S03#05 - DIVAGAÇÕES ENTRE O BEM E O MAL Seguir história

lara-one Lara One

O que pensam o Canceroso e Mulder, quando estão sozinhos? O que se questionam? Que segredos guardam dentro de si?


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S03#05 - DIVAGAÇÕES ENTRE O BEM E O MAL

INTRODUÇÃO AO EPISÓDIO:

Fade in.

O Canceroso olha pela janela do apartamento. Fuma um cigarro, observando a chuva. É tarde da madrugada.

CANCEROSO: - Há uma relação muito sutil entre o bem e o mal. São conceitos da dualidade humana. Se atirasse um pedra machucaria alguém que iria pra um hospital onde encontraria a sua alma gêmea... Onde está a diferença? O mal veio de deus. Assim como o bem. São apenas conceitos. Ambos temos as duas coisas dentro de nós. E não há nada de errado nisso. É uma verdade. Talvez a maior de todas.

O Canceroso senta-se numa poltrona.

[Som: Seal – Crazy]

Corta para o apartamento de Mulder.

Mulder também observa a chuva pela janela, comendo sementes de girassol.

MULDER: - Há algo dentro de mim dizendo que alguma coisa está errada. Sei que a Scully agora está bem e deve ter ficado furiosa porque não fiquei com ela hoje. Mas depois das coisas que aconteceram, minha desconfiança está maior do que meu desejo. Hoje eu precisava de espaço. Precisava pensar. Pensar em coisas que ela não entenderia...

Corta pro apartamento do Canceroso.

O Canceroso sentado no sofá, de olhos fechados.

CANCEROSO: - Onde tudo isso começou? Não sei. Mas estava escrito que começaria. E às vezes, preferia estar errado...


FLASH BACK:

Residência da Sra. Brown – Maryland – Virgínia

Mulder senta-se num poltrona. Denise senta-se perto dele.

DENISE: - Não sabia mais a quem recorrer. Foi quando uma amiga, Cassandra Spender, falou sobre seu trabalho no FBI...

MULDER: - (FECHA OS OLHOS) ...

DENISE: - Cassandra falou como você tenta resolver casos que parecem absurdos... Eu não sou louca, senhor Mulder. Mas isso acontece há uns seis anos e não sei mais o que fazer! Vivo com medo de sair de casa, não consigo mais trabalhar, vivo apenas com uma pequena pensão do meu ex-marido...

MULDER: - Tem filhos, senhora Brown?

DENISE: - Não. E-eu não posso ter filhos, sou estéril. Desde que os alienígenas ou o governo fizeram aquelas coisas comigo. Eu estava grávida quando me levaram da primeira vez. Tiraram meu filho! Roubaram meus óvulos. E agora, todo o mês, eles vêm durante a noite. No outro dia acordo como se estivesse grávida de nove meses! Depois, em menos de 48 horas, minha barriga desaparece.

MULDER: - ...

DENISE: - Os alienígenas, o governo, eles controlam tudo. Estou a ponto de me matar, não consigo mais suportar isso! Acredita em mim, agente Mulder?

MULDER: - ...

DENISE: - Gostaria que vigiasse minha casa. Eles virão. Eu sei disso.

Mulder levanta-se.

MULDER: - Sabe pra onde eles levam essas crianças?

DENISE: - Não são crianças, agente Mulder. São coisas bizarras, que não deveriam serem concebidas. E eu não sei pra onde as levam... Só sei que não posso mais viver desse jeito, como uma cobaia deles.


TEMPO ATUAL:

CANCEROSO: - Você colaborou comigo, Mulder. Pra salvar sua parceira, você ocultou a maior verdade de todas. Agiu como um imbecil...

O Canceroso apaga o cigarro no cinzeiro. Foco no cinzeiro até que o cigarro apague.

VINHETA DE ABERTURA: A VERDADE ESTÁ DENTRO DE NÓS


BLOCO 1:

O Canceroso acende outro cigarro. Olhar perdido.


FLASH BACK:

Rua 46 Este - Nova Iorque - 8:01 A.M.

Close no monitor de vídeo. Vemos Mulder em seu apartamento. Ele está fechando uma mala, no quarto. O Canceroso aproxima-se de Krycek, que está na frente do monitor.

KRYCEK: - Ele vai viajar.

Close do outro monitor de vídeo. Vemos o apartamento de Scully. Ela não está.

CANCEROSO: - (TRAGANDO O CIGARRO) Acho que ela também.

Krycek ajusta o monitor. Vemos o carro de Mulder por dentro. Scully e Mulder entram no carro. O Canceroso apaga o cigarro. Fisionomia de curiosidade.

CANCEROSO: - Pode aumentar o volume? Quero ouvir o que estão falando.

Mulder e Scully trocam um longo beijo.

KRYCEK: - (SORRINDO DEBOCHADO) É... Acho que não precisamos ouvir mais nada.

O Canceroso fica estático, olhando pra imagem. Acende outro cigarro, não disfarçando o nervosismo. O Caçador de Recompensas aproxima-se dele. Observa o monitor.

CANCEROSO: - Quero uma cópia disso.

O Canceroso senta-se, perplexo. Dá uma longa tragada e sopra a fumaça. Olha pra Krycek.

CANCEROSO: - O que eu temia aconteceu. (SOPRA A FUMAÇA) ... O caos está instalado...


TEMPO ATUAL:

CANCEROSO: - Eu sabia que isso iria acontecer. Estava tudo planejado. Mas eu ainda duvidava que ela era a mulher certa pra Mulder. Precisava ver até que ponto ele estava apaixonado por ela. Ele me mostrou.


FLASH BACK:

Arquivos X

Mulder anda de um lado para o outro. A porta abre-se. O Canceroso entra, fumando um cigarro.

CANCEROSO: - Como foi seu primeiro dia de trabalho?

MULDER: - Não abuse da minha paciência! Eu estou fazendo o que pediu, agora quero a Scully de volta!

CANCEROSO: - Quero ter certeza de sua fidelidade para comigo... Nós fizemos uma boa dupla, Mulder. Você tem talento, esperteza e não se deixa pegar fácil. Preciso de sujeitos como você. Quero você do meu lado.

MULDER: - Estou fazendo isso porque quero a Scully de volta! Não pense que é uma prova de “amor” !!!

CANCEROSO: - Terá ela de volta, assim que resolver um problema.

MULDER: - O que quer?

CANCEROSO: - Vai matar um homem.

MULDER: - Eu não vou matar ninguém!

CANCEROSO: - (TRAGA O CIGARRO) Sabe a senhora Brown? Ela é uma barriga, como chamamos... Sua parceira nos interessa... Poderia nos ajudar...

Mulder avança nele, o empurrando contra a parede.

MULDER: - Quem eu vou ter que matar pra você me devolver a Scully? E como posso confiar que você vai me entregá-la?

CANCEROSO: - Isso é problema seu.

Mulder o solta. O Canceroso olha pra ele.

CANCEROSO: - Vou devolver a agente Scully. Porque ela é importante pra você.

MULDER: - (RI) ... Como ele se importa!

CANCEROSO: - Não da maneira como pensa, Mulder. Por que acho que quero vocês dois separados? Por que acha que os coloquei juntos? Havia outros agentes em Quântico, mais competentes do que ela. Por que justamente ela?

MULDER: - (DESCONFIADO) O que está querendo me dizer?

CANCEROSO: - Você é inteligente, Mulder. Vai descobrir. Só quero que se afaste dela como homem.

MULDER: - Por que isso é tão importante? Acredita mesmo que a Scully vai concordar com as minhas ‘loucuras’? Acha que ela não tem personalidade própria, crenças próprias?

CANCEROSO: - ... Você já descobriu coisas e pensa que eu não sei. Mas lembre-se, eu sei de tudo. Prossiga na busca pela sua verdade. Está bem perto de alcançá-la.

MULDER: - Por que está me dizendo essas coisas?

CANCEROSO: - Porque você precisa saber, antes que cometa mais erros e não consiga dormir à noite.

MULDER: - ???


Apartamento de Mulder – 1:23 A.M.

[Som: Seal – Crazy]

Mulder olha pela janela. Fecha os olhos. Fisionomia de quem está intrigado, tentando encaixar fatos na cabeça.

FLASH BACK:

Apartamento de Mulder

Mulder atira o álbum sobre o sofá. O Canceroso olha pra ele.

CANCEROSO: - Pelo visto, encontrou algo que eu procurava.

MULDER: - Eu sei da verdade! Você é o meu pai!

CANCEROSO: - (RINDO) Você às vezes é burro, Mulder. Muito burro. Quer a verdade? Agora que trabalha pra mim, terá acesso à ela.

MULDER: - Minha mãe nunca vai abrir o jogo. Espero que você me diga a verdade! É só o que quero saber!

O Canceroso acende um cigarro. Olha pra Mulder. Ele está chorando, fraco, mal consegue pensar.

CANCEROSO: - Você é um projeto de Bill Mulder. Sinto desapontá-lo, mas por isso o Bill era seu ‘pai’ .

MULDER: - O que vocês faziam naquela casa, meu Deus? O que era a vida pra vocês? Não significava nada?

CANCEROSO: - O que você achou nesse álbum é o que Bill conseguiu descobrir. Você foi o primeiro feto híbrido que deu certo.

MULDER: - (CHORANDO) Sou filho de quem? Tenho pai pelo menos? Tenho mãe? Ou não sabem disso?

Mulder aproxima-se da janela. Olha pra chuva caindo. Tenta segurar as lágrimas.

CANCEROSO: - Você é um projeto.

Mulder olha pra ele, chorando.

CANCEROSO: - Sua mãe era casada com o Bill. Nós nos envolvemos, fiquei apaixonado pela mulher do meu melhor amigo... Mas era perigoso demais, eu tinha medo que fizessem algo contra ela, porque eu conhecia as pessoas pra quem trabalhava. Eu não queria que a levassem, quando a troca fosse estabelecida: Nossas famílias por aquele feto alienígena.

MULDER: - Por isso se casou com a Cassandra? Para ter algo para dar em troca?

CANCEROSO: - Quando foi solicitado o cumprimento do acordo, eles deram a Samantha, sem que eu pudesse escolher. Eles queriam te proteger.

MULDER: - Por quê?

CANCEROSO: - Porque você era a maior experiência que eles já tinham realizado. Porque se os alienígenas descobrissem que você tinha dado certo, os planos da invasão teriam sido adiantados.

Mulder fecha os olhos.

MULDER: - E Cassandra Spender? Nunca suspeitou de vocês dois?

CANCEROSO: - Ela era apaixonada por mim, faria qualquer coisa.

MULDER: - ... O Spender era seu filho! Como pôde mata-lo? E o que fez com a Samantha?

CANCEROSO: - Ele era um bastardo igual à mãe. Um fraco, sem coragem. Nunca foi parecido comigo... E eu trouxe a Samantha de volta. Você já a viu, sabe que ela está bem.

Mulder chora. Fecha os olhos.

MULDER: - Por que minha mãe escondeu isso de mim durante todo esse tempo?

CANCEROSO: - Porque tinha você como um filho. Afinal de contas, ela o gerou! Ela foi uma barriga, assim como sua parceira. Só queria poupá-lo dessa verdade! Queria protegê-lo porque sabia que eles o matariam se descobrisse isso! Você era um projeto secreto entre eu e Bill Mulder.

MULDER: - Mas você sabia. Por que não me matou?

CANCEROSO: - Como eu disse, eu queria você vivo. A experiência poderia me servir mais tarde! ... Mas estava enganado. Você só serve aos meus propósitos trabalhando comigo. Assim posso protegê-lo... Não tem utilidade alguma. É um bastardo alienígena! Quando colocaram você dentro dela, nem ela sabia quem ou o quê nasceria dali.

Mulder olha pra ele, derrubando lágrimas. O Canceroso levanta-se.

CANCEROSO: - Espero que não conte isso à ninguém. É um segredo nosso, que posso negar. Acha que acreditarão em você?

MULDER: - Não vou contar nada à ninguém. Será nosso segredo.

CANCEROSO: - E não reviva isso com sua mãe. Faça de conta que não sabe. Vai ser melhor pra ela. Sofrerá menos se souber que você não sabe a verdade... Preciso do papel que estava no álbum.

Mulder entrega o papel. O Canceroso o pega. Abre a porta. Olha pra Mulder. Ele senta-se e chora convulsivamente. O Canceroso sai e fecha a porta. Escora-se na porta. Olha pro papel.

CANCEROSO: - Espero que um dia possa me perdoar pelas mentiras que lhe contei. Só quero salvar você...


Apartamento do Canceroso – 1:34 A.M.

O Canceroso sopra a fumaça.


FLASH BACK:

Centro de Controle de Moléstias

O Canceroso e Krycek entram num quarto. Scully está dormindo numa cama, ligada por fios e aparelhos. Um médico injeta alguma coisa no fio do soro.

MÉDICO: - Não posso mantê-la dormindo por mais tempo.

CANCEROSO: - Não quero que ela acorde.

MÉDICO: - Ela está muito fraca, não sei se vai resistir.

O médico sai.

KRYCEK: - Ela já tomou a vacina. Não nos é útil. Por que não a mata de uma vez?

CANCEROSO: - Acha que não gostaria disso? Mas precisamos do Mulder. Se ela morrer, teremos um inimigo mais forte.

KRYCEK: - E se ele não cumprir o acordo?

CANCEROSO: - Se não cumprir, sabe o que fazer com ela. Mas ele vai cumprir. Conheço o Mulder, ele tem palavra. Conseguiu o que pedi?

KRYCEK: - Consegui. Mas acha que isso vai afasta-los um do outro?

CANCEROSO: - Vai gerar muita perturbação na cabeça dos dois, de modo que as coisas voltarão a ser como antes.

KRYCEK: - Ele vai descobrir que o enganamos quando entregarmos Scully. Porque ela vai querer ver por si mesma, ela é médica! Acha que vai conseguir mentir uma coisas dessas?

CANCEROSO: - O Mulder está perturbado demais com o que está acontecendo para decifrar o que é verdade e o que é mentira. Quero apenas mostrar o que eu posso fazer se eles não andarem na linha. Quero ganhar tempo.

KRYCEK: - Mulder pode estar perturbado porque tem motivos pra isso. Mas Scully não. Você menospreza essa mulher e eu digo que ela é o cérebro dele! Quando vai me dar ouvidos? A ciência está se voltando contra você! Ela já abraçou a causa dele quando você, imbecilmente, a submeteu àquelas experiências.

CANCEROSO: - Está questionando as minhas atitudes? Você não sabe dos meus planos.

KRYCEK: - Sei que está criando mais confusão com isso. E essas confusões afetam os meus planos!

CANCEROSO: - Confusão, Krycek, é a melhor maneira de esconder a verdade. Esconda-a entre muitas mentiras.

KRYCEK: - Você tem métodos absurdos! Eu os deixaria ficarem juntos, casarem, sei lá o quê! Se percebesse alguma coisa que pudesse me atingir, mataria o Mulder. Porque ele é o mais forte. Sem Mulder, Scully desiste. Já pensou nisso? Por que nunca, nunca tentou matá-lo?

O Canceroso traga profundamente. Olha pra Krycek.

CANCEROSO: - Eu já tentei matá-lo, ou se esqueceu disso?

KRYCEK: - Quer ouvir uma coisa? Chega de embuste! Todas as suas tentativas contra o Mulder foram forjadas, ou acha que eu nunca percebi isso? Por que não o quer morto? Ele tem algum significado especial em sua vida?

CANCEROSO: - ... Você está maluco...

KRYCEK: - Pode pensar que sou um maluco. Mas eu tenho minhas próprias desconfianças de que você está escondendo alguma coisa pessoal nessa história.


TEMPOR ATUAL:

O Canceroso levanta-se. Vai pra cozinha. Prepara um café.


FLASH BACK:

Centro de Controle de Moléstias

O Canceroso olha pra Scully.

CANCEROSO: - E você... Você me decepcionou. Pensei que jamais iria se envolver desse jeito com Mulder. Você não é o que eu imaginava, e tive todo o cuidado em escolher a mais cética e imbecil incompetente do FBI! Você não é detetive, Scully. Você é uma retardada! É apenas uma cobaia útil.

O Canceroso aproxima-se dela. Põe a mão no aparelho de oxigênio.

CANCEROSO: - Se apertasse esse botão, me livraria de você pra sempre. Poderia matá-la, sabia? Mas hoje não. Posso precisar da sua ignorância cética mais tarde.


Apartamento de Mulder – 1:45 A.M.

Mulder senta-se no chão. A TV está ligada. Ele desvia sua atenção. Lembranças voltam em sua mente.


FLASH BACK:

Apartamento de Mulder - Banheiro

Mulder senta-se no chão.

MULDER: - ... Recebi o álbum.

Scully olha triste para Mulder.

MULDER: - Havia algumas anotações de meu pai, sobre uma cadeia de DNA. E-eu... eu sou uma experiência deles, Scully. Talvez o óvulo nem fosse da minha mãe.

SCULLY: - Experiência?

Scully estende os braços. Mulder aproxima-se dela. Ela o abraça fortemente, chorando com ele.

MULDER: - E talvez a Samantha nem seja minha irmã. Sabe de uma coisa, Scully? Eu só tenho você. E de agora em diante, eu só vou fazer o que faço, por você. Nada mais me interessa.

SCULLY: - Mulder, não estou entendendo nada! Que experiência? Enviei seus cabelos para descobrir sua cadeia de DNA e descobrir quem é o seu pai!

MULDER: - Seja o que descobriu, Scully, era tudo uma mentira. Eu sou um híbrido.

SCULLY: - Mulder, o que você fumou? Tudo bem, você é estranho realmente, mas isso é absurdo! Quem contou isso à você?

MULDER: - Ele... (ENCHE OS OLHOS DE LÁGRIMAS) Eles fizeram com a minha mãe o mesmo que fizeram com você.

SCULLY: - Você não é mais o Mulder que eu conheci. Quero aquele Mulder de volta. Você está atordoado! Não pode confiar naquele sujeito!

MULDER: - ... O Canceroso matou a Teena.

Mulder levanta-se. Entrega um roupão de banho pra Scully. Scully sai da banheira. Abraça Mulder. Ele a abraça fortemente, chorando.

SCULLY: - Eu sinto muito, Mulder.

MULDER: - ...

SCULLY: - Mulder, por que eles me devolveram?

MULDER: - Não importa o porquê, Scully. Você está comigo de novo. É só o que me basta. Eu enfrentaria até o inferno pra ter você comigo...

Mulder a solta. Tenta se conter.

MULDER: - Coloque uma roupa, vamos fazer um check up. Não quero o risco deles terem tirado seu implante ou feito qualquer outra coisa. Porque não acredito que vão deixar você perto de mim.

SCULLY: - Não nos entregaram no Bureau?

MULDER: - Não.

SCULLY: - Mulder, não estou entendendo. O que eles querem afinal? Eles abençoaram nosso relacionamento?

MULDER: - Não estou dizendo isso, mas... Scully, por favor, peço que confie em mim. Enquanto estiver do meu lado, estará segura. O jogo inverteu. Precisa ficar perto de mim, porque eu sou importante demais pra eles.


TEMPO ATUAL:

Mulder fica desconfiado.

MULDER: - Importante... Por que eu sou importante?


FLASH BACK:

Apartamento de Mulder - 9:01 A.M.

Mulder arruma suas roupas numa mala. Alguém aproxima-se por trás dele. Mulder puxa a arma e vira-se rapidamente. Sente um alívio. Abaixa a arma.

MULDER: - Você me deu um susto!

CANCEROSO: - Gosto de reflexos rápidos, agente Mulder.

MULDER: - Faça o que quiser, eu não trabalho mais pra você. E não fume aqui dentro.

CANCEROSO: - Está rompendo nosso acordo?

MULDER: - Estou. Vou sumir daqui.

CANCEROSO: - Preciso de você dentro do FBI, Mulder.

MULDER: - Eu não posso mais ficar perto dela!

CANCEROSO: - Pra quem passou a vida toda em busca da verdade, não está sabendo conviver com ela.

MULDER: - Droga, Canceroso! Eu já fiz as sujeiras que você queria! Agora me deixe em paz, eu vou sair por aquela porta e você nunca mais terá notícias sobre mim. Acabou sua dor de cabeça, eu não serei mais um entrave pro seu jogo sujo!

CANCEROSO: - Sabe das regras. Se cair fora eu a pego novamente.

Mulder fecha os olhos. Respira fundo.

CANCEROSO: - Tem um Arquivo X em Nova Iorque. Preciso que encubra o caso. Algum imbecil roubou uma coisa muito preciosa e está me chantageando, quer expor o Sindicato.

MULDER: - E o que quer que eu faça?

CANCEROSO: - Quando descobrir o paradeiro do miserável, você vai matá-lo. Não quero pistas. Suma com o corpo. Suma com as testemunhas, com a vítima. Tome cuidado, ele tem uma coisa perigosa nas mãos.

MULDER: - E o que é?

CANCEROSO: - Isso é tudo o que precisa saber, Mulder.


BLOCO 2:

Apartamento do Canceroso – 1:59 A.M.

O Canceroso bebe café, escorado no balcão da cozinha. Olhar enigmático.


FLASH BACK:

Apartamento de Scully

Scully começa a guardar as compras. Coloca uma chaleira no fogão. O Canceroso caminha pela sala, olhando para tudo. Entra na cozinha. Scully finge que o Canceroso não está ali, continuando seus afazeres, como uma forma de demonstrar que não tem medo dele. Pega um cinzeiro e o atira sobre a mesa da cozinha.

CANCEROSO: - Bonito apartamento...

SCULLY: - Não acho que veio aqui para saber quem é o meu decorador.

CANCEROSO: - Está convivendo demais com o Mulder. Aprendeu rápido sua ironia.

Scully olha para ele.

SCULLY: - ... Aprendi a não ter medo do “Lobo Mau”. Sente-se. Não costumo tratar mal quem vem a minha casa, por mais hipócrita que seja.

Scully vira-se para o fogão, pra não olhar pra ele. O Canceroso traga profundamente.

SCULLY: - (CÍNICA) Quer um café?

CANCEROSO: - (DESAFIADOR) Com estricnina?

SCULLY: - Claro que não. Estricnina é muito pouco pra você. Fala logo o que quer falar e saia já daqui. O Mulder está chegando.

CANCEROSO: - É sobre ele que quero falar. Você sabe do meu segredo. Vim aqui pedir para que considere...

SCULLY: - (RINDO) Considerar o quê? Você?

CANCEROSO: - Quero que considere a questão. Considere Mulder. Mantenha seu silêncio a respeito disso. Não sou eu quem vai se dar mal se a verdade for revelada. Será ele. Se gosta do Mulder da maneira que diz gostar, vai manter o silêncio.

Scully vira-se pro Canceroso.

SCULLY: - (IRRITADA) Está pedindo pra que eu minta? Eu não vou esconder isso do Mulder! Ele precisa saber. Melhor se tivesse sido pela boca de outra pessoa, não a minha!

CANCEROSO: - ...

SCULLY: - Eu entendi o seu jogo. Sei que não mataria a mãe do Mulder. O Krycek fez isso por conta própria porque deve estar desconfiado do seu segredinho. Um cão devora o outro. Então você armou todo um esquema naquele caso de pedofilia para culpar Krycek.

CANCEROSO: - Se contar ao Mulder, agente Scully, ele vai berrar para todos. Eu não vou poder defendê-lo das pessoas que trabalham comigo. Até agora usei desculpas para mantê-las afastadas disso. Nunca fiz nada contra o Mulder, nada que eu não tivesse a certeza de que ele escaparia. O que de mal aconteceu à ele foi meter o nariz onde não devia. Foi por culpa dele as coisas que aconteceram de ruim com ele mesmo.

SCULLY: - Você é um cretino!

CANCEROSO: - Como acha que ele conseguiu abrir os Arquivos X? Como conseguiu a proteção de um senador? Como chegou vivo até aqui? Como acha que conseguiu informantes? Por colocar um xis com fita adesiva na janela?

SCULLY: - ... (OLHA NOS OLHOS DELE COM RAIVA) Como pode fazer isso contra seu próprio filho?

CANCEROSO: - Você é mulher. Deveria saber que a forma mais fácil de proteger sua cria é deixando ela perto de você.

SCULLY: - Não sabia que Mulder iria se tornar um transtorno para o seu jogo sujo?

CANCEROSO: - ... Não sou homem de confidências, agente Scully. Mas eu dei ao Mulder a chance de ser alguém honesto. Talvez a chance que eu não tive.

SCULLY: - (INDIGNADA) Chance? Você destruiu a vida dele! Tirou a irmã dele. Matou a pessoa que ele tinha por pai. Você criou ódio no coração dele! E chama isso de dar uma chance?

CANCEROSO: - (IRRITADO) Eu o protegi durante todos esses anos! Somente eu e a mãe dele sabíamos disso! Acha que tem o direito de se intrometer? Você é uma estranha! Alguém que já devia estar fora do jogo há muito tempo! Acha que se contar ao Mulder vai ajudar em alguma coisa? Pense bem, pense muito bem na reação do Mulder.

SCULLY: - Você é um canalha, mentiroso...

CANCEROSO: - (DEBOCHADO) Eu sou um canalha mentiroso. Pelo menos assumo isso. Por mim estaria sentado, escrevendo um livro, recostado numa poltrona, com a cabeça desligada da realidade! Mas eu tinha ambições, agente Scully... (SILENCIA POR SEGUNDOS, COMO SE QUESTIONASSE O QUE VAI DIZER A SEGUIR) ... Quando conheci a Teena, achei que ela me afastaria da vida que me empurraram. Tolice a minha, não havia como desistir.

SCULLY: - Quer que acredite que protegeu o Mulder? Você matou o Spender, ele era seu filho!

CANCEROSO: - Mulder é meu filho, é o único filho que conheço, porque eu amei a mãe dele. (SORRI DEBOCHADO) Amei... Isso é uma mentira. Ninguém ama nada, nem a si próprio. O que fazemos é criar ilusões dentro de nossa racionalidade e mentir pra nós mesmos que estamos num sonho...

SCULLY: - ...

CANCEROSO: - Entende o que estou falando?

SCULLY: - Não, eu não entendo.

CANCEROSO: - Considere-se feliz por não entender.

SCULLY: - (IRRITADA) Se ama tanto o seu filho, porque jogou com ele? Porque o atirou nisso tudo?

CANCEROSO: - Eu não o atirei. Ele se atirou. Nunca poderia imaginar que o Fox seria tão obstinado. (SORRI) Ele puxou a mim. Só que lutamos em direções opostas... Ele não sabe o quanto se parece comigo. Acha que ele gostaria de saber que é meu filho? Filho do inimigo com o qual lutou a vida toda?

SCULLY: - ...

CANCEROSO: - Acha que tem o direito de magoá-lo?

SCULLY: - ...

CANCEROSO: - Deixe-o pensar que a Samantha é minha filha. Que o Bill era pai dele. Deixe-o nessa ilusão. Ele será mais feliz assim.

SCULLY: - Acha que acredito que nunca tentou matar o Mulder, que não vai tentar? Você deu a Cassandra e o Jeffrey como cobaias!

CANCEROSO: - Eu precisava dar algo em troca, como obteria a colaboração dos outros, se eu mesmo não colaborasse? Acha que daria a Teena e o Mulder? Não, eu não daria. Mas isso não significa que se Mulder atrapalhar meu caminho, eu não possa matá-lo. Sabe que eu o faria.

SCULLY: - ... Saia daqui! Eu não quero ouvir mais nada!

O Canceroso levanta-se.

CANCEROSO: - Quero que guarde esse segredo, antes que alguém descubra e use-o contra mim. Não por mim, como eu já disse. Mas pelo Mulder. E por você.

SCULLY: - (RINDO) Por mim? (RAIVA) Acha que acredito que se importa comigo? Você me deu um câncer, desgraçado! Você matou minha irmã! Você destruiu a minha vida!

CANCEROSO: - Não vou dizer que fico feliz por você estar com o Mulder. Eu queria algo melhor pra ele. Mas confesso que você me surpreende a cada dia. Eu não gosto de você, agente Scully, sabe disso. Escolhi você porque era a pessoa mais cética e ignorante do Bureau. Mas nunca poderia imaginar que você não era quem aparentava ser.

SCULLY: - (AMEAÇADORA) Você não sabe nada de mim! Não sabe com quem está lidando! Nunca, mas nunca vire as costas pra mim, tá legal? Porque suas mentiras me tornaram uma mulher revoltada! Estou descobrindo em mim coisas que achava que não seria capaz de fazer. Nunca, nunca me teste! Se precisar me matar faça rápido, porque se eu ficar viva, sabe que terá mais dor de cabeça!

CANCEROSO: - ... (SORRINDO) Está me ameaçando?

SCULLY: - (ENCARA-O COM ÓDIO) Não. Estou dando um aviso.

O Canceroso apaga o cigarro no cinzeiro. Sai da cozinha.

SCULLY: - Ah, quero te agradecer uma coisa.

O Canceroso vira-se pra ela.

SCULLY: - (IRÔNICA/ DESAFIADORA) Obrigado. Obrigado mesmo, por me deixar estéril. Matou seus netos antes de virem ao mundo. Isso é bom, porque seu sangue não merece continuidade!

CANCEROSO: - ...

SCULLY: - Agora saia já daqui, olhar pra você me dá nojo!

O Canceroso abre a porta. Sai em silêncio. Scully senta-se na cadeira. Apóia os braços sobre a mesa. Inclina a cabeça sobre os braços e chora.


Apartamento de Mulder – 2:18 A.M.

[Som: Seal – Crazy]

Mulder anda de um lado pra outro, pensando.


FLASH BACK:

Scully levanta-se, anda em silêncio de um lado para o outro. Mulder olha pro nada.

Volta o áudio.

SCULLY: - ... Mulder, por isso eu roubei um fio de seu cabelo. Por isso fiquei horas tentando descobrir se isso não era uma mentira. Eu não queria contar se não tivesse certeza. Mas infelizmente, Mulder, esse homem não existe. Não posso provar cientificamente. Vai precisar acreditar em seu instinto, mais uma vez.

MULDER: - (OLHANDO PRO NADA) ...

SCULLY: - Mulder, eu não queria ser a pessoa a te dizer isso, mas eu não tinha o direito de esconder essa verdade de você!

MULDER: - ...

SCULLY: - Mulder?

MULDER: - ... Scully, sabe aquela coisa que falamos, de precisar de espaço?

SCULLY: - ...

MULDER: - Estou precisando agora.

Scully olha pra Mulder. Derruba lágrimas, sentindo pena do parceiro. Afaga-lhe os cabelos e o beija na testa. Caminha até a porta, relutando. Mas não diz nada. Abre a porta, olha novamente pra Mulder. Scully sai, fechando a porta.

Mulder deixa o corpo cair do sofá e começa a chorar convulsivamente.


Apartamento do Canceroso – 2:37 A.M.

O Canceroso olha pra máquina de escrever. Fecha os olhos.


FLASH BACK:

Apartamento do Canceroso – Local desconhecido

O Canceroso escreve em sua velha máquina. Há um cigarro no cinzeiro. A fisionomia dele é de transtorno. Escreve como um desesperado.

CANCEROSO (OFF): - Então soube que ele nunca entenderia. Ele nunca entenderia os motivos pelos quais Jack escondera essa verdade. Ele nunca entenderia porque seu pai fazia todas aquelas coisas. Se ao menos Jack tivesse tido uma segunda chance, estaria com a mãe de seu filho, escrevendo livros... E agora pensava o que seu filho deveria estar pensando naquele momento. Talvez sentisse mais raiva ao lembrar da etiqueta com o nome da irmã sobreposto ao nome dele numa pasta nos arquivos das trocas. Jack nunca daria a mulher que amava e nem o filho que nasceu desse amor. Aliás, esta era a única lembrança que Jack tinha de ter sido feliz na vida. De ter sentido algo iluminado. De ter tido, por uma única vez, algum sentimento bom em seu coração.

O Canceroso traga o cigarro. Apaga-o no cinzeiro.

CANCEROSO (OFF): - Nada havia para ser dito entre os dois. Jack havia estado presente em toda a vida do filho, mas nunca como deveria estar: como pai. Seu filho era igual a ele numa só característica: ambos eram determinados em seus objetivos e persistentes para ir até o fim. Apenas lutavam em lados opostos. Seu filho não era um fraco. Sempre se arrebentou por defender o que acreditava, por defender a esperança. Optou por não ter nada na vida, nenhum luxo, nenhum dinheiro, nenhum poder, jamais ele iria levantar sua mão contra outro ser humano. Não eram iguais. Jack era um covarde e um mentiroso. Seu filho era corajoso e verdadeiro. E Jack tinha orgulho disso.

O Canceroso acende outro cigarro. Começa a tremer.

CANCEROSO (OFF): - Mas todos nós, em nossas vidas, algum dia nos deparamos com o painel dos botões de sim, não e abstenção. E sabemos que é muito mais fácil apertar a abstenção, porque não há compromisso. Jack não iria chorar. Não poderia abraçá-lo nunca. Não desistiria de sua jornada por causa de seu filho... Nada mudaria. Ele sempre soube disso, portanto, nunca se culpou por esconder a verdade do filho. Sabia que esta mentira o protegeria de si próprio. E sabia que seu filho daria a volta por cima. Sabia que ainda eram inimigos. Que sempre seriam inimigos. Que ele poderia matá-lo. Mas para Jack, esse era seu maior temor. Não a morte, mas a morte vinda pela mão de seu filho. E Jack sabia, por sua própria experiência, que nunca se mata um homem. Porque esse homem sempre assombrará seus pensamentos quando fechar os olhos na noite. E viria a culpa. Jack não queria que o filho sentisse culpa. Jack sabia o que era isso. O que era descer na lama. Porque desceu e nunca mais subiu, como tantos outros. E descobriu o seu lado escuro. Jack se pegou fazendo as mesmas coisas que odiava em seus inimigos. E quando olhou pra dentro de si, viu que a esperança havia morrido, que era só a escuridão o que lhe restava. Jack percebeu que era um monstro, capaz de tudo. Então, os cacos que sobraram nunca mais conseguiram se juntar. Jack perdeu a ilusão, não acreditava em mais nada, não confiava mais em ninguém, e sabia o sentido correto do que chamavam realidade. Nada mais o comovia. Ele fazia o que tinha de ser feito: “ O botão da abstenção é apertado porque você não tem mais sentimentos. Cai na lama e em todo o processo de desconfiguração da alma. Não há volta. Porque perdeu os sentimentos nobres que o tornam um ser humano”.

O Canceroso pára de escrever. Levanta-se, pega o cigarro, vai até a janela. Olha pra rua pensativo.

CANCEROSO (OFF): - Pensou em dizer isso ao filho, porque o amava demais para que ele se tornasse frio. Amava-o muito, não queria que ele caísse na lama, por derramar o sangue de seu próprio pai. Queria que seu filho guardasse sua alma e não a trocasse por nada, assim como Jack trocou...

O Canceroso sente os olhos cheios de lágrimas. Mas faz uma fisionomia fria, como se evitasse o sentimento. Fuma.


Apartamento de Mulder – 2:59 A.M.

Mulder dá comida pros peixinhos.


FLASH BACK:

Memorial de Lincoln

Mulder guarda a arma, chorando. Está atordoado. Seca as lágrimas.

CANCEROSO: - (IRRITADO) Poupe sua ofensas e sua maldita agressividade! Não é só a minha vida que está em jogo. É a sua, Mulder. Acha que não virão atrás de você?

MULDER: - Acha que sou covarde como você é? Já enfrentei eles sem a sua ajuda!

CANCEROSO: - Acha que nunca o ajudei, Mulder? Acredita realmente que teria chegado até aqui sem a minha ajuda?

Mulder dá as costas. Chora. Tenta respirar fundo.

CANCEROSO: - Não, nunca chegaria. Já estaria fora do jogo. Na melhor das hipóteses... morto.

Mulder seca as lágrimas e tenta se recuperar. Está com raiva por ouvir aquilo. Vira-se pra ele.

MULDER: - Não sei o que estou fazendo aqui. Devia estar com um tremendo espasmo mental!

CANCEROSO: - O que veio fazer aqui então?

MULDER: - ...

CANCEROSO: - Pensou que faríamos um capítulo de novela mexicana, repleto de arrependimento, choro, abraços e beijos, e que eu te chamaria de ‘meu filho’ e você me chamaria de ‘meu pai’?

MULDER: - ...

CANCEROSO: - Não funciona assim. Não estamos numa novela mexicana. Mas isso não vem ao caso.

MULDER: - ...

CANCEROSO: - Preciso que negue tudo.

MULDER: - Vai inventar mais mentiras sobre paternidade? Você não é homem nem pra assumir isso?

CANCEROSO: - Talvez eu nunca quis assumir isso.

MULDER: - (ÓDIO NOS OLHOS)

CANCEROSO: - Até quando vai achar que as mentiras são más? Algumas mentiras são úteis. Você também mente. Sabe que mente.

MULDER: - ...

CANCEROSO: - Preciso do seu silêncio. Apenas isso. Quero apenas que fique quieto, e que não se meta nesse assunto. A ‘maldade fica sempre por conta do vilão’. A vingança é minha, não sua. Eu sou o pai de Samantha, entendeu?

MULDER: - ...

CANCEROSO: - Se você acreditou nessa história por tanto tempo, Krycek poderá acreditar.

MULDER: - E se eu abrir a boca? Se não quiser fazer esse pacto com você?

CANCEROSO: - Não fará isso. Você tem algo muito valioso por perto. E sabe que eu tomarei. E dessa vez, não haverá trocas.

MULDER: - (ÓDIO) Você não seria tão louco! Se encostar um dedo nela novamente, eu te mato! “Farei jus aos seus genes”!!!

CANCEROSO: - Você não fará isso. Fará tudo o que mandei. Pois tem o senso de preservação de quem realmente gosta. E agora sei que entende o que é perder o que mais se quer. A vingança é minha, Mulder. Sua vingança, é outra. Seu inimigo é outro.

O Canceroso atira o cigarro no chão e apaga com sapato. Olha pra Mulder, soltando a fumaça em seu rosto. Sai caminhando lentamente.


Apartamento do Canceroso – 3;19 A.M.

O Canceroso senta-se na cama. Abaixa a cabeça.


FLASH BACK:

Rua 46 Este

O Canceroso acende um cigarro. Semblante frio. Krycek olha-o com deboche.

KRYCEK: - Sei do seu segredinho sujo.

CANCEROSO: - Eu sei disso. Só que está enganado, Alex. Iria me trair por nada.

KRYCEK: - Nada? Você teve um caso com a mãe do Mulder! Isso resultou nessa dor de cabeça ambulante que fica exibindo sua arma e credencial pra todo mundo.

CANCEROSO: - Não, Alex. Você confundiu as coisas.

KRYCEK: - Você é pai do Mulder! Tudo faz sentido agora. Por que nunca o ferramos mesmo? Por que você calculava tudo pra não ferrá-lo! Com desculpas do tipo ‘Mate Mulder e transformará sua jornada numa causa’...

CANCEROSO: - ... (DEBOCHADO) Continue seu raciocínio, prometo que tentarei entender.

KRYCEK: - Ora, seu velho mentiroso! Por que armou aquela cilada pra mim, me mandando ir naquela droga de boate sob a desculpa de que precisava de alguém para pegar uma fórmula secreta? Hein? Queria que Mulder atirasse em mim pensando que eu era um pedófilo? Vingança? Por que mandou que eu fosse até o hangar?

CANCEROSO: - ... Não pedi para roubar o feto antes disso?

KRYCEK: - Você sabia que eles chegariam primeiro!

CANCEROSO: - E que com isso você se atrasaria e perderia o espetáculo de fogo dos Rebeldes. Eu salvei você. E o que recebo em troca?

KRYCEK: - Eu matei a mãe dele sim! Matei para saber qual seria a sua reação. E a sua reação foi a prova que eu precisava, para ter certeza de que é mesmo pai do Mulder! Você quis me matar!

CANCEROSO: - ... Interessante, Alex. Mas tem um pequeno erro nessa história.

KRYCEK: - Não há erro algum.

CANCEROSO: - Esqueceu de um pequeno detalhe. Quero ferrá-lo por ter matado a mãe da minha filha.

Krycek olha-o com dúvida nos olhos.

KRYCEK: - Essa não, não vai me pegar com essa! Você não entregaria sua filha para os alienígenas!

CANCEROSO: - Pense bem, Krycek. Quem está a salvo? Mulder ou Samantha?

KRYCEK: - ...

CANCEROSO: - Mulder não é meu filho. Acha que encubro essa verdade do Sindicato para proteger Mulder? Quais seriam os meus lucros? A sobrevivência dele? Acha que me importava com o Jeff?

KRYCEK: - (DÚVIDA) ...

CANCEROSO: - Se Mulder fosse realmente meu filho, por que me importaria com ele?

KRYCEK: - ...

CANCEROSO: - Krycek, você se julga esperto, mas não é. Homens como eu não têm filhos, nem esposas. Nem pai, nem mãe. Acha que me importo com alguma coisa? Você é igual a mim, Krycek. Usou a Marita para conseguir as informações que queria a respeito do Sindicato. Infiltrou-se aqui nos oferecendo a vacina em troca da parceria.

KRYCEK: - ...

CANCEROSO: - Onde está a Marita, Krycek?

KRYCEK: - ...

CANCEROSO: - Está sendo cobaia de experiências. Você se importa? Claro que não. Quer salvar sua própria pele! Por que acha que eu me importo?


BLOCO 3:

Apartamento de Mulder – 3: 21 A.M.

Mulder, na cozinha, segurando uma garrafa de suco. Olhar ao longe.


FLASH BACK:

Mulder caminha pelo apartamento. Revira tudo. Está nervoso, joga o que acha pela frente no chão. Ouve passos. Mulder puxa a arma e vira-se rapidamente. Krycek olha pra ele.

KRYCEK: - Não vai achá-la.

MULDER: - O que fizeram com ela?

KRYCEK: - Não sei.

Mulder o agarra pelo pescoço e o coloca contra a parede. Krycek, lentamente puxa a arma e encosta na barriga de Mulder.

KRYCEK: - E então? Quem vai atirar primeiro?

MULDER: - Quer jogar uma moeda pra cima?

KRYCEK: - Será entre nós dois, eu e você, filho do Canceroso.

Mulder o solta.

KRYCEK: - Eu sei que é filho dele! E fico contente porque teve o castigo que merecia!

MULDER: - Não sei do que está falando. Ele é pai da Samantha!

KRYCEK: - Ele é seu pai!

MULDER: - Ora, seu rato sujo, pode me ofender como quiser, mas não desse jeito! Onde está a Diana?

KRYCEK: - Não sei, e por isso mesmo coloquei o nome dela naquela lista, pra levantar suspeitas e trazer você até aqui!

MULDER: - Você forjou tudo?

KRYCEK: - Recebeu meu e-mail?

MULDER: - Ora, seu desgraçado!

KRYCEK: - Ainda não percebeu a ligação, Mulder?

MULDER: - Que ligação?

KRYCEK: - ... Ora, ou é muito burro ou realmente não é filho do Canceroso.

MULDER: - Ele pegou a Diana?

KRYCEK: - Não. A amiguinha dele está fora, fazendo um servicinho sujo, sem o FBI saber. Vigiando de longe, uma base secreta alienígena. (IRRITADO) Que eu descobri a existência agora! E isso me deixa louco, realmente muito louco! Porque estou lá dentro e eles estão me mentindo!

MULDER: - E o que tem a ver o Triângulo das Bermudas com isso?

KRYCEK: - Mulder, você é um imbecil! Um retardado! Conclua por você mesmo. Eu não te ajudo mais!

Mulder senta-se no sofá. Guarda a arma. Krycek guarda sua arma também.

KRYCEK: - Sua irmã... Todas estão lá!

MULDER: - Você está mentindo pra mim! Acha que sou burro o suficiente pra acreditar nisso? Quer que eu me arrisque, assim sairei do seu caminho!

KRYCEK: - Pensa, Mulder. Pensa. Ou acha que sua irmã está em outro planeta?

MULDER: - Por que fez isso? Por que chamou as atenções para a Diana?

KRYCEK: - Porque eu tenho interesse em ferrar com algumas pessoas.

MULDER: - Com o Canceroso?... Não, sinto muito, eu não acredito em você! E muito menos nele. É mais uma mentira!

Krycek sai. Mulder abaixa a cabeça, confuso.


Apartamento do Canceroso – 3:59 A.M.

O Canceroso fuma um cigarro olhando pela janela.


FLASH BACK:

Apartamento de Mulder

O Canceroso puxa uma arma. Mulder puxa a sua. O Canceroso está nervoso, Mulder mira a arma nele.

CANCEROSO: - Seu idiota! Abaixe essa arma!

MULDER: - Não, você puxou a sua primeiro!

CANCEROSO: - Não vou matar você...

O Canceroso aproxima-se da janela, encostando-se na parede.

CANCEROSO: - Imbecil! Ele armou uma cilada!

MULDER: - Do que está falando?

CANCEROSO: - Do Alex Krycek! Ele armou pra que você corresse atrás de mim!

Mulder aproxima-se do Canceroso, com a arma em punho.

MULDER: - Não sei do que está falando, Canceroso!

CANCEROSO: - Afaste-se dessa janela, seu idiota!

MULDER: - Não há nada lá fora, ninguém sabe que está aqui, só o Skinner!

CANCEROSO: - Saia dessa ja...

Um tiro transpassa a janela, acertando Mulder. Mulder cai no chão, de bruços. O Canceroso abaixa-se e vai até ele. Vira o corpo de Mulder. O sangue começa a escorrer pela camisa. Mulder está com os olhos parados. Escorre sangue de sua boca.


Apartamento de Mulder – 4:06 A.M.

Mulder anda como barata tonta, desconfiado.


FLASH BACK:

Fort Pierce

Numa sala, ainda com suas roupas molhadas, Mulder e Scully bebem café.

SCULLY: - Quem são esses homens, Mulder?

MULDER: - Relaxa, Scully. Acho que são amiguinhos.

SCULLY: - Amiguinhos?

O Canceroso entra na sala. Mulder levanta-se, apontando pra ele.

MULDER: - Amiguinhos desse verme aí.

CANCEROSO: - Bom lhe rever também, agente Mulder.

O Canceroso acende um cigarro. Olha pra Scully. Scully franze a testa, com raiva.

CANCEROSO: - Como vai, agente Scully?

SCULLY: - ... (RAIVA)

Mulder começa a rir. O Canceroso olha surpreso pra ele.

CANCEROSO: - Qual a piada? Também quero entender.

MULDER: - Conhece a piada do velho asqueroso que começou a se afundar na própria lama que criou?

CANCEROSO: - ...

MULDER: - (RINDO) É muito divertido. Você deu um show e tanto dessa vez.

CANCEROSO: - Vai parar de rir quando eu descobrir onde está sua irmã.

MULDER: - (DEBOCHADO) Então, meu velho, vou continuar rindo por toda a minha vida.

CANCEROSO: - (FURIOSO) Não aposte nisso. Tenho meus métodos, e sabe disso. Posso acabar com a sua felicidade em um segundo.

Mulder se avança nele. Scully o segura.

SCULLY: - Não, Mulder! Não vale a pena!

CANCEROSO: - (DEBOCHADO) Escute sua parceira. Ela sempre está com a razão.

MULDER: - (IRADO) Seu... seu bastardo! Você me atirou naquele presídio, no meio de leões! Me deixou na solitária!

CANCEROSO: - (CÍNICO) Mas eu salvei você. Já pensou que se não fosse assim, poderia estar fora do FBI?

MULDER: - Seu... Scully, me solta, eu quero só dar um soco nele. Só um soco, por favor! Um soquinho, de leve!

CANCEROSO: - Poupe suas energias, Mulder. Eu vivo dizendo que você se estressa muito fácil. Pode ter um enfarte.

MULDER: - Vou te mostrar quem vai enfartar aqui dentro, imbecil! Vai ser você! E sabe por quê? Porque não vai conseguir esconder aquele monte de lata de sardinha flutuando no mar!

CANCEROSO: - (DESAFIANTE) Acha mesmo?

MULDER: - ...

CANCEROSO: - Mulder, você ficou burro de repente. Acho que está muito tempo na companhia dessa mulherzinha.


TEMPO ATUAL:

Mulder senta-se no sofá. Põe as mãos no rosto. Suspira. Tira as mãos do rosto. Fecha os olhos, nervoso. Lembra-se do bilhete deixado em sua porta: “ Primeiro aviso: Nunca feche seus olhos, sua vida pode desaparecer num pestanejar”.


FLASH BACK:

Arquivos X

Mulder levanta-se de sua cadeira com uma pasta de papel nas mãos. Caminha até o arquivo. Abre uma das gavetas. Coloca a pasta ali dentro.

Close da pasta onde se lê: “Samantha Ann Mulder”. Há um carimbo grande na capa escrito: “Encerrado”.

Mulder fecha a gaveta. Respira fundo. Sorri aliviado.


TEMPO ATUAL:

[Som: Seal – Crazy]

Mulder estende o braço e pega o telefone. Disca um número. Fisionomia séria.

MULDER: - ... Alô? Aqui é a estrelinha. (SORRI) Sam, como você está? ... É, eu tenho andado um pouco tenso por aqui... Não, o Frohike esteve aqui e fez uma limpa de escutas e câmeras de novo... Sam, e-eu... (CHORA) Eu preciso falar com você... Eu estou confuso, estou suspeitando de coisas que não queria suspeitar... é... é sobre a Scully. Acho que todo esse tempo eu fui enganado...

Mulder suspira.

MULDER: - Não, Sam... Não fui enganado pela Scully. Acho que... eles nos uniram. Isso era proposital... Aquele homem esteve aqui me dizendo coisas que eu estou tentando encaixar na minha cabeça, mas não consigo... Sam, preciso falar com você. (CHORA) Só você vai poder me ajudar...

Mulder fica em silêncio a escutando por segundos.

MULDER: - Tá... Eu... Eu te encontro lá... Se cuida, tá. Amo você.

Mulder desliga o telefone. Olha pro nada. Fecha os olhos.


FLASH BACK:

[Aproximação do continente americano. Até finalizar na colina, onde vê-se Mulder em pé, olhando para o céu, pensativo.]

MULDER (OFF): - O quinto selo: As almas dos imolados por causa da palavra de Deus clamaram por justiça. Foi-lhes dado vestes brancas e lhes foi pedido que aguardassem até que se completasse o número de companheiros e irmãos que estavam como eles para serem mortos.

Mulder continua olhando para o céu. A lua avermelhada. Mulder chora.

Um clarão no céu. As roupas de Mulder tornam-se brancas pela luz.

MULDER (OFF): - O sexto selo: O sol se escureceu como um tecido de crina, a lua tornou-se vermelha como o sangue, as estrelas caíram. O céu desapareceu como um pedaço de papiro enrolado, e montes e ilhas foram tirados de seus lugares... Os reis da terra, os grandes, os chefes, os ricos, os poderosos, todos, tanto escravos como livres, esconderam-se nas cavernas e grutas das montanhas...


TEMPO ATUAL:

Mulder levanta-se. Revira alguns livros amontoados num canto. Retira a Bíblia.


FLASH BACK:

Scully observa pelo binóculo, enquanto fala no celular.

Vemos pelo binóculo de Scully, Mulder entrar na sala do Sindicato, do outro lado da rua. Também com o celular ao ouvido.

SCULLY: - Mulder, apresse-se!

MULDER (OFF): - Scully é apenas um escritório, uma espécie de sala de reuniões.

SCULLY: - Mulder, verifique as gavetas! Gavetas escondem segredos.

MULDER (OFF): - As suas escondem?

SCULLY: - Mulder, pára de besteiras! Estou nervosa!

Scully olha pro relógio. Olha pra rua lá embaixo.

Corta para Mulder, andando pela sala do Sindicato.

MULDER: - Scully, não há nada por aqui... ô, ô...

Mulder olha pra cima da mesa.

SCULLY (OFF): - O que achou, Mulder?

Close da mesa. Há uma Bíblia aberta. Mulder caminha até lá.

MULDER: - ... Não vai acreditar... Estavam lendo a Bíblia.

SCULLY (OFF): - Ora, não vai me dizer que eles se reúnem aí para a leitura do Evangelho!

MULDER: - Sempre desconfiei que eram maçons do alto escalão da maçonaria... Scully... Alguma coisa está acontecendo.

SCULLY (OFF): - Como assim?

MULDER: - Estavam lendo o Apocalipse.

SCULLY (OFF): - Mulder, saia já daí! Estou com pressentimentos estranhos.


TEMPO ATUAL:

Mulder sentado na poltrona, observa o livro do Apocalipse.


FLASH BACK:

Apartamento de Mulder

PROF. GUZMAN (OFF): - Terremotos, Dr. Franklin. Apenas terremotos. Isto não implica no fato de que a Terra será destruída! É como se estivéssemos discutindo uma invasão alienígena! Isso é besteira! É apenas uma chuva e terremotos!

ARTIE (OFF): - Nostradamus fez uma previsão de que o mundo acabaria no ano 2.000, o ano da vinda de Cristo. “Em 1999 reinará um grande Rei do terror, o sangue e as doenças avermelharão os rios, e a doença, a guerra e a fome cairão sobre a Terra. Estes acontecimentos culminarão em 2.000”! Nem sempre a data é precisa, meses ou alguns anos podem...

DR. BYRON (OFF): - A mim parece que está se referindo ao governo Bush se ele ganhar as próximas eleições!


Apartamento do Canceroso – 5:02 A.M.

O Canceroso pára de escrever. Olha pra máquina.


FLASH BACK:

Diana olha para o Canceroso. O Canceroso olha pra ela, soprando a fumaça.

DIANA: - Poderia tentar outros métodos. Me dê uma última chance. Desta vez não falharei.

Diana lança um olhar de dúvida. Respira fundo.

DIANA: - Você tem um problema. E eu quero o que me prometeu. É a hora do pagamento.

CANCEROSO: - Sabe que vai receber apenas a metade do que prometi.

DIANA: - É esta metade que quero.

CANCEROSO: - ... Faça sua parte. É sua última chance.

DIANA: - Eu falhei, sabe que falhei. Tentei afastá-lo dela, tentei puxá-lo pra você, mas não foi o método correto.

CANCEROSO: - Acha que conseguirá desta vez?

DIANA: - Tenho o meu plano agora. Farei o serviço. Mas em troca, quero liberdade pra agir. Talvez a verdade seja o que Mulder precise ouvir. Vai pensar que é uma mentira. Eu pegarei as provas pra você.


TEMPO ATUAL:

O Canceroso acende outro cigarro. Olhar distante, pensativo.


FLASH BACK:

Arquivos X

Scully fecha os olhos. Abre-os. Guarda a arma.

CANCEROSO: - Tem 12 horas pra pensar. Me devolva as provas que tem e eu lhe devolverei o que quer.

SCULLY: - Não tem nada que eu possa querer!

CANCEROSO: - Não? Pense bem, agente Scully... Você teve um câncer, eu a ajudei. Está viva porque eu quis entregar o chip ao Mulder. Não porque Mulder queria. Ele é um fraco, um pobre infeliz que acha que pode passar por cima de mim. Mulder vive em busca de sua verdade, do seu ‘ouro de tolo’.

SCULLY: - Você me deu aquele câncer, seu desgraçado!

CANCEROSO: - (CÍNICO) Você começou a bisbilhotar coisas que não devia. Como está fazendo agora. Me traiu. Logo eu, quem impulsionou sua carreira no FBI, quem lhe colocou aqui dentro. Mas tudo bem, as pessoas são falsas mesmo. Você as ajuda num dia, no outro elas o desprezam...

SCULLY: - (IRRITADA) Seu louco! Você é louco, doente, insano! Pode ter permitido que eu entrasse nos Arquivos X mas isso não lhe dá o direito de achar que impulsionou minha carreira! Minha carreira é honesta, não preciso de pessoas de poder para galgar degraus! Eu sou quem sou e o meu trabalho é meu reflexo pessoal!

CANCEROSO: - Acredito que não gostaria de acordar sem esse chip. Já pensou nisso, seu câncer voltaria... Sabe, as coisas como aparecem, também somem, agente Scully. Ou quem sabe, ver seu parceiro acordar com algum vírus letal e desconhecido no organismo. Vê-lo definhar até a morte estragaria seu amor por ele.

Scully olha para o Canceroso com raiva, segurando as lágrimas.

SCULLY: - Como pode manipular e ameaçar as pessoas desse jeito? Não há um ser humano dentro de você? Nunca amou, nunca sentiu dor?

CANCEROSO: - (TRAGA O CIGARRO/ SORRI) Sabe que tenho meios para fazer isso. Poderia conseguir o que quero facilmente. Mas prefiro negociar, com educação, afinal somos civilizados, não é mesmo?

SCULLY: - ...

CANCEROSO: - (DEBOCHADO) Por respeitá-la, minha pupila predileta, vou fazer uma proposta para você. Uma proposta de amigo. Entregue as provas e eu lhe devolverei a chance de ter seus filhos.

Scully amolece o corpo.

CANCEROSO: - Poderá realizar seu sonho de ser mulher. Porque sendo estéril, que tipo de mulher é você? Acha que Mulder não vai querer ter filhos? Ele é um homem saudável, vai querer ter sua prole. Mas você... Você não é uma mulher, na concepção correta da palavra. Você não tem o que as mulheres têm. E com certeza, Mulder vai achar alguém que dê o que ele quer. Pobrezinha... Tão bonita, mas tão inútil como fêmea.

Scully cerra os punhos, tentando conter o ódio.

CANCEROSO: - Viu? Não sou mal como dizem. Estou oferecendo um presente. Esse meu pobre coração tão grande, tão gentil, ainda vai acabar comigo.

SCULLY: - ... Desgraçado! Você vai pagar caro o que está fazendo com as pessoas! Espero que apodreça no inferno!

CANCEROSO: - O inferno, agente Scully, é a repetição. Portanto, você está no inferno, repetindo e repetindo a dor de não ter filhos...


BLOCO 4:

Apartamento de Mulder – 5:18 A.M.

[Som: Seal – Crazy]

Mulder escorado na parede, em lágrimas.


FLASH BACK:

Prisão Federal

Mulder fecha a revista. Levanta-se. Olha pra Krycek.

MULDER: - Acha mesmo? Bill Mulder era um bom sujeito, até que você o matou.

KRYCEK: - Matei. Matei e precisava ver a cara que fez quando morreu!

Mulder tenta puxá-lo pela grade. Krycek afasta-se, rindo.

KRYCEK: - Sabe de quem estou falando.

MULDER: - Meu pai é o Bill! Não é quem você está pensando.

KRYCEK: - Está protegendo o segredinho dele, não é mesmo? Se confirmasse isso na frente de algumas pessoas, o destruiria, seu idiota! Foi só o que pedi! Mas não, você não pode. Tem medo dele!

MULDER: - Não tenho medo dele!

KRYCEK: - Então por que o protege?

MULDER: - Mesmo que fosse verdade, eu prefiro lutar contra ele do que lutar contra um covarde como você, um insensato! Você não é um rival à minha altura, seu bastardo!

KRYCEK: - Besteira! Sabe que eu sou mais pacífico do que seu pai. Eu lutaria contra os alienígenas. Não sou covarde.

MULDER: - Não sei nada de você, Krycek, exceto que é um rato traidor e mentiroso, que trabalha pra si mesmo.


TEMPO ATUAL:

[Som: Seal – Crazy]

Mulder senta-se no chão, abaixando a cabeça, nervoso e chorando.


FLASH BACK:

Estrada Interestadual

Scully dirige o carro. Mulder olha atentamente pra estrada. A chuva cai fortemente.

MULDER: - Montaram uma base, Scully. E não foi pra distribuir alimento aos carentes.

SCULLY: - Base? Que base, Mulder?

MULDER: - Estão se preparando. Estão com medo. Scully, a coisa toda já começou.

SCULLY: - ... Mulder, a coisa toda já começou realmente.

MULDER: - Ah, então acredita em mim!

SCULLY: - Não da maneira como acha, Mulder.

MULDER: - O que quer dizer com isso? Alguma teoria?

SCULLY: - Mulder, conhece o Livro das Revelações, ou o Apocalipse como chamam. Por que acha que eles estão com medo? Por que leriam a Bíblia, Mulder? Eles não tem poder contra Deus ou seja lá o que for Deus. Estavam buscando respostas!

MULDER: - ?

SCULLY: - A Bíblia disse que quando o Messias voltasse, haveria um grande sinal no céu. Os grandes reis esconderiam-se nas montanhas, com medo da ira divina. Eles têm medo, Mulder. Assim como nós, não sabem todas as verdades. E nem a hora H!

MULDER: - (IRRITADO) Ah, Scully, você não acredita nessa besteira de alinhamento planetário!

Scully olha séria pra Mulder.

MULDER: - Ah, não acredito nisso! Isso não pode vir de uma cientista.

SCULLY: - Ouviu o programa na TV, Mulder. Concordo com as opiniões da NASA. O planeta está mudando, Mulder. Não vou ser trágica a ponto de dizer que tudo será destruído. Mas vamos sofrer uma extinção.

MULDER: - Concordo com isso, Scully. Mas ela virá dos alienígenas.

SCULLY: - Acho que falo de outros alienígenas, Mulder. Não dos seus. Não sei, eu... Minha fé está abalada, eu nem sei se acredito mais no Deus que eu conhecia. Mas ele ainda continua sendo Deus, Mulder. Porque é justo. Independente de quem seja.

MULDER: - Scully, é só um alinhamento.

SCULLY: - É? Então por que essa chuva não pára? Por que tantos terremotos nos últimos dias? Tantas inundações? Tanta desgraça vinda da natureza? Vingança pelo que fizemos com ela?

MULDER: - ...

SCULLY: - Mulder, não creio muito em astrologia, sabe disso. Mas os braços desta cruz estarão situados em Aquário, Touro, Leão e Escorpião. Que segundo os astrólogos, correspondem aos símbolos dos Quatro Cavaleiros do Apocalipse. Os quatro primeiros selos do Livro. Eles estão com medo, Mulder. Devem saber de algo. Se a invasão que você diz que vai acontecer começar, será antecipada por precaução.

MULDER: - ... Scully e se você estiver certa? Faz sentido o porquê de estarem com medo. Faz muito mais sentido...


Apartamento do Canceroso – 5:27 A.M.

O Canceroso, na frente do espelho, ajeita a gravata.


FLASH BACK:

Rua 46 Este

O Canceroso observa a chuva pela janela. Olha pro relógio.

KRYCEK: - Ela não vai negociar.

CANCEROSO: - Nunca menospreze os sentimentos maternos. São mais fortes. Por mais que ame o Mulder, ela faria qualquer coisa pra ter um filho.

KRYCEK: - ...

CANCEROSO: - Vamos esperar. O mau tempo está atrasando tudo. Se ela não nos entregar as provas, tentaremos obtê-las por outros métodos.

KRYCEK: - Confia demais no seu instinto, não acha?

CANCEROSO: - Confio nela. Se fosse Mulder, já teria dado uns tapas nele e tirado aquilo de suas mãos à força.

O telefone toca. O Canceroso atende.

CANCEROSO: - Quem fala?... Sim.... Estou com outro problema mais sério no momento, isto pode esperar... Mantenha tudo sob controle. Nos encontraremos na Base às 11 da noite...

O Canceroso desliga.

CANCEROSO: - Pode ir na minha frente se quiser.

KRYCEK: - (SORRINDO/ DESCONFIADO) Não. Desta vez vou com você.

O Canceroso sorri. Krycek olha pra ele desconfiado.

CANCEROSO: - Duas e trinta e quatro da manhã. Hora H. As pessoas estarão dormindo... Mal sabem o que vai lhes acontecer. Mas nós, devemos estar prontos.

KRYCEK: - Os nossos alienígenas não podem nos ajudar?

O Canceroso olha pela janela.

CANCEROSO: - O que foi escrito não será mudado. Estamos pagando pela nossa ganância.

KRYCEK: - Não vai interferir na Colonização?

CANCEROSO: - Isso já estava nos planos.


TEMPO ATUAL:

[Som: Seal – Crazy]

O Canceroso coloca um paletó. Acende outro cigarro, nervoso.

CANCEROSO: - Cadela. Se tivesse seguido o que mandei, você seria a escolhida... Eu teria evitado que a desgraça acontecesse... E se Mulder não tivesse fugido com a Samantha... Poderia poupá-la. Mas não. O inevitável tinha que acontecer. Antes que os alienígenas descobrissem tudo, precisava usar você como troca pela Samantha.


FLASH BACK:

Fort Marlene

Diana é levada por dois homens. Ela reluta. O Caçador de Recompensas segue atrás deles.

DIANA: - Pra onde estão me levando? Eu quero falar com ele!

Os homens continuam em silêncio.

DIANA: - Eu quero falar com ele! Aposto que ele não sabe o que estão fazendo comigo. Vão se arrepender!

Os homens abrem uma porta. Há uma mesa cirúrgica. Diana arregala os olhos.

DIANA: - Eu trabalho pra ele, não podem fazer isso!

Eles a empurram pra dentro da sala. Diana grita desesperada. O Caçador de Recompensas tranca a porta. Uma luz sai pela janela de vidro da porta. O Caçador afasta-se. Caminha pelo corredor. O Canceroso sai de uma sala.

CANCEROSO: - Cumpri minha palavra. Agora faça-os cumprirem a sua.

CAÇADOR: - Ela servirá no lugar de Samantha.

CANCEROSO: - Vamos, temos que ir embora. O avião nos espera.


Apartamento de Mulder – 5:39 A.M.

Mulder olha pra foto de Scully em suas mãos, chorando. Fecha os olhos.


FLASH BACK:

Apartamento de Scully

Mulder bate na porta, repetidas vezes. Põe mão no bolso e tira um molho de chaves. Procura a chave do apartamento dela. Abre a porta. Acende as luzes. Fecha a porta.

MULDER: - Scully!

Mulder a procura por todo o apartamento, desesperado. Não a encontra. Mulder caminha até a escrivaninha. Pega uma caneta e uma folha da impressora. Começa a escrever. Pára. Olha pro cesto de papéis no chão. Há um envelope e um par de sapatinhos de bebê no lixo. Mulder olha intrigado. Pega o envelope e os sapatinhos. Abre o envelope. Retira uma embalagem de Morley.

Lemos no verso da embalagem: “Obrigado. Cumpri meu acordo em partes. Tem seu homem vivo, mas não há como reverter o processo de ovulação.”

Mulder olha pros sapatinhos. Fecha os olhos, culpado e com raiva de si mesmo. As lágrimas correm.


Apartamento do Canceroso – 5:41 A.M.

O Canceroso observa pela janela. A cidade ainda está escura.


FLASH BACK:

Abaixo da colina, na base, o Canceroso fuma um cigarro. O Caçador de Recompensas aproxima-se dele.

CAÇADOR: - Tudo pronto.

CANCEROSO: - Não. Hoje não. Podemos esperar. Diga a eles que está tudo sob controle. Estou com as provas. O mundo ainda não sabe de nós. Não há mais ameaça. Podemos adiar a invasão.

O Caçador afasta-se. O Canceroso olha pro nada. Sorri.

CANCEROSO (OFF): - Hoje, uma mulher deu a vida a bilhões de seres nesse planeta. E ela ainda acredita que nunca poderá gerar uma vida, que nunca será uma mãe.


Apartamento de Mulder – 5:44 A.M.

[Som: Seal – Crazy]

Mulder chora, sentado no chão.


FLASH BACK:

Rua 46 Este

Mulder avança no Canceroso. Mira a arma na cabeça dele.

MULDER: - (GRITA COM ÓDIO) Você vai aprender a não se meter com ela!!!!!

CANCEROSO: - Está realmente apaixonado pela baixinha, não é mesmo?

Mulder empurra a arma contra a testa do Canceroso.

MULDER: - Scully. Senhorita Scully, quando se referir à ela.

CANCEROSO: - Acha que vai me matar? Você sempre recua.

MULDER: - ...

CANCEROSO: - Sabe que não pode fazer isso. Não é uma coisa inteligente.

MULDER: - (RINDO DEBOCHADO) Não sei de mais nada, tiraram a parte inteligente do meu cérebro!

CANCEROSO: - (CÍNICO) Sabe que matar seu pai é um pecado mortal.

MULDER: - Sabe que matar seu filho também é.

CANCEROSO: - Se vai atirar, atire de uma vez. Me poupe das suas ironias.

Mulder o solta. Guarda a arma no coldre.

MULDER: - Não, eu não vou matar você. Você vai se matar. A morte é uma benção pra pessoas como você. Vou vê-lo definhar de câncer! Vai morrer sozinho. E quando isso acontecer, quero olhar em seus olhos, no momento em que toda a sua vida passar diante de você!

O Canceroso mete um tapa na cara de Mulder. Mulder olha pra ele, incrédulo.

CANCEROSO: - Não admito que fale assim comigo!

Mulder o segura pelo paletó, olhando nos olhos dele. O ódio é enorme.

MULDER: - (GRITA) Falo com você do jeito que eu quero e quando eu quero. Se tem problemas comigo, é comigo que vai resolver, não com as pessoas que me cercam. Não vai mais me atingir com isso. Quando tocar num fio de cabelo de quem eu prezo, vou machucar um dos seus. A começar por mim mesmo. Se quer me proteger, proteja-me de mim mesmo, porque eu sou um monstro igual ou pior do que você!

Mulder o solta. O Canceroso olha pra ele, sério. Nervoso.

MULDER: - Agora ficou com medo, não é mesmo? Eu sou a única coisa que você tem, desgraçado! Eu mesmo posso acabar com o que te resta.

CANCEROSO: - Então veio aqui pra me ameaçar? Quem pensa que é?

MULDER: - Seu filho. O pior dos seus pesadelos.

O Canceroso acende outro cigarro. Mulder caminha até a porta.

CANCEROSO: - (DEBOCHADO) Seu irmão era mais comportado, sabia?

MULDER: - (DEBOCHADO) Matou o filho errado, senhor Fumacinha. Se é que ele era seu filho mesmo.

CANCEROSO: - E será que você é?

Mulder pára. Vira-se para o Canceroso, que sopra a fumaça suavemente.

CANCEROSO: - (DEBOCHADO) Talvez esteja com a idéia errada de filho. Talvez nem sua mãe soubesse da verdade. Talvez você seja o produto final de uma experiência bem sucedida. Ou uma cobaia de laboratório, para ser mais exato. Frankenstein não era o pai do monstro? E nem precisou doar seus genes.

MULDER: - ... (SEGURANDO AS LÁGRIMAS, CONFUSO)

CANCEROSO: - (CRUEL) O construiu com os genes dos outros, pedaço por pedaço. Imagine a sensação do monstro, ao descobrir que cada célula sua provinha de um ‘pai’ diferente. Deve ser um sentimento terrível... Vários pais... Talvez várias mães... O quão humanos seriam? Seriam humanos mesmo? Afinal, ele era um monstro...

Mulder segura as lágrimas, com ódio.

MULDER: - Vá pro inferno! Pouco me importa o que sou ou de onde vim!

Mulder abre a porta.

CANCEROSO: - Eu não tenho a cura que ela precisa. Não há cura. Mas não fique chateado. Sei que tem os óvulos dela.

Mulder pára. Fecha a porta.

CANCEROSO: - (VITORIOSO) Sei que nos deram óvulos trocados. Mas eu fui bonzinho, não falei nada. Deixei-os com você. Pode dizer que... Sou um avô amoroso.

MULDER: - (RINDO) Avô? Não, você nunca terá netos, desgraçado. Eu não vou te dar esse gostinho!

CANCEROSO: - E vai tirar o gostinho da agente Scully?

MULDER: - Nós não temos mais nada. Acabou tudo.

CANCEROSO: - (PROVOCANDO) Você é meu filho mesmo. Não sabe amar uma mulher. Ama apenas a si mesmo.

MULDER: - ...

CANCEROSO: - É egoísta demais. Ela é uma pessoa muito sensível. Gosto dela. Mas isso não vai poupá-la. Ela ainda trabalha com você. E eu não posso manter tudo sob meu controle.

MULDER: - (GRITA) Ela não tem nada mais a ver comigo! Pode engolir seu inquérito de investigação das nossas vidas no FBI. Não terá mais como me pegar. Meu relacionamento com ela terminou... Bem, vai verificar isso quando não ouvir mais nossas conversas pelas escutas que colocou em nossos apartamentos.

CANCEROSO: - (INSTIGANDO) Vai ficar o resto da vida sozinho? Vai afundar sua vida por minha causa? Vai me dar esse prazer?

MULDER: - (ÓDIO) Não. Você vai ter o desprazer de ver seu sangue terminar em mim!


TEMPO ATUAL:

[Som: Seal – Crazy]

Mulder levanta-se, secando as lágrimas. Chuta os móveis, furioso. O desespero é visível.

MULDER: - Desgraçado! Desgraçado! Eu sou um burro! Um idiota! Eu não percebi!

Mulder senta-se no sofá, chorando convulsivamente.

MULDER: - (CHORANDO) Eu não percebi!


FLASH BACK:

Cais do Porto – Armazém P – Nova Iorque

Mulder é arrastado, sem camisa, pelo depósito por dois homens. Está todo esfolado. Quase inconsciente. Sangra muito. Eles o largam perto de uma parede, de onde pendem duas cordas que passam por cima das vigas de madeira do teto. Mulder não reage, está fraco demais. Krycek aproxima-se.

KRYCEK: - Ora, espero que tenha gostado do comitê de despedida.

MULDER: - ...

KRYCEK: - Preparamos uma surpresa pra você, rei dos injustiçados. Uma surpresa a sua altura.

Krycek sinaliza para os homens. Eles amarram cada corda num dos pulsos de Mulder.

MULDER: - ... (ASSUSTADO) O... o que estão fazendo?

KRYCEK: - Acho que você vai ficar bonitinho, pendurado aí... Vai combinar com a decoração.

Os homens puxam as cordas erguendo Mulder, contra a parede. O terceiro homem coloca um caixote junto a parede. Debaixo do pés de Mulder. Mulder está assustado.

MULDER: - (ASSUSTADO) O que vão fazer? Me soltem!

KRYCEK: - Com os cumprimentos de ‘deus pai’, vamos mostrar pra você...

Um dos homens aproxima-se com dois pregos grandes e um martelo.

KRYCEK: - ... O quanto dói ser Jesus Cristo.


TEMPO ATUAL:

[Som: Seal – Crazy]

Mulder continua chorando convulsivamente.

MULDER: - Jesus Cristo... (CHORA) Ele estava tentando me dizer algo... Estou bem longe de ser Jesus Cristo! (CHORA) Ah, Deus! Deus! Se é que você existe mesmo, afasta esse cálice de mim! Eu não quero isso! Não, eu não quero! Não por mim, mas por ela! (CHORA) Por ela...


Apartamento do Canceroso – 6:23 A.M.

O Canceroso veste um sobretudo. Acende outro cigarro. Fisionomia de preocupação.

CANCEROSO: - Mulder, agora o dia D está chegando. Vamos travar nossa batalha final. O que o destino escreveu será concluído. Entre mortos e feridos, nós dois sairemos vitoriosos. Você um pouco mais machucado.

O Canceroso respira fundo.

CANCEROSO: - Eu quis evitar. Agora vejo que não havia como ser evitado... É ela. Sem sombra de dúvida, é ela... Não poderia ser outra. Tudo já estava escrito.

O Canceroso sai do apartamento.


Apartamento de Mulder – 6:37 A.M.

[Som: Seal – Crazy]

Mulder termina de se vestir. Seca algumas lágrimas. Coloca o paletó. Olhos inchados de chorar.

Batidas na porta.

Mulder abre a porta. Scully olha pra ele.

SCULLY: - O que aconteceu?

MULDER: - Nada.

SCULLY: - ... (PREOCUPADA) Mulder, você passou a noite inteira acordado e chorando?

MULDER: - Não, eu estou com uma alergia nos olhos... É só isso.

SCULLY: - Deixa eu ver...

Mulder afasta-se.

MULDER: - Não, eu já coloquei um colírio...

SCULLY: - ... Passei aqui pra te pegar.

MULDER: - Tá. Eu já estou pronto.

SCULLY: - ... Mulder... Podemos nos encontrar hoje à noite?

MULDER: - (TENTANDO SER FRIO COM ELA) Acho que não vai dar, Scully. Eu tenho trabalho pra fazer. Acho que as coisas vão ficar difíceis pra nós agora... Não teremos muito tempo pra se ver...

SCULLY: - ... (RESSENTIDA) Tá.

Os dois saem. Mulder fecha a porta atrás de si.

Corta pra Bíblia sobre a escrivaninha de Mulder, em Apocalipse 12:

MULDER (OFF): - E a sua cauda levou após si a terça parte das estrelas do céu, e lançou-as sobre a terra; e o dragão parou diante da mulher que havia de dar a luz, para que, dando ela a luz, lhe tragasse o filho. E deu a luz um filho, um varão que há de reger todas as nações com vara de ferro; e o seu filho foi arrebatado para Deus e para seu trono...

Fade out.

X

23/05/2000


4 de Agosto de 2019 às 21:00 0 Denunciar Insira 0
Fim

Conheça o autor

Lara One As fanfics da One são escritas em forma de roteiro adaptado, em episódios e dispostas por temporadas, como uma série de verdade. Uma alternativa shipper à mitologia da série de televisão Arquivo X. https://www.facebook.com/laraone1

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