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paolaconsigliere

A princesa do reino de Kemisia, Angeyi, é capturada por um bando de criminosos ao retornar de sua peregrinação ao Templo dos Silenciosos. Agora, resta a ela sobreviver enquanto seus captores a levam para um destino incerto e enquanto espera seu amor aparecer para salvá-la.


Conto Todo o público.

#luta #shortstory #conto #medieval #fantasia #romance
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A recompensa

Fazia dois dias que ninguém lhe dava um gole de água. Seus belos lábios antes vermelhos e bem definidos agora estavam pálidos e machucados, sua pele antes tão hidratada e clara, suave e brilhante agora era suja, oleosa e queimada devido à exposição ao sol e ao tempo. Seus cabelos longos e negros caíam em suas costas, mas sem nenhum brilho e infestados de nós que nem seus dedos conseguiam romper. O lindo vestido de seda lilás que vestia agora estava arruinado. Sua prisão era minúscula e balançava muito. Através das grades podia ver seus captores circundando-a com olhos atentos e mãos posicionadas no cabo das espadas como se ela, de alguma forma, pudesse se libertar e matar todos. Bem que gostaria.

A paisagem mudara várias vezes desde que sua comitiva sofreu o ataque daqueles selvagens, um ataque tão covarde quanto seu adorável cão, Jud, em dias de banho. A emboscaram logo depois de sair do Templo dos Silenciosos, o lugar mais belo e paradisíaco que já vira erguido dentro da Montanha de Jade, com piscinas termais onde os fiéis e peregrinos podiam se banhar após um longo dia de caminhada até lá. Localizava-se a mais de dez quilômetros de sua cidade natal, Viguairaho, e sua entrada colossal eram um portal em ogiva com portas duplas entalhadas na própria rocha da montanha e milimetricamente calculadas para que nenhuma fresta restasse quando as portas se fechassem. Na parte externa das portas, dois Irmãos do Silêncio tinham sido esculpidos, com seus capuzes cobrindo os rostos, e um sol radiante brilhando acima de ambos.

Por dentro, claraboias deixavam a luz adentrar o Templo e iluminar o salão descomunal com paredes retilíneas e colunas perfeitamente esculpidas na rocha enfeitadas com candelabros de ouro que reluziam quando as chamas de suas velas queimavam. Almofadas eram posicionadas em fileiras, um ao lado da outra, por todo o chão e terminavam a cinco metro do altar principal, onde os cinco deuses sentavam em seus tronos frios e rochosos. A Paz, o Amor, a Lógica, o Ódio e a Guerra. A Paz vestia um longo e fino vestido que deixava seus ombros e braços à mostra; o Amor jazia nu, seu membro e seus seios expostos; a Lógica trajava roupas simplórias, mas seu principal objeto era a régua, a que usava para medir a justiça e a punição; o Ódio trazia uma cobra em volta do corpo e seus próprios olhos, feitos de safira amarela, cintilavam perigosamente; a Guerra usava uma armadura completa de aço, seu rosto escondido atrás da viseira do elmo e onde um rubi carmesim em formato de losango, na vertical, brilhava.

Atrás do altar, duas longas escadas subiam em caracol, uma de cada lado, levando aos pisos superiores, cujo o último abrigava as piscinas. Angeyi adorava passar seu tempo lá, mas subir lhe causava dor nos pés e odiava ser carregada por seus criados.

Aquele tinha sido um dia inteiro de rezas e preces para Angeyi, tinha se sentado confortavelmente em uma daquelas almofadas enquanto seus guardas a vigiavam da porta e tinha acendido uma vela para cada um deles, pedindo-lhes boa fortuna. Passara três noites no Templo, não se podia falar enquanto estivesse ali então foram três longos dias de silêncio e de purificação da mente. Saíra de lá mais leve e resoluta, pensando que dentro de duas semanas teria de escolher um pretendente para sentar-se no trono ao seu lado quando seu pai morresse. Não gostava de pensar nisso, mas a morte era inevitável e seu destino era mais certo do que aqueles adornos nas paredes do Templo dos Silenciosos.

Aquele dia a atormentava, mesmo agora enquanto sua vida corria risco tudo o que conseguia pensar era em seu amor improvável, seu amor proibido. Avistava seu amor sempre no pátio do castelo, treinando ao lado de grandes soldados e derrubando até o melhor espadachim. Sua técnica era impecável e suas duas longas espadas sempre brilhavam, serviam-lhe como se fosse seus próprios braços, sempre parecendo leve em suas mãos e seguindo todos os seus ágeis e graciosos movimentos, mesmo quando fazia aqueles perigosos e arriscados, deixando Angeyi temerosa toda vez que olhava aquelas espadas girarem em suas mãos.

Lembrava-se da primeira vez em que conversaram, uma desconfortável e pequena conversa. Sua razão de vida tinha lhe perguntado se precisava de algo - Vossa Alteza, dissera - , depois de fragá-la aos prantos na Praça Central do castelo. Angeyi, sem-graça, só conseguia prestar atenção seus curtos cabelos brancos caindo ao redor do rosto depois de um dia longo e cansativo e seus olhos tão azuis quanto o céu. Quase podia visualizar as nuvens dentro daquela íris porque o sol já brilhava ao seu redor.

Não se lembrava da sua resposta, provavelmente tinha sido algo vergonhoso, algo como: "Hm...não preciso de nada". Mas seu amor ficou mesmo assim, e abraçou-a. Angeyi pode desfrutar do calor de seu corpo, da maciez de sua pele. Depois daquele dia procurou seu amor mais vezes e mais vezes até formarem um vínculo amigável e até esse vínculo amigável se transformar em um relacionamento amoroso às escondidas. Seus pais nunca a deixariam se casar com alguém de tão baixo nascimento, seu amor proibido viera das ruas de Viguairaho e aprendera a lutar para conseguir comida e sobreviver - em épocas de crise, o povo comia aos animais e a si próprio, Angeyi já ouvira história horripilantes que a faziam ficar bem longe do povo. Mas com Ehan era diferente, podia ter nascido nas ruas, mas a civilização corria em suas veias.

A carroça em que sua jaula estava sendo levada passou por cima de uma pedra e seus sonhos foram interrompidos. Seu pai jamais aceitaria esse relacionamento. Pensou subitamente que talvez aquele sequestro fosse sua salvação. Quando saíram do templo no terceiro dia, seguiam a estrada real que os levariam de volta a Viguairaho, mas seu caminho foi bloqueado por um grupo de quase vinte homens e mulheres, armados com espadas e machados e vestindo armaduras de couro fervido com panos e lenços no rosto. Sua comitiva não passava de dez soldados, a peregrinação até o Templo deveria ser realizada a pé e desacompanhada, mas por ser filha do rei era indispensável levar alguma segurança. Por melhores que fossem seus soldados, nenhum era tão bom quanto Ehan e todos caíram diante das lâminas ensanguentadas dos salteadores.

Tentou parecer corajosa como seu pai lhe ensinara, mas no momento tudo o que fez foi chorar e ceder à vontade de seus sequestradores. Provavelmente queriam dinheiro com o seu resgate então a manteriam viva, pelo menos foi o que achara inicialmente. Dez dias depois, continuavam seguindo aquela trilha que Angeyi não conhecia. Saíram da floresta escura e úmida, passaram pelos campos de vegetação rasteira, com colinas intermináveis, e agora entravam em um terreno mais plano com uma cadeia de montanhas no horizonte, iam em direção a elas. Aquele não era o caminho para Viguairaho.

Não a alimentavam bem e quando tentava protestar era calada com ameaças e pancadas na grade que a faziam se encolher no canto. Sentia frio de noite e calor de dia, a fraqueza era constante e o medo era persistente. Durante a noite, ouvia-os falar coisas horríveis em volta da fogueira, enquanto comiam. Falavam sobre cortar seus membros, um a um, e deixá-los pelo caminho, assim, os soldados de seu pai poderiam achá-la e montá-la de volta. Riam enquanto planejavam sua morte e olhavam em sua direção para conferir se estava prestando atenção. Na primeira noite, um dos homens abrira sua jaula, era tão sujo quanto os demais e sua barba trazia restos de comida, trazia uma tigela de caldo em uma das mãos, mas suas intenções se provaram ser outras quando agarrou seus calcanhares, forçando-os a se abrirem, se não fosse uma das sequestradoras por perto, provavelmente estaria pior. Uma mulher de cabelos negros trançados para trás, vira a cena e o apunhalou pelas costas. Ele parara na hora, a ponta da lâmina atravessara seu peito e sangue escorrera do canto de sua boca antes de girar e, com surpresa, identificar seu agressor.

-Pervertidos não são permitidos aqui. - disse ela, séria.

A partir daquele dia apenas as mulheres guardavam sua jaula e apenas elas lhe serviam a comida, quando serviam. Nos últimos dias decidiram matá-la de fome dando-lhe apenas pedaços de carne pequenos, provavelmente as sobras, e caldos sem tempero com um ou dois pedaços de legumes.

Todos as horas perguntava-se quando os homens de seu pai a salvariam. Será que eles sabem que sumi?, questionava-se. Àquela altura acreditava que sim, mas seu medo era de que tivessem percebido tarde demais. Em alguns dias percorreram dezenas de quilômetros, estariam sempre dois ou três dias a frente do exército de seu pai. Os salteadores evitavam as vilas e as cidades, atravessando trilhas que só eles conheciam - e muito bem -, dessa forma, evitando que soubessem de sua existência e para onde iam. Angeyi temia que nunca fosse encontrada, que nunca voltasse a ver a sua paixão.

Será que Ehan está me procurando? Acreditava que sim. Queria acreditar.

Apenas no décimo quinto dia Angeyi percebeu onde estava e, talvez, qual era a intenção do grupo. Reconheceu os Picos do Céu, uma cadeia de montanhas, uma maior que a outra, com topos cobertos de gelo que alcançavam as nuvens. Do outro lado sabia o que encontrariam e Angeyi começava a se preocupar com coisas piores do que morrer.

-Estão me levando para Tatsu? - perguntou, inocente.

A mulher que a acompanhava, montada em seu corcel malhado, a encarou por longos segundos antes de dar de ombros e dizer:

-Tenho certeza de que o rei de Tatsu pagaria mais pela sua cabeça do que seu pai.

-Não pode fazer isso! - disse, subitamente agitada. - Ele vai me matar!

-Isso não é da minha conta. Eu só quero o ouro.

Kemisia possuía uma forte rivalidade com o reino vizinho, Tatsu, cujo rei era tão bárbaro quanto seu povo. Rivalidade essa que perdurava desde a Batalha da Misericórdia, conflito em que Tatsu rompeu a aliança com Kemisia através de uma manobra política que permitiu ao rei da época, Haki Opshaug, entrar com seu exército em território kemisiês. A guerra levou esse nome, pois o exército de Kemisia era tão superior em número, armas e provisões que o inimigo foi quase completamente massacrado com a primeira investida. Só não o foi completamente devido à misericórdia concedida aos soldados rendidos, tornando-os escravos de guerra. A partir de então Tatsu nutre um ódio peculiar ao reino de Kemisia, alegando não ter mobilizado nenhum exército militar com o intuito de atacar o reino aliado, em sua defesa, nenhuma vila ou cidade tinha sido atacada até então um vez que o exército kemisiês se mobilizou com tamanha rapidez que nenhum estrago pode ter sido feito. Segundo eles, era apenas uma passagem pacífica pela território e o ataque seguido de massacre era injustificado e ofensivo.

Agora, a filha do rei de Kemisia era levada para as mãos nojentas e bárbaras do rei atual, Thorald Opshaug, bisneto de Haki Opshaug. Ele a faria em pedaços e mandaria suas partes para seu pai.

Virou-se para o homem que cavalgava do seu outro lado, tomada pelo desespero. Seu rosto estava marcado pelo sol, igual ao dela, e seu cabelo castanho estava bagunçado. A barba fazia-o parecer ter quarenta anos, mas acreditava que fosse mais novo devido à sua disposição e força.

-Não podem fazer isso. - disse a ele. Ele a ignorou. - Precisam me levar ao meu pai! Peçam qualquer valor e ele lhes dará, eu prometo!

Ninguém prestou atenção nela. O céu escurecia e cada vez mais eles se aproximavam dos Picos do Céu, talvez em cinco dias já estivessem batendo às portas do rei Thorald. Tudo o que queria era sentir mais uma vez os lábios de seu amor, o calor de seu corpo e o carinho que sentia por ela, tratando-a sempre como um copo de cristal, cuidando. A última vez que vira Ehan, tinha sido antes de partir para o Templo dos Silenciosos, tinham se beijado longamente e trocado gracejos. Agora, pensando bem, gostaria de ter lhe revelado seus sentimentos, amava Ehan e queria lhe dizer agora, antes ficara hesitante em se abrir dessa forma, mas agora percebia a urgência de se dizer certas coisas. Nunca se sabe quando é a última vez.

Quando escureceu, pararam perto de uma enorme rocha solitária na planície, dois saíram para recolher raízes, folhas secas ou qualquer coisa que pudesse servir de combustível para o fogo enquanto dois outros saíam para caçar com arcos e flechas. Os demais ficaram para dar água aos animais, libertá-los de suas selas e fazer os preparativos para passar a noite.

Angeyi aproveitou a escuridão que se alongava para deixar cair as lágrimas que segurara o dia todo. Desde o começo sua convicção era a de que sairia viva, machucada e traumatizada, mas viva. Agora, não fazia ideia de seu futuro e o mais provável era que seu fim estivesse próximo.

Olhou para a planície e para o tanto de terreno que tinham percorrido naqueles últimos dias. A vegetação rasteira ali era mais alta, com gramíneas que alcançavam a altura do peito de Angeyi. Podia-se ver algumas árvores retorcidas solitárias ao longo do terreno, mas não tinham nem frutos e nem folhas, pareciam mortas.

Algo ao longe chamou a sua atenção, no entanto. Primeiro achou que fosse algum dos salteadores voltando da caçada, mas quando o tempo passou e a figura não fazia menção de se aproximar, suspeitou. Talvez fosse algum ladrão de estradas, pensou, porém não fazia sentido, eram catorze e o ladrão, apenas um. Nunca se arriscaria desse jeito.

O tempo passava, a noite se estendia cada vez mais e uma comoção começou a crescer dentro do grupo. Angeyi acabara adormecendo em determinado momento, mas acordou com as vozes alteradas:

-Deven e Henley, vão atrás de Kippy e Elvin. - disse uma mulher de cabelo loiro, uma cicatriz vermelha e horrenda cobria seu rosto da sobrancelha esquerda até seu bochecha direita. - E vocês dois vão ver onde se meteram aqueles outros idiotas.

-Jaylin, fique de olho nessa daí. - disse a mesma mulher para sua salvadora.

Os grupos de caça e coleta não tinham retornado? Perguntou-se se aquela sombra que vira mais cedo - e que agora desaparecera - era a responsável por aquilo. E se o local fosse assombrado? Já ouvira falar de montanhas assombradas ou até mesmo árvores assombradas que ocasionavam mortes misteriosas.

-Eles já deveriam ter voltado há muito tempo. - disse um dos garotos que parecia não ter mais de quinze anos, nem pelos no rosto tinha.

-Acalme-se. - disse a mulher da cicatriz. - Eles devem estar com dificuldades de achar qualquer coisa nesse fim de mundo.

-Ou talvez estejam só brincando e daqui a pouco vão aparecer. - disse outro com um nariz pontudo.

-Se estiverem brincando, matarei todos quando...

A da cicatriz começou, mas foi interrompida por gritos vindos diretamente da escuridão. Agora, com a noite já instalada, nada mais se via a dois metros a frente de cada nariz e, sem a fogueira para iluminar, encontravam-se em desvantagem.

Todos pegaram suas armas e desembainharam suas espadas, cordas de arcos foram puxadas com flechas encaixadas e os arqueiros se posicionaram acima da rocha, mas de nada serviriam se não podiam ver. Segundos pareceram horas enquanto os sons de luta pairavam no ar noturno, ninguém se atrevia a se mover e nem a ir em defesa de seus companheiros, priorizando o prêmio maior, ela.

Quando os sons cessaram, a tensão aumentou. O que quer que tivesse atacado os demais, agora atacaria os que restaram. Agora eram seis. A única luz vinha da lua que brilhava inteira no céu e das estrelas, milhares dela, mas não era o suficiente.

De repente, uma flecha atingiu um dos arqueiros logo acima, ele tombou na hora. Quase instantaneamente, outra flecha voou no pescoço do outro arqueiro que, Angeyi percebeu, era o garoto de mais cedo. Agora eram cinco. Àquela altura, os demais já tinham identificado de onde as flechas vinham e correram em direção ao ponto dentro da vegetação rasteira, agora sem os arqueiros para acobertá-los. Apenas Jaylin ficou ao seu lado, guardando o seu troféu.

Os sons de luta pareciam intermináveis e os gritos, eram assustadores. Cada lamento, cada choramingo fazia os pelos de sua nuca se arrepiarem e o som de lâmina colidindo com lâmina a fazia querer arrancar os ouvidos, de tão alto e agoniante. Por fim, a luta terminou e, quando nenhum de seus companheiros voltou para se vangloriar, Jaylin ficou em alerta, espada em mãos.

Quando o atacante se revelou, Angeyi quase chorou de alívio e satisfação. Era Ehanda, a luz do lua refletia sua armadura prateada toda ornamentada com detalhes em azul, a cor do reino, com um peitoral sem mangas, expondo seus braços e ombros e com placas de metal e couro soltas ao redor da cintura cobrindo suas coxas, mas deixando suas pernas livres para se movimentar com apenas uma longa bota coberta por placas de metal que subiam até seu joelho. Trazia consigo suas espadas, uma em cada mão, agora ensanguentadas, levando-as como se não pesassem mais do que uma pena. Lembrava-se de uma vez quando Ehan tentou lhe ensinar a usá-las, seus braços não aguentavam o peso e os movimentos tinham de ser sempre precisos e bem direcionados uma vez que tinham apenas um gume. "Isso significa que apenas um lado é cortante", ela lhe explicara.

Seus curtos cabelos brancos magníficos brilhavam e, podia ver, estavam tão sujos e bagunçados quanto os seus próprios. Ela veio!

Jaylin não se intimidou com a aparência e ferocidade de sua oponente. Mantinha-se firme. Ehan, no entanto, estava colérica e tomada pela energia da batalha, correu como uma flecha até a oponente, pulando no último minuto para descer um golpe até sua cabeça, mas Jaylin conseguiu se desviar saltando para o lado e protegendo-se com sua espada única. Seguiu-se uma série de ataques violentos, Ehan tentando achar uma brecha nas defesas da salteadora e Jaylin fazendo de tudo para se defender de dois ataques ao mesmo tempo.

Angeyi observava tensa a luta se desenvolvendo. Percebia que Ehan, por mais forte que fosse, começava a se cansar com o tanto de energia que usava para aplicar cada um daqueles golpes. Ehan era rápida, mas Jaylin também era bem treinada.

Em determinado momento, uma das espadas de Ehan voou de sua mão quando Jaylin a torceu com um golpe rápido e ágil. Sangue escorreu do pulso de seu amor quando a lâmina atingiu sua pele. Agora seria uma luta de igual para igual. As duas se distanciaram para recobrar o fôlego, Jaylin tomando cuidado de ficar sempre entre Ehan e sua espada caída.

-Quando eu te matar - disse Jaylin. - Terei meu prêmio só para mim, muito obrigada por terminar com todos esses pesos mortos.

Ehan não respondeu, apenas voltou a atacá-la. Mirou sua cintura, ela defendeu; girou e investiu contra sua perna direita, mas ela também desviou. Por fim, fez um ataque direto no centro e ambas ficaram muito perto, apenas com suas espadas resvalando uma na outra as separada de um contato físico. Ehan, no entanto, aproveitando a aproximação, deu golpe com seu joelho na mão da oponente e sua espada caiu, por reflexo. No segundo seguinte, Jaylin já tinha se recuperado e conseguiu desviar do golpe mortal de Ehan em direção ao seu pescoço. Com um chute alto, a segunda espada de Ehan também caiu de sua mão e Jaylin já estava sobre ela no chão antes de conseguir se recompor.

As duas começaram um embate físico, com socos e chutes. Ehan recebeu vários em seu rosto quanto estava por baixo, mas conseguiu reverter a situação e girar para cima de Jaylin, suas mãos se cravando em seu pescoço enquanto a outra tentava desesperadamente acertar-lhe com as mãos ou com os joelhos para aliviar a pressão. Ehan, no entanto, mantinha-se firme não largava em nenhum momento, seus dedos enterrados no pescoço de Jaylin. Ela se debatia muito devido ao desespero por ar, mas em determinado momento seus membros perderam a força e caíram inanimados no chão.

Ehan caiu ao lado do corpo, recuperando as forças por alguns segundos e imediatamente correu em sua direção.

-Sabia que viria! - disse, lágrimas caíam em suas bochechas.

-É claro que eu te acharia. - as duas se abraçaram entre as grades e se beijaram longamente antes de se separarem.

-Não precisamos voltar. - disse Angeyi. - Vamos fugir, assim poderemos ficar juntas.

-Não. - ela respondeu friamente. - Preciso de levar de volta para seus pais.

-O nosso relacionamento nunca vai durar em Viguairaho! Ninguém sabe onde estamos, vamos embora!

Ela pareceu pensar por um instante, depois riu, exibindo seu lindo e radiante sorriso.

-Você aguentaria viver nas ruas?

Angeyi pensou por um momento. Viveriam na miséria, não teria mais o conforto do castelo e nem todas as joias e os vestidos...mas faria qualquer coisa por Ehan.

-Com você eu aguento qualquer coisa.

As duas sorriram e voltaram a se beijar.

-Bem - ela interrompeu o momento. - Preciso sair daqui

-Precisa? - brincou Ehan, sorrindo travessa.

-Como vai me tirar daqui? - quis saber, agora em desespero.

Ela revirou os olhos, tirando algo de dentro dos seus seios debaixo da armadura:- Talvez com isso aqui.

-Como conseguiu?

Ela deu de ombros.

-Peguei de um dos idiotas ali. - ela apontou para a pilha de mortos do outro lado do campo. - Achei que fosse importante.

-Ótimo! Agora abra para mim.

-Então, já que não estamos mais no castelo e eu não sou mais sua empregada, acho que você pode abrir sozinha. - disse ela, devolvendo a chave para dentro de seu decote com um sorriso malicioso. -Pegue você a chave.

25 de Julho de 2019 às 00:29 3 Denunciar Insira 1
Fim

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Davi Morais Davi Morais
Kara me surpreendi com o final kkkk
22 de Agosto de 2019 às 21:24

  • Paola Consigliere Paola Consigliere
    kkkkkkkkkkkk ainda bem que consegui atingir o objetivo, obrigada por ler e comentar!! 22 de Agosto de 2019 às 21:58
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