New Year and Contradictions! Seguir história

moonie_e Moon ie

Yoongi gosta de frequentar aquele bar as sextas, apenas por ser um dos menos cotados da região, possibilitando-o tomar algumas cervejas e relaxar com as músicas ao vivo do local. Porém, na virada do ano, um garoto diferente e de outra região aparece por ali, para cantar. Só que Yoongi não esperava que, assim que o garoto tirasse o casaco, tantas perguntas sobre seu corpo esquelético surgissem. [Yoonkoook] | One-shot



Fanfiction Bandas/Cantores Impróprio para crianças menores de 13 anos. © Todos os direitos do texto são reservados

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Happy New Year!



Minha verdadeira felicidade está apenas começando

É oficialmente sexta e, como meus colegas de escritório, minha calmaria está estreitamente ligada aos finais de semana. Tudo o que faço, penso, planejo ou até mesmo marco, giram em torno do meu tempo livre. Pode parecer ruim pensar e agir assim, mas mesmo que eu não goste, ainda sei que é inevitável viver com esse tipo de problema, considerando que trabalho oito horas por dia trancado na droga de um cubículo, atendendo dos mais pobres e fúteis, aos mais ricos e ignorantes. Esse é o trabalho de um atendente de telemarketing.

Como meu trabalho é ser rejeitado, saiba que meus passeios nos finais de semana não envolvem muito sexo e paixão. Eles envolvem uma ida ao bar menos frequentado da cidade, cama até o meio dia e muito, muito café com leite.


Hoje, dia 31 de dezembro, apenas uma sexta comum de inverno, próxima ao ano novo, minha ida ao bar é de táxi e sem muitas expectativas. Meus amigos estão com suas respectivas famílias ou acompanhantes. Mais uma vez passarei a virada do no sozinho. Sem muitas energias, tudo o que resta é pagar esse taxista péssimo e beber alguma coisa fraca, apenas para não passar vontade.


- Uma cerveja, por favor.


- É pra' já, Yoongi. - o barman abre a garrafa de vidro, entregando-a para mim.

Como estamos em clima de festividade e promessas feitas em vão, creio que não existe lugar melhor para estar. A música é calma e o barulho dos pequenos grupos de homens e mulheres bebendo abafa um pouco os gritos e fogos do lado de fora, mesmo que ainda não tenha dado meia noite.


O lugar é velho, existe desde 1958 e parece que nunca de fato o reformaram, apenas rebocaram e pintaram por cima das falhas da estrutura. O dono morreu a uns anos, mas sua esposa começou a comandar o lugar que, imagino eu, já foi muito famoso um dia. Todas as paredes são enfeitadas com discos de vinil e algumas luzes roxas e azuis, provavelmente resquícios de um natal a 10 anos atrás. As mesas são redondas e não abrigam mais de três pessoas por vez, feitas de uma madeira escura e com um verniz de má qualidade, igual ao balcão onde estou.


O palco de apresentações ao vivo está sendo usado hoje, mas também é velho como o resto do lugar. O pequeno palanque de madeira tem duas caixas de som de cada lado, com fios embaralhados por debaixo da tapeçaria manchada de inúmeras bebidas. Uma cadeira ao centro e um apoio também velho para o microfone de fio ficaram de lado por hoje, mesmo que um garoto de cabelos negros esteja cantando.


Ele parece ser alto e suas blusas pesadas de frio o cobrem de maneira desajeitada, dando-o um ar mais despojado. O cantor usa uma calça jeans dobrada no tornozelo, timberlands pretas, uma camisa e duas blusas, um suéter esverdeado e uma jaqueta preta, com certeza adequada para a neve que cai do lado de fora.


Sua voz é calma e ele tem uma boa noção de técnica, já que não o ouvi desafinar nada até agora. O garoto mantém a cabeça abaixada e os olhos fechados por praticamente o tempo todo, creio que não costuma se apresentar para ter uma postura tímida dessas em cima do palco, mesmo que o lugar seja calmo e sem graça. Seus dedos finos seguram o microfone como se fosse a coisa mais preciosa do mundo. Sua voz transmite o sentimento de que é sua última música todas as vezes que ele começa uma nova. Ligeiramente melancólico.


- Hey, quem é esse garoto? - perguntei para o barman que, pelo susto, ou estava dormindo, ou prestando muita atenção na apresentação de música.


- Ah, o nome dele é Jeon alguma coisa, ele veio pedir para se apresentar aqui hoje durante a tarde e conversou com a patroa, não sei como ela deixou, esse moleque não aparenta ter mais de 16 anos.


- Hum... Ele tem talento, deve ser por isso que ela deixou. Mas imagino que ele tenha uns 19, pelo timbre da voz.


- Nossa, falou o especialista em música. Não quer ir lá se apresentar não? Pelo visto sabe o suficiente sobre o assunto. - olhei para o velho homem que, aparentemente, estava mal humorado. Acho que ele nunca foi tão irônico comigo nesses três anos que venho aqui.


- Sabe, tem razão, acho que vou lá cantar mesmo, sou formado em música e fiz aulas de canto dos 13 aos 22, creio que não há maiores problemas em me apresentar, não? - novamente, o homem me encara com cara de poucos amigos, quase cuspindo na minha cara.


Levanto-me, sentindo que a discussão não valia a pena. Vou a primeira mesa, aproveitando para ouvir melhor a voz de, provavelmente, Jeon "alguma coisa". Vendo-o mais de perto percebo que, sim, ele é mais alto que eu, e que também é mais magro do que eu imaginava. É possível ver sobras de tecido em sua calça e em sua camisa, intrigando-me um pouco. Como essa é, de fato, sua última música, ele se anima um pouco, cantando alguma coisa do Elvis. Mais animado, ele caminha no projeto de palco, tirando sua blusa preta e se ajustando ao ritmo da música, batendo os pés e estalando os dedos, sorrindo.


Assim que ele encerra a performance, recebe os aplausos das 16 pessoas que habitavam aquele lugar, contando comigo. O palanque não tinha uma "saída" de fato, era apenas para a pessoa descer de qualquer lugar. Contando com isso, eu segui seus paços e fui até o canto que ele pulou. Chamei-o.


- Hey, Jeon certo? Posso falar contigo?


Ele deveria ter uns 19 anos de fato, mas o rosto ainda lembrava o de um adolescente, mesmo que não tivesse espinhas ou coisas do tipo, ele aparentava ter acabado de sair da escola. Jeon estava um pouco assustado com minha presença ali, mas mesmo assim deixou um sorriso gentil para mim e acenou positivamente com a cabeça, deixando que eu me aproximasse mais.


- Min Yoongi, prazer. - estendo-lhe a mão, recebendo seu aperto de volta. - Eu realmente gostei das suas apresentações, queria lhe das os parabéns. Aceita uma bebida?


- Jeon Jungkook. Estou feliz que tenha gostado e muito obrigado por oferecer, eu aceito sim. - ele sorri e me indica qual mesa ele deixou suas coisas. Pego uma cerveja para ele e para mim, novamente.


- O que uma pessoa com a voz que você tem faz num lugar deprimente desses? - decido iniciar alguma conversa, entregando-lhe a cerveja e me sentando na velha cadeira que parecia descascar em todas as beiradas.


- Bom, é difícil conseguir algum espaço na música, principalmente agora com a ascensão de grandes bandas de rock, meu estilo é calmo de mais para os produtores. Eu não sou o que eles precisam.


- Eu sou formado em diversos cursos de música, apesar de não ter uma boa faculdade por aqui. Também encontrei dificuldades por conta do meu estilo, acabei virando atendente de telemarketing apenas para conseguir manter minha vida. Você não é daqui certo? Imagino que veio de uma cidade com mais oportunidades que Daegu, sem dúvidas. Não existem produtores bons aqui. - tento ao máximo manter um assunto sobre ele. Minha curiosidade sobre Jungkook só aumenta a cada movimento que suas magras mãos fazem ao tomar um gole da cerveja barata.


- Eu sou de Busan, litoral. Lá não está tão diferente daqui como parece. Pelo menos nessa região as pessoas ouvem mais do que gosto. Busan é uma cidade grande, mas isso faz com que as pessoas ouçam o que está na moda. Gostaria de ser um cantor de pop, mas é bem difícil quando as pessoas tomam como exemplo a Madonna e o Michael Jackson, querendo compará-los a você.


Concordo com a cabeça, sabendo exatamente sobre o que ele estava falando. Eu gostaria de ser cantor de rap, mas é algo meio recente por aqui, o que não me deu muita escolha além de desistir e guardar esse desejo no fundo da minha memória.


- Pretende se apresentar de novo hoje? Logo é meia noite. - novamente tento entender o que ele fazia ali, mas fico restrito a apenas perguntas sobre o presente e não sore seu passado e como foi parar naquele bar.


- Bom, não sei, se ninguém decidir se apresentar talvez eu vá mais tarde, mas minha garganta está um pouco seca agora. Eu me apresentei durante a tarde num restaurante do centro, só vim aqui a essa hora porque preciso de dinheiro e é um dos poucos lugares com música ao vivo abertos a essa hora, entende?


- Compreendo. O que acha de cantar comigo? - Jeon quase engasgou com a bebida, arrancando risos de minha parte.


- Como disse?


- Eu perguntei se não aceita cantar comigo, o que acha? Fiquei com vontade de cantar de novo, fazem quatro anos que não subo em um palco. Mesmo que aqui tenha um projeto de palco com duas caixas de som horríveis, acho que da pro gasto.


- Bom, creio que tudo bem... Qual música quer? Talvez eu tenha o instrumental dela.


- Aceita um desafio? O que acha de cantar Stayn' Alive do Bee Gees,* sem instrumental? - proponho, sabendo que, pelo seu perfil de vestimenta, modo de falar e até mesmo de cantar, ele sem dúvidas conhecia Bee Gees. Esse garoto me parece bem transparente quando ao que gosta, já que mistura várias manias de vários artistas na própria personalidade de palco.


Isso me mostra duas coisas. Um: ele respira música, todos os dias. Dois: seu estilo é tão misto que acaba o tornando original, apesar de extremamente tímido.


- Bom... É uma música agitada... Tem grandes chances de eu perder o ritmo enquanto canto.


- Não se preocupe com isso, eu vou cantar também, caso você se perca eu vou continuar cantando.


- Hum... Okay, eu canto com você.


Ele não me pareceu muito confiante com isso, mas mesmo assim terminou a cerveja e se levantou, rindo de nervoso, tirando o cardigã.


Foi naquele momento que eu de fato percebi que ele não era apenas muito magro, mas sim esquelético. Sua camisa branca tinha apenas um botão aberto, mas ainda sim era possível ver sua clavícula pela largura da gola. Os braços do rapaz tinham também os ossos aparentes e algumas marcas roxas de batidas eram perceptíveis, mesmo com a luz escaca do local. Seus ossos eram mais parte dele do que sua pele, como se o enxergássemos de dentro para fora.


- Preparado? Achei que o desafio era pra mim. - Sua resposta desafiadora é dirigida a mim, acordando-me dos pensamentos invasivos sobre a vida do rapaz.


- Quantos anos você tem? - Totalmente sem contexto, mas mesmo assim eu perguntei.


- 21, nasci em setembro. Por que isso agora?


- Tinha esquecido de perguntar. - levantei-me, caminhando ao palco, sorrindo de canto. - Vamos? Você me parece mais animado agora.


- Talvez eu realmente esteja.


Entre sorrisos desafiadores e algumas indiretas, subimos no palco e eu conectei meu velho e bom microfone na caixa de som, sem colocá-lo no tripé. Jeon mantinha a postura tímida, mesmo que os olhares que lançava para mim revelassem o contrário. Ele é competitivo, quer ver se eu realmente sei cantar alguma coisa ou se estava de brincadeira com a cara dele.


Veremos.


[...]


Nós fomos espetaculares de uma maneira que eu nem consigo compreender.


Toda a música saiu correta e nossas vozes combinaram muito bem, mesmo a música sem instrumental, nós abrimos vozes e mantivemos uma energia de palco que a muito tempo eu não sentia. Jungkook não perdeu o ritmo e vez uma segunda voz incrível, com um tom que eu não entendo como ele conseguiu alcançar.


- Nós fomos incríveis Jeon! - viro-me para ele, assim que descemos do palco, abracando-o de lado.


- Eu sei! Acho que nunca mais consigo uma apresentação dessas. Obrigado por me desafiar a cantar.


- Ah, não por isso, posso te desafiar mais tarde. - sorrio, pegando meu casaco e minha cerveja. - O que acha de irmos lá fora?


- Pretende me sequestrar?


- Só se for para você cantar comigo todos os dias.


- Não seja cruel, eu deixo você me sequestrar de boa vontade se for pra' isso. - Nos olhamos e rimos, deixando a mesa e cadeiras no lugar que estavam quando chegamos. Jeon já estava saindo quando vi que ele deixou a jaqueta em cima da mesa


- Ei, sua jaqueta. - fico atrás dele, colocando-a sobre seus ombros, apertando-os de leve.


Fomos a uma mesa que ficava na frente do bar. A vista da cidade era extremamente bonita e o clima de ano novo deixava tudo um pouco mais colorido mas, a minha frente havia uma coisa mais interessante para se observar.


- Min Yoongi... Acabei de lembrar que não sei nada sobre você além do nome e trabalho. - Diz o mesmo, apoiando os braços cruzados sobre a mesa, com a jaqueta exatamente do mesmo jeito que eu deixei.


- Em contra partida eu sei seu nome, idade, trabalho e até sua cidade natal. Também sei que tem uma ótima voz. De fato, eu posso te sequestrar e encobrir o caso sem ninguém desconfiar. - também apoio meus braços na mesa, imitando sua expressão, com um sorriso de lado e uma sobrancelha erguida.


- Se importa de responder algumas perguntas apenas para o caso de eu ser jogado no porta-malas de um carro preto?


- Sem problema nenhum, meu carro é vermelho. - rimos, deixando a conversa cada vez mais confortável.


- Okay, faça um breve resumo de si mesmo. Vai que eu me apaixono perdidamente por você? Preciso saber ao menos onde te encontrar antes de ir embora.


- Bom - começo sem saber muito o que dizer - Sou Min Yoongi, tenho 26 anos, formado em música, trabalho na merda de um escritório, não acredito no amor... Hum, tenho um carro vermelho e surrado, vivo para ouvir música. Está bom ou precisa de mais informações? Minha ficha na polícia tem que estar bem completa certo? - Ele ri, negando com a cabeça.


- Sim tenho mais algumas perguntas, mas eu prefiro guardá-las.


- Por que guardar suas dúvidas quando a provabilidade de nos encontrarmos de novo é quase mínima?


- Okay. tenho duas perguntas.


- Faça-as então. - novamente o desafio com o olhar.


- Min Yoongi, imagino que seja solteiro, já que não acredita no amor. Mas, qual sua opção sexual? - Jeon também toma sua postura.


- Que assunto delicado, não? - respondo irônico. - Sou Gay, mas meus encontros nunca deram muito certo. Posso saber mais duas coisas sobre você?


- Hum, pode.


- Espero não soar indelicado com nenhuma dessas perguntas mas, você é magro assim por que?


- Estou anoréxico. É um problema psicológico. Eu não comia quase nada, apenas para emagrecer, mas já estou em recuperação. A dois meses eu fui internado e meu coração quase não batia, sem energia alguma para ficar vivo.


Tentei de todas as formas absorver o que ele havia dito, mas ainda parecia algo muito distante do meu conhecimento. Como pode alguém chegar nesse estado? Ele por acaso era gordo ou algo do tipo? Era para esclarecer minhas duvidas sobre o caso, mas eu apenas criei mais e mais perguntas sobre o garoto na minha cabeça.


- Pode me perguntar o que quiser sobre, vejo em seu rosto que ficou curioso. Um breve resumo é que eu fui um pouquinho acima do peso a vida toda e sempre ouvi que para ser contratado nas gravadoras eu precisaria emagrecer. Curioso isso, pois quando cheguei lá magro desse jeito, me chamaram de doente e pediram para que eu engordasse.


- As pessoas são escrotas, nada de novo sobre o sol. Mas não quero perguntar mais nada, você já explicou um pouco e eu preciso de uns dias para entender direito o que é isso. - Jungkook ri, passando as mãos no cabelo. - Posso fazer minha última pergunta?


- Quado quiser.


- O que acha de ter uma paixão avassaladora comigo?


- Acho que seria uma ótima 'boas vindas' a cidade.


Dito isso, vimos e ouvimos as pessoas comemorarem, gritarem e estourarem fogos coloridos por todo o céu escuro e nublado de Daegu, cidade que abrigava aquele pequeno e velho bar, onde eu jamais imaginei passar a virada do ano de 1990.



Muito obrigada a todos que leram. Espero que tenham gostado.

*A música citada está disponível no Youtube. Todos os diretos vão para seu criador e o estúdio.

18 de Julho de 2019 às 23:36 0 Denunciar Insira 0
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Moon ie Todas as minhas ideias e histórias completas estão aqui, nada de especial

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