O Prédio ao Lado Seguir história

amabily-stadler1563474356 Amabily Stadler

Nesse suspense você vai conhecer a descolada adolescente Amélia Ross. Órfã, foi deixada na porta de um abrigo para moradores de rua em Baltimore, onde cresceu e aprendeu como sobreviver em meio à pobreza, drogas e prostituição. Não confia em ninguém, somente em seu instinto de sobrevivência quando se trata de cuidar de si mesma e de quem ama, principalmente da sua melhor amiga Olga, que a considera como uma irmã. Amy é durona, determinada, mas também é frágil por causa de toda a dor que sente por não conseguir salvar sua amiga das drogas. Quando Olga se envolve com um traficante, Amélia decide focar em si mesma e consegue começar uma faculdade, ignorando as mensagens e ligações da amiga, tentando recomeçar. Mas o peculiar estilo de vida de Amy sofre uma reviravolta quando Olga desaparece sem deixar pistas. Aos poucos, Amélia involuntariamente é envolvida numa rede de mistério que se transforma num desafio pessoal, quando descobre que ela pode ser a próxima vítima. Então Amélia começa uma investigação perigosa, com a ajuda constante do melhor amigo da faculdade, com quem tem certa tensão sexual, Josh. Josh aparentemente tem a vida perfeita. Não é pobre, é um ótimo atleta de beisebol e com um futuro promissor. Mas em casa há alguns esqueletos no armário, um acontecimento em particular que definiu sua família em antes e depois.


Suspense/Mistério Todo o público.

#mistério #tráfico #amigos #suicídio #378 #friendshipromance #melhoresamigos #melhoresamigas #meninorico #garotapobre #assissinato
0
489 VISUALIZAÇÕES
Em progresso - Novo capítulo Todas as Quintas-feiras
tempo de leitura
AA Compartilhar

Prólogo

Domingo, 14 de março de 2018.

4h11 – Gilmor Homes, Sandtown Winchester

Baltimore, EUA.


Eu podia ouvir o barulho da chuva fraca do lado de fora. Ela batia contra a janela de um jeito melancólico. Eu sabia que ainda não havia amanhecido. Olhei a hora no celular ao lado da cama e vi que passava das quatro da manhã, mas alguma coisa me mantinha acordada. A sensação de saudade de algo que nunca chegou a ser meu. Não sabia o que era, mas aquilo me perturbava havia semanas, como se me preparasse para alguma coisa que estava por vir. A antecipação de um vazio futuro.

Espreguicei na cama, me esticando o máximo que consegui. Olhando para o vidro sem cortina, a sombra das gotas de chuva que desciam pela janela era hipnotizante. Eu seria capaz de passar horas encarando aquilo sem me cansar. Olhei novamente para o celular. Quatro e meia. Sentei na cama, colocando os pés no chão frio, e me levantei, tentando não cambalear de cansaço, enquanto tentava ir em direção ao banheiro.

Coloquei a mão na maçaneta, parei em frente à porta e pressionei a testa contra ela, fechando os olhos. Aquilo estava acabando comigo. Eu só precisava de uma boa noite de sono. Só isso. Abri a porta. Em frente a pia, observei minha imagem refletida no espelho. O rosto tinha olheiras, e o cabelo escuro estava desgrenhado. Suspirei me apoiando no balcão da pia e encarando a mim mesma mais de perto. Minha pele é clara, branca demais, os olhos verdes, mas opacos. Minha expressão estava cansada. Cansada não: exausta.

Tinha certeza de que não conseguiria voltar a dormir. Nunca conseguia; minhas noites tinham se reduzido a duas horas de sono no máximo, e muitas outras rolando na cama sem conseguir fechar o olho. Suspirei, abrindo a torneira e lavando o rosto com água fria. Os vestígios de rímel ao redor dos olhos apenas acentuavam ainda mais minhas olheiras. Encarei-me no espelho enquanto a água escurecida pela maquiagem ia embora pelo ralo.

Queria poder lavar também o enjoo que estava sentindo. Noites de festas e bebidas realmente não eram sinônimos de “bem-estar”, mas fazer o quê? Era daquele jeito que eu conseguia me distrair, fugir um pouco da minha vida chata e entediante. Minha vida se resumia em estudar o dia todo e depois fazer o que me dava na telha. Podia ser uma festa ou uma volta na rua com os meus “amigos”.

Agora estava me preparando para entrar no banho, sentindo a cabeça latejar por causa da quantidade de álcool que eu tinha ingerido. Minha boca tinha um gosto metálico horrível, e eu queria muito vomitar. Já tinha me acostumado a essa sensação. A bebida me fazia esquecer, por alguns momentos, quem eu era, e eu precisava disso. O álcool dá essa ilusão de liberdade, mas, depois do efeito entorpecente, a realidade volta a nos atingir feito uma bomba nuclear, nos devastando por completo, e somos obrigados a encará-la novamente.

Sentei-me na pequena banheira, sentindo o jato de água quente bater com força contra as minhas costas. Abracei os joelhos, suspirando. Como é que eu ia começar mais esse dia? Era como se eu estivesse perdida, num modo automático quase permanente, agindo como todos achavam que deveria, mantendo as aparências, correndo atrás do que seria o meu sonho e lutando para chegar lá mesmo que tivesse que passar por cima de qualquer um para alcançá-lo.

Mas eu sabia que aquilo não se sustentaria para sempre. Alguma coisa me dizia que tudo iria mudar, e não levaria muito tempo até que eu me tornasse algo que nunca pensei me tornar. Eu só precisava esperar que esse dia finalmente chegasse.

***

São sete e quinze da manhã, faz frio aqui fora, mas está tão lindo assim, com esse céu nublado, cinza escuro. Sem vestígios do sol. Estou acordada há algumas horas, sentada no meio fio em frente ao prédio ao lado. Não consigo dormir. Não durmo há dias. Odeio isso, odeio insônia mais que tudo na vida; ficar ali deitada, o cérebro funcionando, os pensamentos gritando. Sinto o corpo todo coçar e tenho vontade de esfregar a pele até sangrar.

Quero fugir. Quero pegar a estrada, com um jipe conversível, viajar sem rumo. Queria explorar a Europa como mochileira, ou percorrer toda a costa do Pacífico nos Estados Unidos. Talvez, se eu tivesse feito tudo isso, não teria acabado aqui, sem saber o que fazer. Ou, talvez, se tivesse feito tudo isso, teria acabado exatamente aqui e estaria satisfeita. Mas não fiz tudo isso, claro, porque a mulher que seria minha mãe me abandonou, e estou sozinha no mundo desde então.

Sinto falta do que nunca tive. Sinto falta deles todos os dias. Dos meus pais. Mais do que qualquer coisa, acho. É o grande vazio na minha vida, no meio da minha alma. Ou talvez isso tenha sido só o começo. Não sei. Não sei nem se isso tudo tem mesmo a ver com o fato de eu ser órfã, ou se tem a ver com tudo o que aconteceu depois, e com tudo o que aconteceu desde então. Só sei que, num instante estou animada e a vida é bela e nada me falta, mas, no outro, não vejo a hora de fugir; não consigo evitar a ansiedade, fico parecendo uma barata tonta.

Preciso encontrar um jeito de me fazer feliz, tenho de parar de procurar a felicidade em outros lugares. É verdade, eu faço isso, sei que faço, e de repente estou vivendo o momento e simplesmente penso: foda-se, a vida é curta.

18 de Julho de 2019 às 18:35 0 Denunciar Insira 0
Continua… Novo capítulo Todas as Quintas-feiras.

Conheça o autor

Comentar algo

Publique!
Nenhum comentário ainda. Seja o primeiro a dizer alguma coisa!
~