Desconto na mesada Seguir história

aikimsoo Ai KimSoo

Baekhyun e Chanyeol estão juntos há cinco anos, levando uma vida tranquila e de contas de luz altas. Não podiam julgar Kyungsoo, filho de Baekhyun, por ficar até tarde jogando video-game com Jongin, irmão mais novo de Chanyeol, porque também gostavam de jogar e ficar até tarde com a televisão ligada. Mas como manter a conta de luz caríssima, se Jongin e Kyungsoo ficam pedindo dinheiro todo dia para pagar a tia da cantina ou comprar algum mangá novo? A dupla podia ter 12 anos e depender de mesada, mas Baekhyun estava determinado a fazer os dois entenderem o valor suado do dinheiro dos mais velhos com o novo esquema que criou.


Fanfiction Bandas/Cantores Todo o público.

#pais #chanbaekpais #kaisoo #gay #yaoi #aikimsoo
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Cadê nosso dinheiro?

Baekhyun estava juntando os bolinhos de dinheiro de acordo com as contas para pagar. Já tinha separado a da água, do telefone e agora mexia na da luz, dando falta da metade do dinheiro. Um pouco preocupado, tratou de recontar os outros dois malotes de dinheiro e viu que não tinha nada a mais e nem a menos. Até se sentou na cadeira para tentar pensar e encontrar onde estava o restante da verba. Não tinha gastado ou perdido, tinha?

-Onde está isso? - resmungou consigo mesmo.

-Que cara é essa? - foi interrompido por seu marido, que adentrava a cozinha em busca de água.

-Chanyeol, você já me deu a sua parte do dinheiro da luz? - Baekhyun perguntou, lembrando que não havia visto nem a cor da parte do dinheiro do grandão. Tinha ficado até mais tranquilo, pois agora sabia que não tinha perdido e não ficava com a consciência pesada.

-Esqueci! Quanto eu tenho que te dar mesmo? - o maior indagou.

-300,00 - Baekhyun respondeu e viu Chanyeol cuspir a água. - Que reação foi essa?

-A conta de luz veio 600?! Comassim?! - o maior estava desacreditado.

-Aquecedor ou ar-condicionado ligado o dia todo, as três televisões que temos em casa ficam praticamente ligadas o dia todo também, banho quente de mais de meia-hora, computador e laptop das crianças ligados, cônsules de jogos...

-Não precisa listar, já entendi. - o maior resmungou e Baekhyun riu.

-Você sabe que nossa conta de luz nunca vem menos que 500, já que nós também gostamos de passar uma boa parte do dia jogando. - o menor foi sincero, pois sabia que também tinha culpa na conta vir alta, mas sempre puderam pagar e ainda restava dinheiro, então não tinha problema. - Então, tem como você me dar? Aproveita e me dá os 50 da sua parte da conta de internet. Eu pretendo pagar tudo amanhã, quando eu estiver voltando da empresa. - justificou e viu Chanyeol fechar a geladeira, depois de colocar o jarro de água dentro da mesma, enquanto aguardava uma resposta. Chanyeol continuou calado. - Mozão, por que você tá calado? – questionou, mesmo que tivesse medo da resposta.

-Então... er... - Chanyeol murmurou sem jeito. - Se eu te pagar a luz, não tenho dinheiro pra pagar a internet e nem pra sobreviver até o final do mês. Na verdade, acho que nem pra luz eu tenho...-Como? O que aconteceu com o seu salário? - Baekhyun se desesperou.

-Eu te dei o dinheiro de algumas contas, paguei algumas prestações que eu tinha, o Kyungsoo me pediu 50 reais pra comprar um jogo, o Jongin me pediu 30 pra comprar um livro, depois o Kyungsoo me pediu 5 pra pagar a tia da cantina, o Jongin me pediu 50 pra...

-Eu já entendi o que aconteceu. - Baekhyun suspirou com pesar. - Só no que você me contou, pelo menos da parte das crianças, você já morreu 135. Sabe o que é pior? Eu devo ter morrido por aí também. - resmungou. - Deixa que eu pago a conta de luz e mês que vem você paga. Mas eu vou dar um basta no Kyungsoo e no Jongin. Eles precisam entender que dinheiro não dá em árvore pra ficarem gastando à toa.

-Como assim? - Chanyeol indagou confuso.

-Espere e verá. Agora venha comigo, que eu preciso ligar meu laptop pra colocar isso em prática. - chamou o marido, o pegando pela mão e nem dando chance para que o mesmo negasse o convite.


•ᴥ•


Jongin estava vibrando com a possibilidade de zerar pela primeira vez aquele jogo raro do Nintendo. Fazia uma barulheira só no quarto que dividia com Kyungsoo, mas o menor não se incomodava, afinal, costumava fazer tanto barulho quanto o mais novo. Sem mencionar que no momento estava segurando o tablet e assistindo à um filme japonês, embora sua mente não estivesse totalmente concentrada na trama.

-Jongin? - chamou o mais novo assim que percebeu que o mesmo tinha pausado o jogo.

-Falar, hyung. - Jongin respondeu imediatamente, virando-se para encarar o mais velho.

-Você... Você sente saudades da sua mãe? - o menor questionou e tirou os fones, apoiando o tablet na perna esticada, já que estava deitado na cama.

-Nem. - Jongin respondeu sem hesitar.

-Sério? - Kyungsoo ficou surpreso.

-Seríssimo! Você sabe que eu não cheguei a ficar nem seis anos direito com ela. Quando ela casou com o meu pai, o Chanyeol já tinha 17 anos e ela só engravidou de mim pra ver se segurava o marido, mas não deu certo. Você sabe disso, quem sempre cuidou de mim foi o Chanyeol, tanto que o chamo de Appa, porque ele que sempre esteve presente na minha vida. – afirmou e sorriu, relembrando do dia que finalmente tinha saído de casa. - Quando completei 6 anos, Chanyeol terminou a faculdade e arrumou um emprego, então saímos de casa. Minha mãezinha querida nem se incomodou, só ficou com a pensão e nem liga pra gente. Você sabe bem disso. - Jongin resmungou e então arregalou os olhos ao lembrar de algo. - Você sente falta da sua?

-Sim... - Kyungsoo respondeu cabisbaixo. - Sei que ela engravidou cedo e tudo mais, só que...

-Não era razão pra te abandonar, eu sei. Por isso o Baekkie-appa não te abandona. Ele te ama muito. - Jongin tentou tranquilizar o melhor amigo.

-Ele nos ama muito. - Kyungsoo corrigiu e Jongin riu.

-Você está dizendo isso por causa daquelas meninas chatas né? - Jongin indagou e viu o mais velho arregalar os olhos.

-Que meninas?! - a voz do mais baixo subiu algumas oitavas devido a mentira.

-Aquelas que estavam falando que você e eu somos de dar pena, porque nossas mães nos abandonaram e chamamos de pais dois homens nojentos que se pegam. - Jongin reclamou e ficou de pé, caminhando até a cama em que o mais velho estava. - Eu ouvi tudo. Elas estavam te incomodando, porque a festa do dia das mães tá chegando e nós não temos mães, só “pais”. Pensei que fosse me contar. – concluiu com um biquinho. Seu hyung e ele sempre contavam tudo um para o outro, não gostava da ideia do mais velho estar escondendo alguns segredinhos.

-Não queria que você soubesse, porque eu sei como isso pode magoar. - Kyungsoo foi sincero. Só queria proteger seu dongsaeng.

-Não magoa tanto, porque eu tenho o carinho dos nossos pais e o seu também. Nós não somos irmãos, não temos o mesmo sangue, mas não deixamos de ser uma família. Você é meu melhor amigo, Soo, assim como o seu pai é como um pai pra mim...

-Seu hyung também é como um pai pra mim. - o menor murmurou enquanto Jongin sentava ao seu lado na cama e fazia carinho em seus cabelos.

-Então pronto! Não tem porque ficar triste, eu amo muito nossa família e se os outros não entendem isso, azar o deles! - o maior foi convicto e Kyungsoo sorriu o seu coração.

-Tem razão, Nini, eu te amo e aos nossos pais também! - Kyungsoo concordou e abraçou Jongin de uma maneira desengonçado.

-Agora levanta, vamos jogar no meu Nintendo. - chamou e puxou o menor da cama.

As duas crianças de 12 anos começaram a jogar e se divertir. Tinham passado a viver juntos aos 7 anos, quando Baekhyun e Chanyeol resolveram que já namoravam tempo o suficiente para morarem juntos e se ajudarem com suas crianças. Kyungsoo e Jongin amaram, porque estudavam juntos desde os 5 anos e eram amiguinhos, além de saberem do rolo de seus responsáveis.

Baekhyun era bissexual e tinha 24 anos quando se apaixonou por Chanyeol, um universitário de 23 anos e 9 meses. Baekhyun tinha tido uma namorada em sua adolescência e a mesma engravidou quando ambos tinham 16/17 anos, causando uma junção forçada dos dois para cuidarem da criança que viria a nascer. Felizmente, Baekhyun era de uma família rica e pôde continuar os estudos, além de trabalhar e sustentar a casa. O senhor e senhora Byun estavam mais interessados em terem um netinho do que no fato de Baekhyun ter esquecido de usar camisinha.

O nascimento de Kyungsoo aconteceu e o pequeno teve seus pais juntos até os 21 anos de Baekhyun - Kyungsoo tinha 4 - quando sua mãe resolveu ir embora viver a vida, porque era nova demais para ficar se preocupando com buscar o filho na escola. Durante um longo período, Baekhyun precisou se desdobrar para dar o dobro de atenção ao seu filhinho e terminar sua faculdade, pois sabia que Kyungsoo era sensível e sentia falta da mãe, mesmo tendo tudo o que sempre pedia aos avós ou ao próprio pai.

Foi em uma reunião de seu bebê de 5 anos que conheceu Park Chanyeol, um futuro pedagogo que cuidava do irmão mais novo como se fosse seu próprio filho. Baekhyun só foi descobrir que Jongin realmente não era filho de Chanyeol quando Kyungsoo contou que tinha um amiguinho na escola que era igual a ele, ou seja, abandonado pela mãe.

Talvez a situação um pouco semelhante das duas famílias tenham as aproximado, além de suas personalidades se completarem. Várias vezes Baekhyun aceitou ficar tomando conta de Jongin para que Chanyeol estudasse para alguma prova ou Chanyeol cuidando de Kyungsoo para que Baekhyun terminasse seu trabalho.

Somente quando Baekhyun e Chanyeol se deram conta que em suas casas existiam roupa de duas crianças e não uma, que compreenderam o sentimento compartilhado. Se amavam mais do que simples amigos e então começaram um relacionamento, que foi muito bem aceito pela família do mais velho.

Talvez o senhor e a senhora Byun não tenham se oposto ao relacionamento homoafetivo do único filho que tinham, justamente por terem visto como o jovem Park fazia bem para seu filho e netinho, que tentavam se erguer depois de ser abandonado pela namorada e mãe. Amavam demais o filho e neto, então era mais importante os verem felizes do que os julgarem. Kyungsoo era muito feliz com o Park e o Kim, o irmão mais novo do adulto, então não havia razões para se oporem à tal relacionamento.

O amor e a felicidade de seus queridos era tão mais importante que qualquer pré-conceito, que foram o senhor e a senhora Byun os responsáveis pela ideia de Baekhyun e Chanyeol morarem juntos, já que se amavam e suas crianças também.

A nova família existia há cerca de 5 anos, tendo em vista que Kyungsoo e Jongin agora se encontravam com 12 anos. Não existia favoritismo e o amor era compartilhado de igual para igual. Mesmo que a sociedade julgasse, aquela família era o melhor exemplo do que significava tal palavra. Mesmo que não fossem casados no papel, Chanyeol e Baekhyun eram marido e marido de corpo e alma, enquanto Kyungsoo e Jongin eram seus filhos mais queridos, mesmo extorquindo dinheiro.


•ᴥ•


No dia seguinte, Baekhyun estava de folga na empresa de sua família, então ele foi pessoalmente buscar Jongin e Kyungsoo, aproveitando para buscar o Park e o levar para casa também. Chanyeol era pedagogo na escola em que as crianças estudavam e como naquele dia não tinha turma depois das 13h, aproveitariam para a família ficar reunida.

Por isso, Baekhyun tinha decidido pôr em prática seu plano e contava com a ajuda de Chanyeol, que estava gostando da ideia, mas se achando malvado demais por apoiá-la. Pobre Jongin e Kyungsoo, que não faziam ideia do que estava por vir.

Ao chegarem em casa, Baekhyun mandou as crianças sentarem no sofá e pediu que esperassem, pois precisava pegar algo em seu quarto. Chanyeol foi junto, porque caso ficasse, acabaria contando tudo assim que as crianças o indagassem.

-O que será que aconteceu? - Kyungsoo murmurou.

-Seja lá o que for, só quero ler aquele livro...

-Aqui. - Baekhyun interrompeu a fala do mais novo ao chegar na sala e entregar um papel para o mesmo.

-O que é isso? - Jongin questionou.

-Apenas leia e irá entender. - Baekhyun instruiu e Kyungsoo se aproximou de Jongin, para que ambos pudessem ler o que tinha naquela folha impressa.

REGRAS DA MESADA

Mês: Abril de 2008

Total: 100, 00

Faltar/Atrasar para escola (-2,00)

Não fazer tarefa da escola (-3,00)

Não fazer tarefa de casa (-3,00)

Não escovar os dentes (-1,00)

Enrolar para tomar banho (-2,00)

Deixar qualquer aparelho ligado sem usar (-20,00)

Não dar descarga ou deixar a tampa levantada (-0,50)

Tirar notas baixas na escola (-50,00)

Esquecer qualquer luz acessa (-10,00)

Deixar roupa ou toalha largada (-3,00)

Desobedecer aos pais (-80,00)

Total de Descontos:

Valor da mesada do Mês:

-Como vocês podem ver, estipulamos um valor de mesada a vocês dois. Vocês começam com 100 pra cada e a cada coisa que forem fazendo e constar no que desconta nessa lista, a mesada de vocês vai diminuindo. Channie e eu marcaremos com um X a cada vez que vocês forem descontados, ou seja, se o Kyungsoo se atrasar pra escola, vai ter um X marcando na sua parte da coluna e se o Jongin deixar qualquer aparelho ligado sem usar, vai ter um X na parte correspondente a sua coluna. Iremos pendurar esta tabelinha na geladeira e marcar lá. Todo mês vai ter uma guia diferente. - Baekhyun explicou.

-Mas por que isso? - Kyungsoo questionou o pai.

-Vocês pedem dinheiro toda hora e a gente acaba dando. Pra vocês terem noção, eu não tive dinheiro pra pagar a conta de luz, porque gastei quase meu salário todo dando dinheiro pro que vocês pediam. A sorte que o Baekkie tinha sobrando pra me cobrir, caso contrário, teríamos nossa luz cortada. - Chanyeol contou e viu a surpresa nas crianças. - Então estipulamos esse valor e vocês terão que se virar com ele para comprarem o que quiserem, sem nos pedirem nada.

-Vocês podem pedir se for algo relacionado ao colégio, mas fora isso, vai ser da mesada de vocês. Isso vai servir também pra vocês terem um pouco mais de ordem na vida. Não é porque ambos têm 12 anos que podem ficar fazendo o que bem entendem. Essa guia vai passar a valer a partir de hoje, então fiquem atentos pra não terem descontos na mesada de vocês. Alguma objeção? - Baekhyun quis saber e viu as crianças negarem. - Ótimo, vamos almoçar que eu tô morto de fome. - chamou e isso quebrou qualquer clima que ali tivesse se instalado.


•ᴥ•


Os meses se passavam e era inevitável Jongin ou Kyungsoo não sofrer um desconto ou outro, afinal, se atrasavam para escola ou esqueciam de lavar a louça, deixavam um aparelho ligado sem usar vez ou outra, além de largarem roupas pela casa. Nenhum dos dois tinham conseguido pegar os 100, sempre havia descontos.

Essa iniciativa de Baekhyun serviu para tornar as crianças um pouco mais conscientes de suas responsabilidades e de seu dinheiro, pois elas sabiam que precisavam receber a mesada para comprar o que quisessem ou não teriam dinheiro no final do mês se fossem descontadas. Felizmente, nenhum dos dois nunca chegou a desobedecer aos pais, então tiravam em torno de 60 a 80 por mês, dependendo do que esquecessem de fazer.

O que não era suficiente para Kyungsoo comprar o presente de aniversário do Jongin. Não contava que tivesse sofrido tanto desconto em dezembro, que refletia em janeiro, e que nem 90 reais tinha conseguido, sendo que o presente que daria a Jongin custava 100. Por que precisava ser um menino que não economizava na luz?

Sabia que o mais novo sempre fora louco para ter a coleção completa de livros do Harry Potter, por isso procurou bastante na internet e tinha encontrado uma promoção com o valor de 100. Se arrependia amargamente por ter gastado toda a mesada em dezembro, tinha que ter juntado e previsto que em janeiro iria receber menos do que precisava...

-Planejando como vencer o Jongin no Overwatch? - Chanyeol apareceu na sala e sobressaltou Kyungsoo, pois o pequeno estava sozinho e perdido em pensamentos.

-Que susto, Appa! – o baixinho resmungou.

Só estavam os dois em casa, pois Baekhyun estava trabalhando, o colégio encontrava-se de férias e Jongin estava em sua aula de dança, voltando só dentro de duas horas. Quando Jongin voltasse para casa, Baekhyun estaria junto, já que o mais velho passaria para buscá-lo, levando em consideração ambos largavam em horários próximos.

-Tá devendo é? - Chanyeol brincou e viu o bico se formar nos lábios do menor. - Deixa eu adivinhar, quer comprar alguma coisa, mas sofreu desconto demais e não tem o valor, além de ter torrado seu dinheiro mês passado. É isso, né? - Chanyeol deduziu e sentou ao lado do menor no sofá.

-Como adivinhou?! - Kyungsoo ficou espantado.

-Porque conheço meu gado. - respondeu risinho. - No que você precisa de dinheiro?

-É que o aniversário do Nini é em 6 dias e eu queria dar a coleção do Harry Potter que ele tanto quer, mas tá 100 notas e esse mês eu só ganhei 60, ainda faltam 40. - lamuriou.

-Você e Jongin precisam se atentar mais as coisas. Perdem dinheiro à toa! - Chanyeol o repreendeu. - Mas acho que posso resolver seu problema.

-Não quero que você compre, porque quero dizer que foi do meu dinheiro! - Kyungsoo deixou claro. Era orgulhoso e queria presentar Jongin o que ele queria através de seu esforço, sendo que a única coisa que tinha que fazer era obedecer as regras de educação.

-Eu não ia comprar, senhor orgulhoso! - Chanyeol negou e riu do desespero do menor. - Que tal um empréstimo?

-O que é isso? É de comer? - Kyungsoo perguntou e Chanyeol riu ainda mais.

-Empréstimo é quando não temos o dinheiro, precisamos, aí a gente pega dinheiro com outra pessoa e depois vamos pagando a ela de uma vez ou de mês em mês. No seu caso, eu poderia te dar 40 e mês que vem você iria receber -40. Se você fosse ganhar 60, receberia apenas 20 e por aí vai. - o mais explicou e viu Kyungsoo ponderar.

-Baekkie-appa não vai brigar? - questionou para ter certeza.

-Claro que não, você vai devolver o dinheiro de um jeito ou de outro. - Chanyeol lhe assegurou e Kyungsoo tomou sua decisão.

-Por favor, me dê esse empréstimo! - o menor declarou sério.

-Awn meo deuso, é muito fofo ver minha criança crescendo! - Chanyeol começou a surtar de fofura e orgulho.

As vezes se perguntava se estava sendo um bom pai ao lado de Baekhyun e era nessas horas que tinha certeza que estavam se saindo bem. Suas crianças só davam orgulho e era educadas, nunca os desobedeciam, embora Chanyeol acreditasse que era pelo tamanho desconto que sofreriam na mesada se o fizessem. Mas independente do motivo, elas não desobedeciam e era isso que importava.

Após dar o dinheiro para Kyungsoo, viu o mesmo correr para seu quarto com a finalidade de comprar o que queria e imprimir o boleto. Não demorou muito para que o pequenino aparecesse na sala todo esbaforido, pois faltava pouco para a loteria fechar e precisava pagar logo o boleto, para que o presente chegasse com antecedência.

Chanyeol disse que levaria o menor, mas que precisava trocar de roupa antes, só que Kyungsoo o convenceu a ir como estavam. Chanyeol colocou a criança no carro e o levou até a loteria, pois Kyungsoo e Jongin podiam ter 12 anos e acharem que podiam andar sozinhos, mas tanto o Park quanto o Byun não achavam que era o momento.

Conseguiram pagar o boleto a tempo e ver a alegria de Kyungsoo foi o suficiente para Chanyeol ter certeza de que havia feito o correto, mesmo que tenham saído de pijama. Baekhyun poderia chiar à vontade quando descobrisse, porque o Park não iria se arrepender de ter feito empréstimo a Kyungsoo. Torcia para que, pelo menos, o rapazinho passasse e se comportar mais para não perder dinheiro e ter que viver de empréstimo.

Ao chegarem em casa, Baekhyun e Jongin já estavam e Kyungsoo inventou qualquer desculpa esfarrapada para que Jongin não desconfiasse de nada. Baekhyun desconfiou e chamou o marido para a cozinha, pois tinha certeza que o maior iria contar o que estava acontecendo. Por bem ou por mal.

-E aí? Desembucha! - mandou e cruzou os braços na altura do peito, olhando fixamente para o maior.-Kyungsoo queria comprar o presente do Jongin, mas estava sem dinheiro...

-Ai você deu?! O que já conversamos sobre...

-Não! Eu não dei não! - Chanyeol se desesperou ao ver que tinha despertado a fúria do mais velho. - Eu fiz um empréstimo a ele e mês que vem é só tirar 40 do que ele for ganhar. - explicou e viu Baek abrandar.

-Foi uma boa ideia que você teve, Channie! Fico feliz que você não ficou amolecido com aquele par de olhos grandinho e manipuladores. - o loiro comentou e Chanyeol riu.

-Você sabe que se o Jongin ou o Kyungsoo me olharem com olhos pidões, eu cederei, mesmo que você brigue comigo. - o maior ressaltou e viu o marido revirar os olhos diante a verdade. - Eu só inventei essa do empréstimo, porque o Kyungsoo estava determinado a dar o presente através do suor dele.

-Que suor? Ser um bom filho? É o mínimo! - Baekhyun resmungou, mas acabou rindo. - Não me olha acusadoramente, eu sei que nenhuma criança é perfeita, mas olha como inventar esses descontos deu certo. Kyungsoo e Jongin já entenderam o valor do dinheiro e do esforço.

-Jongin? Não vai me dizer que...

-Quando fui buscá-lo, ele pediu pra passar com ele no shopping, porque precisava comprar o presente de aniversário do Soo-hyung. Quando chegamos lá, o box de filmes do Star Wars estava mais caro do que o dinheirinho que o Jongin tinha juntado e... Ah, Channie, ele ficou tão tristonho! Quase chorou, porque ele juntou esse dinheiro por dois meses e mesmo assim não conseguiu. Mas mesmo podendo me pedir, ele ficou apenas com um bico e os olhos lacrimejando. Sei que ele poderia ter pedido, porque essas crianças têm cara de pau, então eu perguntei a razão para ele não ter cogitado me pedir dinheiro, já que tinha ficado curioso. Jongin disse que não teria graça repassar um presente, porque não teria sido ele a comprar o objeto, no máximo teria escolhido. Eu fiquei comovido, de verdade, então eu dei a ideia dele ser descontado no mês que vem. Eu só fiquei surpreso por você ter pensado o mesmo, já que sempre é o que mais dá dinheiro a eles. - explicou e viu o sorrisão de Chanyeol.

-Nossas crianças...

-EU NÃO VOU TE MATAR! - a fala do maior foi interrompida pelo grito de Jongin.

-Mas hein? - Baekhyun ficou confuso e puxou Chanyeol para ir junto consigo ver o que os dois pré-adolescentes aprontavam.

-Nini-ah, por favor, é só me dar um tiro! Eu preciso que você me dê um tiro! - ao chegarem na porta do quarto, viram Jongin e Kyungsoo sentados no chão, parados em frente à televisão do quarto e jogando.

-Eu não quero vencer se tiver que te matar! Eu te amo, Soo, não posso fazer isso, nem que seja em um jogo! Atira você em mim. - o mais novo declarou e Kyungsoo arregalou os olhos, assim como os pais espectadores.

-Não tem como eu atirar em você depois dessa. - o baixinho resmungou.

Chanyeol e Baekhyun viram o enorme sorriso que Jongin deu, assim como as bochechas rubras de Kyungsoo. Os mais novos estavam sentadinhos bem no meio do quarto. O cômodo dos dois garotos era grande, tendo uma cama de solteiro em cada extremidade do quarto, deixando a televisão de 40 polegadas centralizada na parede, de frente a ela ficava uma escrivaninha com o computador e os laptops, fora os tablets e tinha uma estante reservada para guardar os video-games, mangás, manwas e livros, desde escolares a de lazer.

Era por ter o quarto daquele jeito, que Baekhyun avistou o computador ligado sem ninguém usando e suspirou com pesar. As crianças não aprendiam mesmo! Costumavam ser descontadas justamente por deixarem aparelhos ligados com frequência.

-Aish, morremos... - Jongin resmungou.

-Claro né? Suicídio em dupla. - Kyungsoo reclamou. - Mas Nini-ah, você tem que atirar em mim quando eu disser, assim como atirarei em você quando for o momento, ok?

-Mas hyung, eu...

-Eu te amo, Nini, mas te matar no jogo não quer dizer que eu deixei de te amar, quer dizer que estamos ganhando o jogo juntos, porque fomos mais espertos do que a máquina ou nosso oponente. Estamos combinados? - perguntou e viu Jongin concordar feliz.

-Você quase nunca fala que me ama, estou muito feliz! - o maior comemorou e Kyungsoo corou.

-Jongin é sentimental igual a você, mozão. - Baekhyun sussurrou, olhando apaixonado para Chanyeol.

-Kyungsoo é tão romântico quanto você, Bae. - Chanyeol implicou e viu Baekhyun revirar os olhos. - É sério, vocês são muito românticos! Por não falarem o que sentem o tempo todo e serem mais realistas, que as atitudes que tomam se tornam especiais. Eu te amo, Baekkie, assim como amo nossa família. - Chanyeol declarou, deixando claro que não tinha falado nada com ironia, e puxou o marido pela cintura, roubando um beijo do mesmo.

Baekhyun jamais negaria um beijo de seu grandão, afinal, somente Chanyeol tinha o poder de desarmar qualquer pose que pudesse querer ter. Somente Chanyeol compreendia cada atitude sua, assim como entendia a do maior. Gostava do fato de ser o durão realista e Chanyeol o sentimental bobão, porque dessa forma a família se tornava equilibrada e feliz.

-ECA! - ouviram o grito dos seus pupilos e então se agarraram ainda mais.

Sabiam bem que Jongin e Kyungsoo só estavam com nojo por verem os pais se beijarem e não por serem preconceitos. Criaram bem seus pequenos para terem uma mente aberta e era justamente por isso que se tornavam implicantes nessas horas e se agarravam ainda mais.

-Ok, ok, paramos! - Baekhyun separou o beijo e sorriu arteiro. - A propósito, quem estava no computador? Preciso descontar os 2,00 do bonitinho que deixou ligado.

-Então desconta dos dois, Bae, porque o outro viu que o aparelho estava ligado e deixou mesmo assim. - Chanyeol comentou e Baekhyun arregalou os olhos.

-Mas num é que meu marido é justo?! Menos 2,0 para Kyungsoo e Jongin. Vamos lá marcar, mozão. - Baekhyun chamou e ouviu as crianças gritarem em protesto.

Os amava demais, gostava de brincar com os mesmos, mas não podia deixar de ter pulso firme. Afinal, não só de "Sims" que se educa.


•ᴥ•


10 anos depois

Jongin e Kyungsoo estavam com 23 anos, morando juntos e muito bem felizes com a família que estavam montando. Faziam visitas à orfanatos desde os 15 anos, parando depois para ajudar com compromisso a um que tinha perto da casa em que viviam com seus pais. A iniciativa de se voluntariar tinha partido de Kyungsoo, pois mesmo que não fosse órfão, havia sido abandonado por sua mãe, assim como Jongin. Queria dar alegria para aqueles que não tinham pais e quando pronunciou sua vontade, acabou levando sua família junto nesse novo projeto.

Começaram com todo sábado e domingo visitando um orfanato diferente, até que resolveram se voluntariar de vez no que tinha perto de casa. Chanyeol e Baekhyun continuavam mandando dinheiro para os outros que conheciam, todavia, reservavam o domingo para brincar com as crianças que seus filhos tanto cuidavam durante o final de semana.

E foi então que um casalzinho de gêmeos entrou no orfanato. Os coitadinhos tinham sido largados na porta do estabelecimento e quem encontrou foi Jongin, pois estava indo em casa buscar um jogo para jogar com as crianças e Kyungsoo. O adolescente se desesperou ao ver os bebês enrolados numa manta e começou a gritar.

Depois de tal acontecimento, Kyungsoo e Jongin se tornaram ainda mais zelosos com aqueles dois nenéns, pois eles os tinham visto chegar até ali, onde iriam ser cuidados e terem a oportunidade de ganharem uma família.

Entretanto, conforme os bebês cresciam, o coração de Jongin e Kyungsoo doía só de pensar que poderiam ter seus gêmeos levados para longe. Sabiam que eram egoístas por pensarem desse jeito, mas não conseguiam evitar. Fora Jongin quem tinha encontrado os bebês e Kyungsoo o segundo a vê-los. Tinham esse direito, num tinham?

Chanyeol e Baekhyun também haviam se apegado aos gêmeos, além de perceberem como seus filhos estavam ligados com os mesmos. Kyungsoo tinha ficado um mês sem receber mesada justamente por ter levantado a voz para Baekhyun quando o mesmo ameaçou a cortar seu gesto voluntário por culpa de suas notas baixas na escola. Baekhyun só queria que Kyungsoo conseguisse equilibrar as coisas e não que se focasse mais em um no que no outro.

Somente descontou da mesada do rapazinho, porque o mesmo fora debochado em sua discussão, pois Baekhyun sabia o quanto Kyungsoo sofria com o fato de ter sido abandonado pela mãe e poderia deixar a discussão passar. Tentava fazer de tudo para suprir o amor materno que o pequeno precisava e até teria conseguido, como Chanyeol conseguia com Jongin, se Kyungsoo não tivesse sentido o tal amor materno durante um tempo. Kyungsoo sentia saudades de algo que já teve, enquanto Jongin não sentia, porque nunca teve.

Não que Kyungsoo não gostasse da família que tinha, na verdade, o menor os amava com toda sua vida, mas guardava o rancor do abandono da mãe. A discussão que teve com Baekhyun era compreensível, pois estava apenas tentando dar o carinho que recebia, afinal, as crianças e os gêmeos eram órfãos de verdade e careciam de amor. Mas Baekhyun não podia fraquejar, afinal, entender o filho e educar nem sempre eram as mesmas coisas. Kyungsoo precisava aprender a dividir seu tempo.

Foi após essa discussão, com Kyungsoo tendo 17 anos e Jongin também, que o primeiro colocou na cabeça a ideia de que iria se tornar alguém bem-sucedido e adotaria os bebês. Os amava demais para simplesmente os ver crescerem no orfanato sem amor fraternal. Iria mostrar para eles como era bom ter um carinho e um lar, como tinha sempre que saía e voltava da rua.

Contou sua decisão para sua família depois de ter esfriado a cabeça e pedido desculpas por ter se exaltado, recebendo um abraço de coletivo e a certeza de que nunca estaria sozinho. Jongin resolveu que iria adotar as crianças junto com o Soo, já que tinha sido ele a encontrá-las.

Ao longo do fim do colegial, Jongin e Kyungsoo ainda não tinham tido sequer um namoro, mas o que ninguém sabia era que essa falta de interesse em relacionamentos tinha como razão o fato de Jongin e Kyungsoo não se tratarem mais como apenas amigos.

Quando tinha em torno de 16 anos que se beijaram pela primeira vez, pois queriam perder o BV, mas tinham vergonha de perder com um estranho e ficarem com reputação de “beija-mal”. Embora o propósito do primeiro beijo era ser livre para beijar outras bocas, nenhum dos dois ousou a explorar mundo à fora. Sentiam ciúmes um do outro e quando perceberam, estavam em um relacionamento escondido.

O que era sem necessidade, porque Chanyeol e Baekhyun jamais os julgariam. Apesar de terem crescido juntos e seus pais serem um casal, existia toda a história de família complicada por trás, que comprovava que não tinham nenhum grau de parentesco que pudesse gerar um relacionamento incestuoso.

Foi quando completaram 18 anos que resolveram explanar o relacionamento que tinham, ficando espantados em como ninguém pareceu surpreso. Chanyeol explicou que já tinham os vistos de mãos dadas ou se beijando, apenas não falaram nada para esperar os dois se sentirem à vontade para contarem. A privacidade tinha sido respeitada.

Agora com os dois tendo 22 anos, trabalhando para a empresa de seu pai Baekhyun, tinham conseguido a guarda de TaeOh e SunIn. Infelizmente, o país não reconhecia casamento homoafetivo, assim como nunca permitiria que as crianças fossem adotadas por um casal de homens, desta forma, Jongin adotou TaeOh como pai solteiro - já que suas condições de vida eram boas - e Kyungsoo adotou SunIn, tendo facilidade de conseguir a guarda justamente por culpa do status social que possuía.

-Soo? - Jongin chamou o esposo, que estava deitado na cama e assistindo filme no tablet. Alguns hábitos nunca mudam.

-O que houve? - o menor perguntou, tirando os fones.

-Fiz os cálculos e TaeOh junto da SunIn nos tiraram 500 reais só esse mês. Eles ficam pedindo isso e aquilo, a gente acaba dando e...

-No final dá uma grana. - Kyungsoo completou risonho. - Vai querer implantar a guia dos descontos da mesada?

-Acho que sim... Eles podem ter 7 anos, mas são espertinhos demais pra arrancar dinheiro dos papais babões. Não acho nada mais justo a gente fazer o que nossos pais fizeram com a gente. Afinal, nos tornamos adultos dignos, não? - Jongin argumentou e se jogou na cama de casal, sendo acolhido pelos braços de Kyungsoo imediatamente, que já tinha largado o tablet desde que tinha pausado o filme.

-Acho uma ótima ideia, afinal, imagina que lindo seria poder andar pela casa sem medo de pisar em um leggo ou alguma Bárbie? - Kyungsoo divagou e Jongin gargalhou.

-Vamos pensar o que poderia causar desconto neles e qual seria o valor da mesada. - Jongin se animou e puxou o tablet do lado da cama em que estava o mais velho. - Não vamos colocar um valor muito alto, porque eles ainda são novinhos demais e nossos pais dão tudo o que querem.

-Nem fala deles! Resmungavam que éramos mimados, quando na verdade estão mimando nossos filhos. Ainda tenho que ouvir da boca do Baekkie-appa que pais educam e avós deseducam! Mereço hein? - Kyungsoo resmungou e fez biquinho.

Jongin acabou sorrindo ao ver a manha do mais velho e se inclinou para roubar aqueles lábios carnudos nos seus. Conforme beijava seu amado, teve uma ideia de aprofundar os toques, afinal, as crianças estavam na casa dos avós.

-Que tal, Soo? - sussurrou sexy enquanto se roçava no mais velho.

-Os filhos saem e os papais fazem a festa. Vem cá, Nini! - Kyungsoo colocou as mãos na nuca do moreno e o puxou para mais perto, selando os lábios.

Seria um final de semana inteirinho sem os gêmeos, permitindo que Kyungsoo e Jongin resolvessem brincar de recém-casados. Amavam seus pequenos, mas também tinham suas necessidades e se tinha uma coisa que TaeOh e SunIn sabiam fazer era empatar os pais. Kyungsoo até cogitou que eles tivessem um radar.

-Hum... Nini... Que tal um dos descontos ser "Atrapalhar os papais quando querem ficar sozinhos sem alguém estar morrendo -10,00"? - o menor questionou, levando sua destra até os cabelos macios de seu Jongin, que subia e descia em seu falo.

-Acho digno. - o moreno respondeu após tirar o membro da boca e causar um barulho de "ploc". - Mas podemos conversar e aperfeiçoar isso depois, o que acha? - sorriu malicioso.

-Acho digno.

31 de Julho de 2019 às 05:05 0 Denunciar Insira 1
Fim

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