eram os outros.

MISTERY: - Sério?

MULDER: - Acredite. Eu costumava ser fiel. Até que uma louca foi parar na minha vida e depois disso, achei que tinha de revidar as traições de Phoebe. Nem que não o fizesse, mas tinha que deixar no ar. Vingança. Depois me apaixonei por Diana, outra doentia. Não tão louca, mas cínica o suficiente. Era amor e ódio, terminou não dando certo. Éramos muito iguais, os mesmo gostos. Não havia surpresas, não havia cumplicidade, tudo era sério demais. Daí ela começou a... Ciscar fora. Não deu mais. Então conheci a Scully. Mas fiquei com o pé atrás. Tudo bem, ela era diferente, me passava a segurança que as outras doidas não passaram... Mas eu achava que tinha uma louca ali também. Mas eu queria descobrir. E de novo fiquei cego e apaixonado, torcendo pra não quebrar minha cara. E não quebrei. Tem uma louca ali sim, mas eu sei que é a minha louca. Ela só é louca comigo. Ela é uma lady. Um homem sabe a diferença.

MISTERY: - Eu comecei bem. Traí o meu primeiro namorado.

MULDER: - (RI) Sério?

MISTERY: - Ah, por favor! Não era todo o dia que o ídolo do time de futebol do colegial olhava pra você. E mesmo ouvindo os avisos, eu ignorei. (ÓDIO) Como me arrependo, nem quero falar nisso. Só não me arrependo mais porque não era mais virgem. Se tivesse perdido minha virgindade pra aquele canalha, eu acho que hoje seria freira!

MULDER: - (SÉRIO) Tão ruim assim?

MISTERY: - (MAGOADA) É. Ruim é pouco.

MULDER: - Não quer falar mesmo? Eu queria saber o que te fez ficar furiosa com o ídolo do time de futebol...

MISTERY: - (MAGOADA) Ora, você é uma garota, tá? Não é das mais bonitas e sensuais da escola e de repente o cara mais lindo, o mais cobiçado por todas está caindo de quatro nos seus pés, você nem pensa duas vezes. Adolescentes são burras! Depois que ele... Depois que conseguiu o que queria, fiquei sabendo que eu era uma aposta.

Mulder olha pra ela, compadecido.

MULDER: - Por isso você me disse que tinha medo de homens bonitos?

MISTERY: - ... Agora respondi sua pergunta.

MULDER: - (ESMURRA O VOLANTE COM RAIVA) Que cara mais canalha!

MISTERY: - (ÓDIO) Tenho nojo de lembrar dele até hoje! O desgraçado foi tão convincente, tão perseverante! Ficou um mês me tentando, se fazendo de apaixonado, chegou até a frequentar a minha casa, adular meus pais. Tudo pra não perder... Meia dúzia de cervejas!

MULDER: - (RAIVA) Juro que se eu pegasse esse desgraçado eu o mataria.

MISTERY: - (IRRITADA) E você? Você devia ser o centro das atenções também. Aposto que as meninas ficavam enlouquecidas com seu físico, jogando basquete. Quantas latas de cerveja apostou com os amigos pra levar a mais feia e sem graça da escola pra cama?

MULDER: - Acho melhor perguntar pras garotas do colegial quantas latas de cerveja elas apostavam pra levar o CDF de óculos e alienado pra cama.

MISTERY: - (INCRÉDULA) Não, pára com isso! Você tá brincando comigo.

MULDER: - Eu era o excluído. Todo mundo ria de mim, embora na hora das provas, você precisava ver como eu tinha amigos!

MISTERY: - Mas você é bonito!

MULDER: - Nem sempre fui bonito. Acho que nesse aspecto a idade me favoreceu. E beleza não é algo exterior, sabia? Você pode ser bonito por fora, mas se não se sente bonito por dentro, se não se sente feliz, ninguém vai notar nada. E principalmente se coloca uns óculos na cara. Pra dizer ao mundo: me esqueçam!

MISTERY: - Por que fazia isso? Você tinha tudo pra ser o gostosão! ... Algo a ver com a irmã de quem me falou?

MULDER: - Se ela não estava vivendo essas coisas, por que eu teria o direito de viver?

MISTERY: - ...

MULDER: - Ela estava em algum lugar sofrendo, por que eu iria ficar vivendo feliz se a culpa era minha?

MISTERY: - ... Ainda acha que é culpado?

MULDER: - Não, agora minha culpa foi embora. Mas naquela época era horrível conviver com essa culpa. Olhar pra todos e pensar: Puxa, minha irmã não tem isso. Ela não come sorvete, ela não tá estudando, ela não está com as amigas falando sobre namorados... Ela não tá vivendo seus sonhos de menina. Por que eu vou viver meus sonhos?

MISTERY: - Você se torturava demais, sabia?

MULDER: - Chame de culpa do sobrevivente. Imagine que você está num avião agora e esse avião cai, matando muitos e só você fica viva? Você passará o resto da vida se perguntando por quê? O que eu tenho de especial? Essa é a verdade que eu descobri. E confesso, preferia não saber. Porque se sou sobrevivente, é por um motivo alheio a minha vontade. Posso não ter culpa de ter sido o sobrevivente, mas eu me sentia culpado com isso. Mas agora, eu quero mostrar que escolheram o sobrevivente errado.

MISTERY: - Não acha que é uma vingança contra você mesmo?

MULDER: - Acha que ligo pra mim? Eu não tenho amor próprio!

MISTERY: - Já pensou que a sua mulher tem razão? Você é um egoísta. Se pedirem pra se atirar num poço, você se atiraria?

MULDER: - Tenho algo a perder?

MISTERY: - Você não. Só vai perder sua vida medíocre, que nada vale pra você mesmo. Mas a Scully tem tudo a perder. Porque tem um sentimento profundo por você. A sua vida pode não fazer nenhuma diferença pra você. Mas faz pra ela. Ela respira porque você respira. Ela vive porque você deu vida pra ela. Mas e daí? Quem se importa? Você não se importa. Tanto faz se viver ou morrer. É só pra ela que vai doer mesmo.

MULDER: - ...

MISTERY: - Você é egoísta.

MULDER: - Me desculpe.

MISTERY: - Não é a mim que deve pedir desculpas. Peça a ela.

MULDER: - Tem razão. Você tem razão, ela tem razão, todos têm razão. Eu sou egoísta.

MISTERY: - Acho que no fundo você tem medo da morte, sabia? Você apenas brinca com ela e sai dizendo essas coisas porque está com raiva. Na verdade, você não se jogaria no poço. Sabe por quê?

MULDER: - Por quê?

MISTERY: - Porque você só se jogaria no poço se ela te pedisse ou se a vida dela dependesse disso.

MULDER: - Como pode ter tanta segurança de que eu faria isso por ela?

MISTERY: - Eu tenho.

MULDER: - ...

MISTERY: - Como sei que você também tem. Como sei que você tem certeza de que ela cairia por você.

MULDER: - ...

MISTERY: - Tem essa certeza também?

MULDER: - Tenho. Sei que ela cairia por mim. Sei que eu cairia por ela. É por isso que tenho de segurar esse problema. Não é porque sou auto-suficiente não. É porque eu quero evitar que ela caia. Me entende agora?

MISTERY: - ... Entendo.

MULDER: - Entende por que eu não quero preocupá-la?

MISTERY: - Eu entendo, só não entendo porquê agora. Você mesmo disse que tantas coisas ruins já aconteceram, que vocês planejam tudo juntos a ofensiva, o ataque. Por que esconder dela algo tão sério justamente agora?

MULDER: - Não vou te dizer.

MISTERY: - ... Tá, não diga. Mas se isso que você sabe e não quer me dizer, acontecer, acha que ela não vai saber um dia?

MULDER: - ...

MISTERY: - Acha que ela não vai descobrir?

Mulder esmurra o volante.

MULDER: - Eu estou evitando que aconteça!

MISTERY: - Mas e se não conseguir?

MULDER: - ... Eu preciso conseguir, eu tenho que conseguir.

MISTERY: - ... Tudo bem, vamos mudar de assunto. Não estamos aqui pra falar de sua mulher ou do meu marido. Estamos aqui pra falar de nós. Estamos aqui pra conhecer um ao outro. Pra agir como dois malucos por aí, sem destino. Pra fazer sexo. Isto é uma aventura e está virando um jogo de ‘deite-se no divã’.

MULDER: - Me desculpe, eu comecei.

MISTERY: - Tudo bem, eu é que peço desculpas. Eu comecei com isto e sou tão culpada quanto você. Porque estou aqui nesse carro, do teu lado, pensando que estaria ao lado de um homem completamente desconhecido pra mim e que no entanto não é.

MULDER: - Acho que você me conhece mais do que eu podia supor. Eu estou em desvantagem... Vai, fala de você. Deve ter coisas pra me contar.

MISTERY: - ... Não quero falar nada. Pára esse carro. Eu quero fazer amor com você.

MULDER: - Como pode querer fazer amor com um cara como eu?

MISTERY: - Coisas do destino, Fox. Nem tudo tem explicação, não é mesmo? O coração sempre arrasa a razão, o que é preciso, ninguém precisa explicar.

Mulder pára o carro no acostamento. Olha pra ela e se atira em seus braços.

MULDER: - Acho que também te amo, sabia, Lady Mistery?

MISTERY: - Acho que te amo também, Fox.

MULDER: - Que tal se a gente parasse de falar essas coisas e fosse procurar uma confusão por aí, pra sair do convencional de vez? Não é esse o propósito?

Mulder liga o carro. Dirige em silêncio. Ela não diz uma palavra. Mantém os cabelos sobre o rosto, fora do ângulo da câmera.

[Som: Blues Brothers – Peter Gunn Theme]

Mulder passa por um galpão enorme. Vê o micro-ônibus da Banda “Blues Brothers”. Observa as luzes acesas do galpão. Policiais circulando por ali no meio dos caipiras.

Mulder freia o carro bruscamente. Lady Mistery quase bate no vidro.

MULDER: - (DOIDO POR CONFUSÃO) Gosta de festa country?


3:12 A.M.

[Som: Blues Brothers - Rawhide]

Salão cheio de caipiras vestidos em roupas country. O pessoal dançando animado e bebendo cerveja.

A banda tocando, os dois vocalistas de ternos pretos e óculos escuros (Os Irmãos Cara de Pau). O vocalista gordinho estalando o cinto de couro, fazendo cara de mau.

Mulder passa por entre as pessoas, segurando duas canecas de cerveja. Senta-se à mesa. Mistery está cabisbaixa. Mulder empurra a cerveja pra ela.

MISTERY: - Essa banda só sabe tocar a música tema do programa Couro Cru? É a única música do repertório?

MULDER: - Não sei por que, mas tenho a sensação de que conheço essa banda de algum lugar... Quer dançar?

MISTERY: - Sabe dançar country?

MULDER: - Garota, está falando com o professor da Dolly Parton!

Mulder levanta-se. Estende a mão pra ela.

MULDER: - Vem, Lady Mistery. Não deve ser tão difícil dançar. Além do mais, essa gente aqui tá se divertindo tanto que eu acho que vale a pena. Não faço isso com a minha mulher. Dizem que certas coisas só se faz com a amante.

Mistery segura na mão dele.

MISTERY: - Dançar Couro Cru é o mais perto que já experimentei de uma relação sadomasoquista...

MULDER: - Vamos lá, hoje estamos querendo confusão. Estou me sentindo um adolescente. Pena que não trouxe minhas botas e meu chapéu.

MISTERY: - Vai arranjar muita confusão. As pessoas não param de olhar pro meu vestido de paetês num lugar como esse.

MULDER: - Estamos na América, você pode ser o que quiser. Vem...

MISTERY: - Sei disso, mas tem um monte de homens me olhando...

MULDER: - Não gosta que olhem?

MISTERY: - Claro que gosto, mas não sei se você se sente bem com isso.

MULDER: - Adoro que te cobicem. Fico excitado com isso. Não é todo o dia que desfilo por aí com uma mulher como você.

MISTERY: - (RINDO) Sério?

MULDER: - Sério.

Ela sorri, empacando.

MULDER: - Vem...

Mulder a puxa pra pista de dança.


3:33 A.M.

[Som: Blues Brothers – Rawhide]

Os dois dançam abraçados. Ela com a testa recostada no peito dele.

MULDER: - Acho que perdi 10 quilos hoje de tanto que pulei.

MISTERY: - Você é um desastre como dançarino. Mas menos pior que ouvir essa música consecutivamente! Será que esses caras são músicos de country mesmo? Ou trocaram a banda?

A polícia entra no lugar. Ao lado da polícia uma banda de músicos country, vestidos apenas de chapéus e cuecas. Um deles, com as mãos amarradas aponta para a banda no palco. Os dois vocalistas sobre o palco se entreolham e vão recuando procurando uma saída com os olhos.

MULDER: - Também engano no tango.

MISTERY: - Imagino...

MULDER: - Mas deixa o tango pra uma próxima vez.

MISTERY: - Fiquei curiosa.

Um sujeito passa por eles. Um enorme dum careca, gordo, com barba. Parece uma picape 4X4 com tração nas quatro rodas. O cara passa a mão no traseiro de Mistery. Mulder olha incrédulo pro cara. Ela o segura.

MISTERY: - Fox, sem confusão...

MULDER: - Não, eu não vou deixar passar essa não.

MISTERY: - Fox, por favor! Olha o tamanho dele!

MULDER: - E daí? Sou mais alto.

MISTERY: - Mas olha a força do sujeito! Não gosto de carne de raposa moída. Não vou juntar seus pedaços do chão!

Mulder solta-se dela, furioso e cutuca o cara pelas costas. O cara vira-se pra ele, com uma cara de poucos amigos.

JAMANTA: - O que foi?

MULDER: - Costuma passar a mão assim nas mulheres que não conhece?

JAMANTA: - Quem é você?

MULDER: - E quem é você?

JAMANTA: - Meu nome é Jamanta.

MULDER: - Ok, Jamanta, gostou do que fez?

JAMANTA: - Por quê? Tá interessado que eu faça com você também?

MULDER: - Não. Estou curioso pra saber como é sentir a bunda da sua irmã nas minhas mãos. Aposto que ela adoraria.

Fade to black. (tela escura)

[Som: Blues Brothers – Peter Gunn Theme]

[Barulho de cadeiras, mesas, gritos, garrafas quebradas, cordas de instrumentos musicais arrebentadas e gritaria]

Fade to up. (tela abre)


Motel Providence – Connecticut – 4:16 A.M.

[Som: Blues Brothers – Peter Gunn Theme]

Dois vocalistas fugitivos correm pelos fundos do motel, passando pela janela de um dos quartos.

Dentro do quarto, Mistery, de costas pra câmera, sentada na cama, limpando os lábios de Mulder, sujos de sangue.

MULDER: - Acho que fui atropelado por uma ‘jamanta’...

MISTERY: - Vou buscar gelo, Fox, seu encrenqueiro.

Ela sai do quarto. Mulder põe a mão no olho roxo.

MULDER: - Ai! Ai! Não dá! Mulher gostosa é confusão na certa! Agora eu entendo porque mulher bonita só tem cara feio. Eles ficam feios de tanta porrada que levam dos outros caras.

O celular de Mulder toca. Mulder senta-se na cama, nervoso.

MULDER: - Não. Não vou atender.

Mistery entra o quarto. Senta-se de costas pra câmera. Passa gelo no olho dele.

MULDER: - Ai! Isso dói!

O celular continua tocando.

MISTERY: - Não vai atender?

MULDER: - Não.

MISTERY: - Puxa, você vai aparecer em casa com esse olho roxo?

MULDER: - Tenho explicações convincentes pra ele.

MISTERY: - (RI) Queria ouvi-las.

MULDER: - (RI) Vai ouvi-las... Ai, isso dói! Mas eu defendi você, não? Eu sou um cavalheiro.

MISTERY: - Você é um imbecil!

MULDER: - Mas corajoso.

MISTERY: - Corajoso? Quando a coisa ficou feia você me pegou e saiu correndo pro carro!

MULDER: - É que eu tenho uma filosofia: é melhor escapar fedendo do que morrer cheiroso. Mas eu bati nele!

MISTERY: - Eu sei. Eu vi quando sua cara esmurrou o punho dele.

MULDER: - Ah, não mente!

MISTERY: - Tá bom, adorei ver você batendo naquele sujeito. E concordo que é melhor escapar fedendo mesmo, principalmente depois que os três irmãos dele chegaram.

MULDER: - Concorda comigo, né? Quatro jamantas contra um Volkswagen não ia dar certo.

MISTERY: - Você não é um fusca. Acho que é uma BMW.

MULDER: - Hum... Mas mesmo assim, uma BMW não teria chances.

MISTERY: - Ah, não teria. Pronto. Acho que não vai ficar mais feio do que está.

Mulder deita-se na cama. Ela deita-se ao lado dele, colocando a perna por sobre seu corpo. Mulder a envolve nos braços.

MULDER: - (MANHOSO) Tô sofrendo.

MISTERY: - Seu manhoso.

MULDER: - Tô... Snif... Tô dodoizinho.

Ela beija-o.

MISTERY: - Melhor?

MULDER: - Um pouquinho.

MISTERY: - Acho que não vai chegar apenas com esse olho roxo em casa, Fox.

Ela começa a chupar o pescoço dele. Mulder fecha os olhos.

MULDER: - Por favor, abaixo do colarinho da camisa ou vão rir de mim no FBI. Vou ter problemas!

MISTERY: - Vou chupar você todinho até sair daqui numa maca.

MULDER: - Apaga a luz! Apaga a luz depressa, antes que você mude de idéia!


5:18 A.M.

[Som: Shakin Stevens – Give me your heart tonight]

Mulder deitado na cama. Ela sobre ele, movendo seu corpo sem parar. Mulder fecha os olhos, suando muito. Geme baixinho.

Close das mãos dela, unhas longas e vermelhas, deslizando pelo peito e ombros de Mulder, repetidas vezes, o acariciando. Desliza a mão por seu rosto. Empurra a franja dele pra trás. Mulder está em êxtase, cansado, ofegante. Mas resiste.


BLOCO 4:

Sábado - 8:36 P.M.

Ela, deitada na cama. A câmera focaliza apenas suas pernas nuas.

Mulder, sentado numa poltrona, ao lado da cama. Observa-a, enquanto come sementes de girassol.

MISTERY: - Acho que então, eu desvalorizei o meu passe.

MULDER: - Ah, desvalorizou nada. Isso não desvaloriza. Pelos menos eu penso assim. Embora muitos homens ainda se mantenham na filosofia das puras e inocentes. Eu gosto das inocentes sacanas.

MISTERY: - Foi o primeiro homem com quem eu fui fundo...

MULDER: - ... E sentiu-se bem com isso?

MISTERY: - Senti. Mas ele foi o primeiro e o último. Depois dele, nunca mais. Até que conheci meu marido. Tive medo, ainda tenho um pouco...

MULDER: - Quem não tem medos? Eu, por exemplo, tinha medo de me acharem gay, porque nunca ninguém me via com uma mulher.

MISTERY: - (RINDO) Sério?

MULDER: - Apesar de que não ligo muito para o que os outros dizem e não tenho nada contra homossexualismo, algumas vezes você acaba enredado nas amarras da sociedade. Então, a minha fama de tarado. Pra não perder a fama, eu tinha uma agenda enorme.

MISTERY: - Quão grande?

MULDER: - Fazia inveja, acredite. Mas eram amigas, parentes ou... (RI DE SI MESMO) Nomes aleatórios do catálogo telefônico.

Ela ri.

MULDER: - Algumas até eu saía. Mas eram as fixas, sabe? Aquela meia dúzia que você conhece, que de seis acaba dormindo só com uma... E muitas vezes, nem as fixas queriam... Mas tudo bem. Eu posso ter nascido nu, mas nasci contente.

MISTERY: - ... (RINDO) Tô adorando brincar de analista. Precisava disso.

MULDER: - Eu disse que curaria a sua loucura. Nem que você precisasse colocar o dedo na tomada.

MISTERY: - Terapia de eletrochoque?

MULDER: - Vai, fala mais. Fala o que te vier na cabeça, o que acha importante pra você falar.

MISTERY: - Ora, Dr. Fox Freud... Psicólogos são mais loucos do que pacientes.

MULDER: - Eu sei. Por que acha que como essas sementes? Segundo Freud é um símbolo fálico. Talvez represente a minha incapacidade de me entregar às mulheres. Talvez um desejo homossexual reprimido.

MISTERY: - Sente isso?

MULDER: - Não, mas talvez não signifique que eu não o tenha no meu subconsciente. De acordo com a Psicanálise, eu tenho tudo pra ser gay. Pai opressor, mãe oprimida. Já sentiu desejo por mulheres?

MISTERY: - (RI) ...

MULDER: - Fala. Qual é o problema? Afinal de contas, estamos aqui conversando tudo isso porque minha mulher não está aqui e seu marido também não. Ou acha que eu teria coragem de falar essas coisas com a Scully?

MISTERY: - E tem coragem de falar comigo?

MULDER: - Não falei?

MISTERY: - Eu ri porque achei engraçado... Não, eu não tenho desejos por mulheres. Mas tenho obsessão por homens.

MULDER: - Obsessão?

MISTERY: - Acho que não é obsessão. Acho que é medo de envelhecer só.

MULDER: - ...

MISTERY: - ... Eu quero sentir prazer. Eu preciso destrancar o prazer que carrego dentro de mim.

MULDER: - ...

MISTERY: - Isso é perturbador.

MULDER: - Por quê? Acha que não tem direito de sentir prazer?

MISTERY: - ... Sempre vivi fugindo dele pra não magoar ninguém. Eu... Eu queria comer até estourar, mas não queria que minha mãe achasse que eu estava gorda. Eu queria beber até cair, mas pensava no quanto meu pai poderia sofrer se eu chegasse bêbada em casa. Eu queria blasfemar contra Deus, eu queria fazer sexo sem culpa...

MULDER: - Queria? Você não quer mais?

MISTERY: - ...

MULDER: - ‘Queria’ serve como uma forma de se proteger do que pensa. Da vergonha de admitir o que você é e o que você quer.

MISTERY: - ... Eu estou cansada disso.

MULDER: - Claro que está. Você parece que empurra um caminhão cheio de gente e onde você fica nessa? Vai continuar se preocupando com esses folgados?

MISTERY: - Como você falou, eu não sou essa mulher. Ela é apenas parte de mim, Fox. Eu quero que ela desperte, ela me parece mais livre.

MULDER: - E o que é liberdade pra você?

MISTERY: - Vejo você, por exemplo. Pelo que sei, você sempre viveu pelo prazer. Você nunca se deu ao luxo de pensar nos outros, mas em si. Em seu prazer. Não que você não seja um altruísta, você é. Mas você sabe a diferença entre ser bom para os outros e ser bobo dos outros. Me fala se estou errada.

MULDER: - Bem, eu concordo com você. Nunca deixei de fazer o que queria com medo de magoar minha família. Se quero me entupir de doces, eu vou me entupir de doces. Prazeres gastronômicos, prazeres da vaidade, da luxúria.

MISTERY: - Entretanto, que prazeres sexuais você tinha?

MULDER: - Fitas. Revistas. Alguma transa eventual. Na verdade eu quero prazer que não dependa de uma segunda pessoa. Entende?

MISTERY: - Interessante...

MULDER: - Ninguém vai me dizer: Mulder, você tem que parar de tomar Coca-Cola. Eu gosto de Coca-Cola. Eu vou comprar minha Coca-Cola, sem ninguém saber disso, eu não dependo de ninguém. Se eu quero comprar uma camiseta justa, eu compro. Vou usá-la, não tenho ninguém que vá dizer: Mulder, você não combina com essa cor, isso não ficou legal em você. Se eu quero transar, já depende de outra pessoa... (RINDO) Talvez achei a explicação pras revistas...

MISTERY: - ... (RI)

MULDER: - Por isso a felicidade que brilha nos meus olhos. Eu achei alguém que não me tira o prazer. A Scully me dá liberdade, ela não me censura. Sei que se eu tocá-la de outra forma, ela não me interpretará com regras morais. A única coisa é que ela me censura com o que eu como. Mas eu confesso que a censuro também. Eu sou doido por doces e ela fica estressada!

MISTERY: - ... Invejo você, sabia? Queria ser assim livre, sem amarras...

MULDER: - Posso te ensinar a viver livre, a viver pelo prazer. Mas esta é a minha verdade e não a sua. A sua verdade você tem que descobrir. Não pode viver a verdade dos outros.

MISTERY: - Eu não quero viver totalmente pelo prazer, mas eu quero sentir um pouquinho dele. Ele falta na minha vida. O único prazer que tenho é o de cuidar do meu corpo e de fazer sexo.

MULDER: - Isso não se define no conceito de luxúria?

MISTERY: - ...

MULDER: - E luxúria não é pecado?

MISTERY: - Dizem que é.

MULDER: - Então? Se gosta da luxúria por que ainda diz que não soltou as amarras?

MISTERY: - ...

MULDER: - Sabe o que é pecado? Vou te dar a minha visão de pecado, mas não quero que aceite isso. Pense por você, como deve ser. Pra mim, pecado é fazer tudo o que a sua consciência acuse.

MISTERY: - ...

MULDER: - Se você transou com um desconhecido e isso te fez bem, não é pecado. Se você bateu em alguém e aquilo não acusou na sua consciência, não é pecado. Todos nós temos um bip na cabeça que nos avisa do que não nos faz bem. Pode dizer que esse bip então, é o detector do pecado. Quantas vezes você deixou de fazer algo que queria e se remoeu por não ter feito?

MISTERY: - Muitas vezes.

MULDER: - Isso é pecado. E pecado contra você mesma.

MISTERY: - É bom conversar com um psicólogo, sabia?

MULDER: - (SORRI) Não sei se esta consulta vai te ajudar.

MISTERY: - Vai. Acredite. Eu precisava falar isso com alguém. Você veio pra que eu pudesse falar essas coisas... Mas foi o que eu disse no início dessa conversa, Fox...

MULDER: - Acho incrível o poder de persuasão de todos os instrumentos do sistema, que nos catalogam, nos põem em categorias específicas. Desde religiões até partidos políticos, agremiações, rodas de biriba... Acha que uma beata, por exemplo, que... Me desculpe a expressão, ‘enche o bucho de hóstias e reza até criar feridas nos joelhos’ e depois vai pra casa, discute com o marido, bate nos filhos e faz fofoca dos vizinhos... Isso é uma contradição, entende? Isso é o que eu chamo de hipocrisia.

MISTERY: - Acha que sou hipócrita?

MULDER: - A sua consciência acusou?

MISTERY: - ... Acusou.

MULDER: - Então decida o que fazer com esse pecado.


Domingo – 11:49 P.M.

[Som: Stevie Wonder – Part-time Lover]

Mulder deitado na cama, entre os lençóis. Olha pra Mistery, que veste a roupa. Olhos tristes.

MULDER: - Tem certeza que precisa ir?

MISTERY: - Claro. Você já estragou meus planos no final de semana. Nem chegamos em Rhode Island. Acabei fazendo terapia!

MULDER: - Sente-se melhor?

MISTERY: - Bem melhor. Estou mais leve.

MULDER: - Não vai.

MISTERY: - Tenho de ir, Fox. Podemos nos encontrar muitas vezes, é só me ligar.

Mulder apóia o cotovelo na cama. Agarra o travesseiro com a outra mão.

MULDER: - Juro que se me dissesse um sim ao que propus à você...

MISTERY: - ...

MULDER: - Eu fugiria com você. Agora.

MISTERY: - (RINDO) Tá brincando, não é?

MULDER: - (SÉRIO) Não estou brincando. Sairia agora daqui, sem malas, sem nada, pra bem longe. Poderíamos começar uma vida nova. Longe de todos que nos perturbam. De todos os medos.

MISTERY: - ...

MULDER: - Pensa vai. Vamos fugir.

MISTERY: - Não é certo, nós não podemos fazer isso. Existem outras pessoas envolvidas...

MULDER: - Dane-se as outras pessoas envolvidas! Eu quero você.

Mulder senta-se na cama.

MULDER: - Foi tão bom. Não queria que acabasse.

MISTERY: - Podemos nos encontrar outra hora. Tem meu número.

Mistery caminha até a janela. Espia pelas cortinas.

MISTERY: - Tem um carro aí fora.

MULDER: - ... Vamos, vai. Eu tô cansado disso... Tô cansado da minha vida, dos meus problemas. Carros, escutas...

Mistery caminha até Mulder, sem que a câmera focalize seu rosto. Troca um longo beijo. Mulder a puxa, ela reluta. Afasta-se.

MISTERY: - Fox, eu... Eu adorei conhecer você, embora, acho que já te conhecia.

MULDER: - E eu adorei conhecer você, porque não conhecia alguém como você.

Mistery pega a bolsa. Sai do quarto.

Mulder levanta-se, vai até a janela. Vê Krycek dentro do carro. Mulder fica nervoso. Olha pra Mistery, que passa por Krycek. Krycek olha pro traseiro dela e assovia. Mistery vira-se pra ele. Krycek desce do carro. Ela pára. Mulder fica nervoso. Puxa a arma. Mira pela janela.

Close do rosto de Mistery. Ela usa um enorme óculos escuros, com os cabelos pretos escorridos pelo rosto. Krycek lhe dá um sorriso, olhando-a de cima a baixo.

KRYCEK: - Quer carona, gostosona?

Ela mete um tapa com gosto, na cara dele. Krycek fica assustado. Ela ergue o dedo, o mandando pra ‘aquele lugar’. Ergue a cabeça, dá as costas e entra num táxi. O táxi vai embora. Mulder dá um sorriso. Bate palmas.


FBI – Arquivos X – 8:21 A.M.

Scully entra na sala. Mulder, sentado na cadeira, olhar ao longe. Scully percebe.

SCULLY: - Bom dia! O que houve com seu olho?

MULDER: - Meu olho?

SCULLY: - É, o seu olho. Estou doida pra ouvir uma explicação convincente.

MULDER: - Caí.

SCULLY: - Ah, ‘caiu’... (RI) Chama isso de explicação convincente?

Scully aproxima-se dele. Mulder fica nervoso. Ela puxa o colarinho da camisa dele.

SCULLY: - E essa mancha em sua pele? Caiu também?

MULDER: - Não, eu... Eu me meti numa briga.

SCULLY: - Alguma mulher nessa história, Mulder?

MULDER: - Não. Estávamos num boliche e deu um quebra pau enorme.

Scully olha pra lâmpada. Olha pra Mulder.

SCULLY: - E o que me interessa?


11:18 A.M.

[Som: Stevie Wonder – Part-time Lover]

Scully caminha até a porta. Abre-a.

SCULLY: - Vou sair. Tem um cheiro de perfume barato empestando essa sala. Quer algo do banco?

MULDER: - Não. Tenho outros problemas pra resolver.

Scully sai. Mulder veste o paletó. O celular toca. Mulder atende, olhando pra lâmpada.

MULDER: - Mulder... (SORRI) Tá... Posso almoçar com você... (RI) Tá certo, nada de almoço... Tá, Mistery. No lugar combinado. Mas tenho de fazer umas coisas antes, pode ser?

Mulder desliga. Sai pra fora da sala. Scully está parada ali, com uma fisionomia estranha. Mulder olha pra ela.

MULDER: - Quer carona?

SCULLY: - Quero. Me deixe na frente do shopping.

Os dois saem dali. Vão para o estacionamento. Entram no carro.


11:31 A.M.

[Som: Stevie Wonder – Part-time Lover]

Mulder pára o carro no acostamento. Scully vira-se pra trás e pega uma sacola. Olha pra Mulder. Scully desce do carro e entra no shopping. Mulder observa pelo retrovisor o carro que estaciona atrás do dele. Um homem desce, arrumando os óculos escuros e segue Scully. Mulder dá a partida. O carro segue ele.


11:45 A.M.

[Som: Stevie Wonder – Part-time Lover]

Mulder entra com o carro no subsolo de um prédio. Estaciona. O outro carro pára também. Mulder desce de seu carro. Caminha até o elevador. Entra. Aperta todos os botões. O elevador pára no primeiro andar, abrindo a porta. Mulder fecha a porta. O elevador pára no segundo. Mulder desce, olhando pra todos os lados. É um prédio de escritórios e Mulder entra no primeiro que vê, deixando a porta entreaberta, olhando para o corredor. Vê um homem subir as escadas apressado. Mulder sai do escritório e desce as escadas, até a portaria do prédio. Sai do prédio. Acena pra um táxi.


Hotel Iberville – 11:59 A.M.

Mulder sai do elevador e bate na porta de um quarto. Observa pra todos os lados, mas não vê ninguém suspeito. A porta abre-se. Ele entra. A sacola de Scully está sobre a cama. Scully caminha até a janela, olhos em lágrimas. Mulder olha pra ela.

MULDER: - O que foi?

SCULLY: - ... (NERVOSA) Tinha outro alguém me seguindo, Mulder. Você tem razão, eu...

MULDER: - ...

SCULLY: - Sei que não quer me falar, mas pensei que era loucura da sua cabeça.

MULDER: - Scully, esquece isso tá legal? Eles não vão desconfiar que ainda estamos juntos. Estamos tão felizes, não vamos dar o gosto pra eles de ficar aqui chorando.

SCULLY: - (DERRUBANDO LÁGRIMAS) Eu... Eu tô com medo, Mulder... Eu...

MULDER: - Fala, Scully. Fala.

SCULLY: - (RELUTANTE/ EM LÁGRIMAS) ... Me protege?

Mulder sorri. A abraça fortemente. Scully chora, abraçando-se nele com força, como se quisesse desaparecer entre os braços dele. Mulder afaga seus cabelos.

MULDER: - Eu vou te proteger, Scully. Confie em mim, nada vai te acontecer. Agora me escuta. Já tá tudo combinado. Eu quero que vá comigo até seu apartamento no final do dia. Não vou entrar. Quero que pegue suas coisas e vou te levar pra casa dos Pistoleiros. Vai ficar segura por lá, é o único local que posso ter a certeza de que nada vai te acontecer. E vou poder dormir tranqüilo à noite. E você também.

Scully senta-se na cama. Seca as lágrimas.

SCULLY: - Mulder, além disso, tem algo mais a me dizer? Algo que eu deva saber? Por que não me diz o que está havendo?

MULDER: - ...

SCULLY: - Não? Não tem nada pra me dizer?

MULDER: - (DEBOCHADO) Como estava sua tia no Kentucky?

SCULLY: - (SORRI) Tá... Sei que não quer falar disso. Desculpe... Como foi seu final de semana?

MULDER: - Bom. Aliás, foi ótimo.

SCULLY: - O que fez?

MULDER: - Percebi que eu não tenho muita coisa diferente do que achava ter. Digamos que tive uma viagem de auto-conhecimento... Vivi coisas diferentes e confesso, achei legal a vida normal das pessoas. Eu poderia viver com isso... Depois que decidi que precisava viver isso, confesso que achei loucura.

Scully deita-se na cama. Olha pra ele.

SCULLY: - Vem cá, vem. Preciso do teu abraço.

Mulder tira o paletó e afrouxa a gravata. Senta-se, recostando-se na cama. Scully se aninha nos braços dele. Mulder afaga os cabelos dela e a beija na testa.

MULDER: - Amo você, Scully. Descobri isso. Descobri que posso amar muitos tipos de mulheres, mas a Scully... A Scully é única. Porque a Scully é todas elas ao mesmo tempo.

Scully sorri numa mistura de malícia e inocência. Olha pra Mulder.

SCULLY: - E esse olho?

MULDER: - ... (RINDO) Esqueça esse olho. Não quero lembrar como isso aconteceu.

SCULLY: - (RINDO) Mulder, você me traiu?

MULDER: - (CÍNICO) Não. Scully, eu jamais trairia você. E você sabe disso.

SCULLY: - Mulder, amo você.

MULDER: - (RINDO) Scully, o engraçado disso tudo é que sem querer, deixei o Fumacinha preocupado.

SCULLY: - (RINDO) Mulder, confessa!

MULDER: - Tá, eu confesso. Transei com outra mulher. E vou ser sincero, ela era tão interessante quanto você. Quero ter as duas. Mas depende de você. Não sei se topa me dividir com a Lady Mistery.

SCULLY: - (RINDO) Sério?

MULDER: - (RI)

SCULLY: - (RINDO) Acha que poderia dar conta de duas mulheres?

MULDER: - Acha que não posso? E então, posso ter vocês duas na minha cama? Ao mesmo tempo?

SCULLY: - Você me disse pra ser eu mesma, não disse? Pode. Pode ter as duas na sua cama.

Os dois agarram-se enlouquecidos.

[Som: Stevie Wonder – Part-time Lover]

Corta para a sacola de Scully que cai no chão, revelando a peruca de cabelos negros compridos e encaracolados nas pontas e o vestido preto de paetês.

Fade out.

X


20/06/2000

4 de Agosto de 2019 às 22:20 0 Denunciar Insira 0
Fim

Conheça o autor

Lara One As fanfics da One são escritas em forma de roteiro adaptado, em episódios e dispostas por temporadas, como uma série de verdade. Uma alternativa shipper à mitologia da série de televisão Arquivo X. https://www.facebook.com/laraone1

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