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Ataque dos Mercenários

-- Eu não quero saber, só faço o trabalho por cristais de Vênus, não preciso desse dinheiro inútil e instável do governo.

--Eu sei, mas não tenho como pagar, se você não realizar a operação. Eu preciso desse braço!

Leiko pensou por um instante e respondeu:

-- Certo, vou fazer o seguinte, irei transmutar o braço, mais sem registro do DNA. Meu chip de monitoramento irá acompanhá-lo. Você tem uma semana pra conseguir as pedras. Se não, volto pra buscar a peça e levarei comigo o seu cristal de energia.

-- Rino inicie o processo.

Cabos metálicos saíram dá coluna vertebral do robô e se conectaram no plug da nuca do cientista. O choque do engate fez o cirurgião se arrepiar. Os olhos se abrirão e ele teve uma visão geral do sistema operacional da máquina.

-- Preciso de toda ás ferramentas esterilizadas com lazer. Comece o procedimento cirúrgico. Aumento do grau da lupa. Conecte todas as veias, artérias e o tecido ósseo. Efetue o teste de movimento e por ultimo acelere o processo de cicatrização. O braço robótico foi perfeitamente acoplado. O mercenário testava o braço com movimentos brusco no ar sentindo-se de novo revitalizado, após a falta do membro.

-- Agora assim, estou pronto pra voltar ativa! E aqueles filhos da puta que fizeram isso comigo, irão pagar.

-- Pouco me importa o que fizeram contigo! Apenas quero meus cristais de Vênus. Seja rápido e prudente, porque não terei misericórdia.

O mercenário se afastou rindo, em direção a cidade.

-- Rino ative o sistema de movimentação.

O robô se envergou, abrindo uma estrutura nas costas, revelando uma espécie de cadeira de leito, que se ajustava perfeitamente ao corpo de Leiko.

-- Vamos para o laboratório, preciso rever algumas notas. Ative os sensores de movimento e calor, numa área de mil metros quadrados. Quero alta velocidade.

Os sensores foram ligados, o robô tinha uma visão de 360º de aproximadamente 15,8 metros de alcance da área que se seguia. Qualquer menor movimento era captado pelo sensor. Esse tipo de tecnologia era muito usado na época por robôs de combate.

Os tempos foram difíceis, após a grande guerra nuclear. Uma crise global se instalará, e as pessoas foram obrigadas a migrarem para pequenos centros de população, que se uniam para sobreviver; formando assim cidades sucatas da grande explosão. Cem anos se passou desde dia fatídico. As sociedades nunca mais seriam as mesmas. Os fundamentos sociais foram derrubados junto com a bomba. Precisou de um enorme empenho das massas pra se reerguer. E grandes lideres surgiram para o reagrupamento. Na verdade, grandes cientistas. Porque a tecnologia transformou-se na nova religião da humanidade. Ela foi fundamental para o restabelecimento das normas que regem a sociedade. Por causa do impacto ambiental, as fontes de energia renováveis, se esgotaram. Criando uma crise de energia em escala mundial. Cientistas buscaram no núcleo da terra uma forma de gerar energia. Mas, a temperatura instável e o medo de desencadear algum fenômeno que não fossem capazes de controlar, o fizeram migrar para o sistema solar. A competição das grandes potências em busca de fontes de energia renováveis no espaço acarretou uma corrida tecnológica. Todos os povos que foram vitimas da guerra nuclear tinham um objetivo em comum, o domínio da alta tecnologia. A grande descoberta espacial, depois de uma longa jornada, foi em Vênus. Os cristais de energia de Vênus são capazes de alimentar uma cidade inteira, mas sua extração é dificultosa. Demandava altos custos, que vinham da terra. Por isso seu valor era inestimável, no mercado negro era vendido em fragmentos. Rino era alimentado por um fragmento.

-- Acabo de detectar cinco indivíduos a quinhentos metros ao sul.

-- Há alguma fonte de calor com eles?

-- Sim, a intensidade se assemelha a um fragmento.

-- Avance trezentos metros do alvo e localize um lugar seguro para alvejar.

O robô se dirigiu a colina mais próxima do alvo. O lugar tinha uma visão perfeita dos cinco indivíduos.

-- Na certa, são mercenários.

-- Desconecte o cabo de junção, prepare-se para a ofensiva, irei te dar apoio com o super rifle de assalto.

A armadura esquelética foi acionada. Tinha os movimentos potencializados em cem por cento, tanto a força como a capacidade de locomover-se. Sentou-se próximo a pedra, colocou o rifle em cima, buscando uma visão clara dos mercenários.

-- Avance, a arma de plasma já está carregada, assim que surgir alguma defesa robótica, estarei pronto.

O robô avançava cautelosamente, poderia haver sistemas de autodefesa implantados no solo. Uma bomba de plasma não o mataria, mas uma desvantagem contra um inimigo desconhecido, sim. Há cinqüenta metros do alvo, parou, e avaliou a situação.

-- Rino! Espere um momento! Não há armas com eles. Na verdade não apare tão ser ofensivos. Abortar a missão. Envie um sinal de comunicação e espere a resposta.

O sinal foi enviado, mas sem resposta. Os indivíduos não se moviam. Naquela região havia nômades que constantemente migravam para outras regiões. Aquela poderia ser uma família de cinco. Mas porque, estavam parados na mesma posição faz meia hora? E por que não interagiam com o sinal? A lupa do super rifle de plasma percorria toda a superfície em busca de resposta. Foi quando, um movimento de cabeça do suposto mercenário revelou uma mordaça por dentro do capuz vermelho. Era uma armadilha e o alvo era ele! No mesmo instante pulou da colina, e em seguida, antes de cair no solo, uma bala de plasma percorrerá o lugar onde estava. A armadura esquelética amorteceu toda a queda.

-- Rino! Reagrupar. Eu sou o alvo.

Já era tarde, duas unidades robótica o atacavam. Surgiram do solo. O mesmo solo que checará minutos antes.

-- Mas que porra!

Leiko teria que bolar um plano tático em segundos. Rapidamente, se posicionou, para um único tiro. Tinha que acerta uma das unidades, para tirar a desvantagem na luta de Rino. Apenas uma chance, um tiro certeiro na cabeça. Em quanto isso os mercenários vinham na sua direção.

-- É agora.

Uma das unidades agarrou Rino pelas costas. Essa era a chance. Apenas um tiro! O tiro percorreu toda a floresta por 300 metros pegando certeiro na cabeça. A unidade cambaleou e caiu. A arma de plasma voltou a carregar. Agora, estava por sua conta e a preocupação era os mercenários.

Colocou o rifle nas costas e correu para mata fechada. Sabia que Rino podia se cuidar sozinho. Era uma unidade completa, construída com um meteorito de fora da terra. Um metal especial que tinha encontrado numa exploração nos destroços da bomba. Sem contar a tecnologia que ele próprio desenvolveu, por meio dos estudos iniciais realizados pelo pai. Era uma herança deixada após a morte.

O pai foi um importante cientista, um precursor do desenvolvimento da robótica e exploração espacial. Sempre convocado em conferências para discutir ás ações que seriam tomadas pelo homem.

Por causa da grande exposição e influência virou alvo de grupos governamentais. Resolveu se retirar da vida pública e desenvolver um projeto solo, que beneficiária toda a humanidade. O foca agora era a medicina cibernética. Mas para o sonho se realizar ele tinha que ter em mãos cristais de Vênus. E o governo jamais financiaria um projeto, sem sua supervisão e controle. A opção final era o contato com o submundo das grandes metrópoles. Nesse meio tempo, Leiko nascera. Fora criado dentro de um laboratório, o pai fazia questão de levá-lo sempre que possível. Era uma maneira de familiarizar o filho com a tecnologia. Ele tinha vários planos e a certeza que sozinho não poderia realizá-lo. O envolvimento com o submundo trazia um custo, e o custo era o acesso desses meliantes a alta tecnologia. Eles tinham em mãos a pessoa certa para fornecer apoio e conhecimento para seus projetos. E o final disso tudo, culminou na morte do pai. Ele fora vitima de um atentado quando se dirigia a uma conferência, aonde grandes líderes se reuniram para debater o futuro da medicina cibernética. Leiko nunca soube o motivo exato da morte do pai. Mas uma certeza tinha, nunca poderia confiar no governo e muitos menos nas organizações do submundo.

-- Pelo que vi, são três! Vou ter que pegar um por um. A vantagem que tenho é que eles também estão a pé e eu sou a presa!

Puxo um punhal a laser com uma mão e uma pistola blaster com a outra. Havia um prédio logo a frente que fora parcialmente destruído, certamente vitima de uma explosão. Era o lugar perfeito para uma emboscada. Armou duas bombas de plasma na entrada do edifício e subiu até o ultimo andar, saltou pela janela, calculou uma distância e posicionou o rifle. Agora era só esperar, força a entrada e acionar ás bomba. Três mercenários apareceram, todos fortemente armados, mas sem armadura, o que era uma característica dos mercenários. Eles andavam em triângulo, uma tática usada pra confundir e localizar o atirador. Mas Leiko, já tinha escolhido sua vitima, seria o que carregava o rifle de assalto. Mirou no braço direito do mercenário. O objetivo era arrancar o braço e força a entrada dos outros dois no edifício. Um tiro, um braço. O mercenário berrou e caiu de joelhos. Os outros correram para dentro e antes mesmo de entrar foram arremessados para trás, com o impacto da explosão. Leiko foi ao encontro deles e finalizou os dois com o punhal, só sobrou o mercenário sem o braço, que estava agonizando no chão.

-- Quem são vocês, e porque o alvo era eu?

-- Estávamos atrás do médico que anda transformando homens em ciborgue. A um alto preço pela sua cabeça no submundo, você é o herdeiro de uma tecnologia desconhecida.

-- Sim, sou.

Cortou-lhe a garganta.

Rino chegou logo em seguida. Estava visivelmente danificado. Toda a estrutura estava perfurada. Esse tipo de furo só podia ser feito com laser. A unidade que o atacará era de elite, a especialidade era o combate corpo a corpo, por isso os danos na armadura.

-- Chegou atrasado. Mas não tem problema, a maioria dos mercenários são burros mesmo, foi fácil liquidar esses três.

O sistema de movimentação do Rino, não podia ser ativado. Então voltaram correndo pela mata fechada. Por sorte a armadura esquelética lhe dava bastante movimento, pode acompanhar o robô tranquilamente. A família de nômades ainda continuavam no mesmo lugar. Os cinco amarrados dos pés a cabeça. Era o pai, a mãe e os três filhos. As crianças choravam sem parar. O pai se dirigiu ao Leiko, implorando por sua vida, no mesmo instante, Rino entendeu como uma aproximação ostensiva e atacou o pobre homem.

-- Rino! Não há ameaça aqui! Controlo-se!

A pancada foi tão forte que jogou o homem contra o veiculo da família e ele desmaiou.

-- Robô inútil, não sabe a diferencia entre um apelo e uma ameaça?

Foi até a mãe e entregou algumas cápsulas de remédio. Retirou-se, indo direção ao laboratório.

No laboratório, Leiko registrava tudo o que aconteceu no dia. Descobrirá que sua cabeça estava a premio e que as cirurgias clandestinas estavam fazendo sucesso no meio dos mercenários. Mas, a revelação do mercenário ia muito além de um ato cirúrgico fora da lei. Ela revelava a importância do pai no submundo. E que seus projetos, ainda hoje, provoca uma reação imediata na sociedade.

Esse poder, essa influência, incomodava Leiko. Ele não sabia o que estava por vim, mas tinha certeza que algo grande estava para acontecer.

16 de Novembro de 2020 às 15:43 0 Denunciar Insira Seguir história
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