Complicado Seguir história

lolintypop Senhorita Bassakin

Onde dois anos são considerados como distância.


Romance Romance adulto jovem Para maiores de 18 apenas.

#romance #comédia #yaoi #lbgt #suspense
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Mendacioso

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Talvez os problemas que a humanidade enfrenta são o reflexo de suas atitudes passadas, ou apenas mais algumas das obras desse nosso querido e famoso destino. Talvez sejam apenas pessoas dramatizando coisas simples que, de fato, poderiam ser resolvidas com certa facilidade.

O leitor já pensou sobre o papel do narrador (narradora, neste caso) em um texto, um relato, uma história? Bom, se não, digamos que não é nada simples. O narrador não pode mentir. Já pensou se a narradora dissesse que o garoto de cabelos dourados bateu na raposa; sendo que ele, na verdade, a cativou? O leitor ficaria muito confuso.

A mentira é um dos problemas que assombram a humanidade. O leitor confiaria tanto assim na narradora ao ponto de guardar em sua mente tudo o que ela diz, acreditando cegamente em suas palavras? Não estou dizendo que ela mente, é claro, mas se ela quisesse que um personagem fizesse tal coisa, o personagem irá a fazer; porém, e se – apenas "e se" – o personagem, na realidade, não fez tal coisa?

Saberia o leitor daquela famosa frase, digna de um verso em refinado poema, que dizia, com expressões simples porém tocantes, as seguintes palavras: "na volta a gente compra"? Uma frase pontiaguda que comove até os mais fortes, que seria capaz de arrancar as ilusões dos olhos de crianças esperançosas que aguardam por objetos que jamais irão possuir. É um exemplo do que a narradora poderá fazer durante os capítulos.

Obs.: não, isso não é uma desculpa para o acaso da narradora fazer, sem querer, alguma contradição na história.

No ano de 2018, o cantor e compositor Edward Christopher Sheeran casou-se com uma mulher chamada Cherry Seaborn. É aquele clássico relacionamento hétero entre uma mulher mais baixa e "um ano mais nova" que o homem. Não que a narradora seja contra (talvez ela apenas esteja com um pouquinho de ciúmes), porém vemos esse tipo de relacionamento em todo o lugar. Um relacionamento convencional?

Desse jeito, Complicado será uma história fictícia – pelo amor de Deus, ênfase em "fictícia" – um tanto... complicada. Para entender e aproveitar a história, o leitor irá precisar sair do convencional e esquecer um pouco das normas politicamente corretas.

E a narradora se pergunta: seria politicamente correto uma mãe ferir seu próprio filho? Bom, pois esse era o motivo da horrenda cicatriz que estragava o rosto perfeito de Noah. Mesmo sendo apenas um traço marrom-avermelhado em seu olho esquerdo, aquela cicatriz ficaria para sempre como uma falha na inacreditável beleza do garoto. O que antes fora um "Nossa, como você é lindo!" agora era um "Minha nossa, o que aconteceu com o seu olho?!".

Agora que a narradora percebeu o quão retórica é a locução interjetiva "minha nossa". Minha. Nossa. Dois pronomes totalmente diferentes, que, por algum motivo, virou uma coisa tão cotidiana. Quem foi o ser de admirável senso verbal que teve essa ideia?

O vento gélido do inverno, no início do agosto de 2006, era bem mais gelado do topo daquele prédio, onde Noah estava sentado, observando o sol se pôr na imensidão do horizonte. Era um belo horizonte, porém estava em São Paulo, a cidade mais rica desse nosso Brasil.

Já fazia um tempo; uns dois meses, para a narradora ser exata; que Noah havia se mudado com seu pai para São Paulo, deixando sua mãe sozinha em Vitória (finalmente uma menção do Espírito Santo!), sua cidade natal. Isso depois que ela fez aquela cicatriz em seu olho com um copo – ou o que sobrou de um copo –, em uma de suas crises nervosas. Noah não era o melhor filho de todos, porém sua mãe sempre foi um tanto desequilibrada. Não que seu pai fosse o mais paciente, é claro. Este era legal quando Noah seguia suas regras; caso contrário, os castigos eram terríveis.

Como um profissional mestre do parkour, Noah passava suas tardes em cima de prédios e telhados. Às vezes Liam o acompanhava, mas apenas umas duas ou três vezes por mês. Como era possível tanta intimidade entre duas pessoas que se conheceram há apenas dois meses? Pois era assim a amizade entre Liam e Noah.

Liam tinha dezesseis anos, um ano mais velho que Noah, porém fazia aniversário em dezembro, o que resultou em estar na mesma série que o amigo. Primeiro colegial... Como o tempo passa rápido!

Liam vivia em uma casa não tão longe com sua mãe, e era lá que gostava de passar suas tardes. Nunca se soube nada sobre seu pai. Noah imaginava que era por isso que eles se tornaram tão amigos. Noah não tinha a mãe por perto, e Liam muito menos o pai.

Noah olhou o relógio em seu pulso e se apressou em voltar para casa. Seu pai logo estaria chegando do trabalho e não ficaria nada contente em saber que o filho pulou a janela do quarto para ficar se jogando de telhado em telhado (e descobrir também que este andou pegando escondido o seu relógio de pulso). Seu pai era bem rigoroso quando o assunto era "sair de casa sozinho".

Eram quase sete horas da noite quando Noah pulou a janela de seu quarto e a fechou por dentro. Colocou o relógio na gaveta de seu pai. Voltou uma hora antes porque o jantar não se preparava sozinho.

Que o leitor seja bem-vindo à vida de Noah, um lindo garoto de quinze anos; inexpressivo, maduro e com sede de independência da asa super-protetiva de seu pai, o temido sr. Mint. Entretanto, não havia nenhuma água para matar essa sua sede de independência. E se a narradora dissesse que seu pai não o deixava ir nem mesmo para a casa de Liam?

Já se passava das oito quando a porta da bela casa rangeu. Noah já havia desligado o fogo, deixando o aroma de janta quentinha se espalhar por toda a casa. Sua mãe sempre cozinhou muito bem e o ensinou algumas receitas. Temos aí um exemplo da ótima época de quando ela era mais controlada...

Já sentados à mesa, pai e filho jantavam calados, até que Noah começou:

— Como foi seu dia no trabalho?

— Cansativo. Queria poder ficar em casa aos sábados, igual a você.

— Pelo menos, o senhor tem os domingos.

— É apenas um dia, e eu gostaria de passar mais tempo com você. Você deve se sentir muito sozinho aqui em casa, durante a tarde.

— Às vezes é bom ficar só.

— Uhum.

— O que o senhor está achando do jantar?

— Bom.

Era óbvio o desinteresse do sr. Mint por qualquer tipo de assunto, então o garoto prosseguiu o jantar em silêncio.

A casa em que moravam era uma recente propriedade do sr. Mint, que, apesar da construção ser um pouco antiga, estava perfeito estado. Um quarto, uma suíte (aqueles quartos com banheiro, sabe?), um banheiro no corredor, uma sala, uma cozinha e uma pequena lavanderia. Ele a havia comprado há um tempo, quando a família estava decidindo se mudar para São Paulo. Claro, o incidente com a sra. Mint acabou pondo tudo por água abaixo.

A narradora ainda não pensou em qualquer motivo na história para a sra. Mint ter feito aquela cicatriz no filho, porém não se preocupem: logo a narradora fará isso ser útil. Sendo assim, o leitor vai precisar se lembrar desse detalhe.

Ah, e claro, palmas para a narradora. Ela teve a brilhante ideia de fazer aquela confusão lá em cima, o que fez com que o leitor desconfiasse das palavras dela. A narradora espera que ela não precise ficar especificando o que é importante para o compreendimento da história, então, basicamente, o leitor vai ter que aprender a ser vidente daqui a alguns trechos.

Se bem que, se a narradora não disser o que é ou não é importante e, eventualmente, fazer esse acontecimento vier à tona sem aviso nenhum, fará o leitor ficar com os olhos arregalados, pensando algo como: "Ah, é mesmo! Como pude eu, um mero leitor que é facilmente ludibriado por essa espetacular narradora, esquecer deste detalhe?!". Perfeito! Boa sorte a você, leitor.

Ah, e claro de novo, Tocantins para a narradora (com este segundo trocadilho geográfico do capítulo, a narradora esclarece ao leitor que ela odeia Geografia). Agora o leitor vai ficar mais esperto quando perceber algum acontecimento "insignificante" lá no cantinho da história. Por isso, caro leitor, esqueça o que a narradora disse no último parágrafo.

Existem vários motivos para a chuva existir, e um deles é para fazer as pessoas refletirem sobre suas vidas e seus problemas. Noah ouvia as gotas de chuva caindo freneticamente no chão e no telhado, porém não conseguia as escutar. Estava perdido em seus pensamentos, deitado em sua cama, na penumbra. Seu quarto, infelizmente, não era a suíte; então, leitor, imagine um quarto não muito grande, com uma cama, um armário, uma escrivaninha e uma estante de entediantes e grossos livros que o seu pai fez questão de escolher. Ficções, romances, comédias? Nananinanão. Enciclopédias, livros históricos, livros didáticos? Com certeza; por que não?

Que ridículo.

Noah já havia se acostumado com essa nova vida que levava com o pai e, com esforço e dedicação, conseguia não ser contaminado com essas regras rígidas e a não se tornar em alguém com a mente danificada ou algum nerd em uma bolha. Ele realmente não sabia decidir se agradecia pelo pai ter conseguido sua guarda ou se revoltava por causa disso. Será que a vida com a sua mãe seria pior?

Uma forte onda de decepção passou por Noah. Mesmo estando com a mesma expressão de antes, teve o sentimento de que sua mãe poderia ter sido melhor. Ela tinha tudo para ser perfeita, mas escolheu fazer o que fazia. A situação com o que sobrou do copo foi só uma das outras coisas que ela fez. Como ela pôde fazer isso com seu próprio filho e marido? Era uma realidade que Noah já aceitou, então por que continuava a remoendo?

O dia seguinte seria um sábado, o primeiro sábado do frio agosto de 2006. Noah gostava particularmente dos sábados, principalmente pelo fato de que não tinha aula – correção: não tinha nenhum adolescente retardado querendo chamar a atenção – e pelo fato de que seu pai trabalhava. A combinação perfeita! Os vasos de porcelana nas janelas e as telhas soltas que o esperassem! E melhor: conseguira convencer Liam de o acompanhar daquela vez.

Não precisava acordar cedo no dia seguinte, e, mesmo que quisesse, não valeria a pena. Sr. Mint só sairia com o carro umas onze da manhã, então Noah, apesar de não ter aula, continuaria com o mesmo tempo de sempre para ficar fora de casa.

Como queria estar bem disposto para o dia seguinte, ele fechou os olhos e tratou de dormir.







21 de Julho de 2019 às 17:55 0 Denunciar Insira 3
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